Há 66 anos George Freedman chegava ao Brasil!

Há 66 anos, George Freedman chegava ao Brasil para deixar seu nome escrito na história da música brasileira, como um dos precursores do Rock e também um dos mais queridos cantores da Jovem Guarda!

George chegou ao Brasil juntamente com sua mãe, sua tia, seu primo e a avó materna, vindos da Alemanha, no dia 01 de setembro de 1947 e tiveram que esperar no local do desembarque durante 06 dias para terem a entrada deles liberada no Brasil, o que só se deu no dia 07 de setembro 1947, seis dias depois de sua chegada.

Desembarcaram na Ilha da Flores, no Rio de Janeiro, e George, uma criança de apenas 07 anos de idade, ao ver o desfile e banda tocando nas ruas, pensou que fosse pela chegada deles… Era o desfile de 07 de setembro, comemorando o Dia da Independência do Brasil, e para a família Friedemann era a independência das privações sofridas pela família com a guerra.

Ilha das flores - RJ

“Viemos…, minha mãe, minha tia, meu primo e minha avó materna.” (George Freedman)

A liberação só foi concedida porque sua avó (*) e bisavó eram brasileiras e moravam no Brasil.
Sua mãe quando chegou viu um cacho de bananas, mas não tinha todo o dinheiro para comprá-lo, então sua tia e avó juntaram o que tinham e dona Marion pode comprar meia-dúzia de bananas. Sua fome era tanta que ela se fechou em um quarto e comeu a penca toda sozinha…

O pai de George, Kurt Paul Willy Friedemann, foi feito prisioneiro de guerra e levado para os Estados Unidos, tendo sido dado como desaparecido de guerra, e se perdeu da família, pois quando a Cruz Vermelha o ajudou a retornar para a Alemanha, não encontrou mais sua esposa e filho, e com a guerra a família toda havia se espalhado pelos países vizinhos.
Até o fim de sua vida ele fez donativos para a Cruz Vermelha, em agradecimento pela ajuda que obteve num país estranho para poder voltar para sua pátria.

Em 1962, já fazendo sucesso no Brasil, pois acabara de lançar seu LP Multiplication em dezembro, George foi reencontrar seu pai na Alemanha, porém já havia perdido sua mãe, que faleceu ainda muito jovem.

Era final de ano e George levou de presente para seu pai uma caixa de charutos da Bahia e 03 abacaxis, coisa rara na Alemanha, e também uma garrafa de pinga e seu LP Multiplication, recém lançado.
Seu pai tinha um Bar e Restaurante e havia uma pista de boliche nele. George, que ficou 06 meses morando com seu pai, trabalhava levantando as peças na pista, e recebia um salário.
As irmãs de seu pai estavam morando na Noruega e vieram a Berlim para conhecer o sobrinho músico, e até um maestro que costumava frequentar a casa de seu pai ouviu seu disco e prometeu gravar com ele, porém o tempo foi passando e isso não aconteceu, então George retornou ao Brasil em 1963.

Quando chegou de volta ao Brasil encontrou Antonio Aguillar e recomeçou sua carreira artística.
Gravou mais um disco na RGE e foi para a Continental. Depois parou de gravar porque o mercado havia mudado, e foi então que Carlos Imperial o chamou para trabalhar com ele como Secretário na TV Excelsior Canal 9.
Eduardo Araújo, quando soube disso, aconselhou-o a desistir do cargo, pois aquela função não era apropriada pra ele, incentivando-o a procurar outra gravadora. Foi então que George foi para a RCA Victor e conheceu Ramalho Neto, uma grande pessoa que ocupava o cargo de Diretor Artístico.
Ramalho Neto gostou de George desde o início e disse-lhe que haviam duas músicas que ele gostaria que George escolhesse uma para gravar: uma delas era uma composição de Deny e Dino e a outra era uma gravação que estava chegando ao Brasil, mas teria que ser feita uma versão e era preciso gravar em curto prazo… A música era “Something Stupid”, e Leno fez a versão, e em outubro de 1966 George Freedman lançou o compacto “Coisinha Estúpida”, que em menos de duas semanas vendeu 80 mil discos.

George Freedman - Coisinha Estupida (EP 1967) [1]

O tempo passou e George teve que ir para o Nordeste, viajando na companhia do cantor Nerino Silva. Lá ele ficou doente, pegou malária e quase morreu.

Quando voltou para São Paulo, Ramalho Neto havia deixado a RCA e mudado para o Rio de Janeiro. O novo Diretor Artístico, Alfredo Corletto, tinha certa implicância com George, gratuitamente, e não queria mais que ele gravasse nada. Mas havia um contrato assinado, e George ameaçou entrar na justiça pelos seus direitos.

A gravadora queria que a cantora Waldireni gravasse em dupla com um cantor; todos achavam que este cantor deveria ser o George, menos Corletto, que ficou sem saída, e teve que concordar.
Foi então que os dois gravaram juntos em março de 1970, um compacto que fez muito sucesso! De um lado, “Eu te amo, tu me amas”, e do outro a canção “Quem espera sempre alcança”.

O sucesso foi tanto que naquele mesmo ano, em novembro, foi lançado novo compacto com a dupla, tendo de um lado “Você… e eu”, e do outro, “O Nosso Amor”.

compacto Waldirene e GFreedman

George Freedman conta que deve muito ao comunicador Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Logo da primeira vez que ele foi em seu programa de rádio, Chacrinha disse-lhe que ele seria sucesso com aquela música (na ocasião, Coisinha Estúpida), e pediu pra deixar o disco com ele. George até se emocionou neste dia, que ele nunca esqueceu. Chacrinha passou a levá-lo toda semana em seu programa.

Em 1968 George Freedman participou de uma fotonovela ao lado de Waldireni, e a estoria se chamou “A Ilha Maldita”, com participação de Carlos Imperial no papel de bandido .

Revista - Fotonovela com Waldireni A Ilha Maldita

Em outra ocasião também participou de uma fotonovela ao lado da cantora Vanusa.
Vanusa e George Freedman

Em 1972 George Freedman saiu do cenário artístico profissional, mas continuou promovendo shows e cantando, tanto em público como para os amigos.

Em 2013 lançou a música Século XXI, uma mensagem atual e de alerta ao planeta!

(*) Sua avó morava em São Paulo e conheceu seu avô, que era alemão e estava morando no Brasil; depois se mudaram para a Alemanha, onde nasceu a mãe de George.

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6 respostas em “Há 66 anos George Freedman chegava ao Brasil!

  1. Gostei demais do relato sobre a vinda de George Freedman e parte de sua família ao Brasil. Gostaria, no entanto, de saber como a Mãe de George tinha mãe e avó brasileiras. Então a avó de George tinha morado na Alemanha quando deu à luz à mãe de George? A história do cacho de banana é interessante. E o fato do pai de George ter sido prisioneiro de guerra explica o desencontro familiar pós-Guerra. Parabéns pela postagem.

    • Luiz, fiz esta mesma pergunta ao George Freedman, e ele me explicou que sua avó foi do Brasil morar na Alemanha, lá se casou com um alemão e tiveram a mãe dele, dona Marion. Até comentamos que talvez por isso as biografias sobre ele que aparecem na Net, citam que ele é filho de mãe brasileira, o que não é verdade, como eu já lhe havia dito antes.
      Obrigada! 😉

  2. Pingback: GEORGE FREEDMAN VIU UM DISCO VOADOR NO PIAUÍ – Causos Assustadores do Piauí

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