História das Bandas de Rock lançadas Por Antônio Aguillar: O Caso “The Clevers”

Neno, Netinho, Rita Pavone, Risonho, Mingo e Manito (Os Incríveis), que na época ainda eram The Clevers.

Neno, Netinho, Rita Pavone, Risonho, Mingo e Manito (Os Incríveis), que na época ainda eram The Clevers.

Como já vimos pelo relato de Antonio Aguillar feito anteriormente (vide Parte I), era já tarde da noite quando num belo dia os integrantes do conjunto The Clevers, Mingo, Neno e Netinho, foram até a residência do Aguillar e disseram pra ele: “VIEMOS ROMPER NEGÓCIOS COM VOCÊ”….

O mundo caiu para Aguillar, que os tinha como filhos. No momento que iria desfrutar de todo o seu trabalho desenvolvido em favor da banda, agora já conhecida internacionalmente, acabou ficando na mão. Não foi justo o que eles fizeram.

The Clevers e Antonio Aguillar - 1962

The Clevers e Antonio Aguillar – 1962

Como naquele tempo não havia um contrato de trabalho entre as partes, pois faziam tudo de forma amadora, Aguillar não tinha como agir dentro da lei, a não ser retendo a marca “CLEVERS”, que estava registrada em seu nome pessoal, com a concordância de todos. Eles estavam no auge da carreira e era do interesse de qualquer programa de rádio e TV, abrir espaço para eles se defenderem. Por sinal, muitos tinham inveja do comunicador e Aguillar foi apedrejado como um vilão. Foi injustamente criticado em coisas que nunca havia feito, pois só trabalhou, investiu e ajudou no que pode para que os seus meninos se tornassem internacionais, como o caso da Rita Pavone – onde numa jogada de marketing – Rita Pavone ficou sendo a namorada do Netinho, baterista da banda The Clevers, que agora se tornara “Os Incríveis”.

Brancato assina contrato com Ted Reno para levar os Clevers para a Itália com a Rita Pavone

Brancato assina contrato com Ted Reno para levar os Clevers para a Itália com a Rita Pavone

Recentemente, mais precisamente no ano de 2006, Neno (Demerval Teixeira Rodrigues), em conversa com Aguillar e Jerry Adriani, conta o que realmente aconteceu na Itália, como podemos ver nesta gravação:

Netinho e Manito também falam sobre o assunto


.

Depois de tudo isso, ainda de acordo com a Gravadora Continental, que sabia dos fatos e reconhecia os seus direitos, Aguillar acertou o lançamento de um disco com a segunda formação da banda The Clevers no Brasil.
Ele havia conhecido cinco rapazes da banda “Le Cellibataire” e os convidou para integrar a sigla The Clevers. Francis, na guitarra solo, Reno, na Guitarra base, Toni, no contra baixo, Ringo, saxofonista e Betinho, baterista. Eles nasceram artisticamente com a banda The Clevers, justamente na era Beatles. Se vestiam iguais aos rapazes de Liverpool e tinham deixado os cabelos crescer nos moldes da Beatlemania.
Aguillar, sempre pensando na frente, adquiriu um Ford 1929 que era de propriedade de Emilio Vitale, Diretor Presidente da gravadora Copacabana, onde assinaram contrato e gravaram um compacto simples com a musica “No Reply”, cuja versão em português, “Sem Resposta”, foi feita por Norberto de Freitas, discotecário da Radio Nacional de São Paulo.

Roberto Carlos estava começando a Jovem Guarda na TV Record e o programa era realizado no Teatro Record, na Rua da Consolação, em São Paulo.
Como Aguillar havia contribuído muito para a ascensão de sua carreira artística, Roberto Carlos prontificou-se a ajudá-lo nessa empreitada.

A musica “Sem Resposta” foi para o primeiro lugar nas paradas de sucessos de todo o Brasil e o Ford 29, um Calhambeque, chegou a servir de inspiração para o lançamento das calças Calhambeque lançadas no Programa Jovem guarda, por Magaldi e Maia.
Os componentes do conjunto THE NEW CLEVERS, a convite do empresário Abelardo Figueiredo, passou a fazer temporada na casa noturna O BECO. Nesta casa, onde cantava a Alciony Mazei, a banda teve também o seu auge e o Francis acabou se casando com a cantora e hoje residem em Ribeirão Preto, onde é criador de jingles, inclusive foi homenageado internacionalmente pelo jingle “Ducha de Água Quente”.
O grupo musical “The New Clevers” acabou em 1968 com o termino do programa Jovem Guarda, mas eles chegaram a gravar mais alguns discos.

O tempo passou e Antonio Aguillar voltou a fazer rádio em São Paulo.

Ele se aposentou na Rede Globo em 1981 e foi morar com a família em São José do Rio Preto, sua terra natal. Queria acabar de criar os três filhos – Débora – Gabriela e Douglas – no interior onde foi criado também.
Em sua cidade natal passou a fazer programas sertanejos pela manhã, e programas para a juventude à tarde nas emissoras locais. Aos domingos fazia ao vivo um programa denominado “Reino da Garotada” num local amplo, que era uma casa de shows, onde levava cerca de três mil pessoas e transmitia pela Radio Centro América uma programação no tempo em que os Menudos estavam em alta. Com isso, conseguia fazer bastante sucesso com a garotada e seus filhos e esposa o ajudavam nesta empreitada.
Além de tudo, ainda realizava todos os anos uma procissão da Catedral da cidade até a emissora de rádio, conduzindo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, de quem é devoto fervoroso, para o Pe. Lebenitz rezar uma missa em frente a emissora que ficava a poucos quarteirões da matriz. Foi cerca de cinco anos a duração deste evento que monopolizava cerca de mais 5 mil fieis os quais acompanhavam a procissão desde a igreja até a rádio, onde era rezada a missa ao ar livre.

Depois de 14 anos residindo na cidade, Aguillar resolveu mudar para Santos a fim de ficar mais perto de São Paulo, com o objetivo de voltar a trabalhar em radio na grande metrópole. Ficou na baixada santista durante 12 anos, onde também dirigiu a Radio Clube de Santos, que era do Pelé e havia sido vendida para o político Almino Afonso. Aguillar conseguiu com sua experiência de rádio, colocar a emissora numa posição privilegiada de audiência e com isso, depois de quase um ano, ela foi arrendada pelos evangélicos, que não mais se interessaram pelo seu trabalho.
Aguillar foi então produzir o comunicador Lombardi, do SBT, que tinha um programa na Radio Cultura AM de Santos e lá ficou durante algum tempo, preferindo depois se mudar para São Paulo.
Chegando à Capital Paulista, tratou de lançar um livro denominado “Histórias da Jovem Guarda”, através do escritor Paulo Cesar Ribeiro, tendo a participação de sua filha Débora Aguillar, que elaborou todos os dados fornecidos pelo próprio Aguillar.

O radialista tinha muita vontade de trabalhar na Rádio Capital AM de São Paulo, que vira nascer quando o comunicador Hélio Ribeiro estava elaborando todos os detalhes para a criação do novo prefixo.
Aguillar foi falar com Neder Adib, que era quem dirigia a emissora, a qual funcionava anteriormente na Av. 9 de julho e acabara de se mudar para a Praça Rodrigues de Abreu, no. 228, no bairro Paraíso.
Seu amigo, que trabalhou com ele na Radio Nacional, no departamento comercial, disse que estava saindo da emissora, mas pediu que Aguillar fizesse um piloto para ver o que poderia fazer. Esse piloto passou pelas mãos de um novo diretor, que nada resolveu. Quando este deixou também a Rádio – ficou lá por pouco tempo – o novo diretor Francisco Paes de Barros, ao assumir, ligou para Aguillar e o convidou a fazer parte do quadro de funcionários da Emissora.
O Chico, como é tratado na intimidade pelo Aguillar, havia trabalhado na Rádio Nacional de S.Paulo na época do Aguillar e conhecia todo o seu trabalho. Por telefone, ele disse:
_ “Aguillar, você não pode ficar fora do rádio, seu trabalho é bom e o rádio precisa de você. Seu conhecimento é grande e precisamos aqui na Rádio Capital gente que sabe o que fazer para dar audiência”.
Foi então que no dia seguinte ele foi falar com o amigo, que lhe pediu para que escolhesse o horário. Aguillar disse-lhe que preferia fazer um programa contando histórias dos anos 60, mas somente aos domingos.
Data e horário combinados, resultou que Antônio Aguillar está na Radio Capital há cerca de oito anos com o programa JOVENS TARDES DE DOMINGO ao vivo, das 11h30 às 13h, em primeiro lugar na pesquisa do IBOPE.

THE CLEVERS E SUA TERCEIRA FORMAÇÃO

Durante este tempo, Aguillar pensou então que não poderia deixar de relançar uma vez mais a sigla THE CLEVERS, pois sempre foi o seu carro chefe, um nome querido que lhe deu muito orgulho, além das alegrias e tristezas, mas uma sigla respeitada internacionalmente.
Ele bolou uma forma de arregimentar cinco músicos da melhor qualidade e foi procurando via internet por informações de pessoas ligadas ao meio artístico, Enfim, uma grande luta e conseguiu, depois de duras penas, fazer uma filtragem e ficar com esses novos componentes da 3ª formação da banda, que hoje é composta por Keller Jr., saxofonista, Rod Spencer, guitarrista, Luiz Monteiro, guitarra base e vocalista, Satoru, contra-baixista e Evaldo Correa, baterista.
Depois de muitos ensaios e escolhido o repertório, Aguillar e seu conjunto “The Clevers” foram ao estúdio para gravar este novo trabalho.
Em seu programa de rádio sempre foi divulgando a criação do novo grupo e falando sempre do repertório, que tem o Tributo ao Rei, de autoria de Luiz Fabiano em homenagem ao Rei Roberto Carlos. Uma letra que diz, sobretudo, o que ele fez no mundo da musica, com uma melodia bem inspirada pelo compositor, que hoje já está no plano superior.
A segunda faixa não poderia deixar de relembrar o grande sucesso da 2ª. formação da banda, que foi “NO REPLY” – “Sem Resposta”, versão do saudoso Norberto de Freitas, que foi discotecário da Radio Nacional de São Paulo (hoje Rádio Globo).
A terceira faixa é “El Relicário”, de Padilha, primeiro grande sucesso dos Clevers em sua primeira formação. O saudoso Manito, saxofonista, era de origem espanhola e a musica de origem de seu Pais. Ele queria transformá-la em twist e apostava no sucesso, porque era tradicional e muito bonita. O maestro Poly, musico da melhor qualidade, na época diretor musical da Continental, se propôs a fazer o arranjo e não deu outra…foi só lançar o compacto para o sucesso acontecer em todo o Brasil. Aguillar conta que quando havia jogo de futebol no Pacaembu, hoje Paulo Machado de Carvalho, no intervalo da partida, era rodado o disco e quando chegava no Olé, todos no campo de futebol repetiam “olé!”. Era uma coisa de louco. A quarta faixa foi “O Milionário” (The Millionaire) de Mik Max Fild, uma criação do Waldemar Mozena, também lançado por Aguillar, que o apelidou de Risonho.
Na seqüência, vem “Have You Ever Seen The Rain”, de J.C.Fogert, que muito sucesso alcançou com o Creedence Clearwater Revival; em seguida ,”Runaway”, sucesso com Del Shannon; depois, “ My Pledge Of Love”, de Joe Staffor Jr. ; Yellow River, de J. Christie e para completar o CD da banda The Clevers, Antonio Aguillar, que sempre ajudou a alavancar as carreiras artísticas dos cantores dos anos 60, procurou convidar alguns deles para participar de uma faixa, prestigiando assim o lançamento do CD intitulado “Reencontro com os lendários The Clevers”, pré jovem guarda. Sergio Reis, que sempre esteve nos programas do Aguilar, foi o primeiro a aceitar o convite e gravou “Lana”, um dos seus primeiros discos de sucesso naquele áureo tempo. Carlos Gonzaga, considerado o primeiro cantor de musica jovem em São Paulo, também se propôs a gravar “Diana”, seu primeiro sucesso em 1958. Demétrius nunca escondeu de ninguém que foi o Aguilar a ajudá-lo em sua carreira artística e fez questão de fazer uma composição atual, gravando no CD da banda, canção “A Menina do Rock”. Waldireni, considerada na jovem guarda, a garota do Roberto, aceitou gravar a música “Oh! Carol” e finalmente Jerry Adriani, que cantava nos programas Ritmos para a Juventude, da Radio Nacional, ainda com o nome de Jair de Souza e no Festival da Juventude da TV Excelsior, já como Jerry Adriani, escolheu a canção “No Auge do Rock n’ Roll”, atualizando a letra para os dias de hoje. Todos eles foram acompanhados no CD pela banda The Clevers.

Antonio Aguillar e o recente CD dos Clevers em sua nova formação.

Antonio Aguillar e o recente CD dos Clevers em sua nova formação.

The Clevers nos 80 anos do Mercado Municipal de S.Paulo

The Clevers nos 80 anos do Mercado Municipal de S.Paulo

Antonio Aguillar não para, sempre inventando alguma coisa dentro do mundo artístico, pois viaja com a banda fazendo shows em todo o Brasil e durante seu programa divulga essa banda que já conquistou os aplausos do publico. Todos os anos o comunicador faz shows especiais para a outorga de troféus da Radio Capital, programa JOVENS TARDES DE DOMINGO, para os artistas que tenham conquistado mais de meio século de musica, a exemplo do que aconteceu ano passado, quando Ronnie Von foi receber o troféu no Clube Holmes, pelas mãos de Aguillar…
Ronnie Von - Trofeu

E também mais recentemente, quando durante o Cruzeiro Emoções, Roberto Carlos recebeu o seu!
IMG_9771 1

Realizando todo este trabalho, Antonio Aguillar se sente um eterno jovem, como ele mesmo me confidenciou, quando no recente programa de domingo tive a oportunidade de vê-lo em ação, muito disposto, alto astral, bem humorado e feliz, como antigamente, naqueles bons tempos, fazendo jus ao bordão criado por ele, que com alegria apresentava seu programa para a “juventude feliz e sadia”!
AA 3

Nota: O conjunto The Clevers foi formado em maio de 1963, quando Antonio Aguillar juntou alguns músicos para formar o conjunto, Mingo e Manito, que pertenciam ao conjunto The Jordans… (Informação do Foguinho em 26-05-2014)

 

Antonio Aguillar

Antonio Aguillar 27 de maio de 2014 08:23
“O Domingos Orlando MINGO e o Demerval Teixira NENO deixaram The Jordans para falar comigo a fim de criarmos a banda The Clevers, que ficou assim Manito sax, Risonho guitarra solo, Mingo guitarra base e vocal, neno contrabaixo e Netinho baterista. Em 1964 mandei-os para a Itália numa turnê com a Rita Pavone e depois de alguns meses trocaram o nome The Clevers para o titulo do LP OS INCRÍVEIS.”

“Esse flagrante foi colhido nos anos 70 mostrando o Brancato,Jr. Netinho, Mingo, Nenê, Risonho e Manito da banda Os Incríveis (ex The Clevers) com Antônio Aguillar entre eles, por ocasião em que o Carlos Imperial produtor do programa dos Incriveis na TV Excelsior Canal 9 Rua Nestor Pestana, 196 S.Paulo, exigiu que os rapazes acendessem o CHACHIMBO DA PAZ, entre eles e o criador da banda. Foram momentos de muita alegria, reconhecimento e gratidão.” (Antonio Aguillar)

Raridade: Gil Gomes apresenta a Historia do conjunto The Clevers, há mais de meio século atrás.

9 respostas em “História das Bandas de Rock lançadas Por Antônio Aguillar: O Caso “The Clevers”

    • Oi Antonio Aguillar, você é a própria história viva do início do Rock e da Jovem Guarda no Brasil, e eu me sinto muito privilegiada por ter sabido dessa e de outras histórias a mim contadas diretamente por você.
      Conte sempre comigo.😉

    • Ouça esta gravação, José…

      Quando do lançamento de seu livro “Netinho, minha historia ao lado das baquetas” em 2009, o baterista foi até a Rádio Capital e conversou com Antonio Aguillar sobre o início de sua carreira.
      Entre outras coisas, Aguillar conta como e por que deu a ele o apelido de Netinho.

  1. Gostei da sua atenção e da informação. Eu levei um susto qdo li aquelas “ABERRAÇÕES”.Felizmente és um ser integro e isso para nós tem MUITO VALOR. Acho que o Netinho se perdeu nas colocações, errou mas, é um ser humano, não vamos coloca-lo no vaso e puxar a cordinha, o tempo vai ajuda-lo em todos momentos de necessidade e o CORAÇÃO DO AGUILAR CONTINUA MAIOR QUE SEU PRÓPRIO CORPO. Um bjo e Muita Luz em seu caminho.
    PS. Breve estarei voltando na produção e apresentação de um programa radiofônico, já sabemos que será aos sábados das 19: às 21: h. na Rádio Cultura de Pelotas -AM e nome do programa é: NO MUNDO DA MÚSICA.
    TENS QUE SABER QUE OS TEUS E-MAILS E OS REGISTROS NO FACE, VÃO NOS AJUDAR E MUITO, + UMA VEZ: GRATO POR TUDO . . . José Luis + Música Vasconcelos.-

  2. Pingback: Um Beatle em cada esquina! De como surgiram as bandas de Rock no Brasil. | WE LOVE THE BEATLES FOREVER

  3. Pingback: Motivos que levaram Antonio Aguillar a criar o conjunto The Flyers. | WE LOVE THE BEATLES FOREVER

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s