Fluxus

FLUXUS – Resgatando um tópico criado na comunidade We Love the Beatles Forever no antigo Orkut, por Ashley Silva Costa em 19/11/2007.

Fluxus

Fluxus

Aproveitando a passagem de Yoko Ono aqui no Brasil*, é bastante oportuno a discussão sobre as suas matrizes artísticas, entre as quais está inserida o Fluxus!
É certo que as vanguardas russas anunciaram, já no começo do século XX, a mistura e a equivalência entre meios e práticas artísticas e sociais. Nas décadas de 1960 e 1970, tais princípios são revitalizados nas poéticas FLUXUS(1962-1978), esse grupo de artistas de várias nacionalidades que colaboravam entre si na Europa, EUA e Japão. Estruturado ao redor da figura de George Maciunas, artista lituano radicado nos Estados Unidos, o Fluxus contou com a participação de
Nam June Paik, Joseph Beuys, George Brecht, Ben Vautier e Wolf Vostell, entre outros. Desenvolveu uma atuação social e política radical, que contestava a arte como instituição por meio de performances, filmes e publicações(contando com editora própria, a Editora Fluxus).

O Termo “Fluxus”

O termo “Fluxus” foi originalmente criado por Maciunas para ser o título de uma revista que teria como objetivo publicar textos de artistas de vanguarda. A lógica da publicação e disseminação de conteúdos para além da “cultura séria” esclarece muito de seu espírito. Todavia, Fluxus passou a designar e caracterizar uma série de performances organizadas por Maciunas e outros artistas na Europa. Essas apresentações, não raro multimídia, foram prolongadas, tornando-se festivais – Festum Fluxorum – que percorreram varias cidades como Copenhague, Paris, Dusseldorf, Amsterdam e Nice. As performances e happenings realizados pelo grupo, bem como suas publicações, filmes e vídeos, tiveram um profundo impacto nas artes daquelas épocas em razão de sua postura radical e subversiva, ainda que raramente política.

As ações Fluxus

O efêmero das ações Fluxus misturava arte e cotidiano, buscava destruir convenções e valorizar a criação coletiva de artistas, músicos e escritores. O Fluxus marcou um momento de experimentação comum entre artistas da Europa e da América do Norte, assim como influenciou mais de uma geração de artistas em diversos países, inclusive no Brasil. Para críticos como Kristine Stiles, uma das contribuições centrais do Fluxus foi a articulação entre a esfera da poiesis(o fazer e a produção das coisas) e a práxis(a ação na esfera social), que vêm sendo integradas, respectivamente, como linguagem e como prática institucional. O espírito das ações Fluxus reside na demonstração de como o corpo é o agente construtor de significados de conhecimentos sensíveis. Essa seria a fonte para a manipulação de objetos, sistemas sociais e instituições, assim como a invenção, reinvenção e indagação da linguagem(uma espécie de “choque cognitivo” da linguagem).

John Cage e Marcel Duchamp

A influência de John Cage, artista, músico e compositor que disseminou a influência de Marcel Duchamp na América do Norte por meio de seus escritos, aulas, seminários e performances, foi fundamental no pensamento de muitos artistas que, mais tarde, vieram a participar do Fluxus. John Cage já combinava filosofia oriental com fenomenologia ocidental nos anos 50 em aulas no Black Mountain College, de cujos seminários participaram o coreógrafo Merce Cunningham e os artistas Robert Rauschenberg, Nam June Paik e Dick Higgins, entre outros. Usando o milenar livro chinês do I Ching, John Cage introduz procedimentos do acaso na arte, como uma técnica para distanciá-la do egocentrismo característico da produção estética desde o Renascimento. Cage pensou a consciência como um processo no qual a arte estaria necessariamente envolvida com o acaso, a indeterminação e aspectos casuísticos da natureza e da cultura.
O estilo breve e criptográfico de Duchamp em seus escritos foi um elemento de inspiração para os projetos de eventos, transcritos como partituras, assim como para ações ainda mais sintéticas que anos depois George Maciunas, foram realizadas pelo grupo Fluxus. Ações banais como apagar e acender luzes, aumentar e abaixar o volume do rádio, em suas caóticas e complexas orquestrações, são herdeiras do espírito dadá. Como ações transitórias indicadas em “partituras de eventos”, esses projetos são peculiares ao repertório de George Brecht e identificam essas primeiras ações Fluxus.

George Maciunas e Yoko Ono

George Maciunas, para quem a influência de Duchamp também é decisiva, notou então que os membros do Fluxus deveriam buscar suas atividades artísticas no cerne das experiências cotidianas: comer, dormir, andar etc. Muitas ações Fluxus partem de “instruções”, o que Brecht chamou de “readymade temporário”. São exemplares as “Instructions for paintings” de Yoko Ono, realizadas ao longo da década de 1960, como a Peça de voz para soprano, onde ela enumera as ações/vozes/gritos a serem realizados por outros.

Esses textos são um tipo de documentação na Arte Conceitual e podem ser lidos de diversas maneiras: como partituras musicais, artes visuais, textos poéticos, instruções para performances ou proposições para algum tipo de ação. Ocupam na maior parte das vezes, este lugar intermediário entre a ideia e a sua realização.

* Yoko esteve no Brasil em novembro de 2007

Fonte: adaptações feitas pelo Ashley do texto de FREIRE, Cristina. Arte Conceitual

Por Ashley Silva Costa – 19/11/2007

Fluxus no Brasil- Paulo Bruscky

A coleção de Bruscky iniciou a partir da inserção do artista no Fluxus e foi sendo construída através de trocas de correspondências, contatos pessoais com os participantes e aquisições durante as várias viagens que realizava.
Hoje conta com obras de 47 artistas que participaram do grupo durante as décadas de 60 e 70, além de uma grande relação de catálogos, arquivos e eventos do grupo, realizados durante esse período. Dentre as obras que compõem o acervo, há trabalhos de Joseph Beyus, John Lennon, Yoko Ono, Nam June Paik (considerado o pai da vídeoarte), George Maciunas (criador do termo Fluxus), John Cage (figura seminal do movimento), Bruno Munari, só para citar alguns. Nos arquivos que serão expostos ao público, figuram raridades como o primeiro manifesto do Fluxus, publicado em 1966, a coleção da editora de Dick Higgins, além de produções mais recentes de quase todos os integrantes do grupo. O acervo demonstra, ainda, a amplitude da internacionalização do projeto (que teve participantes do Japão, Brasil, Estados Unidos, Europa, entre outros). Os arquivos que compõem a coleção abrangem desde o Gutai – grupo vanguardista japonês de Osaka, que em 1954 já se antecipava ao Fluxus, como pioneiro da Land Art, Performance, Instalação, Conceptual Art – até conceituados artistas que contribuíram para fundamentar o que hoje se entende por Arte Contemporânea.
O objetivo da mostra Fluxus – Acervo Paulo Bruscky é divulgar o heterogêneo grupo de artistas Fluxus em toda a sua subversiva, política e ambiciosa expressão artística.

Por Jenny Wren (texto retirado do site: vetorcultural.com )

Uma Definição para Fluxus

“Fluxus não foi um momento na história ou um movimento artístico. É um modo de fazer coisas (…), uma forma de viver e morrer”. Com essas palavras D. Higgins define o movimento, enfatizando o seu principal traço. Menos que um estilo, um conjunto de procedimentos, um grupo específico ou uma coleção de objetos, Fluxus traduz uma atitude diante do mundo, do fazer artístico e da cultura que se manifesta nas mais diversas formas de arte: música, dança, teatro, artes visuais, poesia, vídeo, fotografia etc. Seu nascimento oficial está ligado ao Festival Internacional de Música Nova, em Wiesbaden, Alemanha, 1962 e a George Maciunas (1931-1978), artista lituano radicado nos Estados Unidos, que batiza o movimento com uma palavra de origem latina, que significa fluxo, movimento, escoamento. O termo, originalmente criado para dar título a uma publicação de arte de vanguarda, passa a caracterizar uma série de performances organizadas por Maciunas na Europa, entre 1961 e 1963. São elas que estão na raiz de festivais – os Festum Fluxorum – realizados em Copenhague, Paris, Düsseldorf, Amsterdã e Nice. De feitio internacional, interdisciplinar e plural do ponto de vista das artes, Fluxus mobiliza artistas na França – Ben Vautier (1935) e R. Filiou; Estados Unidos – D. Higgins, Robert Watts (1923-1988), George Brecht (1926), Yoko Ono (1933); Japão – Shigeko Kubota (1937), Takato Saito; países nórdicos – E. Andersen, Per Kirkeby (1938) – e Alemanha – Wolf Vostell (1932-1998), Joseph Beuys (1912-1986), N. June Paik.

Yoko Ono e seu ex marido Tony Cox em uma performance artística inspirada no Fluxus.

Yoko Ono e seu ex marido Tony Cox em uma performance artística inspirada no Fluxus.

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