Fãs de John Lennon contam como receberam a notícia no dia seguinte àquele 08 de dezembro de 1980……

Gladys Denise Moreno: Eu tinha 17 anos ! Eu estava tomando banho e meu padrasto bateu forte na porta , falando pra eu vir ver a notícia no jornal da tarde ! Quando vi o que tinha acontecido chorava sem parar ! Chorei por dias ! Muitos ainda se lembram disso e sempre comentam comigo ! Sempre fui muito fã dos Beatles ! As pessoas me ligavam como se eu fosse parente dele ! Tenho trauma desse dia ! Um dos dias mais tristes de minha vida ! Meu sonho de ver os Beatles juntos de novo acabou nesse dia ! Meu grande ídolo se foi !
Isso que eu contei aconteceu no dia seguinte ! Como as coisas demoravam a chegar em outro país naquela época ! Fui saber no Jornal da tarde da Globo no dia 09 …

Fernando Valle: Eu tinha 15 anos e me lembro muito bem desse infeliz acontecimento.

Cláudio Teran: Eu tinha 18 anos e soube do que tinha acontecido no dia seguinte, 09.12. Naquele tempo não havia internet. Tinha comunicação via satélite sim,mas as coisas demoravam mais a se difundir, e como o crime ocorreu por volta das 11 da noite, a informação demorou a chegar ao Brasil. Creio que a maioria da minha geração soube no dia seguinte. Eu saí para trabalhar cedo, era office boy no escritório de advocacia. Ao retornar para almoçar liguei a TV no Jornal Hoje. E então o apresentador daquela época, Carlos Campbell se bem me lembro, anunciou: “ex-beatle John Lennon é assassinado em NYC”. Eu larguei o prato e fiquei na frente da TV. Foi um choque tremendo. Meu amigo Paulo Cesar Vignolle de Souza chegou logo em seguida e uma tristeza tremenda se apoderou da gente. Fui trabalhar na parte da tarde de olhos marejados, era impossível não chorar. O Globo Repórter Especial que iria ao ar naquela semana foi uma lembrança inesquecível e triste para os fãs do mundo inteiro…

Patricia Chaves: Eu estava a uma semana de completar 30 anos. Foi numa segunda-feira, exatamente neste horário, cerca de 8 horas da manhã, eu estava na sala, trocando a roupa do meu filho de 6 anos, tirando o pijama dele e vestindo uma roupinha. Ele estava assistindo desenho animado na TV. Aí entrou o plantão da Globo e deram a notícia. Fiquei paralisada, achei que estava tendo um pesadelo. Depois disso, aquele dia ficou mergulhado numa bruma, na minha memória. Foi muita, muita tristeza…
Na realidade, a tragédia aconteceu na segunda dia 8, após a meia-noite. A notícia chegou aqui pela manhã.

Rosina Maria: Eu tinha 27 anos,e lembro que eu estava com alguns amigos,tb. fãs dos Beatles,a noticia veio como um soco! O impacto foi tão grande que não falamos nada,só choramos……

Carlos Edu Bernardes: Na manhã de 9 de outubro de 1980 eu, com 21 anos, estava voltando de uma caminhada pela manhã e minha mãe foi ao meu encontro dizendo que haviam matado Paul McCartney. Desnorteado, sem onde procurar notícias, liguei para alguns amigos que me disseram, por fim, que não era o Paul e sim o John. Nem fui à faculdade. Esperei o Jornal Hoje e ouvi da Lígia Maria e do Lucas Mendes a terrível notícia. Eu acabara de ganhar da namorada o Double Fantasy e, junto de amigos, ficamos ouvindo o álbum – e outros de John – até tarde da noite. Rolou muito choro. Foi phoda.

Suzanne Camelier: Eu tinha 19 anos e eu ouvi a notícia pelo rádio do som lá de casa! Eu tinha ligado o som pata ouvir música e na hora veio a voz do locutor falando sobre a triste notícia. Fiquei muito triste e meu pai chegou a dizer que eu era a própria viúva do John Lennon!

Rosemarie De Jesus Sobral: Acordei e minha mãe ouvia o Gil Gomes ! Cai em prantos ! Fui pra Faculdade de Odontologia, tinha exame de Dentistica !
Durante a prova , comecei a chorar , o professor perguntou o que havia ? Eu respondi : perdi meu irmão , 17 anos mais velho do que eu! Sai da prova ! Levei pau !
Hoje , entendo essa escolha karmica súbita do próprio John ! A violência fez oposição a sua vida de AMOR & PAZ ! Jamais será esquecido !
Gratidão e amor eternos ! Divida da humanidade !!!!

Gladys Parente Riou: Tinha 13 anos e soube pelo rádio. Eu estava em meu quarto arrumando minhas gavetas e estava sentada no chão e quando ouvi fiquei atônita, em choque. Também senti como se fosse alguém que sempre esteve ali, perto de mim. Um vazio imenso e doloroso!

Lidia Leal: Eu tinha 14 anos, fiquei arrasada. Já curtia a música dele e a do Beatles desde 5 anos de idade.

Carlos Silveira: Tinha 18 anos, e o meu Beatle preferido sempre foi John, soube da noticia no outro dia, um amigo me contou, não acreditei, pois achava q era brincadeira, e de muito mal gosto por sinal! mas, depois vi q realmente era verdade, como isso pode ter acontecido??!! Porquê?? Fiquei muito triste e abatido durante toda a semana, e até hj ainda não consigo entender!!…

Renaldo Guzo: Tinha 13 anos. Fui comprar pão na padaria. Uma mulher lá falou que John Lennon dos bee gees tinha morrido… É mole?

Roani Rock Sento Sé: eu infelizmente não tenho lá uma grande história e não sei afirmar com que idade, mas perguntei pra meu primo pq os Beatles não voltavam e ai fiquei sabendo que John havia sido assassinado,fiquei sem chão, e logo depois soube sobre George, foram os dias mais tristes da vida!

Golpe Sujo: Tinha 14 anos. Minha irmã estava se arrumando para fazer uma prova de inglês, lembro bem. De repente ela apareceu na sala gritando que haviam matado John Lennon. Ela que havia me mostrado os Beatles, alguns anos antes. Fiquei bobo, sem acreditar. Acho que até hoje não acredito.

Sandra Bellucco: Eu tinha 35 anos. Estava trabalhando e quando soube do ocorrido entrei em choque e nem pude chorar o tanto que queria. Foi o mês todo de tristeza e indignação profundas! Até hoje, nesta data, a indignação permanece. Por que teve que ser assim? E o monstro está vivo! Convivi com eles desde os 12 ou 13 anos… Até hoje eles são companhia constante em minha vida. Foi um dos piores dias de minha vida!

Eduardo Sörensen Ghisolfi: Eu tinha 8 anos e soube ao ver o noticiário quando retornei ao final do dia para casa… lembro até hoje desse dia, embora na época não conhecesse profundamente a obra dos Beatles. Mas, por tabela, já que todos mostravam-se chocados com a notícia, foi possível, mesmo a uma criança, perceber o “tamanho” do fato…

Maria Lúcia Rico Koseki: Vivi a época dos Beatles … Fui acordada pela manhã do dia 9 com a notícia no Pulo do Gato do José Paulo de Andrade da Bandeirante e entrei em choque!!!!!

Cristina Bessa: Eu tinha 17 anos e por volta das 10h uma amiga chegou na minha casa e falou: já soube o que aconteceu com o John? Eu disse que não, e perguntei, querendo ouvir não, se ele tinha morrido. Ela disse que sim, e eu perguntei se tinha sido assassinado(não sei porque, mas foi a primeira coisa que veio a minha cabeça). E quantos ela me contou, nossa…quase morri! Foi muito triste, chorei muito. Quando ele estava voltando, matam ele. Nunca vou esquecer desse dia.

Danna De Lima Butzke: Eu estava com 10 anos e soube na escola através de minhas amigas na Manhã de Terça, lembro-me que fiquei muito triste pois naquela época a Musica Stand by Me, não parava de tocar em minha Cabeça!

Lucinha Zanetti: Eu tinha 27 anos e trabalhava na Caterpillar aqui em Piracicaba, e no dia seguinte, chegando ao trabalho, notei que as pessoas estavam cabisbaixas e com ar incrédulo, comentando com tristeza o ocorrido na véspera… Fiquei muito impressionada, claro que foi um choque saber do que havia acontecido…
Naqueles dias que se seguiram, meu chefe americano, Ronald Lewis, foi para os EUA, e sabendo que eu era muito fã, me trouxe de presente o álbum Double Fantasy…

Edy Machado: Eu tinha 14 anos e ainda estava triste com a morte do Elvis… Naquela semana eu tinha prova na escola e foi mal uma tristeza só .

Fernando Alves Chagas: Tinha trinta anos e foi um choque. Me lembro de estar dirigindo e chorando ao mesmo tempo. Hare John!

Thiago Tostes: tinha 2 anos de idade. Na época, não sabia o que estava acontecendo. Mas ao crescer e descobrir Beatles e o John, a morte dele me dói como se tivesse vivido o acontecimento.

Lud Gonzaga: Eu tinha 10 anos. Lembro-me de muito choro na minha casa…

Lizzie Bravo:

Gerson da Silva: Tinha 27 anos e estava indo ao oftalmologista com uma amiga, que foi quem me deu a notícia. Só que ela não tinha certeza, quem contou foi o taxista e ficou tudo muito confuso eu acho que não queria acreditar. Naquela época as coisas eram bem diferentes… Lembro que chegamos na Av. Paulista e numa banca de jornal vi a nóticia de que teria sido assassinado…minha amiga ainda tentou me consolar dizendo ” viu? estão dizendo que TERIA sido assassinado, mas não temos certeza”. Devo ter ficado em choque, sei lá…lembro que voltei para a empresa pois havia deixado meu carro no estacionamento, peguei meu carro e fui pra casa. Minha mãe abriu a porta e foi dizendo ” você viu o que aconteceu…” eu nem disse nada e corri para o meu quarto e chorei feito uma criança. O que mais me impressiona até hoje é que naquele momento em que cai na cama meus olhos deram de cara com o álbum Please Please Me que ficava num porta LPs em cima de uma estante. E foi apenas nesse momento que me dei conta de que John era um Beatle… Foi como se minha mente tivesse sido bloqueada e eu só sentia a morte de um cara que era ( e é ) grande referencia em minha vida. Talvez como um irmão mais velho, alguém por quem eu tinha ( e tenho ) uma admiração enorme. Perdi o chão por muitos dias, passei noites com dificuldade para dormir… Saudade sempre do nosso grande John.

Maria Erbolato: Eu tinha 28 anos chorei muito, como puderam fazer isto com ele?

Marco Aurélio Martins: Lembro que acordei há 34 anos atrás e achei estranho a programação da Rádio Cidade só estar tocando músicas dos Beatles. Momentos depois, entre uma música e outra, o DJ anunciou que o Beatle John Lennon tinha sido morto à tiros em NY, quando chegava em casa. Na hora meu sentimento foi de espanto e puro pesar, apesar de até aquele momento não conhecer profundamente a sua obra, o AMOR pela música ainda não tinha me impregnado por completo, e eu estava longe de ser o Beatlemaníaco que me tornaria anos depois. Só pra ter uma ideia, minha madrinha, a pessoa que mais me influenciou sobre música, é quem teve que me mostrar na capa do Abbey Road, quem era o Lennon. Até aquele instante eu só conhecia mais propriamente o Paul, em função de eu amar Yesterday e o Ringo Starr, pois adora o nome. À partir daquele momento comecei a procurar conhecer mais do John e dos Beatles como um todo. Descobri várias músicas dele e dos Beatles, e dos outros 3, que eu amava, como Imagine, Oh My Love!, My Sweet Lord, Tomorrow, It Don´t Come Easy e que nem sonhava saber ser deles. E ai então, foi começando minha paixão. Descobri o Lennon carente: Mother, o político: Power To The People, o descrente: God, o magoado: How Do You Sleep, o eternamente apaixonado: One Day At A Time, Woman. Descobri o rockeiro, o encrenqueiro, o pacifista, o homem, o pai. E tristemente descobri o surgimento de um ícone, uma lenda, com sua morte. Teria sido muito bom tê-lo aqui por mais tempo. Pra podermos ouvir tanta coisa boa que ainda viria, pra podermos vê-lo finalmente fazer as pazes com o seu passado Beatle, por as emoções em ordem com seu filho Julian. Que grande perda para o mundo. Mas você continua vivo nos corações de milhões que continuaram a amar você e sua obra. Lennon4ever.

Dineia Costa: Eu tinha apenas 10 anos,minha casa respirava Beatles e Pink Floyd e os vizinhos vieram avisar,meu irmão mais velho entrou em choque,não acreditava e eu,que até então não tinha lidado com a morte,demorei um tempo para entender a real dimensão do acontecido,quando o Jornal Nacional daquele dia mostrou a notícia,eu desenvolvi um ódio pelo assassino que dura até hoje,engraçado como certas coisas não saem de nossas lembranças,eternamente John.

Gladys Denise Moreno: É bom falar sobre isso aqui, pois tenho um verdadeiro trauma ! Hoje é um dia difícil pra mim ! Aquilo parece que volta !

Luiz Araújo: Eu tinha 21 anos. Soube enquanto estava almoçando. A TV ligada na globo – ‘Jornal Hoje’. O chão se abriu aos meus pés. Fui até a casa da minha namorada que depois comentou que dava pra perceber o meu estado deplorável – respiração ofegante e rosto desfigurado. Chorei tanto quanto no dia da morte de minha mãe. Nas ruas, nos bares, nos carros e ônibus – só se ouvia Beatles e Imagine. À noite, na faculdade, todos estavam arrasados. Pusemos no carro pra tocar John Lennon bem alto, pra todo mundo ouvir. Ficamos escutando aquilo até a exaustão. Depois fomos embora pra casa, certos de que uma parte de nossas vidas tinha acabado.
Alexandre Coiro Eu tinha só 4 anos, mas meu pai, que sempre ouviu Beatles e Lennon, assistia à notícia na TV…nunca vou esquecer, pois me lembro direitinho que fiquei olhando e perguntei pro pai porque o homem tinha feito aquilo…eu cresci ouvindo Beatles e John, embora pequeno, aquilo marcou muito…

Cleide Lombardi: Eu tinha trinta anos quando aconteceu e sempre tive um amor eterno por ele. Naquele momento eu havia começado a trabalhar na American Express no Centro Empresarial, em São Paulo, e estava saindo pra trabalhar por volta de 7:30 da manha, quando assisti a noticia no jornal matutino. Foi um dia de pouquíssima produtividade, meu coração estava de luto, o John não saia do meu pensamento e nada me interessava naquele dia, só queria chorar e entender o motivo do Mark Chapman ter feito aquilo. Foi um pesadelo que eu queria muito acordar e pensar que estava só dormindo…

Felipe Silveira: Estava chegando de um futebol que eu jogava, tinha 13 anos e já era muito fã deles e de repente minha falecida vó me deu a notícia que ela escutou no jornal nacional, eram umas 8 horas da noite! Muito triste foi pra mim.

Henrique Brito: Eu tinha 24 anos. Ao voltar para casa, vi uma pichação em um muro: “John Lennon para sempre!” Procurei me informar e ouvi a notícia no rádio. Neste instante, parei o carro e chorei!!!! A propósito, quando eu vi a pichação, estava ouvindo “Stand by me” no toca-fitas!!!

Márcio de Aquino: Eu tinha 21 anos, e soube da morte de Lennon pela TV, na manhã do dia 08 de dezembro de 80. Foi um choque pra mim. Depois passei o resto do dia vendo os noticiários pra saber mais sobre a tragédia. Foi um dia muito triste

Ari Perfetto: Eu tinha 22..e na época eu estava curtindo um pouco de MPB…pq nas paradas de sucesso ainda estavam aquelas discoteques…mas no ano seguinte esse movimento já foi ficando fraco e apareceram novas bandas bem legais..e depois curti muito o pop rock nacional….mas sempre ouvindo the Beatles…a noticia triste ouvi no carro..estacionando na garagem de casa…e já comecei a chorar em seguida…sinto muito até hoje…da forma q foi..não acredito…como pode…

Belline De Rezende Rezende: até hoje não acredito, cresci ouvindo The Beatles, e John faz uma falta até hoje…..Na semana da morte, houve no mundo todo um momento de oração, e junto aos meus amigos, choramos pacas… foi triste… Mas ele vive em suas musicas, são eternas…

Francisco Miguel Peres Garcia: Eu tinha 9 anos, e não conhecia nada de John Lennon ou dos Beatles. Fiquei sabendo pela TV. Conhecia Elvis, Bee Gees, John Travolta e Olivia Newton-John (Grease). Depois dos 9 anos, passei a gostar dos Beatles. Quando fiquei adolescente, minha mãe me dava dinheiro pra que eu fosse nas cidades maiores comprar discos. Sgt. Pepper’s comprei em Marília. O Álbum Branco comprei em Presidente Prudente. Please Please Me comprei em Tupã. Viajava de ônibus, ora sozinho, ora com um colega que também curtia Beatles, ele também comprava discos. Íamos com walkmans.

Graciana Braga Tassinari: Eu tinha 16 anos e já era fã dos Beatles!!! Chorei uma semana!!!

Williams Fonseca Moraes: Estava viajando para Arapiraca e estava ouvindo no rádio , stand by me, quando o locutor anunciou a morte do John. Não acreditei, pensei : deve ser mais uma jogada de marketing como aconteceu com o Paul! Depois foi só tristeza. Até hoje tenho uma revista em que na capa tem essa foto com a montagem de estilhaços de uma bala no John.
John Lennon - Revista do Wiliams

Carlos Navarro: Estava tomando o café da manhã e meu irmão veio todo ressabiado me falar da morte dele. Na hora fiquei incrédulo e achei q era algum mal entendido e liguei a TV que confirmava, para meu transtorno. Foi um misto de perder o chão, perder um velho e querido amigo, e desabar a minha referência de juventude naquele exato instante. Foi horrível! Não consegui chorar. Só muito depois, vendo a romaria de pessoas na frente do Dakota, é que entendi q a vida queria q prosseguíssemos sem ele. Foi muito duro! Viver sem a sua genialidade, sem seu olhar nos guiando, sem sua chatice (muitas vezes as notícias eram que ele era um roqueiro excêntrico e que só dava “trabalho”…. SQN!. A história provou o contrário). Hoje não só tocamos sua música como estamos ainda falando dele. Ele faz parte da nossa vida. Faz parte do nosso dna. Somos mais felizes pelo privilégio de termos vivido na mesma época que ele!

John Lennon - tela

John e Yoko vestidos de homem e mulher 1

John Lennon a tribute M.K.

John Lennon criança colorido

John Lennon postado pela Jenny

John Lennon

FONTE: Grupo no Facebook, “We Love the Beatles Forever”

Em tempo, uma crônica de Geneton Moraes Neto, que saiu ontem no G1:

A data – por um desses mecanismos pessoais e intransferíveis – deflagra uma torrente de lembranças sobre um daqueles acontecimentos que “marcam uma geração”: a morte de John Lennon, que foi assassinado a tiros por um fã enlouquecido, num oito de dezembro, no saguão de entrada de um edifício chamado Dakota, em Nova York.

Quem um dia foi devoto dos Beatles deve se lembrar exatamente onde estava quando recebeu a notícia de morte de Lennon. Não sou exceção. Por coincidência, 14 anos depois, em 1994, um grande nome da MPB morreria num oito de dezembro, também em Nova York: o maestro Tom Jobim.

(Não faz tempo, um manifestante, fatigado de um mundo sem utopias, pichou num muro: “Chega de realizações! Queremos promessas!”. Bingo. O meu demônio-da-guarda me sopra no ouvido, neste oito de dezembro: “Chega de notícias! Queremos lembranças!”. Faço, então, uma pequena expedição pelo Boulevard da Memória).

O locutor-que-vos-fala estudava cinema e, nas “horas vagas”, fazia bicos como motorista de uma família rica e camareiro de um hotel no Quartier Latin, em Paris, naquele dezembro de 1980 (um dia, quem sabe, se me sobrarem tempo e neurônios, rabiscarei as Memórias Secretas de um Camareiro Acidental…).
Dias antes, por uma grande coincidência, eu comentara com um amigo – Fernando Correia, à época estudante de economia – o plano de fazer, em Nova York, o que fizera em Paris: desembarcar “na aventura”, pela simples curiosidade de ver o que se escondia além da linha do horizonte da Cidade do Recife. “Quem sabe, vou tentar entrevistar aquele alcoólatra decadente”, disse, na brincadeira, numa referência injusta a Lennon.

Porteiro da noite num hotel nos arredores de Paris, este amigo ouviu no rádio, na madrugada francesa, a notícia que começava a correr mundo: John Lennon tinha sido assassinado naquela noite de inverno.
De volta à “pensão” na qual morava um punhado de brasileiros, depois de cumprir o plantão noturno, ele deixou, de manhã de bem cedo, embaixo da porta do meu quarto, um bilhete: “Bicho, mataram John Lennon!”. Pensei que era brincadeira. Ao sair para a escola, em Nanterre, deixei embaixo da porta do quarto do vizinho outro aviso, em retribuição: “Bicho, mataram Fidel Castro!”.

As notícias, “naquele tempo”, corriam velozes, mas não na velocidade da luz, como acontece hoje. Não existia internet! As edições da manhã dos jornais franceses não publicaram nada sobre a morte de Lennon, por conta do fuso horário. Quando a bomba explodiu na Europa, os jornais já estavam na rua.
“Por desencargo”, dei uma olhada nas primeiras páginas estendidas numa banca perto do metrô Place D´Italie. Nada. Perguntei a colegas que frequentavam um seminário sobre documentários, na Universidade de Nanterre: “Vocês ouviram falar alguma coisa sobre John Lennon?”. Incrivelmente, nada.

O choque veio no caminho de volta para a casa. A manchete do vespertino France Soir berrava, num título que, para mim, foi inesquecível, pelo impacto: “John Lennon assassinado por um admirador decepcionado. Era o mais talentoso dos Beatles”. Guardei o jornal comigo pelas décadas seguintes.

Não é exagero dizer que um geração inteira se sentiu de alguma maneira órfã naquele oito de dezembro. Perto do Natal, Joan Baez foi fazer um concerto ao ar livre, diante da Catedral de Notre Dame. Não disse nada sobre a tragédia, mas, ao final do show, cantou “Let it Be”, acompanhada apenas do violão. A multidão fez coro. A cena foi bonita.

(Fui ao show por complacência dos meus “patrões” – a família rica para quem eu “trabalhava” como motorista. O que não faz “um rapaz latino-americano /sem dinheiro no banco / sem parentes importantes”, em busca de uns trocados para ir tocando a vida? O casal ia a uma ceia antecipada de Natal, na casa de uma filha. Perguntou se eu poderia fazer uma jornada extra naquela noite, já que eles queriam levar o neto de carro para o jantar em família. Era algo que só acontecia uma vez por ano. Douglas era um menino especial, incapaz de se mover sem ajuda. Aprendi com ele lições inesperadas sobre a convivência com gente especial. Promessa dois: um dia, quem sabe, se me sobrarem tempo e neurônios, rabiscarei as Memórias de um Motorista Acidental… Eu disse a meus “patrões” que sim, claro, não poderia deixar de levar Douglas e os avós para a ceia de Natal, mas gostaria de ver Joan Baez cantando na frente da Notre Dame. E eles: “Você nos deixa, vai ver e volta para nos levar de volta para casa, no fim da noite”. E assim foi feito. Duvido que o casal, simpático e bem situado, imaginasse quem era a cantora de protesto Joan Baez.)

O filme “Let it Be” voltou a cartaz, num cinema perto do metrô Odeon. Fui ver. Fazia frio. A plateia era de beatlemaníacos repentinamente jogados na “orfandade”.

Paulo Francis escreveria na “Folha de São Paulo”: “A morte de Lennon é o fim de uma época, talvez a última que conheçamos em que uma geração de jovens talentosos, como os Beatles, tentou humanizar o nosso mundo de poderes impiedosos, impessoais e letais. Lennon baniu Reagan, Brejnev, Israel, Síria e Jordânia do centro das notícias. Talvez porque a maioria das pessoas reconhecesse nele um ser humano, enquanto esses outros problemas não podem ser tocados pelo cidadão comum, que, se interessado neles, é submetido à dieta de “press releases” dos poderosos. Com Lennon, se foi não só uma era, nos parece, mas um anseio de simplicidades que se tornaram aparentemente impossíveis em nosso tempo”.

Francis acertou na mosca: além de tudo, ali, se perdia para sempre uma espécie de inocência e de ingenuidade que, embalada por belíssimas canções, parecia protegida e inalcançável pelos horrores do mundo.

A revista “Newsweek” publicaria um lead brilhante (aos não iniciados em jornalismo: lead é o início de uma reportagem – aquelas frases em que o autor tenta fisgar logo o leitor. O lead da “Newsweek” reproduzia o momento em que a figura nefasta de Mark David Chapman, o assassino, abordou Lennon, na calçada do Edifício Dakota: “Era apenas uma voz, saída de dentro de uma noite americana: “Mister Lennon?”.
Faço um pequeno tour pelo Youtube. Lá, vejo Joan Baez cantando “Let it Be”, uma das melhores canções da dupla imbatível, Lennon & McCartney.

Quando o casal Rosenberg, acusado de espionagem pró-União Soviética, foi executado nos Estados Unidos, Jean Paul Sartre escreveu: “O casal Rosenberg morreu, a vida continua. Não era o que vocês queriam?”.

Hoje, o assassino Mark David Chapman mofa numa prisão – e o oito de dezembro traz de volta lembranças que, aos olhos de beatlemaníacos de todas as gerações, parecerão sempre irreais e absurdas.
É inevitável fazer o cálculo inútil: quantas e quantas belas canções não deixaram de ser escritas depois daquele fim de noite de inverno em Nova Iorque?

Não era o que os beatlemaníacos queriam.

(Aqui, uma das melhores pérolas do Lennon pós-Beatle: “Mother”. Em um verso, ele resume tomos e tomos de Sigmund Freud: “Mãe, não vá embora/ Pai, volte para casa”)

Não se fez, em música pop, nada que igualasse a beleza de Abbey Road – o auge dos Beatles. Os versos de “Golden Slumbers” soam tristemente irônicos aos ouvidos de beatlemaníacos embalados pelas lembranças “pessoais e intransferíveis” do oito de dezembro de cada um (“Boy / Você vai carregar este peso / Vai carregar este peso/ por um longo tempo).

2 respostas em “Fãs de John Lennon contam como receberam a notícia no dia seguinte àquele 08 de dezembro de 1980……

  1. Descobri hoje esse blog sobre os Beatles. Muito legal. Sobre a morte do John Lennon, quero deixar aqui meu relato. Eu tinha oito anos na época e, até então, nunca tinha ouvido falar nos Beatles. Acho que a única coisa que eu conhecia de música internacional era o Elvis Presley, mas apenas porque meu tio ouvia direto e eu tinha uma vaga lembrança da reportagem sobre o enterro dele, na TV, em 1977.

    Enfim, no dia 9 de dezembro, vi a notícia no Jornal Nacional, sobre o que tinha acontecido na noite anterior. Entendi que era um músico famoso, mas não dei muita bola. No dia seguinte, na rua, perguntei à minha avó quem era o tal de John Lennon cujo nome estava estampado em tudo que é jornal. E ela me explicou, dizendo também que era um grupo do qual meu tio gostava muito.

    Ao voltar pra casa (morava com minha avó nessa época), comecei a procurar, entre os discos do meu tio, alguma coisa dos Beatles. E fui achando, um a um. Lembro que a primeira música que ouvi foi “Strawberry Fields Forever”. Daí, não parei mais. No fim de semana, meu tio voltou de viagem e começou a me contar histórias dos Beatles.

    Ao longo desses últimos 34 anos, os Beatles se transformaram em uma das minhas duas paixões. A outra é a Fórmula 1 (da qual o George Harrison também era fã e chegou a gravar uma música, “Faster”, em homenagem aos pilotos). E nos dois casos, essa paixão se traduziu em uma coleção de CDs, DVDs, livros e revistas, que mantenho com o maior cuidado. Além dois shows, é claro. Tive a sorte de vez os dois ex-beatles ainda vivos no palco.🙂

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