Da música para a Literatura: a Poesia de Hamilton Di Giorgio!

Hamilton Di Giorgio

Hamilton Di Giorgio

Cantor e Compositor da década de 1960 (1959-1968), Hamilton nasceu em 20 de setembro 1942 e viveu a sua adolescência em Tremembé, São Paulo, onde cantava para os seus amigos músicas que ouvia no Hit Parade que era transmitido toda semana pela Rádio Excelsior.

Um dia participou do programa “A Boite do Minguinho” da Rádio São Paulo, e foi indicado para o então animador de música jovem da Rádio Panamericana (depois Jovem Pan), Miguel Vaccaro Neto, jornalista e radialista que apresentava novos talentos em seus programas de rádio.

Daí para o sucesso foi um passo, e sua primeira gravação, “My Heart is an Open Book”, vendeu perto de 100.000 cópias!
Hamilton iniciou sua carreira no selo Young, que daria origem à Fermata.

Na Young, Hamilton ainda gravou outros sucessos como “Teenage Sonata”, que deu nome a uma coletânea de músicas feita com muito esmero por Tony Campello.

Com ele, na gravadora Young, ainda nasceram vários artistas como Demétrius, The Jet Black’s, Marcos Roberto, Prini Lorez, entre outros.

Quando esse grupo da Young se desfez, Hamilton foi para a Chantecler e fez sucesso com a canção Anjo Triste, uma versão sua de Blue Angel, de Roy Orbison.

Quase nada foi feito de “doo wop” no Brasil, mas uma gravação se destaca com o grande Hamilton Di Giorgio, nesta versão do sucesso de THE DELL VIKINGS, DE 1956, intitulado COME GO WITH ME!

Sua carreira ainda se estendeu para a Fermata, com “Meu Mundo” e RCA Victor, onde lançou seu último disco, O Bolha / O Mar.

“Anjo Triste” Hamilton di Giorgio em reportagem de Josino Teodoro para da revista Melodias, no tempo que lançou o compacto-simples 'O bolha' / 'O mar' pela RCA Victor.

“Anjo Triste”
Hamilton di Giorgio em reportagem de Josino Teodoro para da revista Melodias, no tempo que lançou o compacto-simples ‘O bolha’ / ‘O mar’ pela RCA Victor.

Anúncio na revista do compacto que ele lançou em 1966 (“O bôlha” / “O mar”) e as capas do disco.

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“O Mar” – Um vídeo com a participação de seu filho Renato Di Giorgio

Como Compositor, Hamilton tem mais de 100 obras entre composições e adaptações, algumas gravadas por ele mesmo. Entre elas, encontramos “Lobo Mau”, uma versão de The Wanderer, composição original de Dion Di Mucci & The Del Satins, 1961, gravada por Tony Campello / Renato e Seus Blue Caps / Roberto Carlos, “Chapeuzinho Vermelho” (The Jet Black’s), “Estrela que Cai” (Os Caçulas), “Na Noite que se Vai” (Agnaldo Timóteo) entre outras.

Miguel Vaccaro Neto entrevista em seu programa Hamilton Di Giorgio e Tony Campello.

Hamilton Di Giorgio nos anos 60 Foto do acervo do cantor

Hamilton Di Giorgio nos anos 60
Foto do acervo do cantor

Hamilton participando do Programa Ritmos para a Juventude, com Antonio Aguillar

Hamilton participando do Programa Ritmos para a Juventude, com Antonio Aguillar

Hamilton trabalhou 50 anos com Informática e agora está aposentado. No momento está passando por um tratamento em fase de cura no Hospital do Câncer em São Paulo, e em 2013 perdeu a voz devido a um AVC que lhe deixou com dificuldade para falar.

Hamilton também escreve poesias…

Seguem algumas delas publicadas por ele em uma rede social…

Poesias que eu rasguei

Poesias que eu rasguei
Onde estão?
Agora já não sei
P’rá onde vão
Os sonhos que sonhei,
P’rá onde vão?
Poesias que eu rasguei
Que diziam?
Agora já não sei
Aonde iam
As velas que soltei
Aonde iam?
Poesias que eu rasguei
– Que maldade!
Nem sonhos que sonhei
Nem velas que soltei
– Só saudade!
(28/08/2016)

Rosa de prata

Momento lento
Tarde distante
Errante
No esquecimento…
O último dia claro
Findava
Soerguendo um anteparo
De lava
Por todas as primaveras
Retidas
Em cárceres de quimeras
Há muito desconhecidas
E a última noite escura
Se abria
Nos cálices de frescura
(De que beberei um dia)
Para aclamar-te a chegada,
Rosa de prata!
– Quantia de amor exata
E eternizada!
A folha queimada no passo
Retardado
Das madrugadas de aço
Forjado
Não pôde nublar-te a vida
Rosa de prata
De encontro e de despedida
Sem data
Nem pode tirar-te a luz
Rosa de prata
O mundo que me seduz
E, pouco a pouco, me mata
Porque foste, no instante,
Rosa de jade
Entre o amarelo inconstante
E o frio azul da saudade!
(04/08/2016)

Revelação

Antes que o sol tenha o encosto
Da terra
Eu devo estar no meu posto
De guerra
Porque tenho o dia raro
E a noite infinda
E não sei se sigo ou paro
Se é ida ou vinda!
(Antes do vento soprar
Eu quero estar no horizonte
Laçando nuvens,
Cheio de orvalho na fronte
Laçando nuvens…)
Às vezes ouço ruídos
E passos
Que me transformam os ouvidos
Em braços
A procurar num infinito
De plasmas
O incomensurável rito
De companheiros fantasmas
(Antes da chuva cair
Eu quero ser primavera
Gerando flores
Adormecido na espera
Gerando flores…)
Qualquer mundo a que me leve
É muito pouco
Pago sempre a quem me deve
E nunca recebo troco
Sempre espero o que não vem
Minha chegada
Não pode chegar além
Do nada!
(Antes do sonho acabar
Eu tenho que ser destino
Guiando estrelas
No universo purpurino
Guiando estrelas…)
Depois de tudo passar
Que se apercebam de mim.
Todos têm o endereço
Do começo
E eu, do fim!
(24/07/2016)

Primeiro Esboço
Agora, ainda mesmo que queiramos,
Já não podemos mais nos separar;
Estamos perto quando longe estamos,
Nossos lugares são um só lugar.
Agora, ainda mesmo que escondamos,
Nossos relógios marcam a mesma hora;
E as duas vidas que, antes, só sonhamos,
São uma vida, apenas vida, agora.
São duas mentes – um só pensamento,
Duas pinturas – mas a mesma cor,
Duas sementes num mesmo rebento:
Somos dois caules de uma mesma flor!
(19/06/2016)

O que fui…O que sou
Na sombra do que fui
Repousa o que sou
Só sou o que não fui
Só fui o que não sou
E fui de utopia
E sou de realidade
E fui de calmaria
E sou de tempestade
Cansado do que fui
Passei para o que sou
E agora, do que fui,
Saudade é no que sou
E fui de azul-celeste
E sou de cinza-pardo
E fui de verde agreste
E sou de seco fardo
No tempo do que fui
Brincava do que sou
E fui o que não fui
E sou o que não sou!
(Num elevador vazio)
(19/06/2012)

Aurora eletrônica
Eu vou me lembrar de agora
Por entre os semi-destinos
Que me espreitam nesta aurora
De sinos
Eu vou me lembrar do jogo
E do abismo de espaço
Dos horizontes de fogo
E do palhaço
Eu vou me lembrar do tônico
Espairar, qua nada alcança
Do infinito eletrônico
E da esperança
Eu vou me lembrar do hino
E da surpresa contida
Do tribunal repentino
Da vida
E vou me lembrar, sonhando,
Do céu, do amor, da cidade,
Das silhuetas queimando
E da saudade!
(28/05/2012)

Nuvenzinha
Poesia ao sol
Que, enfim, saiu
E a nuvenzinha
Do céu sumiu
Mas tudo, ainda
Treme de frio
E a nuvenzinha
Do céu sumiu
Cantam os pássaros
Em liberdade
Será que o sol
Sentiu saudade?
E a nuvenzinha
P’rá onde vai?
Deixando a terra
Daqui não sai
Poesia ao sol
Que volta enfim
E a nuvenzinha
Dentro de mim
(23/05/2016)

Revelação
Antes que o sol tenha o encosto
Da terra
Eu devo estar no meu posto
De guerra
Porque tenho o dia raro
E a noite infinda
E não sei se sigo ou paro
Se é ida ou vinda!
(Antes do vento soprar
Eu quero estar no horizonte
Laçando nuvens,
Cheio de orvalho na fronte
Laçando nuvens…)
Às vezes ouço ruídos
E passos
Que me transformam os ouvidos
Em braços
A procurar num infinito
De plasmas
O incomensurável rito
De companheiros fantasmas
(Antes da chuva cair
Eu quero ser primavera
Gerando flores
Adormecido na espera
Gerando flores…)
Qualquer mundo a que me leve
É muito pouco
Pago sempre a quem me deve
E nunca recebo troco
Sempre espero o que não vem
Minha chegada
Não pode chegar além
Do nada!
(Antes do sonho acabar
Eu tenho que ser destino
Guiando estrelas
No universo purpurino
Guiando estrelas…)
Depois de tudo passar
Que se apercebam de mim.
Todos têm o endereço
Do começo
E eu, do fim!
(23/05/2012)

Procura
Procura pura
Água de rosa feita em pendão
Talvez eu durma amanhã
Hoje, não!
Poesia fria
Rocha de aresta dourada
Encontro da madrugada
Com o dia
Talvez que me exista a sorte
Escondida
Por entre as chamas da morte
Em vida
Ou, talvez, me reste o canto
Calado
E um céu tristonho de encanto
Nublado
Porém, procura!
Procura santa
Procura tanta
Qua a rama arcada
Desova a água de rosa
E volta ao nada!
(16/05/2012)

Síntese
O vento tocava liras
Nos ramos de eletricidade
Enquanto gerava espiras
Planejando a tempestade
E a noite extraviada
Do seu rumo rotineiro
Abria-se numa estrada
De flores, sem paradeiro
Quando a musa, adormecida,
Retornou à sua meta
Trazendo nas mãos a vida
E o destino do poeta:
Padecemos todos
De nós mesmos
Porque somos tantos
E, ao mesmo tempo, ninguém
(E nossos mutismos
São nossos versos também)
A palavra escrita
Limita
A nossa explosão estética
E apenas conseguimos
Derramar nas folhas
Uma vaga ideia
Do que transportamos
Nossos amores fundamentais
São tão fugidios
Que mal podem tomar forma
E se esvanecem…
Nossas crenças e descrenças
Andam juntas, justapostas
Num latifúndio de espaço
Onde, entre escamas esparsas,
Vagam os touros bravios
Brincando de primavera!
O mundo físico
Não existe realmente,
Embora nos engane sempre
(Somos cobaias de um deus
Onipotente)
Não nos molhamos na água
Nem nos queimamos no fogo
Vivemos do que está perto
De novo
Os nossos ouvidos ouvem
Aquilo que os outros vêm
(Estamos a um sentido
Além)
E sempre que conseguimos
Expor alguma verdade
Sepultamos um destino
Dando à luz uma saudade!
(14/05/2012)

Nascimento
A noite gira
Na face convexa
Da terra
Que volta molhada
Toda madrugada
E eu:
(Janela de um mundo
De fundo
Complexo
Sem nexo
Nem sexo)
Contando as estrelas
Que formam a corrente
Cadente
Que abre o meu peito
E penetra queimando
Deixando
Em lugar da certeza
O incerto…
Eu falo outra língua
Por isso não me compreendem!:
Gosto das coisas não tidas
E dos dias não passados
Das lembranças esquecidas
E dos sonhos não sonhados
Gira, gira, gira noite
Em volta do meu chapéu
Que numa das tuas voltas
Eu fico preso no céu
Gira, gira, gira noite
E, enquanto tudo for,
Eu também serei a vida
A esperança e o amor
Gira, gira, gira noite
Que nesta volta incompleta
Morrendo a felicidade
Está nascendo um poeta!
(29/04/2016)

Terceiro esboço
Estou chegando
Sem ter partido
Estou voltando
De onde não fui
Por uma estrada
Acidentada
Num céu cortado
Todo de azul
Tudo é poesia
Subitamente
Na atmosfera
Da eternidade
Cantam os átomos
Cheios de cores
Florindo amores
Pela cidade
Estive ausente
Por tanto tempo
Por tanto espaço
Corrido a esmo
Que, reconheço,
Na estranha guerra
Nada buscava
Só a mim mesmo!
Fui o mudado
E me mudou
O que os outros
Têm conservado
(“Somos iguais
nas diferenças
E diferentes
Nas igualdades”)
Estou chegando
Sem ter partido
Na despedida
Nem tive adeus
Estou voltando
Para os teus braços
O amor existe
Graças a Deus!
(07/07/2013)

Nascimento
A noite gira
Na face convexa
Da terra
Que volta molhada
Toda madrugada
E eu:
(Janela de um mundo
De fundo
Complexo
Sem nexo
Nem sexo)
Contando as estrelas
Que formam a corrente
Cadente
Que abre o meu peito
E penetra queimando
Deixando
Em lugar da certeza
O incerto…
Eu falo outra língua
Por isso não me compreendem!:
Gosto das coisas não tidas
E dos dias não passados
Das lembranças esquecidas
E dos sonhos não sonhados
Gira, gira, gira noite
Em volta do meu chapéu
Que numa das tuas voltas
Eu fico preso no céu
Gira, gira, gira noite
E, enquanto tudo for,
Eu também serei a vida
A esperança e o amor
Gira, gira, gira noite
Que nesta volta incompleta
Morrendo a felicidade
Está nascendo um poeta!
(22/07/2012)

Definição de passado
Era passado e, por ser passado,
Era passado para ser presente
Mas é futuro que não é futuro
Pois é futuro para ser passado
Eu era, para ser como não sou
Vivia de viver o que não vivo
Sonhava de sonhar como não sonho
Não via para ver o que hoje vejo
Se eu soubesse que ia ser assim
Não venceria para ter vencido
Se hoje é ter vencido p’rá perder!
Se eu soubesse que ia ser assim
Não viveria para ter saudade
Se hoje é ter saudade p’rá viver!
(22/06/2012)

Tempestade
Sibila o vento
Na grade
Planejamento:
Já é tarde!
Baila nos ares
Poeira aquática
De todos os mares
E a estática
Num rito ardente
E alterno
Planta a semente
Do inferno!
Sibila o vento
Na grade
É amor
É solidão
É tempestade!
(E, por que não,
Saudade?)
(15/07/2012)

A menina da caneca

Já ia mesmo deitar
E tirar uma soneca
Quando me entrou pelo olhar
A menina da caneca

Era cedo, manhãzinha
Nem de sol, nem de garoa
Que aspecto triste ela tinha
Pés descalços, roupa à toa

Vai à venda buscar leite
E pão, talvez, mal desponta
O sol que, só para enfeite,
Não traz calor – traz a conta!

O seu mundo está ocupado
Nele não existe boneca
Nem a bola, nem o dado
Nem, ao menos, a peteca
Nele só existe um cuidado
(A menina ou a caneca?)
(07/09/2016)

Pedido

Rosa muda
Mudada
Quanto tempo nos separa?

Os espinhos vão caindo
No precipício de espaço
E, do tempo, vão surgindo
Inúmeras gotas de orvalho
Que se acercam dos teus pés
Para deixar-te jamais

Rosa mutante
Do instante
A quantos vai tua hora?
És amanhã ou agora?
(Ou nunca mais?)

Em um ponto do infinito
Eu te espero, rosa vária
Apressa-te na corrente
Como uma nave corsária
Entrecortada de vento…

(Que o meu lado
Cansado
Já se perde
Em esquecimento!)

Aurora eletrônica

Eu vou me lembrar de agora
Por entre os semi-destinos
Que me espreitam nesta aurora
De sinos

Eu vou me lembrar do jogo
E do abismo de espaço
Dos horizontes de fogo
E do palhaço

Eu vou me lembrar do tônico
Espairar, que nada alcança
Do infinito eletrônico
E da esperança

Eu vou me lembrar do hino
E da surpresa contida
Do tribunal repentino
Da vida

E vou me lembrar, sonhando,
Do céu, do amor, da cidade,
Das silhuetas queimando
E da saudade

A menina da caneca

Já ia mesmo deitar
E tirar uma soneca
Quando me entrou pelo olhar
A menina da caneca

Era cedo, manhãzinha
Nem de sol, nem de garoa
Que aspecto triste ela tinha
Pés descalços, roupa à toa

Vai à venda buscar leite
E pão, talvez, mal desponta
O sol que, só para enfeite,
Não traz calor – traz a conta!

O seu mundo está ocupado
Nele não existe boneca
Nem a bola, nem o dado
Nem, ao menos, a peteca
Nele só existe um cuidado
(A menina ou a caneca?)

Culpa

A minha sombra da lua
O meu caminho na rua
Será que sou mesmo eu?
Um sorriso de tristeza
Um tamanho sem grandeza
Será que tudo isso é meu?

Onde está a tranquilidade
A segurança e a saudade
Que sempre trago ao chegar?
Onde ficou a esperança
E o meu olhar de criança
E a vontade de sonhar?

Bem melhor seria tudo
Neste cemitério mudo
Que rodeia o meu pesar
Decompor-se e, finda a guerra,
Desaparecer na terra
Para nunca mais voltar!

A minha sombra da lua
O meu caminho na rua
Tudo parece ser meu!
Meu sorriso de tristeza
Meu tamanho sem grandeza
– Hoje o culpado fui eu!

Camélia velha

Camélia velha
Luar de prata
Que se avermelha
Depois se mata
No precipício
Da gravidade
(Que desperdício,
Monstruosidade!)

Por quanto vives?
Talvez um mês
Talvez um ano
Ou mesmo três…
– Perdi, na conta,
A realidade
Camélia tonta
Da eternidade!

O ramo verde
De onde pendeste
Dirá, ao ver-te:
– Pobre coitada!…
E outras camélias
Com desconforto
Verão que ele
É que está morto!

Só tu que vives
Porque és aquela
Que não é branca
Nem amarela
Que não é telha
Nem é vermelha
Que não é verdade
– É só saudade!

Onde está você?(Segundo esboço)

Onde está você?
Meus olhos cansados
Desbravam o cinzeiro:
Três tocos fumados
E um quase inteiro

Onde está você?
Grená de piano
Grená de pijama
E o branco da cama…
(Já fez meio ano!)

Onde está você?
Relógio batendo…
(O trem que passou
Com o solo tremendo
Fantasmas levou)

Onde está você?
Camisa lavada
Em si quase nada
Mas muito p’rá mim
Jamais foi assim

Onde está você?
Um livro mal lido
(Oriente e Grécia)
A um lado esquecido
Nem chega à Lucrécia!

Onde está você?
Já são quase duas
No escuro do céu
Silêncio nas ruas
(Queimei meu papel!)

Onde está você?
O ar ficou morto
O azul fez marrom
Em todo o conforto
Apenas um som:

Onde está você?
Bem triste este fim
É apenas começo…
Achei o endereço:
– Está dentro de mim!

Contraste

(Espaço vazio, alma cheia!)
Meu navio está perdido nesta bruma esvoaçante…
(Espaço vazio, alma cheia!)
Qual é o nome da tristeza que me invade neste instante?
(Espaço vazio, alma cheia!)
Quanto tempo ainda me resta no percurso desta mágoa?
(Espaço vazio, alma cheia!)
O meu sono de saudade está todo dentro d’água!
(Espaço vazio, alma cheia!)
Contrastantes personagens de uma estória repetida,
(Espaço vazio, alma cheia!)
Vou nascendo e vou morrendo tendo apenas uma vida!

Porque não tenho o objeto
Que me extasia.
Só este espaço repleto
E a alma vazia!

Serena pena

Serena pena
Que me acomoda
Na triste cena
De roda

Num longo rito
Entrelaçada
Com o infinito
E o nada!

Quantos passaram
Ficando
(Quantos sorriram
Chorando)

Pelas vertentes
Dos teus contornos
Como presentes
E adornos!…

E agora és minha
(Só minha!)
Serena pena
Rainha

De uma estória
Bruxuleante
Entre a memória
E o instante!

11 respostas em “Da música para a Literatura: a Poesia de Hamilton Di Giorgio!

  1. Hamilton Di Giorgio foi um grande amigo no inicio da minha carreira artística. Praticamente começamos juntos. Ele um excelente compositor e um cantor que costumava dizer aos ouvintes, Hamilon Di Giorgio, um cantor da juventude feliz e sadia. Uma pena que está passando por essa provação de vida. Só Deus sabe. Gostaria de que nas minhas orações, Hamilton voltasse a ter uma vida sadia, feliz e com um tempo longo neste planeta. Mas só Deus sabe. Costumo dizer que nesta vida, tudo é mistério e cabe ao Senhor Deus o juízo final neste planeta para a eterna felicidade espiritual.

  2. Se quiser conhecer meu trabalho musical… confira no youtube, no link: http://bit.ly/cabrazen7 lancei em 2011 o trabalho, sao 7 faixas autorais minhas, e tive a honra de ter a participaçao do grande mestre Guilherme Arantes, em 3 faixas desse álbum… se ouvir, depois me conta o que achou =) … tenho um trabalho de poesia também… voce pode conferir no issuu, no link: https://issuu.com/renato/docs/blogy-parte1-issuu ou direto no site do projeto http://www.blogy,com.br muitas das minhas poesias viraram cançoes também já😉 beijos!

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