De como Joe Primo teve a ideia de formar o conjunto The Vampires, que depois recebeu o nome de The Jet Black’s!

Primo Moreschi foi um dos pioneiros do Rock’n roll no Brasil.

Compositor, gravou canções de sua autoria, idealizou e fundou as bandas de Rock “The Vampires”, depois “The Jet Black´s”, e em seguida “Os Megatons”, atuando intensamente no meio artístico musical como músico, cantor e compositor nos anos sessenta.

Os Megatons

Porém, sua trajetória de sucesso teve surpresas desagradáveis, como a grave doença que o acometeu no auge da fama, seguida de uma longa internação e a constatação da traição pelos companheiros de banda.

Primo Moreschi

Primo Moreschi

Foi pelas mãos habilidosas deste brilhante músico que surgiram duas das mais cultuadas e respeitadas bandas (conjunto musical) de rock instrumental nacional: “The Jet Black´s” e “Os Megatons”.
Muitos dos jovens músicos que iniciaram seu aprendizado naqueles longínquos e criativos anos 60 tiveram como espelho essas duas bandas, sendo que “Os Megatons”, apesar de nunca terem tido um sucesso avassalador como outras bandas da época, sempre foram muito cultuados por todos os músicos pela qualidade instrumental e virtuose de seus integrantes, a exemplo do que pode testemunhar um dos integrantes que pertenceu ao conjunto, o Bitão, guitarrista e vocalista dos “Pholhas”.

Para conhecer sua história, convido a todos a visitar o Blog Primo Moreschi, O Protagonista Oculto dos Anos 60, de onde extraí o texto a seguir.

Foi o compositor Américo de Campos quem primeiro lhe acenou com a possibilidade de entrar para o mundo da música, e ao contar o fato para seu amigo Luiz Merllo, este se mostrou surpreso por saber que Primo cantava e compunha e recomendou que ele fosse a um programa infantil que acontecia aos domingos na Rádio Nacional. Foi então que ele passou a ir todos os domingos e cantava uma música no programa. Joe Primo comenta: “Como havia um contrabaixo sempre ali no palco, sem ninguém que o tocasse, às vezes, eu arriscava ajudar nos acompanhamentos dos participantes (só amadores), dando uma de contrabaixista.”

Primo Moreschi conseguiu que uma gravadora o contratasse, e em menos de uma hora, ele já havia colocado voz nas duas músicas, que se chamavam “Seu Delegado” e “Água de Cheiro”, ambas de sua autoria.
E foi em comum acordo entre Américo de Campos, o Sr. Rozemblite e o técnico presente na gravação que decidiram que ele deveria ter um nome artístico, e este seria “Joe Primo”.
Joe Primo conheceu Enzo de Almeida Passos, a quem valeu muito pra ele conhecer naquela fase de início de carreira artística.

De como Joe Primo conhece Antonio Aguillar e tem a ideia de formar um conjunto musical.

(Do livro “O Protagonista Oculto dos Anos 60”)

Trabalhando nos meios de comunicação, estando em todo e qualquer lugar onde, de uma forma ou de outra, meu disco fosse tocado, voltei à Rádio Nacional de São Paulo para participar de outro programa de lançamentos musicais, intitulado “Ritmos Para a Juventude”, cujo apresentador chamava-se Antônio Aguilar. Quando entrei nos estúdios, algumas fãs que se encontravam lá dentro reconheceram-me e, como sempre acontece quando elas vêm um artista, deram gritinhos característicos, abraçando-me e pedindo autógrafos, o que me deixou com mais moral perante o apresentador Antônio Aguilar, que até então ainda nem tinha ouvido falar no meu nome. Radialista e jornalista experiente que era, não perdeu a oportunidade dos gritinhos das fãs para reportar aos ouvintes de seu programa, que estava no ar, o porquê daquela euforia, dizendo: “Acaba de entrar nos nossos estúdios, ele… vocês estão ouvindo ao fundo o alvoroço das fãs… está um pouco difícil para ele conseguir chegar até aqui… vocês vão ouvi-lo e reconhecê-lo, porque ele mesmo vai se apresentar.” Passou-me o microfone, e eu disse: “Quem vos fala é Joe Primo. É com muito prazer que estou aqui, para participar do programa do nosso amigo Antônio Aguilar, que gentilmente convidou-me para estar com vocês”. O apresentador, mesmo sabendo que não havia me convidado, prosseguiu: “Gosto de fazer dessas surpresas para os nossos ouvintes, e é por essa razão que nossa audiência aumenta a cada dia”, ao que eu retruquei: “Aguilar, meu amigo, você tem que ampliar seu estúdio ou fazer seu programa diretamente do auditório da Rádio Nacional para dar chances a mais fãs poderem conviver com seus artistas”. Ele prosseguiu o diálogo, dizendo: “Joe Primo, meu amigo, deixe estar que vou pensar seriamente nesse assunto.” Após terminar o programa ele me disse: “Obrigado pelo improviso, bem como a sugestão que você deu com o programa no ar. Mas, quanto a ampliar o estúdio, impossível. Fazer o programa diretamente do auditório depende de muitos fatores. O primeiro é a verba de patrocínio, sem a qual nada se faz. O segundo: se o programa for no palco, as fãs vão querer ouvir seus cantores cantarem ao vivo, o que acarretaria a necessidade de um conjunto musical especializado em ritmos próprios da juventude para acompanhar os artistas. Sem contar que os artistas que cantam rock no momento são muito poucos. Mesmo assim, é quase certo que iriam querer ganhar algum cachê para participar. Enfim, não é fácil. Além do mais, eu ainda teria de ter poder de convencimento junto ao Abreu (diretor-geral da Rádio Nacional), para conseguir a liberação do auditório e levar avante essa empreitada. Sozinho é quase impossível.” Depois de ouvi-lo atentamente, disse-lhe: “Aguilar, se os problemas forem esses, eu tenho a solução para quase todos. Você não ouviu falar do meu conjunto de rock (disse-lhe o nome de um conjunto americano, famoso na época)? Pois esse grupo é meu. Você já ouviu falar de Bobby De Carlo? Pois ele, além de cantar solo, faz parte do meu conjunto.”
Aguilar, surpreso: “Sim, mas, para fazer um programa diretamente do auditório, haja atrações capazes de preencher o tempo mínimo, que, acredito, deva ser de uma hora.” Respondi: “Deixa comigo. Eu e meu conjunto faremos pela manhã uns testes com alguns cantores ou cantoras amadores, aos quais você fará uma chamada pelo seu programa. Os que forem aprovados serão escalados para participar, intercalando-se comigo, cantando, juntamente com o Bobby De Carlo, e meu conjunto tocando. Você verá que vai haver cantores profissionais que, ao perceberem o sucesso do programa no auditório, farão questão de participar sem sequer pensar em cachê.”

Animado com tudo, Aguilar disse: “Joe Primo… eu vou dar o primeiro passo ainda hoje. Sabe qual? Falar do que conversamos com o Abreu. Dependendo do que ele disser, amanhã mesmo farei as chamadas para quem quiser fazer testes procurar você sábado pela manhã, e seja o que Deus quiser. Mas (olho no olho), Joe Primo, pelo amor de Deus, não me vá mancar, porque isso tudo é muito sério. Após o cartão verde do Abreu, não existe volta”. Respondi: “Pode confiar em mim. Palavra e responsabilidade eu tenho até demais.”

Aguillar  no Auditório da Radio Nacional

Antonio Aguillar no auditório da Rádio Nacional.

Quando nos despedimos e comecei a entrar no corredor lateral da Rádio Nacional que dava até a saída para Rua Sebastião Pereira, as fãs novamente me assediaram. Depois de dar alguns autógrafos, bati um papinho amigo com o Barnabé, que me perguntou, entre outras coisas, o que eu achava dele arriscar fazer um LP, com histórias e piadas caipiras. Como na época o José Vasconcelos, humorista, estava com o maior sucesso de vendas de um LP de histórias e piadas diversas, dei-lhe meu parecer favorável. Barnabé, com seu jeito bem humilde de tratar a todos, aliado ao seu linguajar caipira por natureza, que lhe dava mais autenticidade, não tinha por que não dar certo com um disco de piadas.
Em seguida, tomei um suco na lanchonete.

Foi exatamente nesse instante que comecei a perceber a responsabilidade que havia assumido com Antônio Aguilar. Sem pestanejar, dirigi-me para o bairro do Canindé, indo direto para a casa do Bobby De Carlo, que era amigo meu havia algum tempo. Lá chegando, contei-lhe a história, o diálogo, o combinado; ele tudo ouvia sem discordar de nada. Quebrando o silêncio, Bobby virou-se pra mim, categórico: “Primão” – olhando-me espantado – “você tá louco? Cara, como é que nós vamos tocar como conjunto se não só não temos músicos suficientes, como também não temos instrumentos e tempo hábil para consegui-los?” Eu disse: “Bobby, é o seguinte. Nós só temos que arrumar um contrabaixo e um baterista. Baterista, normalmente, costuma já ter sua bateria. Eu compro uma guitarra a prestação nas Casas Manon, da Rua 24 de Maio, e você reveza comigo na guitarra, ora solando, ora acompanhando! Uma hora eu canto e você me acompanha. Outra hora você canta e eu o acompanho. Nesse instante, Bobby me interrompeu, dizendo que se lembrou de ter conhecido um carinha que morava lá pelos lados de Santana e tocava mais ou menos violão. “Quem sabe, a gente dando algumas dicas de como era a batida da guitarra para acompanhar rock, ele aprendesse, uma vez que sabia tocar samba?” Já era meio caminho andado, portanto valeria a pena arriscar. Fomos. Bobby apresentou-me a ele, José Paulo. Imediatamente, perguntei se toparia participar de um conjunto de rock para tocar todos os sábados na Rádio Nacional. Ao ouvir o convite, principalmente pelo nome da Rádio Nacional, a resposta foi a seguinte: “Rapaz… é claro que eu topo, vou realizar um sonho”. Ficou muito alegre e disse que tinha um conhecido no colégio que tocava bem bateria, só não sabia se também tocava rock, pois só o tinha visto tocar samba. Apos contatar o baterista, Jurandy, que também concordou em participar do conjunto imediatamente, marcamos um encontro para decidir como seria nossa atuação de estreia, tendo em vista não termos praticamente tempo hábil para ensaios. Nessa reunião, combinamos, dentre outras coisas, por exemplo, quem tocaria o quê. Na guitarra solo, seria Bobby De Carlo; no contrabaixo, Carlão. Na bateria, Jurandy e, na guitarra base, Joe Primo e Zé Paulo.

Pronto e definido, só faltavam duas coisas: como fazer pra eu não passar por mentiroso, tendo em vista ter dito para o Antônio Aguilar que eu tinha um conjunto de rock com o nome de um conjunto americano, muito famoso na época, que nunca poderíamos usar, conhecidíssimo que era dos aficionados em rock no mundo todo. Chamei Bobby de lado e lhe disse: “Ajude-me a encontrar um nome em inglês que, ao ser pronunciado, confunda-se o máximo possível com o do conjunto americano.” Depois de muito pensar, chegamos à conclusão de que a único nome plausível, que, ao ser pronunciado rapidamente, pudesse se confundir com o que eu havia dito para Aguilar seria The Vampire´s. Resolvido o nome do conjunto de rock recém-formado. Solucionado o problema, dirigi-me ao apresentador e o autorizei a anunciar quando quisesse o primeiro programa “Ritmos para a Juventude”, diretamente do palco do auditório da Rádio Nacional de São Paulo. Nessa semana, que antecedeu a estreia do programa, Aguilar, ao fazer as chamadas, dava tanto ênfase à atração, que o conjunto The Vampire´s antes de se apresentar em público já estava praticamente famoso. No sábado, quando seria a estréia do programa, diretamente do palco e auditório da Rádio Nacional de São Paulo, que se situava na Rua Sebastião Pereira, no bairro Santa Cecília, às sete horas da manhã, eu, Bobby De Carlo, Zé Paulo, Jurandy e Carlão, componentes do conjunto de rock The Vampire’s, lá estávamos, arregaçando as mangas e agitando os preparativos junto com Antônio Aguilar, tentando organizar da melhor maneira possível tudo o que deveria acontecer no transcorrer das apresentações em cima do palco. Toda a direção artística musical, bem como algumas encenações em cima do palco para não deixar buracos entre uma apresentação e outra, estava ao meu cargo. Aguilar, a todo instante, vinha a um dos estúdios que improvisei para fazer testes e me perguntava: “E aí, Joe Primo? Você tá confiante? Você acha que nós vamos conseguir preencher o horário cedido pela direção? Será que vai ter um bom público no auditório?” Respondia: “Tenha calma, Aguilar. Ainda falta mais de uma hora para o início do programa. Assim que eu terminar os testes com esse pessoal todo, vou ver quem tem condição de cantar hoje e intercalar uns três ou quatro deles com o Bobby De Carlo cantando “Oh, Eliana”. Em seguida, você usa seu poder de persuasão e convencimento, aproveitando a deixa dos aplausos destinados ao Bobby De Carlo, para valorizar o novato que irá se apresentar em seguida. Mais uns três novos e você anuncia Joe Primo, e eu canto. Novamente, alguns novos cantam e você chama o Carlão. Em seguida, encerramos com The Vampire´s tocando e deixando os participantes dançarem em cima do palco, enquanto você vai agradecendo a juventude presente, prometendo uma nova atração no outro sábado. Aí, tchau e benção.” Combinado, respondeu Aguilar.”

……………..

Dentre os amadores que aprovei, havia um que até no teste contagiava a gente. Só cantava o repertório de Little Richard, com movimentos de pernas e corpo dignos de elogio, indo ao encontro, portanto, do gosto do público frequentador de shows de rock. O nome artístico escolhido por ele era Jet Black. Ficamos eufóricos com a desenvoltura do crioulinho nos testes.

O cantor Jet Black, que se tornou Little Black

O cantor Jet Black, que se tornou Little Black

Aprovei-o e chamei o próximo…

……………….
Aquela plateia gritava e pulava tanto que não conseguíamos sequer ouvir o que Aguilar falava. Somente ouvi-lo dizer “juventude feliz e sadia”. Só conseguimos nos entender porque começamos a nos comunicar por meio de sinais. E tome pauleira. Mais ou menos na metade do horário para o término do programa, não sei até hoje de onde veio tanta gente, superlotando o auditório, subindo no palco, dançando perto do Aguilar, enquanto cantávamos. Foi quando chegou a vez de se apresentar o rapaz autocognominado Jet Black. Ele cantava, dançava, pulava e instigava o público, gritava e corria no palco – tudo isso dentro da música – enfim, deixava o público louco com suas peripécias. Sucesso total. O Bobby De Carlo, além de estar tocando em nosso conjunto, teve de cantar mais de uma vez, porque o público pedia bis incessantemente, o mesmo acontecendo comigo, sem contar que nós tínhamos que ficar o tempo todo com os instrumentos na mão e sempre fazendo algum solo de improviso para não cair o ritmo de euforia. Quando terminou o programa tivemos que ficar mais de duas horas dentro dos estúdios da rádio até que o público dispersasse um pouco. É que também a rua em frente da Rádio Nacional estava totalmente tomada pelo público, que não conseguiu entrar no auditório, mesmo após muito tempo, ao sairmos, cansamos de tanto dar autógrafos. Quando estávamos sós, o Zé Paulo, com sua humildade, não cabia em si de contente. Disse: “Rapaz, eu nunca tinha dado autógrafo! E se ria. “Foi demais, que bacana”. Perguntou ao Jurandy: “E você? O que achou?”, ao que ele respondeu; “É, pra mim, tudo bem”, como se já estivesse acostumado. Nisso, o Carlão, todo estabanado, concluiu: “Tudo bem? Tudo ótimo, meu camarada. Nunca dei tanto autógrafo em toda minha vida!”
Na segunda-feira, após a estreia no palco e auditório da Rádio Nacional, antes que o Aguilar começasse seu programa de rádio costumeiro, eu e o Bobby De Carlo conversamos com ele para saber da repercussão do programa de sábado. O apresentador nos contou que todos da Rádio Nacional, sem exceção, adoraram, e seu diretor, senhor Abreu, havia-lhe concedido todo o horário da tarde de sábado para usar como quisesse. Eu e o Bobby ficamos contentes com a novidade. Só que pra preencher uma tarde de shows somente com “The Vampire´s” seria um pouco puxado, haveria a necessidade de arranjarmos outro conjunto de rock, o que não era fácil. Combinamos que o Aguilar faria uma chamada em seu programa; se houvesse algum conjunto de rock que quisesse participar de nosso programa no sábado à tarde, que procurasse o Joe Primo para fazer os testes preliminares. Durante a semana, no horário das 14 às 16 horas, eu passei a fazer ponto na Rádio Nacional à espera de um conjunto de rock que pudesse dividir com The Vampire’s os acompanhamentos de quem participasse cantando no programa. Apareceu um indivíduo magrelo, com um chapeuzinho daqueles que somente os jóqueis costumavam usar. Muito educadamente, chegou-se a mim dizendo que tinha um conjunto de rock e gostaria de participar, fazendo um número no programa. Indaguei qual era a formação do conjunto, quantos elementos o compunham e como eu poderia vê-los tocarem. Eufórico, disse-me que, se eu quisesse, sábado de manhã traria os músicos, bem como seus instrumentos, para fazer um teste. Concordei e não me arrependi. Eles tocavam direitinho, e eu lhes propus que, a partir daquele instante, iriam dividir a responsabilidade dos acompanhamentos com The Vampire´s. O nome do rapazinho magrelo era Aladim. O conjunto? The Jordans. Outro fato pitoresco que merece ser contado é que havia um colega nosso, que nos acompanhava ajudando a carregar instrumentos, que, sempre que podia, sentava-se na bateria do Jurandy. Mal sabia pegar nas baquetas, mas eu tinha quase certeza de que, no fundo, no fundo, torcia para o Jurandy faltar um dia, para ele poder se sentar em seu lugar. Nunca houve essa oportunidade. Mas, passado algum tempo, ele conseguiu uma oportunidade que agarrou com unhas e dentes. Nós do The Vampire´s ficamos até surpresos. Foguinho – apelido que nós lhe demos – passou a tocar bateria no conjunto The Jordans e nunca mais saiu. Toda vez que nos cruzávamos, fazíamos a maior gozação com ele, perguntando se ele já sabia rufar na caixa da bateria, bater com a baqueta no ximbau e outras brincadeiras próprias de quem estima alguém. A verdade é que Foguinho passou a ser respeitado pelas suas qualidades de ótimo baterista e companheiro.
Após alguns sábados de sucesso total do programa “Ritmos para a Juventude”, diretamente do auditório e palco da Rádio Nacional de São Paulo, durante os ensaios, antes de entrarmos no palco, havia um rapaz, que, sentado ao piano, de vez em quando, dava uns toques discretos para não atrapalhar nosso ensaio. Veio-me à cabeça: “Como o Bobby De Carlo volta e meia falta aos sábados, seria uma boa eu tentar falar com esse cara. Se ele topar tocar piano em nosso conjunto, vou matar dois coelhos com uma cajadada. Na maioria dos arranjos de rock, o piano é usado. E ele vai cobrir a falta do De Carlo.” Perguntei se ele tocava piano há muito tempo. Respondeu-me que somente arranhava um pouco. Convidei-o para tocar conosco, ele aceitou e me disse que tinha uma guitarra. Perguntei-lhe se também sabia tocá-la. Respondeu-me que sabia arranhar um pouco. Disse-lhe que, após o programa, entraríamos em mais detalhes. Por enquanto, se ele quisesse atacar de piano compondo o conjunto The Vampire’s, tinha meu consentimento. Perguntei-lhe o nome e o informei a Aguilar, para que anunciasse sua entrada como participante do conjunto. O apresentador se enrolou todo ao anunciar. Não sabia se era José Provetti ou se era Gato. Mas, usando seu jogo de cintura de disc-jóquei, consertou: “É lógico que eu estou falando do nome artístico de José Provetti, ou seja, Gato, esse novo integrante que entra para valorizar ainda mais The Vampire´s, conjunto famoso que essa juventude feliz e sadia já elegeu como o melhor grupo de rock!” Casualmente, sem saber que estava praticamente profetizando, Aguilar anunciou o cantor que já havia virado o eleito dos novatos que se apresentavam aos sábados, Jet Black, que iria cantar acompanhado por The Vampire´s, com Joe Primo na guitarra, José Paulo na guitarra base, Jurandy na bateria, Carlão no baixo e, agora, Gato no piano. Terminado o programa, novamente um sucesso crescente, nós nos dirigimos à oficina de tapeçaria de carro, situada na Rua Hanneman, ao lado da Igreja Santo Antonio do Pari, de um amigo nosso, Johnny, e seu irmão Benê, que gentilmente nos cediam o local para os ensaios. Nesse ensaio, fizemos em comum acordo uma nova ordem de entrada com referência aos instrumentos que seriam tocados, ou seja, tendo em vista a desenvoltura apresentada por Gato nas preliminares de suas exposições, dado o modo como pegava na palheta para fazer algum improviso em uma guitarra amarela dourada, extraindo um som próximo ao de uma guitarra com alavanca, que a dele não tinha, resolvi indicá-lo como guitarra solo. Todos concordaram. Fiquei com a guitarra base, o José Paulo, com o baixo, e o Jurandy continuou sendo baterista. Tudo foi feito de modo democrático, com a concordância dos integrantes. As modificações eram necessárias por conta da falta de assiduidade de Bobby de Carlo nos ensaios e apresentações do programa, devida ao diversos shows que ele tinha de cumprir, graças ao sucesso de sua gravação “Oh, Eliana”, na Odeon. Bobby me havia dito que não poderia arcar com os compromissos do conjunto, pelo menos temporariamente, dizendo-me que segurasse as pontas, provisoriamente. Em vista disso, fizemos as alterações. Mas faltava o contrabaixo. Usamos a criatividade e improvisamos: colocamos cordas de contrabaixo na guitarra do José Paulo, e pronto. Agora, dá-lhe ensaiar músicas instrumentais para deixar o prestígio adquirido com o programa crescer ainda mais. Dito e feito. Logo na primeira apresentação que fizemos tendo o Gato como solista, foi um sucesso. Dentre todos os cantores que devíamos acompanhar se encontrava, como sempre, o novato Jet Black. Durante os ensaios, dada a intimidade que tínhamos, eu brinquei com ele, dizendo: “Jet Black, você, por ser pequeno, deveria se chamar “Little Black” e deixar que nós nos chamássemos Jet Black´s”, ao que ele imediatamente respondeu: “Positivo, eu gostei, eu topo.” Eu não havia falado sério, fiquei surpreso e, como não simpatizava muito com o nome The Vampire’s, consultei Gato, Zé Paulo e Jurandy sobre o assunto. The Vampire’s passou a ser nome do passado e passamos a usar The Jet Black´s…

Toda a história e trajetória deste músico de destaque, pode ser lida aqui, no Blog de Primo Moreschi, o legítimo fundador do conjunto The Jet Black’s!

The Jet Blacks no Jardim de Inverno da antiga Boite Lancaster em São Paulo

The Jet Blacks no Jardim de Inverno da antiga Boite Lancaster em São Paulo

Comentário recebido em 18-05-2014:

Santo Humberto Lunetta Filho comentou sua atividade em WordPress.
Santo escreveu: “Eu estive presente em diversas gravações dos Jet Black´s e posso afirmar que “outros ” participaram e não tiveram seus nomes reconhecidos na história do conjunto de rock The Jet Black’s ….. Posso AFIRMAR PEREMPTORIAMENTE que FATOS foram omitidos dolosamente por razões a serem investigadas …

Em 19-05-2014, Primo Moreschi escreveu:

Primo Moreschi comentou um link que você compartilhou.
Primo escreveu: “… amiga Lucinha Zanetti, estou aqui livre leve e solto para dirimir qualquer dúvida pendente, se após ler as postagens de meu livro ainda houver duvidas, Agora sem querer polemizar mas já polemizando; não vou deixar o Antonio Aguillar se vangloriar de ter sido ele que falou com o cantor Jet Black, para ceder seu nome para o The Vampires, e ainda por imposição do Gato. Não vou deixar mais ninguém fazer reverencia com meu chapéu. E digo mais…Um dia antes dessa minha atitude de pedir ao Jet Black Para mudarmos os nomes, Exatamente na praça Padre Bento, no largo Santo Antonio do Pary, Eu, juntamente com Serginho de Freitas, e Bobb Di Carlo, Ouvindo o Programa Voz da América do Carlos Alberto Lopes (Sossego), em um radiozinho de pilha chamado Spik,( muito em moda naquela época), comentei com o Bobb e o Serginho, sobre o sucesso que o rapazinho (veja Bem) rapazinho na faixa de seus 17 ou 18 anos, cognominado Jet Black, fazia quando se apresentava no Programa “Ritmos Para a Juventude”; aventando minha vontade de sugerir a ele, a troca de nossos nomes. Tanto o Serginho quanto O Bobb Di Carlo, acharam genial minha ideia, mas… aventaram a hipótese de eu receber um sonoro “NÂO” da parte dele.Foi assim que no dia seguinte, criei coragem, e, durante nossos ensaios na Radio Nacional; me atrevi a sugerir a ele (O Jet Black) a troca de nomes. E só depois dele me ter dado como resposta o sim, que democraticamente comuniquei ao Gato, Zé Paulo e o Jurandy, se eles estavam de acordo com a troca de nosso nome The Vampires, para The Jet Black´s. Nunca ninguém pediu ao Antonio Aguillar para em nosso nome pedir a troca de nome com o cantor Jet Black. e muito menos foi sobe imposição condicional do Gato entrar ou não para o conjunto (banda hoje) uma vez que ele já havia entrado a uma ou duas semanas antes. E digo mais…Essa foto que o Antonio Aguillar postou como sendo o Jet Black, não tem nada a haver.O Jet Black em questão não tinha mais que 18 anos, e muito bem afeiçoado por sinal.Acredito que o Foguinho poderá comprovar se estou mentindo. Alias o Foguinho por sinal tinha o codinome de Litle Fire… Hooo saudade. Trocando em miúdos…é isso ai por enquanto amiga Lucinha Zanetti; quanto ao resto?…ora o resto é resto rsrsrs fuuiii Manda um abração ao Sérgio Vigilato meu amigo de alguns infortúnios arquitetados por nossos inimigos gratuitos.”
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6 respostas em “De como Joe Primo teve a ideia de formar o conjunto The Vampires, que depois recebeu o nome de The Jet Black’s!

  1. Concordo até certo ponto com a narração do Joe Primo, mas discordo de alguns pontos de vista dele, pois a formação do The Jet Blacks não foi bem assim. O José Provetti GATO veio falar comigo sobre a mudança de nome e eu é quem falei com o jet black, mas cada um conta a sua história de acordo com o que vem a cabeça.

    • Acho que o mais importante agora nesta historia, é sabermos que quem realmente criou o conjunto The Jet Black´s foi o Joe Primo, e não o baterista Jurandi, como muitos pensavam…

      Antonio Aguillar, você foi testemunha da criação deste que foi um dos maiores conjuntos instrumentais da época do Rock e da Jovem Guarda, adorei saber disso! 😉

  2. Pingback: A Polêmica sobre a origem do nome do conjunto “The Jet Black`s”. | WE LOVE THE BEATLES FOREVER

  3. Obrigado por me enviar esse relato contendo alguns fatos que eu não conhecia.Isto fez enriquecer ainda mais os meus conhecimentos sobre os anos 50 e 60 que foram realmente os anos dourados.

  4. Excelente história do início do Rock`n Roll aqui nesta terra para mim muitas coisas que ninguém sabia inclusive do Bobby di Carlo do: Meu tijolinho, valeu, legal!

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