Panorama pós 10 de abril de 1970!

No dia 10 de abril de 1970, Paul McCartney anunciava ao mundo a separação oficial dos Beatles através de um comunicado, como pudemos recordar aqui neste post:  O fatídico dia 10 de abril de 1970 na história dos Beatles!

Hoje gostaria de falar sobre os dias que se seguiram a este anúncio “fatal” para os fãs dos Beatles…

Comenta-se muito sobre o que levou o grupo a se separar, comenta-se muito quem foi o culpado/a, mas como eles se comportaram após a separação?

_ Pouco importava como os anos 70 estavam se mostrando! Os Beatles tinham que conviver com aquela fama toda e John Lennon usava e abusava dela, ao mesmo tempo em que queria e não queria tê-la por perto.
Até 1970 ele acumulou mais riqueza material com seus audaciosos devaneios do que qualquer um de nós poderia imaginar e, mesmo assim, não se sentia realizado interiormente, apesar da experiência do grito primal, sob os cuidados do Dr. Janov!

_ O primeiro casamento de George Harrison fracassou e ele procurou preencher o vazio trazido pela separação dos Beatles, tocando cítara e meditando; Ringo Starr só queria ser famoso e se transformou em um alcoólatra; também seu primeiro casamento com Maureen Cox terminou, depois que George Harrison teve um relacionamento com ela.

_ Paul McCartney se apoiou na vida familiar com Linda Eastman e fumava maconha regularmente, para pelo menos manter alguma tradição dos anos 60, apropriando-se de um estilo musical “back to the basics”, a fim de se manter musicalmente ajustado!
Infelizmente os Wings não fizeram tanto sucesso assim. Mas McCartney parecia administrar melhor a fama do que os outros três, em parte porque soube investir a enorme fortuna adquirindo propriedades.
Paul, a esposa Linda e os filhos pequenos refugiavam-se às vezes nestas propriedades e procuravam manter alguma normalidade. McCartney conseguiu evitar exatamente aquilo que significava a condenação para muitos astros do Rock daquele tempo: refugiar-se do mundo e viver das recordações do passado!

_ Com John Lennon a questão era essencialmente conflitante. Ele contemplava a fama do mesmo modo que contemplava as mulheres e os Beatles: com uma mistura de desprezo e amor. Não passou desapercebido que tudo o que Lennon conquistou era em função de sua fama como Beatle, do mesmo modo que ele sabia que era emocionalmente dependente das mulheres e, principalmente, de Yoko Ono, mesmo que às vezes tivesse um comportamento rude, de astro pop machão, em relação às mulheres.

Tudo de ruim que Lennon disse dos Beatles na entrevista a Jann Wenner para a Revista Rolling Stones, em 1971, depois ganhou bastante destaque: era o depoimento de alguém que bate e agride quando se sente ofendido e confinado.
Desde os anos 60, John sentia-se limitado por sua publicidade como Beatle.
Ninguém foi poupado por ele nesta entrevista, nem Brian Epstein, nem Paul, nem os fãs, nem os anos 60, tudo e todos eram execráveis e Lennon não queria saber de mais nada, nem de ninguém!

(Leia sobre a entrevista aqui)

Em outra entrevista que o casal Ono Lennon concedeu a Tariq Ale, da Revista Red Mole, foi possível perceber um depoimento mais moderado!

Tariq Ale: Você foi mais bem sucedido do que a maioria das pessoas poderia esperar em seus mais audaciosos desejos.

John Lennon: Meu Deus, isso foi a maior das repressões! Quero dizer: nós tínhamos que nos deixar humilhar por toda a sorte de pessoas medíocres, pelo show-biz e pelos prefeitos e sabe Deus por quem mais. Eles eram tão condescendentes e burros! Todos tentaram se aproveitar de nós. Para mim sempre foi muito desconcertante, porque nunca consegui ficar de bico calado, eu sempre tive que me embebedar ou me drogar para suportar a pressão. Era um verdadeiro inferno…

Yoko Ono: Dessa forma, John nunca conseguiu ter verdadeiras experiências de vida…

John Lennon: Foi simplesmente terrível! Quero dizer, não levando em consideração o entusiasmo inicial sobre o sucesso – o nervosismo quando o primeiro disco foi para o primeiro lugar das paradas, a primeira turnê pelos Estados Unidos da América; no início nós ainda tínhamos um objetivo, queríamos ser tão famosos quanto Elvis – foi emocionante o movimento em direção ao objetivo, mas quando o alcançamos, veio a grande decepção. De repente eu tinha que me esforçar a todo o momento para agradar pessoas que desde criança já achava insuportáveis. Isso me trouxe de volta à realidade. Aí ficou claro para mim que nós somos oprimidos e eu gostaria de fazer alguma coisa contra isso, mesmo que no momento eu não saiba exatamente em que pé as coisas estão.
Bem, talvez John estivesse tão sexualmente quanto emocionalmente entediado quando Yoko apareceu de forma repentina e inesperada em sua vida. Se observarmos o espaço de tempo entre 1966 e 1970, fica evidente que muitos fatores diferentes tiveram influência na separação dos Beatles. Yoko teve alguma participação nisso, mas não poderia ser considerada a única responsável!
É inegável que o sucesso de Yoko como artista cresceu e ela passou a ser internacionalmente reconhecida quando escolheu John para amante e terceiro marido.
Sem esta ligação com o astro, ela teria voltado bem mais cedo para Nova York. Quando Yoko e John se conheceram, ela já possuía uma personalidade ambiciosa e amadurecida, apesar de não se poder afirmar o mesmo a respeito de John!
Diferente de qualquer outra mulher que se encontrasse em situação semelhante, Yoko mostrou-se bem pouco impressionada quando se tornou amante de Lennon. Para grande indignação dos fãs dos Beatles, em público ela se apresentava sempre com um semblante sério, indecifrável. A jornalista londrina Maureen Cleve expressou-se assim:

“Lennon dizia que era porque ela era japonesa, mas eu acho que era porque ela nunca sorria”.

O escritor Britânico Ian Mac Donald disse:

“Como Yoko era mentalmente superior a Lennon, ela o influenciava bem mais, e como ele era artisticamente superior a ela, esta influência passava para a música e daí diretamente para o público”.

Ian Mac Donald é mais duro ainda quando diz:

“De todos os fantasmas mentais com os quais Yoko sobrecarregava Lennon naquele tempo, o pior era a sua convicção de que a arte só girava em torno do artista e de nada mais. Ela não apenas afirmava Lennon em seu egocentrismo, como também torpedeava o seu universalismo. E na luta entre estes dois extremos, percebemos as contradições emocionais com as quais ele se torturou durante toda a vida. Lennon foi impelido da heroína para a terapia do grito primal, para o Maoismo e finalmente para o álcool, este último exercendo domínio sobre ele nos próximos três anos”.

“Violência gera violência, esta é uma lei universal. Ok… alguns dirão que cada situação é diferente e há situações que exigem violência, mas isso é um acordo e eu afirmo que a paz não é feita com base em acordos… O stablishment gosta de encenar jogos de guerra. Querem convencê-los de que a violência é a única solução. Mencionem apenas uma revolução conduzida com violência, que tenha trazido paz e liberdade, então eu direi OK, vocês têm razão! Há dois milhões de anos existe violência no mundo, porque, para variar, não podemos tentar a paz?” (John Lennon)

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5 respostas em “Panorama pós 10 de abril de 1970!

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