Tony Sheridan e a sua Primeira Visita ao Brasil!

Foi anunciada nesta manhã de domingo,17 de fevereiro de 2013, o falecimento do vocalista e guitarrista inglês, Tony Sheridan, através do Engenheiro de Som Steve Hoffman, e também em sua fan page no Facebook, através de nota que dizia:

“Tony Sheridan
Our beloved father and friend!
Thank you for your love and inspiration.
You left us today at 12:00 pm.

Your loving family,
Wendy, Bennet, Felim, Amber and Arunima
Rosi and Ricky
The close family and friends

Tony Sheridan
Sheridan foi um artista popular em Hamburgo e se uniu com os Beatles como sua banda de apoio para uma sessão de gravação de 1962. Ele tinha uma voz incrível, no estilo de Elvis, e músicos de importância no cenário artístico sempre falaram muito da forma dele tocar guitarra.
Sheridan tocou em fins da década de 1960 para apoiar as tropas no Vietnã. Um de seus acompanhantes foi morto quando eles vieram sob os tiros na zona militar. Tony ficou na Ásia durante dois anos e foi feito Capitão Honorário do Exército dos EUA.
E foi durante esse período (Vietnam) que Tony interessou-se por temas religiosos, por exemplo: o Budismo, foi despertado.

Em 1978, recebe um convite diferente, ou seja, dar um pulo até Los Angeles, onde ele viveu por um ano, gravando com Elvis Presley’s TCB Band. Foi o primeiro artista a ter essa honraria, após a morte de Elvis.
Ele finalmente se estabeleceu perto de Hamburgo e escreveu um bonito livro de edição limitada para a Genesis Publications chamado The Beatles in Germany (Os Beatles na Alemanha), com Astrid Kirchherr, Ulf Kruger e outros. Ele também lançou um álbum, intitulado “Vagabond”, em 2002.
Em notícia recente, foi relatado que Tony estava lutando com problemas de saúde. Fãs de todo o mundo puderam enviar seus agradecimentos e afetos através do amigo e companheiro, o músico Ted Kingsize Taylor. Sheridan sucumbiu à doença ontem, sábado, 16 de fevereiro. Ele faria 73 anos de idade em maio.
Seu filho, Tony Sheridan Jr carrega a tradição da família como um músico “rockabilly”.
Tony Sheridan teve grande importância no desenvolvimento e no cenário artístico com sua banda inglesa em Hamburgo e por seu papel em trazer os Beatles para suas primeiras gravações profissionais.
Além do trabalho como banda de apoio de Tony, as sessões também renderam uma performance vocal solo da canção Ain’t She Sweet por John Lennon e um violão instrumental por George Harrison e John Lennon chamado Cry For a Shadow. As sessões completas foram lançadas em 2001 pela “Bear Family” na Alemanha e em 2011 nos Estados Unidos como “The Beatles With Tony Sheridan: First Recordings 50th Anniversary Edition”.
Abaixo segue uma rara foto colorida tirada por Astrid Kirchherr de Tony (à esquerda) e o baixista original dos Beatles, Stuart Sutcliffe (direita).
stuart-with-tony-sheridan

Tony Sheridan esteve no Brasil em janeiro de 2010, e em Vitória/ES, onde ele se apresentou, o cantor e guitarrista lembrou alguns dos principais momentos de sua carreira e do período em que passou ao lado dos Beatles, no início dos anos 60.

Em sua curta passagem pelo Brasil, Sheridan fez um mega show na praia de Camburi, ao lado da banda Clube Big Beatles, um dos mais tradicionais grupos brasileiros de tributo ao quarteto de Liverpool.

Ele se apresentou também na casa Spírito Jazz, também em Vitória, como parte do Projeto Sócio de Carteirinha, idealizado pelo Clube Big Beatles, que o acompanharam em seus shows no país.

Considerado o responsável por lançar os Beatles no mundo do disco, ao concordar com seu empresário e aceitar que os Beatles o acompanhasse nas apresentações realizadas no Top 10, em Hamburgo, onde ele já se apresetnava com outro grupo, para ser sua banda de apoio durante as gravações.

O músico contou como o rock n’ roll influenciou os jovens do período pós-guerra na Inglaterra.

“Todos nós passamos pela puberdade. Para quem nasceu nos anos 40 na Inglaterra, e isso inclui os garotos de Liverpool, a puberdade e o rock n’ roll aconteceram mais ou menos na mesma época, e aquilo significava a liberdade para nós”, disse.

“Para mim, olhando agora, vejo que isso tudo foi resultado da Segunda Guerra Mundial. Quando fui convidado pela primeira vez para tocar na Alemanha, para os ‘inimigos’, todos em Londres falavam que o rock n’ roll estava morrendo e que nós precisaríamos arrumar um ‘emprego de verdade’. Por isso não duvidei em me mudar para a Alemanha”, afirmou.

O guitarrista inglês, que foi apelidado de “O Professor” por John Lennon e George Harrison, comentou também sobre seu contato com os Beatles, quando eles se apresentavam no “distrito da luz vermelha” em Hamburgo.

Tony Sheridan nos anos 60

Tony sheridan nos anos 60

“Quando eu tocava com os Beatles nós fazíamos um blues bem rústico, muito diferente do que a banda se tornou depois, em seus primeiros discos. Naquela época, fizemos mais de 100 shows, e é uma pena que ninguém nunca poderá saber como era nosso som naquele tempo, porque nada foi gravado”, contou.

Dezembro de 1962, Ringo na bateria acompanhando Tony Sheridan e sua banda de apoio, The Beat Brothers

Dezembro de 1962, Ringo na bateria acompanhando Tony Sheridan e sua banda de apoio, The Beat Brothers

George, John e Tony Sheridan (Paul atrás, ao piano)

George Harrison, John Lennon e Tony Sheridan (Paul McCartney atrás, ao piano)

Sheridan lembrou ainda a importância de sua vida na Alemanha do pós-guerra, e sua influência sobre os jovens do país naquele momento.

“Pode parecer arrogante dizer isto, mas eu queria influenciar os jovens alemães, mostrar a eles o mundo que surgiu depois da Segunda Guerra Mundial”, declarou.

“Na Inglaterra, tínhamos o rock n’ roll, experimentávamos novas sensações, e eles não tinham nada disso. O período em que Hitler passou no poder deixou uma cicatriz profunda em todos os alemães, e acho que podia ajudá-los a superar isso”, disse Sheridan.

O guitarrista comentou ainda sobre o período em que tocou para as tropas americanas durante a Guerra do Vietnã, e brincou sobre a oposição de Lennon ao conflito.

“Fui para o Vietnã procurar novos ares, porque já estava há muito tempo na Alemanha. Foi uma experiência única tocar para os americanos e, como um músico inglês de rock n’ roll, posso dizer que pela primeira vez me senti completamente aceito depois disso. Talvez, se John (Lennon) tivesse ido para lá também em vez de ficar protestando em Nova York, a guerra tivesse acabado bem antes”, concluiu.

Fonte: G1

Reportagem especial que saiu no site do Terra em janeiro de 2010, quando da primeira vinda de Tony Sheridan ao Brasil.

Quinta-feira, 07 de janeiro de 2010
Tony Sheridan diz que Beatles ficaram limpinhos demais
Por Alex Cavalcanti
“Eles eram a melhor banda de R&B da Europa, com seus casacos de couro e jeans sujos, e de repente se tornaram aquela banda tão “clean”, cantando Love me do”.
A polêmica afirmação é do guitarrista inglês Tony Sheridan, que está em Vitória – ES para duas apresentações no fim de semana. Mas não se deve interpretar a afirmação como uma crítica e a explicação veio na frase seguinte: “Eles também odiavam fazer aquilo, mas não estavam errado. Estavam apenas esperando o momento certo para fazer as coisas do fantástico jeito deles”, completou Sheridan.
O músico, que completa 70 anos em 2010, está no Brasil para duas apresentações com a banda capixaba clube Big Beatles, no sábado, na casa Spirito Jazz, e no domingo, em show gratuito na Praia de Camburi. Sheridan é apontado por especialistas como o responsável por lançar os Beatles no mundo dos discos.
Durante a coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, Tony Sheridan resgatou histórias do cenário europeu durante o pós-guerra. Tony, que atualmente mora em Hamburgo, Alemanha, afirma que foi o rock’n roll que moldou os destinos daquela geração e que, olhando para trás, não vê como as coisas poderiam ser diferentes.
A história do guitarrista se mistura à do quarteto inglês no momento em que ele, músico já conhecido na Europa, convida o grupo de Liverpool para ser sua banda de apoio em alguma apresentações nos anos 50, em Hamburgo. “Nós fazíamos um som bem rústico, puro R&B e rock”, afirma. Quando o quarteto decidiu voltar para Liverpool e lançou Love me do, a mudança não foi bem recebida pelos antigos colegas. “Nós achamos aquilo uma droga. Só pensávamos: meu Deus, como podem fazer essa porcaria?”, conta Sheridan, entre gargalhadas. Questionado sobre os motivos que o levaram a não continuar com os Beatles e se tinha algum arrependimento, Sheridan foi enfático: “sou apenas um músico e tudo que quero é viajar o mundo e curtir a vida. Fama e dinheiro nunca foram importantes para mim”.
A coletiva contou com a pariticipação ainda de Ray Johnson, produtor executivo do internacional Beatle Week, o Festival dos Beatles que acontece há 26 anos em Liverpool. Johnson é também o gerente geral do lendário Cavern Club, local onde os Beatles começaram a tocar. Jonhson elogiou a estrutura montada para o show em Vitória e o trabalho da banca Clube Big Beatles. “Vejo que as bandas no Brasil têm uma competição muito grande. A melhor disso, a melhor daquilo. A melhor do Rio, a melhor de São Paulo. Parece futebol”, declarou.
“Quando convidamos a Club Big Beatles para tocar em Liverpool, e eles já estiveram lá 15 vezes consecutivas, tínhamos certeza que qualquer desafio proposto seria cumprido. Em todos esse anos, eu nunca vi a banda repetir uma apresentação ou set list. Eles estão sempre inovando e fazem isso quietos, concentrados, preocupados antes de tudo com a qualidade do que é oferecido ao festival”, afirmou Johnson.
O executivo também revelou o teor de uma conversa que teve com Allan Williams, primeiro empresário dos Beatles (que desistiu da banda antes dela se tornar um sucesso mundial), que também tinha sido convidado para as apresentações em Vitória. “Eu disse, Alan, você está fazendo uma burrice em não ir comigo ao Brasil. E ele respondeu: ‘venho fazendo burrices há 60 anos. Foi por isso que perdi a banda’, contou Ray Johnson.
Para o show que acontecerá na praia de Camburi, Tony Sheridan e o Club Big Beatles terão ainda a companhia de 40 músicos da Banda da Polícia Militar do Espírito Santo, reproduzindo parte do show que foi apresentado na última edição da Beatle Week. “Esse é um grande show, com a participação especial da Banda da Polícia Militar e um público previsto de cerca de 15 mil pessoas. E tenho certeza que vocês vão poder se encantar com a versão do Tony para Yesterday que é absolutamente fantástica”, afirmou Edu Henning, percussionista e fundador da banda Club Big Beatles.

Tony Sheridan durante entrevista em Vitória/ES

Tony Sheridan durante entrevista em Vitória/ES

O portal R7 também publicou sobre Tony Sheridan no Brasil

Tony Sheridan reúne uma multidão em Vitória
Músico inglês que tocou com os Beatles cantou no Brasil pela primeira vez
O cantor e guitarrista inglês Tony Sheridan passou como um furacão pelo Brasil, mostrando para milhares de pessoas, no último fim de semana, em Vitória, o que há de mais básico no rock n’ roll.
Em sua primeira passagem pelo país, Sheridan fez duas apresentações na capital do Espírito Santo.
A primeira, neste sábado (9), para um público reduzido na casa de shows Spírito Jazz, que incluiu o governador em exercício do estado, Ricardo Ferraço, e o produtor inglês Ray Johnson, um dos responsáveis pela organização do Beatle Week Festival, em Liverpool.
A segunda, mais democrática, ocorreu neste domingo (10) na praia de Camburi, a maior de Vitória, e reuniu aproximadamente 12 mil pessoas, segundo a organização do evento.
Nas duas apresentações, o guitarrista foi acompanhado pela banda Clube Big Beatles, um dos mais tradicionais grupos brasileiros de tributo ao quarteto de Liverpool, e que é considerado uma das melhores do Espírito Santo no setor.
O repertório dos dois shows incluiu alguns clássicos dos Beatles, interpretados pela banda capixaba. Não faltaram canções como Help!, Can`t Buy Me Love, Hey Jude e Don`t Let Me Down.
Além disso, o Clube Big Beatles mostrou que não se limita a reproduzir o que foi originalmente gravado pelos Fab Four, e inovou com uma releitura de Eleanor Rigby em ritmo de MPB.
Nas duas ocasiões, Sheridan participou do show do grupo capixaba, tocando clássicos de grandes nomes do rock n’ roll, músicas que apresentava quando os Beatles eram sua banda de apoio em Hamburgo.
Além das versões de nomes como Chuck Berry, Ray Charles e Elvis Presley, Tony Sheridan apresentou sua leitura de dois clássicos dos Beatles: Yesterday e Golden Slumbers.
O show de domingo contou ainda com a participação da banda da Polícia Militar do Espírito Santo. A plateia que estava na praia de Camburi se emocionou com músicas como The Long & Winding Road e Live and Let Die (da carreira solo de Paul McCartney).
Nas duas apresentações, Sheridan deixou o palco depois de tocar My Bonnie, a música que gravou junto com os Beatles ainda em Hamburgo, e que serviu de primeiro trampolim para o sucesso dos então desconhecidos quatro garotos de Liverpool.
Para Edu Henning, percussionista e fundador do Clube Big Beatles, a presença do guitarrista inglês no Brasil foi a realização de um sonho, e mostrou um pouco do que acontece nas apresentações da banda no Beatle Week Festival.
-A gente se apresenta há 15 anos em Liverpool, e sempre volta contando histórias de como é tocar ao lado de nomes importantes da História da música. Desta vez, conseguimos mostrar isso aqui. A vinda do Tony é um sonho que transformamos em realidade.
Mais que um sonho, a passagem relâmpago de Tony Sheridan pelo Brasil mostrou que, ao contrário do que acontece com muitas das pessoas ligadas aos Beatles, ele parece estar em paz com seu passado e com sua vida.
Logo em seu primeiro contato com a imprensa brasileira, fez questão de deixar claro o que o período ao lado dos Beatles representou para ele.
-Quando pensamos no episódio dos Beatles é preciso dizer que é algo importante, mas para mim é só um episódio da minha vida. Eu nunca fui um Beatle, essa bobagem de quinto Beatle nunca existiu. Quando eles voltaram para Liverpool, John Lennon me convidou para acompanhá-los, para tocarmos juntos lá, mas eu estava me dando muito bem em Hamburgo, e por isso preferi ficar.
Animado ao falar sobre o tema, Sheridan foi ainda mais longe.
-Se me perguntassem se eu faria tudo de novo, não tenho dúvidas em dizer que sim. Eu percebo que tudo que fiz com a música foi muito relevante, e estou feliz com isso. Não me importo com fama ou dinheiro, quero é viajar, viver minha vida e aproveitar cada momento.

Tony Sheridan no Brasil em 2010

Tony Sheridan no Brasil em 2010

Em 2010, na época do show de Tony em Vitória, a “We Love the Beatles Forever” acompanhou o evento na comunidade do Orkut.

Foto durante o Show no Spirit Bar, em Vitória

Spirit Bar - foto no show

Eis aqui o Tony Sheridan falando sobre os Beatles

Luto por Tony Sheridan, mais uma pessoa ligada aos Beatles e que se vai tão cedo… R.I.P.

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5 respostas em “Tony Sheridan e a sua Primeira Visita ao Brasil!

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