O Selo “Young” e sua importância no cenário da música brasileira. (Parte III)

Quando a onda do Rock and Roll atravessou as barreiras raciais e sociais nos Estados Unidos, por volta de 1956, atingiu o grande universo dos adolescentes. Não apenas como um público consumidor, mas também como porta-vozes daquela geração.
Jovens cantores entre 13 e 17 anos passaram a ser os grandes astros da musica popular. A costa leste, principalmente entre a colônia italo-americana, contribuiu muito para a consumação deste fenômeno.
Frankie Avalon Fabian, Bobby Rydell, Bobby Darin, Frankie Valli e The Four Seasons, Dion e The Belmonts etc… eram os sonhos das meninas e a indústria, sempre atenta, passou a lançar os sonhos para os marmanjos.
A MGM trouxe Connie Francis, Buena Vista apresentou Anette Funicello, e Decca já possuía há algum tempo Brenda Lee.

No Brasil, sob a direção de Miguel Vaccaro Netto, a Young seguia a mesma linha. Buscava em jovens talentosos a matéria prima para a formação de seu elenco.

De sua mansão na Avenida Indianópolis veio Nick Savoia.

Nick Savóia

Nick Savóia

Filho de Arthur Sabóia, ex-prefeito de São Paulo (1932), Nick Savoia vinha com a experiência de ter passado algum tempo nos Estados Unidos. Acompanhado por sua banda The Scarletts, ele trouxe um toque de Broadway e uma maneira única de interpretação.
Vale ressaltar que a banda The Scarletts incluía em sua formação um naipe de metais, muito, mas muito antes de Blood, Sweat & Tears e Chicago.

Festa na casa de Nick Savóia no bairro do Sumaré em São Paulo - Da esquerda para a direita: Antonio Claudio (Danny Dallas) George Freedman, Miguel Vaccaro Netto, Regiane e Marcos Roberto.

Festa na casa de Nick Savóia no bairro do Sumaré em São Paulo – Da esquerda para a direita: Antonio Claudio (Danny Dallas) George Freedman, Miguel Vaccaro Netto, Regiane e Marcos Roberto.

Since you`ve been gone – Nick Savoia – 1959

Mack the knife (Moritat) – Nick Savoia – 1960

“TEEN IDOLS” DA YOUNG

A Young já contava com Hamilton Di Giorgio e Demetrius em seu elenco, porém a demanda para jovens cantores era imensa.
Contratado também foi Antonio Cláudio, dono de uma voz potente e uma presença de palco impressionante.
Ele veio acompanhado da Banda Jester Tigers, da qual fazia parte José Provetti, conhecido como Gato, que anos depois entraria para o famoso grupo idealizado e formado por Joe Primo, The Jet Black’s.

Antonio Cláudio (Danny Dallas) com The Jester Tigers

Antonio Cláudio (Danny Dallas) com The Jester Tigers

Antonio Cláudio depois gravou pela RGE como Danny Dallas e deixou a música para seguir a carreira de jurista.
É bem possível que tenhamos ouvido seu nome, recentemente, em assuntos referentes à justiça.
Carlos David foi outro jovem de boa aparência e bonita voz lançado pela Young por Vaccaro Neto. Carlos David seguia aquele padrão do “teen idol”, característica daquele final de década.
Gato, o guitarrista dos Jester Tigers, também podia cantar. E Vaccaro não deixou a oportunidade passar.

ANTONIO CLÁUDIO – Where Were you on our Wedding Day

CARLOS DAVID – The Angels Listened in

GATO – Kissin’ Time

GATO – What’d I Say

Entra em cena Regina Célia.

regiane

Acompanhando-se ao violão interpreta Maysa, do jeito que Maysa merecia ser interpretada. Canta o sucesso de Maria “Mecha Branca” Thereza, de repente canta algo em inglês e, ao sairmos da audição, Regina Célia tornou-se Regiane.

Voz educada, timbre bonito, musicalidade vibrante, Regiane, com seus belos olhos sorridentes, inesgotável senso de humor, e talento, muito talento, tornou-se nossa musa, e era protegida por cada um dos elementos ligados à Young, como todo bom irmão ciumento que se preza protege sua irmã.

Miguel Vaccaro havia encontrado na figura de Regiane a mescla da intérprete jovem e da intérprete tradicional.

Este blog já apresentou Regiane, acompanhada por The Avalons, em sua fase roqueira.

Apresentamos agora uma outra faceta dela…

I’m Yours – Regiane

Broken-Hearted Melody – Regiane.

Como era normal naqueles tempos primordiais da geração Baby Boomer, Regiane optou pela família em detrimento à carreira.

Celly Campello tomaria a mesma decisão alguns anos depois.

Por Alfie Soares

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