Há 43 anos, acontecia o Casamento de Paul & Linda McCartney!

É certo que Paul McCartney tenha se casado recentemente com Nancy Shevell, mas foi Linda McCartney a esposa “Beatle”, a que conviveu com os Fab Four e os fãs de Paul, e portanto vale lembrar que há 43 anos, em 12 de março de 1969, aconteceu o casamento de Paul e Linda, a mulher que lhe deu três filhos e uma enteada, e ainda o ajudou a sair da depressão depois do fim da banda The Beatles. No dia de hoje eles estariam fazendo 43 anos de casados.

A história de Linda e Paul está ilustrada no DVD Wingspan, é uma linda história de amor e companheirismo, e em homenagem a eles, vou postar aqui um texto que saiu no “Times Online” de 06 de abril de 2009, foi uma entrevista com Paul na época, quando o casal faria 30 anos de casados (Bodas de Rubi), caso Linda não tivesse partido tão cedo…

Palavras de Paul McCartney sobre sua Linda McCartney

“Linda tinha muito os pés no chão. Ela ensinou-me a relaxar. Suas prioridades eram de natureza privada e não pública. Ela não passou pela televisão no intuito de tirar proveito para si mesma. Ela era apenas muito engraçada, muito inteligente e muito talentosa.

Muito de minha vida com Linda e nossa família foi passando tempo em casa ou fora dela ou em férias. A foto desta página é apenas um simples instantâneo de férias. Foi apenas uma dessas cenas, uma fotografia minha relaxando na Jamaica à tarde. Como uma fotógrafa, Linda teve a liberdade de tirar alguns instantâneos formidáveis da família. Ela possuía aquele talento: quando ela tirava fotos, ela conseguia fazer com que nós todos a ignorássemos totalmente.
Ela conseguia tirar fotos de praticamente tudo, e nós sabíamos que podíamos confiar nela. Sabíamos que ela desejava apenas tirar fotos de coisas que ela julgava que valessem a pena e não coisas muito particulares.

Fomos sempre muito caseiros. Eu suponho que fomos, afinal de contas. Logo que a conheci, eu percebi que, como uma fotógrafa, ela foi muito simpática. Faz agora 10 anos desde que ela morreu e, provavelmente 40 anos desde que nos conhecemos. Posso ainda recordar o nosso primeiro encontro. Foi em um Clube de Londres, o Bag O ‘Nails, numa noite em que Georgie Fame e os Blue Flames estavam tocando. Através de uma sala lotada, como se costuma dizer, os nossos olhos se encontraram e começaram a tocar violinos – mas eles foram sufocados por tantas pessoas presentes…

Houve uma atração imediata entre nós. No momento em que ela estava indo embora – ela estava com o grupo The Animals –  ela estava fotografando eles – Eu vi uma oportunidade e disse: “Meu nome é Paul. Qual é o seu? “Acho que ela provavelmente me reconheceu.

Foi uma coisa tão antiquada, mas mais tarde eu disse aos nossos filhos, que se não tivesse acontecido aquele momento, nenhum deles estaria aqui. Mais tarde, naquela noite, nós fomos juntos para outro clube, o Speakeasy. Foi o nosso primeiro encontro para sairmos juntos, e eu lembro que ouvi A Whiter Shade of Pale do Procol Harum pela primeira vez. A partir daí, esta tornou-se a nossa canção…

Embora Linda conhecesse muitos músicos de primeira linha – ela tinha trabalhado como fotógrafa na primeira edição da Rolling Stone – ela era uma pessoa sempre muito pé no chão. Na década de 1960, muitas vezes viajávamos de metrô. Eu tirei uma foto dela em início de tarde. O vagão estava completamente vazio e ela queria tirar fotos de mim.

Ela sempre foi muito bonita. Aquela imagem de Linda no metrô a mostra perfeitamente: belas mãos, absolutamente nenhuma maquiagem, apenas a estrutura do rosto. As meias Argyle (meias no padrão escocês) que todos costumavam caçoar. Ela tinha dois pares e costumava usar uma vermelha e uma verde. Ela era uma garota muito natural, naturalmente loira. Tinha um visual muito casual.

Essa foi a forma como nós dois passamos por aqueles dias – dentro do metro, eu tirando algumas fotos dela e ela tirando algumas de mim. Logo após as fotos no metrô terem sido tiradas, eu rompi com os Beatles, que foi para mim uma coisa terrível. Linda foi muito calma, muito pé no chão – dois dos atributos que eu realmente precisava naquele momento. E também ela era verdadeiramente uma mulher. Até então, eu sentia que eu havia namorado garotas – bem, exceto talvez uma ou duas. Linda era genuinamente uma mulher.

Ela tinha uma filha de cinco anos de idade, e eu estava realmente impressionado com a maneira como ela conduzia sua vida. Ela simplesmente sabia como fazer as coisas. Achei aquilo muito impressionante.

É engraçado, mas muitos cantores e bandas hoje em dia estão mais com os pés no chão do que você possa imaginar. Outro dia fui jantar com minha filha Stella e com Madonna, que apareceu desacompanhada. Oferecemos-lhe uma carona e ela disse: “Não, gostaria de ir para casa a pé”. Você pensa que as pessoas não gostariam de fazer isso, mas elas gostam. Eu faço compras, vou ao cinema, eu faço várias coisas assim, porque para mim, é um bom equilíbrio entre isso e o lance do glamour.

Linda não tirou uma série de fotos dos Beatles, mas ela aproveitou mais a oportunidade, quando ela estava no estúdio, geralmente em Abbey Road. Ela era muito perseptiva em não interromper quando estávamos trabalhando.

Ela tinha esse talento de não ficar no meio do caminho. Ela tinha um bom estilo onde ela sentava-se num canto e só retirava a sua câmera e tirava algumas fotos e guardava a câmera novamente. O que eu adoro sobre as fotos que ela fez de John e eu é que ela mostra a grande relação de trabalho que tínhamos. Foi uma alegria trabalhar com John, sobretudo quando escrevíamos e nos organizávamos.

Eu não consigo recordar exatamente o que estávamos fazendo nesta foto – talvez uma letra, talvez ordenando, talvez a bagunça em Abbey Road. Chegava uma hora que tínhamos de organizar, qual música iria para onde. Eu simplesmente adoro a alegria dessa foto – é uma composição muito bonita. Havia também as dificuldades do período – que aparecem no filme Let It Be – que penso ter encoberto a verdade. Foi um período muito pesado. Mas esta imagem mostra que nem tudo foi assim. Houve alguma luz. E é como eu me lembro de nossa relação de trabalho. Mesmo que houvesse alguns momentos difíceis, esta foi uma grande amizade.

Confrontada com a pressão de ser casada com um Beatle, Linda freqüentemente queria sair da cidade. Costumávamos visitar lugares como Cliveden, onde Linda me fotografou com Heather, sua filha, que se tornou a nossa filha. Ela sempre me chamou de pai. É uma foto interessante.

Eu conhecia Cliveden por termos feito o filme Help! – tiramos uma seqüência de fotos em que usamos a casa, fingindo que era o Palácio de Buckingham. Não estou certo de que a rainha teria permitido isso. Eu tinha estado por lá com os Beatles e encontramos *Lord Astor (um político inglês), ele estava bem cansado.

Eu me lembro que ele nos ofereceu todo o oxigênio. Ele dizia: “Vocês querem um pouquinho?” Eu acho que demos uma rápida inalada.

Eu sabia que Cliveden seria um belo passeio para Linda, Heather e eu. Quando passeávamos de carro, Linda sempre queria ficar perdida. Eu tinha um pânico nato com relação a estar perdido. Eu sempre quero saber onde Londres está. Eu não quero chegar em, digamos, Staines e não saber o meu caminho de volta.

Costumávamos ir para os lugares mais obscuros, nos divertíamos , encontrávamos uma pequena casa de chá, ou a beira de um rio. Ela ensinou-me pequenas coisas como estas, relaxar e ter os pés no chão. Foi muito valioso para mim naquela época, uma grande parte do processo de cicatrização após a separação dos Beatles. Ela adorava o campo e adorava nele tirar fotografias. A foto de abertura foi tirada na Escócia, em nossa fazenda, em 1982, quando estávamos passando muito tempo lá. Esta é a minha roupa escocesa – ela dava coceiras na pele, mas é a que eu usei.

Minha função era a de andar de uma ponta da cerca até a outra e voltar, o que eu fiz até que fiquei um pouco fraco e tornou-se um pouco perigoso para a saúde. O que acho fabuloso nesta foto é que é um daqueles momentos no qual alguém como Cartier-Bresson se especializou. Existem fotos famosas que Cartier-Bresson tirou que mostravam alguém saltando sobre um lamaçal na estrada – é aquela impressão de que “você está lá!” Então temos essa adorável foto de Stella agachada no primeiro plano. E então você tem o cão perfeitamente apontando, um pequeno labrador chamado Poppy e, em seguida, temos eu me equilibrando. É muito surpreendente.

Linda era uma mulher muito natural. Ela adorava o ar fresco e a liberdade a privacidade das zonas rurais. Durante a dissolução dos Beatles passamos bastante tempo na Escócia – três a quatro meses. Normalmente seriam apenas umas férias de duas semanas, mas adoramos a Escócia. Era o fim de lugar nenhum.

Nossa fazenda é em Campbeltown e eu continuo a ir para lá com a família. Os homens na foto eram chamados por mim e Linda de os velhinhos tagarelas (Old Biddies). Eles eram aposentados. Usavam suas capas de chuva Mackintosh para sair, seus bonés tipo Andy Capp e sentavam-se em círculo para bate-papo. Mais tarde eu acho que alguém colocou um banco de jardim ali para eles. Nós costumávamos vê-los quando íamos à cidade para fazer algumas compras de mantimentos. Ela gostava tanto de fotografá-los que várias fotografias acabaram se tornando históricas. Em 30 anos, os lugares mudam. Nós temos as imagens de bebês, lindas crianças pequenas que hoje são grandes fazendeiros adultos..

E o museu de Campbeltown possui algumas fotos de Linda por esse mesmo motivo – elas se tornaram históricas. Eu adoro as capas de chuva. Aqueles velhinhos eram todos simplesmente gente do interior, aposentados, com suas bengalas. Há um grande clima naquela fotografia. Linda era uma grande apreciadora dos Old Biddies.

Uma grande coisa sobre Linda era que ela era capaz de sociabilizar-se com qualquer um. Seu pai era um conhecido advogado. Ele havia estudado em Harvard e teve um escritório de muito sucesso e morava num apartamento na Park Avenue, um endereço muito elegante, com uma impressionante coleção de arte.

Ela conseguiu conviver nesse mundo e ficava muito à vontade nele. Ela também conseguia comunicar-se muito facilmente com as pessoas na rua. Ela tinha maneiras muito simples. Nos anos de 1960 e 70 a imprensa não entendeu – simplesmente porque ela tinha se tornado minha namorada e, em seguida, minha esposa.

Ela não foi à TV pra dizer “Esta aqui sou eu – Olá” e tentar agradar e chamar a atenção para si mesma. Nós não precisávamos fazer isso – era a nossa vida, não a deles. Estávamos muito ocupados vivendo a nossa vida. Quando alguém vinha em casa para jantar e a conhecia, eles a achavam fantástica. Ela era uma grande pessoa para se ter ao lado: muito engraçada, muito inteligente e muito talentosa. Ela conseguia falar tanto com um carteiro local como com um negociante de artes de Nova York, com a mesma facilidade.

Leva tempo para que as pessoas conheçam alguém, principalmente se você não se empenhar para tal – e ela não se empenhou nisso. O tempo é o fator essencial. As pessoas vinham jantar conosco, gente como Twiggy e Joanna Lumley.

Linda ocasionalmente fazia entrevistas e as pessoas gradualmente iam lhe conhecendo. Espalhou-se que ela era simplesmente uma mulher muito legal. As pessoas diziam que: “Ela em nada se parece com a imagem que transmite”. Suas prioridades eram de natureza privada e não pública e é por isso que demorou um pouco de tempo para todos aceitarem a ela.

Para mim, provavelmente, a fotografia mais triste e mais assombrosa nesta coleção é o auto-retrato que ela tirou, em 1997 no estúdio de Francis Bacon em South Kensington, pouco tempo antes até que ela falecesse em 1998. Linda era uma grande amante da arte. Ela tinha estudado arte na faculdade do Arizona e seu pai tinha uma coleção fenomenal. Sendo assim ela tinha crescido em meio a muita arte. Ela admirava muito Francis Bacon teve uma oportunidade através de um amigo, de fotografar em seu estúdio após seu falecimento. Conhecíamos as pessoas que cuidavam de seu estúdio. O estúdio estava se mudando para Dublin – com todo o seu acervo. Ela foi até lá e tirou algumas fotos. Esta é um clássico. Com o espelho rachado é particularmente estranha. É uma imagem poderosa, mas muito estranha. Não tenho certeza, mas que parece a máscara mortuária de alguém, à direita da foto.

Na época, ela sabia que ela estava doente, mas ela tinha feito quimioterapia e seu cabelo estava crescendo novamente. Era um visual muito elegante. Ela não sabia que estava morrendo…

Eu não tenho a muita certeza de que ela realmente soubesse que ela estava morrendo. Você tem de tomar uma decisão como uma família com relação a se alguém vai fazer o anúncio e os médicos e deixam com você, os familiares mais próximos.

Falei sobre isso com o médico e ele disse: “Eu não acho que ela iria querer saber. Ela é tão forte, uma mulher de pensamento moderno uma moça de pensamento tão positivo que eu não creio que faria bem algum”. Ela estava lutando até o fim.
Mesmo um dia antes de seu falecimento, ela tinha saído a cavalo. Ela adorava muito isso. Às vezes ela ficava de pé sobre um cavalo e eu dizia: ´Você não quer cair, quer?` Mas ela preferia estar em cima do cavalo do que no chão.”

Uma exposição de fotografias de Linda McCartney foi inaugurada na James Hyman Gallery, em Savile Row número 5, Londres W1, em 25 de abril de 2009. A exposição foi o resultado de três anos de colaboração entre Sir Paul, Mary McCartney e James Hyman.

Nota: As fotos citadas no artigo poderão ser vistas aqui.

Ou aqui

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