O Selo “Young” e sua Importância no Cenário da Música Brasileira. (Parte V)

YOUNG: UMA HISTÓRIA – Capítulo V

UMA SESSÃO DE GRAVAÇÃO INÉDITA

A jovem etiqueta Young era distribuída no território brasileiro pela equipe de vendas e distribuição da companhia RGE que, por sua vez, possuía um cast de artistas de muito sucesso e respeito, entre eles Maysa, Agostinho dos Santos e Roberto Luna.

Para formar um suplemento de vendas considerável, Miguel Vaccaro e Lebendiger decidiram utilizar todos os contratados em uma única sessão de gravação. Uma sessão de aproximadamente 48 horas ininterruptas.

Foi escolhido o final de semana prolongado da Páscoa de 1959 e o estúdio contratado foi o da Continental, no Largo Da Misericórdia em São Paulo.
O engenheiro de som responsável pela equipe de quatro outros técnicos que se revezariam naquela maratona musical foi o incansável e paciente Ivani Soares.

No dia 26 de Março de 1959, às 9 horas da manhã, começaram a chegar os músicos arregimentados por Waldemar Marchetti, o Corisco.

Primeiramente, foram gravados os play-backs da orquestra que acompanharia Regiane, Nick Savoia, Hamilton Di Giorgio e The Beverlys.
Os arranjos foram feitos pelo Maestro Elias Slon, spalla da Orquestra Sinfônica de São Paulo.

Maestro Slon trouxe para as gravações seu filho Claudio, um baterista com apenas 16 anos de idade.

Claudio Slon iria, alguns anos depois, ser o baterista dos grupos de Walter Wanderley e Sergio Mendes, e terminou sendo um músico respeitadíssimo e muito influente nos Estados Unidos, onde viveu por muitos anos.

Terminadas as gravações com a orquestra, começaram as gravações com os conjuntos.

The Avalons, The Rebels, The Jester Tigers, The Cupids e The Devils, estes acompanhando o excelente Demetrius, em seu disco de estreia, já focalizado neste blog.

Por fim, chegavam os cantores, desfilando seus talentos!

TEENAGE SONATA – HAMILTON DI GIORGIO

CRY – NICK SAVOIA

O DIO MIO – REGIANE

Mais de trinta artistas reunidos nas dependências de um estúdio, em um ambiente descontraído e jovial, totalmente sadio e com bons fluidos.
Cantores talentosos hand-clapping ou fazendo backing vocals em gravação de outro cantor, sugestões e ideias para melhorar desempenhos.
Tudo isso acontecia naquele final de semana mágico.

Alguns pares de anos depois, em um outro país, em uma outra cultura, o pessoal que formava o cast de uma pequena gravadora de Detroit chamada Motown, iria instintivamente repetir o que a Young havia feito na Páscoa de 1959.
Eles foram um pouco mais adiante, pois como disse antes, vinham de uma outra cultura, outro país. Não que sejam melhores ou piores. Apenas diferentes.

Esta sessão serviu para que The Avalons introduzissem Bob, um novo cantor que passaria a figurar ao lado de Solano e Nilton.

THE AVALONS – COME SOFTLY TO ME

No dia 29 de Março, Domingo de Páscoa, eu e Gato (José Provetti), o último a colocar voz em seus playbacks, saímos do estúdio às 8:30 da manhã, tomamos um café na Santa Theresa da Praça da Sé, e fomos cada um para sua casa.

Dormi até o meio dia da Segunda Feira.

YOUNG: UMA HISTÓRIA – Capítulo V (parte b)

Os discos lançados pela Young já estavam sendo vendidos e executados pelas rádios do Brasil.

Agora, faltava um palco para que o público pudesse sentir toda aquela vibração pessoalmente.

PALCO DA YOUNG… FUTURO PALCO DA JOVEM GUARDA!

A TV Record, parte da organização da qual fazia parte também a Rádio Panamericana, de onde Miguel Vaccaro Netto transmitia seu Disque Disco, havia recentemente inaugurado o seu Teatro Record, na Rua da Consolação, em São Paulo.

teatro-recordjpg

Anterior ao Teatro Record, as atrações internacionais e programas especiais da emissora eram apresentados no Teatro Paramount da Rua Brigadeiro Luis Antonio.

Vaccaro viabilizou a transmissão de seu Disque Disco das quintas feiras diretamente do Teatro Record. Bastaram dois programas para que uma febre tomasse conta dos jovens paulistanos.

teatrorecord-2

A grande maioria dos ouvintes de Vaccaro era composta por frequentadores da Rua Augusta, das alunas do Colégio Des Oiseaux, dos estudantes do McKenzie e moradores dos Jardins. A localização do teatro, na Rua da Consolação, era perfeita.
E assim, os jovens paulistanos podiam ver de perto os artistas da Young que estavam despontando para o show business brasileiro.

Colégio Des Oiseaux

Colégio Des Oiseaux

DEMÉTRIUS – YOUNG AND IN LOVE

“Esta foi a minha primeira gravação – 1960.
Hold me So Tight foi o outro lado do 78rpm, ou seja, o outro lado do disco”.
(Demétrius, em 07/11/2016)

HOLD ME SO TIGHT – DEMETRIUS

ANTONIO CLÁUDIO – DREAM LOVER

A equipe do Teatro Record, principalmente seus administradores Paulo Charuto e Gaúcho (assim mesmo conhecidos e por nós chamados), mais Mirabeli (o diretor de palco) e o extraordinário historiador e profundo conhecedor da música brasileira Zuza Homem de Mello, que era na época o engenheiro de som do teatro, puderam ter uma ideia do que viriam a enfrentar no futuro, pois a explosão das quintas feiras através do Disque Disco ao vivo seria repetida seis anos depois com o programa Jovem Guarda, de Roberto Carlos.

teatro-record-3

Esta foto fez parte de uma matéria publicada sobre a vida do Teatro Record e flagra a saída de jovens que foram a um espetáculo (não revelado pela reportagem).

E não foi por acaso que Miguel Vaccaro Netto e os artistas que formavam o cast da Young, estavam junto a Brenda Lee, quando a Record iniciou sua investida internacional com atrações para o público jovem.

E este será o tema de nossa próxima conversa.

Por Alfie Soares

Alfie Soares escreve tudo de memória, não tem nada escrito e a cada linha que ele escreve, as imagens guardadas lá no fundo de seu cérebro vão tomando forma, e assim nomes, datas, locais e eventos vão emergindo.
Contou-me ele que desde o dia em que ouviu Rock Around The Clock, com Bill Haley & His Comets em 1955, aos treze anos de idade, interessou-se pelo gênero.
Acabou produzindo e apresentando um programa na antiga FM Excelsior, depois Globo FM, chamado A História do Rock and Roll, e 70 por cento do texto que ele apresentava era de memória, pois sempre foi um ávido leitor de contracapas de LPs e publicações do gênero.
Também teve a vantagem de ter sido uma espécie de “Forrest Gump” dos anos 50 e 60, isto é, esteve presente e participando de vários momentos importantes do show business brasileiro. Até mesmo naquela série de programas que a TV Bandeirantes apresentou em 1969 sobre a suposta morte de Paul McCartney, ele participou ao lado do disc-jockey norte-americano, Russ Gibb, que levantou a polemica.

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