“Band on The Run”, Paul McCartney & Wings.

Lançado em 1973, o álbum Band on the Run tem as seguintes faixas:

01 – Band on the Run (5:13)
02 – Jet (4:09)
03 – Bluebird (3:25)
04 – Mrs. Vandebilt (4:41)
05 – Let Me Roll It (4:51)
06 – Mamunia (4:51)
07 – No Words (2:34)
08 – Helen Wheels * (3:47)
09 – Picasso’s Last Words (Drink to Me) (5:51)

Band on the run

Um pouco da história deste álbum.

Texto de Dado Macedo na comunidade Paul McCartney (Orkut)

Se Paul soubesse onde estava se metendo talvez BAND ON THE RUN nunca tivesse sido gravado.
Denny Seiwell e Henry McCullough desertaram do WINGS poucos dias antes da viagem à Nigéria.
Paul estava em dúvida onde gravar e pediu uma lista dos estúdios da EMI no mundo! Até o Rio de Janeiro foi cogitado! Paul acabou se decidindo por Lagos na Nigéria, onde ele achou que teria muito sol! Só que era o final da estação das monções e o sol só brilhava ocasionalmente.
Além do calor, da umidade e dos insetos, Paul, Linda e Denny se depararam com um estúdio em construção em que eles tiveram que ajudar na sua montagem…
Entre outros “incidentes” Paul teve um desmaio e foi levado ao médico que recomendou que ele parasse de fumar.
Noutra ocasião Paul e Linda passeando perto do estúdio foram abordados por uma gangue que roubaram seus relógios, dinheiro e fitas do que já tinha sido gravado.
Em Lagos, Paul assistiu a um show do músico nigeriano Ransome-Kuti e seu conjunto e se emocionou achando que tinha sido a melhor banda que já tinha visto ao vivo.
Só que Ransome-Kuti – apesar de não ter ouvido uma nota sequer do que Paul estava gravando – depois foi ao estúdio acusar Paul de explorar os músicos nigerianos e roubar a cultura musical nigeriana!!!
Paul teve que lhe mostrar as músicas e se ele achasse que estavam “roubando” sua música Paul não lançaria nenhuma delas!!!

Paul lembra do outono de 73 como um dos períodos mais difíceis de sua vida.

Entretanto as saídas de McCullough e Seiwell não se mostraram determinantes. Paul assumiu além do baixo e piano, bateria, sintetizadores, e ajudou Denny nos solos de guitarra.

Após 3 semanas na África o trio retornou para Londres, onde encontraram uma carta atrasada que dizia…”Não embarquem para Lagos de forma alguma. Cancelem – está havendo uma epidemia de cólera lá!”
Às vezes a sorte ajuda…. rsrs

Já na Inglaterra o grupo foi direto ao estúdio terminar as gravações.
Apesar dos vocais terem sido gravados na África, nota-se muito pouca influência africana nas gravações. De fato, talvez seja o álbum mais britânico dos WINGS.

Geoff Emerick mixou o álbum e Howie Casey acrescentou solos de sax em “Bluebird” e “Mrs. Vandebilt”. Tony Visconti fez o arranjo para a maioria das canções, sendo considerado um dos melhores que já foram feitos para um álbum de rock.

Durante a mixagem Paul sentiu que “Band on the Run” era algo especial. Após 3 dias de maratona mixando no estúdio Kingsway, o álbum estava pronto.

A capa foi idéia de Paul. Os 3 WINGS fugindo da cadeia com um grupo de “prisioneiros” que incluíam os atores James Coburn e Christopher Lee, o apresentador de TV Michael Parkinson, o cantor Kenny Lynch, o membro do Parlamento Clement Freud e o boxeador John Conteh.
Todos foram convidados só para uma brincadeira, nada parecido com a capa do “Peppers” – como alguns acham – que levou semanas para ser bolada.

Números do ‘Band on the Run’

Lançado nos EUA em 5/12/73 e 7/12/73 na Inglaterra. Ele chegou ao nº1 em ambos os países. Na Inglaterra ele liderou as paradas por 7 semanas.

“Helen Wheels” foi lançada somente na edição americana. Quem na época comprou a edição nacional tb ficou sem “Helen Wheels” já que nosso catálogo era baseado no inglês.

“Band on the Run” foi o 1º álbum do WINGS a liderar as paradas de ambos os lados do Atlântico e o primeiro tb a ganhar “Disco de Platina”.

Singles do “Band…” incluem “Helen Wheels/Country Dreamer”
“Jet”/”Mamunia” depois “Jet/”Let Me Roll It”.
“Band on the Run”/”1985” nos EUA e “Band on the Run”/”Zoo Gang” na Inglaterra.

Em 22 de março de 1999 o álbum foi relançado – duplo, sendo um cd só de entrevistas e contando a feitura do álbum e da capa – no mundo todo com bônus tracks, um booklet e um mini-poster, para celebrar seus 25 anos!!!

Um pouco sobre as músicas que compõem o álbum.

Band on the Run
A música “Band on the Run” foi inspirada num comentário esquisito que Harrison fez numa reunião de negócios da Apple. De acordo com Paul, “Ele disse que ‘todos nós éramos prisioneiros de alguma maneira’, um tipo de observação como, ‘If we ever get out of here’. Eu achei isso um jeito legal de começar um álbum.”

A canção tem 3 passagens diferentes, musicais e líricas. Após abrir com o tema “stuck inside these four walls”, ela pula para pensamentos de fuga com a frase, “If I ever get out of here”. Depois vem o segmento de orquestra simbolizando a escapada e levando a parte principal da canção, a banda em fuga.

A faixa tem Paul nos vocais, guitarras, teclados, baixo, sintetizador e bateria, Linda no backing e teclados, Denny Laine na guitarra e backing. Orquestra foi dirigida por Tony Visconti.

Jet
A próxima “Jet”, é um poderoso rock. Paul deu o mesmo nome à canção de seu filhote de Labrador. Mas como era o caso de “Martha My Dear”, que foi intitulada com o nome da Sheepdog de Paul, a canção não é sobre um cão, mas sim sobre uma mulher.

Jet foi gravada no A.I.R. estúdio e tem Paul nos vocais, guitarras, teclados, sintetizador, baixo e bateria, Linda, backing e teclados, Denny na guitarra e backing mais orquestra de cordas de Tony Visconti e ainda 4 saxofones.

Bluebird
“Bluebird” é uma bela balada com destaque para o violão, escrita na Jamaica durante umas férias. A frase “At last we will be free” continua o tema do álbum de fuga e liberdade.

Tem Paul nos vocais, guitarras e baixo, Linda no backing e Denny no violão e backing. O bonito solo de sax foi adicionado por Howie Casey, um velho amigo de Paul dos dias de Hamburgo, no A.I.R. estúdio. Um dos percussionistas foi Lenny Kabaka, natural de Lagos, mas que adicionou sua parte em Londres. Ele foi o único africano a tocar no álbum.
Claro que não faltaram comparações com ‘Blackbird’, mas Paul como já tinha deixado claro, não queria comparações com seu trabalho com os Beatles.

Mrs. Vandebilt
“Mrs. Vandebilt” é outra canção up-tempo, muito interessante. A frase inicial, “Down in a jungle, living in a tent” não foi inspirada nas sessões de gravações da África, e sim, era uma ‘pegadinha’ do comediante inglês, Charlie Chester.
A linha, “What’s the use of worrying?” tb combina bem com o tema de fuga do disco. Durante a gravação em Lagos, houve uma queda de luz no estúdio durante uma forte tempestade – e Paul esperava sol, hehehe, – forçando a banda a confiar na gerador de força, o qual felizmente aguentou até o final da gravação.

Paul está nos vocais, guitarras e baixo, Linda, teclado e backing, Denny no violão e backing, e Howie Casey no sax. O baixo de Paul se sobressai, atuando como instrumento solo, e ele também acrescenta um lindo solo de guitarra. O refrão “Ho Hey Ho” é um eficiente gancho, aumentado pelo som de risadas adicionadas em Lagos e Londres.

Let Me Roll It
O lado 1 termina com “Let Me Roll It”, uma canção de amor ‘bluesy’, que é parecido com o estilo de tocar guitarra e de cantar de John Lennon.
A faixa básica começa com Paul na bateria, Linda no orgão e Denny na guitarra. Paul então adicionou sua guitarra solo.
Para dar ao som da guitarra um som diferente e mais pesado, Paul a plugou num poderoso amplificador vocal ao invés de um amplificador para guitarra.
O ‘riff’ lembra John em “Cold Turkey”, e o vocal de Paul com eco, particularmente no fim da canção se aproxima muito do de John, que adorava usar eco, mas Paul nunca achou que fosse parecido. Linda e Denny cantaram backing.

Mamunia
O lado 2 abre com “Mamunia”, pra mim uma das melhores do álbum. Ela expande o tema e os sentimentos de “Rain” dos Beatles. Mas enquanto “Rain” é uma das mais pesadas canções Beatle, “Mamunia” é uma música leve e pop.
O nome veio de um hotel em Marrakesh. Segundo Paul, ela foi a primeira música a ser gravada em Lagos, no meio de uma tempestade tropical.
Ela tem Paul nos vocais, guitarras, baixo e sintetizador, Linda no backing e Denny na guitarra e backing. Inclui uma percussão tocada por um dos roadies.
Em árabe, ‘mamunia’ significa ‘Safe Haven’ (Porto Seguro).

Neste post, publiquei sobre “Mamunia” e sua relação com o Hotel “La Mamounia” em Marrakech!

No Words
Esta canção foi escrita mais de uma ano antes por D. Laine/McCartney. A canção de amor mid-tempo, foi começada por Laine e terminada por Paul. É sem dúvida a mais ‘pop’ do disco.
Ela tem Paul nos vocais, guitarras, piano, baixo e sintetizador, Linda no backing e Denny na guitarra e backing. Overdubs em Londres incluíram um quarteto de cordas com arranjo de Tony Visconti e mais backing vocais de 2 roadies, Ian Horne e Trevor Jones.

Helen Wheels
Esta música foi lançada como single 3 semanas antes do álbum. Paul não pretendia a incluir no disco, e na Inglaterra ela não o foi (nem no Brasil, onde nossa discografia era baseada na inglesa – ainda bem!!).
Para o mercado Americano, Paul acabou seguindo o conselho da Capitol americana de que sucessos em single geram secessos de álbuns(esta fórmula ajudou a vender milhões de discos dos Beatles na América).
“Helen Wheels” apresenta Paul nos vocais, guitarra solo, baixo e bateria, Linda nos teclados e backing e Denny na guitarra e backing.

Picasso’s Last Words ( Drink to Me)
Esta música foi o resultado de mostrar como se escreve canções à Dustin Hoffman.
Qdo em férias na Jamaica na primavera de 1973, Paul encontrou Hoffman que estava lá filmando “Papillon”. Paul e Linda foram jantar na casa de Hoffman e sua esposa e o ator recentemente tinha lido um artigo da “Time” sobre a morte de Pablo Picasso.
Dustin queria muito saber como era a técnica de composição de Paul e enquanto ele descrevia à Paul a última noite do pintor e suas últimas palavras, “Drink to me, drink to my health…you know I can’t drink anymore.” Dustin observou assustado, que Paul estava cantarolando já a frase, acompanhado de seu violão. Hoffman gritou para sua esposa: “Ele está compondo… Venha cá… Ele está compondo.”

Ela foi gravada no estúdio de Ginger Baker, ex-Cream, em Lagos. Ela apresenta Paul nos vocais, guitarras elétricas e violão, piano, baixo e bateria, Linda no backing, Denny no violão e backing, com orquestra de Tony Visconti. Baker contribuiu com percussão sacudindo um balde cheio de cascalho.
Paul queria para a canção um som fragmentado simbolizando o estilo cubista de Picasso. Parece que conseguiu!!!

Nighteen Hundred and Eighty-Five
A faixa final, é um rock de piano – e que piano!!!
Apesar de Paul já ter a melodia pronta fazia algum tempo, ele terminou a letra no dia da gravação. Para mim esta também foi um dos grandes momentos do álbum.
A faixa tem Paul nos vocais, piano, guitarra solo, baixo, sintetizador e bateria, Linda no backing e Denny na guitarra e backing. A canção tb tem orquestrações de Visconti e percussão.
No final da música, Tony Visconti trabalhou num poderoso arranjo de orquestra que leva à uma reprise de “Band on the Run’.

É um final apropriado para um grande álbum!!!

Anúncios

Uma resposta em ““Band on The Run”, Paul McCartney & Wings.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s