Hamilton Di Giorgio e o Rock dos Anos Sessenta.

Hamilton Di Giorgio iniciou sua carreira artística em 1962 e em 1967 a encerrou e foi trabalhar com Informática no antigo BFB – Banco Francês e Brasileiro, hoje Itaú, em São Paulo.
O jornalzinho interno fez uma reportagem com seu funcionário, que em seguida todos poderão ler.😉

HAMILTON DI GIORGIO E O ROCK DOS ANOS SESSENTA.

(Reportagem publicada no Jornalzinho do Banco (antigo BFB – Banco Francês e Brasileiro), em 1967, onde Hamilton trabalhava.)

Hamilton Di Giorgio, homem de Informática, convive em harmonia com o Hamilton, cantor e compositor de rock, e um dos precursores da Jovem Guarda nos anos sessenta.
É intrigante imaginar como funciona o mecanismo de pensamento de uma pessoa que já se emocionou com a vibração e a energia que o público lhe passava, exigindo que cantasse novamente, e que agora permanece sentado atrás de uma mesa de escritório envolvido com intrincados problemas de computador. Ainda mais agora, que o rock volta a ser cantado e que por insistência do seu amigo Tony Campello, uma de suas músicas foi regravada no disco “O Rock dos Anos 60”, um documento que trás novamente às lojas trinta anos de Rock no Brasil.

É difícil perceber-se conflito em Hamilton, aparentemente ele aprendeu a conviver com a realidade de se afastar dos palcos e do público que lhe proporcionavam muitas alegrias com a música que começou cedo em sua vida. Aos 11 anos de idade iniciou seu aprendizado de violão com seu vizinho, no Tremembé. Nessa época já gostava de cantar, sendo sua música preferida a “Violetas Imperiais”, e também compunha, tendo feito um tango.
Por volta de 1956, com 13 anos de idade, Hamilton fazia poesias, compunha e cantava e os amigos de escola se reuniam em sua casa, após as aulas, para ouvi-lo.

Nessa época, fez um curso de eletrônica e montou um rádio transistor, que lhe possibilitava escutar o Hit Parade na rádio Excelsior, aumentando o repertório que apresentava aos amigos, inclusive em inglês, embora as palavras não correspondessem à realidade.

Sua mãe, fã e incentivadora, o levou em 1959 a um programa da TV Paulista, Canal 5, apresentado por Branca Ribeiro e Blota Junior. Sua primeira aparição em público não foi muito feliz, mas a mãe insistiu e no ano seguinte conseguiu que ele cantasse na Rádio São Paulo, no programa Boate do Minguinho. Aí ele entrou com o acompanhamento do seu violão, cantou e agradou. Minguinho o encaminhou então ao programa de Miguel Vaccaro Neto, na Rádio Panamericana.
Chegando lá, ele foi solicitado a fazer um teste no intervalo do programa, o apresentador gostou e o colocou no ar em seguida.

Começou assim uma carreira muito movimentada, com apresentações na rádio Panamericana. Logo gravou pela etiqueta Young a música “My Heart is na Open Book”, que ficou três meses no primeiro lugar do programa Telefone Pedindo Bis, na Rádio Bandeirantes.

Em seguida fez apresentações no programa Crush em Hi-Fi, apresentado por Celly e Tony Campello, com quem fez amizade que mantém até hoje.
Os shows foram se sucedendo e em 1962 a TV Record lançou uma série de programas com cantores internacionais.

Ele acabava de retornar de uma turnê pelo Rio de Janeiro, onde ficou conhecendo Roberto Carlos, Erasmo, Wanderléa, com os quais passou a se apresentar na primeira parte desses shows da Record, o que já representava o embrião do movimento Jovem Guarda.
Hamilton gravou então “Teenage Sonata”, um rock balada que lhe traz boas recordações, pois sempre que cantava nesses shows era obrigado a repetir e se emociona ao lembrar a energia que o público lhe transmitia.

Em 1962 a Young se desfez e ele gravou pela Chantecler a canção “Anjo Triste”, que agora está sendo relançada pela Phonodisc.

Depois gravou “Meu Mundo” na Fermata e “O Bolha” na RCA Victor. Dessas três, Anjo Triste e O Bolha fizeram sucesso e se mantiveram nas paradas entre os três primeiros lugares.

Por volta de 1967 a Informática começou a tomar espaço em sua vida. Aí ele resolveu casar e abandonar a vida ar5tística.
Fazendo um balanço dessa sua fase, afirma que gravou algumas músicas comerciais que fizeram sucesso, no entanto, o que gosta mesmo são daquelas que exigem maior amplitude vocal.
Hamilton gravou sete discos, tem cerca de 60 músicas em editoras e aproximadamente outras 100 não gravadas. Além disso, fez 40 versões, entre as quais algumas que fizeram sucesso com outros cantores, como “Lobo Mau”, “Chapeuzinho Vermelho”, “Estrela que cai”, “Na Noite que se Vai”.

O CERTIFICADO DA VERSÃO DE THE WANDERER PARA LOBO MAU

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Ele lembra também que a primeira música gravada por Demétrius foi uma composição sua em inglês, chamada “Hold me So Tight”…

Hoje Hamilton ainda recebe direitos autorais, mas aproveita para fazer um alerta:
_ “ O direito autoral no Brasil é algo que não condiz com a realidade. Recebe-se pouco e com uma defasagem que corrói o seu valor”.

Setembro de 1967

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Foto com a reportagem original, realizada em setembro de 1967, pelo Jornal do Banco Itaú de SP (antigo BFB Banco Francês e Brasileiro), onde Hamilton trabalhava.

Seguem algumas fotos das turnês de Hamilton Di Giorgio, onde podemos ver o Chacrinha no Rio de Janeiro, além de amigos da Young.
As fotos são do acervo de Tony Campello, e nelas estão Prini Lorez (Júnior), Os Beverlys, Nick Savoia, entre outros.

Programa do Chacrinha no Rio de Janeiro

Programa do Chacrinha no Rio de Janeiro

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Recorte de uma programação de Curitiba e outros.

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Tudo isso aconteceu há 49 anos, quando Hamilton Di Giorgio deixou a carreira artística para trabalhar com Informática.
Hoje ele está aposentado, passou por alguns percalços em sua vida, pois sofreu um AVC e também se curou de um câncer, mas está bem e esta semana tive o grande prazer de gravar uma conversa com ele me contando esses fatos de sua carreira artística…

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