Convivendo há mais de 50 anos com a Beatlemania!

Alguns disseram que aquilo não estava acontecendo, era apenas publicidade. E os fabulosos Beatles provaram que eles estavam errados.
Outros disseram que eles não iriam durar mais do que um mês ou dois, e que ninguém conseguiria manter uma fama daquelas. Os Beatles, é claro, provaram que estes também estavam enganados. Depois, quando o primeiro filme deles foi lançado e tendo toda a crítica a seu favor, aí então todo mundo começou a pensar se todos aqueles fãs dos Beatles não tinham mesmo descoberto algo inédito, real e verdadeiro!
Mas nós, os fãs dos Beatles, sabíamos disso o tempo todo. Sabíamos que os Beatles realmente tinham um estilo e um som que nunca, jamais se havia escutado antes. E pelo simples fato de que nós gostamos deles (e eles de nós, os seus fãs), que esta fantástica estória de sucesso aconteceu e continua a acontecer mais e mais a cada dia.
Os quatro rapazes de Liverpool provaram a eles mesmos e a nós todos que eram os melhores e continuam sendo há décadas, e estamos aqui para confirmar que a Beatlemania vive há 50 anos!

The Beatles: Ontem,  Hoje, Sempre! Um pouco de sua História

O início de tudo foi quando John Lennon, ainda um garoto que estudava em Liverpool, formou o grupo ‘The Quarry Men” (ou The Quarrymen) com seus colegas de escola.

No dia 24 de maio de 1957, com sua formação inicial, o grupo formado por John Lennon no vocal e guitarra, Eric Griffiths na guitarra, Colin Hanton na bateria, Len Garry no baixo tea-chest, Pete Shotton no “washboard” e Rod Davis no banjo, se apresentaram pela primeira vez em Rose Street, durante as comemorações do Empire Day. A festa acontecia na rua e todos podiam participar.

Em 9 de junho de 1957 The Quarry Men inscrevem-se para o teste do programa de talentos “TV Star Search”, mais conhecido como “Mr. Star Maker”, ABC TV. The Quarry foi derrotado pelo grupo The Sunnyside Skiffle, que tinha como líder o anão Nicky Cuff, que tinha de subir num caixote de madeira para cantar e tocar.
Em 22 de junho de 1957 se apresentam numa festa ao ar livre em Roseberry Street, no aniversário de emancipação, concedida pelo rei John, que transformou Liverpool num município livre. Eles tocaram no topo de um caminhão de carvão ( assim diz Barry Miles em seu livro “O Diário dos Beatles”).

Em 2 de julho de 1957 John e Nigel Whalley se inscrevem na lista do seguro-desemprego da Marinha Mercante. Mimi, a tia de John Lennon, fica sabendo e com medo que ele seguisse os passos do pai, pede que ele volte pra casa imediatamente.

Em 6 de julho de 1957, deu-se o histórico encontro!

Cartaz do show do dia 06-07-57 – o horário podemos concluir que foi por volta de 07:00p.m, caso tenha sido antes do show (horário de Liverpool):

Esta foto do cartaz está no Anthology, na parte em que Paul explica como foi seu primeiro encontro com John em Woolton através de Ivy (Ivan Vaughan).

Os Quarry Men se apresentavam no Garden Fete de St. Peter’s Church em Woolton, Liverpool, e nos bastidores da quermesse, Ivan Vaughan apresenta a John Lennon um amigo: Paul McCartney.

Era pouco mais de 14h quando Ivan Vaughan apresentou John a Paul.
O Show havia sido marcado para 09h mas começou às 10h da manhã; Julia, mãe de John Lennon, foi ver o show com Mimi, que achou aquilo tudo uma indecência, ou seja, o modo como o adolescente John tocava e se requebrava com Eric Griffith no palco improvisado. Paul chegou às 11h30min. – John só cantou 6 músicas porque Mimi deu “piti” e John teve que sair do palco, meio envergonhado…

Imagem retratando o histórico encontro

Paul, que se impressionara com o desempenho de John no palco, impressiona a todos com sua interpretação de “Twenty Flight Rock”, de Eddie Cochran, uma letra difícil e ainda tocando como canhoto em um violão para destro.

Mais tarde, ao falar sobre os Quarry Men, Paul diz que era uma banda jovem que não tocava música de dança de salão. “Assisti o show e adorei, não havia dúvida de que John era o líder. John não sabia as letras das músicas, mas realmente ele me impressionou. Peguei a guitarra de John e toquei Twenty Flight Rock, alguém começou a tocar Long Tall Sally no piano, e daí perguntaram se eu queria fazer parte da banda.
Logo depois começamos a apresentar grandes sucessos como o Twenty Flight Rock, o que era engraçado, pois éramos uma banda de Skiffle. Let´s have a party era meu melhor número.

Em 07 de agosto 1957 eles se apresentam no The Cavern com as bandas de skiffle Ron McKay, Dark Town e The Deltones. Nessa época o Cavern era um bar de jazz, e o skiffle era considerado uma vertente do jazz, portanto era aceito. O show era divulgado como uma “skiffle session”. The Quarry começou a apresentação com “Come go with me”, mas John detonou na noite partindo para ” Hound Dog”, seguida de “Blue Suede Shoes”. Foi então que naquele instante Alan Styner, dono do Cavern, enviou um recado para o palco: parem com esse maldito rock…!!!
Apesar do convite, Paul não pode participar da estréia de John Lennon no Cavern, pois estava no campo de escoteiros com seu irmão Michael.

Mas, não demoraria muito para que ele integrasse o grupo que eles e ninguém ainda sabiam, mas que viria a ser a melhor Banda de todos os tempos…

The Beatles!

O grupo mudou de nome várias vezes desde o inicio de sua formação até o final. Em 1956 eles eram “The Quarrymen Skyffle Group”, a Banda de John Lennon e seus colegas da escola, mas depois de 06 de julho de 1957, com a chegada de Paul McCartney tocando violão, já eram “The Quarrymen Skyffle Group”; ainda em 1957  John se desfez dos Quarry Man e passou a se apresentar com Paul McCartney, em dupla, sob o nome de “Nurk twins”, porém não demorou muito tempo para trocarem o nome para “Rainbows”.
O ano era 1958 e Paul apresenta George a John.

George passa a integrar o trio e John, Paul e George passam a se apresentar como “Johnny and the Moondogs”.
Em 1959 Stuart Sutcliflle, amigo de Lennon e estudante de artes, entra para o grupo. A banda passa a se chamar “Long John and The Silver Beetles”. Convidam então o baterista Thomas Moore, um caminhoneiro, para compor o grupo, mas este não fica por muito tempo…

Thomas Moore sai e em seu lugar entra Johnny Hutch, ainda durante a excursão à Escócia, porém Allan Williams o acha muito velho para o grupo, e entra Norman Chapman para logo sair ainda no final daquele ano.

Alguém poderia perguntar: “Que grupo era aquele formado por Johnny Silver, Paul Ramon, Carl Harrison, Stu DeStael e Tommy Moore”?

A resposta seria que eram os “The Silver Beetles”!

Exceto por Tommy Moore, esses eram os nomes usados no palco pelos The Silver Beetles equanto excursionavam pela Escócia no período de 20 a 28 de maio de 1959, com Johnny Gentile.

O nome de George, “Carl”, era em homenagem a um de seus heróis da guitarra, o grande Carl Perkins.

Paul Ramon é o nome que aparece no single “My Dark Hour”, da Steve Miller Band, onde se lê: “With special thanks to Paul Ramon”. Paul também usava esse nome para registrar-se em hotéis e receber correspondência dos amigos.

Em “My Dark Hour”, Paul Ramon tocou bateria, guitarra e fez o backing vocal.

O nome do álbum da Steve Miller Band é “Brave New World”, onde a música “Space Cowboy” usou o mesmo riff de guitarra que os Beatles usaram em Lady Madonna.

Stuart Sutcliffe, um artista nas horas vagas, usou o nome de um famoso pintor, Nicholas deStael, que coincidentemente também morreu jovem.

Paul usou o pseudônimo “Paul Ramon” neste período e também quando tocou bateria, baixo e backing vocals na música “My Dark Hour” pela Steve Miller Band. “My Dark Hour” apareceu no album de Steve Miller chamado “Brave New World” e num single americano em 6 de Junho de 1969.

Mais tarde John Lennon negou veementemente ter usado o nome “Johnny Silver” um dia, mas os outros membros do grupo ainda juram ser verdade…

Em 1960, na volta daquela “infeliz” excursão com Johnny Gentle pela Escócia, passam a chamar-se “The Beetles”, com Paul tocando na bateria.

Pete Best entra para o grupo em maio de 1961 para assumir a bateria que estava nas mãos de Paul.

Em 1961 eles vão para Hamburgo e adotam o nome “The Beatles”, definitivamente.

A escolha do nome “The Beatles”

Os Beatles passaram a existir como uma banda em 1959, com John, Paul, George, Stuart Sutcliffe e Pete Best e depois com sua formaçao final a partir de 1962, com John, Paul, George e Ringo.

O começo da Beatlemania

Os “Quarry Men” foram a célula mãe que deu início ao grupo que se tornaria “The Beatles”, mas não havia Beatlemania em 1957, porque não havia ainda nem Paul, nem George, nem Ringo, mas ela estava por vir!

Poderíamos dizer que a Beatlemania teve início quando o single “Love me Do / P.S. I Love You” chegou às lojas do Reino Unido, numa sexta-feira, 5 de outubro de 1962, há quase cinquenta anos. O compacto simples, como eram chamados os “singles” naquela época, foi fruto de duas sessões de gravação, sendo a primeira versão de “Love Me Do” com Ringo Starr na bateria lançada apenas na primeira prensagem do compacto, naquele mesmo ano. A segunda versão, a mais divulgada, teve a participação de Alan White na percussão e foi incluída no primeiro álbum dos Beatles, o “Please Please Me”, de 1963.

Versão com Ringo Starr

O single chegou ao 17o lugar nas paradas, um bom começo, se contarmos que as vendas se restringiram inicialmente aos arredores de Liverpool. Há quem diga que o empresário da banda, Brian Epstein, teria adquirido 10 mil cópias direto do varejo, o que explicaria a posição do disco nas paradas, mesmo tratando-se de uma banda ainda desconhecida.

Outra data do provável início da Beatlemania é o dia 13 de outubro de 1963, quando no Sunday Night, no London Palladium, um show dos Beatles é transmitido ao vivo para 15 milhões de telespectadores pela rede de televisão ATV. Segue um video com o áudio do show, precariamente gravado para a posteridade, por alguma boa alma…

Mas também há quem considere o início da Beatlemania o dia em que os Beatles desembarcaram no Aeroporto JFK nos Estados Unidos pela primeira vez, em 07 de fevereiro de 1964, já com um número 1 nas paradas de sucesso!

A chegada no Aeroporto JFK em 07 de fevereiro de 1964

A coletiva de imprensa no dia 07 de fevereiro de 1964

O fato é que na época do Sunday Night o fenômeno se restringia à Inglaterra e a alguns países da Europa, pois nem todas as outras regiões tinham conhecimento deles.

Pouco antes da viagem aos Estados Unidos, eles mesmos relatam que a turnê pela França foi “sem graça”, nas palavras de Paul, e nem sempre lotavam as casas de show…

Depois da conquista da América, ninguém mais os superou… acontecendo o que nós já sabemos! 😉

Fonte:

1 – O diário dos Beatles, de Barry Miles

2 – Escritos de Marcelo Xavier

3 – Escritos de Johnny di Botafogo

4 – Comunidades do Orkut: Chá com a Beatlemania e We Love the Beatles Forever

5 – DVD: The Long and Winding Road e The Compleat Beatles

Pra mim o início da Beatlemania foi em 1965, quando comprei o LP Help!, o meu primeiro, e a partir dele fui em busca dos anteriores. As músicas dos Beatles estariam para sempre embalando a minha vida, em todos os momentos!

E pra vocês, quando começou a Beatlemania? 😉

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16 respostas em “Convivendo há mais de 50 anos com a Beatlemania!

    • Olha só quem diz que um dia chega lá… haha

      André, seria uma honra ter a sua colaboração, vou perguntar ao meu instrutor aqui, como se faz, por que como você sabe, sou principiante neste ofício. rsrsrs

      Baci, grazie per tutto

  1. Eu nem sei o que escrever, mas a minha “máxima” é que já nasci gostando dos Beatles. Daí pra frente foi ” só amor” hahahahahahha.

    É tão intrigante esse culto aos Fab, não tem como esquecer, não tem como apagar, é natural , as lembranças vem e de repente cá estou relembrando algum fato , música ou mesmo a cena marcante de algum filme ( principalmente Paul cantando And I love Her ) e as cenas de Help, quase todas elas ( acho que sei de cor).
    A comunidade WELOVE me fez um bem enorme, conheci pessoas maravilhosas , saí do plano virtual para o real, e entendi que eu não estava assim tão só. O compartilhamento me deixou mais leve, mais antenada, e acabei aprendendo muita coisa sobre a banda, e continuo aprendendo até hoje!!!

    Hold me tight , foi a primeira música que me deixou apaixonada…. por eles.

  2. Lu, você citou o “Diário dos Beatles” do Barry Miles, mas me permita “colar” uma passagem que achei bem bacana.
    ” O começo da Beatlemania” ( pág 103)
    “No dia 13 de outubro de 1963, os fãs da banda bloquearam a Argyl Street e depois se espalharam pela Great Marlborough Street, interrompendo o tráfego ma região do London Palladium. Enquanto isso, dentro do teatro a platéia gritava tanto que John chegou a berrar, “calem a boca”. As manifestações dos fãs inspiraram os jornais do dia seguinte a criarem o termo ” Beatlemania”. A cobertura do evento também foi feita pela ITV, que a exibiu em seu noticiário noturno”
    Interessante , porque até então eu jamais iria me lembrar como esse termo foi criado!!!

  3. Oba, adorei o post Lu!
    Bom, eu sou uma beatlemaníaca da “nova geração” (tenho 20 anos) e me sinto muuuito grata por vcs compartilharem o vasto conhecimento de vocês e receberem sem preconceito os “novos beatlemaníacos”. Morro de inveja de vcs que viveram a beatlemania de forma mais concreta e foram mais ou menos contemporâneos da banda.
    Sinto por não ter vivido a época dos LP’s, do rádio… Isso muda um pouco a forma de como a beatlemania surgiu pra mim, mas não muda o tamanho do meu amor pelos meninos. Quando eu conheci os Beatles eles já eram mitos consagrados, já eram os Beatles que conhecemos hoje. E comecei a gostar deles sozinha, sem influência de mídia e de ninguém, minha família nunca foi chegada nas músicas deles, nem meus amigos. A beatlemania começou pra mim graças a muitas pesquisas na internet. Na verdade desde pequena eu me sentia um pouco diferente dos meus amigos por eu ter um gosto por músicas antigas. Lembro que meu pai tinha uma fita do Johnny Rivers e eu, lá com meus 8 anos, enquanto meus amigos ouviam mamonas assassinas eu ficava ouvindo a fita do meu pai o dia inteiro… havia também nessa época uma coletânea de musicas em um cd de artistas variados em casa, e a música que eu mais gostava era a faixa 10; mas como o cd não tinha encarte eu não sabia quem cantava e nem qual era o nome dessa música que eu adorava. Anos depois eu fui descobrir que essa música era She Loves You rsrsrsrsrsr. Nessa época o nome The Beatles ainda era vago pra mim, até a internet abrir portas pra eu descobrir o que há por trás desse nome e dar origem à um amor que não tem volta. Fui descobrindo pouco a pouco, e me apaixonando por cada música… ví que era disso que eu precisava, ví que era isso que me satisfazia musicalmente, era o que meus ouvidos esperavam de uma boa música. Aos poucos me apaixonei não só pelas músicas mas pelos meninos também; aos 14 eu já era louca por eles, e esse amor só vem crescendo a cada dia mais. Sou beatlemaníaca sim, e não tenho a mínima vergonha. Já ouvi muito desaforo do pessoal da minha idade, dizendo que “é música de velho”, “som de museu”, mas eu não to nem aí. Amor a gente não explica e não dá satisfação, só deixa acontecer…

    • Que bonito Letícia!
      Tenha certeza que é muito bom saber do interesse que jovens como você têm pelos Beatles. Esta é a motivação que tenho pra continuar falando sobre a Beatlemania “Here There and Everywhere”. hehe

      Ah! E diga aos seus amigos que gostar dos Beatles não é coisa de velho não, é coisa de eternos adolescentes! 😉

      Bjs.

  4. Ah Lu, eles não gostam pq ainda não chegaram nesse nível musical mais apurado. Quem sabe amadurecendo eles não cheguem lá né rsrsrs..
    Bjinhos!

  5. Adorei o Blog… Achei sem querer, contudo, pude notar que és uma grande conhecedora da história do Fab Four… Além de escrever muito bem. Parabéns! Já coloquei seu Blog na barra de favoritos. Vou acompanha-la sempre que possível. Abraços!

  6. Mais uma de Diário dos Beatles de Berry Miles.

    A primeira vez que Paul pisou num palco.

    “A família McCartney vai para Butlin ( Filey- Yorkshire ) de férias, Paul e Michael participam do ” The People”, que era um Concurso de Talentos, e se apresentam como The McCartney Brothers tocando Bye Bye Love dos Everly Brothers e Long Tall Sally de Little Richard, entretanto a dupla não obtém classificação, na época ambos tinham menos de 16 anos. De acordo com Miles, essa foi a primeira vez que Paul pisou em um palco. A data dessa “apresentação” foi em agosto de 1957.

  7. Pelo que está no texto do livro, foi.
    Prosseguindo…

    em 18 de outubro do mesmo ano, Paul tocou com The Quarrymen pela primeira vez, no Conservative Club, New Clubmoor Hall em Liverpool. Palavras de Paul: “Aquela noite foi um desastre, meus dedos ficaram pegajosos e arruinei o solo de Guitar Boogie Shuffle, um dos mais fáceis de executar.” ( do mesmo livro acima citado )

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