“Use flores, seja feliz, traga sinos. Teremos um festival”.

O ano de 1967 foi marcado pelo psicodélico álbum Sgt. Pepper, dos Beatles, e também pelo Festival de Monterey, que aconteceu duas semanas depois do lançamento do álbum que marcaria para sempre a banda The Beatles como a mais inovadora desde os anos 60.

E com os dizeres do título desta postagem, os convites para o Festival em Monterey, Califórnia, chegavam às mãos das felizes e privilegiadas pessoas que iriam ver pela primeira vez um festival de Rock!

O Festival aconteceu de 16 a 18 de junho de 1967, no Monterey County Fairgrounds, em Monterey, e foi organizado pelos produtores Loud Adler e Alan Pariser, o músico John Phillips, do conjunto The Mamas & the Papas e o publicitário Derek Taylor. Entre os membros da comissão do festival estavam integrantes dos Beatles e dos Beach Boys.

Os artistas se apresentaram de graça e toda a renda foi doada a instituições de caridade. Mais de 200,000 pessoas compareceram ao festival, considerado como o começo do “Verão do Amor” dos hippies.
Foi em Monterey que se deu a primeira apresentação de Jimi Hendrix nos Estados Unidos, graças à insistência de Paul McCartney e da banda The Who. Foi também a estréia diante de um grande público, de Janis Joplin e Otis Redding, que morrera tragicamente alguns meses depois.
As grandes ausências neste festival foram os Beach Boys, pois o vocalista Carl Wilson se recusou a registrar-se nele, e Donovan, músico britânico que teve seu visto recusado por ter sido pego com drogas em 1966. Além dos Beatles, claro!
Muitos executivos de gravadoras estavam na platéia, o que proporcionou à maioria das bandas que se apresentaram lá, ganharem contratos de gravação depois de suas apresentações.

Pois bem, em viagem aos Estados Unidos, meu amigo Samuel Dutra esteve em Monterey, na Califórnia, e tirou fotos no Monterey County Fairgrounds, lugar histórico onde se deu o Monterey International Pop Music Festival, este concerto de três dias que atraiu mais de 90 mil pessoas e tornou-se modelo para futuros festivais de música, como o Festival de Woodstock, realizado dois anos mais tarde, em 1969.

Monterey - entrada

Samuel conta que em visita ao Aquário de Monterey, ele se deparou com uma inscrição gravada em uma placa na parede, na verdade, um trecho da letra de “Octopus’s Garden”, uma canção dos Beatles composta por Ringo Starr e lançada no álbum Abbey Road de 1969.

Foto 1

O festival é lembrado pelas apresentações de famosos como Jimi Hendrix, The Who, Ravi Shankar, Janis Joplin, The Mamas & the Papas, Simon & Garfunkel, The Byrds, The Association, Johnny Rivers, The Animals, The Byrds e Scott McKenzie.

Foto 2

Aproveitando a estada na Califórnia, ele passou por Los Angeles, e depois de procurar entre centenas de nomes de famosos inscritos na Calçada da Fama, quando já dava por encerrada a procura, deparou-se com um espaço exclusivo, reservado para os Beatles… bem, reservado não somente para os Beatles como também para Elvis Presley, conforme se vê na foto.

Foto 3

A estrela na calçada da fama

Seguindo viagem, ele foi a Las Vegas, no Estado de Nevada, e assistiu ao show The Beatles LOVE Cirque Du Soleil, e a emoção bateu forte quando o telão exibiu fotos do início da carreira dos Beatles ao som de I Wanna Hold Your Hand com a gritaria da Beatlemania e com os takes das nuances de Hamburgo…

“Isto foi no dia 03 deste mês de março, minutos antes de começar o show LOVE do Cirque Du Soleil no teatro do “The Mirage Hotel and Casino” em Las Vegas. Parecia que se estava em Londres e/ou Liverpool, pois tudo ali nos arredores da entrada do teatro, em forma de estampas como a da foto, lembravam os Beatles, em conjunto com outros cenários que nos faziam imaginar que estávamos na Inglaterra. Sem falar que se via tudo isso curtindo músicas dos Beatles, que tocavam alto e bom som, o tempo todo, como se fosse um prenúncio do que nos aguardava lá dentro do teatro. Por sorte, fiquei num dos melhores locais da platéia, graças à generosa dica do vendedor do ingresso. Imaginem um local de formato circular igual ao do Maracanãzinho, só que muito, muito menor, que permitia fazer circular e concentrar a sonoridade de uma forma e num volume de som que jamais tinha visto (ouvido) antes. Imaginem como ficou o vocal de Because (sem instrumental), que abre o show, e a ‘pancada’ que dá início a Get Back que ressoava parecendo um ‘trovão’…e que me pareceu um pouco mais prolongada do que o normal. De frente, no lado diametralmente oposto, havia um telão que mostrava o tempo todo imagens do Fab Four, tanto em forma de figura como de filme, ao mesmo tempo em que, no palco, se exibiam os artistas circenses. Mas, na minha opinião, a maior vibração veio com I Want to Hold Your Hand pois se ouvia a música simultaneamente com a reprodução da gritaria ensurdecedora da platéia da época, marca registrada da Beatlemania, enquanto o telão exibia fotos e imagens dos Fab Four, de capas de seus álbuns, reportagens, jornais, revistas, principalmente da época do início do grupo, e tudo passando diante dos olhos muito rapidamente, em pouco mais de um minuto, uma avalanche de sons e informações que me passaram a sensação de que os Beatles estavam ali se apresentando, ao vivo, no meio de uma pesada penumbra que, nessa hora, envolvia todo o ambiente. Tenho a impressão de que foi esse o propósito da produção do show… ou seja, de recriar, ali, por um pequeno instante, os Beatles… e conseguiram (do meu ponto de vista).” (Samuel Dutra)

Foto 4

Cirque du soleil

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Eis aqui o Hollywood Bowl, em recente foto de 25 de fevereiro de 2013, completamente vazio e silencioso, mas repleto da magia e da energia da Beatlemania, que ainda parece ecoar dos shows que os Beatles ali fizeram, nos idos de 64 e 65, e que foi tão espetacular e intensa que deu origem ao álbum de mesmo nome lançado em 1977.

Foto 5.

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Uma resposta em ““Use flores, seja feliz, traga sinos. Teremos um festival”.

  1. Muito agradeço a minha amiga Lucinha Zanetti a gentileza desta publicação no seu Blog, em meio a tantas outras publicações de indiscutível valor para o acervo do rock and roll, nacional e internacional. Ouso dizer que sei que se trata de um acervo que você, Lucinha, faz com muito amor e carinho, e o mais importante, de uma forma totalmente despretensiosa, o que torna muito mais valorosa a sua obra. Minha amiga, há uma chama em você que não se apagará nunca… uma chama que ilumina o caminho de volta a esses tempos, aos tempos em que aprendemos a “amar os BEATLES e os Rolling Stones”, e, nesse caminho, podes ter a certeza de que estou, o tempo todo, caminhando ao seu lado. A você, meu agradecimento, respeito e admiração. Samuel Dutra

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