A História do Movimento chamado Jovem Guarda

Quando a Jovem Guarda completou 30 anos em 22 de agosto de 1995, na época o programa “Globo Repórter” apresentou uma reportagem sobre o movimento, e com a repórter Neide Duarte, pudemos fazer uma viagem àquelas tardes de guitarras, sonhos e emoções…
Na mesma época, aconteceu um evento no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, onde artistas se apresentaram.

Nos vídeos abaixo, mais precisamente na parte 2, vemos Márcio Augusto Antonucci produzindo a série de CDs lançados em homenagem aos 30 anos da Jovem Guarda.

Parte 1

Era 1965, numa tarde de domingo, que na TV estreava um programa que iria marcar a música e o comportamento de uma geração.
Nós, os jovens daquela época, amávamos os Beatles e os Rolling Stones, e no Brasil imperava o futebol e a bossa nova.
Tudo teve seu começo quando Roberto Carlos gravou Splish Splash e Parei na Contra Mão, lançamentos estes que fizeram tanto sucesso, deixando Roberto Carlos assustado, pois não esperava tamanha aceitação do público!
Com isso, foi convidado para fazer um programa para preencher o espaço deixado pelo futebol na TV, e o produtor escolhido foi Carlos Manga, que ainda não sabia quem era aquele cantor que fazia sucesso com uma música de nome esquisito.
Logo no primeiro programa, Roberto Carlos levou um susto com a reação das fãs, reflexo da Beatlemania na Inglaterra.
Estavam lá naqueles programas, tudo que nós, os jovens, queríamos ser, fazer, vestir, viver!
E lá se apresentavam conjuntos e cantores que nos davam alegria e embalavam nossos sonhos.

Parte 2

Antes do Jovem Guarda, o som que chegava ao Brasil vindo de fora, animava as rodas de amigos e inspiravam os artistas, e foi quando Ronnie Cord surgiu com sua “Rua Augusta”.
Cantores faziam versões dos sucessos que vinham dos Estados Unidos e muitos chegaram a usar pseudônimos estrangeiros, mas a América era para os americanos e a grande dupla de compositores que havia no Brasil, Roberto e Erasmo Carlos, foram os primeiros a perceberem que era preciso haver também músicas nacionais.
O movimento foi assim tomando força e mexeu com os tradicionalistas da MPB, e em 1967 fizeram a passeata contra as guitarras, mas que perdeu força e logo os instrumentos começaram a se misturarem entre guitarras e violões. (Vide no final, trecho do livro Tropicália sobre este assunto).
Foi então que vieram os Festivais da Record, com suas vaias e protestos!
Roberto Carlos conta que eles, da Jovem Guarda, nunca tiveram preconceito contra qualquer tipo de instrumento musical.
Em 1966 Elis Regina participou do seu programa, e foi muito bem recebida.

Parte 3

– O Brasil dos militares
– A revolta estudantil
– 1967 – tempo de guerra e dos festivais
– As vaias
– Lilian conta que Geraldo Vandré lhe perguntou se ela não conseguiria cantar como Maria Bethania.
– Os artistas são convidados a deixar o Brasil: estávamos ficando mais pobres.
– 1966 – Roberto Carlos vai a Portugal

Parte 4

– Roberto Carlos fala das manifestações do público e o preconceito contra os cabeludos.
– Jerry Adriani conta o episódio em que um caminhoneiro joga seu caminhão sobre o carro de Roberto, só por que eram cabeludos.
– Roberto Carlos fala da vontade de todos em ter o cabelo lisinho, influenciados pelos Beatles.
– Ronnie Von explica por que jogava a franja ao cantar Meu Bem.
– Wanderléa mostra as roupas que usava, inspiradas nos Beatles.
– Erasmo e os carrões.
– Nenê, dos Incríveis, e seu Oldsmobile.
– Roberto Carlos e a canção “As Curvas da Estrada de Santos”.
– Sérgio Reis canta Coração de Papel.
– Martinha fala de suas composições para os Sertanejos.

Parte 5

– Lulu Santos e o Rock and Roll
– Jerry Adriani era produzido por Raul Seixas.
– Rita Lee e os Mutantes acompanhavam Ronnie Von.
– Caetano Veloso diz que a Tropicália nasceu de um conselho de sua irmã Bethania: “Você precisa assistir um programa do Roberto Carlos!”
– Roberto Carlos descreve a Jovem Guarda e a gente recorda seu famoso gesto…

Parte 6

– Bastidores da Jovem Guarda
– As fofocas e os romances
– As fãs de Jerry Adriani
– O fã clube de Roberto Carlos
– Roberto diz que sua canção da qual ele mais gosta é “Detalhes”.
– Cenas da Beatlemania

Parte 7

– Jerry Adriani conta como eles tinham as roupas rasgadas pelas fãs.
– Roberto Carlos diz que ficava feliz em não poder sair às ruas, por que era uma constatação do sucesso que faziam.
– Wanderléa fala sobre o preço que pagavam, muitas vezes tendo o amor obsessivo dos fãs.
– Os filmes
– Waldirene conta que de fã tornou-se colega.
– Martinha e a canção “Eu Daria a Minha Vida”.
– Martinha conta que pediu a um amigo comum para apresentá-la a Roberto Carlos. Este amigo a levou até ele às 04h da madrugada.

Em recente entrevista a Pietro Jr. do SBT, Martinha revela o nome de Elmar Tocafundo, da CBS, como sendo o amigo que a ajudou:

– A namoradinha de um amigo meu e os romances trocados.

Parte 8

– As brigas entre Leno e Lilian
– As paixões de cada um.
– O namoro de Roberto Carlos e Wanderléa
– A briga de Jerry Adriani e Wanderley Cardoso.
– A briga de Leno e Lilian não permitiu que eles cantassem nos 30 anos da JG.
– A guerra entre Ronnie Von e Roberto Carlos.

Parte 9

– Ronnie Von nunca foi convidado a ir ao programa Jovem Guarda, e nunca conseguiu falar com Roberto Carlos na época.
– A verdade sobre a rivalidade.
– Os produtos da marca “Calhambeque”.
– Erasmo diz que não ganhou nada com a venda dos bonecos.
– 1968 – Roberto Carlos volta do Festival de San Remo diferente, mais romântico, e vai fazer programa em horário noturno.
– Erasmo Carlos e Wanderléa ainda tentaram levar adiante o programa, mas não deu mais certo.

Roberto Carlos diz que a Jovem Guarda viveu o tempo exato determinado por Deus, mas é eterna, por que é um trabalho que ficou, foi um movimento que fez a felicidade e deu alegria às pessoas.
Assim como a Beatlemania, a Jovem Guarda também durou pouco, mas ficou para sempre, e será eternamente lembrada por aqueles que fizeram parte dela, eternizada em lembranças, fotos e músicas.
O legado dos Beatles e de Roberto Carlos e sua turma permanecem vivos em minha vida. Vivi intensamente aquela juventude que fez história, pois foram tempos de mudanças comportamentais…

Finalizando, não poderia deixar de citar uma pessoa que foi muito importante para que muitos alcançassem o sucesso e certamente sem ele, não haveria o Rock no Brasil!

Ele é cantor e compositor, e foi um dos pioneiros do Rock no Brasil, mas lamentavelmente não aparece nos vídeos, porém fez parte do movimento e também se apresentou no Anhangabaú em 1995, onde cantou seu sucesso de 1967, o qual lhe rendeu o prêmio Chico Viola, que foi a canção “Coisinha Estúpida”, versão de Leno para “Something Stupid”, de Frank Sinatra. Seu nome: GEORGE FREEDMAN!

George Freedman faz reverência em agradecimento ao público – Anhangabaú, 1995 – 30 anos da Jovem Guarda

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Sobre a passeata contra as guitarras, Carlos Calado escreveu:

Guerra ao iê-iê-iê – Um trecho do livro Tropicália, de Carlos Calado.

O ambiente jamais estivera tão tenso nos bastidores da TV Record. Desde que o Ibope de O Fino da Bossa começara a cair, logo após o programa comandado por Elis Regina ter entrado em seu segundo ano, os ânimos do elenco começaram a se exaltar. Nem mesmo o reforço de Miele e Ronaldo Bôscoli convocados às pressas para assumir a direção do musical, reverteu queda de audiência.

Assim, em 19 de junho de 67, quando a emissora decidiu tirar o programa do ar, Elis e seus colegas mais radicais já tinham declarado guerra ao inimigo que, aparentemente, estaria roubando a atenção do público: o Iê-Iê-Iê de Roberto Carlos e seu programa Jovem Guarda.

Duas semanas antes, durante o show do dia 7, o especial mensal em que a Record reunia os astros e estrelas de seu cast, a Pimentinha já tinha deixado bem claro, frente às câmeras, que não iria aceitar aquele estado de coisas. Escalada para fechar o programa, Elis sentiu a plateia mais apática, depois da euforia demonstrada durante a apresentação de Roberto Carlos com Eliseth Cardoso ao cantar Roda (de Gilberto Gil e João Augusto), irritada, Elis interrompeu a música, enfatizando os versos “quero ver quem vai sair / quero ver quem vai ficar” e com o dedo em riste mandou uma mensagem ameaçadora para os adversários: quem está conosco, muito bem. Quem não está, que se cuide!

A temperatura subiu nos bastidores da Emissora, mas o astuto Paulinho Machado de Carvalho, chefão da Record, soube utilizar comercialmente o conflito.

Um novo musical foi criado às pressas para substituir O Fino, com uma fórmula na verdade pouco diferente da anterior. A maior novidade estava no comando do programa. Sete artistas passariam a se revezar semanalmente: Elis, Jair Rodrigues, Geraldo Vandré, Wilson Simonal, Chico Buarque, Nara Leão e Gilberto Gil.

Seguindo o clima de ebulição política do país, o novo programa foi intitulado “Frente Única – Noite da Música Popular Brasileira”, nome que assumia a animosidade de alguns dos apresentadores, como Vandré, criador do conceito do programa, e Elis (na verdade, para um “comitê” de mestre-de-cerimônia formado por cantores e compositores de estilos tão diferentes, seria bem mais apropriado chamá-lo de Frente Ampla).

Também escancarado nas reuniões de preparação do programa, o rancor dos emepebista contra o Iê-Iê-Iê foi canalizado pela Direção da emissora em uma maquiavélica estratégia de Marketing. Às vésperas da estréia surgiu a ideia de se organizar uma espécie de ato público em defesa da música brasileira, com a presença de todos os apresentadores e artistas convidados do “Frente Única”. Esse episódio, que ficou conhecido como “A passeata contra as guitarras”, rendeu uma boa dor de cabeça a Gil, na época, já completamente fascinado pelos Beatles e ansioso por expandir os limites poéticos e sonoros de sua música, Gil se viu em uma encruzilhada. Apesar de não ter nada contra o Iê-Iê-Iê, deixar de participar dessa manifestação estava fora de questão. Não bastassem as pressões corporativas, tanto por parte da direção da emissora como dos próprios colegas da ala emepebista, nesse caso também estava em jogo a relação de Gil com Elis Regina. Foi graças a ela, gravando suas canções e convidando-o a participar do Fino da Bossa, que o compositor baiano se tornara popular em todo o país. E, para piorar mais ainda a situação, assim que conheceu Elis, Gil cultivou durante alguns meses uma paixão recolhida por ela, o que geralmente o levava a aceitar sem muita discussão todas as vontades e decisões da “Pimentinha”. Por tantos motivos, no dia 17 de julho, lá estava ele, meio sem jeito, marchando ao lado de Elis. Jair Rodrigues, Edu Lobo, Geraldo Vandré, MPB4 e outros cantores, compositores, músicos e fãs, que foram apoiar “a causa” emepebista. A passeata saiu do Largo São Francisco, no centro da cidade, e seguiu até o Teatro Paramount, na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio. Na verdade, “o protesto” não foi dirigido especialmente contra as guitarras elétricas, como diz a lenda, mas sim contra a invasão da música estrangeira no país.

Gil não era o único manifestante constrangido, no meio do grupo de cantores e compositores manifestantes. Chico Buarque também apareceu, para marcar presença. Minutos depois, envergonhado, sumiu à francesa. Já Caetano e Nara Leão recusaram-se a aderir à passeata mesmo estando envolvidos com o novo programa. Se ainda tinha alguma dúvida sobre a questão, Caetano foi convencido de vez pela clareza e inteligência da cantora, durante uma das reuniões preparatórias do “Frente Única”. Sem se deixar impressionar pela retórica nacionalista dos colegas, Nara observou que, antes de qualquer coisa, a questão era comercial. O que estava em jogo não era o aparente conflito ideológico entre a MPB e o Iê-Iê-Iê mas sim a queda de audiência de um programa de TV e o consequente prejuízo econômico para os envolvidos, no caso os artistas e a emissora.

(Capítulo 7 – Guerra ao Iê-Iê-Iê – Tropicália, a História de uma Revolução Musical, de Carlos Calado – Pág. 107 e 108)

Antonio Aguillar em depoimento fala sobre o Movimento Jovem Guarda e a evolução do Rock no Brasil.

Wanderléa fala sobre a Jovem Guarda para o programa de Antonio Aguillar pela Rádio Capital de São Paulo, e conta como ela e Erasmo foram chamados a comandar o programa com a saída de Roberto Carlos.

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