“AS INVENÇÕES DE RENATO E SEUS BLUE CAPS”!

Este foi o título da reportagem escrita por Bill Falcão em 1973 sobre a banda Renato e Seus Blue Caps, reportagem esta que ele entregou pessoalmente a Renato Barros no camarim do Cine Theatro Brasil Vallourec em Belo Horizonte durante o Show da banda na cidade de Belo Horizonte, dia 20 de abril, quinta-feira passada…

Renato Barros e Bill Falcão em 20-04-2017

Segue a reportagem de Bill com fotos de Fernando Mendes.

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“780 mil pessoas já visitaram a Exposição Norte-Americana, que terminará amanhã à noite”.

Este foi o título da reportagem que saiu no início dos anos 60 e que um historiador, amigo de Paulo César Barros, encontrou ontem e enviou pra ele, pois o conjunto Renato e Seus Blue Caps fizeram parte dela, como consta na foto cuja transcrição segue abaixo.

Cerca de 780 mil pessoas visitaram a exposição Aliados no Progresso dos Estados Unidos, na Quinta da Boa Vista, desde a sua inauguração, em 1º. De julho, até a noite de ontem. Hoje e amanhã a exposição estará aberta em seu horário normal, das 15h às 23 horas, quando se encerrará.
Segundo os guias da exposição, todos os “stands” despertaram praticamente igual interesse, destacando-se, porém, como atração para o público as exibições com o cinturão-foguete e a cápsula idêntica à utilizada pelo astronauta John Glenn, a “Amirade VII”, no primeiro voo orbital norte-americano, em 1962.

“Twist” na Exposição, EUA – Todas as noites o coordenador de departamento artístico da Exposição dos Estados Unidos, Sr. Charles Mertz, tem promovido “show” de vários conjuntos.
Quarta-feira, foi a “Noite do Twist”, com o conjunto Renato e Seus Blue Caps e o cantor Ed Wilson.
Os primeiros, que ali se apresentaram pela segunda vez, executaram números variados para um grande público, que está aproveitando os últimos dias para visitar a Exposição na Quinta da Boa Vista.
Os “Blue Caps” farão mais duas exibições, hoje à tarde e à noite.
E aqui vemos os jovens instrumentistas Paulo César, Tônio, Erasmo Carlos e o cantor Ed Wilson, num número de “twist”.

Exposição norte americana - Renato e Seus Blue Caps

“O meu velho pai conseguiu colocar seus filhos pra tocar nessa Exposição dos USA na Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro, no início da década de 60.” (Paulo César Barros)

“Beatles: Um passo à frente!”

Esta era a manchete da Revista Melodias Nº 139, Editora Prelúdio Ltda, de Abril de 1969, que trazia na capa o cantor Jerry Adriani e na contracapa, Lurdinha Félix e Djalma Lúcio…

00- capa e contracapa

A reportagem, assinada por Fred Jorge, dizia assim:

Beatles: Um passo à Frente!

Está entregue ao público o último lançamento do mais genial conjunto do mundo: The Beatles.
Os quatro cabeludos da Inglaterra aparecem de novo com a mais bela coleção de canções jamais compostas no gênero jovem.
Algumas mostram aquele avanço característico e ousado. Outras, procuram ressuscitar o som e décadas passadas, como “Wild Honey mPie”. E por isso estão recebendo críticas injustas, de pessoas que nada entendem do assunto. Não é fácil produzir aquele som que encantou nossos avós nos anos passados. Não é fácil trazer de novo, com pureza e encanto, aquele sabor que arcou toda uma época que foi romântica e terna. E para aqueles que atacam os Beatles por terem feito isso, eis a réplica: “para repetir um feito Napoleão, só mesmo outro Napoleão”.
Com isso, eles mostram que são capazes de fazer qualquer coisa no setor musical. Provam que como eles, não há mesmo ninguém. Para os quadrados, que querem música popular, com sabor popular indiscutível, o álbum contém “Ob-la-di Ob-la-da”. Música despretensiosa, bonita, com um embalo gostoso, e que mal foi lançada, já está sendo cantada pelo mundo todo. Apesar do sabor tipicamente popular, ainda consegue conter pinceladas de genialidade dos Beatles.

Ao todo, o álbum contém 30 canções. Os detratores da obra musical dos Beatles dizem que seu último LP era muito arrojado, muito “pra frente”, e que por isso foi vendido em lojas de saldos nos Estados Unidos, a 2 dólares cada um. Disseram também que eles voltaram ao estilo antigo, para reparar o fracasso do LP anterior. Mentira! Eles jamais dariam um passo atrás. Estão sempre dando grandes passos à frente. Não seriam capazes de vender a personalidade ou de curvar o talento até à altura de um público quadrado como o norte-americano, que entende mais de barulho que de música. Eles não gravam para os Teds e Bobs de calças “blue jeans”. Gravam para a juventude que necessita de avanço, de reformulação musical, de ritmo trepidante e de idéias novas. Gravam para a verdadeira juventude, e fazem com isso um benefício enorme. Lançam sementes de classicismo nas músicas. Usam uma linguagem nova. Idéias salutares, Beleza pura. Ritmos diferentes. E acima de tudo, uma personalidade realmente marcante. Não importa o que sejam ou façam na vida íntima, importa o que são artisticamente, Quatro verdadeiros gênios dando ao mundo moderno aquilo que ele realmente precisa. Uma nova linguagem para a juventude cantar. Um novo ângulo para ver a vida. Uma nova expressão artística.
Um dia no futuro, quando algum historiador analisar nossa era conturbada e tentar explicá-la psicologicamente, há de falar na influência dos Beatles, colocando-os na altura importante em que colocarão as vitórias espaciais. Uns vencerão no espaço. Outros vencem aqui embaixo mesmo, mas ambos têm o mesmo objetivo. O infinito da glória, a perspectiva interminável das idéias que realmente perduram.

(Texto: Fred Jorge)

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