The Beatles: Uma volta a 1967, resgatando a memória…

A Revista Melodias no. 122, de novembro de 1967, tem Os Beatles na capa e na contracapa o cantor Djalma Lúcio, Buby e Raymundo José (fotonovela com os artistas).

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A VERDADE SOBRE OS BEATLES

Texto: Fred Jorge

É perfeitamente admissível que quatro rapazes sonhem com a glória internacional. Ainda é admissível que procurem inspirar como exemplos esta geração de pós-guerra, vivendo num mundo neurótico e sem padrões. Mas que queiram romper as convenções seculares, destruindo princípios básicos, tomando as rédeas do mundo para levá-lo à confusão e ao abismo, isso não se pode admitir.
Surgiram em Liverpool quatro rapazes tocando e cantando. Lutaram e venceram.
A força de suas personalidades era tanta que a juventude adotou-os como padrões.
E proliferaram garotos com calças apertadas, camisas coloridas e longos cabelos. Em vez de andarem de correrias por aí, em carros e lambretas, esses mesmos garotos ficavam o dia todo estudando acordes em guitarras eletrônicas.
A paixão dos jovens pela música renasceu violenta . Até aí a influência foi boa, não há a menor dúvida.
De repente mudaram de fisionomia.
Ninguém reconhece hoje os Beatles de ontem. Levaram ao extremo a sofisticação. Os mesmos cabelos, mas os bigodes são longos, usam óculos à antiga e pregam coisas estranhas.
Parece que os fabulosos e geniais Beatles estão se afastando do único caminho que lhes foi reservado. O da música. E fazem estranhas decorações. Primeiro atacam Jesus Cristo, chamando a si mesmos mais popularidade do que polariza o Suave Nazareno. E agora exaltam o uso da maconha e do famigerado ácido lisérgico.
Será essa a função dos Beatles?
Por que não são os mesmos?
Nosso Roberto Carlos está saturado de glória e fama, e nem por isso deixa de ser um padrão sadio para nossa juventude.
Os Beatles afastam-se do caminho da música, para abraçarem uma falsa filosofia.
Não são os reis do mundo. Não têm o direito de desviar os caminhos da juventude internacional, como se fossem líderes de uma manada amorfa e sem personalidade seguindo falsos chefes.
São cantores e músicos. O máximo que esperamos deles é isso. Boas interpretações, ritmos dinâmicos e bons, evolução artística. E não teorias absurdas. Nada de princípios falsos.
Por que não voltam a ser os Beatles de “I want to hold your hands”, “Yesterday”, “Michelle” e outras músicas geniais. Deles não queremos filosofias. Queremos talento, arte e música.
Além disso, nada mais. ★

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“Esta edição traz o conjunto The Beatles, já no auge de sua fama, e esta matéria cai de pau em cima do grupo dizendo que eles deixaram de ser aquele conjunto que se dedicava somente à musica e passou a fazer coisas estranhas, como a comparação que eles fizeram com Jesus Cristo, dizendo que eles eram mais populares que Jesus.
Os Beatles afastam-se do caminho da música para abraçarem uma nova filosofia.
Ele compara até Roberto Carlos. “
(Vlademir Ferreira, Radialista)

“… E quem escreveu o texto dessa matéria sobre os Beatles foi o grande e saudoso compositor e versionista Fred Jorge, que era genial no seu trabalho de verter músicas internacionais para o cancioneiro pop brasileiro, porém, conservador e extremamente católico como era, foi mais um que não entendeu a frase famosa de John Lennon, de que os Beatles eram mais populares do que o cristianismo. Naquele momento, eles eram mesmo.”
(Rubens Stone)

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