Entrevistando Leno

1) Qual o balanço que você faz de sua vasta carreira até aqui?

Atualmente bem satisfeito com o resultado musical do novo CD “Canções com Raulzito” , que acaba de sair, assim como meu primeiro DVD solo que acabo de gravar ao vivo aqui em Natal, onde estou residindo. Este teve realmente um balanço de minha carreira desde a dupla Leno e Lilian até as minhas parcerias, algumas inéditas, com o ainda desconhecido Raul Seixas, quando ele tocava em minha banda, e também meus grandes sucessos solo. De um modo geral acho que fiz durante a minha carreira o que queria e gostava e se em alguns momentos certos discos não viraram hits comerciais com toda a jabazelandia em que se transformaram as rádios pelo país dos anos 90 pra cá , pelo menos o saldo musical deste balanço me parece positivo.

2) No Brasil é muito difícil falar de Leno sem dar uma referência a dupla Leno e Lilian. O que simbolizou essa história em sua vida?

Vejo isso com naturalidade e fico feliz que a dupla tenha se tornado um ícone da Jovem Guarda. Foi algo importante na minha vida e tenho o maior carinho por isso. E se até hoje o Paul McCartney ainda é associado aos Beatles, quanto mais eu à Lilian e vice-versa. That’s all right mama.

3) A dupla Leno e Lilian teve muitas idas e vindas ao longo da carreira. Qual a relação de vocês hoje em dia?

Atualmente temos tido pouco contato, com ela morando em São Paulo e eu aqui no Nordeste. Mas não posso dizer que tenha sido um relacionamento muito fácil, desde a Jovem Guarda e durante as idas e vindas. Apenas cabeças diferentes, que o passar do tempo apenas acentuou. Mas a Lilian é uma referencia que, assim como eu para com ela, influiu em nossos destinos e respeito isso.

4) A Jovem Guarda não tem mais o mesmo espaço nas grandes emissoras como era antigamente. Em sua opinião, porque o gênero não está mais no seu auge?

O Brasileiro é modista… mas na verdade a chamada “Jovem Guarda’ é o Pop Rock tupiniquim, que ainda influi em muita coisa que rola por aí…o que mudou foi a tecnologia e o visual.

5) Qual seu último trabalho solo que lhe rendeu mais notoriedade à frente do mercado?

Bem , teve “Flores Mortas”, a primeira música abordando o tema do meio ambiente, pra você ver que não é tão recente…igualmente “Rosa de Maio”, trilha da novela Livre para Voar, mas as minhas regravações de “A Pobreza e Ritmo da chuva”, nos anos 90, chegaram ao disco de platina com um milhão de CDs vendidos no aniversário dos 30 anos da Jovem Guarda.

6) Como você está vendo a música produzida atualmente?

Muita tecnologia facilitando a vida de cantores ruins, com seus afinadores automáticos, bons músicos tecnicamente e poucas composições interessantes. Aos meus ouvidos isso vale também lá pra fora. Coincidência que isso tenha começado com o Jabá aqui no Brasil e o desestímulo aos compositores que não sejam também intérpretes e possam fazer shows. Então continuo ouvindo com prazer os clássicos do pop rock e muito Mozart, Bach e Beethoven. Roll over!

7) Quais outros cantores você poderia destacar pra gente como grandes parceiros seus ao longo da carreira?

Bem, eu destacaria o Renato Barros e o Ed Wilson, com quem fiz algumas parcerias, mas de um modo geral costumo compor sozinho.

8) Você ficou um tempo fora antes de retornar ao Brasil a fim de produzir outros trabalhos. O que você aprendeu durante esse tempo ausente dos palcos brasileiros?

O profissionalismo e perfeccionismo que os artistas lá fora tinham em relação ao show-bizz nacional. Mas isso vem mudando por aqui, principalmente no profissionalismo dos grandes shows. Mas o cara tem que estar estourando nas paradas pra conseguir uma infra-estrutura de palco realmente boa, pois hoje parece que a música é só um detalhe no meio dos efeitos especiais. Vê lá se os Beatles dependiam disso pra fazer o que fizeram!

9) Quais seus próximos planos dentro da música?

O lançamento do CD “Canções com Raulzito “, que poderá ser encontrado através de meu site,  assim como nos shows e o DVD “Leno ao vivo”, a sair no final do ano, ao qual estou me dedicando no estúdio para a finalização da mixagem e autoração.

10) Deixe um recado final pra legião de fãs do Leno espalhados pelo país afora.

Obrigado pelo carinho e atenção em todos estes anos, incluindo aqueles em que eu não estava aparecendo direto na mídia. Sempre digo que o verdadeiro fã é o melhor amigo do artista. E comprovo isso a cada dia..

Abração a todos!

Entrevista publicada no dia 25/11/2010 por Marcus Vinicius Jacobson

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