RAM, o Segundo álbum de Paul McCartney.

Paul McCartney lançou seu primeiro álbum em carreira solo, ainda no ano de 1970, mesmo ano em que os Beatles chegaram ao fim enquanto um conjunto.

Em seguida, em 1971, veio o excelente álbum RAM, creditado a Paul e Linda McCartney, tema desta postagem de hoje.

‘Ram’ teve o cuidado de produção que o ‘McCartney’ não teve. Foi gravado em NYC, com músicos ‘top’ de estúdio, como Hugh McKraken e David Spinozza. No entanto, apesar de várias harmonias muito bonitas, é um álbum bastante heterogêneo, podendo se dizer que contém  ‘Too much information’…

RAM – Um aquecimento para o Wings!

 No final de 1970, Paul McCartney estava pronto para retornar ao estúdio. Seu álbum “McCartney” tinha sido gravado em condições precárias e era basicamente um produto caseiro, mas para o próximo, Paul tinha grandes aspirações. O novo álbum teria músicos de estúdio, a Orquestra Filarmônica de Nova Iorque, e a expectativa de ser o melhor trabalho de Paul até então.

Os McCartney foram para NYC em janeiro de 1971. Após visitarem a família de Linda, foram à Manhattan fazer audições com músicos locais. “Eu estava usando uma barba enorme, parecendo como qualquer pessoa, ninguém me reconhecia”, disse Paul. “Eu também estava com uma jaqueta do exército e jeans, completamente anônimo.”
“Fomos ao Apollo uma noite, chegamos atrasados, mas Linda persuadiu o porteiro a nos deixar entrar, e descobrimos que devíamos ser os dois únicos brancos no recinto. Era a época dos Panteras Negras, mas achamos que tudo ia dar certo… Foi com esse espírito que começamos a trabalhar no RAM.”

Vários músicos compareceram as audições, mas não sabiam que era para Paul McCartney. Denny Seiwell foi um dos bateristas a comparecer. Ele tinha mais de 1,90, era de Leighton, Pennsylvania e tinha sido percussionista no Exército antes de se mudar para NYC, lá trabalhou como músico de estúdio e em clubes de jazz.

Seiwell chegou ao local da audição, que era um prédio ‘caindo aos pedaços’, num porão, onde não havia estúdio, apenas um kit velho de bateria, “o pior que já tinha visto”. “Paul me pediu para tocar, ele não estava com a guitarra, então só sentei e comecei a tocar. Ele estava com um olhar esquisito…”
Muito músicos passaram pelo teste, mas Seiwell sentiu que Paul estava procurando por “uma certa atitude. Eu apenas toquei…Se eu não conseguisse fazer isso ali por minha conta, com certeza não conseguiria de nenhum outro jeito.”

Oito bateristas foram testados, e Seiwell escolhido ao final. O que decidiu a favor de Seiwell foram os seus “tom toms” disse Paul. “Isto pode não significar muito para quem não é músico… Mas se a gente presta atenção num baterista tocando tom toms,  aprende-se muito sobre ele.”

McCartney selecionou também Ron Carter e Richard Davis para tocar baixo em várias faixas, e David Spinoza foi escolhido para as guitarras. Spinoza era um músico de estúdio top; ele começou cobrando 15 dólares uma sessão de 3 horas, quando foi contratado por Paul em 1971, já cobrava 90 dólares.
Foi Linda quem ligou para Spinoza e se apresentou como Sra. McCartney. “Quem?” Spinoza respondeu. Linda argumentou que seu marido gostaria de vê-lo. Spinoza ainda não sabia quem era ela ou seu marido. Finalmente, Linda disse que seu marido era Paul McCartney. “Como eu iria imaginar que Paul McCartney ligaria prá mim,” David pensou.
Spinoza se surpreendeu ao ver que não fora apenas ele convidado para a audição, havia muitos outros que já estavam tocando a três dias.
David tocou sua parte, deu tchau e foi prá casa. Não demorou muito, recebeu outro telefonema de Linda informando que ele tinha sido escolhido e pedindo prá ele comparecer nas sessões da próxima semana. Ele, no entanto, estava com a agenda não totalmente disponível e disse à Linda, que não poderia comparecer toda a semana. Linda pediu 5 dias. David disse que poderia conseguir só 2. Ela pediu prá ele reconsiderar. “Ela realmente falava por Paul e cuidava dos negócios”, Spinoza lembra.

A maioria das gravações foram feitas no estúdio A&R de Phil Ramone. Paul ensaiou 2 dúzias de canções, das quais 12 chegaram ao álbum. O álbum foi construído com Paul cantando enquanto os músicos o acompanhavam, desenvolvendo a música aos poucos. “Foi simples”, lembra Seiwell. “Foi um procedimento legal, porque eram apenas 3 pessoas (não incluindo Linda).”

Para David Spinoza, entretanto, estava difícil, ele se sentiu relegado a um papel secundário e não criativo. Não havia nenhuma dificuldade ou desafio. Ele simplesmente tocava o que lhe pediam. David também notou que Paul era muito profissional, começando ás 9 da manhã, escutando tudo o que tinha sido gravado no dia anterior e isto era seguido de 8 horas de ensaios e gravações. Não havia “fumo, nem drinks ou embromação, nada,” ele lembra. “Só trabalho direto.”

Outra situação difícil para Spinoza lidar era com a constante presença de Linda no estúdio – e seus filhos. Até ás 4 da manhã as crianças estavam por lá, caindo de tão cansadas – segundo suas lembranças – o que Spinoza e os outros não achavam certo.
Paul ainda insistia para Linda se envolver nas gravações.
“Eu forcei ela um monte em NYC porque pensei que seria uma boa ter ela nas harmonias,” Paul lembra. “Mas eu queria harmonias legais, então trabalhei com ela prá valer, pois ela nunca tinha feito isso.”
“Se você escutar o RAM, todas aquelas harmonias lá são apenas eu e Linda. Legais muitas delas, mas foi trabalho duro.”

Spinoza lembra da contribuição de Linda para o álbum como apenas “comentários do que ela achava bom ou ruim.” Ele também sentia que Linda cantava… “bem – como qualquer garota iniciante.” Mesmo assim, ele imaginava, “O que ela está fazendo cantando com Paul McCartney?”
Após Spinoza completar seu trabalho em algumas faixas, Linda ligou e lhe disse educadamente que ele não precisava mais aparecer na próxima sessão, que eles fariam no dia seguinte. Ele esperava ser chamado nos próximos dias, mas não o foi. Possivelmente a sua desaprovação íntima à Linda, não fora tão íntima assim. Denny Seiwell recomendou o guitarrista Hugh McCraken, que foi contratado e completou o trabalho no álbum.

RAM foi lançado em maio de 1971 e foi creditado à ‘Paul and Linda McCartney’. Na foto da capa, Paul segura uma ovelha pelos chifres, junto com desenhos de Paul e Linda. As iniciais “L.I.L.Y” escritas num canto da capa, significavam “Linda, I Love You.” A contra-capa mostrava um casal de besouros trepando, uma referência óbvia de Paul sobre como ele se sentia a respeito de seus ex-companheiros de banda.

Paul ficou chocado com as críticas negativas ao álbum. Embora muitos críticos apenas discutissem o disco, alguns atacaram Paul e Linda pessoalmente. Em retrospecto, o álbum não era tão ruim quanto os críticos achavam, e era notório que as críticas eram uma ‘vingança’ por Paul ter ‘acabado’ com os Beatles. 

John Lennon não gostou de RAM, e descobriu ofensas pessoais em “Dear Boy” e “Too Many People”, que descreve hipócritas que dão uma opinião em público e seguem outra direção na vida privada. Lennon iria retaliar com “How Do You Sleep?”.
Ringo também não gostou, comentando que Paul era um artista brilhante, mas que o disco era apenas uma sombra do que ele era.
O produtor George Martin disse simplesmente que: “Eu não acho que Linda seja substituta para John Lennon.”

Pelo lado positivo, “Record Mirror”, viu que Paul e Linda soavam tão bem como os “Everly Brothers”. E o público gostou de RAM. Ele foi bem nas paradas nos EUA e Europa. Na Inglaterra chegou ao nº1, e nos EUA ao nº2, atrás apenas de “Tapestry” de Carole King.

Enfim, um aquecimento para os WINGS!

Documentário sobre o “making of” RAM

John Lennon e Ringo Starr não gostaram deste álbum do ex-companheiro de banda…

Neste álbum está a faixa “Too Many People”, um clássico e que tem aquela famosa frase dirigida a John e Yoko: “Too many people preaching practices, don’t let them tell you what you wanna be…”

John Lennon provavelmente não gostou de ouvir o disco, por entender que algumas ofensas eram dirigidas a ele; John achava que todo o álbum tinha algo falando mal dele, mas Paul disse mais tarde que somente dois versos em “Too Many People” eram dirigidos a Lennon.

Paul disse: “In one song, I wrote, ‘Too many people preaching practices,’ I think is the line. I mean, that was a little dig at John and Yoko. There wasn’t anything else on Ram that was about them. Oh, there was ‘You took your lucky break and broke it in two.'”

Outra coisa interessante, ‘piece of cake’, para quem ouve, também pode ser ‘piss off, cake’!! Aliás, é assim que começa a música, e quem sabe já não é recado de Paul para John? rsrs
Quanto ao Ringo não ter gostado, talvez seja por que ele estava acostumado com o Paul dos Beatles, e esperava algo no mesmo estilo, mas isso nunca mais tivemos!

Too Many People – Letra e tradução:

TOO MANY PEOPLE GOING UNDERGROUND,
Muitas pessoas chegam no fundo do poço
TOO MANY REACHING FOR A PIECE OF CAKE.
Muitas tentando alcançar um pedaço de bolo.
TOO MANY PEOPLE PULLED AND PUSHED AROUND,
Muitas pessoas são puxadas e empurradas aqui e ali,
TOO MANY WAITING FOR THAT LUCKY BREAK.
Muitas esperando por um momento de sorte.

THAT WAS YOUR FIRST MISTAKE,
Aquele foi seu primeiro erro,
YOU TOOK YOUR LUCKY BREAK AND BROKE IT IN TWO.
Você pegou seu momento de sorte e separou-o em dois.
NOW WHAT CAN BE DONE FOR YOU?
Agora o que pode ser feito por você?
YOU BROKE IT IN TWO.
Você se partiu em dois.

TOO MANY PEOPLE SHARING PARTY LINES,
Muitas pessoas compartilhando festas,
TOO MANY PEOPLE EVER SLEEPING LATE.
Muitas pessoas sempre dormindo tarde.
TOO MANY PEOPLE PAYING PARKING FINES,
Muitas pessoas pagando por estacionamentos caros,
TOO MANY HUNDRED PEOPLE LOSING WEIGHT.
Muitas centenas de pessoas perdendo peso.

THAT WAS YOUR FIRST MISTAKE,
Aquele foi seu primeiro erro,
YOU TOOK YOUR LUCKY BREAK AND BROKE IT IN TWO.
Você teve seu momento de sorte e separou-o em dois
NOW WHAT CAN BE DONE FOR YOU?
Agora o que pode ser feito por você?
YOU BROKE IT IN TWO.
Você separou-o em dois.

MM-MM-UH-UH.

UH!

TOO MANY PEOPLE PREACHING PRACTICES,
Muitas pessoas pregando certas práticas,
DON’T LET ‘EM TELL YOU WHAT YOU WANNA BE.
Não as deixe dizer-lhe o que você deve fazer

TOO MANY PEOPLE HOLDING BACK,
Muitas pessoas empurrando para trás,
THIS IS CRAZY, AND BABY, IT’S NOT LIKE ME.
Isto é loucura, e meu bem, este não é como eu.

THAT WAS YOUR LAST MISTAKE,
Aquele foi seu último erro,
I FIND MY LOVE AWAKE AND WAITING TO BE.
Quando encontrei meu amor ela estava acordada e esperando para ser alguém.
NOW WHAT CAN BE DONE FOR YOU?
Agora o que pode ser feito por você?
SHE’S WAITING FOR ME – YEAH.
Ela está esperando por mim – Sim.

As músicas que compõem o álbum RAM de 1971

“Too Many People” (P. McCartney)

A faixa de abertura é um rock direto que tem algumas citações ao ex-parceiro John Lennon. Ela começa com Paul no violão cantando o que parece ser “A piece of cake”(um pedaço de bolo), que é uma frase da canção. McCartney mais tarde admitiu que ele cantou algo ‘menos inocente’. “Piece of cake” virou “Piss off cake”(vá se f….).
Outras pistas eram mais óbvias, Paul explica, “John vinha fazendo muito discurso. Eu escrevi, ‘Too many people preaching practices'(Tem gente demais fazendo discurso)…foi um pequeno toque em John e Yoko.”
A frase “You took your lucky break and broke it in two”, era originalmente, “Yoko took your lucky break and broke it in two.” Felizmente, Paul resolveu mudar esta parte.

A canção tem mudanças grandes de ritmo e tem Paul nos vocais, violão, guitarra elétrica e baixo, Linda no backing, Hugh McCraken na guitarra e Denny Seiwell na bateria.
“3 Legs” (P. McCartney)

“3 Legs” é um rock blueseiro com uma letra bobinha. Apresenta Paul no vocal, violão, guitarra e baixo, Linda no backing, Dave Spinoza na guitarra e Denny na bateria e pandeiro.
Spinoza adorou tocar nessa canção, descrevendo ela como “uma coisa bonitinha, uma melodia de blues, eu acho que ela tem um som único.”
“Ram On” (P. McCartney)

“Ram On” começa com uma guinada de uma ‘tape recorder’ enquanto Paul ‘brincava’ no piano. Depois do engenheiro de som anunciar, “Take One”, Paul responde, “OK”, e começa a música. McCartney canta, toca ukelele, teclados e baixo, além de uma imitação de bateria e tom toms. Linda canta backing, e a faixa termina com Paul assoviando.
“Dear Boy”

“Dear Boy” é uma linda canção mid-tempo. É a primeira de seis canções em que Linda ganha crédito de co-autora. Apesar de alguns acharem que a música se referia à John, Paul nega. “Dear Boy foi na verdade uma canção para o ex-marido de Linda.” ‘Eu acho que vc não sabe o que perdeu’, Paul canta.
A canção foi gravada em Los Angeles, com Denny Seiwell presente nas sessões, em 9, 10 e 12 de março de 1971. Além da bateria de Seiwell dobrada, a faixa tem Paul no vocal, piano, guitarra e baixo, Linda no backing, e Paul Beaver no sintetizador(adicionado em 7 de abril). O piano de Paul é o instrumento dominante, acompanhado pelo backing vocal estilo Beach Boys.
“Uncle Albert/Admiral Halsey”

Esta é a canção mais interessante e popular do disco. É cheia de melodia e de mudanças de tempo, ela parece juntar pedaços de canções como no lado B de “Abbey Road”. O segmento de abertura foi inspirado pelo tio de Paul, Albert, “que costumava citar a Bíblia para todo mundo qdo estava de porre”. E Admiral Halsey era um herói de guerra que Paul gostava do nome(William Frederic Halsey Jr,. era o Comandante-em-Chefe da Terceira Frota da Marinha Naval Americana durante a 2ª Guerra Mundial).

Durante a parte inicial da música, Spinoza tocou guitarra. Enquanto o trabalho se desenvolvia ele foi substituído por Hugh McKraken. Paul tocou piano, guitarras e baixo além de cantar, Linda tb cantou e Denny tocou bateria. Foram incluídos ‘overdubs’de vocais, efeitos de som(chuva) e orquestração por membros da Filarmônica de NY. George Martin fez o arranjo das cordas e metais. Linda foi creditada co-autora.
O segmento final leva a introdução de guitarra da última canção do lado A.
“Smile Away” (P. McCartney)

“Smile Away” é um rock rascante que tem Paul nos vocais, baixo e guitarra, Linda no backing, McCraken na guitarra e Seiwell na bateria.

“Heart of the Country”

Prá começar o lado ‘B’, esta é uma canção com sabor ‘country’, parecida no tema com “Mother Nature’s Son”. A faixa tem Paul nos vocais, violão e baixo, McCraken na guitarra e Denny na bateria. Um take anterior tinha Spinoza na guitarra. Linda tb foi co-autora.
“Monkberry Moon Delight”

Uma das canções mais esquisitas do álbum. Paul explicou que a inspiração para a letra veio de ouvir suas filhas, que no vocabulário infantil criaram a palavra ‘monk’ para milk(leite). Então monkberry moon delight não deixava de ser um ‘milk shake de brinquedo’.
A canção é uma das mais longas do disco, mais de 5 mns. e meio, e tem Paul nos vocais, piano, guitarra e baixo, Linda no backing, McCraken na guitarra e Denny na bateria. Paul ‘grita’ a maior parte da canção e no final os vocais lembram alguma coisa daquele final de “Hey Bulldog” entre John e Paul. Linda foi co-autora de novo, mas nenhuma de suas filhas recebeu créditos pela descoberta de ‘monk’!!! hehehe.
“Eat at Home”

“Eat at Home” é um rock agradável com toques de Buddy Holly e insinuações sexuais. Paul depois admitiu que ele estava querendo dizer muito mais do que uma ‘boa refeição em casa’.
“[É uma] desculpa para cozinhar em casa, é bem safadinha.” Linda recebeu crédito na canção que tem Paul nos vocais, guitarra e baixo, Linda tb nos vocais, Spinoza na guitarra e Denny na bateria.
“Long Haired Lady”

É a combinação de duas músicas. “Long Haired Lady” e a melodia de “Love is Long”. O resultado é que a canção ficou longa, com mais de 6 minutos. Apesar de ser escrita por Paul como uma homenagem à Linda, ela ganhou créditos na composição. A faixa tem Paul nos vocais, guitarras, teclados e baixo, Linda nos vocais, McCraken na guitarra e Denny na bateria, junto com orquestrações e metais.
A parte final da música mais longa do álbum leva ao início da reprise de “Ram on”.
“Ram On” (P. McCartney)

“Ram On – Reprise”, tem o arranjo e a instrumentação similares a primeira versão, com o ukelele de Paul se sobressaindo. Enquanto a canção se encaminha para o final, Paul canta:”Who’s that coming ‘round that corner, who’s that coming ‘round that bend.” Esta seria mais tarde a abertura de outra canção, “Big Barn Bed” que apareceria no “Red Rose Speedway”.
“The Back Seat of My Car” (P. McCartney)

Última canção do álbum, “Back seat…”foi tocada ao piano durante as sessões de “Get Back” na manhã de 14 de Janeiro de 1969. Foi uma performance solo, pois George tinha deixado a banda temporariamente, John e Yoko não haviam chegado ao estúdio e Ringo, embora presente, não participou. A letra não tinha sido finalizada, mas a melodia já estava toda no lugar certo, e Paul já imaginava como a canção soaria pela vocalização das partes da bateria.
Aparentemente, Linda ajudou a terminar a letra, pois foi co-creditada como autora.
Paul descreve “Back..” como a “canção adolescente definitiva”, combinando, “uma boa música de estrada” com elementos como “encarar-os-pais” e fazer amor no banco de trás do carro.
A faixa tem Paul nos vocais, piano, guitarra e baixo, Linda no backing, McCraken na guitarra, Denny na bateria, e orquestrações.
A canção dá uma pausa no final,e há uma mudança para um pedacinho reminiscente do grande final que encerrava a música “Hello Goodbye.”

“Another Day” (P. McCartney)
“Oh Woman, Oh Why”

Essas duas canções tb foram gravadas nas sessões de RAM. Ambas apresentam Paul nas guitarra e baixo adicionado depois, Dave Spinozza na guitarra e Denny Seiwell na bateria e percussão (incluindo um batucar na lista telefônica de Manhattan em “Another Day”). Paul e Linda depois colocaram os vocais.

Paul deve ter começado a escrever “Another Day” no final de 1968, pois em 9 de Janeiro de 1969, nos estúdios Twickenham durante as filmagens do projeto, “Get Back/Let It Be”, ele tocou um pedaço da canção durante seu aquecimento no piano. Até então, Paul tinha mais de dois versos, mas faltava escrever o ‘middle eight’. Ele voltou à música em 25 de Janeiro, desta vez no violão, antes dos ensaios de “Two of Us”.

O produto final foi uma melodia pop bonitinha, que foi ridicularizada por muito tempo. Um crítico chegou a dizer que era um bom comercial para algum desodorante. John imortalizou a canção na sua resposta à Paul em “How Do You Sleep?” com a frase, “The only thing you done was ‘yesterday’, and since you’ve gone you’re just ‘another day’.”
Uma pena que a maioria das pessoas não entendeu nada, achando a letra banal. A personalidade feminina em “Another Day” é uma versão ‘operária’ de “Eleanor Rigby”, no caso, uma batalhadora, enfim uma personagem do cotidiano, mas nem por isso menos bela. 
“Oh Woman, Oh Why” é o oposto de “Another Day”. Enquanto “Another..” foi uma canção cuidadosamente trabalhada por dois anos, antes de ser gravada, a outra nasceu de uma ‘jam’ no estúdio.
A letra feita de improviso, fala de um cara perguntando o que ele tinha feito para ser ameaçado de morte por sua amante.
O tema lembra a canção “Hey Joe”, mas em situação inversa. “Hey Joe” apareceu no primeiro álbum de Jimi Hendrix, e fala de um cara[Joe] armado, indo atirar em sua amante por ela andar com outra pessoa, mas Paul neste caso, estava na defensiva, sendo ‘baleado’ sete vezes durante a música.
“Oh Woman, Oh Why” estaria deslocada em RAM, mas foi boa o suficiente para ser o lado 2 de “Another Day”.

Pesquisa realizada por Dado Macedo no livro ‘The Beatles Solo on Apple Records’ compilado por Bruce Spizer, 2005, e publicada na comunidade do Orkut, PAUL MCCARTNEY ★♪♪

Recentemente, o álbum de Paul e Linda McCartney foi relançado (21 de maio de 2012 no Reino Unido e em 22 de maio nos Estados Unidos e no resto do mundo) em uma grande variedade de formatos, com embalagem nova e exclusiva, incluindo um lindo pacote em uma caixa em edição de luxo.

Este pacote foi adquirido pelo nosso amigo Beatlemaníaco Aldo Angelim, do grupo no Facebook, Beatles Memorabilia, como podemos ver na foto postada por ele:

Tópico relacionado: http://wp.me/p28OqV-jp

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