De como a Cantora Regiane entrou para o Selo Young.

Muitos que seguem este Blog estão acompanhando a historia da gravadora Young, contada pelo Alfie Soares.
Como ele mesmo escreveu ao finalizar a parte II, “A família Young estava crescendo. Faltava uma irmãzinha. Ela veio e sua história será contada no próximo capítulo…

E aqui está ela, a irmãzinha Regiane, nome artístico de Regina Célia, e é ela mesma quem narra a sua historia…

Oi Lucinha, vamos lá:

Morava com minha família (meus pais e meu irmão Roberto, um ano mais velho que eu) no bairro da Aclimação / Cambuci em São Paulo e SEMPRE fui ligada em música e nos meus 12/13 anos estudando no Colégio Sagrada Família, senti que não poderia cantar, pois na escola eu destoava nos cânticos com voz grave e forte então passei a me calar.

Logo apareceu na televisão a Inezita Barroso cantando folclore e eu vi que daria pra eu cantar também; fui aprender violão (também era moda na época) com o Prof. Teotônio Pavão, pai do Albert Pavão, e me realizei e sobressaia; meu professor começou a fazer reuniões musicais em sua casa, depois em teatros e depois na TV, onde eu devo ter sido vista e o Miguel Vaccaro Netto chegou a minha casa; eu já tinha 17 anos nessa época.

Miguel nos explicou sobre o movimento à procura de jovens talentos e nos convidou a ir ao seu programa Disque Disco na Rádio Panamericana, de violão em punho, no dia seguinte.
Fomos eu e minha mãe, e eu acabei fazendo o programa todo, cantando vários gêneros musicais e o Miguel, por eu ser Regina Célia, já lançou um concurso solicitando opiniões para escolha de um nome artístico, sobre a Cantora Misteriosa, e isso foi por um tempo até que me batizaram de REGIANE. Já fui logo conhecendo o pessoal da Young, sempre com mãe ou pai do lado.

Gravei o primeiro disco, um 78RPM, com Fallin’ e To Know Him Is To Love Him, e logo depois , outro com Frankie e Tum-Ba-Love, conhecendo a família Young, fazendo apresentações em TV e já começando a ser bem assediada (e me assustando) e os meninos Amilton, Gato, Nick Savoia, The Avalons’, The Beverly’s (Oi Amélia), The Teenagers’, The Rebels’ (o Nenê tinha 12 anos e tocava bateria), Demetrius, Dori Angiolella, Marcos Roberto, Antonio Claudio, Carlos Davi, cuidado de mim como irmã mesmo, junto com o Miguel. Viramos uma família.

regiane-capa-de-disco

Posteriormente, eu e todos da Young gravamos num dia só. Mil horas de gravação no Estúdio da Continental, onde nos divertimos muito. Eu, o EP The Beautiful Teenager, com as 4 músicas, a saber: O Dio Mio, Broken Hearted Melody, Willie Boy e I’m Yours, estas com violinos (Maestro Slon Spalla do Teatro Municipal), Edgard, guitarra, Bolão no sax; gostei bastante.

Com “I’m Yours” ganhei o Troféu Chico Viola, da TV Record, como Revelação do Ano e ainda um contrato com a TV Record, onde tive o Programa ELE E ELA junto com Walter Santos além de outras honrarias de revistas.

Conheci Didi com quem me casei em 63, ciumeira geral da irmandade.
Fui representar o Brasil em Punta Del Este, fiz toda sorte de programas de classe da Record tipo Astros do Disco, Show 713 que era o canal 7 com o a TV RIO canal 13 (que era o Fantástico de hoje) onde cantei, por várias vezes, músicas da Judy Garland a pedidos do Sr. Paulinho Machado de Carvalho, Phebo Faz Degrau Para o Sucesso, muitas vezes o Programa da Celly Campello, porém nunca perdendo de vista os meus irmãozinhos queridos. Não gostei do ambiente da TV, era muito diferente do meu meio.
Recebi convites de todo tipo, para filmes, boate e eu, hein???? Recusei tudo brava!!!
Eu estava liberada da Young que acho já estava parando (Não liberada dos amigos e nem do Vaccaro); eu fui convidada pela Gravadora Odeon para gravar Emotions da Brenda Lee em versão e O Il Nostro Concerto lindíssima com um arranjo idem.
Conclusão:

Coloquei a voz no Emotions e em seguida mandei o meu convite de casamento, após verificar bem, que eu não tinha, na época, estrutura psicológica para o ambiente artístico, recusando convites internacionais, (fizemos a primeira parte, eu Cauby Peixoto, Tito Madi etc…..de todos os especiais internacionais da Record) e eu me lembro da Caterina Valente vir de robe na coxia me ouvir, e foram muitos convites, todos recusados.

Casei-me com o Didi, cujo nome era Warrington Wacked, com quem tive 4 filhos, a saber:
Warrington Wacked Junior, 52 anos, advogado, casado e tem 3 filhos de 26, 21 e 18 anos respectivamente;
Wellington Bellocchi Wacked , 51 anos, dentista, casado, uma filha de 7 anos;
Wanessa Bellocchi Wacked , 49 anos, médica neonatologista, casada , sem filhos por opção;
Wallingson Bellocchi Wacked, 46 anos, professor de Educação Física, casado, tem 1 filha de 9 anos.
Fiquei viúva em 2005 e sempre morei só.
Moro em Jundiaí há 45 anos , cidade de onde orgulhosamente recebi o título de “Cidadã Jundiaiense”.

Em tempo: eu nunca perdi o contato com Vaccaro e outros.

Em 1997, com meu marido na Presidência do Lions, em um jantar onde estávamos estava tocando um bom tecladista de nome Ewerton Pernambuco e a pedidos fui cantar, e tendo ele uma escola de música convidou-me para cantar, com quem cantei por 19 anos em eventos fechados, tendo gravado nesse tempo só um bolero, do qual fiz uma cópia para cada filho e fim.
Ao longo de minha vida fiz vários cursos de Técnica Vocal e Canto e, também ministrei aula de canto popular nesses 19 anos.
Meu registro vocal é de Contralto Tenorina, estou com 75 anos, relativamente saudável, muito disposta, participante e ÀS SUAS ORDENS !!!

Bjossssss

Por Regina Célia Bellocchi Wacked, a Regiane.
Em 30 de novembro de 2016

O Selo “Young” e sua importância no cenário da música brasileira. (Parte III)

Quando a onda do Rock and Roll atravessou as barreiras raciais e sociais nos Estados Unidos, por volta de 1956, atingiu o grande universo dos adolescentes. Não apenas como um público consumidor, mas também como porta-vozes daquela geração.
Jovens cantores entre 13 e 17 anos passaram a ser os grandes astros da musica popular. A costa leste, principalmente entre a colônia italo-americana, contribuiu muito para a consumação deste fenômeno.
Frankie Avalon Fabian, Bobby Rydell, Bobby Darin, Frankie Valli e The Four Seasons, Dion e The Belmonts etc… eram os sonhos das meninas e a indústria, sempre atenta, passou a lançar os sonhos para os marmanjos.
A MGM trouxe Connie Francis, Buena Vista apresentou Anette Funicello, e Decca já possuía há algum tempo Brenda Lee.

No Brasil, sob a direção de Miguel Vaccaro Netto, a Young seguia a mesma linha. Buscava em jovens talentosos a matéria prima para a formação de seu elenco.

De sua mansão na Avenida Indianópolis veio Nick Savoia.

Nick Savóia

Nick Savóia

Filho de Arthur Sabóia, ex-prefeito de São Paulo (1932), Nick Savoia vinha com a experiência de ter passado algum tempo nos Estados Unidos. Acompanhado por sua banda The Scarletts, ele trouxe um toque de Broadway e uma maneira única de interpretação.
Vale ressaltar que a banda The Scarletts incluía em sua formação um naipe de metais, muito, mas muito antes de Blood, Sweat & Tears e Chicago.

Festa na casa de Nick Savóia no bairro do Sumaré em São Paulo - Da esquerda para a direita: Antonio Claudio (Danny Dallas) George Freedman, Miguel Vaccaro Netto, Regiane e Marcos Roberto.

Festa na casa de Nick Savóia no bairro do Sumaré em São Paulo – Da esquerda para a direita: Antonio Claudio (Danny Dallas) George Freedman, Miguel Vaccaro Netto, Regiane e Marcos Roberto.

Since you`ve been gone – Nick Savoia – 1959

Mack the knife (Moritat) – Nick Savoia – 1960

“TEEN IDOLS” DA YOUNG

A Young já contava com Hamilton Di Giorgio e Demetrius em seu elenco, porém a demanda para jovens cantores era imensa.
Contratado também foi Antonio Cláudio, dono de uma voz potente e uma presença de palco impressionante.
Ele veio acompanhado da Banda Jester Tigers, da qual fazia parte José Provetti, conhecido como Gato, que anos depois entraria para o famoso grupo idealizado e formado por Joe Primo, The Jet Black’s.

Antonio Cláudio (Danny Dallas) com The Jester Tigers

Antonio Cláudio (Danny Dallas) com The Jester Tigers

Antonio Cláudio depois gravou pela RGE como Danny Dallas e deixou a música para seguir a carreira de jurista.
É bem possível que tenhamos ouvido seu nome, recentemente, em assuntos referentes à justiça.
Carlos David foi outro jovem de boa aparência e bonita voz lançado pela Young por Vaccaro Neto. Carlos David seguia aquele padrão do “teen idol”, característica daquele final de década.
Gato, o guitarrista dos Jester Tigers, também podia cantar. E Vaccaro não deixou a oportunidade passar.

ANTONIO CLÁUDIO – Where Were you on our Wedding Day

CARLOS DAVID – The Angels Listened in

GATO – Kissin’ Time

GATO – What’d I Say

Entra em cena Regina Célia.

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Acompanhando-se ao violão interpreta Maysa, do jeito que Maysa merecia ser interpretada. Canta o sucesso de Maria “Mecha Branca” Thereza, de repente canta algo em inglês e, ao sairmos da audição, Regina Célia tornou-se Regiane.

Voz educada, timbre bonito, musicalidade vibrante, Regiane, com seus belos olhos sorridentes, inesgotável senso de humor, e talento, muito talento, tornou-se nossa musa, e era protegida por cada um dos elementos ligados à Young, como todo bom irmão ciumento que se preza protege sua irmã.

Miguel Vaccaro havia encontrado na figura de Regiane a mescla da intérprete jovem e da intérprete tradicional.

Este blog já apresentou Regiane, acompanhada por The Avalons, em sua fase roqueira.

Apresentamos agora uma outra faceta dela…

I’m Yours – Regiane

Broken-Hearted Melody – Regiane.

Como era normal naqueles tempos primordiais da geração Baby Boomer, Regiane optou pela família em detrimento à carreira.

Celly Campello tomaria a mesma decisão alguns anos depois.

Por Alfie Soares

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História da Banda de Rock Renato e Seus Blue Caps

Fundada em 1959, a banda de Renato começou com o nome de “Bacaninhas do Rock da Piedade” a partir de uma inscrição para o programa Hoje é Dia de Rock, fazendo mímica.
Quando o Rock chegou ao Brasil ele aconteceu primeiro na zona norte do Rio e começaram a surgir em toda esquina uma banda de rock…
Havia na Rádio Mayrink Veiga um programa chamado “Hoje é dia de Rock” e lá foi Renato se inscrever para fazer mímica com seu grupo.
Levaram uma vaia muito grande, mas não desistiram e segundo Renato, foi até bom, pois tornou-se um incentivo para darem a volta por cima e dois meses depois ele voltou a falar com Jair de Taumaturgo e se inscreveu novamente, agora para fazer apresentação ao vivo, não mais para fazer mímica.
A apresentação foi um sucesso e a mesma intensidade das vaias foi agora em aplausos. O único senão foi que Jair de Taumaturgo pediu para que trocassem o nome de Bacaninhas do Rock da Piedade para Renato… alguma coisa, citando algumas opções, até que Renato acabou gostando de “Renato e Seus Blue Caps” (inspirados em Gene Vincent and His Blue Caps).

Os Beatles chegaram ao conhecimento de Renato através de um amigo dele chamado Aurélio, que tinha acesso às músicas antes que elas chegassem ao Brasil.
Os Beatles tiveram origem no Rock e inovaram, faziam o gênero pop rock, pois todos do conjunto cantavam, além de tocarem. Renato e Seus Blue Caps então descobriram que poderiam fazer isso também e começaram a dividir os vocais.
Certo dia Carlos Imperial mostrou um disco para Renato com uma música nova que ele não conhecia, de uma banda que ele nunca tinha ouvido falar, e pediu que ele aprendesse a letra para tocar e cantar no dia seguinte, abrindo seu programa.
Renato então pensou como iria fazer aquilo e teve a ideia de escrever uma letra em português, e deu certo.
No final do programa Imperial foi se encontrar com Renato que estava em um barzinho próximo à Rádio, chegou com uma pilha de papel dizendo ao Renato que tudo aquilo era pedido para que eles tocassem de novo a música.
Mas é o próprio Renato Barros quem conta esta historia, ouçam…

Portanto, a banda Renato e Seus Blue Caps é oriunda do Rock e a Jovem Guarda veio depois, quando os Beatles chegaram, transformando aquele Rock and Roll em Pop Rock. Descobriram que poderiam se juntar a este estilo musical que os Beatles estavam trazendo para o Brasil e que transformava aquele rock and roll de 3 acordes.
Embarcaram no Rock e na Jovem Guarda, mas as origens de Renato vêm dos anos 50, pois ele ouvia sua mãe, que era cantora, escutava Billy Hallyday, Nat King Cole, Frank Sinatra, João Gilberto, Lupicínio Rodrigues, Dolores Duran, e esta foi a formação musical que Renato e seus irmãos receberam.
Renato tem total consciência da competência musical e artística da sua criação, embora escondida pela Jovem Guarda, pois o Renato e Seus Blue Caps não é oriundo dela e sim do Rock. Quando o programa Jovem Guarda nasceu, a banda já existia há mais de cinco anos; foi primordial para os artistas da Jovem Guarda, embora Renato e seus Blue Caps dificilmente seja citado por eles e pelo jornalismo musical do país, como tendo sido um artista importante e participativo.
Na mídia, todos parecem deixar claro que a Jovem Guarda era um trio: Roberto, Erasmo e Wanderléa, mas enganam-se as pessoas que pensam desta forma.
Renato e Seus Blue Caps foram preponderantes nas carreiras dos três artistas citados, mas se acostumaram com a omissão, e as pessoas acreditam no que a mídia desinformada escreve e publica.
Renato e seus Blue Caps chegaram ao programa Jovem Guarda pelas mãos de Marcos Lázaro, pelo simples motivo de que a música “MENINA LINDA” estava em segundo lugar em São Paulo, e isso lhe causou estranheza: “como não levaram ainda este conjunto para o programa?” Não fosse isso, talvez Renato e Seus Blue Caps não tivessem participado do Jovem Guarda!
Naquela época, Roberto Carlos só levou com ele lá do Rio de Janeiro para o programa em São Paulo, os seguintes artistas: ERASMO CARLOS (recém EX- Renato e seus Blue Caps ), “WANDERLÉA”, “GOLDEN BOYS” e “TRIO ESPERANÇA”.
Renato e seus Blue Caps não assistiram ao final melancólico do programa Jovem Guarda, pois muito antes, já haviam pedido rescisão de contrato à TV RECORD Canal 7 de São Paulo. Os motivos foram vários, incluindo um pessoal, que era o fato de Renato adorar a praia e o Maracanã aos domingos, embora cada componente da banda tivesse tido o seu.
Mas o reconhecimento veio e continua vindo por parte de quem é mais importante, que é o reconhecimento popular, tanto é verdade que a banda RSBC é o artista deste seguimento que mais faz shows pelo Brasil até os dias de hoje.

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HISTÓRICO

Renato Barros teve a ideia de criar o conjunto Renato e Seus Blue Caps e chamou os três irmãos da família Barros: Renato, Paulo Cezar e Edson (Ed Wilson) para se juntarem a ele.

No final dos anos 50, influenciados pelo gosto musical da família e pelo Rock and Roll de Elvis, Little Richard e Bill Halley, os rapazes começaram a imaginar que poderiam participar de programas de rádio, fazendo mímica das músicas de sucesso, algo que era bastante comum naquela época. Após uma apresentação desastrosa na rádio Mayrink Veiga, no programa “Hoje é dia de Rock”, de Jair de Taumartugo, passaram a se dedicar à música ao vivo.
Passavam horas trancados, aperfeiçoando a técnica em seus instrumentos. Paulo Cezar, por exemplo, começou tocando piano com dois dedos, e posteriormente, percebeu que seu negócio era o contrabaixo.
Até aí não havia sido formado um conjunto, e haviam adotado o nome de “Bacaninhas do Rock da Piedade”, numa alusão ao bairro em que foram criados no Rio de Janeiro. Logo se juntaram aos irmãos Barros os amigos Euclides (guitarrista) Gélson (baterista) e o saxofonista Roberto Simonal (irmão do cantor Wilson Simonal).

Já com o nome de Renato e Seus Blue Caps, inspirado em Gene Vincent, o grupo se apresentou no mesmo programa, tocando e cantando “Be-bop-a-lula”, e obteve o primeiro lugar da semana, e posteriormente, o prêmio de melhor do mês. Ainda em 1960, gravaram o primeiro disco de 78 rotações, pela gravadora Ciclone, em que acompanhavam o grupo vocal “Os Adolescentes”. No ano seguinte, gravaram com Tony Billy, pela mesma etiqueta. Nesse período, Gelson deixa o conjunto e Claudio entra para ser o baterista do grupo. Após uma participação no programa do Chacrinha, na TV Tupi, foram contratados pela Copacabana, onde lançaram dois 78 rotações e dois LPs: em 1962 (Twist) e 1963, sendo que o estreante Toni foi o baterista neste segundo LP.

Em 62, Ed Wilson parte para a carreira solo, e Erasmo Carlos, então secretário de Carlos Imperial, assume o posto de crooner do conjunto. Foi em 1963 que Renato e Seus Blue Caps teve o primeiro vínculo com a CBS. O grupo acompanhou Roberto Carlos nas gravações de Splish Splash e Parei na contramão.

Em 64, graças à insistência de Roberto Carlos e Rossini Pinto, o grupo é contratado pela CBS, lançando um compacto duplo. A banda, a essa altura, tinha Renato (guitarra solo), Paulo Cezar (baixo), Cláudio (que voltara ao conjunto nas gravações desse compacto), Cid (sax) e Carlinhos, primo de Renato (guitarra base). Após esse compacto, Toni retorna mais uma vez ao posto de baterista, e o conjunto fica, então, com a formação que faria grande sucesso nos anos seguintes.
A essa altura, Renato e Seus Blue Caps já era bastante conhecido no Rio de Janeiro, devido às frequentes aparições em programas de TV e apresentações em rádio.
No começo de 1965, a gravadora CBS resolve, finalmente, lançar mais um LP do conjunto. Durante as gravações, em janeiro daquele ano, Renato Barros fez, sem muitas pretensões, a versão em português para a música “I should Have known better”, dos Beatles, que recebeu o nome de “Menina Linda”. Apresentada no programa de Carlos Imperial, na TV Rio, a música causou tão boa repercussão, que foi incluída no LP, que se chamaria “Viva a Juventude!”. Logo a música entra nas paradas de sucesso, e projeta Renato e Seus Blue Caps em todo o país.

O ano de 1965 seria um marco para a carreira da banda. O sucesso – inesperado – aumenta cada vez mais, e próximo do final do ano, com o programa “Jovem Guarda”, na Record, Renato e Seus Blue Caps conquista definitivamente seu espaço no cenário da música jovem. O LP “Isto é Renato e Seus Blue Caps” alcança excelente vendagem e dá um impulso maior à popularidade do grupo.
A banda se especializa em versões das músicas dos Beatles e de outros artistas internacionais, mas desenvolve também um estilo próprio de interpretação e composição. Muitas das versões de Renato faziam mais sucesso aqui no Brasil do que as originais em inglês. Surgem também as excursões para o exterior, e a banda atinge o ápice de sua popularidade no final de 66, com o lançamento do LP “Um embalo com Renato e Seus Blue Caps”, o disco de maior sucesso e vendagem na carreira do conjunto.
O grupo também seria o responsável pelo acompanhamento de grandes nomes da Jovem Guarda, emprestando sua sonoridade a diversos lançamentos fonográficos. O excelente LP “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura” é apenas um exemplo.

Entre 1965 e 1969, foram lançados 6 LPs, todos atingindo altos índices de vendagem e execução nas rádios. Em 68, o tecladista Mauro Motta passa a integrar a banda. No ano seguinte, o grupo passa por algumas alterações. Paulo Cezar grava um compacto simples, tentando se firmar em carreira solo. Em seu lugar entra Pedrinho. Carlinhos também deixa o conjunto, e Mauro Motta dá lugar a Scarambone.

Em 71, Paulo Cezar retorna ao conjunto, mas sai do grupo novamente em 73. Enquanto isso, o ano de 1972 ficou marcado pela saída de Toni, sendo substituído pelo baterista Gelson, que faleceu recentemente, dando lugar a seu filho na bateria. Dois anos mais tarde, a banda passa a contar também com os vocais de Ivanílton, que mais tarde seria conhecido nacionalmente como Michael Sullivan. É possível constatar a passagem marcante de Michael Sullivan pelo grupo, ouvindo os LPs de 1974 e 1976 (10 anos de Renato…)
O grupo passa por mais modificações em sua formação já em 1977. Saem do conjunto Michael Sullivan e Scarambone. No ano seguinte, é a vez do baixista Pedrinho deixar a banda, para a volta do vocalista e também baixista Paulo Cezar Barros, que um ano antes lançara pela Emi-Odeon um bom disco com versões dos Beatles.
O ano era 1978, e além da entrada do novo tecladista Marquinho, o conjunto lança um compacto simples com as músicas “Minha Vida” e “Nega, Neguinha”. Esta última, seria um prenúncio do que viria pela frente. A grande onda era a Disco Music, e o LP anual do grupo, em 79, foi fortemente influenciado pelo ritmo das discotecas.

O primeiro ano da década de 80 trouxe como lançamento mais um compacto simples pela CBS, e no ano seguinte, o novo LP da banda, que tinha, entre as novidades, uma faixa com a participação de Zé Ramalho. A música, “Mr. Tambourine Man”, versão para o clássico dos anos 60, foi a musica de trabalho, e teve até direito a clip exibido no Fantástico, da Rede Globo.

Depois de 28 anos na mesma gravadora, a banda se transfere, em 1982, para a RCA, lançando inicialmente um compacto simples, e no ano seguinte, o excelente LP “Pra Sempre”.
Porém, após esse disco, o conjunto ficou 4 anos (1983-1987) sem gravar, até que a volta aos lançamentos fonográficos se deu na Continental, com o LP “Baton Vermelho”, um sucesso de vendas e de execução, que trouxe o grupo novamente à mídia.

Em 1989, porém, Paulo Cezar novamente deixaria o grupo, que teria Luiz Claudio em seu lugar, além de contratar o tecladista Darci. Luiz Claudio ficaria no grupo até 1994, quando seria substituído por Amadeu. A volta ao disco ocorreu em 95, quando a banda participou da coletânea 30 anos da Jovem Guarda, produzida por Márcio Augusto Antonucci, dos Vips. Em 96, foi a vez do disco Renato e Seus Blue Caps – 1996, lançado pela Globo Columbia.

Já em 2000, os Blue Caps participam de 3 Cds promocionais em homenagem a Roberto Carlos e no final de 2001, o esperado disco Ao Vivo é lançado pela Warner, junto com mais 5 faixas inéditas, incluindo a belíssima composição de Renato Barros intitulada “Atriz”.

Vale destacar que Renato e Seus Blue Caps jamais deixou de excursionar pelo país e realizar shows e apresentações.
Atualmente, com mais de 50 anos de carreira ininterruptos, o conjunto poderia entrar para o Guiness Book como sendo o mais antigo do mundo em atividade.
E uma prova da importância de Renato e Seus Blue Caps nesta “Era Digital”, é o constante lançamento de seus discos e coletâneas em CD, mostrando que a música de Renato e Seus Blue Caps sobreviveu ao tempo, atravessou gerações, e se mantém viva, alegre e espontânea.

AS FORMAÇÕES

(1959) Renato Barros, Paulo César Barros, Euclides de Paula (ficou até 1961) Edinho (Ed Wilson), Ivan Botticcelli (entrou em 1960)

(1962) Renato Barros, Paulo César Barros, Edinho (Ed Wilson), Roberto Simonal, Cláudio Caribé, Ivan Botticcelli

(1963) Renato Barros, Paulo César Barros, Erasmo Carlos, Roberto Simonal, Toni

(1965 a 1967) Renato Barros, Paulo César Barros, Cid, Carlinhos Carlos Alberto Da Costa Vieira, Toni

(1968) Renato Barros, Paulo César Barros, Cid, Carlinhos, Toni, Mauro Motta

(1969 a 1970) Renato Barros, Cid, Toni, Pedrinho, Scarambone

(1971) Renato Barros, Paulo César Barros, Cid, Scarambone, Toni, Pedrinho

(1972 a 1973) Renato Barros, Paulo César Barros, Cid, Scarambone, Pedrinho, Gelson

(1973 a 1976) Renato Barros, Cid, Scarambone, Pedrinho, Ivanilton (Michael Sullivan), Gelson

(1977) Renato Barros, Cid, Pedrinho, Gelson

(1979 a 1983) Renato Barros, Paulo César Barros, Cid, Marquinho, Gelson

(1987) Renato Barros, Paulo César Barros, Cid, Gelson

(1996 a 2001) Renato Barros, Cid Chaves, Gelson Moraes, Darci Velasco, Amadeu Signorelli.

(2014 até a atualidade) Renato Barros, Darci Velasco, Amadeu Signorelli, Gelsinho Moraes e Cid Chaves.

Cid Chaves tem permanência ininterrupta na banda desde 1964, tendo passado por várias fases distintas ao longo de sua historia na banda.
Chegou como saxofonista, substituindo a Roberto Simonal, e vários outros componentes também foram saindo, outros chegando, e por diversos motivos transparecendo talvez certa falta de comprometimento e Renato muitas vezes se sentindo isolado por ser o único que sabia o que estava fazendo e o único que tinha uma meta a ser atingida, e conseguiu atingi-la. (Disse-me ele certa vez em que conversamos).
Temos que enaltecer a carreira de Cid Chaves, pois nunca pulou do barco, nem nas mais bravias tempestades, segundo palavras do próprio Renato.
Não deve ser fácil trabalhar com várias cabeças pensantes, várias personalidades e portanto não deve ser fácil manter uma banda, e é por isso que temos que louvar e enaltecer Renato Barros, por manter há tanto tempo a sua Renato e Seus Blue Caps nessa estrada sinuosa mas de muito sucesso.

DISCOGRAFIA

A Discografia de 1962 a 2001.

RENATO E SEUS BLUE CAPS – 1962 – TWIST

Primeiro LP de Renato e seus Blue Caps, gravado em 1961 e lançado no ano seguinte pela Copacabana. A estratégia era lançar no mercado novos talentos, aproveitando o Twist, o rítmo do momento. Para os vocais, foram escolhidos Reynaldo Rayol e Cleide Alves. O cantor Reynaldo Rayol se recorda de muitas histórias a respeito desse disco. Na musica “Peppermint Twist”, Roberto Carlos e Wilson Simonal fizera o “coro”, nos revelou Rayol. Ele ainda se recorda que na gravação de “Sinal Ocupado”, Ed Wilson assumiu o contra-baixo, enquanto Paulo Cezar tocou guitarra. As gravações ocorriam à tarde, e além da participação também não creditada de Erasmo Carlos, “Os Cariocas” fizeram o backing vocal em “Cuide Certinho do Meu Bem” e “Bonequinha”.

Formação:
Renato Barros: Guitarra Solo
Paulo Cesar Barros: Baixo
Edson Barros (Ed Wilson): Guitarra Rítmica
Roberto Simonal: Sax
Claudio: Bateria
Ivan Botticelli: Piano
Reinaldo Rayol: Vocal
Cleide Alves: Vocal

Músicas:
01 Peppermint Twist
02 Chega (Makin Love)
03 I Like Twist With My Baby
04 Sinal Ocupado (Busy Signal)
05 Meu Anjo da Guarda
06 Summer Comes Again
07 Blue Caps Twist
08 Eu Quero Twist
09 Hey, Brotinho
10 Cuide Certinho do Meu Bem (Take Good Care of My Baby)
11 Namorando
12 Bonequinha

RENATO E SEUS BLUE CAPS – 1963 – Renato e Seus Blue Caps.

Um disco com grande melhora tanto em qualidade de som como artística em relação ao primeiro lançado em 1962, o Twist.
Com apenas 10 faixas, é um disco gravado com garra e inspiração.
O vocal de Erasmo em “What I’d say” é o retrato fiel dos jovens do subúrbio que curtiam Rock. Inglês enrolado na hora de cantar, espontaneidade e vontade de ganhar algumas garotas. Com este LP, Renato e Seus Blue Caps começava a despertar a atenção dentro do cenário musical.
Formação:
Erasmo Carlos: Guitarra Rítmica e Vocal;
Renato Barros: Guitarra Solo;
Paulo Cezar Barros: Contrabaixo;
Roberto Simonal: Sax;
Tony: Bateria
Faixas =>
01 Limbo Rock
02 Walking My Baby Back Home
03 Estrelinha (Little Star)
04 O Lobo Mau (The Wanderer)
05 Comanche
06 Boogie do Bebê (Baby sittin’ Boogie)
07 Ford de Bigode
08 What’d I Say
09 Relax
10 Stand Up

Compacto 1964
Primeiro compacto dos Blue Caps lançado pela gravadora CBS, incluindo 4 faixas e com nova formação
Formação:

Renato Barros: Guitarra Solo
Paulo Cezar Barros: Contrabaixo
Carlinhos: Guitarra Rítmica
Cid Chaves: Sax
Tony: Bateria

01 – Vera Lucia

02 – We Like Birland

03 – Bigorrilho

04 – Noturno em Mi Bemol

RENATO & SEUS BLUE CAPS 1964 – VIVA A JUVENTUDE!

Primeiro LP pela CBS, “Viva a Juventude!” foi também o primeiro trabalho de repercussão de Renato e Seus Blue Caps. A música “Menina Linda” foi o grande destaque do disco. O ex-integrante Carlinhos tem uma lembrança curiosa das gravações de “Viva a Juventude!”: “Era uma festa, quando abria o microfone, todo mundo cantava junto, como se fosse um bloco de carnaval”.
O LP traz também as primeiras versões dos Beatles em português, feitas por Renato Barros.
É possível também identificar a voz de Erasmo Carlos em algumas faixas; embora o Tremendão já tivesse deixado o conjunto para seguir carreira solo.

[01] Negro Gato (Getúlio Cortes)
[02] Menina Linda (I should have Know Better) ( Lennon-MacCartney Vers: Renato Barros)
[03] Tremedeira (Tremarella) (Rossi-Alicata-Vianello Vers: Neusa de Souza)
[04] Querida Gina (Renato Barros)
[05] Sou Feliz Dançando com Você (I’m so happy just to dance with you) (Lennon-MacCartney Vers: Lilian Knapp)
[06] Gatinha Manhosa (Erasmo Carlos-Roberto Carlos)
[07] Canto pra Fingir (My whole world in falling down) (Jerry Crutchfield-Bill Anderson Vers: Rossini Pinto)
[08] Garota Malvada (I call your name) (Lennon-MacCartney Vers: Renato Barros)
[09] Os Costeletas (Renato Barros-Getúlio Cortes-Carlinhos)
[10] Fruit Cake (B. Tucker)
[11] Loop the Loop (Teddy Vann-Joe Dong Vers: Rossini Pinto)
[12] Vera Lucia (Renato Barros-Paulinho)

RENATO & SEUS BLUE CAPS – 1965 – “Isto é Renato e Seus Blue Caps”.

[01] Você não Soube Amar (It’s gonna be all right) (Jorge Marsden Versão: Roberval-Arthur Emílio)
[02] Feche os Olhos (All my loving) (Lennon-MacCartney Versão: Renato Barros)
[03] O Escândalo (Shame and scandal in the family) (Huon Donaldson-S. H. Brown Versão: Renato Barros)
[04] O Fugitivo (Luiz Ayrão-Ercio Roberto)
[05] Preciso Ser Feliz (Renato Barros-Paulinho-Lilian Knapp)
[06] Eu Sei (I’ll be back) (Lennon-MacCartney Vers: Renato Barros)
[07] Meu Primeiro Amor (You’re going to lose that girl (Lennon-MacCartney Versão: Lilian Knapp)
[08] Aprenda a me Conquistar (Carlinhos-Renato Barros-Lilian Knapp)
[09] Espero Sentado (Keep Searchin’) (Del Shannon Versão: Lilian Knapp)
[10] Sou tão Feliz (Love me do) (Lennon-MacCartney Versão: Renato Barros)
[11] Esqueça e Perdoe (Getúlio Cortes)
[12] Orgulho de Menina (I need your love) (Clark-Smith Versão: Renato Barros)

RENATO & SEUS BLUE CAPS – 1965

RENATO & SEUS BLUE CAPS – 1966 – Um Embalo Com Renato e Seus Blue Caps

[01] Meu Bem Não me Quer (My bay don’t care) (Sid Herring Vers: Renato Barros)
[02] Pra Você Não Sou Ninguém (Look thru any window) (Goldman-Silverman Versão: Paulo Cezar Barros)
[03] Até o Fim (You won’t see me) (Lennon-MacCartney Versão: Lilian Knapp)
[04] Sim, Sou Feliz (Renato Barros-Paulo Cezar Barros)
[05] Gosto de Você (Tell me what you see) (Lennon-MacCartney Versão: Paulo Cezar Barros)
[06] Perdi a Esperança (Paulo Cezar Barros-Marcus Fabiani)
[07] Primeira Lágrima (Renato Barros)
[08] Dona do Meu Coração (Run for your love) (Lennon-MacCartney Versão: Renato Barros)
[09] Não Te Esquecerei (California dreamin’) (J. & M. Phillips Versão: Lilian Knapp)
[10] Vivo Só (For your love) (G. Gouldman Vers: Paulo Cezar Barros)
[11] Não Quero Você Chorar (Paulo Cezar Barros)
[12] A Garota que Eu Gosto (Adaptação: Renato Barros)

RENATO & SEUS BLUE CAPS – 1966

01-00:00 A Garota Que Eu Gosto
02-01:37 Até o Fim
03-04:58 Dona do Meu Coração
04-07:01 Gosto de Você
05-09:42 Meu Bem Não Me Quer
06-11:48 Não Quero Ver Você Chorar
07-14:25 Não Te Esquecerei
08-16:58 Perdi a Esperança
09-20:11 Pra Você Não Sou Ninguém
10-22:52 Primeira Lágrima
11-26:01 Vivo Só
12-28:28 Sim Sou Feliz

RENATO & SEUS BLUE CAPS – 1967 – Renato e Seus Blue Caps

[01] Este Amor Me Faz Sofrer (SemiDetached Suburban-Mr.James) (G. Stephens-J. Carter Vers: Luiz Keller)
[02] No Dia Em Que Jesus Voltar (Paulo Cezar Barros)
03 Não Posso Me Controlar (I can’t control myself) (Reg Presley Vers: Luiz Keller)
[04] A Saudade que Ficou (Renato Barros-Ed Wilson)
[05] Menina Feia (Renato Barros)
[06] Não Me Diga Adeus (Carlinhos-Paulo Cezar Barros)
[07] Vou Subir Bem Mais Alto Que Você (Reach out I’ll be there) (B. Holland-E. Holland-L. Dozier Vers: Luiz Keller)
[08] A Irmã do Meu Melhor Amigo (Gileno)
[09] Tem que Ser Você (With a girl like you) (Reg Presley Vers: Luiz Keller)
[10] Ana (Anna) (Go to him) (Arthur Alexander Vers: Lisna Dantas)
[11] Um É Pouco, Dois É Bom, Três É Demais (Renato Barros)
[12] Lar Doce Lar (Renato Barros-Carlinhos)

RENATO & SEUS BLUE CAPS – 1968 – Renato e Seus Blue Caps – Especial

[01] Para me Abandonar (Puruca)
[02] Ela É Um Mistério Para Mim (She is still a mistery) (Sebastian Vers: Gileno)
[03] Porque Eu Te Amo (Paulo Cezar Barros-Gileno)
[04] Escreva Logo (Please Mr. Postman) (B. Holland-F.C. Gorman Vers: Renato Barros)
[05] Não Vou Me Humilhar Por Você (Gileno)
[06] Te Adoro (No fuimos) (Hugo-Osvaldo Vers: Sergio Becker)
[07] Ela É Tão Linda (Cléo Galanth)
[08] A Esperança É a Última Que Morre (Ed Wilson)
[09 Não Demore Mais (It’s good to see you) (Peter Shelley Vers: Renato Barros)
[10] Já Não Precisas Mais Chorar (D’avila Filho)
[11] Bem Feliz Serei (Sunshine girl) (Carter-Stephens Vers: Robert Livi)
[12] Sem Suzana (Renato Barros)

RENATO & SEUS BLUE CAPS – 1969 – Renato e Seus Blue Caps

[01] Obrigado Pela Atenção (Raulzito)
[02] Meu Bom Amigo (Maria Vasquez-Pelin)
[03] Foi Mentira (Rossini Pinto)
[04] No Dia em Que Você Me Disse Adeus (Pedro Paulo)
[05] Eu Vivia Enganado (Hooked on a feeling) (Mark James Vers: Rossini Pinto)
[06] Disse Me Disse (Rossini Pinto)
[07] Não Vá Embora Sem Me Dizer (Renato Barros)
[08 Tão Sozinho (Cuore stanco) (Migliacci-Luisini-Pintucci Vers: Rossini Pinto)
[09] Não Volto Mais (Paperback writer) (Lennon-MacCartney Vers: Renato Barros)
[10] Despedida (Ed Wilson)
[11] Claudia (Lodi) (J. C. Forgety Vers: Renato Barros)
[12] Quando A Cidade Dorme (Leno)

RENATO E SEUS BLUE CAPS – 1970 – Renato e Seus Blue Caps

[01] Faça O que Eu Digo, Mas Não Faça O que Eu Faço (Gil-Jean)
[02] Coitadinha de Você (Marcos Torraca)
[03] Playboy (Pedro Paulo-Raulzito)
[04] Todo Meu Amor Você Levou (Átila-Paulinho Soares)
[05] Escreva (César Sampaio)
[06] Cha-La-La Marisa (Cha-la-la, I need you) (Hank Hillman-Brian Goldwyn Vers: Roberto Bernardes)
[07] Tudo Tem Seu Preço (Getulio Côrtes)
[08] Vontade de Viver (Ed Wilson)
[09] Só Faço Com Você (Leno)
[10] Não Quero Chorar (Marcos Torraca)
[11] Meu Amigo do Peito (Renato Barros)
[12] Se Eu Sou Feliz, Por Que Estou Chorando? (Raulzito-Leno)

RENATO E SEUS BLUE CAPS – 1971 – Renato e Seus Blue Caps

Primeiro álbum de Renato e Seus Blue Caps a não incluir versões de músicas internacionais. Neste disco, está evidente a influência do guitarrista Santana sobre Renato Barros, o que deu ao LP uma sonoridade bem característica do início da década de 70.
Como curiosidade, vale destacar que este é o disco preferido de Renato, entre todos que a banda lançou. A faixa que abre o disco, “46-77-23”, do excelente compositor Getúlio Côrtes, causou alguns “inconvenientes” ao dono do telefone cujo número era cantado no refrão desta música.
O álbum marca também o retorno de Paulo Cezar Barros ao conjunto.

Formação:
Renato Barros: Guitarra e Vocal
Paulo Cezar Barros: Baixo e Vocal
Cid Chaves: Vocal e Percussão
Scarambone: Teclados
Pedrinho: Guitarra
Tony: Bateria

[01] 46-77-23 (Getúlio Côrtes)
[02] Esta Noite Não Sonhei com Você (Renato Barros)
[03] Sheila (Mauro Motta-Raulzito)
[04] Sou Louco Por Você (Renato Barros-Ed Wilson)
[05] Você Vai me Ouvir (Renato Barros)
[06] Tania (J. C. Scarambone-O. C. Shultz)
[07] Não É Nada Disso (Renato Barros)
[08] Nós Dois (Renato Barros)
[09] Agora É Tarde (Ed Wilson)
[10] O Brinquedo se Quebrou (Renato Barros)
[11] Sou Amor Pra Te Entregar (Renato Barros-Massom)
[12] Ainda É Hora de Chorar (Átila-Raulzito)

RENATO E SEUS BLUE CAPS – 1972 – Renato e Seus Blue Caps

[01] Darling, Darling (Darling, Darling) (Penny Vers: Rossini Pinto)
[02] Eu Sou o Que Eu Sou (I am that I am) (English-Kerr Vers: Rossini Pinto)
[03] Não Foi o Que Eu Fiz (Pedrinho-Renato Barros)
[04] Vou Mudar De Vida (Don’t want to say goodbye) (Carmem-Bryson Vers: Rossini Pinto)
[05] Domingo Feliz (Beautiful Sunday) (Boone-R. McQueen Vers: Rossini Pinto)
[06] Você Vive (Ed Wilson)
[07] Por Você (Little girl) (Rainer-Ehrhardt Vers: Rossini Pinto)
[08] Mas Não Faz Mal (It’s alright “I don’t mind”) (A. Fronte Vers: Pedrinho)
[09] Por Amar (I’ve been down) (Harold Thoy Vers: Rossini Pinto)
[10] Eu Te Adoro (I need you) (G. Beckley Vers: Rossini Pinto)
[11] Baby, Baby (Mauro Motta-Raulzito)
[12] Vou-me Embora (Michoacan) (A. Allen-K. Fowley Vers: Rossini Pinto)

RENATO E SEUS BLUE CAPS – 1973 – Renato e Seus Blue Caps

Neste álbum, a novidade ficou por conta da estreia de Ivanilton, que mais tarde seria muito conhecido como “Michael Sullivan”.

Participação especial de Paulo César Barros no vocal de “Se você Soubesse”.

[01] Vamos Viver Cantando (Let’s hang the moon in the front room mama) (Terry Tassemberg Vers: Rossini Pinto)
[02] Eva Maria (Eva Maria) (J. L. Armenteros-P. Herrero Vers: Rossini Pinto)
[03] Mentira (Amaury-Altanir)
[04] Não Penso Nela (Non penso più a lei) (Manuel de Sica Vers: Rossini Pinto)
[05] Porque Os Sonhos Se Vão (Porque los sueños se van) (L. Pacheco-J. Simonetti Vers: Rossini Pinto)
[06] Não Me Interessa (Lilian Knapp-Marcio Augusto)
[07] Se Você Soubesse (Renato Barros-Rossini Pinto)
[08] Um Homem Apaixonado (Un hombre enamorado) (Rabito Vers: Rossini Pinto)
[09] Guarde O Seu Amor Pra Mim (Save the last dance for me) (Doc Pomus-Mort Shuman Vers: Pedro Paulo)
[10] Estranho (Strange one) (Carl Groszmann Vers: Rossini Pinto)
[11] Um Cantinho No Seu Coração (L. Barrie)
[12] Jurei Nunca Mais Lhe Aceitar (So what if it rains) (Austin Roberts-John Reese Vers: Rossini Pinto)

RENATO E SEUS BLUE CAPS – 1974

Álbum importante da discografia de Renato e Seus Blue Caps, pois dele surgiram alguns hits do grupo, na metade da década de 70.
“Eu Não Aceito o Teu Adeus” foi um grande sucesso, mantendo o nome da banda nas paradas das rádios em todo o Brasil.
O vocal de Ivanilton (Michael Sullivan) em “Recordações” é marcante e se constitui em um dos pontos altos do LP.

Formação:
Renato Barros: Guitarra e Vocal;
Cid Chaves: Vocal e Percussão;
Ivanilton: Vocal;
Scarambone: Teclados;
Pedrinho: Baixo;
Gelson: Bateria

[01] Você Não Merecia (Eugenio Pinto-Rossini Pinto)
[02] Ana (Mona) (J. Spampinato Vers: Rossini Pinto)
[03] Eu Não Aceito o Teu Adeus (Mauro Motta-Renato Barros)
[04] Como Num Sonho (Alessandro – Cury)
[05] Sempre a Te Esperar (Quedate en mis sueños) (J. de la Fuente-M. Santander Vers: Rossini Pinto)
[06] Eu Quero Dançar Contigo (Dancing on a saturday night) (B. Blue-L. de Paul Vers: Rossini Pinto)
[07] Não Quero Mais Saber de Você (M. Miranda)
[08] Só Por Causa de Você (Renato Barros-Gileno)
[09] Pra Quem Você Olha (Altanir Freitas-Amaury Freitas)
[10] Agora É Tarde (Mauro Motta)
[11] Recordações (Ed Wilson)
[12] Vou Curtir Minha Dor (Alessandro)

RENATO E SEUS BLUE CAPS – 1976 – 10 anos de Renato e Seus Blue Caps

Em 1976, quando o grupo já tinha 16 anos de carreira, eis que surge o curioso título de “10 anos de Renato e Seus Blue Caps” para este excelente LP.
Basicamente composto por belas baladas românticas, este décimo quarto álbum de Renato e Seus Blue Caps foi um dos melhores dentre os lançados na década de 70.
Com a canção “Como há dez anos atrás”, Renato conseguiu, de maneira simples e singela, expressar o sentimento de muitos, que já na faixa dos 30, sentiam saudade da adolescência vivida na década anterior.

Formação:

Renato Barros: Guitarra e Vocal;
Cid Chaves: Vocal e Percussão;
Ivanilton: Vocal;
Scarambone: Teclados;
Pedrinho: Baixo;
Gelson: Bateria

[01] Como Há Dez Anos Atrás (Renato Barros)
[02] Eu Te Amei Demais (Renato Barros)
[03] Essa Mágoa que Ficou (L. Ribeiro-Dennis)
[04] Tire Os Grilos da Cabeça (Alessandro)
[05] Me Esqueça (Marcos Wagner-Gil)
[06] Quero Conquistar Você (José Paulo de Souza)
[07] Eu Preciso Tanto de Você (L. Ribeiro-Dennis)
[08] Não Consigo Parar de Chorar (Marcos Wagner-Gil)
[09] Tudo Se Perdeu (L. Ribeiro-Dennis)
[10] Não Sei Dizer (Amaury-Altanir Freitas)
[11] Possso Até Lhe Abandonar (Paulo Cesar)
[12] Não Me Deixe Agora (Edson Ribeiro-Hélio Justo)

RENATO E SEUS BLUE CAPS – 1977 – Renato e Seus Blue Caps
Este álbum de 1977 segue a mesma linha “popular” adotada pelo conjunto há alguns anos. Trouxe o sucesso “365 Dias”, além de “Nem Tudo Se Perdeu”, outra canção do disco que tocou bem nas rádios brasileiras.
Como fato curioso, a gravação de duas versões dos Beatles, o que não ocorria desde o LP de 1969.
Neste álbum, já não faziam mais parte do grupo o tecladista Scarambone e o vocalista Ivanilton. Lincoln Olivetti, arranjador do disco, tocou teclados nas gravações como música extra.

Formação:
Renato Barros: Guitarra e Vocal;
Cid Chaves: Vocal e Percussão;
Pedrinho: Baixo;
Gelson: Bateria

[01] Nem Tudo Se Perdeu (A. Ramos-B. Cardoso)
[02] 365 Dias (Gil-Jean Marcel)
[03] Não Devo Te Aceitar (Léo Soares)
[04] O Que Eu Posso Fazer (Baby’s in black) (Lennon-MacCartney Vers: Fernando Adour)
[05] Sem Você (Renato Barros)
[06] Adorada (Alessandro)
[07] Você É Um Pedaço de Mim (Renato Barros)
[08] Tudo O Que Eu Sonhei (If I fell) (Lennon-MaCartney Vers: Fernando Adour)
[09] Não Quero Nada Da Vida (Cid Chaves)
[10] Não Maltrate Um Coração (Renato Barros)
[11] O Brinquedo Se Quebrou (Renato Barros)
[12] Estou Voltando Pra Você (Ivan Cardoso-Ignacio Guillon)

RENATO E SEUS BLUE CAPS – 1979 – Suco de Laranja

Lançado em meio à febre da Disco Music, “Suco de Laranja” mostra uma curiosa incursão de Renato e Seus Blue Caps por este ritmo. Estratégia para vender discos ou influência musical? A verdade é que o disco tem ótimos momentos, que retratam com fidelidade um pouco da atmosfera musical do final dos anos 70.
Com a volta de Paulo Cezar ao grupo, e a entrada do tecladista Marquinho, o conjunto ganhou um novo fôlego, e gravou uma competente versão do hit internacional de Billy Joel, “My Life”, com vocal característico de Cezar.

Formação:
Renato Barros: Guitarra e Vocal;
Paulo Cezar Barros: Baixo e Vocal;
Cid Chaves: Vocal e Sax;
Gelson: Bateria;
Marquinhos: Teclados

[01] Pense (Boogie wonderland) (Allee Willis-John Lind Vers: Ivan Cardoso)
[02] Eu Te Amo (Renato Barros)
[03] Minha Vida (My Life) (Billy Joel Vers: José Carlos)
[04] Triste Fim de Tarde (Cury-Alessandro)
[05] Tudo Em Vão (Alessandro-Gibran)
[06] Suco De Laranja (Renato Barros-Pantera-Ernani Cardoso)
[07] Mundo Novo (Edson Carlos-A. Santos-Sebastião Rodrigues)
[08] Aperta (Ernani Cardoso-Maurício Mello)
[09] Vou Ao Teu Encontro (Renato Barros-Ernani Cardoso)
[10] Pensando Em Você (C. Rodrigues-Marcelo)
[11] Não Consegui Te Esquecer (Marcos Wagner)

RENATO E SEUS BLUE CAPS – 1981 – Renato e Seus Blue Caps
Último trabalho de Renato e Seus Blue Caps pela CBS, um ano antes da transferência para a RCA.
O disco não atingiu o resultado esperado, e praticamente passou despercebido por parte da mídia, mas não do público fiel, que encontrou neste disco uma ótima versão para “Woman In Love”, e uma releitura do clássico de Bob Dylan “Mr. Tambourine Man”, aqui com a participação e o talento de Zé Ramalho.

Formação:
Renato Barros: Guitarra e Vocal;
Paulo Cezar Barros: Baixo e Vocal;
Cid Chaves: Vocal e Sax;
Gelson: Bateria;
Marquinhos: Teclados

[01] Coração Faminto (Gileno-Renato Barros)
[02] Mr. Tambourine Man (Mr. Tambourine Man) (Bob Dylan Vers: Leno)
[03] Tim-Tim (Fatha-Cury)
[04] Sentimento Estranho (Gileno)
[05] Sem Você Não Vivo (Armando Baltar-Nilton Baltar)
[06] Saudades de Maria Helena (Manoel Cruz)
[07] Você Foi Longe Demais (Fatha-Cury)
[08] Sonho Colorido (Carlinhos-Fatha)
[09] Velhos Tempos (Cury-Fatha)
[10] Sou Apenas Alguém (Woman in love) (Barry Gibb-Robin Gibb Vers: Sanry)

RENATO E SEUS BLUE CAPS – 1983 – Pra Sempre

Depois de gravar durante 19 anos na CBS, Renato e Seus Blue Caps lança pela RCA este ótimo álbum, cercado de muita expectativa.
É um dos discos mais importantes da carrreira da banda, pois além de reunir boas músicas, mostra o grupo, em plena década de 80, totalmente integrado, assimilando novas tendências e produzindo um disco que até os dias atuais soa moderno e inspirador. À época do lançamento, a TVE do Rio de Janeiro produziu um especial sobre o grupo, em que as músicas deste novo álbum eram apresentadas.

Formação:
Renato Barros: Guitarra e Vocal;
Paulo Cezar Barros: Baixo e Vocal;
Cid Chaves: Vocal e Sax;
Gelson: Bateria;
Marquinhos: Teclados

[01] Renato Collection (Renato Barros-Nanni)
[02] Pra Sempre (Renato Barros-Nanni)
[03] Guerrilheiro do Amor (Rock do flipper) (Renato Barros-Hugo Belardi-Nanni)
[04] Será? (Cury-Ed Wilson)
[05] O Fogo Ainda Não Apagou (Hugo Belardi)
[06] Sexo Frágil (Renato Barros-Nanni)
[07] Vamos Fundo (Renato Barros-Nanni)
[08] Sonhos de Amor (Paulo Cesar-Ney)
[09] Memórias (Renato Barros-Nanni)

RENATO E SEUS BLUE CAPS – 1987 – Batom Vermelho

Após quatro anos da passagem pela RCA, Renato e Seus Blue Caps volta ao disco, neste lançamento pela Continental.
“Batom Vermelho” é um ótimo disco, bem produzido, repertório eficiente com músicas que caíram no gosto popular. “Batom Vermelho” tocou bem nas rádios, e trouxe o grupo de volta à mídia.
Destaque para “Feito Sonho”, que com vocal inspirado de Paulo Cezar, foi um dos grandes êxitos do álbum.

Formação:
Renato Barros: Guitarra e Vocal;
Paulo Cezar Barros: Baixo e Vocal;
Cid Chaves: Vocal;
Gelson: Bateria

[01] Batom Vermelho (Renato Barros-Nanni de Souza-Gelson Moraes)
[02] Julia (Ed Wilson-Gilson)
[03] Pode Me Procurar (Renato Barros-Nanni de Souza)
[04] Monaliza da TV (Renato Barros-Nanni de Souza)
[05] Relógio (Prêntice-Paulo Cesar Barros)
[06] Paula (Paulo Cesar Barros)
[07] Unissex Total (Gelson Moraes-Nanni de Souza)
[08] Feito Sonho (Prêntice-Paulo Cesar Barros)
[09] Com Você No Coração (Renato Barros-Nanni de Souza)
[10] Nos Braços, Nos Olhos e No Coração (Renato Barros-Nanni de Souza)
[11] Anjo Rebelde (Renato Barros-Nanni de Souza-Cid Chaves)
[12] Gaivotas Livres (Gene Araújo-Antonio Amorim).

Renato e seus Blue Caps – 1996
Da onda de regravações de sucessos antigos que prevaleceu na década de 90, o grupo Renato e Seus Blue Caps não saiu ileso.
Primeiro álbum a ter lançamento simultâneo em CD e LP, sendo que este último teve tiragem limitada, “Renato e Seus Blue Caps – 1996” traz regravações de músicas que marcaram a carreira da banda, em alguns casos, dispostas em pout-pourris.
O ponto alto, sem dúvida, foram as inéditas, entre as quais a belíssima “Amor Sem Fim”.

Formação:
Renato Barros: Guitarra e Vocal;
Cid Chaves: Vocal;
Gelson: Bateria;
Darcy Velasco: Teclado;
Amadeu Signorelli: Baixo

01 – Até o Fim
02 – Meu Bem Não Me Quer / Meu Primeiro Amor / Menina Linda
03 – Amar Você
04 – Dona Do Meu Coração
05 – O Escândalo / Não Me Diga Adeus / Feche os Olhos
06 – Palavra de Rapaz
07 – Ana
08 – Primeira Lágrima
09 – Se Você Soubesse
10 – Não Te Esquecerei
11 – Amor Sem Fim
12 – Playboy
13 – Eu Não Aceito o Teu Adeus
14 – Eva

Curiosidade:
O tecladista Renato Neto, que foi convidado por Paulo César Barros para gravar os teclados neste disco Batom Vermelho, depois foi para a banda de Prince e ficou com ele até sua morte em 2016.
Paulo César foi o responsável pela primeira gravação profissional de Renato Neto e as músicas que ele tocou foram: Paula, Feito Sonho e Relógio.

RENATO E SEUS BLUE CAPS AO VIVO – 2001

Com 11 faixas ao vivo e mais 05 inéditas, o CD foi lançado durante as comemorações dos mais de 40 anos de existência do grupo fundado por Renato e seus dois irmãos: Paulo Cezar e Edson (Ed Wilson).
No final de 2001, este tão esperado disco ao vivo foi lançado pela Warner, juntamente com mais 5 faixas inéditas.
Já faziam parte da banda os seguintes componentes: Renato Barros, Darci Velasco, Amadeu Signorelli, Gelsinho Moraes e Cid Chaves, que permanecem até os dias de hoje.
Nas 11 faixas “ao vivo” temos a oportunidade de reviver alguns dos maiores sucessos conquistados nesta bela trajetória iniciada com o sucesso de “Menina Linda”, versão de Renato Barros para a composição de Lennon & McCartney, “I should have known better”.
As faixas bônus do disco, as 05 canções inéditas gravadas em estúdio, são de uma beleza e excelência ímpar, revelando mais uma vez o grande talento e potencial de criação de Renato e Seus Blue Caps, permitindo a esta famosa banda sua permanência no cenário musical até os dias de hoje.

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Discografia completa neste site:
http://www.jovemguarda.com.br/discografia-renato.php

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A banda atualmente vive o seu melhor momento profissional, fazendo shows pelo Brasil que são um sucesso, teatros sempre lotados, recebendo o carinho de todas as faixas etárias, notadamente o carinho de jovens também.

Teatro Municipal da Tijuca em 21/09/2016

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Smile – Show no Teatro Ópera de Arame em Curitiba – 24/09/2016

Foi tudo construído com muita seriedade, trabalho, organização, verdades, dignidade e um grande amor pela música.
Renato Barros é profissional competente, homem da noite, aprecia a boa música, é fã de Jazz, Sinatra, Nat King Cole e assim como existem vários outros profissionais em diferentes áreas, como ele, aproveitam seu tempo extra com coisas produtivas e proveitosas que acabam beneficiando não só a si próprio mas também à banda como um todo e a muitas pessoas a sua volta.
Como exemplo, podemos citar a própria banda Renato e Seus Blue Caps nos idos de 1959, criada, amamentada, alimentada por ele. Como contamos acima, Renato teve a ideia de se inscrever no programa “Hoje é dia de Rock” primeiro e só depois foi perguntar aos amigos, entre eles seus dois irmãos, se estavam interessados em participar. Alguns toparam e já em 1961 conseguiu a primeira gravação na Copacabana Discos, que foi o LP chamado TWIST com RSBC e mais dois artistas: Reynaldo Rayol e Cleide Alves. Interessante destacar que não tinham um baterista oficial, e o cargo ficava alternando entre Claudio Caribé e Gelson Morais. As datas das gravações foram marcadas porém o baterista com o qual contavam, sumiu, simplesmente preferiu tocar com o cantor Eduardo Araújo no interior de Minas e por lá ficou durante um longo tempo. Tanto que quando voltou, já encontrou o baterista Tony Pinheiro em seu lugar.
Renato recorda o desespero de seu pai e de todos à procura de um baterista, até que uma amiga, a cantora Célia Vilela, que tinha uma irmã, Marlene Vilela, que era namorada do irmão do Tony, resolveu o problema trazendo o Tony para tocar na banda e assim ele se tornou o baterista que mais participou das gravações na CBS no período da Jovem Guarda.
Cid Chaves foi apresentado a Renato pelo seu irmão Paulo Cezar. Houve muito olho grande e muita ausência de talento no decorrer dos tempos, e os únicos integrantes da banda que entraram pelas mãos de Renato foram respectivamente: Erasmo Carlos em 1962 e Michael Sullivan em 1974.
Disse Renato Barros:
_ “Um equivoco que já está se tornando verdade é a tal da “voz principal” da banda. A partir de 1964, Renato e Seus Blue Caps adquiriu o esquema Beatles, onde todos cantavam individualmente ou em vocais, ora Paul, ora John, ora George e até o Ringo. Assim era com eles, ora Paulo César, ora Renato, ora Cid ou em uníssono. Dependíamos muito do timbre que se encaixava melhor nas melodias escolhidas. Eu era o produtor, em comum acordo com o Evandro Ribeiro. Eu cansei de escolher o Paulo Cezar na grande maioria dos solos vocais inclusive nas minhas composições. Eu também cantei alguns dos grandes sucessos, mas reconheço que o Paulo Cezar em maior número. O Cid teve uma participação mais efetiva a partir de Play Boy, já nos anos 70.”
Aos fãs de Renato e Seus Blue Caps,
Não permitam que a história dessa banda tão importante e de tanto sucesso em todo o país até os dias de hoje, seja contada por qualquer um, na maioria das vezes objetivando os seus próprios interesses e frustrações. Muitos podem contar esta historia da forma que quiserem, porém lembrem-se de que Renato Barros ainda está aqui para preservar a verdade. Qual é seu interesse? A resposta é: AMOR PELO QUE FEZ, PELO QUE FAZ E PELO QUE AINDA PRETENDE FAZER.

Na entrevista a seguir, Renato expõe sobre seu gosto musical, que não se restringe apenas ao Rock and Roll, como muitos podem pensar.

“NÃO GOSTARIA DE SER LEMBRADO COMO ROQUEIRO OU COMO UM SIMPLES ARTISTA DA JOVEM GUARDA… FORAM APENAS PORTAS QUE SE ABRIRAM… FORAM IMPORTANTES, POREM NÃO REFLETEM A MINHA VERDADE… GOSTARIA DE SER LEMBRADO COMO “HOMEM DA MÚSICA. INDEPENDENTEMENTE DE GÊNEROS.” (RENATO BARROS)

Nesta outra entrevista, ele fala sobre algumas de suas composições:

Quem duvidar, aqui está ele interpretando Dolores Duran! 😉

E “De volta pro Aconchego” (Dominguinhos e Nando Cordel)

“Quem há de Dizer”, de Lupicínio Rodrigues…

Aqui um pout pourri deste artista completo…

Uma releitura de “A Primeira Lágrima”…

Renato envia Show  POA 3

O Selo “Young” e sua importância no cenário da música brasileira. (Parte II)

Quem acompanha este Blog deve ter lido AQUI a Parte I da historia sobre a gravadora Young, contada por Alfie Soares.

Hoje vamos à Parte II, também contada por ele, a seguir.

Nosso mundo, ao final dos anos 50, era bem maior do que é hoje. Uma correspondência levava dias para chegar ao seu destino. As fotos demoravam dias para serem reveladas. Os bondes atrapalhavam as principais ruas e avenidas de São Paulo.
Computadores, só em obras de ficção científica. Multimídia…. bem, Miguel Vaccaro Netto já exercitava multimídia em 1959. Produzia e apresentava seu Disque Disco na Rádio Panamericana (Jovem Pan), escrevia sua coluna sobre música para o jornal Última Hora, o jornal top da época. Oferecia consultas às gravadoras nos lançamentos de discos internacionais, escrevia contracapas de discos e, agora, com o Projeto Young, tornava-se diretor artístico e produtor fonográfico. Idealizou o layout do selo Young, cujo vermelho e branco destacava-se entre as etiquetas negras e sombrias das outras gravadoras. Contou com a colaboração de seu colega de redação no jornal, o cartunista Otavio, para criar vida e animação nas capas dos discos Young.

Seu grande mérito à frente da Young foi evitar contratar imitadores de artistas. Apostou no talento e poder de criatividade daqueles jovens que o buscavam para uma oportunidade. Seu ouvido apurado, seu conhecimento, seu olho clínico, foram fatores fundamentais para a criação de um elenco capaz de recriar no Brasil as variadas formas nas quais a nova onda mundial de música dirigida aos jovens era criada em seus países originais, principalmente Estados Unidos.
E, acima de tudo, dava condições para que estes jovens pudessem dar vazão aos seus próprios talentos como compositores.
Os Avalons puderam gravar três de suas próprias composições: All The Time (Solano Ribeiro), China Rock e Here Come The Avalons (Dudu). Com a contratação de Hamilton Di Giorgio,Vaccaro passou a contar com um intérprete que podia cobrir as bases criadas pelos “teen idols” tipo Bobby Rydell, bem como podia ser romântico e “soulful” como Sam Cooke. E, além de tudo isso, possuía o dom de compor como poucos. É de sua autoria o primeiro sucesso de Demetrius, um dos inúmeros talentos descobertos por Miguel Vaccaro Netto.

Demétrius – Hold me So Tight

Teenage Sonata – Hamilton Di Giorgio

A carreira e os talentos de Hamilton Di Giorgio já tiveram destaque aqui mesmo neste Blog.
Pouco teria para acrescentar. Apenas um comentário: Se Nureyev tivesse nascido no Brasil, jamais seria o gênio do balé que foi; se Pelé tivesse nascido nos Estados Unidos, jamais seria o melhor futebolista do mundo e, se Hamilton Di Giorgio tivesse nascido nos Estados Unidos, a música jamais o teria perdido para a informática.

E os talentos continuavam a chegar. Da Pompeia, e berço dos grupos de rock no Brasil, vieram The Rebels.

Os irmãos Benvenutti, Romeu (guitarra) e Lidio Jr.(bateria), ao lado de José Carlos (baixo), Gaspar (piano e vocais) e José Galli Jr (guitarra e vocais) formavam este excelente grupo.

Nenê no centro posando de guitarrista dos Rebels, e a indicação dos nomes dos colegas na foto, conforme suas próprias palavras: “Embaixo da esquerda para direita ao meu lado, estão meu irmão Romeu e Prini Lorez. Acima José Carlos e Gaspar".

Nenê no centro posando de guitarrista dos Rebels, e a indicação dos nomes dos colegas na foto, conforme suas próprias palavras: “Embaixo da esquerda para direita ao meu lado, estão meu irmão Romeu e Prini Lorez. Acima José Carlos e Gaspar”.

O patriarca da família Benvenutti, Sr.Lidio, era o proprietário do famoso restaurante Papai. Um outro irmão, Mario, era um dos astros do cinema nacional na época (depois criou o restaurante Um, Dois, Feijão Com Arroz). O baterista Lidio Jr. tinha apenas treze anos. O chamávamos de Nenê, e foi assim que, alguns anos depois, ficou internacionalmente conhecido ao fazer parte do grupo The Clevers (Os Incríveis), agora como contrabaixista.
Galli Jr usou algumas vezes este nome, mas ficou nacionalmente conhecido como Prini Lorez, nome também criado por Vaccaro.
Romeu passou a construir guitarras, e garanto que uma porcentagem muito grande de guitarras construídas por ele já foi ouvida por quem acompanhou a evolução do rock no Brasil.

DING DONG DADDY (WANTS TO ROCK) – THE REBELS-1960

A família Young estava crescendo. Faltava uma irmãzinha. Ela veio e sua história será contada no próximo capítulo…

Por Alfie Soares

O Selo “Young” e sua importância no cenário da música brasileira. (Parte I)

Um dos movimentos artísticos mais negligenciados e esquecidos por historiadores da música popular no Brasil foi aquele criado por Miguel Vaccaro Netto no final dos anos 50 em São Paulo.
Trata-se do selo independente YOUNG, que em sua breve existência (1959 a1962), foi responsável pela revelação de artistas que tiveram grande importância para a solidificação da música dirigida ao público jovem do Brasil.

Enrique Lebendiger era o presidente fundador da Editora Fermata do Brasil e tornou-se sócio de Miguel Vaccaro Neto na gravadora Young. Com enormes conexões internacionais, adquiriu os direitos de distribuição para o Brasil e Argentina de grande parte das músicas que faziam parte da explosão do Rock and Roll nos Estados Unidos, a partir de 1955 até os primeiros anos da década de 60.

O grande problema enfrentado por Lebendiger era a limitação de veículos para seu imenso catálogo.
Em 1958 tínhamos quatro grandes gravadoras no Brasil, a saber, RCA Victor, Odeon, Columbia e Philips. Todas elas dependentes das matrizes americanas. RCA possuía Elvis Presley, Neil Sedaka, Johnny Restivo e outros. Odeon dependia da EMI/Capitol para ter Little Richard, Frankie Avalon e outros. O material que Lebendiger possuía era, em sua esmagadora maioria, proveniente de selos independentes que nasciam a cada dez minutos nos EUA. E nenhuma gravadora os lançava no Brasil. Veio então a ideia de gravar seu catálogo com artistas brasileiros. Não em versões, mas sim em inglês.

Miguel Vaccaro Netto era os disc-joquei paulista que tinha a maior audiência entre os jovens, através de seu programa Disque-Disco, transmitido pela antiga Rádio Panamericana, hoje Jovem Pan. Era sua especialidade apresentar os grandes sucessos internacionais importados, inéditos por aqui. Ele seria o veículo ideal para captar novos talentos que buscavam seu lugar ao sol, ansiosos para ser um novo Elvis, ou Tony Campello, Carlos Gonzaga, Sergio Murilo, Celly Campello, Wilson Miranda, Lana Bittencourt, entre outros que eram os artistas que lançavam músicas internacionais em versões para o português.

Bastaram dois ou três programas para termos nos corredores da Radio Panamericana um desfile de jovens, rapazes e garotas, candidatando-se para os testes. Outros foram vistos ou ouvidos em outros veículos.
The Avalons apresentaram-se cantando Bye Bye Love, dos Everly Brothers, em um programa da antiga TV Paulista (hoje Globo) produzido por David Conde.
Foram localizados e contratados.
Hamilton Di Giorgio cantou Peggy Sue, de Buddy Holly, no programa de Domingos Paulo Mamone, o Minguinho, parceiro do grande Archimedes Messina, na antiga Radio São Paulo.
The Avalons e Hamilton Di Giorgio, juntamente com Regiane (Regina Celia), formaram o trio de primeira linha do selo YOUNG.
O gupo The Avalons era formado pelos irmãos Dudu (guitarra) e Paulinho (bateria) com Daniel ao contra-baixo mais Solano e Passarinho (Nilton) nos vocais. Após as primeiras sessões de gravações, o asiático Bob foi incluído nos vocais do grupo.
Depois de um tempo, o trumpetista Masao juntou-se ao grupo.
Solano Ribeiro, ao deixar os Avalons, tornou-se um grande publicitário e foi o idealizador dos revolucionários festivais da Record, onde se revelaram Chico Buarque, Edu Lobo, Elis Regina etc.
Daniel tornou-se o contrabaixo do excelente São Paulo Dixieland Band.

E o primeiro disco gravado pela YOUNG foi Valentina, “My Valentina”, com The Avalons.

Primeira gravação da cantora Regiane na Young em 1959.
Composição: (Neil Sedaka/Howard Greenfield)

Regiane com The Avalons -Tum Ba Lov

Regiane & The Avalons – Frankie (Young 45-106) 1959

Regiane & The Avalons – To Know Him Is To Love Him (Young 78-101) 1958

Toda esta historia da gravadora Young (para a qual daremos continuação em breve), me foi contada por Alfie Soares, que trabalhou como assistente de Miguel Vaccaro Neto e também como divulgador e produtor em algumas gravadoras, como ele mesmo escreveu:

BASTIDORES DA HISTORIA DA MÚSICA BRASILEIRA

“Primeiramente, meus cumprimentos pelo seus trabalhos. Você contribui enormemente com algo que sempre fez muita falta em nosso país, ou seja, cultuar a história e a memória. Os jovens de hoje precisam saber quais jovens de ontem abriram caminhos e portas para eles. Você faz isso muito bem.

Acompanhei sua entrevista com Hamilton Di Giorgio e notei que você perguntava muito sobre a Young. Eu estive lá do começo ao fim e posso contribuir com algumas curiosidades a respeito daquela pioneira gravadora.

Antes, se você me permitir, gostaria de apresentar um resumo de meus trinta anos trabalhando nos bastidores da música aí no Brasil, de forma resumida.

1959 – 1962 – Trabalhei como assistente de Miguel Vaccaro Netto, Rádio Panamericana (Jovem Pan), programa Disque Disco. Durante este período foi criada a Young. Também neste período trabalhei no Teatro Record, nas apresentações de atrações internacionais como Brenda Lee, Neil Sedaka, Paul Anka, Teddy Randazzo, Frankie Lymon, Johnny Restivo, Frankie Avalon e outros tantos.

1964 – 1969 – Trabalhei na Odeon, onde comecei como divulgador e terminei como produtor. Fiz trabalhos com Abílio Manoel, Silvio Cezar, Eduardo Araújo, Silvinha e outros. (Para você, uma Beatleóloga, uma curiosidade: Em 1966, recebi o troféu Chico Viola (TV Record) em nome dos Beatles (I Wanna Hold Your Hands) e eles, através da EMI, permitiram que eu ficasse com a estatueta). Quando mudei-me para os Estados Unidos em 1992, deixei o troféu com o filho de meus amigos Marcos e Rose. Ele era um pré-adolescente e gostava da estatueta. Seu nome é Marcos Vinicius Silvestre e vou tentar localiza-lo. Se ele ainda o tiver, vou pedir que o fotografe para mostrar a você.

1969 – 1970 – Fui produzir para Philips/Polygram. Gravei com Ronnie Von, Coisas de Agora, Tim Maia e outros.

1971 – 1979 – Contratado pela RCA Victor para tomar conta do Departamento Internacional e também produzir. Lá, voltei a trabalhar com Eduardo Araújo, Silvinha, meu amigo Demétrius e outros.

1980 – 1992 – Após rápida passagem pela gravadora Continental, parei de lidar com discos e fui para uma produtora de shows cujos donos eram Atílio Vanucci Jr. e Chico Anísio. Lá eu tive participação ativa nos shows de Kiss, Peter Frampton e Harlem Globetrotters. Dai fui com Claudio Liza para a Intershow, onde trabalhei novamente com Ronnie Von, Manolo Otero, Sarita Motiel e Fabio Jr. Passei a trabalhar exclusivamente com Fábio até 1991. Em 1992 mudei-me para Miami, onde estou até hoje.

Vale dizer que em 1962 escrevi minhas primeiras músicas com Hamilton Di Giorgio.
Depois, tive como parceiros Wagner Benatti, o Bitão dos Pholhas (Clube Atomico c/ Luiz Fabiano), Papi (What To Do c/ Vanusa), Tony Campello (Cada Coisa Em Seu Lugar). Depois, sozinho, escrevi musicas e versões para Eduardo Araújo, Silvinha, Celly Campello, Suzy Darlen, Joelma, Agnaldo Timóteo, Nelson Ned, Os Incríveis, Os Pholhas, Julio Iglesias, Chris McClayton e alguns outros mais. Meu último trabalho, antes de mudar-me, foi para Zezé Di Camargo (Faz Eu Perder o Juizo).

Espero ter podido dar a você uma ideia de minha passagem pelos corredores do show business brasileiro, onde deixei muitos amigos e grandes recordações.

Por Alfie Soares (Afonso Soares de Azevedo)

Alfie Soares em 1960 fotografado por Joe Primo Moreschi. A foto foi feita no Studio Ritz, Avenida São João, 225.

Alfie Soares em 1960 fotografado por Joe Primo Moreschi.
A foto foi feita no Studio Ritz, Avenida São João, 225.

Uma análise da canção “Nós Dois”, composição de Renato Barros.

A canção “Nós Dois” faz parte do álbum de Renato e Seus Blue Caps lançado em 1971, o primeiro a não incluir versões de músicas internacionais.

Tomamos conhecimento hoje de uma análise perfeita sobre esta canção, feita pelo professor JV de Miranda Leão Neto, a qual transcrevo aqui para vocês também se emocionarem comigo diante da beleza e grande sensibilidade deste professor.

Uma música que expressa a saudade feliz do amor

Autor: Prof. JV de Miranda Leão Neto

Um momento mágico na antologia de composições de Renato Barros foi alcançado em 1971, com um disco genial que não obteve tanto sucesso quanto outros do Renato e seus Blue Caps.

Só quem viveu um grande amor poderá entender uma reflexão como esta, em torno de uma canção belíssima de um dos mais qualificados conjuntos de pop-rock brasileiro. Ela tem a singeleza das cantigas de ninar e a beleza das grandes óperas da era barroca, com uma poesia recheada do melhor e mais nobre dos sentimentos.

Refiro-me à música “Nós Dois”, que Renato Barros e seu excelente Renato e seus Blue Caps publicaram através do LP de 1971, considerado o mais “técnico” e melodioso da banda, entre os muitos que ela já havia lançado até à ocasião, desde o início dos chamados “Anos Dourados”. Há mesmo quem diga que aquele disco representou o start da maturidade musical plena do Grupo, a partir da qual já não eram mais possíveis jornadas aventureiras pelo rock mais ritmado dos primeiros discos, e muito menos pelas “rasgadas metálicas” de canções como “Dona do meu coração”, “Ana”, “Pra você não sou ninguém” e “Só faço com você”, embora o LP de 71 ainda trazia hits de impacto dançante, como “467723” e “Não é nada disso”.

Com efeito, com uma melhor atenção, o leitor poderá ver que se trata de uma composição até certo ponto simples, mas extremamente bela em sua “tristeza feliz”, contando com detalhes um romance aparentemente findo entre um casal que vive/viveu o amor verdadeiro, com uma mensagem captada ao longo do tempo em que durou a relação, e por isso mesmo penetrando no futuro que talvez não a destruiu ou jamais a destruirá, “porque os amores verdadeiros subsistem à morte”, já diziam os oráculos…

Do ponto de vista técnico, ela tem uma característica rara numa música popular (embora sua linha melódica seja “clássica” demais para ser chamada de popular) que é a sua “circularidade”, pois a canção começa e termina no mesmo ponto lógico, entre a decisão expressa na primeira frase e a última… E dizem os experts que a mesma circularidade subsiste na melodia, de tal maneira que se alguém mixasse o seu final com o seu início, ouviria algo como uma antiga cantiga escocesa com o espírito das gaitas de fole usadas em passeatas militares ou espetáculos circenses, cuja duração exigia um fundo musical reprisado sem se distinguir começo nem fim. E melhor: mesmo com sua circularidade não perde a beleza nem enfada, embora seja absolutamente “sem pressa” em sua cadência.

O que diz a sua letra-poesia? Vejamos:

“Eu hoje vou voltar pra ver,/Lugares onde fui feliz…/Vou rever nossa estrada/E aquela casa que eu te mostrava/E sonhei, pra nós dois!… – Eu hoje tenho que aprender…/A um só cigarro acender,/E no carro escutar a nossa canção,/Chorar com saudade…/De apertar, outra vez, sua mão!… – Eu hoje vou voltar pra ver,/Lugares onde fui feliz…/Pode ser que você também possa estar/No mesmo lugar, e assim nós dois/Vamos nos encontrar…”

Como percebe o leitor, estamos diante da sublime estética da simplicidade, tão importante na arte de se fazer boa música. Por isso, tudo aquilo que um comentário poderia adicionar à merecida lista de encômios que esta canção merece, nunca alcançaria beleza semelhante à sua linha melódica e letra, uma vez que esta traduz uma HISTÓRIA (certamente real) na vida do seu autor, ou próxima disso, ou na vida de alguém que a escutou… e curtiu… e chorou… e chorou de alegria e saudade, saudade do futuro que só a fé na sobrevivência da alma pode acalentar. E por contar uma história perfeitamente vivenciável e plausível, mereceria, isto sim, um filme Disney ou hollywoodiano dos mais tocantes, à moda “Cinderela” ou “Love Story”, como nos tempos em que Ali MacGraw encantava corações no mundo todo.

Este comentarista tentou “filmar” a música. É claro que dei ênfase à sua letra e entrelinhas, para cativar a atenção e cultivar a paixão do Petit Prince por sua flor, símbolo máxime do que pode sentir um coração humano, embora o principezinho fosse ‘extraterrestre’. O leitor poderá ver o making-of daquilo que chamei de “filme” “Neste link”.

Finalmente, meus alunos me perguntaram por que escolhi ESTA música do Renato e Seus Blue Caps, “quando a banda tem tanta coisa linda para se comentar” (?). É verdade. Renato Barros e os seus companheiros foram e são (até hoje) o que de melhor a Jovem Guarda produziu, do melhor de todos os tempos na música nacional. Respondi: “Seria lugar comum dizer que ela é a mais bela para meu coração, ao mesmo tempo que escrever sobre algum grande sucesso da banda seria também lugar comum, e lugares comuns não combinam com uma música que embala nossos sonhos justamente por revisitar lugares incomuns, lugares onde fui feliz”…

Link Original

Pois bem, diante de uma análise tão bonita, não tive dúvidas em ligar para o autor da canção, Renato Barros, e pedir a ele que me falasse sobre a sua composição “Nós Dois”.

Ele me contou então que sempre gostou de fazer música (melodia) e desde cedo não ouvia somente Rock, mas gostava também de ouvir Jacob do Bandolim, Altamiro Carrilho e Waldir Azevedo, entre outros.

Sérgio Bittencourt era filho de Jacob do Bandolim e fez a música “Naquela Mesa” para seu pai, como também compôs “Modinha”, e ele tinha um programa na Rádio Nacional do Rio, onde ele só tocava MPB.

Renato Barros sabia do gosto musical de Sérgio, e como queria participar do programa, começou a pensar em fazer uma música pra ele gostar… Renato conversava muito com Cid sobre o Sérgio Bittencourt e foi então que teve a ideia de fazer uma música cuja linha melódica lembrava um pouco as coisas que Sérgio fazia.
Renato e Cid foram ao programa de Sérgio Bittencourt e Renato pediu ao sonoplasta que separasse a canção “Nós Dois”, e a música foi tocada no programa…

Renato se recorda que Sérgio Bittencourt começou a ouvir e prestar atenção no que estava escutando…

A melodia lembrava “Because”, dos Beatles, porém na gravação de Renato e Seus Blue Caps foram colocados mais instrumentos; pensando em uma letra que pudesse ser o tipo que agradasse ao Sérgio Bittencourt, veio à mente a lembrança de seu pai, que havia falecido em 13 de dezembro de 1967; Renato começou a recordar das vezes em que passava com o pai no centro da cidade no Rio, costumavam passar em frente a uma casa muito bonita e o pai comentava que era linda aquela casa… e então Renato quando fez esta música, pensou muito nessas coisas de passar por algum lugar e recordar o que passou, lembranças boas que ficaram e que não voltam mais.

Dessa ideia dos lugares pelos quais passava com seu pai, transformou como se fossem as lembranças de um casal de enamorados que agora só têm lembranças…

Ouvi o Renato me contar tudo isso e em seguida li pra ele o que escreveu o professor. Ele ficou admirado com a percepção dessa pessoa e sentiu-se muito gratificado, tanto que gostaria até de poder agradecer a ele, que talvez tenha sido uma das poucas ou talvez a única pessoa a analisar com tamanha perfeição a canção que foi escrita por ele para poder participar do programa de Sérgio Bittencourt na Rádio Nacional do Rio, tendo colocado na letra as lembranças dos lugares pelos quais passou com seu pai…

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Neste disco de 1971 Renato deixa evidente em algumas canções a influência do guitarrista Santana, que havia estado no Brasil, o que deu ao LP uma sonoridade bem característica do início da década de 70.

Há outras canções lindas, como “Essa Noite não Sonhei Com Você”, e também a composição de Ed Wilson, intitulada “Não é nada disso”.
O maior sucesso foi a composição de Getúlio Côrtes, intitulada 46-77-23.

Hamilton Di Giorgio e o Rock dos Anos Sessenta.

Hamilton Di Giorgio iniciou sua carreira artística em 1962 e em 1967 a encerrou e foi trabalhar com Informática no antigo BFB – Banco Francês e Brasileiro, hoje Itaú, em São Paulo.
O jornalzinho interno fez uma reportagem com seu funcionário, que em seguida todos poderão ler. 😉

HAMILTON DI GIORGIO E O ROCK DOS ANOS SESSENTA.

(Reportagem publicada no Jornalzinho do Banco (antigo BFB – Banco Francês e Brasileiro), em 1967, onde Hamilton trabalhava.)

Hamilton Di Giorgio, homem de Informática, convive em harmonia com o Hamilton, cantor e compositor de rock, e um dos precursores da Jovem Guarda nos anos sessenta.
É intrigante imaginar como funciona o mecanismo de pensamento de uma pessoa que já se emocionou com a vibração e a energia que o público lhe passava, exigindo que cantasse novamente, e que agora permanece sentado atrás de uma mesa de escritório envolvido com intrincados problemas de computador. Ainda mais agora, que o rock volta a ser cantado e que por insistência do seu amigo Tony Campello, uma de suas músicas foi regravada no disco “O Rock dos Anos 60”, um documento que trás novamente às lojas trinta anos de Rock no Brasil.

É difícil perceber-se conflito em Hamilton, aparentemente ele aprendeu a conviver com a realidade de se afastar dos palcos e do público que lhe proporcionavam muitas alegrias com a música que começou cedo em sua vida. Aos 11 anos de idade iniciou seu aprendizado de violão com seu vizinho, no Tremembé. Nessa época já gostava de cantar, sendo sua música preferida a “Violetas Imperiais”, e também compunha, tendo feito um tango.
Por volta de 1956, com 13 anos de idade, Hamilton fazia poesias, compunha e cantava e os amigos de escola se reuniam em sua casa, após as aulas, para ouvi-lo.

Nessa época, fez um curso de eletrônica e montou um rádio transistor, que lhe possibilitava escutar o Hit Parade na rádio Excelsior, aumentando o repertório que apresentava aos amigos, inclusive em inglês, embora as palavras não correspondessem à realidade.

Sua mãe, fã e incentivadora, o levou em 1959 a um programa da TV Paulista, Canal 5, apresentado por Branca Ribeiro e Blota Junior. Sua primeira aparição em público não foi muito feliz, mas a mãe insistiu e no ano seguinte conseguiu que ele cantasse na Rádio São Paulo, no programa Boate do Minguinho. Aí ele entrou com o acompanhamento do seu violão, cantou e agradou. Minguinho o encaminhou então ao programa de Miguel Vaccaro Neto, na Rádio Panamericana.
Chegando lá, ele foi solicitado a fazer um teste no intervalo do programa, o apresentador gostou e o colocou no ar em seguida.

Começou assim uma carreira muito movimentada, com apresentações na rádio Panamericana. Logo gravou pela etiqueta Young a música “My Heart is na Open Book”, que ficou três meses no primeiro lugar do programa Telefone Pedindo Bis, na Rádio Bandeirantes.

Em seguida fez apresentações no programa Crush em Hi-Fi, apresentado por Celly e Tony Campello, com quem fez amizade que mantém até hoje.
Os shows foram se sucedendo e em 1962 a TV Record lançou uma série de programas com cantores internacionais.

Ele acabava de retornar de uma turnê pelo Rio de Janeiro, onde ficou conhecendo Roberto Carlos, Erasmo, Wanderléa, com os quais passou a se apresentar na primeira parte desses shows da Record, o que já representava o embrião do movimento Jovem Guarda.
Hamilton gravou então “Teenage Sonata”, um rock balada que lhe traz boas recordações, pois sempre que cantava nesses shows era obrigado a repetir e se emociona ao lembrar a energia que o público lhe transmitia.

Em 1962 a Young se desfez e ele gravou pela Chantecler a canção “Anjo Triste”, que agora está sendo relançada pela Phonodisc.

Depois gravou “Meu Mundo” na Fermata e “O Bolha” na RCA Victor. Dessas três, Anjo Triste e O Bolha fizeram sucesso e se mantiveram nas paradas entre os três primeiros lugares.

Por volta de 1967 a Informática começou a tomar espaço em sua vida. Aí ele resolveu casar e abandonar a vida ar5tística.
Fazendo um balanço dessa sua fase, afirma que gravou algumas músicas comerciais que fizeram sucesso, no entanto, o que gosta mesmo são daquelas que exigem maior amplitude vocal.
Hamilton gravou sete discos, tem cerca de 60 músicas em editoras e aproximadamente outras 100 não gravadas. Além disso, fez 40 versões, entre as quais algumas que fizeram sucesso com outros cantores, como “Lobo Mau”, “Chapeuzinho Vermelho”, “Estrela que cai”, “Na Noite que se Vai”.

O CERTIFICADO DA VERSÃO DE THE WANDERER PARA LOBO MAU

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Ele lembra também que a primeira música gravada por Demétrius foi uma composição sua em inglês, chamada “Hold me So Tight”…

Hoje Hamilton ainda recebe direitos autorais, mas aproveita para fazer um alerta:
_ “ O direito autoral no Brasil é algo que não condiz com a realidade. Recebe-se pouco e com uma defasagem que corrói o seu valor”.

Setembro de 1967

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Foto com a reportagem original, realizada em setembro de 1967, pelo Jornal do Banco Itaú de SP (antigo BFB Banco Francês e Brasileiro), onde Hamilton trabalhava.

Seguem algumas fotos das turnês de Hamilton Di Giorgio, onde podemos ver o Chacrinha no Rio de Janeiro, além de amigos da Young.
As fotos são do acervo de Tony Campello, e nelas estão Prini Lorez (Júnior), Os Beverlys, Nick Savoia, entre outros.

Programa do Chacrinha no Rio de Janeiro

Programa do Chacrinha no Rio de Janeiro

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Recorte de uma programação de Curitiba e outros.

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Tudo isso aconteceu há 49 anos, quando Hamilton Di Giorgio deixou a carreira artística para trabalhar com Informática.
Hoje ele está aposentado, passou por alguns percalços em sua vida, pois sofreu um AVC e também se curou de um câncer, mas está bem e esta semana tive o grande prazer de gravar uma conversa com ele me contando esses fatos de sua carreira artística…