As composições de Paul McCartney: cada música tem sua história.

Algumas canções compostas por Paul McCartney têm historias interessantes, algumas estão publicadas em livros e outras a gente ouviu falar.

Aproveitando que Sir Paul McCartney acaba de passar pelo Brasil, vou resgatar um tópico criado por Dado Macedo, autor do livro “Alto e Bom Som”, na antiga comunidade Paul McCartney no Orkut, onde ele citou algumas dessas canções e suas curiosidades.

I Saw Her Standing There

Paul teve a ideia para esta canção quando estava dirigindo pra casa depois de um concerto em Southport, e acabou a compondo na sala de sua casa em Forthlin Road, em setembro de 1962. O título de trabalho, foi ‘Seventeen’. John deu uma pequena contribuição, mas a música é considerada quase que toda de McCartney.
Paul disse, “Originalmente os primeiros 2 versos eram, ‘She was just seventeen, Never been a beauty queen.’ E quando eu a toquei para John, eu pensei que era uma rima muito comum, e John concordou. Então John veio com, ‘You know what I mean’, o que melhorou muito.”
Paul também admitiu que tirou a linha de baixo da canção ‘I’m Talking About You’, de Chuck Berry, comentando, “Eu toquei exatamente as mesmas notas, e elas se encaixaram perfeitamente na música. Mesmo hoje em dia, quando eu falo para as pessoas sobre isso, a maioria não me acredita. De qualquer maneira, uma linha de baixo não precisa ser sempre original.”
John comentou para a PLAYBOY, “Esta canção é Paul fazendo seu costumeiro bom trabalho de produção, que George Martin costumava chamar de ‘coisa escrita ás pressas para fins comerciais’. Eu ajudei com um pouco da letra.”
John deve ter gostado tanto, que em uma de suas últimas apresentações ao vivo tocou ela quando subiu ao palco para acompanhar Elton John em 28/11/1974.
Paul depois a incorporou aos seus shows também, particularmente na turnê mundial de 1989/90 e nas atuais também.

I’ve Got a Feeling

Foi uma combinação de duas canções distintas.
A de John se chamava “Everybody Had a Hard year”, e a de Paul era “I’ve Got a Feeling”. Eles decidiram trabalhar juntos e fazer das duas, uma só, o que foi provavelmente a última verdadeira colaboração entre eles como compositores.

In Spite of All the Danger

A primeira composição gravada pelo grupo que se tornaria The Beatles. Os ‘Quarrymen’ gravaram essa música em 12/07/58 no estúdio de Percy Philips, em Liverpool. A banda tinha Paul McCartney, John Lennon, George Harrison, Colin Hanton e John Lowe.
Foram gravadas duas canções nesse dia, “That’ll Be the Day” de Buddy Holly e “In Spite of All the Danger”, que foi creditada a Harrison/McCartney. Paul fez o vocal solo nesta última.
Eles só puderam fazer uma cópia dessa gravação. O disco passava de mão em mão entre eles e acabou nas mãos de Lowe que guardou numa gaveta e a esqueceu por vários anos.
Quando mais tarde ele se deu conta do que tinha guardado, resolveu leiloar a gravação, mas Paul se antecipou e a comprou por uma quantia não revelada.
Paul passou a gravação para um disco master em Abbey Road, onde mandou fazer doze cópias em 78 rotações.
Ela acabou aparecendo no “Anthology 1”.

In Spite of All the Dangers tem o mesmo nome da canção que John Lennon escreveu e que ficou inacabada.

“Lennon constantly put his ideas down on paper. Many works of art and songs were lost as a result. Lennon’s composition “In spite of all the danger” was never found, however his influence lives on in this interpretation written by Dennis Pugsley and perfomed by The Overtures at the famous Abbey Road”
Lennon constantemente colocava suas ideias no papel, por isso muitos trabalhos de arte e canções foram perdidas porisso. A composição de Lennon “In spite of all the danger” nunca foi encontrada, porém sua influência está nesta interpretação escrita por Dennis Pugsley e executada peos The Overtures no famoso estúdio Abbey Road”.

You´re looking through my eyes like a window
Você está olhando através de meus olhos como uma vidraça
Wherever it takes me I will know
Para onde quer que isso me leve eu saberei
In spite of all the danger I will go
Que apesar de todos os perigos eu irei
You know just what I found while I see there
Você sabe exatamente o que encontrei quando lá vi
As long as you’re with me I don’t care
Até onde você estiver comigo não vou temer
’Cause In spite of all the danger I’ll be there
Por que apesar de todos os perigos estarei lá
You’re the only one that keeps me satisfied, oh oh oh
você é a única pessoa que me satisfaz, oh oh oh
you’re the only love who makes the world seem bright,
você é o único amor que faz o mundo parecer iluminado
the world seem bright oh yeah
o mundo parecer iluminado oh yeah
Sometimes you never call when I’m lonely
Às vezes você nunca me chama quando estou sozinho
and then you pretend you don’t know me
E então você finge que não me conhece
but In spite of all the dangers you show me….
Mas apesar de todos os perigos você me mostra…
You’re the only one that keeps me satisfied, oh oh oh
você é a única pessoa que me satisfaz, oh oh oh
you’re the only love who makes the world seem bright,
você é o único amor que faz o mundo parecer brilhante
the world seem bright oh yeah
You’re looking through my eyes like a window
Você está olhando através de meus olhos como uma vidraça
Wherever it takes me I will know
Para onde quer que isso me leve eu saberei
In spite of all the danger I will go

Lady Madonna

Na época do lançamento, os Beatles mencionaram que o arranjo dessa música foi baseado numa antiga canção chamada, ‘Bad Penny Blues’.
Paul quando teve a inspiração ao piano, pensou em compor no estilo bluesy boogie-woogie de Fats Domino.
A música inicialmente se refere a Virgem Maria e depois se torna um tributo a mulher operária de Liverpool.
Paul comentou que ele cresceu entre católicos e havia muitos católicos em Liverpool para quem a Virgem Maria era muito importante, ele tb considerava a canção como um tributo a mulher simples e da classe trabalhadora.
Chama atenção o belo solo de sax de Ronnie Scott, infelizmente mutilado no take final.

Oh! Darling

Uma balada blues, composta por Paul, parte dela apareceu no filme ‘Let It Be’. Os Beatles a gravaram em abril de 69 com John no piano e George dedilhando a guitarra plugada num ‘Leslie speaker’.
John depois comentou, “‘Oh! Darling’, foi uma grande música de Paul, que ele não cantou tão bem. Eu sempre achei que eu poderia fazer melhor – era mais o meu estilo.”
Alan Parsons, que foi o segundo engenheiro de som na gravação, disse que Paul chegava cantava e dizia, “Não, não era isso, amanhã eu tento de novo.” Ele só tentava colocar o vocal uma vez por dia, acho eu que para capturar uma certa crueza, que só poderia ser alcançada antes de sua voz mudar. Lembro dele dizendo, “Cinco anos atrás eu teria feito isso num take”. Se referindo provavelmente aos dias de ‘Long Tall Sally’.
Paul explicou, “Quando fomos gravar essa faixa, eu chegava no estúdio bem cedo todas as manhãs durante uma semana, para que eu pudesse cantá-la antes de fazer qualquer outra coisa, e para que minha voz estivesse bem forte e rouca. Eu queria que soasse como se eu tivesse estado no palco cantando a semana toda.”

Penny Lane

A famosa canção de Paul que foi lançada em single sem lado A ou B juntamente com ‘Strawberry Fields Forever’ de John. Foi o primeiro single em 4 anos dos Beatles que não chegou ao primeiro lugar na Inglaterra, “apenas” ao nº 2.
Frieda Kelly secretária do fã clube dos Beatles explica, “O single foi lançado sem o costumeiro lado A e B por que os Beatles queriam que o público decidisse qual das duas músicas preferia. Uma quantidade expressiva de fãs de John preferiram “Strawberry Fields”, mas pelo nosso correio do fã-clube, “Penny Lane”´foi a vencedora por uma pequena diferença – e nós temos que admitir que ela é uma das canções mais cativantes que os Beatles já fizeram.”
Nos EUA lançada em 13/02/67 ela liderou as paradas, e ficou entre ás 40 mais por 9 semanas.
Paul a compôs no piano na Cavendish Avenue, tomando notas de tudo que ele lembrava de Liverpool, o barbeiro, a loja de bolos, a sede dos bombeiros, etc…
Foi sugerido que a canção poderia ter sido inspirada no poema “Fern Hill” de Dylan Thomas, que Paul estava lendo na época, e que se referia às reminiscências nostálgicas da infância.

She Came in Through the Bathroom Window

Esta música apareceu pela primeira vez nas sessões do “Let it Be”, mas acabou como parte do medley de ‘Abbey Road’.
A canção se inspirou num incidente em que fãs de Paul tentaram entrar pela janela do banheiro em sua casa em St. John’s Wood, e originalmente seu título era apenas “Bathroom”.
Joe Cocker esteve presente em algumas sessões do ‘Abbey Road’ e foi convidado a escolher alguma das canções para gravar. Ele inicialmente selecionou ‘Oh! Darling’, mas Paul vetou!
Sua segunda opção foi “She came in through…”, e ele também fez uma cover de ‘Something’! As duas belíssimas!

The Fool on the Hill

Do ‘Magical Mystery Tour’ que segundo Alistair Taylor – famoso ‘conserta-tudo’ da época na Apple – se originou de um estranho incidente.
Ele comentou: “Eu e Paul estávamos passeando uma manhã nas colinas de Primrose Hill com sua cadela Martha.
Nós ficamos vendo o sol nascer antes de nos darmos conta que Martha tinha sumido. Nos viramos para procurá-la quando subitamente havia um homem junto de nós. Era um cara de meia-idade muito bem vestido. O que há de errado nisto, vocês devem pensar. Mas ele chegou lá no topo da colina atrás de nós sem fazer nenhum barulho, em total silêncio.
Nós tínhamos certeza que ele não estava ali segundos antes, por que nós estávamos vasculhando a área atrás do cão.
O cara parece ter aparecido miraculosamente. Nos cumprimentamos, ele comentou sobre a beleza da vista e então caminhou alguns passos. Quando olhamos novamente ele tinha desaparecido! Não havia sinal do homem.
Ele sumiu do alto da colina como se o vento o tivesse levado. Não teria dado tempo pra ele se abrigar atrás de uma árvore e ele não poderia descer correndo a colina.
Estranhamente, logo após a aparição dessa pessoa, eu e Paul começamos a discutir a existência de Deus. Nós dois tivemos a sensação de que algo especial tinha acontecido.
Sentamos na grama e Paul disse, “Como se lida com isso? É muito estranho! Ele estava lá, não é? Nós falamos com ele?”
“Nós dois sentimos que tínhamos passado por uma experiência mística, embora nenhum de nós quisesse se referir a quê ou a quem esteve no topo daquela colina por alguns segundos.”
Já a lembrança de Paul é a de compor algo sobre o Maharishi Mahesh Yogi, porque as pessoas o chamavam de bobo por causa de sua risadinha (ele era conhecido por muitos como o ‘guru da risadinha’).
Paul também estava encucado com a ideia de um eremita numa caverna.

Junk

Paul escreveu durante sua viagem a Índia em março de 68, com o título de trabalho de ‘Jubilee’. Ela também ficou conhecida como “Junk in the Yard”.
Em maio daquele anos foi feita uma demo no bangalô de George em ‘Kinfauns’, sendo a canção completada em tempo para o ‘White Album’, mas não foi usada.
A canção foi gravada novamente nas sessões para o ‘Abbey Road’, mas foi uma das seis canções que não entraram no disco.
Existe uma sequência de Paul a cantando em janeiro de 69 em Twickenham para o filme ‘Let It Be’.
Ela foi aparecer somente no álbum ‘McCartney’ de 1970, onde ele tocava todos os instrumentos.

I’ve Had Enough

Só sei que foi gravada nas Ilhas Virgens a bordo daqueles iates, ‘Fair Carol’ e ‘Wanderlust’ em 1977.
Ela foi lançada em single em junho de 78, junto com ‘Deliver Your Children’ de Denny. Chegou ao nº 42 no Reino Unido e nº 25 na América.

Only Love Remains

Comentando sobre essa faixa de ‘Press to Play’, Paul disse, “As pessoas me perguntam se eu acho que um álbum fica incompleto sem uma balada, e eu concordo, acho que fica um pouco incompleto. Eu sei que tem muita gente que gosta de baladas e que inevitavelmente irão às nuvens durante a execução. Gente que escuta o álbum e diz, ‘Este é o McCartney que eu gosto’, então eu coloco estas canções para elas – e para mim também, porque eu sou romântico por natureza.”

My Brave Face

Esta canção feita em coautoria com Elvis Costello; é descrita por Paul como basicamente sobre um cara que foi abandonado por sua mulher e que no início da música está muito feliz por causa da liberdade adquirida, mas depois de algum tempo, com a mulher longe, ele não se sente muito feliz ao ter que lavar a louça, e tudo o mais que acarreta uma vida de solteiro.
McCartney comenta que por um lado é uma canção de amor, mas também é sobre alguém que não está contente e que vai ter que deixar aflorar o seu lado corajoso.

My Carnival

Esta música foi gravada nas sessões de VENUS AND MARS no estúdio Sea Saint em New Orleans.
Descartada do álbum, ela depois seria lançada em ‘Cold Cuts’, o álbum de extras e sobras que nunca viu a luz do dia (iria sair em 2010). Ela acabou aparecendo como lado B do single “Spies Like Us”, em 1985, e como bônus-track no ‘VENUS….’ em cd.
A canção foi inspirada em uma viagem de barco através do Mississippi, no ‘Voyager’, que Paul e Linda alugaram em sua visita a Festa de Mardi Gras. Outra inspiração foi a canção ‘Mardi Gras in New Orleans’ do Professor Longhair.

No Values

Faixa do “Give My regards..”. A canção veio a Paul num sonho (como ‘Yesterday’).
Paul em seu sonho estava em férias dormindo, e acordava ouvindo os Rolling Stones tocando uma canção, chamada…. ‘No Values’.
Ele lembrou claramente do refrão quando acordou, e ele estava convicto que sua mente tinha criado a música no sonho.
Para ter certeza, ele checou se os Stones não tinham feito nenhuma música com este título, e então escreveu o restante da canção e a incluiu no filme e no álbum.

Really Love You

Do ‘Flaming Pie’. Primeira canção a ser creditada a McCartney/Starr, ela veio de uma ‘jam session’ durante as gravações.
Ringo ficou muito surpreso ao descobrir que era coautor da canção.
Paul conta, “Quando eu toquei a gravação para Ringo, ele exclamou, ‘A música é implacável, totalmente implacável’.
Ringo e suas tiradas inesquecíveis!!!

Calico Skies

Uma das mais lindas, principalmente a versão ao vivo do ‘Back in the World’, que foi feita quando Paul e Linda estavam na América e não puderam sair de casa por causa do furacão ‘Bob’!!
Paul disse,”Eu passei muito tempo no violão, tocando pequenos acordes. ‘Calico Skies’ foi um deles.”
Ele lembra, “Eu queria compor algo acústico no estilo de ‘Blackbird’, algo que se sustentasse por conta própria!
Se alguém dissesse “Toque uma música”, eu poderia tocar essa.”
Simples e bonita!

Golden Slumbers

Paul tinha o costume também de trabalhar em algumas composições na casa que ele comprou para seu pai, Jim!
Havia um piano na sala, onde ele costumava se sentar e tentar compor alguma coisa.
Neste dia, a meia-irmã de Paul chamada Ruth, que tinha 9 anos na época, e levava as lições de música da escola muito a sério, estava sentada ao piano e estava praticando a antiga canção inglesa ‘Golden Slumbers’.
Paul que estava presente não estava gostando muito do que ouvia, então ele resolveu tentar lhe ensinar, durante esta noite, as notas baixas da mão esquerda no piano.
Então como resultado disso, Paul se entusiasmou e decidiu compor a sua própria ‘Golden Slumbers’, utilizando os versos da balada tradicional e criando uma nova melodia, que iria acabar no ‘Abbey Road’.
Paul disse, “Eu não sei ler música e não me lembrava da antiga melodia, então comecei a tocar a minha própria melodia, mas eu gostava dos versos, então os deixei lá.”
A ‘Golden Slumbers’ original era um hino inglês baseado num poema de 400 anos, de Thomas Dekker.

Her Majesty

Paul compôs este pedacinho de canção como uma homenagem involuntária para a Rainha Elizabeth II, e depois, foram enviadas cópias do ‘Abbey Road’ ao Palácio de Buckingham!
Paul gravou a canção rapidamente numa manhã em Twickenham, antes que os outros membros da banda chegassem. Depois ela foi inserida entre ‘Mean Mr.Mustard’ e ‘Polythene Pam’, como parte do medley, mas Paul não gostou disso e mandou descartá-la.
Acontece que o engenheiro de som John Kurklander tinha sido instruído a nunca jogar nada fora que tivesse sido gravado numa sessão dos Beatles – muito bem instruído por sinal -, então ele tirou a canção da fita master do medley e a colocou no final, após 20 segundos da última gravação.
Paul ficou encantado com esse efeito e a música continuou no álbum!

Michelle

Uma canção de Paul, embora John tenha ajudado no refrão ‘I love you, I love you…’.
Paul a compôs ainda no tempo do Liverpool Institute.
Depois que ela foi lançada no ‘Rubber Soul’ houve mais de 20 diferentes versões em apenas um mês, e várias chegaram as paradas. Atualmente é uma das músicas mais regravadas de todos os tempos! Dos Beatles, só perde para ‘Yesterday’!
Quando o amigo dos Beatles Ivan Vaughan e sua esposa Jan foram visitar Paul na casa dos Asher em Wimpole Street, Paul perguntou a Jan, que falava francês se era possível ela ajudar com algumas palavras francesas.
Ele pediu algo que rimasse com Michelle e ela sugeriu ‘ma belle’, e depois deu mais algumas dicas.
Algum tempo depois Paul lhe enviou um cheque por sua ajuda na música.

Cafe on the Left Bank

A primeira canção gravada pelos WINGS nas Ilhas Virgens para o que viria a ser o ‘London Town’!
Foi gravada em 2 de maio de 77 no iate ‘Fair Carol’, e foi inspirada nas viagens de Paul a Paris, incluindo sua primeira visita acompanhado de John Lennon em 1961.

Carnival of Light

‘Carnival of Light’ é uma colagem sonora que tem 13,48 mints., composta por Paul em 1966, sendo esta a primeira canção experimental de um membro dos Beatles – ao contrário do que muitos pensam, não foi ‘Revolution 9’ a primeira, nem foi John quem levou os Beatles a flertar com a música experimental.
No final de 1966 Paul contratou um trio de artistas undergrounds para pintar seu piano em estilo psicodélico.
Este trio, Binder, Edwards e Vaughan organizavam eventos experimentais e pediram a Paul que compusesse uma peça experimental para um evento promocional deles que se realizaria em Camden Town, e que iria se chamar ‘Carnival of Light Rave’.
Paul então agendou Abbey Road em 5 de janeiro de 67 para uma sessão de gravação de 5 horas.
George Martin e Geoff Emerick estavam presentes gravando em uma tape-machine de 4 canais.
A primeira faixa tem a batida de uma bateria ao fundo e orgão.
A faixa dois inclui sons de guitarras distorcidos.
A três tem um som de órgão de igreja e John e Paul gritando, Paul grita, ‘Are you alright?’ e John responde ‘Barcelona’ três vezes.
Sons confusos de mixagem acelerada foram incluídos na faixa 4, junto com um pandeiro.
A composição só foi apresentada duas vezes, em 28 de janeiro e 4 de fevereiro de 1967!
Em 1996 Paul comentou que poderia usar ‘Carnival of Light’ como música de fundo de um filme experimental que ele faria com imagens dos Beatles.
George Harrison vetou ‘Carnival of Light’ no projeto ‘Anthology’.
Em 1994, a banda inglesa ‘Ride’ homenageou a composição de Paul, intitulando seu terceiro álbum ‘Carnival of Light’.

Piano psicodélico de Paul

O autor da pintura foi Dudley Edwards, que conviveu com Paul, Ringo e John, e foi o primeiro a ouvir a música Getting Better! Aqui neste link há uma conversa com Dudley Edwards.

Mother Nature’s Son

Uma das que Paul compôs durante sua estadia com os Beatles na India, com o Maharishi.
Ela foi gravada em Abbey Road, uma noite em que os outros Beatles ja haviam deixado o estúdio. Paul a gravou no violão em torno dás 3 horas da manhã de 9 de agosto de 1968. O acompanhamento de cordas foi adicionado depois.
O engenheiro de som Ken Scott comentou: ‘Paul estava no andar superior conversando sobre o arranjo com George Martin e os músicos. Tudo estava perfeito, todos estavam de muito bom humor. Algum tempo depois, subitamente John e Ringo voltaram e você poderia cortar o ar com uma faca. Uma mudança instantânea. Ficou assim por uns 10 minutos, e então eles foram embora e a atmosfera ficou agradável novamente. Foi bizarro.’
Paul disse,'”Mother Nature’s Son” foi inspirada numa leitura feita pelo Maharishi, mas composta a sua maior parte em Liverpool depois que voltei.’
A mesma leitura inspirou John a compor “I’m just a Child of Nature”, que viraria ‘Jealous Guy’.

Here Today

Esta bela música do ‘Tug of War’ foi feita em homenagem a John Lennon, mas na verdade Paul disse que não foi um tributo, pois John estava ali, presente na música!
Paul comentou: ‘Uma das sensações que sempre fica com a gente quando alguém próximo a você morre desse jeito é que você queria ter visto essa pessoa no dia anterior para acertar todas as coisas e ter certeza que ela sabia o quanto você se importava. A canção é como se eu dissesse a John:”Nós temos que continuar com essas coisas atrapalhando?”
Mas nós nunca nos aproximamos para resolver os problemas. Acho que nós nunca sentimos nenhuma urgência em fazê-lo. Nós nos comportávamos como se fôssemos viver para sempre… Eu estava chorando ao compô-la.’
Na tour de ‘Driving USA’ Paul a incluiu, e comentou que ela recebeu a maior acolhida do público. Ele disse, ‘Eu acho que a maioria das pessoas não a conhecia, então é bem legal quando elas escutam pela primeira vez. Eu mesmo a estou redescobrindo, pois eu não a tinha cantado ao vivo até esta turnê. É muito emocional – é uma reafirmação de quanto eu amava John.’

Take it Away

‘Take it Away’ foi escrita como uma canção para Ringo!
Paul conta que, “Eu estava escrevendo algumas coisas para Ringo e essa era uma delas. Mas depois eu vi que ela ficava melhor pra mim, com o jeito que ficou a harmonia e tudo o mais. Eu não achei ela a cara do Ringo.”
‘Take it Away’ foi lançada em single, com ‘I’ll Give you a Ring’ no lado 2, ela chegou ao nº10 nas paradas.

Your Mother Should Know

‘Your Mother Should Know’ é o tema de encerramento do telefilme ‘Magical Mystery Tour’! Aquela famosa cena em que os 4 Beatles descem a escadaria vestidos de fraques brancos!
Quando eles chegam ao final da escada eles encontram 160 membros do grupo de dança Peggy Spencer e 24 meninas da ‘Wome’s Air Force’, um final espetacular!!!
Paul compôs a canção inspirada nos ritmos dos anos 30, inclusive incluiu o verso, ‘a song that was a hit before your mother was born’.

Hello Goodbye

Mais uma que liderou a parada dos dois lados do Atlântico.
Mas nesta também temos a versão de Alistair Taylor sobre a inspiração, além de ele próprio achar ser coautor da música junto com Paul…
Ele lembra que quando Jane Asher viajou a trabalho para os EUA em 1967 seguindo a companhia teatral ‘Old Vic’, Paul lhe ligou e disse pra ele aparecer em Cavendish Avenue.
Alistair conta: ‘Então uma noite estávamos conversando e Paul disse, “Você já pensou em compor uma música?” Eu respondi, ‘Claro que não.’ Ele insistiu que era muito fácil e disse que nós iríamos compor uma.’
‘Na sua sala de jantar Paul tinha um velho harmonium de carvalho, um pequeno órgão, onde sentamos cada um de um lado, tendo Paul ficado nas teclas baixas. Enquanto eu começava a teclar e apertar os pedais com força, Paul me disse: “Tudo o que eu quero é que você toque uma nota, qualquer uma que você quiser ou gostar, com ambas as mãos, e eu farei o mesmo do meu lado do teclado, e eu vou escolher uma palavra e você vai responder com o oposto dessa palavra. É só isso, e nós teremos uma canção.”
‘Eu concordei, e nós começamos a tocar as notas e ele gritou “White”, e eu respondi, “Black”, então foi “Go”, “Come” e depois “Hello”, “Goodbye”, e outras mais, toda essa função deve ter durado uns 5 minutos.
Ele disse, “Você conseguiu, já temos uma canção.”
‘Algumas semanas depois ele chegou pulando no escritório e falou, “Aqui está nosso novo single.” Olhei e vi que era “Hello Goodbye”, uma canção de Taylor & McCartney. Eu sou o verdadeiro coautor da canção.’

Helter Skelter

Um rockão feito por Paul em que a versão original gravada em 18/07/68 tinha 25 minutos de duração.
Foi uma das primeiras gravadas numa ‘tape machine’ de 8 canais – quando já existiam as de 16 canais – que a EMI recém havia instalado em Abbey Road (‘Pepper’s foi gravado em 4 canais, pasmem!!!).
A versão definitiva só foi gravada em 9 de setembro.
Paul foi inspirado por uma entrevista de Pete Townshend.
Ele comentou: ‘Pete disse que o ‘The Who’ tinha gravado uma faixa que era a mais barulhenta, mais rascante, e a mais suja que eles já tinham feito. Isto me fez pensar, “Legal. Temos que fazer isso.”
Eu gosto desse tipo de desafio, e nós resolvemos fazer a mais alta, a mais sórdida, e a mais cansativa canção de rock. E foi ‘Helter Skelter’!!’
No final da música, Ringo gritou, ‘Estou com bolhas nos dedos!’
Esta música, infelizmente, um ano depois serviria de incentivo para um maníaco chamado Charles Manson mandar assassinar a atriz Sharon Tate e seus amigos.
É uma pena como a mente humana consegue deturpar as coisas.

I Lost My Little Girl

Foi a primeira canção composta por Paul quando ele ainda tinha 14 anos, logo após ter perdido sua mãe.

She´s Leaving Home

“She´s Leaving Home é mais um exemplo de Paul trabalhando em casa e saindo com outra bela balada que conta sua própria história. (como em Getting Better, Paul diz que a música lhe chegou pela primeira vez enquanto andava com Martha, sua cachorra, no Primrose Hill). John acrescentou algumas frases ao refrão – contra o sustenido de Paul… “She is leaving…”, cantava as belas frases de contraponto: “We gave her most of our lives” (Nós lhe demos a maior parte de nossas vidas.) Mas não deveria haver nenhum outro Beatle nela. Paul queria que o fundo fosse apenas de cordas. Naquela época, Paul já desenvolvera muito o gosto pelas orquestras e pelas coisas clássicas, razão provável para ele mesmo não ter querido tocar um instrumento nessa faixa. She´s Leaving home não é realmente uma canção dos Beatles, falando em sentido estrito. É puro McCartney, do começo ao fim, com uma pequena ajuda do amigo John. E além das duas vozes, tudo o que ouvimos é uma harpa e um noneto de cordas (quatro violinos, duas violas, dois celos e um contrabaixo.”
Segundo o Livro “Paz Amor e Sgt. Peppers”, de George Martin, Como Paul queria ter uma seção de cordas na música, me telefonou pedindo para que eu fosse encontrá-lo para anotar o que ele já tinha e escrever o arranjo.
Acontece que não pude ir porque estava comprometido com uma gravação de Cilla Black. Muito embora os Beatles fossem prioridade em minha vida, ainda tinha uns outros artistas para gravar. Esses artistas compreendiam muito bem que os Beatles tinham prioridades, mas havia momentos, e esse foi um deles, em que simplismente não podia largar tudo e sair correndo. Fiquei muito surpreso e magoado com Paul, que pegou o telefone e procurou um cara chamado Mike Leander, porque eu disse que não poderia ir naquele momento.
Anos depois, na verdade, disse:
Eu não consegui compreender o porquê daquilo ter sido tão significativo para você. Estava na minha cabeça e eu queria tirar dali, botar pra fora. Só isso. Foi Paul sendo simplesmente Paul.

Ainda sobre She´s Leaving Home:
No dia 7 de dezembro de 1963, os Beatles participam como jurados do “Juke Box Jury”,programa de discos realizado pela BBCTV.
Num dos quadros, 4 garotas imitam e dublam a cantora Brenda Lee.
Paul fica encarregado de escolher a melhor, e escolhe a numero 4.
Tres anos depois, Paul McCartney leu um artigo no “Daily Mirror” sobre uma menina de 17 anos que fugiu de casa, e como ele sempre tivera um bom relacionamento com seus pais, a história o tocou. À procura de sociedades alternativas, jovens deixando o lar e abandonando uma educação formal eram relativamente comuns a partir de 1967.Da frase “I can’t imagine why she should run away, she has everything here.” proferida pelo pai da menina no artigo, Paul escreveu “we gave her everything money could buy”. A menina se chama Melanie Coe. A maior distinção entre sua historia pessoal e a da canção, é que ela na verdade fugiu para se encontrar com um rapaz que trabalhava como croupier num cassino. No mais, Paul acertou bastante quanto à distancia na comunicação entre as gerações dos pais e filhos. Ela foi encontrada e raptada de volta para a casa
de seus pais até completar 18 anos e casar, para poder fugir de vez.
A canção tem a distinção histórica de ser a única gravada pelos Beatles, contendo uma orquestração arranjada por outra pessoa que não fosse George Martin. Quando Paul McCartney, autor da canção, procurou Martin, este estava ocupado terminando a produção de outro artista. Martin pediu que Paul aguardasse alguns dias antes dele poder assumir o arranjo, mas na pressa Paul não pensou duas vezes em contratar outro arranjador, Mike Leander, para fazê-lo. George Martin, apesar de ofendido, não deixou de continuar a trabalhar e colaborar, regendo a orquestra para a gravação.
A grande coincidência é que, a garota fujona Melanie Coe, é a mesma que venceu o concurso tres anos antes.
Ele sempre tivera um bom relacionamento com seus pais, e a história o tocou. À procura de sociedades alternativas, jovens deixando o lar e abandonando uma educação formal eram relativamente comuns a partir de 1967. Da frase “I can’t imagine why she should run away, she has everything here”, proferida pelo pai da menina no artigo, Paul escreveu “we gave her everything money could buy”. A menina se chama Melanie Coe. A maior distinção entre sua historia pessoal e a da canção, é que ela na verdade fugiu para se encontrar com um rapaz que trabalhava como croupier num cassino. No mais, Paul acertou bastante quanto à distancia na comunicação
entre as gerações dos pais e filhos. Ela foi encontrada e raptada de volta para a casa de seus pais até completar 18 anos e casar, para poder fugir de vez.
A canção tem a distinção histórica de ser a única gravada pelos Beatles, contendo uma orquestração arranjada por outra pessoa que não fosse George Martin. Quando Paul McCartney, autor da canção, procurou Martin, este estava ocupado terminando a produção de outro artista. Martin pediu que Paul aguardasse alguns dias antes dele poder assumir o arranjo, mas na pressa Paul não pensou duas vezes em contratar outro arranjador, Mike Leander, para fazê-lo. George Martin, apesar de ofendido, não deixou de continuar a trabalhar e colaborar, regendo a orquestra para a gravação.

Ob-la di Ob-la-da

Paul se inspirou para essa canção no nome de uma banda de reggae: Jimmy Scott and his Obla Di Obla Da Band.
Paul conta, ‘Um chapa costumava perambular pelos clubes sempre dizendo essa expressão, “ob-la-di ob-la-da, life goes on”, e ele ficou incomodado quando eu fiz disso uma música, porque ele queria direitos autorais. Eu disse, “Vem cá Jimmy, isso é só uma expressão, se vc tivesse escrito a canção vc ganharia os direitos.”
Paul queria ela lançada em single, mas John e George votaram contra. John na verdade odiava esta música e criticava o desperdício de tempo para gravá-la.
Richard Lush, segundo engenheiro de som comentou que depois de 4 ou 5 noites de takes dessa música, John chegou na sessão meio alterado, e disse que queria fazer ‘Ob-la-di Ob-la-da’. Ele foi direto ao piano e começou a martelar as teclas e os outros entraram na onda. É claro, que essa foi a versão utilizada no álbum.

Love Me Do

O primeiro single dos Beatles!!!
Paul escreveu a estrutura principal da canção em 1958, quando estava saindo da escola; John depois ajudou um pouco com a parte central da música.
Uma versão inicial foi gravada em 4/9/62 em Abbey Road, mas George Martin não ficou satisfeito com o som da bateria, e os Beatles não imaginavam que o que soava de um jeito na sala de gravação poderia soar de outro jeito na sala de controle.
Naqueles tempos os produtores musicais usavam muito bateristas de estúdio, porque como George Martin admitiu, não importava muito o som dos vocais e das guitarras, mas a bateria teria que soar de uma determinada maneira no estúdio.
Isto foi usado anteriormente como desculpa para sacar Pete Best da banda, apesar de que quando eles foram ao estúdio dia 4/09 para gravar essa canção com Ringo, nem Paul, nem George Martin gostaram da bateria de Ringo, então foi agendada uma segunda gravação para 11/09, onde Andy White – um batera de estúdio – assumiu a batera. Em single a 1ª versão é com Ringo na bateria, a 2ª versão que saiu no ábum é a com Andy White na batera e Ringo está no pandeiro (muito puto!!!).
Existe uma versão gravada em 06/06/62 com Pete Best na bateria.
Quando o single foi lançado em 5/10/62, correram boatos de que Brian Epstein havia comprado 10.000 cópias para sua loja. Não é verdade!!!
Brian sempre negou isso, e é muito estranho esse rumor bobo ter continuado porque mesmo que uma loja compre essa quantidade de cópias de um determinado disco isto não afetaria a sua posição nas paradas pelo sistema que eram computados as vendas de single na época – e Brian sendo um empresário do ramo estaria ciente desse processo.
Junto com ‘P.S. I Love You’ são as duas únicas músicas dos Beatles que a MPL Communications, editora de Paul, possui os direitos.
Obs.: Em seu álbum de 1998 ‘Vertical Man’, Ringo fez questão de gravar uma versão de ‘Love Me Do’, aí sim SÓ com ele na batera!!! Grande Ringão!

Fixing a Hole

Há uma certa ambiguidade na canção: Quantos de nós já não tivemos dúvidas ao escutar Paul cantar essa canção que diz: “stops my mind from wondering” ou “wandering”? A diferença de som é quase imperceptível. A interpretação vai depender da escolha do ouvinte.
– stops my mind from wondering where it will go…… o concerto do buraco faz a mente dele parar de questionar-se?
– stops my mind from wandering where it will go……..ou este mesmo concerto impede sua mente de relaxar, de viajar? Uma mente que pára deliberadamente, mas que no fundo confessa que o bom mesmo é relaxar, viajar?
Wandering , essa foi a palavra usada. Ele se sente vigiado por forças que estão fora do seu alcance que identificamos como “the people standing there who disagree and never win”, “and the silly people run around” e conclui ” they worry me”!.
A pergunta é: esse jogo de palavras nos confunde ao ouvir a música? Seria essa ambiguidade intencional?
E o jogo de palavras continua: “And it really doens´t matter If I wrong I´m right, where I belong, I´m right.
Ele está dizendo que na verdade não importa se ele está errado, ele está certo? ou diz que : está certo no lugar ao qual pertence?
Também aí existem dois significados!!
As melhorias metafóricas feitas na casa: consertando o buraco, preenchendo as rachaduras, pintando a sala, nos levam na direção da imagem do próprio Paul, porque ao final ele diz que agora está tomando (ou dedicando) seu tempo com coisas que ontem não foram importantes.

Paul comenta sobre o significado de Fixing a Hole em “The Beatles in their Own Words”: Esta canção é apenas uma velha e boa analogia, o buraco no qual a chuva entra e não deixa que sua mente siga em frente ou tome decisões, é você mesmo interferindo com a sua própria vida.

Fonte: Here, There and Everywhere – The 100 Best Beatles Songs , Stephen Spignesi e Michael Lewis.

Agora sobre a parte técnica de Fixing a Hole:
Paul tinha comprado recentemente uma fazenda na Escócia e parece que ele mesmo se encarregou de
consertar o telhado…
Muita gente achou que fosse sobre a heroína, e o estrago que ela poderia estar fazendo ao ‘telhado’ do dono da casa’!!!
Esta foi a única música do álbum a não ter um overdub do baixo mais tarde!
Paul estava se tornando – já fazia alguns albuns – um dos maiores se não o maior baixista do mundo, sempre criativo e inovador, mas os estúdios de Abbey Road, mesmo em 67 eram ridiculamente atrasados.
Os Beatles ainda gravavam em 4 canais, qdo ja tinha gente gravando em 18!!!!
Um ano depois, pasmem, a EMI resolveu se render aos 18 canais, quando já havia sido lançada a tape machine de 24 canais!!!

Uma curiosidade: os Beatles inovaram também no lançamento de single sem Lado A e Lado B, como ocorreu com Penny Lane e Strawberry Fields Forever. Como ambas as músicas eram muito boas, ninguém conseguiu decidir qual seria Lado A ou B, então foi um processo natural!
Pena que isso atrapalhou os compradores. Além das canções serem inovadoras, o que dificultou as vendas, por que quando um lado A é especificado, as rádios tendem a tocar e insistir com essa música!
É isto que vai fazer o single vender! Vc compra o single por causa de UMA música, o lado B, geralmente não importa!
Como ficou confuso, não tinha lado A nem B, as rádios não insistiram muito nem numa nem noutra música, e claro que isso se refletiu um pouco nas vendas, não que não tenha vendido bem! Só não chegou ao nº 1 na Inglaterra, como a maioria dos outros singles.
O que confundiu mais os fãs é claro, foi a mudança no estilo da banda que vinha se desenvolvendo desde o ‘Rubber Soul’ e que ficou mais explícito no ‘Revolver’. Temas mais elaborados, preocupação mesmo com as letras, harmonias diferentes, instrumentação mais diversa e pesada, etc… Muita gente não estava preparada para isso, logo que começou!!
Inclusive os programadores musicais da rádios! Eles estranharam aquelas músicas mais elaboradas!
Lembro que quando ‘Paperback Writer’ foi lançada em single em 65, tb não deslanchou logo…

Paperback Writer

Paul teve a ideia de compor esta música ao ir visitar John em Weybridge. Ele se lembrou de ter lido algo pela manhã no jornal ‘Daily Mail’ sobre pessoas que eram escritoras de livros de bolso. Contou a John que a ideia era tentar escrever para os editores sobre a pessoa querer se tornar um ‘paperback writer’ (escritores de livros de bolso), e sugeriu que a letra da música fosse em formato de carta!
Paul começou a trabalhar na letra com John observando, em seguida os dois foram para a sala de música e colocaram a melodia.
John confirmou que a música era quase toda de Paul, e disse ‘Paul compôs essa. Talvez eu tenha ajudado um pouco na letra, mas a melodia era toda dele.’
George Harrison disse: ‘A ideia foi de Paul, acho que John ajudou com alguns acordes, mas foi Paul quem veio com toda a coisa já desenhada.’
Além de cantar, Paul tocou o baixo Rickenbacker na gravação. O engenheiro de gravação Geoff Emerick comentou que em “Paperback Writer” foi a primeira vez que o som do baixo pode ser ouvido em toda a sua plenitude. Para começar ele tocou com um baixo diferente, o Rickenbacker. Nós demos uma ajuda colocando um alto-falante como microfone, e posicionamos o alto-falante diretamente na frente da caixa do baixo e o movimento do diafragma da segunda caixa fez com que o baixo ficasse assim.’

Lançada com ‘Rain’ no lado B, este single surpreendeu muita gente. Não era um som que as pessoas estivessem acostumadas a ouvir os Beatles tocarem!

Twist and Shout

O texto a seguir é de Bob Spitz, “The Beatles – A Biografia”, e narra com riqueza de detalhes a gravação da música.

“(…) às 10 horas, eles haviam terminado o trabalho. Abbey Road estava se fechando: os técnicos desligaram os equipamentos e dobraram quilômetros de cabos em volta dos braços, os músicos se despediram à porta e as luzes foram apagadas. Ainda poderiam fazer muita coisa naquela noite, mas os Beatles estavam acabados, física e emocionalmente. No decorrer dos anos, eles tocaram por mais tempo seguido e com mais força, porém nunca com tanta coisa em jogo. Eles colocaram tudo o que tinham naquela sessão. George Martin estava compreensivelmente eufórico: não seria perfeito, especulou, se conseguissem terminar o projeto inteiro nessa mesma noite? Ainda faltava uma música para completar o disco. Da forma como haviam passado voando pelas quatro anteriores, bastaria meia hora para gravar a última faixa.
A possível relutância dos Beatles, talvez esperada, não aconteceu. Naquela altura, eles estavam dispostos a fazer o que quer que Martin pedisse; assim, seguiram o produtor para a cantina, onde, tomando um café, pensaram em músicas, em busca de um final arrebatador. Norman Smith disse que “alguém sugeriu “Twist and Shout”, música que haviam tocado nas apresentações do ano anterior. Era uma música retumbante, um hino adolescente, que geralmente vinha seguido de uma improvisação extensa – o que nunca deixava de animar a platéia. Mas exigia um desempenho vocal tremendo, empurrando cada frase até o limite. “Uma verdadeira destruidora de laringes”, como George Martin mais tarde a chamaria. E era John quem a cantava. Se ele estava em condições? Ninguém, nem mesmo John, sabia ao certo. Ele exigira demais da voz o dia inteiro, levando-a ao limite, como um carro quase sem combustível. Ainda havia o suficiente, ele insistiu, apesar de admitir que sentia uma lixa na garganta quando engolia.
Todos sabiam que teriam que acertar de primeira – a banda, o engenheiro, todos precisavam fazer seu trabalho sem perder uma única nota, e sem um único erro. Não sobraria nada da voz de John depois daquilo.
O conjunto voltou ao estúdio e afinou os instrumentos enquanto Brian e equipe de produção subiam as escadas para a cabine de controle.
(…)Persuadindo aos poucos as cordas, eles conseguiram que os instrumentos aceitassem suas ordens aos protestos. Não se passaram mais de dez minutos até que Martin, invisível por trás da cabine de vidro, sinalizasse que estavam prontos.
John abriu a caixa de leite e bebeu ruidosamente. Ele passara a maior parte do dia vestido num terno amarrotado, que em algum momento depois do jantar foi abandonado, com a conseqüente libertação do nó da gravata. Então, sem falar nada, tirou a camisa, ajeitou-a nas costas de uma cadeira, foi até o microfone e fez um breve sinal com a cabeça: estavam prontos.
Fica evidente, desde as primeiras notas, que John luta para controlar a voz. “Shake it up bay-be-eee…” parece mais um grito do que uma voz cantando. Não sobrara nada da voz dele. Estava seca, nua, com toda a ressonância descascada dos tons: o som produzido parece o de um fã raivoso e rouco aos berros em um jogo de futebol. O vocal de “Twist and Shout” foi cantado por entre os dentes, com o rosto contorcido. John havia trabalhado o dia todo para alcançar as notas certas, mas aquilo era diferente, dolorido. E doía ao ouvir também.
Ele deu tudo o que tinha, como num transe, mas, à medida que a banda aumentava a intensidade da música, a dificuldade ficou ainda maior. “C’mon and twist a little closer” foi se transformando em um som estridente, agonizante e demoníaco, até que, no último refrão, a guturalidade torturante mascarou todas as palavras e Paul, admirado, gritou, “Hey”, comemorando o milagre de terem cruzado a linha de chegada.
John estava esgotado, à beira do colapso, mas os outros já sabiam o que ele descobrira ao ouvir a gravação: com toda a sua aspereza, “Twist and Shout” é uma obra prima – imperfeita, mas não menos obra-prima, com as bordas ásperas expostas para ressaltar seu poder. É crua, explosiva. O som da fadiga devastadora, de tudo se desfazendo, apenas complementa o espírito de uma tumultuada apresentação ao vivo. Na cabine, o júbilo reinava. George Martin e sua equipe sabiam que tinham “acertado na mosca” e, como ele e os outros mais tarde revelariam, estavam animadíssimos. Os Beatles tinham seu primeiro disco, e nas palavras eloquentes de John, estavam “todos prosa”. Pp. 373, 374.

Neste post, curiosidades sobre a canção Twist & Shout.

Why don’t We Do it in the Road?

Esta musiquinha gerou muita controvérsia! Paul chamou Ringo num canto do estúdio e gravou este rock só com ele.
Anos depois, John ainda dizia o quanto ficou desapontado por Paul não tê-lo consultado nem a George sobre gravar juntos esta música. Ele disse, ‘Eu não posso falar por George, mas eu sempre ficava magoado quando Paul fazia alguma coisa sem nos envolver.’
Em 1981 Paul comentou,’Houve apenas um incidente que eu lembre que John mencionou publicamente. Foi quando eu chamei Ringo e fiz “Why don’t We do it on the Road?”. Mas não tive intenção de magoá-lo. John e George estavam terminando alguma coisa, e eu e Ringo estávamos livres, só fazendo tempo, então eu chamei Ringo e disse “Vamos fazer esta aqui.”
‘Eu ouvi John algum tempo depois cantando essa canção, pelo jeito ele curtia ela e eu suponho que ele teria gostado de gravá-la comigo. Era uma música bem estilo dele, por isso acho que ele gostou. Ela era muito John, escrevi como por tabela.’
‘De qualquer maneira ele fez “Revolution 9” do mesmo jeito. Ele foi lá e gravou sem mim. Mas ninguém fala disso, John ficou sendo o cara legal e eu o sacana.’
Noutra entrevista anos depois, recordando ás canções dos Beatles, John comentou, ‘Esta é de Paul. Ele a gravou sózinho, quando nós chegamos no estúdio ele já estava gravando. É ele na bateria, ele no piano, ele cantando.
Repito que fiquei magoado com isso, mas as coisas eram assim naquele tempo.’
A mágoa de John deve ter sido tão grande que ainda durante as sessões do ‘Let It Be’ ele brincava inserindo a frase ‘Why don’t you put it on the toast?'(Porque vc não põem isso na torrada?) entre as gravações.

Get Back

Paul escreveu esta canção a princípio com objetivos políticos, falando a respeito de imigração. Ele estava tentando fazer uma canção anti-racista.
Na época haviam muitos debates sobre a imigração de paquistaneses para a Inglaterra.
Entretanto ela foi interpretada erradamente por alguns como sendo racista!!
Ela foi lançada em single e liderou a parada em vários países, sendo a canção ‘Beatle’ que mais tempo ficou em 1º lugar nos EUA!!!
Foi lançada uma versão diferente no álbum ‘Let It Be’, cortada, onde no final pode se ouvir Paul dizendo ‘Thanks, Mo.’ Ele estava agradecendo a Maureen, esposa de Ringo que estava aplaudindo.
John Lennon também interpretou esta canção de maneira equivocada, achando que Paul se referia a Yoko no verso, ‘Get back to where you once belong'(volte para o seu lugar)!!!
John disse que toda vez que Paul cantava essa parte ele olhava pra Yoko!!! ‘Talvez eu estivesse paranóico’, completou John.

The Long and Winding Road

Esta canção que fez parte do filme ‘Let it Be’, já tinha a versão de Paul pronta para ser lançada, entretanto Allen Klein com a conivência de John e George entregou todas as músicas das sessões do projeto, ‘Get Back/Let it Be’ para Phil Spector remixar.
‘The Long and Winding Road’ foi a faixa que ‘sofreu’ mais, foram incluídos uma orquestra com violinos, uma harpa e um coral feminino.
Paul comentou, ‘Eu não consegui acreditar, eu nunca colocaria corais femininos numa gravação dos Beatles.’
George Martin disse, ‘Era uma bela canção de McCartney, mas quando voltou das mãos de Spector, ela estava adocicada e sobrecarregada com corais, orquestras e tudo o mais.’
Em uma entrevista de 1973, Paul relembrou, ‘Eu não fiquei impressionado pelos violinos e os vocais, eu sempre coloco as minhas próprias cordas. Mas isto tudo já é leite derramado, ninguém mais se importou só eu, então resolvi ficar quieto.’
Uma versão dessa canção foi incluída no ‘Tripping the Live Fantastic’. Ela foi gravada ao vivo no Maracanã em 21/04/1990. Quem foi lá lembra bem!!!
Importante salientar que o objetivo do projeto ‘Let It Be/Get Back’ era uma volta às raízes, por isso o descontentamento do Paul com a versão ‘glamorosa’ de ‘….Long and winding…’ que Phil Spector ‘produziu’.
Temos que observar tb que as primeiras sessões do projeto foram produzidas por Glyin Johns, produção esta que John disse ser uma ‘merda’, e por isto o trabalho caiu nas mãos de Spector!!
Enfim, pequenos detalhes que levaram Paul a ficar muito chateado, e que tb contribuiram para o fim da banda!

Little Willow

Esta faixa de ‘Flaming Pie’ Paul compôs como uma homenagem a ex-esposa de Ringo, Maureen que tinha falecido recentemente.
Ele disse, ‘Eu queria algo que transmitisse o quanto eu estava pensando nela e nos seus filhos.’
Esta canção tb fez parte do álbum ‘Diana – A Tribute’, em homenagem a Princesa Diana!
Recordando que a canção foi uma mensagem para os filhos de Maureen após a sua morte, Paul comentou, ‘O dia que eu recebi a notícia não consegui pensar em mais nada, então fiz essa música. Ela é bem sincera e espero que ela ajude as crianças. Em vez de escrever uma carta, eu escrevi uma música.’

Mine for Me

Uma pouco conhecida que Paul compôs para Rod Stewart!!
Esta canção se originou de uma coletiva de imprensa em Oxford, em 1973 quando perguntaram a Paul porque
ele tinha escrito ‘Six O’Clock’ para o álbum ‘Ringo’ de Ringo Starr. Paul respondeu, ‘Eu faria isso por qualquer
amigo, se Rod Stewart me ligasse eu faria uma prá ele.’
Consequência disso, no outro dia Paul recebeu um telefonema de Rod pedindo uma música e compôs ‘Mine for
Me’!!!
Numa outra ocasião quando perguntado porque tinha escrito esta para Rod, ele disse, ‘Foi apenas o resultado de
outra noite de bebedeira, eu acho! É legal compor para alguém como Rod, porque ele tem uma voz peculiar,
você pode ouvir ele cantando enquanto você está compondo. Tem gente…sei lá, que são um pouco chatas, e
você acaba escrevendo canções chatas para elas.’
Durante um show de Rod Stewart no Odeon Theatre em novembro de 74, Paul e Linda subiram ao palco e
cantaram esta música junto com ele.
Este show foi filmado e apresentado no programa ‘Midnight Special’ em 25 de abril de 1975.
Stewart incluiu a canção em seu álbum ‘Smiler’ lançado em setembro de 1974 e tb a lançou em single em
novembro, com ‘Farewell’ no lado 2.

Eleanor Rigby

Numa entrevista para o ‘Sunday Times’ Paul contou como criou essa canção:

_”Eu estava ao piano quando pensei nela. Vieram alguns acordes e eu tinha este nome na minha cabeça – Daisy Hawkins, “picks up the rice in the church where a wedding has been”.
Eu consigo ouvir toda a canção em um acorde, na verdade eu acho que posso ouvir toda a canção em uma nota, se conseguir prestar bem atenção’.
‘Não consegui pensar em mais nada, então deixei ela de lado aquele dia. Depois me veio o nome Father McCartney – e todas as pessoas solitárias. Mas me ocorreu que todo mundo ia pensar que era sobre meu pai, colocando suas meias. Meu pai era um cara alegre, então eu fui olhar na lista telefônica e arranjei o nome McKenzie.
Quando estava em Bristol passeando achei que Daisy Hawkins não era um bom nome, então numa vitrine vi o nome Rigby, guardei isso e fui até a casa de John em Weybridge. Sentamos, pusemos a cabeça pra funcionar, demos umas risadas e terminamos a canção.
Nossas músicas todas vêm da imaginação, nunca existiu uma Eleanor Rigby.’

Apesar do que Paul disse, algumas canções deles também se referem a fatos reais e autobiográficos, como por exemplo várias músicas deste período dele estarem relacionadas aos altos e baixos em seu relacionamento com Jane Asher!

Foi descoberto num pátio de uma igreja em Woolton, um túmulo onde estava enterrada uma certa Eleanor Rigby. Todos acharam então que Paul tirara o nome da canção dali, mas como vimos acima não foi bem assim. O finado Tom McKenzie, um companheiro deles de Liverpool que foi mestre de cerimônias dos Beatles em algumas turnês em Norwich, acreditava que Father McKenzie referia-se a sua pessoa e passou a se autodenominar Father McKenzie.
Mas ele também estava errado. É um erro comum as letras dos Beatles serem analisadas literalmente, esperando que elas se refiram a alguém em particular.
Outro exemplo é Judith Simonds, jornalista do ‘Daily Express’, que acreditava que ‘Hey Jude’ era sobre ela, mas ficou claro que Paul a compôs com Julian Lennon em mente.’

Ainda sobre Eleanor, para o primeiro nome, Paul pode ter se inspirado na atriz Eleanor Braun, que participou do filme ‘Help!’, e segundo se comentou, teve um caso com John!
Mais recentemente, para fins beneficentes, uma entidade pediu a Paul uma contribuição de alguma obra sua (letra, manuscrito, qualquer coisa) para que pudesse leiloar e angariar alguns fundos!
Foi uma surpresa quando Paul enviou uma certidão de óbito original de uma certa…. Eleanor Rigby!!!
Voltamos então àquela pessoa enterrada no pátio da igreja em Woolton!

Hey Jude

John Lennon comentou, ‘”Hey Jude” é toda de Paul, é uma de suas obras de arte!!’
Paul comentou que a canção ganhou vida como “Hey Jules” e era uma mensagem de conforto a Julian Lennon,
na época com 6 anos, porque seus pais John e Cynthia estavam se separando.
‘Eu estava indo visitar Cyn, logo após a separação, e estava no meu carro cantarolando essa canção…”Hey Jules, don’t make it bad…”
Então pensei que um nome melhor seria ‘Jude’, mais Country & Western!
Eu estava terminando de compô-la em Cavendish Avenue, estava no andar de cima ao piano, e John e Yoko
chegaram e ficaram me observando enquanto eu terminava a canção! Depois toquei para eles!!!’
Esta música com seus mais de 7 mins. quebrou a barreira dos singles nas rádios, que só executavam
musiquinhas de 3 mins.!!
George Harrison queria responder a cada verso da canção com um solo de guitarra, mas Paul vetou – e eles
ainda discutiram sobre isso na época do ‘Let It Be’!
Paul disse, ‘Eu lembro em “Hey Jude” de dizer pra George não tocar guitarra, ele queria colocar seus ‘riffs’
depois de cada frase, o que eu não achava apropriado. Ele não pensava assim e foi difícil para mim “ousar”
dizer a George – um dos melhores guitarristas do mundo – a não tocar a guitarra. Era como se fosse um insulto,
mas era assim que fazíamos muita coisa naquele tempo.’
Outra curiosidade é que a “Apple Boutique” tinha fechado, e Paul resolveu colocar o nome “Hey Jude” na vitrine
para promoção do single, mas os vizinhos não gostaram achando que se referia a Judeus (Juden), e que era um slogan anti-semita! Resultado… Antes que a confusão fosse explicada, um tijolo quebrou as vitrines…

Girl’s School

Esta canção gravada pelos Wings em março de 77 foi inspirada na famosa escola de meninas ‘St. Trinians’,
criada por Ronald Searle e objeto de vários filmes de comédia na Inglaterra.
Paul tb citou ter recebido inspiração extra de anúncios nos jornais americanos de filmes ‘soft-porn’, com títulos
como ‘School Mistress’ e ‘The Woman Trainer’.
O título original da canção era ‘Love School’!!!
A música foi lançada em single como duplo lado A com ‘Mull of Kintyre’ em novembro de 1977, apesar de esta ter
sido a que levou ás vendas astronômicas de mais de dois milhões de cópias vendidas na Inglaterra!
Um recorde que só foi superado 7 anos depois pelo single de caridade do ‘Band Aid’!!!
Na América foi ‘Girl’s School’ que recebeu maior promoção, apesar de chegar somente na posição de nº33 nas
paradas! ‘Mull of Kintyre’ foi ignorada por ‘motivos geográficos’, digamos assim!
Paul comentou, ‘Esta canção me veio quando terminamos a turnê pela Austrália, e fomos descansar no Hawai,
iríamos ao Japão em seguida, mas fomos impedidos pelo Ministro da Justiça japonês por sermos ‘crianças
levadas’.
Ficamos em férias então e comecei a ler aqueles jornais americanos onde no fim dos cadernos de
entretenimento ficavam sempre os filmes pornôs.
‘Eu gostava daqueles títulos, então basicamente peguei todos aqueles títulos e fiz deles uma canção.
Havia títulos como ‘Curly Haired’, outro chamado ‘Kid Sister’, muito bons todos , eu apenas os costurei em uma
música. Ficou como uma ‘St.Trinians’ pornográfica.’ 

Mull of Kintyre

Durante 7 anos como falamos acima foi o single mais vendido na Grã-Bretanha, tendo tirado esta honra de ‘She
Loves You’ dos Beatles em 1963 e a entregue em 1984 ao single ‘Do They Know It’s Christmas?’ da ‘Band Aid’, um
single de vários artistas com direitos doados a campanha contra a fome na África!!!
‘Mull of Kintyre’ vendeu 1 milhão de singles em um mês entre novembro e dezembro de 1977, e depois
ultrapassou os 2 milhões!!!
Foi gravado em agosto de 77 no estúdio de Paul na Escócia, ‘Spirit of Ranachan’, junto com a unidade móvel de
estúdio RAK que foi trazida de Londres.
Discutindo a canção com Chris Welch, da ‘Melody Maker’, Paul comentou, ‘É totalmente Escocês, por isso soa tão
diferente das que fizemos nos barcos – referindo-se as gravações de ‘London Town’ – e nós achamos de cara que
deveria ser um single, e soa muito Natalino e festivo. Nós tivemos a banda local de gaitas de fole, a
‘Campbeltown Band’ e eles foram ótimos – só flautas e tambores. Foi muito interessante compor para eles.’
Denny Laine ajudou Paul na composição. Ela se refere a um lugar no final da península de Kintyre, perto da
fazenda de Paul, em Campbeltown. Foi feito um clip no local, com Paul, Linda, Denny e a Campbeltown Pipe
Band, um grupo de 21 pessoas que tocaram na gravação.
Sobre as vendas fracas na América – onde ‘Girl’s School’ foi o lado 1 – Paul respondeu, ‘Vcs tem que entender
que esta é uma gravação sobre um local que é totalmente desconhecido para 95% dos americanos. Eles não
sabem o que é, o que significa, nem nada. Tivemos ligações de estações de rádio perguntando o que significava isto. ‘O que é “Mull of Kintyre?” Então vc tinha que responder que era um lugar na Escócia onde Paul tira férias etc…etc… Paul, escreveu esta canção declarando seu amor pelo lugar, e os ingleses sabiam o que era isso.
Seria como escrever uma canção sobre ‘Yellowstone Park’ ou o ‘Grand Canyon’ aqui na América, e ia ter gente
na Europa que não iria saber o que significa. A Geografia teve muito a ver com isso e a melodia também’.

Junior’s Farm

Quando Paul e os Wings estavam gravando em Nasville em 1974, eles ficaram na fazenda pertencente a Curly
Putnam, apelidado de Junior. Paul resolveu imortalizá-lo nessa música!
Os famosos músicos de Country Chet Atkins e Floyd Cramer se juntaram ao Wings nessa faixa, e também foi a
primeira com as participações de Jimmy McCulloch e Geoff Britton.
Esta canção chegou ao nº03 nos EUA, com ‘Sally G’ no lado 2, que dizem ter sido feita em homenagem a um
outro cantor Country que Paul conheceu.
Em 1975 Paul inverteu a ordem do single, colocando ‘Sally G’ como lado 1!! Ele comentou que foi apenas para
uma maior exposição desta música que ele gostava.

Hope of Deliverance

Infelizmente não encontrei nenhuma estórinha legal sobre a ‘Hope..’, Lucinha!
Apenas sei que ela foi lançada em single com ‘Long Leather Coat’ no lado B, em 28/12/92. Mas tem uma
curiosidade sobre o clip!!
Foi feito um filme promocional da ‘Hope..’ que gerou muita controvérsia, pois Paul pagou 20.000 libras na época
para 350 figurantes que eram meio-hippies dos anos 90!
Esses figurantes entraram em confronto com os fazendeiros do Pais de Gales onde o clip foi filmado. Os
fazendeiros reclamaram que eles arruinaram as plantações e a grama e ainda soltaram os cachorros em cima de
suas ovelhas…
Paul defendeu os hippies ‘New Age’ dizendo que era muito legal ainda existir comunidades assim…

A Day in the Life
Uma colaboração entre Paul e John, mas foi escrita separadamente. John escreveu o início e o final e Paul a
parte central da canção.
Paul já tinha escrito essa parte central para outra canção, mas decidiu incorporá-la na canção que John estava
escrevendo.
Há também aquele longo acorde final que dura 42 segundos, e consta que no seu fim existe um som audível apenas
para cães. Talvez a ‘Martha My Dear’ ouvisse!
A parte de John foi inspirada por duas diferentes notícias lidas no jornal: a morte num acidente de carro em
dezembro de 66 do herdeiro da ‘Guiness’, chamado Tara Browne, muito amigo de Paul, e a notícia de muitos
buracos nas ruas de Blackburn, Lancashire.
A parte mais alegre, a de Paul, foi baseada em suas jornadas de ônibus para o colégio. A frase ‘went upstairs
and had a smoke…’ apesar de ser interpretada como relativa a drogas, era apenas Paul fumando no andar
superior do ônibus a caminho da escola.
A verdadeira parte sobre drogas foi a brilhante sacada de Paul, ‘I’d love to turn you on’!!! Mas os censores
proibiram ‘A Day in the Life’ por ‘a thousand holes in Blackburn…’ interpretando isso como se fosse ‘buracos nos
braços dos políticos…’ hahahaha!!
A canção foi gravada com 42 músicos da London Philharmonic Orchestra. Ela tb tinha influências vanguardistas, Paul particularmente estava ouvindo muito John Cage, Luciano Bario, o pianista Sun Ra e o saxofonista Albert
Ayler, e transportou idéias inovadoras para a música dos Beatles.

I’m Looking Through You

“I’m Looking Through You” é uma canção que Paul compôs após uma briga com Jane, ironicamente escrita na
sala de música da casa dos Asher em Wimpole Street onde ele estava morando desde 1963.
Jane estava em Bristol atuando com a companhia de teatro ‘Old Vic’. Parece que arranjou um ‘namorado’ por
esta época la em Bristol (onde será que eu andava…)
Inicialmente Paul escreveu apenas um verso e o coro que os Beatles gravaram em outubro de 65 durante as
sessões do “Rubber Soul”. Depois ela foi re-gravada em 6 e 10 de Novembro e feito overdubs de vocais em 11 de Novembro de 1965.
Paul comentou:”Durante muito tempo minha vida foi centrada numa existência de solteiro. Eu não tratava as
mulheres como deveriam ser tratadas. Eu sabia que eu estava sendo egoísta. Isto causou algumas discussões.
Jane foi para Bristol para atuar. Eu disse, ‘Tudo bem, pode ir, eu vou encontrar outra pessoa.’
Era difícil pra mim ficar sem ela. Foi então que escrevi “I’m Looking Through You” – para Jane.”

No livro ‘Many Years From Now’, Paul comenta que não guarda rancores, que ele coloca tudo pra fora na música! Acho que ‘I’m Looking Through You’ foi apenas uma maneira dele desabafar. E nos mostra o quanto ele era apaixonada pela Jane!

For No One

Uma canção que Paul fez quando estava em férias, esquiando com Jane em Klosters, na Suiça. Os dois
alugaram um chalé entre 6 e 20 de Março de 1966. Paul chamou a música a princípio de “Why Did It Die?”.
Os Beatles a gravaram em 9 de Maio em Abbey Road para o “Revolver”. É uma das canções dos Beatles
preferidas de John Lennon.
Paul a incluiu em seu filme “Give My Regards to Broad Street”, comentando: “Eu nunca a tinha apresentado em
nenhum outro lugar. Eu escrevi a canção, levei pro estúdio um dia, gravamos ela, fim da história. Ficou só uma
fita, uma peça de museu. E eu odeio a idéia de canções como peças de museus’.
Jane o inspirou novamente!

Let Me Roll It

Paul comenta, “Esta música foi feita na Escócia. Era um dia bonito, eu estava sentado ao ar livre, dedilhando a
guitarra e tive a idéia para essa canção.
Depois fomos a Lagos, na Nigéria e fizemos uma demo, com Linda no órgão, eu na bateria e Denny na guitarra.
Fizemos overdubs das guitarras pesadas que vc ouve o tempo inteiro através de um amplificador PA, não um
amplificador de guitarra, mas um amplificador de vocais, o que é muito mais forte.”
Em 2001 numa entrevista Paul disse que, ” era originalmente um riff, um grande solo, e onde quer que
tocássemos ao vivo ficava muito bom. Nós tocávamos em duas guitarras, e algumas pessoas à viram como um
pastiche de John, algo ‘Lennonesco’. Não me importo. Poderia ter sido uma música Beatle. Eu e John teríamos
feito um bom trabalho cantando ela.”

I Will

Paul comentou, “Eu escrevi algumas canções em Rishikesh.
Eu estava fazendo uma (‘I Will’), que eu tinha uma melodia na cabeça por muito tempo. Mas, ainda não tinha a
letra para ela. Eu lembro de estar com Donovan, e mais algumas pessoas. Eu toquei pra ele esta melodia, e ele
gostou bastante, e ficamos tentando achar palavras para ela. Colocamos alguma coisa. Eu continuei procurando
por melhores palavras e eu acabei achando elas no final, palavras muito simples, realmente uma canção de
amor direta. Eu acho ela muito incisiva.”
Foram feitos 67 takes de ‘I Will’ em Abbey Road em 16/09/68.
Paul disse que ela foi dedicada à Linda!

Every Night

Paul apresentou “Every Night” aos Beatles durante as sessões do projeto “Get Back/Let It Be”. A música ainda
tinha que ser finalizada e Paul tentou isto duas vezes, em 21/01/69 e 3 dias depois novamente.
Paul acabou completando a canção na primavera daquele ano quando estava em férias na Grécia. A balada foi
gravada no Abbey Road em 22/02/70, e mixada dois dias mais tarde.
É um dos grandes momentos do disco e Paul está nos vocais (dobrado em algumas partes), violão, guitarra,
baixo e bateria.

Drive My Car

Paul conta, ‘Eu cheguei no estúdio com essa melodia bonitinha, mas a letra era ruim, algo como: “I can give you
diamonds rings, I can give you golden rings, I can give you anything,”. John achou horrível, com razão, e ficamos
na estaca zero.
Então disse, “Vamos sair e tomar uma xícara de chá, fumar e relaxar um pouco. “Depois nos animamos e eu tive
uma idéia, “Que tal aquela garota que mora em L.A. e quer arranjar um chofer?”
Harrison comentou, ‘Nós mexemos bem nessa faixa, ao contrário do que Paul costumava fazer. Se ele tivesse
escrito uma canção, ele aprendia todas as partes e depois viria pro estúdio e diria, “Façam assim.” Ele nunca
dava a oportunidade prá vc tentar algo diferente. Mas, em “Drive My Car” eu fiz essa parte, um pouco parecida
com “Respect”, de Otis Redding. Eu toquei essa parte na guitarra e Paul me acompanhou no baixo. Conseguimos lapidá-la desse jeito.’

Heaven on a Sunday

‘Eu compus esta quando estava navegando. Adoro navegar quando estou em férias – não precisa ser um grande iate. Pra mim é muito relaxante, e posso me afastar um pouco dos negócios.
É assim muitas vezes que me vem essas canções, fáceis, calmas, relaxantes. Eu a escrevi e estava tocando em
casa e Linda se juntou a mim no coro e estava ficando legal.’
A canção se tornou “assunto de família” com 3 McCartney presentes nela.
Sobre a participação de seu filho James, Paul comentou, ‘Achei que seria uma boa idéia tocar com ele, e James está progredindo muito na guitarra. Quando vc está numa banda acompanhado por alguém durante 20 anos, vc
entende o que o outro quer, e vice-versa, nesse caso eu pensei, “Bem, eu não estive numa banda com James
todos esses anos, mas eu o conheço todo esse tempo, eu o escuto tocar e ele também. Temos tanta coisa em
comum que eu aposto que vai dar certo.”

The End

Foi gravada em Abbey Road em 23 de julho de 1969.
John Lennon comentou sobre ela, ‘Esta é Paul novamente, a canção inacabada, certo? Ele tinha uma frase, “The
love you take is equal to the love you make,” o que é uma coisa muito filosófica. O que prova novamente que se
ele quer, ele consegue pensar.’…
Temos ao final desta música 3 solos de guitarra, se é que podemos chamar de solos, tocados ao vivo no estúdio,
e na seguinte ordem: Paul, George e John!
A faixa inclui o único – tb digamos solo – de bateria de Ringo Starr como Beatle, o que levou Paul a comentar,
‘Nós nunca conseguimos persuadir Ringo a fazer um solo, O máximo que conseguimos dele foi aquele ruído
prolongado em “The End”.’
Ringo comentou que não gostava de solar.
A melhor banda do planeta acabava aqui!

…’Esta é Paul novamente, a canção inacabada, certo? Ele tinha uma frase, “The love you take is equal to the love you make,” o que é uma coisa muito filosófica. O que prova novamente que se ele quer, ele consegue pensar.’… ? (John Lennon) Fonte deste comentário de Lennon: livro ‘The Paul McCartney Encyclopedia’ de Bill Harry.

Maxwell’s Silver Hammer

Paul escreveu esta canção no final do verão de 1968, ainda para o ‘White Album’, mas não foi gravada então. Ela foi tb ensaiada durante a ‘Let It Be sessions’, mas a gravação pra valer começou em 9 de julho de 69, e acabou aparecendo no ‘Abbey Road’.
Foi a primeira sessão de John após um acidente de carro que ele teve junto com Yoko, Julian e Kyoko na
Escócia (John além de míope, era péssimo motorista).
O engenheiro foi Phil McDonald, que comentou, “Todos estavam esperando por John e Yoko. Paul, George e
Ringo na parte de baixo do estúdio e nós lá em cima. Ninguém sabia em que ‘estado de espírito’ John viria pra
sessão. Pairava uma atmosfera de receio entre os Beatles, pq nunca se sabia como John estaria. Eu tinha a
sensação de que os 3 estavam um pouco amedrontados com John. Mas quando ele finalmente chegou foi um
alívio, porque eles todos se entrosaram bem.”
John criticou muito esta música: “Eu a odeio. Paul nos fez perder um tempão com ela. Ele fez tudo para fazer
dela um ‘single’, mas ela não foi e nunca seria, mas ele regravou partes de guitarra, colocou alguém batendo um
ferro (Mal Evans bateu o martelo), e nós gastamos mais dinheiro com esta música do que qualquer outra no
álbum.”
Paul disse, ” ‘Maxwell’s..’ era minha analogia para quando as coisas começam a dar errado, como muitas vezes
acontece, e eu estava começando a descobrir isso naquela época da minha vida. Eu queria algo simbólico,
então para mim, este era o caráter fictício chamado Maxwell com um martelo prateado. Não sei pq era prateado,
apenas soou melhor que ‘Maxwell’s Hammer’.”

Baby’s Request

Uma canção que Paul compôs especialmente para o veterano grupo vocal ‘Mills Brothers’, que Paul conheceu
nos bastidores do show deles na França quando estava em férias em Paris.
Paul fez uma demo da gravação e quando a ofereceu ao grupo eles responderam que Paul teria que ‘pagar’
para eles gravarem esta música!!! Essa foi boa!!
Ela acabou então no final do ‘Back to the Egg’!
Os ‘Mill Brothers’ tinham 3 membros efetivos, Harry Mills, Herbert e Donald. John Mills Jr. tb atuou com eles
tocando guitarra, e quando ele morreu em 1935 o pai deles John Mills Sr se juntou a banda junto com o
guitarrista Bernard Addison. Quando o pai deles se aposentou eles continuaram como um trio até a morte de
Harry em 1962, quando eles continuaram com outro cantor.
Eles tiveram vários sucessos como ‘You Always Hurt The One You Love’ e “I’ve Got My Love to Keep Me Warm’.

I Want to hold your hand (1963)

Paul e John haviam feito, juntos, I Want to hold your hand, na casa de Jane Asher (Paul havia se mudado pra lá, há pouco tempo)..
Ao término da canção, depois de 3 dias, Paul estava tremendamente feliz e queria compartilhar o feito com a sua namorada, Jane, que não se encontrava em casa…
Peter Asher (irmão de Jane, conta):
“Cheguei a tardinha e Paul (McCarntey) e John (Lennon) riam alegremente, e Paul perguntou sobre Jane, e eu não sabia, verdade!!! Havia um piano e Paul me perguntou: “Peter, você pode ouvir o que acabamos de fazer?” Paul sentou-se ao piano e tocou I Want to hold your hand enquanto John acompanhava com palmas. Ao término, Paul me perguntou: “Peter, o que você achou, legal, não???”…Balancei a cabeça que sim, mais tarde I Want to hold your hand chegou ao 1º lugar…Fico feliz porque fui o primeiro a ouvir a grande muisca que iria mudar o proprio conceito da muisca moderna (risos).
Fonte: Os Anos da Beatlemania, I Want to Hold your hand (People & Arts, canal 53)

Ticket To Ride
Tiket to Ride é uma canção que fez parte do álbum Help e foi gravada em 15 de fevereiro de 1965, no Abbey Road Studio.
A música foi escrita principalmente por John Lennon, com discutíveis contribuições de Paul McCartney. Lennon teria dito a McCartney que suas contribuições foram limitadas, do mesmo jeito que o Ringo compôs a bateria, ao que, mais tarde, Paul respondeu: a letra estava incompleta e nos sentamos e escrevemos juntos, dei a ele (Lennon) 60% da música, depois de trabalharmos três horas. Ao que John voltou a responder: Claro, Paul fez a frase final: “My Baby don’t Care”
Uma curiosidade: nesta música Paul fez os solos de guitarra.
Há algumas especulações sobre a inspiração da música ou do seu título. Uma delas é de que em Hamburgo, na época que os Beatles tocaram por lá, as prostitutas precisavam tirar uma carteirinha de saúde, para evitar a transmissão de doenças venéreas. Essa carteirinha, na gíria local, foi apelidada de Ticket To Ride e que isto teria inspirado ao irreverente Lennon, por ocasião da composição.
Outra possível explicação para a inspiração do título, teria sido uma sutil associação que Lennon fez ao fato de sua mãe ter deixado a família, na sua infância.
Há outras atribuições como se John tivesse sido influenciado em Hamburgo por Little Richard, que no espírito negro, adotava a frase de protesto “If I Got My Ticket, Can I Ride?”
Há ainda uma consagrada brincadeira popular de que a música foi originalmente composta com o título “Ticket To Rye” => “bilhete de Centeio” e que o nome oficial da música teria sido mudado para Ticket To Ride” apenas por que as pessoas no resto do mundo não iriam entender o sentido do que seria para eles “Ticket para o Whisky”.
Na gravação Lennon colocou voz duplicada e tocou guitarra base. Paul fez vocal, tocou baixo e fez guitarra solo. George fez vocal e tocou guitarra de 12 cordas. Ringo tocou bateria e tamborim.

Fontes: Ricardo Pugialli e Bob Spitz.

I Feel Fine

Numa das sessões de gravação de I Feel Fine, o violão de John produziu acidentalmente microfonia no estúdio, logo no acorde inicial da música. Em vez de começarem a nova tomada sem o “defeito”, eles o incorporaram definitivamente na música e em toda a cultura pop. E três anos antes de Jimi Hendrix.
I Feel Fine saiu em compacto simples, junto com She’s a Woman. As vendas bateram um milhão de cópias. Na Inglaterra, o lançamento foi em 27/11/64 e nos Estados unidos, quatro dias antes. A microfonica e um intrincado trabalho de bateria de Ringo, altamente inovador para a época, bem como os acordes usados na base de She’s a Woman, mostraram que o grupo, mesmo envolto em turnês e programas de rádio e TV, ainda arranjava tempo para revolucionar.
Fonte exclusiva: Ricarto Pugialli.

Wonderful Xmas Time/Rudolph…

O primeiro single a ser creditado somente a Paul McCartney desde ‘Another Day’ em 1971.
Nos EUA não fez sucesso, mas foi nº07 na Inglaterra.
O lado B ‘Rudolph…’ foi composto por John David Marks e gravado por Gene Autry em 1949.
Paul tocou “Wonderful..” durante sua turnê britânica de 1979, e durante sua execução flocos de neve artificial
enchiam o palco.
Com essa música Paul foi o terceiro Beatle a compor uma canção Natalina – após “Happy Xmas” de John e
“Ding-Dong; Ding-Dong” de George!!! Em 2001, Ringo Starr lançaria um álbum inteiro de músicas de Natal, “I
Wanna Be St.Claus”!
Paul tb contou uma história a respeito do violinista que tocou em “Rudolph…”.
Paul estava ensaiando a canção em junho de 1975, e um violino foi enviado ao estúdio. Ele então decidiu na
hora que o violino deveria ser usado na música, e perguntou ao entregador se ele tocaria o violino, e o rapaz
surpeendentemente concordou.
Após a sessão o cara saiu sem dizer nem o nome, e todos os esforços inicias de Paul para localizá-lo e
remunerá-lo pela sessão, falharam!
Finalmente, a EMI depois conseguiu rastreá-lo e lhe foi enviado um cheque!

Back in the USSR

Paul compôs essa canção para um documentário de TV sobre Twiggy, que acabou cancelado.
Era uma mistura do estilo dos ‘Beach Boys’ (vocal), com um pouco de ‘Back in the USA’ de Chuck Berry. Paul
tocou guitarra solo nessa faixa enquanto John e George ficaram no baixo.
Ringo estava ausente pq tinha saído do grupo por uns tempos devido as discussões internas, principalmente as
cobranças de Paul quanto a sua forma de tocar a bateria.
Paul tb incorporou a bateria nessa faixa e John e George ajudaram!

And I Love Her

“And I Love Her” foi uma canção também inspirada em Jane Asher que Paul escreveu enquanto morava com a
família Asher em Wimpole Street. Neste caso foi uma canção muito romântica e uma das primeiras dedicadas à
ela. Os Beatles a gravaram em fevereiro de 64 para o “A Hard Day’s Night”.
Paul comentou que esta foi a primeira balada composta por ele que o deixou satisfeito. Ele disse: ‘ Foi escrita
em Wimpole Street, foi a primeira que me deixou impressionado. Tem acordes legais ali. George tocou violão
muito bem. Funcionou tudo bem. Eu à compus sózinho. Eu lembro da sala de música de Margaret Asher no
andar de cima de Wimpole Street. Lembro de tocá-la lá.’

Blackbird

Gravada no ‘White Album’. Paul além de cantar, tocar violão e percussão usou uma fita com pássaros cantando
da coleção da EMI para efeitos sonoros.
Tres microfones foram usados na gravação, um para sua voz, outro para o violão e o terceiro para a marcação
que Paul fez com o pé!
Paul comentou:”Ela foi de uma concepção simples, porque não conseguimos pensar em nada mais para colocar
nessa canção. Talvez se fosse no ‘Pepper’, nós trabalharíamos nela até achar um jeito de colocar violinos ou
trumpetes. Mas eu acho que ela não precisou disso.” “No final pensamos em fazer o som do violão voltar mas
acabamos colocando um ‘blackbird’…”
John Lennon contribuiu com uma frase, que segundo Paul ele se inspirou após ler sobre os conflitos racias nos
EUA. Era a época dos ‘Panteras Negras’!
Paul é o único a tocar nesta música.

Things We Said Today

Paul compôs esta canção para Jane Asher enquanto estava em férias nas Bahamas em maio de 64, com Jane, Ringo e Maureen.
Eles alugaram um iate chamado “Happy Days”, e em uma das cabines embaixo do convés, Paul começou a
escrever esta música numa tarde ao violão, depois subiu ao convés e a terminou.
Paul comentou, ‘Eu escrevi essa no violão. Ela é quase um pouco nostálgica, uma nostalgia futura. Nós
lembraremos o que dissemos hoje, em algum lugar do futuro, então a canção se projeta para o futuro. Era uma
melodiazinha sofisticada.’
Ela entrou no “A Hard Day’s Night” e foi lado B do single de mesmo nome.
É uma das mais simples e bonitas canções dos primeiros tempos dos Beatles…

You Won’t See Me

Faixa de ‘Rubber Soul’. Paul comentou que, ‘Ela é cem por cento minha, segundo eu me lembro, mas eu fiquei
feliz de dar créditos a John porque sempre havia uma chance de ele na noite da sessão de gravações dizer tipo,
‘Isso ficaria melhor assim’.
Ela tem um sabor da Motown. Tem um toque de James Jameson, o baixista da Motown.’
Ela foi gravada em 22 de Novembro de 1965, sendo a última gravação para o álbum.
Paul compôs e tocou a canção no piano. Ela foi inspirada em outra discussão que ele teve com Jane Asher.

Can’t Buy Me Love

Essa música foi um dos maiores sucessos dos Beatles em sua primeira fase. Música de Paul, composta na França.
O interessante, e o que deixou Paul muito orgulhoso, foi que assim que a ouviu, Ella Fitzgerald fez um cover
dessa canção. Os Beatles estavam sendo levados a sério mesmo…
Paul: vocal dobrado, baixo. John: violão. George:guitarra solo com efeito dobrado. Ringo: bateria.
Gravado em 29 de janeiro de 64.

What You’re Doing?

A maioria dos covers que faziam das músicas dos Beatles, eram motivo de piada entre eles. Mas
havia alguns artistas que eles respeitavam, como Ella Fitzgerald e Ray Charles, por exemplo!
Sobre ‘What You’re doing?’, música inofensiva do ‘Beatles for Sale’, mas talvez essa canção de 3 acordes tenha
sido a primeira a ocasionar atrito entre os integrantes da banda.
Paul queria que Ringo e George a tocassem de uma certa maneira e insistiu tanto que a gravação se prolongou
por dias a fio.
Especialistas acham que a bateria soa mais como de Paul e guitarra solo também! Oficialmente é…
Paul: vocal, baixo. John: harmonia vocal, violão. George: harmonia vocal, guitarra solo. Ringo: bateria. George
Martin: piano.

Another Girl

Paul desta vez é confirmado na guitarra solo, apesar de George ter tido outra idéia para o solo. Paul a tocou na
sua Epiphone semi-acústica. É provavelmente mais uma reflexão sobre seu relacionamento com Jane.
Na verdade Paul apesar de morar na época na Wimpole Street, casa dos pais de Jane, mantinha um flat em
Londres para se encontrar com muitas ‘another girls’…
Paul: vocal dobrado, baixo, guitarra solo. John: harmonia vocal, violão. George: harmonia vocal, guitarra ritmo.
Ringo: bateria.
Gravação em 15 e 16 de fevereiro de 1965.

Day Tripper

O livro de Steve Tuner, ‘The Beatles – A História por trás de todas as canções’, diz que… “Ela foi escrita sob pressão qdo os Beatles precisavam de um novo single para o Natal…. John criou um riff de guitarra, que ele admitiu ser derivado de ‘I Feel Fine’. Paul ajudou nos versos, e seu riff de baixo deve algo ao baixo de ‘Oh Pretty Woman’, de Roy Orbison.
‘Day Tripper’ era um típico jogo de palavras de John, que queria refletir sobre a influência da crescente cultura
das drogas.
A música é sobre uma garota que engana o narrador. A descrição oblíqua da garota como uma ‘big teaser’ era
uma sabida referência ao termo ‘prick teaser’, expressão usada pelos ingleses para se referir a mulheres que
davam em cima dos homens sem a intenção de fazer sexo.
Day Tripper foi lançada em single sem lado A, juntamente com ‘We Can Work It Out’, que depois os Beatles
disseram ser sua primeira escolha para o single.”

Nota: A parte técnica das gravações foram consultadas no livro “Revolution in the Head”, de Ian Macdonald.

Meus agradecimentos ao Eduardo Lenz de Macedo por ter compartilhado na comunidade sobre a história destas canções.

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2 respostas em “As composições de Paul McCartney: cada música tem sua história.

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