O Selo “Young” e sua importância no cenário da música brasileira. (Parte II)

Quem acompanha este Blog deve ter lido AQUI a Parte I da historia sobre a gravadora Young, contada por Alfie Soares.

Hoje vamos à Parte II, também contada por ele, a seguir.

Nosso mundo, ao final dos anos 50, era bem maior do que é hoje. Uma correspondência levava dias para chegar ao seu destino. As fotos demoravam dias para serem reveladas. Os bondes atrapalhavam as principais ruas e avenidas de São Paulo.
Computadores, só em obras de ficção científica. Multimídia…. bem, Miguel Vaccaro Netto já exercitava multimídia em 1959. Produzia e apresentava seu Disque Disco na Rádio Panamericana (Jovem Pan), escrevia sua coluna sobre música para o jornal Última Hora, o jornal top da época. Oferecia consultas às gravadoras nos lançamentos de discos internacionais, escrevia contracapas de discos e, agora, com o Projeto Young, tornava-se diretor artístico e produtor fonográfico. Idealizou o layout do selo Young, cujo vermelho e branco destacava-se entre as etiquetas negras e sombrias das outras gravadoras. Contou com a colaboração de seu colega de redação no jornal, o cartunista Otavio, para criar vida e animação nas capas dos discos Young.

Seu grande mérito à frente da Young foi evitar contratar imitadores de artistas. Apostou no talento e poder de criatividade daqueles jovens que o buscavam para uma oportunidade. Seu ouvido apurado, seu conhecimento, seu olho clínico, foram fatores fundamentais para a criação de um elenco capaz de recriar no Brasil as variadas formas nas quais a nova onda mundial de música dirigida aos jovens era criada em seus países originais, principalmente Estados Unidos.
E, acima de tudo, dava condições para que estes jovens pudessem dar vazão aos seus próprios talentos como compositores.
Os Avalons puderam gravar três de suas próprias composições: All The Time (Solano Ribeiro), China Rock e Here Come The Avalons (Dudu). Com a contratação de Hamilton Di Giorgio,Vaccaro passou a contar com um intérprete que podia cobrir as bases criadas pelos “teen idols” tipo Bobby Rydell, bem como podia ser romântico e “soulful” como Sam Cooke. E, além de tudo isso, possuía o dom de compor como poucos. É de sua autoria o primeiro sucesso de Demetrius, um dos inúmeros talentos descobertos por Miguel Vaccaro Netto.

Demétrius – Hold me So Tight

Teenage Sonata – Hamilton Di Giorgio

A carreira e os talentos de Hamilton Di Giorgio já tiveram destaque aqui mesmo neste Blog.
Pouco teria para acrescentar. Apenas um comentário: Se Nureyev tivesse nascido no Brasil, jamais seria o gênio do balé que foi; se Pelé tivesse nascido nos Estados Unidos, jamais seria o melhor futebolista do mundo e, se Hamilton Di Giorgio tivesse nascido nos Estados Unidos, a música jamais o teria perdido para a informática.

E os talentos continuavam a chegar. Da Pompeia, e berço dos grupos de rock no Brasil, vieram The Rebels.

Os irmãos Benvenutti, Romeu (guitarra) e Lidio Jr.(bateria), ao lado de José Carlos (baixo), Gaspar (piano e vocais) e José Galli Jr (guitarra e vocais) formavam este excelente grupo.

Nenê no centro posando de guitarrista dos Rebels, e a indicação dos nomes dos colegas na foto, conforme suas próprias palavras: “Embaixo da esquerda para direita ao meu lado, estão meu irmão Romeu e Prini Lorez. Acima José Carlos e Gaspar".

Nenê no centro posando de guitarrista dos Rebels, e a indicação dos nomes dos colegas na foto, conforme suas próprias palavras: “Embaixo da esquerda para direita ao meu lado, estão meu irmão Romeu e Prini Lorez. Acima José Carlos e Gaspar”.

O patriarca da família Benvenutti, Sr.Lidio, era o proprietário do famoso restaurante Papai. Um outro irmão, Mario, era um dos astros do cinema nacional na época (depois criou o restaurante Um, Dois, Feijão Com Arroz). O baterista Lidio Jr. tinha apenas treze anos. O chamávamos de Nenê, e foi assim que, alguns anos depois, ficou internacionalmente conhecido ao fazer parte do grupo The Clevers (Os Incríveis), agora como contrabaixista.
Galli Jr usou algumas vezes este nome, mas ficou nacionalmente conhecido como Prini Lorez, nome também criado por Vaccaro.
Romeu passou a construir guitarras, e garanto que uma porcentagem muito grande de guitarras construídas por ele já foi ouvida por quem acompanhou a evolução do rock no Brasil.

DING DONG DADDY (WANTS TO ROCK) – THE REBELS-1960

A família Young estava crescendo. Faltava uma irmãzinha. Ela veio e sua história será contada no próximo capítulo…

Por Alfie Soares

5 respostas em “O Selo “Young” e sua importância no cenário da música brasileira. (Parte II)

  1. Pingback: De como a Cantora Regiane entrou para o Selo Young. | WE LOVE THE BEATLES FOREVER

  2. apenas um detalhe, nene(lidio jr.) nunca tocou bateria e sim guitarra como mostra a foto, depois foi tocar baixo nos Incriveis. Galli jr.(prini lorez) sim tocava a bateria nos rebels como mostra na foto. melhor consertar esta parte. gostei da reportagem.

    • Olá Erick Rocha, talvez você não tenha muito conhecimento da historia que envolve o início dos Rebels.
      Nenê, aliás, contrabaixista (e não guitarrista), substituiu seu irmão mais velho quando certa vez um empresário foi assistir ao ensaio do conjunto que se formava em São Paulo, mas um fato aconteceu. O guitarrista faltou e, para não perder a oportunidade, os rapazes improvisaram. O baterista assumiu o lugar do guitarrista faltante, porém precisavam de alguém para as baquetas. Não tendo outra opção, o irmão caçula do baterista, no caso Nenê, que sempre ficava por lá assistindo aos ensaios, foi escalado.

  3. Pingback: A Gravadora “Young” e sua Importância no Cenário da Música Brasileira. (Parte VII – FINAL) | WE LOVE THE BEATLES FOREVER

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