George Martin & Dick James na História dos Beatles, por Hunter Davis

Entre George Martin e os Beatles sempre pareceu haver um imenso abismo que os separa, em classe, em gosto ou em antecedentes. Ele é alto e simpático, no estilo de ídolo de matinês, com um ar estudado de professor e uma impecável pronúncia, estilo BBC. Sua origem, contudo, foi tão humilde quanto a dos Beatles.
Nasceu em 1926, em Holloway, North London, filho de um carpinteiro. Primeiro frequentou o Jesuit College em Stamford Hill, e quando sua família se mudou para Kent, foi matriculado no Bromley County School. Não havia nenhuma tradição musical em sua família. Quando menino, também não teve a mínima instrução musical. No entanto, quando entrou na adolescência, George aprendeu a tocar piano, de ouvido, e, aos dezesseis anos, dirigia seu próprio conjunto de danças na escola.
Durante a guerra, serviu no Fleet Air Arm, chegando ao posto de tenente. Em 1947, foi desmobilizado e se encontrou numa situação de não ter o que fazer. Graças a alguém que o ouvira tocar piano durante a guerra, ele tentou entrar para a Guildhall School of Music. Passou três anos lá, aprendendo a tocar o oboé como seu segundo instrumento. Ao diplomar-se ficou algum tempo como oboísta free lancer, mas nunca foi além do trabalho comum de orquestra, ou tocava, aos domingos de tarde, em bandas nos parques de Londres. Acabou despedido, por não ser suficientemente bom.
Em fins de 1950, apareceu-lhe um bom emprego: um lugar de assistente de artistas e repertório na Parlophone, uma das companhias subsidiárias da EMI. Ainda ignorava a fama da EMI — Electrical Musical Industries —, hoje, a maior gravadora de discos do mundo.
Por causa de seu curso e treinamento em música clássica em Guildhall, conseguiu o emprego. Supunham que ele trabalhasse na parte de jazz e música agitada. Era vasto campo de ação nesse gênero de música, na Parlophone, contudo, em grande parte sem graça. “Naquele tempo, a Parlophone era como o “primo pobre”, em comparação aos “primos ricos” EMI, HMV e Columbia — . Quando entrei para lá em 1950, eles ainda gravavam em cera.”, disse ele.

A Parlophone fora comprada na Alemanha, pouco antes da guerra. Desde então, ela tinha prosperado muito pouco, quase todos que lá trabalhavam, esperavam que ela fosse fechada em pouco tempo.
Sua conhecida marca “£” não tem nada a ver com o símbolo de libra esterlina, ou com os milhões que veio a faturar no futuro.
Representava, unicamente, a inicial do sobrenome de seu fundador, Carl Lindberg.
O salário de George Martin, na EMI, era bem modesto — sete libras e cinco shillings por semana. Para aumentá-lo um pouco, tocava, esporadicamente, em concertos dominicais nos parques londrinos, quando conseguia lugar. Ou então, arranjava alguns recitais de orquestra nas escolas.

Aos poucos, foi tornando-se o único responsável da parte de discos populares. Seus dois primeiros cantores foram Bob e Alf Peterson, que cantavam na base de My Brother and I. Gravou, ainda, os The Five Smith Brothers e a Scottish Country Dance Band, com Jimmy Shand e sua Banda, e o Bluebell Polka, com Jimmy Shand. Até hoje, esse disco é bem vendido. Passou para o jazz. Gravou os discos de Johnny Dankworth e de Humphrey Lyttleton.

Apesar de parecer que os long-plays sempre existiram, em 1950 eram uma grande novidade. “A EMI começou a fazê-los muito mais tarde, por volta de 1954.
Não sei por que demoramos tanto!
A Decca já os vinha lançando, desde 1952. Razão por que tínhamos ficado muito atrasados, e precisávamos recuperar o tempo perdido.”

No início da década de cinquenta, a produção de discos na Inglaterra era um negócio rotineiro e bastante tradicional. Era o mesmo que editar uma revista mensal. Cada mês, uma companhia como a Parlophone lançava no mercado cerca de dez discos, todos eles planejados com dois meses de antecedência. Era o que se chamava de suplemento mensal. Esse suplemento era sempre muito limitado. Desses dez lançamentos, dois eram clássicos, dois de jazz, dois para dança — aquela espécie de música de dança feita por Victor Silvester —, dois de cantores e dois de cantoras.
Não havia uma categoria que se pudesse classificar de popular. “A gente nunca falava em popular. Era tudo clássico, jazz, dança ou vocal.”

A Parlophone contava com muito poucos astros em todas as categorias artísticas. Victor Silvester, por exemplo, estava na Columbia, uma das subsidiárias mais prósperas da EMI. Os melhores cantores, pelo menos em vendas, vinham todos da América, e a Parlophone não tinha nenhum.

Lentamente, George Martin conseguiu criar um pequeno lugar para si, ao produzir uma série de discos humorísticos, apesar de todos os entendidos nesse negócio terem dito que aquilo estava destinado ao fracasso.
Um de seus primeiros discos humorísticos foi Mock Mozart and Phoney Folklore de Peter Ustinov. Também gravou discos de Peter Sellers, Flanders and Swam, e, mais tarde, Beyond the Fringe. Essa gravação foi feita em Cambridge, antes de eles se mudarem para o West End.

A mania do skiffle chegou, transformando todo o panorama da música popular para adolescentes. Os cantores e conjuntos ingleses começaram a fazer discos muito vendidos, apesar de fora da escala norte-americana. Mas a pobre velha Parlophone ainda ficou mais atrasada, apesar dos discos humorísticos de George Martin.

“Todos descobriam um cantor ou conjunto, exceto a Parlophone. Andei pelos bares de Londres à caça de talentos.”

Perdeu a oportunidade de contratar Tommy Hicks, o qual, mais tarde, foi o Tommy Steele, por ter achado que ele não passava de uma imitação de Elvis Presley.

“Eu invejava muito a HMV e a Columbia com todos aqueles astros americanos ou as outras companhias com astros no padrão de Cliff Richard. De certa forma aquilo era muito fácil. Uma vez que se tenha um cantor ou conjunto que agrada o público, tudo o que se tem a fazer é encontrar uma música nova.”

À medida que o rock and roll alcançava uma enorme procura entre os adolescentes e os índices de vendagem de discos se tornavam cada vez mais importantes, a Parlophone, a companhia que muitos pensavam que não iria durar muito, foi ficando ainda mais para trás.

Em maio de 1962, sem que Brian Epstein ou os Beatles suspeitassem, a Parlophone esperava, ansiosamente, que
aparecesse alguma coisa como eles. O grande George Martin, cuja tossezinha e cujos comentários eles tentavam analisar, estava muito longe de ser grande.
Judy Lockhart-Smith, então secretária de George e agora sua mulher, lembra-se de ter ficado muito impressionada com Brian Epstein em seu primeiro encontro. “Ele usava um casaco muito bonito, com boas maneiras e falando bem, não era o tipo comum de empresário de Charing Cross Road.” George também ficou bem impressionado. “Mas, particularmente não fiquei entusiasmado pelo que ele me mostrou. Não achei nada de extraordinário nas músicas ou nos cantores. Todavia achei que eles produziam um som bastante interessante. E prometi-lhes fazer um teste de gravação.”

Brian tinha entrado em órbita. Porém, para George, aquele era apenas mais um conjunto com probabilidades de ser gravado.
Ele estava tão interessado em encontrar um novo conjunto, que estava testando uma série dêles.”
“A princípio eu estava pensando em usá-los como grupo de acompanhamento para um cantor conhecido como Cliff Richard
and the Shadows. Eu queria desesperadamente ter o meu Cliff. E assim pensando, eu via a possibilidade de um deles se tornar o cantor principal. Quando os conheci, concluí logo que aquilo nunca daria certo.”

George encontrou-os pela primeira vez, no dia 6 de junho de 1962. Foi quando fez com eles o teste de gravação no estúdio número três da EMI, em St. John’s Wood. Para essa sessão, foi que Brian lhe mandou aquela relação de sugestões.

“Achei-os muito atraentes como pessoas. Gostei de estar com eles. Era engraçado o contraste de serem tão insignificantes e eu parecer tão importante. Eu não deveria ter-me incomodado com o fato de eles gostarem de mim ou não, contudo fiquei satisfeito porque eles pareceram gostar de mim. Descobri que o John era um admirador dos discos de Peter Sellers, que eu havia lançado.” George escolheu apenas três números da relação feita por Brian, incluindo Love Me Do e PS I Love You. Ele pensa que aquela foi uma primeira versão de Love Me Do porque a música não chegou a conquistá-lo. Mas ele gostou do som e da personalidade do conjunto.

“Concordei em que não perderia nada contratando-os, apesar de não ter a mínima ideia do que faria com eles ou quais as músicas que poderiam gravar.” Além disso, encontrava-se atarefado com outros discos, e, na sua opinião, muito mais importantes naquela época, tais como o LP do The Establishment, a primeira, mas de curta duração, boate satírica de Londres. Isso aconteceu quando os Beatles substituíram Pete Best. George Martin demorava em marcar a
data para a gravação dos Beatles. Pois ainda estava indeciso na escolha das músicas que eles gravariam; se permitiria que eles gravassem alguma de suas próprias músicas ou se arranjaria um cara para compor algo para eles.
Finalmente, no dia 11 de setembro de 1962, ele os trouxe a Londres para a gravação de seu primeiro disco inglês, Love Me Do, com o PS I love You, na segunda face.

“Decidi-me escolhendo o Love Me Do, como a melhor do grupo. Era a harmônica de John que lhe dava uma atração especial.”

George Martin fora avisado da substituição de Pete Best por um novo baterista. Mas ele não se arriscaria. Preferiu contratar um experiente baterista de gravações, chamado Andy White, e tê-lo à mão para qualquer eventualidade. Contou isso a Brian, mas ocultou de Ringo.
Antes de começarem a sessão, George Martin explicou-lhes o que iria tentar fazer. “Se vocês não gostarem de alguma coisa é só falar comigo”, avisou-os George Martin.
“Bem, para começar”, disse George Harrison, “eu não gosto da sua gravata”. Essa foi uma piada meio tom sério, e foi recordada muitas vezes depois, porém não agradou muito a George Martin. Na realidade, era uma gravata novinha em folha e da qual ele estava particularmente orgulhoso. Era preta, com cavalos vermelhos. Fora comprada no Liberty’s. Todavia, todos riram e a sessão continuou.
Para Ringo, era a primeira gravação e ele não se sentia muito seguro. Teria ficado muito mais nervoso se tivesse percebido desde o começo que havia um outro baterista por ali, à espera de qualquer eventualidade para tomar-lhe o lugar.

Eles atacaram o Love Me Do, que efetuou dezessete repetições, até que George Martin ficasse satisfeito. “Eu não achava Ringo muito bom. Ele não sabia rufar — e ainda não sabe — entretanto, melhorou muito depois daquela sessão. Andy era o tipo de baterista de que eu precisava. Ringo só estava acostumado a tocar em público. Não obstante, precisava de gente com experiência.”

“Eu estava nervoso e atemorizado com o estúdio”, conta Ringo. “Quando, mais tarde, voltamos para gravar a face B, descobri que George Martin tinha colocado aquele outro baterista sentado no meu lugar. Foi uma decepção. Eu fora convidado pelos Beatles e agora parecia que eu só era bom para tocar com eles em público, e não era suficientemente bom para gravar.”

“Começaram o PS I love You. O outro cara tocava a bateria e eu fiquei tocando maracas. Achei que aquilo era o fim. Pensava no que eles estavam fazendo comigo e no que tinha feito com o Pete Best. Então, eles decidiram gravar novamente o outro lado, no qual eu havia tocado bateria. Dessa vez me deram um tamborim para tocar.”

“Estava aborrecido. Que merda. Como é falso esse negócio de discos, pensei. Exatamente como me tinham afirmado. Arranjavam outros músicos para fazerem seus discos no estúdio. Se eu não servisse para as gravações, seria melhor sair do conjunto.”

“Ninguém disse nada. Também o que poderiam dizer? Ou eu? Estávamos servindo de joguete, empurrados de um lado para outro. Você me entende. Eles eram muito grandes, a companhia de discos de Londres e aquilo tudo. A gente fazia só o que eles mandavam. Afinal o disco saiu como um simples. No PS I Love You, meu nome figura como tocando maracas, o outro cara, bateria. Felizmente, decidiram manter a primeira versão do Love Me Do, na qual eu tocava bateria. Então estava tudo bem.”

O Love Me Do, primeiro disco deles, foi lançado em 4 de outubro de 1962. Já estavam de volta a Liverpool, tocando novamente nas festas e salões de dança, na expectativa de seu disco surpreender o mundo. Nada disso aconteceu. Seus admiradores, em Liverpool, fielmente compraram grande número de discos. Contudo, as vendas numa cidade da província não afetam muito os mapas de vendas. Eles também enviavam milhares de pedidos às estações de rádio para que tocassem aquele disco. A primeira a tocá-lo foi a Rádio Luxemburgo.

Mrs. Harrison, a mãe de George, ficou esperando horas e horas na noite em que George disse que iriam tocar seu disco. Ela se cansou de esperar e foi para a cama. Mais tarde, foi acordada pelos berros de George, dizendo que ele estava sendo irradiado.
Com aquela gritaria, também acordou Mr. Harrison, que ficou muito zangado, pois tinha que acordar muito cedo, para pegar o primeiro turno no ônibus.

“A primeira vez que eu ouvi o Love Me Do no rádio”, revela George, “fiquei todo arrepiado. Ouvi a primeira guitarra e não podia acreditar. Mas o mais importante para nós foi ficarmos entre os vinte mais.”

Eventualmente, entraram ocupando o quadragésimo nono lugar na relação do New Record Mirror. Na semana seguinte o disco começou a aparecer em outro jornal, o New Musical Express, onde figurou no vigésimo sétimo lugar. E permaneceu ali por algum tempo.
Graças a esse disco gravado, Brian conseguiu-lhes a primeira apresentação num show de televisão, embora tenha sido apenas no Norte. No “Peoples and Places” da TV Granada, de Manchester.
Deviam voltar a Hamburgo, para outra série de apresentações no Star Club. O contrato fora assinado antes da gravação do disco. Eles acreditaram que, pelo fato de estarem fora do país e impossibilitados de fazer qualquer apresentação ao vivo no rádio ou na televisão, seu disco iria sumir e ninguém mais ouviria falar nele. Assim, eles seguiram para sua quarta estada em Hamburgo. O disco aos poucos continuou a subir, durante sua ausência. Isso era motivo para novas comemorações. O ponto mais alto a que Love Me Do atingiu foi o décimo sétimo lugar.

George Martin estava satisfeito, mas não muito, com Love Me Do. “Eu não achava tão brilhante, mas estava entusiasmado com a reação dos Beatles e o seu som. O problema agora era conseguir-lhes outra música para gravar.”

Ele descobriu uma e que tinha certeza de que se tornaria um sucesso. Chamava-se How Do You Do It. Mandou-a para os Beatles, mas eles não gostaram. George Martin disse que ele gostava. Era o chefe e queria que eles a gravassem. Então teriam de fazê-lo. Contudo, eles reafirmaram que não tinham gostado dela e, portanto, não queriam gravá-la.
Era muita coragem, ou talvez apenas ingenuidade, essa demonstração de teimosia por parte de um conjunto de provincianos inexperientes (não sabiam nem ler música, no entanto) dizer ao grande conhecedor e poderoso George Martin que sabiam das coisas melhor do que ele.
“Avisei-lhes que eles estavam desprezando um sucesso. Era o fim deles. Já que pretendiam continuar tão obstinados, seria interessante que eles mesmos produzissem coisa melhor. Eles estavam metidos em ter opiniões próprias — e não mudaram nem um pouco.

“Realmente, produziram alguma coisa melhor, Please Please
Me, que me surpreendeu.”

Contudo, George estava certo a respeito de How Do You Do It, entregando aquela música a outro conjunto de Brian Epstein, o Gerry e os Pacemakers, que chegaram ao primeiro lugar nas paradas com ela.
O segundo disco dos Beatles, Please Please Me, foi gravado em 26 de novembro de 62 e só foi lançado em janeiro de 1963.
Vieram de Hamburgo para fazer a gravação e depois voltaram para lá. Dessa vez, só por umas duas semanas. Era sua quinta e última temporada nas boates de Hamburgo.
No fim daquele ano, o New Musical Express realizou, como sempre, o seu concurso de popularidade. Os The Springfields foram eleitos como o primeiro conjunto vocal com 21.843 votos. Os Beatles ficaram longe, bem longe, com os seus 3.906 votos.
Provavelmente todos eles mandados de Liverpool. Mas entraram na relação. Eles existiam, apesar de parecer pouco indicado serem eles o conjunto de que George Martin e a Parlophone tanto precisavam.

Dick James é o único elemento do show business tradicional que já entrou no círculo dos Beatles, seja profissionalmente, seja como amigo. Ele entrou pouco depois de George Martin. Como ele esperava com ansiedade que aparecesse alguma coisa como os Beatles.

Dick James sempre estivera no negócio. Ele procede daquela espécie de ambiente judaico londrino, no qual o camarada cresce junto de todos os empresários e chefes de conjuntos futuros, e os rapazes sempre acabam ajudando-se mutuamente. Dick James é de índole sentimental. É o tipo do cara simpático. Qualquer um gosta de Dick James. É motivo de gozação, por causa das músicas sentimentais. E sabem que uma boa balada melosa, como When I’m Sixty Four, é capaz de tornar Dick James felicíssimo. De qualquer modo, ele é muito feliz. É, talvez, o camarada mais sortudo de todo o seu círculo. No tempo em que encontrou os Beatles era um editor que só tinha um único empregado. Agora,
dirige uma companhia editora inteira. É milionário, não graças a eles, mas ao seu próprio trabalho.

Foto para o post GM e Dick James

As primeiras fotografias de publicidade dos Beatles distribuídas pelo “Parlophone Records” por ocasião do primeiro disco do conjunto, “Love me do”, em outubro de 1962. John e George (acima) foram fotografados em Hamburgo por Astrid. A foto dos outros dois teve de ser ligeiramente retocada para combinar com aquela outra.

Fonte: The Beatles, por Hunter Davis

Em 1963 Dick James fundou uma gravadora , a Northern Songs Ltd. (administrado pela empresa de Dick, a Dick James Music); o selo tornou-se famoso por ter publicado as faixas originais de John Lennon e Paul McCartney (na verdade, em 1968, George Harrison e Ringo Starr não renovaram seus contratos). No final da década de 1960, no entanto, a relação se desfaz, porque em 1969, James tinha vendido a Nothern Songs e isso levou a mal-entendidos e a muitas tensões, pois os Beatles nunca teriam mais direitos sobre suas canções.

Fonte: We Love the Beatles Forever

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