“Beatles: Um passo à frente!”

Esta era a manchete da Revista Melodias Nº 139, Editora Prelúdio Ltda, de Abril de 1969, que trazia na capa o cantor Jerry Adriani e na contracapa, Lurdinha Félix e Djalma Lúcio…

00- capa e contracapa

A reportagem, assinada por Fred Jorge, dizia assim:

Beatles: Um passo à Frente!

Está entregue ao público o último lançamento do mais genial conjunto do mundo: The Beatles.
Os quatro cabeludos da Inglaterra aparecem de novo com a mais bela coleção de canções jamais compostas no gênero jovem.
Algumas mostram aquele avanço característico e ousado. Outras, procuram ressuscitar o som e décadas passadas, como “Wild Honey mPie”. E por isso estão recebendo críticas injustas, de pessoas que nada entendem do assunto. Não é fácil produzir aquele som que encantou nossos avós nos anos passados. Não é fácil trazer de novo, com pureza e encanto, aquele sabor que arcou toda uma época que foi romântica e terna. E para aqueles que atacam os Beatles por terem feito isso, eis a réplica: “para repetir um feito Napoleão, só mesmo outro Napoleão”.
Com isso, eles mostram que são capazes de fazer qualquer coisa no setor musical. Provam que como eles, não há mesmo ninguém. Para os quadrados, que querem música popular, com sabor popular indiscutível, o álbum contém “Ob-la-di Ob-la-da”. Música despretensiosa, bonita, com um embalo gostoso, e que mal foi lançada, já está sendo cantada pelo mundo todo. Apesar do sabor tipicamente popular, ainda consegue conter pinceladas de genialidade dos Beatles.

Ao todo, o álbum contém 30 canções. Os detratores da obra musical dos Beatles dizem que seu último LP era muito arrojado, muito “pra frente”, e que por isso foi vendido em lojas de saldos nos Estados Unidos, a 2 dólares cada um. Disseram também que eles voltaram ao estilo antigo, para reparar o fracasso do LP anterior. Mentira! Eles jamais dariam um passo atrás. Estão sempre dando grandes passos à frente. Não seriam capazes de vender a personalidade ou de curvar o talento até à altura de um público quadrado como o norte-americano, que entende mais de barulho que de música. Eles não gravam para os Teds e Bobs de calças “blue jeans”. Gravam para a juventude que necessita de avanço, de reformulação musical, de ritmo trepidante e de idéias novas. Gravam para a verdadeira juventude, e fazem com isso um benefício enorme. Lançam sementes de classicismo nas músicas. Usam uma linguagem nova. Idéias salutares, Beleza pura. Ritmos diferentes. E acima de tudo, uma personalidade realmente marcante. Não importa o que sejam ou façam na vida íntima, importa o que são artisticamente, Quatro verdadeiros gênios dando ao mundo moderno aquilo que ele realmente precisa. Uma nova linguagem para a juventude cantar. Um novo ângulo para ver a vida. Uma nova expressão artística.
Um dia no futuro, quando algum historiador analisar nossa era conturbada e tentar explicá-la psicologicamente, há de falar na influência dos Beatles, colocando-os na altura importante em que colocarão as vitórias espaciais. Uns vencerão no espaço. Outros vencem aqui embaixo mesmo, mas ambos têm o mesmo objetivo. O infinito da glória, a perspectiva interminável das idéias que realmente perduram.

(Texto: Fred Jorge)

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3 respostas em ““Beatles: Um passo à frente!”

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