Um Beatle em cada esquina! De como surgiram as bandas de Rock no Brasil.

Este era o título da reportagem da Revista “Fatos & Fotos” em sua edição de 24 de julho de 1965.

Os Beatles foram lançados no cenário norte-americano no final de 1963-início de 1964, mas levou muito mais tempo para que o quarteto britânico do mop top começasse a causar boa impressão aos adolescentes brasileiros.
Os brasileiros estavam vivendo diferentes estilos de vida e talvez porque houvesse um golpe militar de direita em abril de 1964, as coisas ficavam um pouco deformadas e levava mais tempo para que as novas idéias chegassem aqui pelas nossas praias do sul.

As bandas de rock instrumental como The Jet Black’s, The Flyers, The Clevers e The Jordans usavam cabelos curtos e ainda copiavam The Shadows e The Ventures. Demorou quase dois anos até que as bandas de rock se adaptassem à nova moda ditada pelos Beatles.

Este artigo de julho de 1965 da revista “Fatos & Fotos” mostra oito bandas brasileiras e suas brincadeiras. Podemos ver que os cabelos ainda eram bem curtos… mas eles estavam tentando arduamente mudar.

“Ousados, loucos, cabeludos, farsantes, geniais, os brasileiros também entram na era da desintegração musical”.🙂

“No começo era só cabelo comprido. Depois, o penteado. Mais tarde, os gestos e as músicas. Vieram as calças apertadinhas e curtas, os blusões coloridos, a botinha dos Beatles, em tudo ou quase tudo mostrando a influência dos famosos cabeludos ingleses na nova geração musical brasileira. Depois que The Beatles foram condecorados pela Rainha, os cabeludos brasileiros se tornaram mais audaciosos, com gestos mais longos, cabelos mais compridos, calças mais apertadas ainda. Ninguém se surpreenderá se em breve nossas garotas comerem a grama pisada pelos nossos cabeludos. É a Beatlemania que chegou ao Brasil. Mas quem são os Beatles brasileiros?”

Um Beatle em cada esquina

The Clevers, banda criada por Antonio Aguillar, aqui fotografada no final do ano de 1965, poucas semanas antes de Neno, o primeiro da esquerda para a direita, deixar a banda para entrar para os Jordans.

Os Incríveis se chamavam, antigamente, The Clevers. Além de excelentes instrumentistas, os 05 jovens que compõem o grupo devem sua fama principalmente ao namoro do baterista Netinho com Rita Pavone. Netinho é Luiz Franco Tomas, Neno é Demerval Teixeira Rodrigues, Risonho é Waldemar Mozena, Mingo é Domingos Orlando e Manito é Antonio Rosa Sanches. Os Incríveis estão, atualmente, na Argentina.

The Clevers in late 1965 just a few weeks before Neno 1st man from left to right - left the band for The Jordans

Há nove anos, 06 rapazes (atualmente cabeludos), cantores e instrumentistas, solteiros e profissionais da musica, uniram-se para formar The Jordans. Na intimidade são conhecidos como Silval, Ziquito, Irupê, Tony, Foguinho e Aladim. Andaram pela América do Sul e, em breve, embarcarão para a Europa. Prometem fazer um desafio aos Beatles na Inglaterra. Recebem por cada apresentação, uma média de Cr$ 700 mil.

The Jordans era a banda mais antiga. Eles começaram em 1956 e gravaram por volta de 1962.

The Jordans era a banda mais antiga. Eles começaram em 1956 e gravaram por volta de 1962.

The Rebels começaram a tocar em 1958 por diversão. Depois, resolveram fazer dinheiro. Pararam por causa dos estudos e voltaram em 1962. São considerados os mais técnicos de todo país. Usam um uniforme preto com uma grande caveira branca e o nome nas costas. Rodolfo Favalli, Jose Carlos Camargo, Constantino Gondim Neto, Luiz Carlos Nunes e Rubens Bastos Cruz. São animadíssimos e já recusaram propostas do exterior.

The Rebels começou em 1958. Depois a banda acabou mas se juntaram novamente em 1962.

The Rebels começou em 1958. Depois a banda acabou mas se juntaram novamente em 1962.

The Beatniks, com apenas dois meses de existência, é o único conjunto de São Paulo que executa o verdadeiro Liverpool sound, maneira inglesa de tocar, com características diferentes das outras execuções. Lidio Benvenutti Junior, Marcio Morgado, Chester Charler e Domingos Tucci, os integrantes penteiam-se da mesma maneira que os Beatles ingleses.

The Beatniks

The Beatniks

Os Terríveis, todos cabeludos, são o único conjunto que usa o solovox. Toca de tudo: da música clássica ao twist e à bossa nova. Manuel Lopes, José Aroldo, Francisco Lima, João Lucci e Vicente Ferreira são Os Terríveis. Cobram entre Cr$ 250 mil e Cr$ 400 mil por audição.

Os Terríveis, banda que parou o tráfico em frente à futura Câmera Municipal de São Paulo no Viaduto Maria Paula.

Os Terríveis, banda que parou o tráfico em frente à futura Câmera Municipal de São Paulo no Viaduto Maria Paula.

Formado por Edgard, Renato, Joe Primo, Arnaldo e Luizinho, o conjunto Os Megatons faz sucesso contínuo há 02 anos (1963) em São Paulo. Nasceu do afastamento de Joe Primo dos Jet Black’s e sua principal execução é o ‘Vôo da abelha’, música dificílima, onde reproduzem musicalmente o zumbido do vôo da abelha. Cobram entre Cr$ 300 e Cr$ 600 mil por apresentação.

Os Megatons passeiam com os Bandeirantes e Pioneiros.

Os Megatons, de Primo Moreschi e Wagner T. Benatti passeiam com os Bandeirantes e Pioneiros.

Renato & seus Blue Caps são os que mais se parecem, no Rio, com The Beatles. Gestos, atuações, penteados – a semelhança é gritante. Os outros componentes são Toni, Paulo Cesar, Carlinhos e Cid. O conjunto iniciou suas atividades em 1960. Quatro anos depois alcançaram grande sucesso com a gravação de ‘Menina linda’ (I should have known better). Pedem Cr$ 400 mil por atuação.

Dois membros de Renato e Seus Blue Caps: Cid Chaves e Paulo César Barros

Dois membros de Renato e Seus Blue Caps: Cid Chaves e Paulo César Barros

São Carlinhos, São Alencar, São Euclides e São Bologna são os componentes do conjunto musical Os Santos. Cariocas de Vila Isabel, recebem cerca de Cr$ 400 mil por 1 hora de show.

Os Santos - 1965

Os Santos – 1965

Artigo da Revista “Fatos & Fotos” de 24 de julho de 1965.
Cobertura no Rio de Janeiro: Paulo Galante e Domingos Cavalcanti.
Em São Paulo: Ayrton Oliva e Geraldo Mori

Publicado originalmente por Carlus Maximus no Blog Brazilian Rock 1957 – 1964
Tradução: Lucinha Zanetti

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