Conjuntos formados nos anos 60 no Brasil, influenciados pelos Beatles.

Esta matéria integra o livro que será publicado em breve pelo jornalista Xico Junior, intitulado “NO TEMPO DA CUBA-LIBRE”.

Capa e contra-capa No Tempo da Cuba-Libre

Os Covers dos Beatles: Malks, Os Mísseis, Os Bravos, Manifesto, Tokeloko e Traveling Past Band são nomes de conjuntos musicais formados nos anos 60 no Brasil, influenciados pelos Beatles!

"Os Malks", primeiro grupo cover dos The Beatles, de Canoas, em 1965, tinha esse primeira formação: Cézar Zica (bateria), Aérnio Penteado, o Zé (base), Paulo Armando Venhofen, o Paulinho (baixo) e Davi Garcia Neto (solo).

“Os Malks”, primeiro grupo cover dos The Beatles, de Canoas, em 1965, tinha esse primeira formação: Cézar Zica (bateria), Aérnio Penteado, o Zé (base), Paulo Armando Venhofen, o Paulinho (baixo) e Davi Garcia Neto (solo).

Tudo teve início nos final do ano de 1965, início do verão, quando Paulo Armando Venhofen, seu irmão Luiz Carlos e um vizinho da Rua Silva Paes, em Canoas, estavam sentados e recostados num muro, enqunto uma vizinha escutava em seu quarto, a todo volume, um disco dos The Beatles. Nunca me esqueço, revela Paulinho Venhofen, a música que ela ouvia: “A Hard Day´s Night”. Se aproximaram do quarto da jovem, que logo apareceu dizendo, como que premonizando: “Olha aí gurizada! Isso é que vocês devem fazer. Montar um conjunto e tocar essas músicas”. A jovem passava o dia inteiro ouvindo aquele disco e repetia: “Eles (The Beatles) são demais!”.

"Os Mísseis", segundo nome da banda cover dos The Beatles, em 1968, que se apresentou no Canoas Tênis Clube, tinha a seguinte formação: Aérnio Penteado (o Zé), Paulo Armando Venhofen (o Paulinho), Luiz Carlos Venhofen e Davi Garcia Neto.

“Os Mísseis”, segundo nome da banda cover dos The Beatles, em 1968, que se apresentou no Canoas Tênis Clube, tinha a seguinte formação: Aérnio Penteado (o Zé), Paulo Armando Venhofen (o Paulinho), Luiz Carlos Venhofen e Davi Garcia Neto.

“A partir daquele dia passamos a nos interessar na possibilidade de montar um conjunto. Assim, começamos a buscar informações em revistas, jornais e nos discos, o que era muito mais difícil”, revela o Paulinho. “Devido a esse interesse, dessa procura, acabamos encontrando uma pessoa que muito nos ajudou: era o Plauto Paim, que já tocava na banda “Os Eremitas” com seu irmão o Bibica. Acho que essa foi a primeira banda de rock de Canoas, pois me lembro que eles tocavam na Casa de Chá São Luiz”, então na Galeria São Luiz, a primeira de Canoas (a casa pertencia à família Ghisleni, que morava na rua Vasco da Gama e quem geralmente atendia o pessoal era o filho Sérgio, que mais se dava com a gurizada da época).

Grupo que assistiu os "covers" dos The Beatles surgirem em Canoas: Vera Sienko, Paulo, Sérgio, Rosane, Paulo Armando Venhofen (o Paulinho), Gi, Marisa, Davi Garcia Neto e Luiz Carlos Venhofen, em Canoas - 1966

Grupo que assistiu os “covers” dos The Beatles surgirem em Canoas: Vera Sienko, Paulo, Sérgio, Rosane, Paulo Armando Venhofen (o Paulinho), Gi, Marisa, Davi Garcia Neto e Luiz Carlos Venhofen, em Canoas – 1966

Decidido, Paulinho buscou amigos que sabiam ou tinham vontade de tocar algum instrumento, como bateria, baixo, solo, base e sem muita delonga tudo foi resolvido, pois procuraram em cada um dos integrantes da nova bada a boa vontade, a determinação e quem tinha mais facilidade de aprender um determinado instrumento. Assim, ficou decidido: o Davi Garcia Neto seria o solista, Paulinho o baixista, Luis Carlos Venhofen o baterista, mas faltava o guitarra-base. E assim descobriram outro vizinho, o Aérnio Penteado, ou Zé Aérnio. Falta, então, a aquisição dos instrumentos, e naquele tempo não tinha as facilidades de mercado que existem hoje, especialmente em Canoas, onde não havia uma só loja de equipamentos musicais. Descobriram que na rua Alberto Bins, em Porto Alegre havia a loja “A Marocke” e quem os atendeu foi um rapaz de nome Carlinhos, também músico, que juntamente com o Mitch Marini Gelson Schneider formavam a banda “O Bizarro”. No bairro Partenon também encontraram uma fábrica de guitarras “Mil Sons”, que depois passou a se chamar “Martins Sons”, cujo dono era o “seu” Adão que lhes fez bom preço. Mesmo com instrumentos sem a melhor qualidade técnica, mas compatível com os recusos do grupo, já que os Gianini, Sonelli, Beger, Phelpa, etc, eram superiores, inclusive no preço. Mas como a vontade de tocar era tanta e a grana curta, toparam ficar com os instrumentos da “Mil Sons”, pois assim já podiam começar os ensaios, já que a vontade de tocar era quase que incontrolável. Fizeram aulas práticas com o amigo e professor Plaulo Paim que, de imediato, ensinou-lhes três músicas básicas, e só soladas. Ensaiavam todos os dias, assim o grupo ficou tão afinado que logo começaram a participar de eventos.

"Os Mísseis": Paulo Armando Venhofen (o Paulinho), Aérnio Penteado (o Z´r) e Davi Garcia Neto.

“Os Mísseis”: Paulo Armando Venhofen (o Paulinho), Aérnio Penteado (o Z´r) e Davi Garcia Neto.

O Plauto Paim organizava, no Colégio Maria Auxiliadora, ou “Colégio das Freiras” como também era conhecido, uma reunião-dançante com música ao vivo. Coisa rara até então – uma quebra de tabu -, pois que na maioria dos casos esse tipo de festa jovem eram realizadas nas salas das residências ou nas garagens e com toca-disco ou vitrola, que rodava somente os “bolachões” ou CDs de vinil. Além de “Os Malks”, que muitos confundiam com “Os Mísseis”, nome esse que só foi adotado pelo grupo tempos depois, tocaria na dita reunião “Os Eremitas” do próprio Plauto Paim, esse, provavelmente, o primeiro conjunto de rock que surgiu em Canoas; “Os Mugs” dos irmãos Celso e João Carlos Orsi, e “Os Cabeludos de Esteio”, já que a banda esteiense, liderada pelo Índio, não tinha ainda sido batizada com um nome.

"Os Mísseis": Jacaré, Grego, Paulinho Venhofen e Norberto de Carli e ao centro o craque Paulo Roberto Falcão, que anos depois, a parir de 1983, viria a se tornar, além de um dos maiores ídolos do Sport Club Internacional e do Brasil, "L´ottavo Rei di Roma".

“Os Mísseis”: Jacaré, Grego, Paulinho Venhofen e Norberto de Carli e ao centro o craque Paulo Roberto Falcão, que anos depois, a parir de 1983, viria a se tornar, além de um dos maiores ídolos do Sport Club Internacional e do Brasil, “L´ottavo Rei di Roma”.

Antes de “Os Malks” se apresentarem para um grande público, como foi o da reunião dançante do “Colégio das Freiras”, eles já haviam tocado em festinhas de aniversários na vizinhança e para parentes, inclusive no aniversário do primo do Davi Garcia, um dos integrantes do conjunto, o Anaulpa, irmão do Ajax. A festa, conforme os comentários, bombou ainda que com um repertório de apenas 15 músicas, basicamente de Os Incríveis, The Jet Blacks e The Jordans, conjuntos nacionais de grande sucesso à época, e principalmente músicas do grupo estadunidense The Ventures, formada em 1958 e que gravou “Hawaii 5-0”, que virou trilha sonora de um seriado policial norte-americano com o mesmo nome e que ficou no ar por 12 temporadas, de 1968 a 1980. Muito dos então jovens dos anos 60 hão de lembrar, naturalmente. O sucesso foi óbvio, pois tudo era novidade: o som, as guitarras e tudo ao vivo. E o esquema para que a festa não acabasse logo, naturalmente, primeiro se apresentava “Os Malks” com seu pequeno repertório, no intermezzo som na vitrola com os “bolachões rodando na eletrola e no final voltava o grupo com interpretações ao vivo e o mesmo repertório. Ninguém estranhava e nem achava ruim porque era tudo novidade … e da boa.
Um detalhe que é importante ressaltar: se observarem bem nas fotos as roupas com que os jovens se vestiam nos anos dourados e diamantinos, e não havia calças jeans ou brim coringa, essa fabricada pela Alpargatas em São Paulo, geralmente na cor caqui. O brim coringa virou uma quase coqueluche por ser resistente, pois até mesmo os uniformes da maioria dos colégios, para os meninos, usavam o brim coringa na cor caqui como uniforme. Assim, o Externato São Luiz (com Z mesmo), a camisa azul marinho com o dístico no centro do peito e calças de brim na cor caqui. O mesmo era usado pelo colégio Estadual Marechal Rondon, só que a camisa era branca, se não me falha a memória de tergal. Foi uma época em que todos, inclusive os jovens, usavam roupas talhadas por alfaiates ou calças e camisas compradas em lojas de pret-à-porter, porém de tecidos diversos. E até mesmo em dias de semana andavam de terno e gravata e os sapatos mais limpos possível e brilhantes. Muitos optavam pelo sapato de verniz que não exigia tanto esmero e zelo, porque mantinha automaticamente o brilho … e o capricho. Era chique e revelava capricho, coisa que as meninas da época – hoje são tratadas de minas – observavam nos menores detalhes. Então, para uma paquera ou uma conquista ou até mesmo merecer a atenção das garotas, estar aprumado era indispensável. Fazia parte da etiqueta masculina na época.
Bem, resumindo “Os Malks”, que no letão diz ser “golada” ou “bocado, mordisco, sorbo, trago”; mesmo sem o baterista original Luiz Carlos Venhofen, mas improvisado com o Cézar Zica, colega do Externato São Luiz ou “Colégio dos Padres” como era chamado pela grande maioria do alunos e não alunos, fez o maior sucesso, tanto entre os estudantes do “Colégio dos Padres” e especialmente entre as meninas do Colégio Auxiliadora. Dos ensaios para esse evento ficou apenas uma foto como registro, solicitada pela dona Érica Penteado, mãe do Zé Aérnio, mas que não temos para fazer, aqui, o devido registro histórico.
Pois, naquele tempo dos anos dourados e diamantinos, mesmo nas reuniões em casa de famílias, havia a preocupação, tanto dos rapazes como das meninas, de uma boa e discreta produção. Era raro se ver algum rapaz numa festa dessas, ou mesmo tempos depois nas “soiréss-dançantes” nos clubes, sem estarem corretamente trajados de terno e gravata e os sapatos devidamente polidos, brilhando, enquanto as garotas, com maior discrição ainda, se produziam que o que havia como o “dernier cri” ou o “último grito” na moda. E tempos depois já adotando a tão combatida e rejeitada, pelos pais, “mini-saia”. Os penteados, ainda que hoje possam parecer caretas, absolutamente fora de moda, era um dos detalhes que as meninas mais se preocupavam. E aí a preparação com bobs e depois dê-lhe laquê prá garantir o penteado até o final da festa, enquanto que no rosto o ruge e batom, que davam um realce de mais sensualidade às já sensuais garotas. Na reunião, era rotineiro se ver a maioria dos jovens tímidos, à espreita de uma oportunidade para dançar com a garota eleita por cada um dos rapagões, que formavam como que um círculo à beira da pista à espera da tão sonhada oportunidade de poderem dançar, de rosto colado, obviamente, mesmo que sob os constantes e vigilantes olhares das mães.

The Cleans era um grupo do Rio Grande do Sul, da cidade de Canoas.

Grupo "Os Cleans", surgido em Canoas nos anos 60, depois seguiu para o Rio onde gravou Cds (vinil) e participou de diversos programas de repercussão nacional, como a "Jovem Guarda", pontificado pelo "rei" Roberto Carlos, o "tremendão" Erasmo Carlos e a "ternurinha" ,Wanderléa e "O Bom", comandando pelo cantor Eduardo Araújo. Na foto do acervo particular de Xico Júnior, a primeira formação: Santamaria, Soneca, (?), Zé e Nei Cardoso.

Grupo “Os Cleans”, surgido em Canoas nos anos 60, depois seguiu para o Rio onde gravou Cds (vinil) e participou de diversos programas de repercussão nacional, como a “Jovem Guarda”, pontificado pelo “rei” Roberto Carlos, o “tremendão” Erasmo Carlos e a “ternurinha” ,Wanderléa e “O Bom”, comandando pelo cantor Eduardo Araújo. Na foto do acervo particular de Xico Júnior, a primeira formação: Santamaria, Soneca, (?), Zé e Nei Cardoso.

O grupo The Cleans, ou Os Cleans, iniciou a sua trajetória em Canoas, ainda na década de sessenta, onde animou muitos bailes e soirées dançantes, frequentadas pela juventude dos anos diamantinos no Clube de Bolão Gaúcho, Sociedade Canoense de Caça, Pesca e Tiro, Grêmio Esportivo Niterói e outros mais. Depois, visando galgar sucesso, rumou para o centro do País.
Em 1966 o grupo venceu a fase regional do concurso Primeiro Encontro Nacional da Jovem Guarda e classificou-se para a grande final realizada na TV Record, de São Paulo, ficando em segundo lugar. Na capital paulista passaram a acompanhar vários artistas em shows e em seguida foram contratados pela TV Excelsior – Canal 9 para atuarem no Programa “O Bom”, comandado pelo cantor Eduardo Araújo. E em 1967 gravaram seu primeiro disco no selo Pauta.
Os Cleans foi um dos primeiros grupos do Rio Grande do Sul a introduzir o vocal em suas apresentações e o pioneiro na utilização da guitarra com alavanca, entretanto, a trajetória em São Paulo foi realizada com dificuldades. A formação original foi: Zé, Vasques (canoense), Nei CArdoso (canoense), Carlos Roberto e Paulo no sax, em seguida Tony Osanah, (dos Beat Boys) que ficou alguns meses. O conjunto sofreu várias alterações. Em 1968 teve início a formação mais duradoura indo até 1971: Zé, Vasques, Ney Cardoso, Carlos Roberto e Lairton. Gravaram dois compactos na RCA Victor: Chick – A- Boom, em 1968, e Nova Geração, em 1969. Participaram dos programas: “Almoço com as Estrelas”, “Astros do Disco”, e “Jovem Guarda”, entre outros. Acompanharam o Hermes de Aquino no IV FIC (Festival Internacional da Canção) e também a cantora Laíz Marques em “Sala de Espera”.

Serginho Canhoto, ex-The Jet Black`s, fala sobre Os Cleans: “Eta gauchada boa de musica, foram meus amigos durante e depois da Jovem Guarda e ate hoje! Viva Porto Alegre, Rua da Praia… e o bairro da Glória! Diz aí Luiz Marcelo!”

FONTE: No tempo da Cuba Libre, Blog de Xico Junior

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4 respostas em “Conjuntos formados nos anos 60 no Brasil, influenciados pelos Beatles.

  1. Oi, Lucinha Zanetti!

    Fico grato pelo teu entendimento e pelo teu senso ético o que poucos têm. Ainda ontem descobri e consegui um vídeo em DVD – revival – do Grupo “Os Malks”, que depois adotou o nome de “Os Mísseis” com músicas dos “The Jordans”, “Os Incríveis”, “Os Mutantes”, etc gravadas pelo próprio grupo “Os Mísseis”, além de diversas fotos inéditas e parte do vídeo feito com filmagem enquanto “Os Mísseis” tocavam ao vivo.

    Afora esse DVD inédito, produzi um SLIDESHOW, depois transformado em vídeo do Grupo, que usou diversas denominações como pode ser comprovado na matéria publicada no meu Blog “No Tempo da Cuba-Libre” e que estás ajudando a divulgar.

    Fico grato, também, pela postagem das capas do livro “No Tempo da Cuba-Libre”, o que representa mais um canal de divulgação de um trabalho de pesquisa e coleta de dados, histórias e fotos que durou mais de 4 (quatro) anos.

    Sempre que interessar me coloco à disposição.

    Abraços … e sucesso!

    XICO JÚNIOR
    Jornalista, Radialista, Acervista, Pesquisador, Poeta, Historiador e Escritor com 77 (sete) livros já publicados.

  2. Esqueceram do conjunto The Black Cat`s, composto por: Gonçalo, Alexandre, Armando,Sebastião e Heitor, que durante anos animou bailes nos municípios de Embu das artes e Itapecerica da Serra.

  3. Pingback: Um Beatle em cada esquina! De como surgiram as bandas de Rock no Brasil. | WE LOVE THE BEATLES FOREVER

  4. Os Cleans foram formados no Bairro da Glória em Porto Alegre. Quem era de Canoas era o Magro Nei guitarrista base. Como também o baixista Santamaria, que também tocou baixo com os Cleans e também morava em Canoas, ficou essa ideia equivocada, pois as sessões de ensaios aconteciam principalmente na casa do Marcelo Maya, guitarrista, na Glória.

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