Marília Gabriela entrevistando Paul McCartney em 1993.

Numa gentileza do nosso amigo Francisco Castro, que tendo gravado em VHS a entrevista levada ao ar pela TV Bandeirantes na ocasião da visita de Paul McCartney ao Brasil, em 1993, quando Paul veio fazer as apresentações em São Paulo e Curitiba, seguem os vídeos editados por ele, contendo alguns trechos da entrevista, pois segundo ele mesmo explicou, está faltando algumas partes, por que ele ao capturar do vídeo-cassete, ficou muito fragmentado e nem conseguiu trazer com cor. Então as partes mais prejudicadas ele deixou de fora. A captura foi feita com um Dazzle 100.

Mas, seguindo minha sugestão, o Francisco fez uma filmagem da entrevista completa, diretamente da tela de sua TV, para que pudéssemos ver a entrevista completa. O vídeo segue no final.

Por ser de grande importância para nós, Beatlemaníacos e fãs de Paul, vou colocar também por escrito as palavras de Paul…

Paul McCartney - 1993

Parte 1

Marília: Paul, como você sente a plateia brasileira? Ela muda, de país para país?

Paul: Sim… é possível sentir as características de cada país, e o Brasil, segundo os ingleses, é o país do carnaval, onde se faz muita música, se tem muito ritmo e as pessoas dançam muito nas ruas.
Sentimos o amor pela música e pelo violão. É muito atraente e esperávamos que o público brasileiro fosse muito alegre. Na verdade, acho que a maioria dos países da América Latina é assim. Lugares como a Espanha, Itália, sul da França, onde o clima é bom, as pessoas tendem a ser mais expansivas.
Onde faz frio, como na Suécia, Noruega, as pessoas são mais reservadas, ou como na Inglaterra. Acho que isso tem muito a ver com o clima.
Marília: Você tem planos de gravar com eles outra vez, não tem?

Paul: Com George e Ringo, sim. O que faremos é… estão produzindo um documentário sobre os Beatles e nos propusemos a fazer uma música para o filme. Mas será apenas para esse filme.
Há quem diga que os Beatles vão voltar, mas não há Beatles sem o John.
Mas nós três vamos nos reunir e tentar nos divertirmos um pouco durante a gravação. Se der certo, ótimo. Se não der, paciência.

Parte 2

Marília: Você tem planos de gravar com eles outra vez, não tem?

Paul: Com George e Ringo, sim. O que faremos é… estão produzindo um documentário sobre os Beatles e nos propusemos a fazer uma música para o filme. Mas será apenas para esse filme.
Há quem diga que os Beatles vão voltar, mas não há Beatles sem o John.
Mas nós três vamos nos reunir e tentar nos divertirmos um pouco durante a gravação. Se der certo, ótimo. Se não der, paciência.
Marília: Na época das turnês mundiais, o que estava acontecendo: vocês estavam estressados fisicamente, artisticamente estressados ou a relação entre vocês estava estressada?

Paul: Não houve problema quando os Beatles pararam com as turnês. O estresse aconteceu quando eles se separaram. Quando os Beatles não existiam mais, foi um grande problema para mim. Foi muito triste, por que era o meu grupo preferido.
Foi muito triste nos separarmos, mas achávamos que tínhamos mais coisas para construir nas nossas vidas.
Tínhamos sido estudantes, depois os Beatles estouraram e então decidimos nos casar ou ter um relacionamento duradouro com alguém.
Não podíamos continuar sendo quatro amigos inseparáveis para sempre. É muito difícil; é como no exército: fazemos grandes amigos, grandes companheiros no exército mas depois cada um vai para casa e se separam. Também passamos por isso. Foi daí que surgiram as tristezas e o estresse e não quando paramos com as turnês.
………
Sim, eu diria que é bastante cansativa, mas o curioso nesta turnê é que estou cada vez menos cansado.
No começo de uma turnê as pessoas ficam muito nervosas… e isso é muito cansativo. Há a estréia, a crítica… a banda está começando a se entrosar, é um período difícil. Na verdade, não estou nem um pouco cansado. Isto é, eu me permito ficar cansado depois do show.
Então bebo alguns drinques e fico muito mais cansado.
O que você bebe?
O que bebo?
_ Bem, está querendo beber?
_ Por que não?
Só bebo whisky e coca-cola.

Marília: A turnê começou há quase um ano atrás, o que mudou nela do princípio até agora?

Paul: A banda melhorou.

_ É verdade?

Sim, quanto mais tocamos juntos a banda fica melhor.
Ah… mudamos um pouco o repertório, tivemos a oportunidade de retirar uma música, incluir outra… fizemos o disco “Paul is Live” e descartamos algumas músicas nesta época. Tiramos algumas músicas do repertório, mudamos um pouco as coisas. As músicas e o modo que a banda toca são as principais diferenças para mudar um pouco o show.

Marília: Então você reconhece uma evolução musical do princípio até agora, é isso?

Paul: Exatamente minha querida. É isso. Exatamente!

Mudamos um pouco as coisas, as músicas e o modo que a banda tocava para mudar um pouco o show.

Marília: O mundo desde os anos 60 pra cá, ele mudou para o que você esperava, você que é da geração que quis mudar o mundo?

Paul: Acho que o aspecto mais positivo dos anos 60 foi que até aquela época o mundo era muito autoritário, onde havia algumas pessoas muito importantes e pessoas comuns como eu e você. Não éramos realmente importantes. Não importava o que fazíamos. Éramos apenas trabalhadores e a minoria ficava lá em cima. Eu acho que nos anos 60 isso tudo mudou. As pessoas começaram a pensar.
Pessoas como eu, os meus pais, nunca tiveram carro ou TV. Nasci num bairro muito pobre de Liverpool. Comecei a pensar por mim mesmo e percebi que talvez soubesse tanto quanto as pessoas lá de cima.
Conheci Margareth Thatcher, conheci Howard Wilson e outros políticos importantes. Não acho que são mais inteligentes do que eu. Não, eu não acho… Ficamos surpresos ao ver quanto são comuns, são sempre um pouco mais baixos do que aparentam ser.
Conheci o Príncipe Charles, pensei que fosse bem mais alto do que eu, mas sou mais alto do que ele.

Marília: Você é um militante das causas ecológicas. Quanto isso é importante pra você?

Paul: É tão importante para mim quanto para o resto do mundo. Se as pessoas tratarem de outros assuntos que não sejam os do meio ambiente, chegaremos no ponto em que não haverá lugar para discutir outros assuntos. Tudo estará destruído. Portanto, para mim, este é o assunto mais importante do momento.
Nenhum outro assunto pode existir sem um lugar para acontecer.
Se observarmos este planeta, ele é lindo.
O Brasil: florestas tropicais, praias, água, cachoeiras, a lua, o sol. É tão perfeito. É perfeito para o ser humano. Portanto, acho a maior loucura do mundo que por ganância e por dinheiro se destrua tudo isso.
Então, sou um grande defensor dessa causa.
Admiro o Brasil por que tem feito um bom trabalho ecológico nestes últimos anos. Acho que os outros países devem colaborar com o Brasil na preservação de suas florestas. Não é fácil por que há uma questão econômica mas acho que é essencial, acho que se destruirmos este planeta provaremos que somos a mais estúpida das espécies na terra.
As pessoas acham que os porcos, os carneiros, são estúpidos, ou então olham para um cão e dizem: saia daqui, estúpido. Mas se deixarem este planeta ser destruído provarão que são mais estúpidos do que qualquer animal.
Os animais não fazem isso. Quando foi que você viu um cervo poluindo alguma coisa?

A entrevista filmada da tela da TV, com créditos à TV Bandeirantes:

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4 respostas em “Marília Gabriela entrevistando Paul McCartney em 1993.

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