O Selo “Young” e sua Importância no Cenário da Música Brasileira. (Parte IV)

YOUNG: UMA HISTÓRIA – CAPÍTULO IV – PARTE A

Uma das contratações feitas por Miguel Vaccaro Netto que mais frutos rendeu foi a do grupo The Cupids.
Além da homogeneidade que apresentavam como grupo, os talentos e personalidades de alguns de seus membros haviam chegado para ficar e ajudar a fazer a história da Jovem Guarda e do show business em geral.
Lucy Perrier era a solista. Dona de uma voz cristalina, possuía também forte personalidade e uma figura carismática. Ao lado de Regiane formava uma dupla de cantoras, cada uma em seu estilo, que nenhuma gravadora possuía igual na época.

Kiss Me Honey, Honey Kiss Me – The Cupids.

Outra vantagem a favor dos Cupids era o fato de ter entre seus componentes dois garotões irreverentes, brincalhões, divertidos, além das boas figuras e dos talentos para cantar e compor.
Dori Angiolella, que ficaria conhecido como Dori Edson alguns anos depois, e Marcos Roberto, cuja sequência de trabalhos ultrapassou as fronteiras brasileiras, tornando-se conhecido em toda a América Latina, principalmente por seu hit “A Última Carta”.

Pela Young, Vaccaro ousou algo diferente: Lançou o primeiro disco dos Cupids e, no mesmo pacote de lançamentos, lançou outro disco com dois dos Cupids, Dori e Marcos, um de cada lado.
Dori gravou a tradicional música irlandesa “Danny Boy” em ritmo de Rock’n Roll, enquanto Marcos Roberto interpretava uma versão para a balada da peça clássica Liebstraum #3, de Franz Liszt, sob o título “I Love You, I Do”.

Danny Boy – Dori Angiolella

I Love You, I Do – Marcos Roberto

Dori Edson, Carlos Bandeira e Marcos Roberto

Dori Edson, Carlos Bandeira e Marcos Roberto

YOUNG: UMA HISTÓRIA – CAPÍTULO IV – PARTE B

A explosão do Rock and Roll em termos mundiais, deu ensejo para que as várias correntes musicais viessem à tona e tivessem uma exposição jamais antes conseguida. Já comentamos aqui como adolescentes, tipo Paul Anka e Neil Sedaka, para exemplificar, passaram a dominar uma fatia do mercado.
Outros gêneros musicais, aproveitando a onda, entraram de carona e passaram a ser ouvidos e apreciados por aquela nova geração de consumidores, os compradores de discos.
Do grupo folclórico vieram Jimmie Rodgers, The Wavers e Kingston Trio.
Da música country faziam sucesso Sonny James e Eddie Arnold entre outros.
Até Hollywood contribuiu com seus jovens atores, como Tab Hunter, Sal Mineo e Tony Perkins, que se aventuravam a cantar.
Os genuínos Rock and Rollers, como Little Richard e Chuck Berry, passaram a ter estranhas companhias nas listas de discos mais vendidos.

O gênero que melhor se saiu nesta salada musical, foi o que era formado por grupos vocais que seguiam a linha de atos como The Ink Spots e The Mills Brothers, que vinham desde os anos 40 criando escola e influenciando novos grupos.
Dai surgiram The Platters, The Coasters, The Five Satins, The Moonglows e tantos outros.
A indústria, sempre alerta, passou a criar grupos de jovens para não perder espaço. Daí, Dion & The Belmonts, The Mystics etc.
A abertura musical do programa Disque Disco, berço da Young, era Whispering Bells, com o grupo Del-Vickings, genuíno representante deste movimento chamado Doo Wop.

Oriundos da região de São Miguel Paulista, cinco jovens formavam o mais distinto grupo vocal do Brasil, o cultuado The Beverly’s. Pereira, Amélia, Wander, Mariano e Castro nada deviam, em aparência, harmonia e talento, aos melhores grupos vocais internacionais.
Levaram para a família Young não somente toda a simpatia e coleguismo, suas marcas registradas, mas também uma enorme contribuição artística, participando como background vocals para a grande maioria das produções da Young.
E, obviamente, The Beverly’s tiveram também seus próprios êxitos, alcançando o status de membros do Top 5 da gravadora.

The Beverlys - Da esquerda para a direita Mariano, Pereira, Amelia, Castro e Wander

The Beverlys – Da esquerda para a direita Mariano, Pereira, Amelia, Castro e Wander

There Goes My Baby – The Beverlys

Dance With Me – The Beverlys

Representando a classe universitária, o grupo The Teenagers era formado por Carlos, Waltinho, Hermes, Toninho e Prandini.
Alguns anos mais tarde, após a saída de Prandini, tornaram-se atrações permanentes no programa “O Fino Da Bossa”, comandado por Elis Regina, agora sob o nome O Quarteto.

Mediterranean Moon – The Teenagers

The Book Of Love – The Teenagers

YOUNG: UMA HISTÓRIA – CAPÍTULO IV – PARTE C

O interior paulista e o gênero Doo Wop foram representados na Young pela cidade de Rio Claro, de onde vieram quatro jovens liderados pelo entusiasmado e idealista José Carlos, e que atendiam pelo nome de “The Youngs”.

Tiveram uma passagem breve, porém marcante.

The Ten Commandements Of Love – The Youngs

Come To Paradise – The Youngs

Por ora o elenco da Young estava completo.
Todas as correntes e tendências estavam cobertas por Miguel Vaccaro Netto.
Tudo já estava registrado em discos e as sessões de gravações tornaram-se históricas.

Neste período a Young utilizou-se de dois dos melhores estúdios de São Paulo.
Uma parte das gravações foram realizadas nos estúdios da RGE, de José Scatena. O engenheiro de som era o lendário Stelio Carlini, tio do músico Carlini, integrante do grupo Tutti Frutti, de Rita Lee, e também do famoso Made In Brasil.

Em outro estúdio no Largo da Misericórdia, propriedade da Continental, com a eficiência do engenheiro de som Ivani Soares, algo inédito iria acontecer…

Mas este será um assunto para nosso próximo capítulo!

Por Alfie Soares

3 respostas em “O Selo “Young” e sua Importância no Cenário da Música Brasileira. (Parte IV)

  1. Lucinha, agora que estou com mais tempo, comecei a ler o seu blog, e estou achando sensacional…Muitas coisas você coloca aqui que muitos não conheciam e agora vão passar a conhecer…Estou achando fantástico, com muitas raridades inclusive…Acharia interessante você colocar isso em livro. Já pensou nisso…Parabéns pelo blog e um abraço
    Vlademir Ferreira

  2. Pingback: A Gravadora “Young” e sua Importância no Cenário da Música Brasileira. (Parte VII – FINAL) | WE LOVE THE BEATLES FOREVER

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