ENTREVISTA DE PAUL MCCARTNEY AO FANTÁSTICO

Domingo passado, 29 de janeiro de 2012, foi ao ar no programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, uma entrevista com Sir Paul McCartney a respeito de seu novo álbum, realizada pelo repórter Marcos Losekan em Londres.

O álbum, que recebeu o nome de “Kisses on the Bottom”, a princípio ficou conhecido pelo título de sua música de trabalho, “My Valentine”, será lançado no dia 07 de fevereiro, pelo selo “Concord/Hear Music”.
As canções traduzem puro clima de romance e o amor certamente estará no ar quando o disco chegar em fevereiro, com suas baladas românticas, entre músicas originais e covers.

McCartney diz que as músicas devem soar como canções de 1920 a 1940, que eram as músicas que ele e sua familia ouvia.

Em entrevista à Revista Rolling Stone, Paul ainda diz que desde a época dos Beatles ele queria fazer um álbum do tipo “padrões pop”, e está aí a novidade, onde apenas duas canções são inéditas:

Paul McCartney revela quais as canções que influenciaram os Beatles

A entrevista ao Fantástico

A entrevista com mais detalhes, exibida pelo canal F

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A Confecção da Capa do Álbum Sgt. Pepper, dos Beatles

O álbum Sargent Pepper`s Lonely Hearts Club Band será sempre o meu álbum dos Beatles preferido, pois é o que mais marcou na minha vida, talvez por ter sido o primeiro que comprei, exatamente na data de seu lançamento, em 1967, ou então por ter sido aquele que me levou a estudar a Lingua Inglesa.

É que o Sgt. Pepper`s foi o primeiro álbum que veio com as letras, e me lembro de passar o dia inteiro ouvindo o disco e acompanhando a letra pelo encarte, por que queria aprender a pronúncia e conseguir cantar junto com eles.

Daí a me formar em Língua Inglesa e Literaturas Portuguesa e Inglesa foi um passo…hehe

Pois bem, o propósito aqui é falar da capa do álbum, então vamos ao que interessa.

Em 1993 George Martin lançou um livro pela Editora Macmillan London Ltd. que se chamou “Summer of Love, The Making of Sgt. Pepper”. É um livro muito interessante principalmente pra quem gosta do álbum, e no capítulo 14, ele descreve como foi feita a tão famosa capa.

Segue uma tradução do capítulo, feita por mim, Lucinha Zanetti:

Certa vez, no South Bank Show, um programa de TV que era transmitido pela London Weekend Television, apresentado por Melvyn Bragg e visto em vários países, Paul disse:

_ “Eu poderia ir num sábado de manhã, a um lugar em Liverpool chamado Lewis`s, levando comigo 50 centavos de libra (£10 bob), comprar meu disco, e depois me sentar no ônibus por meia hora enquanto ia lendo a capa. Eu a tiraria da embalagem pra ler, olharia o selo, lia tudo que os meus olhos alcançassem. Assim seria com o Pepper, pensei, é isso, ele tem um conceito global, vamos fazer uma a capa embalada  com pequenas coisas, de maneira que daqui a três meses alguém vai dizer, “oh, eu ainda não tinha visto isso aqui…” A idéia toda era colocar tudo, o mundo inteiro, neste pacote; foi por isso que chamamos Peter Blake…”

A partir daí George Martin e os Beatles começaram a trabalhar na capa do álbum. A capa do Sgt. Pepper, como na música que ele contém, teve a intenção de abrir a mente das pessoas e foi o que aconteceu!

Foi como um facho de luz penetrando numa velha mina. Ela havia captado a excitabilidade divina, a confiança do arco Iris e as cores do dia. A capa realmente marcou presença e provocou um culto massivo de seguidores, uma espécie de “cover-cult” (capa cultural) que cresceu e cresceu até que se tornou uma indústria de venda por atacado por direito próprio. Isto tornou-se realidade principalmente no maior mercado do mundo, os Estados Unidos.

Foram criados concursos por toda parte para ver quem poderia dar nomes a todos os rostos da fotografia. Peter Blake era provavelmente a única pessoa viva naquele momento que poderia fazer isso, e até mesmo ele teria tido dificuldades em dar os nomes a todos os gurus indianos de George.

O jornal The Sunday Times passou à frente dos rivais publicando pistas para as faces, mas mesmo assim ainda não estava completo.

Apesar de todas as tentativas quanto às desmistificações, mitos sobre a capa ainda surgiram, totalmente formados a partir do nada.

Até o Sgt. Peppers ser lançado, as capas de discos eram, quase sem exceção, muito maçantes e sem atrativo algum. A forma como as gravadoras apresentavam bons produtos numa embalagem tão ruím costumava deixar George Martin com muita raiva. Em sua maneira de pensar, a capa teria que ser tão significativa quanto o conteúdo.

Obviamente, é a coisa que as pessoas vêem primeiro quando vão comprar um produto, é nela que muitas pessoas se baseiam para tirar as primeiras impressões sobre o que vão comprar.

Paul estava muito interessado em artes naquela época, ia a diversas galerias e começava a colecionar pinturas. Robert Fraser, o proprietário da galeria “West End”, era amigo dele e sempre lhe avisava sobre novas obras as quais ele poderia gostar de comprar.

Os protegidos dos Beatles, Simon Posthuma e Marijke Koger, que formavam a equipe de desenhistas  holandeses que chamavam a si próprios de “The fool” (Os Tolos), já haviam desenhado uma capa do outro mundo para o álbum. Mas Fraser não estava muito certo disso e mostrou a capa para um casal de artistas que ele representava. Estes eram Peter Blake e Jann Haworth, e Fraser perguntou a eles: “o que acham disso? É bem psicodélica, não é? Vocês acham que algo mais poderia ser feito nela?”

Os dois artistas olharam para o esforço “dos Fools” e responderam que sim, que achavam que algo poderia ser feito.

Fraser sugeriu aos Beatles que eles contratassem Blake e Haworth sob comissão para desenhar uma capa alternativa. Esta foi uma mudança bastante inteligente, uma vez que Peter era e é um dos membros fundadores do movimento de Arte Pop, o qual começa na Grã Bretanha e América e remonta aos anos 50, com pessoas como Richard Hamilton, Jasper Johns e claro, o próprio Peter.

Blake era muito conhecido, entre outras coisas, pelo seu altíssimo nivel inovativo no uso de colagens.

E o que era melhor, a esposa de Blake, sua parceira artística, Jann Harworth, concordou em ajudá-lo no novo projeto. Jann era uma artista que trabalhava por sua conta, era membro-fundadora junto com Blake da Escola Ruralista de pintura. Ela já havia exibido “tableaux”, como ela os chamava – que eram grupos de figuras de pano e animais – durante uma participação no show chamado “Young Contemporaries”, que passava na ICA em 1963. Algumas destas figuras, como a “Old Lady” (Velha Dama) e “Shirley Temple”, iriam aparecer posteriormente na capa do Sgt. Pepper.

Uma vez  tendo eles concordado em entrar no projeto, Paul McCartney convidou Peter e Jann para irem até sua casa, onde ele tocou pra eles algumas faixas do álbum Sgt. Peppers que estavam gravadas numa fita, para que eles tivessem uma idéia geral de como seria o álbum. Peter e Paul  de qualquer forma já se conheciam, por que Paul já havia contratado Blake para fazer uma pintura pra ele, dois anos antes, em 1965. Peter havia trazido uma cópia exata do Landseer`s The Monarch of the Glen, mas com uma captação nela de arte popular, que explicava o que era.

Alguém poderia esperar que Peter, sendo um artista, quisesse pintar algo para a capa do Pepper, mas não. Quando ele entrou no projeto, os Beatles já tinham feito os uniformes da banda (“Charanga da Northern”), já haviam completado um número considerável de gravações  e a idéia do Sgt. Pepper já estava definida. O que Peter levantou foi a idéia de colocar os Beatles andando pra fora deles mesmos. Eis por que ele fez os arranjos para emprestar as figuras de cera dos Beatles do Museu Madame Tussaud´s, sendo a idéia a de que se as pessoas que estavam usando os uniformes brilhantes e coloridos eram a Banda do Sarjento Pimenta do Clube dos Corações Solitários, então por que os Beatles não poderiam ser considerados como outras pessoas?

O pensamento original de Paul era ter os Beatles num parque fazendo uma apresentação formal para Lord Mayor ou alguma personalidade do tipo. Eles ficariam situados atrás de um enorme relógio floral, como os que existem em muitos parques na região nordeste. Poderia haver uma maravilhosa e mágica multidão neste parque imaginário – uma audiência imaginária assistindo e ouvindo. George, Paul e John deram a Peter Blake uma lista de personagens que eles queriam, mas Jann Blake também fizeram suas próprias listas, porém apenas para provocarem questionamentos a respeito delas.

John Lennon listou pessoas como Aleister Crowley, o mágico negro, Adolf Hitler, Jesus, Albert Stubbins*, um jogador do Liverpool (John não sabia quem era Stubbins, na verdade; ele apenas sabia que seu pai gostava dele). A inclusão feita por Lennon de figuras como Hitler, que definitivamente não era seu herói, foi somente por ele ser um garoto travesso. John sabia muito bem  que estas figuras não seriam usadas, principalmente  depois do furor acerca de sua declaração sobre o Cristianismo. Ele pensou em tentar incluir estes nomes numa espécie de brincadeira –  e  incluiu Jesus Cristo em sua lista para ver o que iria acontecer! Hitler até chegou a aparecer em algumas transparências com fotografias originais, mas obviamente foi removido.

A lista de Peter Blake incluia Dion, dos “Dion e os Belmonto”, Leo Gorcey e Huntz Hall, dos “Bowery Boys”, Richard Lindner e Richard Merkin, ambos pintores.

Rober Fraser incluiu vários pintores da Costa Oeste, pessoas que haviam exposto em sua galeria.

George Harrison, claro, queria incluir doze gurus indianos.

Ringo nunca fez nenhuma lista e apenas disse para seguirem em frente, pra ele estava tudo bem.

George Martin diz que eles não lhe perguntaram sobre seus heróis; aliás, ele comenta que deveriam ter colocado J.S. Bach e R.J. Mitchell (o desenhista do Spitfire) no quadro vivo. Curiosamente, nenhuma das personagens das canções, como Mr. Kite ou Lovely Rita, apareceram.

Peter e Jann colaram as fotografias dessas pessoas já transformadas em tamanho natural em pedaços de cartolina dura.

Juntamente com as roupas das figuras do quadro vivo para a capa do Pepper, Jann Haworth  veio com um número considerável de outras idéias bem originais para aquela aventura.

Passando um dia pelo relógio de flor municipal em Hammersmith, a oeste de Londres, no carro com Paul McCartney (ainda está lá até hoje, sob a inscrição A40), ela disse que seria muito legal não ter letreiros de verdade na capa do Sgt. Pepper, mas sim fazer algo do tipo daquele letreiro cívico em forma de cama-de-flores. As letras e palavras, sugeriu ela, desta forma iriam tornar-se parte integral do todo na idéia da “banda no parque”.

Blake e Haworth criaram o que na verdade é uma forma de escultura com recortes, plantas, suportes e figuras de cera. O trabalho artístico feito por eles nos encartes complementa com perfeição a música que o álbum contém. Jann levou muito tempo construindo um pano de fundo, um cenário no qual os Beatles seriam fotografados; ela pendurou a primeira fileira de fotografias na parede do estúdio e foi fixando as outras ampliações nas estacas, espaçando-as em fileiras com um intervalo de um palmo mais ou menos para dar à foto a ilusão de profundidade.

Haworth fez também todo o tingimento manual das fotografias em branco e preto.

Foi Peter quem colocou as figuras de cera de Sonny Liston e Diana Dors. Ele estava se divertindo muito fazendo suas próprias tarefas, ao mesmo tempo que cumpria as determinações dos Beatles. Hoje ele diz que gostaria de ter colocado mais músicos na foto, em especial cita Chuck Berry.

Os Beatles pagaram a Robert Fraser a quantia de £1500 libras para executar o pacote todo. Ele por sua vez sub-contratou o trabalho de Blake e Haworth, pagando a eles apenas £200 libras divididas entre os dois.

Blake pediu a Joe Ephgrave, um artista que fazia exposições em locais públicos, para pintar com imaginação duas peles de bumbo em estilo diferenciado lembrando um circo.

Ephgrave, sem ajuda, fez um trabalho brilhante, inspirando muitas imitações. (A pintura na pele de bumbo usada na capa acabou na casa de John Lennon em Nova York; a outra pele encontra-se em coleção particular).

Há um busto de T.E. Lawrence, no meio das famosas “plantações de marijuana”. Estas plantações, aquelas verdinhas que estão bem na frente do bumbo e novamente aparecem à direita do fundo da fotografia da capa da frente causou uma série de controvérsias naqueles dias…

As plantinhas verdes vilãs foram acusadas largamente de serem a “planta cannabis”. O fato é que elas são uma brincadeira secreta muito bem guardada. O nome real delas em latim é “Peperomia”…! A coisa engraçada é que ninguém se lembra quem  foi o autor da brincadeira. O restante das folhagens é facilmente identificável como sendo nada sinistro, mas apenas jacintos, “maidenhair fern”, kentia palms e azaleas. George Martin comenta que não acredita que qualquer uma destas plantas ainda vá provocar futuros equívocos ou chistes.

As folhagens devem ser botanicamente permitidas, de qualquer forma, pois vieram de um dos mais prestigiados e antigos centros botânicos de Londres, o “Clifton Nurseries”, em Maida Vale, Londres.

É improvável que eles estivessem no negócio de fornecer a terrível erva! A plantação ainda está lá, florescendo até hoje.

O mais jovem dos três rapazes que entregaram as plantas (não chegaram muito perto para a entrega, conforme fora recomendado), era um grande fã dos Beatles e perguntou se poderia contribuir com alguma coisa para a capa, e fez a guitarra que aparece em primeiro plano na fotografia, saindo dos jacintos com canos verdes utilizados como sustentação. As flores que maquiaram esta guitarra podem ser lidas como sendo a palavra “Paul” – de acordo com os investigadores de provas da “morte” de Paul. Eles devem ser muito vesgos e também devem ter uma grande imaginação.

 _ “… Nós estávamos tentando dizer que gostamos dessas pessoas, eles são parte da nossa vida… “

(George Harrison durante uma apresentação no programa South Bank Show)

Há nada menos do que três imagens de Shirley Temple: uma é a boneca de pano feita por Jann Haworth usando a camiseta com os dizeres “Welcome Rolling Stones” (que pertencia a Adam Cooper, o filho do fotógrafo); outra é a imagem de Shirley de pé bem à direita de Marlene Dietrich , protegida sob o braço curvilíneo de Diana Dors e seu dourado vestido decotado; e uma outra é a da estrela infantil, saltitando entre as figuras de cera de John e Ringo, no lado esquerdo da capa (seu rosto está parcialmente encoberto por eles).  Assim, Shirley Temple definitivamente aparece no topo da enquete sobre a popularidade da capa. É isso ou ela figurou em três listas separadas e ninguém reparou que ela havia aparecido na publicação por três vezes!
Os Beatles queriam todas essas imagens, mas eles não tinham pensado nos grandes problemas quanto aos direitos sobre elas. George Martin sabia que ia ser um problema. Anos antes do Pepper ele havia escolhido a capa de um álbum que tinha produzido para um artista de uma gravadora escocesa chamado Jimmy Shand. Pegou uma foto linda de um rapaz usando um kilt olhando  cheio de sentimentos para um majestoso cenário das highlands. Martin pensou que isso seria irresistível para os escoceses, saudosos e distantes de sua pátria, e que se reuniam em toda parte, achando que milhares de pessoas iriam comprar o álbum só de ver essa imagem idealizada da sua pátria. (Mas não!). A imagem veio de uma agência. Pobre George Martin! Após ter sido lançada a gravação, a EMI foi ameaçada com um processo judicial por um determinado membro do Parlamento Escocês. Ele disse que estavam usando sua imagem para promover o disco sem a sua permissão, e ele queria ser indenizado. Naturalmente, Martin não tinha a menor idéia de que a fotografia era de uma pessoa real (e não um ator, que seria claramente irreal!) e ainda mais sendo um membro do Parlamento. O caso foi resolvido fora dos tribunais, mas ele levou uma bela de uma chamada por ter tomado aquela decisão!

Diante deste tipo de acontecimento, não foi muito surpreendente que Sir Joseph Lockwood, diretor da EMI, desse uma olhada na proposta de capa para o Pepper e disse: “Isto é um absurdo, não vamos fazer isso”.

“Vamos sim”, responderam os Beatles, que a esta altura sabiam muito bem do seu grande poder e importância para a Empresa. A maior batalha se seguiu. No final, Joe disse a Brian Epstein, que já estava acostumado a lidar com este tipo de problema, que estava certo, então se eles queriam fazer assim, que obtivessem todas as autorizações. A EMI não iria se responsabilizar. E o que quer que acontecesse, alguns daqueles rostos teriam que ser removidos: pra começar não vamos colocar Gandhi, há problemas suficientes na Índia sem que a gente precise causar mais um. E Hitler, definitivamente, não!

“Tá certo”, bradou Paul, quando ouviu as restrições de Sir Joe, “Vou trocar um Ghandi por dois Marlon Brandos!”

Brian deixou seu escritório caminhando pensativo, preocupado agora com mais um obstáculo.

Como sempre faz um homem que é colocado contra a parede, ele procurou sua eficaz assistente particular, Wendy Hanson.  Havia somente mais um pequeno obstáculo: Wendy não trabalhava mais para ele…

Brian havia tido um acesso de nervos fora do normal, e Wendy o havia deixado para sempre, em fins de 1966. Os Beatles confiavam em muito poucas pessoas, pois haviam sido traídos muitas vezes; mas sabiam que poderiam sempre confiar em Wendy. Brian confiava demais nela. Eles também sabiam que se havia alguém que poderia alcançar o impossível, este alguém seria ela.

Brian ligou pra Wendy.

“ Wendy”, começou ele, “há um pequeno probleminha  aqui…”

Ele explicou a natureza da tarefa com tamanha dificuldade e complexidade que fariam Hércules pensar várias vezes antes de aceitá-la. Como era de se prever, Wendy fez objeções. Brian tentou adulá-la.Wendy ainda resistia.  Ele então recorreu a uma tática infalível: “na verdade é para os rapazes, querida. Você sabe o quanto eles confiam em você. E Sir Joe te adora. Seja boazinha…”.

“Oh, não seja ridículo, Brian”, retrucou Wendy, que não era nada tola. “Tudo bem, eu farei isso; mas sob uma condição: que eu possa escolher seus recursos legais sempre que eu precisar. Desta forma aprenderei tudo que tiver que saber sobre direitos autorais (copyright) e fotógrafos, que é o que preciso agora.”

“Feito”, disse Brian. E, finalmente, assim foi feito.

O novo trabalho de Wendy Hanson, trabalhando para o produtor de filmagem David Puttnam, era o de agente de fotógrafo, um campo sobre o qual ela conhecia muito pouco. A capa do Pepper seria a maneira ideal de aprender rápido, ou assim pensava ela.

De fato, como ela viria a dizer mais tarde, a coisa toda era um pesadelo, do começo ao fim. Primeiro ela teria que descobrir quem era cada uma das pessoas caracterizadas na capa – a coisa em si estava longe de ser fácil; depois ela teria que escrever para eles individualmente, pedindo a permissão deles para a foto a ser incluída. O próximo trabalho seria descobrir quem havia tirado a foto original, e obter por escrito a permissão deles para usá-las. Havia mais do que sessenta pessoas para contatar, sem incluir os fotógrafos.

Ela passava os dias introduzindo chamadas telefônicas para o outro lado do Atlântico para Fred Astaire, para Johnny Weissmuller, Marlon Brando, e um exército de outros, e ficava esperando ansiosamente que eles ligassem de volta.

A maioria dos homenageados concordou sem qualquer problema; mas nem todos. Leo Gorcey, um dos “Dead End Kids”, que era uma das escolhas de John, exigiu quinhentos dólares pelo privilégio de usar sua cara, de forma que foi descartado de imediato!

Gorcey foi colocado originalmente entre o ator Hantz Hall e a “Varga Girl” na fila de trás; pode-se ainda ver uma marca onde a sua face costumava estar. Seu rosto foi retirado na hora da impressão fotográfica. (Isso foi uma versão artística mais gentil do hábito do Partido Comunista da antiga União Soviética de “despersonificar” líderes de partido que tivessem caído em desgraça – simplesmente pintando por cima de suas faces em todas as fotos oficiais, com total desprezo pela exatidão histórica!)

Outro leve problema ocorreu no caso de Mae West. Após Wendy ter contatado Mae pedindo seu consentimento, a estrela enviou nota em resposta que dizia: “O que eu estaria fazendo em um Clube de Corações Solitários? Vocês não podem me deixar nessa”. E certamente ela tinha razão. O que estaria fazendo a grande sereia dos palcos e das telas num clube de pessoas emocionalmente insatisfeitas?

Todo mundo queria a permanência dela, mesmo assim, afinal de contas, qualquer um que tivesse passado dez dias na prisão por obscenidade e tivesse dado seu nome a um colete salva-vidas tinha que ser uma heroína. Wendy pediu aos Beatles que escrevessem uma resposta, a qual todos eles assinaram, expressando a admiração unânime deles por Mae.

Mae se rendeu.

Pobre Wendy! Quando ela finalmente conseguiu completar seu árduo trabalho e recebeu todas as autorizações para a capa, ela teve a maior dificuldade em receber de Brian o pagamento pelo seu trabalho. A gratificação que ele lhe prometera era de somente cinqüenta libras, então não era mesquinhez a falta de pagamento, mas sim esquecimento.

Ele eventualmente liquidou a dívida enviando o dinheiro em espécie. Para complicar mais ainda a situação, no entanto, uma entrevista com Peter Brown, novo Assistente de Brian, que substituiu Wendy, apareceu no jornal Daily Express pouco depois. O artigo citou uma afirmação de Brown dizendo o quanto havia sido difícil para ele solucionar o problema da capa! Wendy escreveu uma nota furiosa a Brian!

“Você sabe como são os jornalistas, Wendy”, respondeu Brian desajeitadamente. “Tenho certeza que Peter não disse aquilo. Eles estão sempre fazendo citações…”

Quanto às próprias imagens dos Beatles na capa do álbum, os uniformes de cetim que eles haviam feito para a fotografia eram, com certeza, completamente muito exagerados, mas era desse exagero que eles gostavam. Eles fantasiavam aquela imagem deles próprios.  Lembrava os militares (isto é, os militares americanos no Vietnam), o que era muito politicamente correto naquela época. Os trajes foram especialmente confeccionados para eles pela Berman`s, que era uma loja de confecções teatrais de Londres.

John trouxe o pequeno aparelho de televisão para a foto da capa. “Televisão”, ele assegurou, “é muito importante pra mim neste momento”.

O fotógrafo que tirou a famosa foto era um amigo de Robert Frase, chamado Michael Cooper.

Michael, um grande câmera man, que havia tirado centenas de fotos dos Rolling Stones, morreu tragicamente poucos anos após ter saído o Pepper.

“Há um maravilhoso espírito nelas que capta o tempo sem ser auto-consciente. Elas são muito intimistas.”

(Jann Haworth sobre as fotografias de Michael Cooper na época em sua antologia “Blinds and Shutters”)

A arte do encarte do álbum de vinil, se você aceitar que se trata de arte, antes dos Beatles não existia muito.  Agora, em 1993, com a chegada do CD, ela está morta e enterrada. Aconteceu recentemente uma retrospectiva do gênero capa de álbum, com os preços para o trabalho artístico original atingindo altos números, o que prova que a arte da capa deve ser arte – e que precisa ser eternizada!

Há muito tempo estamos distantes da pobreza que foi a primeira capa de um álbum dos  Beatles, o “Please Please Me”, a qual foi feita com muita pressa, assim como a música. George Martin disse: “Venham, vamos fazer uma foto aqui.  Chamamos o lendário fotógrafo de teatro Angus McBain, e bingo, ele se aproximou e fez a foto lá mesmo, na varanda da EMI House. Posteriormente, no entanto, a própria criatividade dos Beatles irrompeu à tona.

“De repente imaginei de onde tinha vindo a idéia de todos aqueles bigodes do Sgt. Pepper. Eu havia sofrido um acidente e machuquei meu lábio… e como sempre estávamos em sessões de fotografias, sempre tínhamos que fazer aquilo, era muito embaraçoso estar com aquele lábio inchado, então eu comecei a deixar crescer o bigode para esconder isso, e depois os outros disseram tipo assim: “Ei, isso é legal”,  e então sem nenhum saber do outro nós todos deixamos crescer os bigodes… não era um “look”, mas sim apenas um garoto deixando crescer um bigode por brincadeira…”

(Paul McCartney, no South Bank Show)

“Esta moda está se espalhando por toda Grã-Bretanha. No rosto de cada pessoa, ninguém é nada na Inglaterra se não tiver um pouco de cabelo amarelado pela nicotina sobre os lábios superiores…

Até Sean Connery, Terence Stamp, Brian Epstein, Pete Townshend, Keith Richards…

Talvez você esteja se perguntando por que esta moda feia de repente se espalhou pelos rostos dos Britânicos…

A resposta fácil e correta é que os bigodes em estilo mexicano de repente se tornaram “in”. Estão na moda por que George Harrison deixou crescer um enquanto esteve aprendendo a tocar sitar na Índia… e como se isso não fosse o bastante, todos os Beatles deixaram crescer seus bigodes. Quando eu soube disso tive que deixar crescer um também.”

(Christopher Ward, Daily Mirror)

Capa rara com seus idealizadores – apenas alguns exemplares do álbum foram lançados com esta capa

As grandes mentes por trás do encarte do álbum

Nota* : Segundo a Wikipedia, Albert Stubbins, o jogador do Liverpool incluído na lista de John Lennon, nasceu em 17 de julho de 1919 e faleceu em 28 de Dezembro de 2002; foi um futebolista Inglês e jogou na posição de centroavante , embora sua carreira tenha sido limitada pelo início da Segunda Guerra Mundial.Jogou pelo Liverpool FC de 1946 a 1953 – em 178 aparições, fazendo 83 gols.

Fred Lennon era seu fã!

Um trabalho interessante também sobre as personalidades da capa, pode ser encontrado aqui: ‘The Sgt Pepper Album Cover Shoot Dissected’

Saiba aqui os nomes de todos os personagens da capa.

O LP Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band foi lançado em 1967 e o CD em 1987, apresentando uma caixa contendo uma capa para o porta CD e o encarte, conforme mostram as fotos a seguir:










WE LOVE THE BEATLES FOREVER

“A day in the Life”
(Lennon-McCarntey)

 

Nota: Hoje é dia 01 de junho de 2012, e há 45 anos era lançado este histórico álbum!

E nesta data, recebemos no grupo We Love the Beatles Forever, um depoimento de Lizzie Bravo sobre o dia em que ela comprou o disco lá em Londres…

 

Lizzie Bravo

estou de cama ha 3 dias, com febre e super...

Lizzie Bravo 1 de Junho de 2012 22:16
“Estou de cama ha 3 dias, com febre e super resfriada, mas não poderia deixar de postar alguma coisa sobre o sgt. pepper, embora eu tenha comprado o meu no dia 25 de maio – fui na loja de manhã e o disco não tinha chegado. voltei pra casa e depois do almoço o vendedor me ligou dizendo que tinha chegado, voei até lá, comprei, voltei pra casa, ouvi, e chorei. fui pra porta da casa do paul e o vi chegando em casa – ele estava em liverpool. a gente ficava do lado de fora dos estúdios todos os dias e vira e mexe dava pra ouvir coisas que eles estavam gravando, mas eram repetidas muitas vezes e só viemos a reconhcê-las quando o disco saiu. no dia 4/6 fui com minhas amigas no saville theatre ver o show do jimi hendrix: ele abriu solando a música sgt. pepper’s, que deixou todo mundo boquiaberto, inclusive paul, jane, cynthia, george, pattie, mick jagger e peter asher, que estavam presentes. o lançamento desse disco foi um momento inesquecível na minha vida, e estar em londres nessa época foi realmente especial.”

 

MUSICAL “BACKBEAT”

Aproveitando minha estada em Londres, em companhia da minha filha, fomos assistir a este musical em cartaz no teatro Duke of York`s.

Já havia assistido ao filme, que aqui no Brasil recebeu o nome de “Os 5 Rapazes de Liverpool”, então foi bem interessante ver a versão teatral do início dos Beatles, a vida em Hamburgo, segredos revelados… enfim, todo aquele conturbado início, quando tiveram que voltar à Inglaterra depois de denúncia de que George Harrison era menor de idade, o afastamento de Pete Best da bateria, envolvimento com mulheres, culminando na morte de Stuart Sutcliffe devido a um derrame cerebral, enfim, todo aquele “fumacê” que envolvia as apresentações deles no palco foi muito bem caracterizado.

A fumaça de cigarro no ar durante todo o tempo que durou a apresentação era pesada e chegava a incomodar os não fumantes como eu. rsrs

Os atores foram perfeitos na performance, tendo como destaque John Lennon (Andrew Knott), Astrid Kirchherr (Ruda Gedmintas) e Stuart Sutcliffe (Nick Blood). Paul McCartney (Daniel Healy), George Harrison (Will Payne) e Pete Best (Oliver Bennett) também merecem destaque.

As cenas de sexo tiveram uma pitada de humor, mas choca um pouco os menos avisados. hehe

Gostaria de ter feito algumas fotos e imagens, porém como de praxe, isso não é permitido, então vou mostrar aqui apenas alguns trechos do áudio da peça, mas é preciso ser muito bom no inglês britânico para compreender as falas. O intervalo maior no video da parte final, foi durante a encenação da morte de Stu nos braços de Astrid, cena muito triste e emocionante, diga-se de passagem.

PARTES DO MUSICAL EM ÁUDIO

Musical Backbeat – Parte 1

Musical Backbeat – Parte 2

Musical Backbeat – Parte 3 – (a transformação de My Bonnie)

Musical Backbeat – Parte 4 – Pete Best é demitido do grupo

Musical Backbeat – Parte 5 (final) – A morte de Stu; conversa entre Astrid e John Lennon; encerramento com Twist & Shout

Após encerramento, o grupo convida a platéia pra entrar literalmente na dança e tocam três canções para a interação dos atores com o público.

Foi um show à parte, e a gente se divertiu muito!

OS ATORES

Stuart Sutcliffe

George Harrison

Astrid Kirchherr

John Lennon

Paul McCartney

Pete Best

Ringo Starr no Brasil: Eu vi “metade” dos Beatles!

Era fim de junho de 2011 e veio a notícia: Pela primeira vez , Ringo Starr e sua All Starr Band viriam ao Brasil para uma série de shows em diversas capitais do país. Com a mesma turnê que havia passado ou ainda estaria por passar por países como Ucrânia, Rússia, Suécia, Noruega, Dinamarca, Polônia, Inglaterra, França, República Checa, Itália, Holanda, Alemanha e Áustria, o Beatle e sua All Starr Band se apresentariam aos fãs brasileiros em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Recife!

Foi um alvoroço para a Beatlemania Nacional!

Comunidades no Orkut se movimentaram para que a estada de Ringo não ficasse devendo nada para aquela dispensada ao amigo Paul. Grupos foram criados no Facebook. Contatos de Norte a Sul do pais foram feitos, e Cláudia Tapety, Fátima Starr, Anita Sasso, entre outros, não cabiam em si de contentamento.
Iríamos ver mais um Beatle no Brasil, e num curtíssimo espaço de tempo…
Providenciamos as nossas boas vindas ao simpático e eterno Beatle!

Ringo também mandou mensagem para os fãs da América do Sul, incluindo o Brasil, claro!

No período de 01 a 20 de novembro de 2011 Ringo Starr estaria excursionando pela América do Sul, incluindo o Brasil, nas cidades:

Porto Alegre – dia 10/11
São Paulo – dia 12/11
São Paulo – dia 13/11
Rio De Janeiro – dia 15/11
Belo Horizonte – dia 16/11
Brasília – dia 18/11
Recife – dia 20/11

Mas como seria o Show do Ringo no Brasil?

Em entrevista ao Fantástico, Ringo revelou que não poderia deixar de cantar “Yellow Submarine” e “With a Little Help From my Friends”.

E Ringo Starr chega na América do Sul, e é flagrado chegando ao aeroporto no Chile:

Chegou finalmente o dia em que eu iria ao show de São Paulo, na companhia da amiga Evelize, do Paraná, que viria a São Paulo exclusivamente para o show.

Era 13 de novembro de 2011 e nos dirigimos para o Credicard Hall em São Paulo, para mais uma experiência maravilhosa proporcionada por um Beatle…

Eu e Evelize de saída para o show, unidadas pela Beatlemania!


Já na fila, encontro com amigos virtuais


Conhecer pessoalmente a Cláudia Tapety foi um acontecimento!

E eu estava lá dentro agora, prestes a realizar mais um sonho desde a minha já distante adolescência…

O show foi demais, muito bom ver sucessos do passado e do presente.
Na saída do show, mais emoção ao conhecer também pessoalmente amigas virtuais como a Tati Andrade…

E também encontramos o Marco Mallagolli…

Até a volta, Ringo!

MEUS REGISTROS DO SHOW DE RINGO STARR E SUA ALL STARR BAND EM SÃO PAULO

O SETLIST

It Don’t Come Easy
Honey Dont
Choose Love
Hang On Sloopy
Free Ride
Talking in Your Sleep
I Wanna Be Your Man
Dream Weaver
Kyrie
The Other Side Of Liverpool
Yellow Submarine
Frankenstein
Back Off Boogaloo
What I Like About You
Rock and Roll, Hoochie Koo
Boys
Love Is Alive
Broken Wings
Photograph
Act Naturally
With a Little Help from My Friends
Give Peace a Chance

E começa o show…


It Don’t Come Easy
Honey Dont
Choose Love

Quando Ringo apresenta sua banda e começa a cantar Back Off Boogaloo, minha bateria não deu pra filmar a música toda, sinto muito… rsrs

Sir Paul McCartney no Brasil: Eu vi um Beatle!

Foi como estar no programa Ed Sullivan, um verdadeiro “Shea Stadium & Washington Coliseum Revival”!

Eram 13h do dia 21 de novembro, chegara o grande dia e já estava na hora de seguir para o Estádio do Morumbi em São Paulo.
Eu e minha amiga Luciana havíamos tentado almoçar, por que a jornada seria longa, porém a ansiedade não me deixou sentir o gosto da comida.
Naquele momento não consegui mais conter o choro e saímos de casa levadas pela emoção, num misto de sorrisos e lágrimas.
Passamos na casa de um amigo onde conhecemos pessoas amigas, Beatlemaníacos como nós, que aguardavam a hora de seguir para o estádio, com a mesma ansiedade e felicidade estampada nos rostos.
Conduzidas pelo meu enteado, chegamos à bilheteria do Estádio do Morumbi às 13h50, onde retiramos nossos ingressos sem nenhum contratempo. O momento mereceu uma exclamação de alegria e um sorriso de cumplicidade por parte da atendente no guichê.

Saímos dali diretamente para a fila de entrada do Portão 18, onde a “pista prime”, soberba, nos esperava. Eram 14h e a fila já estava longa; o sol escaldante obrigou-me a comprar uma sombrinha de um camelô que passava. Do outro lado, um rosto conhecido chamou-me a atenção: era Beto da Bahia, um conhecido membro das comunidades do Orkut.

O tempo passava preguiçosamente e a gente cantava, sorria, conversava com as pessoas ao nosso redor, sempre economizando na água, enquanto um vendedor solidário deu-me uma pedra de gelo pra me refrescar do calor excessivo.

Enquanto isso, camisetas, bottoms, bandeiras, bandanas, bonés, desfilavam nas mãos dos camelôs. Resistíamos a tudo, pois ser Beatlemaníaco é antes de tudo ser firme, forte, resistente e persistente, é ser otimista e ter a energia da eterna juventude.
De repente um burburinho, uma confusão de vozes, corremos para a grade e eis que era Sir James Paul chegando e em pessoa erguia os braços para fora do teto solar do veículo que o conduzia, acenando para a multidão de fãs que cercavam as imediações do estádio. Eram exatas 16h50min. e ainda faltavam 40 minutos para a abertura dos portões que nos permitiria entrar para presenciar o maior espetáculo jamais visto, aquele que seria o show de nossas vidas!

Presenciamos a chegada de Paul ao estádio como se fosse um prêmio para aquela agonia da espera em uma fila que andava dez passos a cada hora e meia.

Finalmente a fila começou a andar em definitivo, já perto das 18h; às 18h30 estávamos posicionadas em frente ao palco, numa situação sui generis, onde pessoas demarcavam território sentadas em círculos no chão com suas mochilas e pertences, impossibilitando passagem de quem estivesse por vir. O aglomerado foi tornando-se cada vez mais denso e eu sentia que não poderia mover meus pés tão cedo, pois um deles estava sob uma mulher que sentara em cima dele. Por alguns momentos pensei que não fosse suportar aquele sufoco, confesso que pensei em sair dali e até avisei minha amiga Luciana sobre a saída de emergência à esquerda e a possibilidade de ela me encontrar lá depois, mas nada disso foi preciso. O ar foi chegando junto com a perspectiva do eminente momento de ver um Beatle ao vivo, ali, bem de pertinho.

E foi então que às 21h37min. Paul McCartney entrou no palco e pudemos assistir à maior manifestação de amor, carinho e respeito a um ídolo.
No momento em que Paul adentra ao palco, seus fãs entoam em uníssono a frase por muitos repetida na adolescência, agora um pouquinho modificada em sua homenagem: “We Love You, Yeah Yeah Yeah!”
Vimos diante de nós um Beatle emocionado e que emocionava uma multidão de pessoas vindas de toda parte do Brasil e que prestavam, juntas ali, homenagens que nem mesmo haviam sido ensaiadas, mas que deram muito certo.

A cada música executada, eram lembranças e estórias que passavam pela minha cabeça, e cada uma trazia uma emoção diferente, como quando ele diz: “eu escrevi esta música para meu amigo John”, e ao som de Here Today, John Lennon se fez presente nas nossas lembranças. Ou então, quando ao pegar o instrumento que lhe foi presenteado pelo amigo George, a comoção foi geral e a emoção que senti ao ver as fotos de Harrison na tela é indescritível.

E chegou a hora de o público emocionar Paul McCartney mais uma vez, quando ao começar a cantar “A Day in the Life” todos começaram a encher balões brancos que iam sendo sacudidos no ar como uma nuvem branca; ao emendar com a canção “Give Peace a Chance”, os balões foram soltos em sincronia, e o efeito esperado causou emoção a todos que presenciaram aquele momento histórico.
Foi um espetáculo gigantesco!
Agradeço a Deus por ter-me dado a oportunidade de ver um Beatle. Na verdade, ainda estou em estado de choque, ou seria em estado de graça? Só sei que ver o espetáculo proporcionado por Paul McCartney no estádio do Morumbi em São Paulo na noite do dia 21 de novembro de 2010, foi como estar literalmente num show dos Beatles!
Ele estava ali, diante dos meus olhos incrédulos e daquela multidão toda que se espremia em busca de um espaço, mas se alargava em felicidade generalizada, gritando, vibrando, cantando junto com o ídolo, sim, com ele, o parceiro de Lennon, o amigo de Harrison, e isso me levou a enxergar ali, diante de mim, aquelas imagens tão conhecidas por nós, imagens dos shows no programa Ed Sullivan, no Washington Coliseu, no Shea Stadium, enfim, era ele, Paul McCartney, que aos 68 anos exibia a mesma performance daquele garoto de 21, aquele mesmo trejeito, o jeitinho de balançar a franja, de erguer o pescoço segurando a cabeça na altura do microfone e mexendo o corpo tocando com a canhota seu baixo Hofner, com o carisma, com a simpatia, com a seriedade de quem sabe cativar, reger e conduzir mais de 60 mil pessoas em êxtase diante daquele mesmo garoto de outrora, agora um “Sir” em todos os sentidos.

O que vivi e presenciei não foi apenas e simplesmente um show. Muito mais que isso, foi a trilha sonora da minha vida sendo executada em pouco mais de três horas, foi como voltar aos anos da minha adolescência, foi ganhar vida e alma novas, foi rejuvenescer e dar graças aos céus por viver este momento.

Obrigada, Sir James Paul McCartney!

22 de novembro de 2010

MEUS REGISTROS DO SHOW DO DIA 21 DE NOVEMBRO DE 2010

Paul com a bandeira do Brasil

Homenagem ao Amigo George

Chegada de Paul ao palco e o canto dos fãs em sua homenagem: “We Love you yeah yeah yeah”!

All My Loving / Let me Roll it

A emoção da Luciana… Let them in

Paul diz que é ótimo estar de volta ao Brasil, terra da música linda!

“Dance Tonight” e a dança do Abe Laboriel Jr..

Mr. Vandebilt – Paul brinca com a platéia … começa Back in USSR

Back in USSR – I`ve Got a Feeling

Começa Paperback Writer – Give Peace a Chance e a homenagem com os balões brancos – Live and Let Die deixa todos quase surdos, e Paul brinca com a platéia – Hey Jude e o encerramento da primeira parte com “Oh! São Paulo”!… mas aí a bateria da minha câmera termina…

Até a próxima, Sir Paul McCartney!

Visitando Liverpool, a terra dos Beatles!

Difícilmente um leigo em matéria de Beatles pode supor ou imaginar o que significa para um Beatlemaníaco, uma pessoa que viveu intensamente a década de 60, que foi o auge da Beatlemania, uma viagem a Liverpool, berço de John, Paul, George e Ringo!

E é para compartilhar com o mundo a minha experiência maravilhosa, emocionante e inesquecível, que resolvi escrever aqui sobre a minha visita a Liverpool…

4 Janeiro 2012 - Liverpool -Lucy pelas ruas do The Cavern Club

4 Janeiro 2012 - Liverpool (andando pela rua do The Cavern Club)

Imagem de John Lennon na Mathew Street, Liverpool

Era o dia 4 de janeiro, finalmente o sonho estava prestes a tornar-se realidade, pois chegara o dia programado para a nossa viagem a Liverpool, berço de John, Paul, George e Ringo!
Saímos do nosso apto. no South Park em Battersea, Londres, às quatro horas da manhã e chegamos à Estação de Euston às 4h30. Estava fechada! O frio era intenso, pois havia chovido muito no dia anterior e na noite que antecedeu nossa viagem. Finalmente às 5h a Estação abriu as portas, entramos e ficamos à espera que os estabelecimentos lá de dentro abrissem também para que pudéssemos pelo menos tomar um café.
Nosso trem partiria às 5h28min. E lá estávamos nós, pontualidade britânica, deixando a Estação de Euston com destino a Liverpool!

No Trem para Liverpool

O Museu dos Beatles (The Beatles Story Museum)

Da Estação de trem caminhamos até a Albert Docks, onde se localiza o museu dos Beatles e toda a história dos Fab Four. Era a segunda visita da minha filha à cidade, o que facilitou que tomássemos a direção certa, e fomos caminhando pelas ruas de Liverpool até as docas.

Chegando em Liverpool

Chegar a um lugar onde se conhece de cor através de fotografias é uma experiência emocionante. A visita ao museu é feita utilizando-se um aparelho onde diante de cada local, você aciona o número da tecla correspondente para ouvir a história, tendo a opção de ouvir em vários idiomas, incluindo o espanhol e o inglês. Nosso português está fora desta lista…

The Beatles Story - Museu dos Beatles em Liverpool

Usando o fone de ouvido

Cada detalhe, cada objeto, cada escrito trazia a lembrança daqueles velhos e bons tempos e a minha vontade era a de registrar tudo pra depois poder compartilhar com outros amigos que por um motivo ou outro ainda não tiveram a oportunidade de estar lá, mas que certamente viveriam a mesma emoção que eu estava sentindo naquele momento.

E eu fui fotografando e filmando tudo que podia! As fotos são muitas, e estão todas nos videos que seguem abaixo.

São fotos em Abbey Road e Liverpool, editadas pelo amigo Johnny di Botafogo.


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Magical Mystery Tour

Depois da visita ao museu, fomos até a loja dos Beatles de onde sairia a nossa excursão para visitarmos os lugares históricos da cidade, no famoso ônibus…

Magical Mystery Tour

Melhor que palavras é ver os registros que fizemos na cidade, incluindo, Penny Lane, Arnold Grove, Strawberry Fields, Mendips, Forthlin Road, Woolton, Mathew Street, enfim, nos históricos lugares na terra dos Beatles.

Eu e a famosa estátua de John Lennon na Mathew Street

Os videos a seguir mantêm o som original e a eles foram acrescentadas trilhas sonoras, num belo trabalho de edição realizado pelo Johnny.

[videolog 740938]

E mais estes, incluindo som ambiente e com trilha sonora:

Este sonho está na agenda de todo Beatlemaníaco, e posso dizer, sem medo de errar, que vale muito a pena!

WE LOVE THE BEATLES FOREVER!

John, Paul, George e Ringo - The Beatles!