“Os Corsos” acompanhando Jerry Adriani em Goiânia (1968).

Quando saiu dos Jet Black’s depois de seu aniversário em 08 de outubro de 1966, Sérgio Vigilato, conhecido como Serginho Canhoto, se juntou aos Wandecos (grupo que acompanhava a cantora Wanderléa) e criou outro conjunto que foi chamado de “Os Corsos” e que costumavam tocar nas boates da baixada Santista e depois foram tocar em Goiânia.

“Os Corsos”, em novembro de 1966, tinha a seguinte formação:
Serginho ”Canhoto”, Líder, guitarra solo e relações publicas, Ronny, guitarra-base e vocal, Luiz Marcelo , Guitarra(segunda) e vocal, Jose Adolfo Stern (Zé) bateria e vocal e Carlos Geraldo, baixo-elétrico e vocal.

Em Goiânia, conhecendo grandes músicos como Carcará, Coringa e Osvaldinho, fizeram uma mistura para agradar os artistas de São Paulo e Rio, que se aventuravam excursionar pelos interiores do Brasil para promover seus discos.

Nesta foto de 1968, do acervo de Sérgio Vigilato, o Serginho Canhoto dos Jet Black’s, estão alguns músicos do conjunto “Os Corsos”, criado por ele, e dentre os músicos que estão no palco, vejam quem está cantando. Reconhecem? Pois é ele mesmo: Jerry Adriani!

Da esquerda para a direita: Serginho Canhoto, Jerry Adriani ao microfone, Osvaldinho no teclado, Coringa na guitarra base (só aparece o braço), Darcy no baixo-de-pau, e José Stern, o Zezinho, na bateria.

Sérgio me contou que ele e seu conjunto Os Corsos eram contratados pelo canal 5 de Goiânia e certa vez, em 1968, quando ele e seu conjunto estavam lá, numa época em que os artistas estavam lutando para conseguir fama e tinham que se arriscar a viajar sem acompanhamento, Jerry Adriani estava lá pra se apresentar e ficou feliz ao encontrar o amigo Sergio e seu conjunto lá, assim como também aconteceu com Sergio Reis e Wilson Miranda, que também estavam por lá.

Na foto, da esquerda para a direita, podemos ver Sergio Vigilato, o Serginho Canhoto, Jerry Adriani ao microfone, Osvaldinho no teclado, Coringa na guitarra base (só se vê o braço), Darcy no baixo-de-pau que foi fabricado por ele mesmo com caixas de pinho-de-riga de bacalhau importado (ele pegava as caixas no Mercadão Central) e José Stern, o Zezinho, (já falecido) na bateria.
Sérgio aparece com sua guitarra sombreada (sunburst) de 12 cordas que ele mesmo confeccionou na fábrica da Gianinni.

“Dos Corsos originais só está o José Adolfo Stern, o Zezinho.
Darcy entrou no lugar do Carlos Geraldo (Carge), que era nosso John Lennon; modéstia à parte, Carge arrasava!
O Coringa fazia parceria com nosso querido “CARCARA”, outro monstro em bossa e harmonia cavernosas, e todos deram um colorido excepcional aos “Corsos”.” (Sérgio Vigilato)

Na volta de Goiânia, em fins de 1968, Sérgio se preparou para ir para Los Angeles, Califórnia, e desde então vive nos Estados Unidos.

“Os dons artísticos do Sergio Vigilato, extrapolam os limites da normalidade. Exímio músico, Cantor, Luthier (confecção de guitarras), Taxidermista, produtor musical e tantas qualidades diferenciadas, que me fogem à memória. Me orgulho de ser amigo dele.” (Primo Moreschi, fundador do conjunto The Jet Black’s)

Anúncios

Quais os Modelos e Marcas das guitarras usadas pelos conjuntos de Rock no início dos anos 60?

Para responder a esta pergunta, Sérgio Vigilato, o Serginho Canhoto dos Jet Black´s, escreveu:

A maioria das minhas guitarras foram fabricadas por mim porque sou Canhoto, e na época, em 1950 e 1960, não havia no mercado brasileiro guitarras para canhotos. Esta foi a primeira que eu fiz ainda quando tinha 16 anos, já com alavanca – eu estudava para ser Torneiro Mecânico – e depois fiz uma Jazzmaster branca, antes de entrar nos “The Jet Blacks”.

Depois na fábrica da Gianinni, ajudei a fazer a primeira “Supersonic” canhota e sombreada, logo após, também na Gianinni, ajudei a fazer a primeira guitarra de bojo com duas “meia-luas” de 12 cordas e com alavanca (imaginem!), com a qual gravei o LP TOP TOP TOP, lançado pelos The Jet Black´s.

Essa guitarra de 12 cordas foi a ultima que eu fiz na Gianinni e para agradar o Giorgio Cohen (Giorgio Gianinni) coloquei uma plaquinha de metal escrito “GIANINNI” na parte de cima da meia-lua, quase não se vê, mas Foi a única, e com ela gravei o LP TOP TOP TOP.

Esta Guitarra Giannini Supersonic foi a primeira guitarra CANHOTA e a primeira “Sombreada’ feita especialmente pra mim, com minha supervisão, na antiga fabrica na Alameda Olga, em Perdizes. O ano era 1965, então, na sequencia de guitarras que eu usei nos Jets, essa foi a terceira. Também tive que “inverter” a alavanca pra canhota!

Terceira guitarra usada por Serginho Canhoto nos Jet Black´s

Terceira guitarra usada por Serginho Canhoto nos Jet Black´s

Depois que saí dos “Jets” tive uma Verythin com alavanca “Bigsby” “cherry color”, mas era destra.

Serginho Canhoto e sua guitarra Hofner (Verythin" com alavanca "Bigsby" "cherry color" para destros.

Esta foi a primeira guitarra que eu fiz quando tinha 16 anos, para tocar no meu conjunto Os Corsários.

Esta é a Guitarra Jazzmaster que usei nos Jets; na foto estamos eu, Bobby De Carlo, Zé Paulo e Jurandi numa apresentação em Três Lagoas, Mato Grosso, em 1964.

Guitarra Jazzmaster - Três Lagoas, Mato Grosso, em 1964

Guitarra Jazzmaster – Três Lagoas, Mato Grosso, em 1964

Guitarra de 12 cordas - capa LP TOP TOP TOP

Guitarra de 12 cordas – capa LP TOP TOP TOP

Aqui está a minha Hofner Modelo ‘Verythin” com a alavanca ‘BIGSBY”, tocando em 1967 na Boate “LA VIE EN ROSE”, que ficava localizada na Rua Major Sertorio (Boca Do Luxo), após ter saído dos “Jets”; estou com meu grupo “Os Corsos”.

Guitarra Hofner Model 'Verythin" com alavanca 'BIGSBY"

Guitarra Hofner Model ‘Verythin” com alavanca ‘BIGSBY”

Após ocupar a função de Relações Públicas dos Jet Black´s, era esperado que nós usássemos somente instrumentos da marca Gianinni. Eu tive uma reunião com o Giorgio Cohen (agora Giorgio Gianinni) e disse a ele que “jamais usaria aquelas guitarras”, e sugeri a ele (que aceitou) que me deixasse trabalhar com o Sr. Henrique, e, quando comecei a “fuçar” lá no fundo da fabrica, encontramos uma forma de guitarra elétrica com bojo, mas sem as meia luas, e eu sugeri ao Seu Henrique que adicionasse as meia luas dentro da forma. Ele concordou e fizemos. Escolhemos as melhores madeiras que havia lá no fundão e montamos o corpo da guitarra. Passamos verniz “Sunburst” e eu fiz as ferragens (alavanca, pick ups do Sr. Vitorio da Pompeia). Quero informar que, estando lá dentro da Gianinni e levando a minha marmita do S.E.SI. (era bem grande), tive a oportunidade de escutar as “LAMURIAS” daqueles italianos tão inteligentes, com ideias tremendas para renovar, ou copiar na íntegra qualquer instrumento de cordas! Porém a ordem era: “aqui é Brasil, continuem fazendo da minha maneira!”
Vocês não imaginam o contentamento deles de verem que eu não aceitava tocar naquelas guitarras, e sempre deram a maior força pra mim! Era muito triste essa atitude de proibirem mudanças…
Quem ler este meu relato poderá analisar quantas dificuldades um musico brasileiro (Canhoto) teve que passar para poder continuar na sua profissão naquela época. Seria interessante ter um site somente para aqueles que na época tiveram que fabricar seus instrumentos para dar continuidade em suas ideias musicais, como foi o meu caso, Serginho “Canhoto”.
Depois que vim para os STATES, nunca mais tive problemas com guitarras; tive umas 28, das quais já vendi 02 Les Pauls e a D-175 Gibson, e pretendo vender mais umas 08 ate o fim do mês… Já “matei a vontade” de ter bons instrumentos de cordas e ultimamente estou usando guitarras e violões feitos sob encomenda pelo meu amigo e famoso “luthier”, o Regis Bonilha, de Jacareí, São Paulo. Esse sim, manja de violões…
Aqui nos EUA, quando vou no Show Anual da NAMM, também só vejo umas vinte canhotas a cada mil destras, mas como eu sempre “fucei” muito, acabei encontrando a pequena companhia que fabricava os corpos, braços e pintava pra Fender. O dono é uma pessoa muito bacana que encontrei no Show da NAMM em 1995, e de lá pra cá, construí varias Fenders canhotas, sem contar as outras que mandei fazer sob encomenda aqui nos Estados Unidos… mas esta é uma outra historia!

Por Sérgio Vigilato, o Serginho Canhoto

Fonte

Sérgio tocando com sua mais recente aquisição, que foi um sonho realizado, segundo ele me contou: um “1972 MARTIN ACUSTICO – CORDA DE ACO, direto dos States para o meu Skype. 🙂

Um pouco sobre a Trajetória Artística do Músico Serginho Canhoto, ex-The Jet Black’s!

Sérgio Vigilato, conhecido como Serginho Canhoto, criou seu primeiro conjunto de Rock no início dos anos 60, grupo que se chamava “Os Corsários” e era formado por Sergio Canhoto na Guitarra Solo e Vocal, Osvaldo, conhecido como Dicão, na bateria, Brunno Pasqual no Contra Baixo, Luiz Carlos , Guitarra Base e Vocal, Leonato, Sax Tenor.

Nesta foto, Os Corsários se apresentam no Programa Ritmos para a Juventude, de Antonio Aguillar.

Grupo os Corsários acompanhando Roberto Carlos. Serginho Canhoto está com sua primeira guitarra elétrica feita por ele mesmo em 1962.

Grupo os Corsários acompanhando Roberto Carlos. Serginho Canhoto está com sua primeira guitarra elétrica feita por ele mesmo em 1962.

No ano de 1964, Sérgio deixou Os Corsários para ir tocar no conjunto The Jet Black’s, quando o guitarrista de base Orestes resolveu abandonar a carreira musical, sendo substituído por ele. Saiu em fins de 1966, e quem entrou em seu lugar foi o Alemão.

The Jet Black´s estava procurando um guitarrista base e foram falar com o Nilo, dos Bells. Porém ele estava bem com a sua banda, então sugeriu o nome do seu amigo de adolescência, exatamente o Serginho Canhoto, e foi então que ele foi procurado pelos integrantes dos Jet Black´s.
Sérgio estava na praia de Botafogo no Rio de Janeiro e ao voltar para São Paulo, encontrou o Nilo, Jurandi e Zé Paulo em frente o Cine Anchieta, Sacomã, Ipiranga. Quando eles o viram, conversaram e ficou acertada sua ida para os Jet Black´s, e no dia seguinte ele já estava ensaiando no alto do Pari com o Jurandi, Zé Paulo, Orestes, que estava deixando o grupo, e no lugar do Gato estava o Bobby di Carlo.
Sérgio Vigilato afirma que deve a seu grande amigo de adolescência, Nilo Antonio Alves, o Nilão do The Bells, a sua ida para os The Jet Black´s!

Quando saiu dos Jet Black’s, depois de seu aniversário em 08 de outubro de 1966, ele se juntou aos Wandecos (grupo que acompanhava a cantora Wanderléa) e criou outro conjunto, “Os Corsos”, que costumavam tocar nas boates da baixada Santista; depois foram tocar em Goiânia e na volta, em fins de 1968, Sérgio se preparou para ir para Los Angeles, Califórnia.

Em pouco tempo que ficou no Brasil, Sérgio fez muita coisa, mantendo seu espírito “cigano” e uma maneira toda sua de ser… Foi, por exemplo, o primeiro baixista do RC3 em suas primeiras apresentações com o Roberto Carlos em São Paulo, porque estava morando no mesmo apartamento da secretaria dele, a Edy Silva e o Roberto e toda a turma do Rio, acampavam lá para economizar, o que era necessário naqueles primórdios… E por estar lá entre eles, teve varias oportunidades de tomar parte nas ideias que surgiam a todo momento, tendo sido então o primeiro baixista do RC3, mas ficou muito pouco tempo, e insistiu para que Bruno Pascoal ficasse em seu lugar. Outro trio do qual fez parte, ainda antes de se juntar com os Wandecos, foi com o Erasmo Carlos, sendo ele no baixo, seu irmão Luiz Carlos Vigilato na bateria e o Erasmo na Guitarra; mas, como seu irmão estava passando por alguns problemas, Sérgio disse ao Erasmo que ia parar, e foi quando sugeriu que ele chamasse o Raul De Barros, que também já havia sido indicado ao Erasmo pelo George Freedman.
Uma curiosidade: era o Sérgio quem dirigia o Fusquinha do Erasmo, porque na época ele não sabia dirigir, e o fusquinha levava os três e mais os instrumentos, incluindo bateria e amplificador, imaginem só!

Sobre a foto de seu irmão, a seguir, Sérgio Vigilato disse:
 “As pessoas (atrás) eram meus amigos da Vila e do Ipiranga, eu fazia questão de celebrar meu aniversario 3 ou 4 vezes com todos meus amigos de infância e adolescência, então (nesta época) após celebrar no apartamento da Edy Silva com a Galera da imprensa, já tinha programado uma “FESTA DE ARROMBA” NA RUA DO GRITO ,IPIRANGA, SÃO PAULO, BRASIL.A razão que o Brunno Pasqual nào estava nestes dois aniversários meus, porque ele estava tocando na banda “The Dangers” que eu (contra a vontade da mãe dele) havia tirado ele da “MECÂNICA” para esperar uma oportunidade, (a qual consegui depois) que foi colocá-lo no meu lugar de baixista no RC3 (o Brunno estava tocando No CAIS CAIS na Galeria Metropolis em Sampa.
Luiz Caarlos Vigilato no aniversário de 21 anos de seu irmão Sergio - 1965

Luiz Carlos Vigilato no aniversário de 21 anos de seu irmão Sergio – 1965

Foto com os Corsos em novembro de 1966, após sua saída do The Jet Black’s.
Formação: Serginho ”Canhoto” de pé, Líder, guitarra solo e relações publicas, Ronny, guitarra-base e vocal, Luiz Marcelo , Guitarra(segunda) e vocal, Jose Adolfo Stern(Ze) Bateria e vocal e o Carlos Geraldo, baixo-Eletrico e vocal.

Novembro de 1966

Novembro de 1966

Aqui uma foto dos Corsos, onde Serginho Canhoto está com sua Hofner Model ‘Verythin” com a alavanca ‘BIGSBY”, na Boate” LA VIE EN ROSE” na major Sertório (Boca Do Luxo) 1967.

Os Corsos - 1967

Os Corsos – 1967

Formação do conjunto The Jet Black’s com Serginho Canhoto:

Jose Paulo Matrângulo, Baixo-Eletrico e vocal
Jose Provetti, guitarra solo e vocal,
Jurandi Trindade, Baterista e Relações Públicas
Serginho “Canhoto” (Sergio Vigilato), guitarra-base e vocal.
Nos Jet Black’s ele participou dos LPs lançados entre os anos de 1964 e 1966.

the-jet-blacks-exclusivos-chantecler

Na foto a seguir, The Jet Blacks tocando em Tres Lagoas/MT, em 1964, onde vemos Serginho Canhoto com sua guitarra “jazzmaster” feita à mão,Bobbi Di Carlo,(que entrou no lugar do Gato em sua segunda passagem pelos The Jet Blacks),Jurandi (na Bateria) e José Paulo, no baixo.

1964-the-jet-blacks-tocando-em-tres-lagoas-mt-serginho-bobby-di-carlo-jurandi-e-zc3a9-paulo

Bobby di Carlo, juntamente com Joe Primo, foi um dos fundadores do conjunto The Vampires, que depois trocaram o nome para The Jet Black’s.
Sobre ele, Sérgio comenta: “Bobby De Carlo, meu velho amigo, que substituiu o Gato no fim de 1964 quando eu estava tocando no The Jet Black’s… Grande personalidade, musico(Jazzista), aprendi com ele como usar a unha do dedo indicador como palheta e poder arpejar ao mesmo tempo! Coisas que jamais esquecerei… logicamente, o Orestes, que ficou nos Jets até eu me entrosar, foi outra grande influencia no meu aprendizado profissional. Sou fã dos dois, de “carteirinha!”

O grupo The Jet Black’s foi fundado originalmente por Joe Primo com o nome de The Vampires, para confundir o apresentador Antonio Aguillar; Primo Moreschi disse a ele o nome de um outro conjunto muito famoso na época, The Ventures, que foi o primeiro nome que lhe veio à cabeça, quando perguntado sobre qual era o nome de seu conjunto; o grupo depois mudou o nome para The Jet Black’s, com a devida permissão do cantor que usava o nome de Jet Black. Este então trocou seu nome para Little Black, cedendo ao grupo de rock o seu nome.

The Jet Black’s em 1965/66, em um programa que era apresentado às sextas-feiras ao vivo no subsolo do Instituto de Arquitetos, comandado pelo apresentador Fernando Zarakauskas .
Nesta foto, do acervo de Serginho Canhoto, estão Zé Paulo, ele, Serginho Canhoto, Gato e Jurandi na bateria.

“Eu, Fernando Zara, estou à esquerda, e era produtor deste programa ao vivo da Radio Piratininga levado todas às sextas- feiras no auditório do Instituto de Arquitetos localizado na Rua Bento Freitas ( subsolo ) tal como faziam os Beatles no inicio de carreira, e ao meu lado está o LUIZ ALBERTO como apresentador deste programa intitulado ” Clubinho da Juventude ” que tinha seu similar na TV Excelsior de São Paulo, às quintas-feiras às 17:00 horas, onde os novos talentos a gente apresentava pela primeira vez e acho que os THE REBELS tocaram lá, além de outros futuros ídolos da nova música jovem, que era o Rock ‘ n ‘ Roll. Quanto ao conjunto, eram os The Jet Blacks. Obrigado por resgatar esta foto, que é a única que comprova meu pioneirismo nesta área musical, que tb. o George Freedman pode comprovar, pois eu e ele andavamos juntos em busca de lançamento dele no meio discográfico…o que se deu logo após a entrada deste ritmo no Brasil. O Tony Campello pode confirmar minhas palavras.” (Fernando Zarakauskas)
The Jet Blacks em 1965-66

Sérgio está presente em todos os discos lançados pelos Jet Black’s no período de 1964 até 1966, e um dos fatos que marcou a presença deste grande musico no grupo foi que as capas dos LPs dos The Jet Black´s anteriores ao disco TOP TOP TOP, de agosto 1965, não tinham fotos do grupo em sua parte frontal. Isto se dava devido ao fato de ser muito difícil marcar uma sessão de fotos com todos os integrantes reunidos. O grupo tinha uma vida muito agitada e o Gato, por exemplo, não era nenhum exemplo de pontualidade.
O Serginho Canhoto então foi o grande “herói” desta almejada foto. Levou o Gato para dormir na casa de sua avó que morava na Rua do Grito, no Ipiranga, e assim pode pessoalmente acordar o Gato e levá-lo para a famosa fotografia. Uma vez, conversando com o Sérgio Canhoto nos Estados Unidos (onde ele mora atualmente, ele comentou que “Só Deus sabe quanto passei para conseguir esse momento!”. A foto foi tirada no Teatro Record, na Rua da Consolação, No. 2036.

The Jet Blacks e a foto para o LP Top Top Top

Top Top Top - The Jet Blacks

Neste áudio podemos ouvir The Jet Black`s tocando “Suzie Q” no Programa Jovem Guarda ao vivo, ainda com a presença de Serginho Canhoto.
A voz é de Gato:

 

Como mencionei acima, na volta de Goiânia, em fins de 1968, Sérgio se preparou para ir para Los Angeles, Califórnia, e no começo de 1969 deixou o Brasil e foi morar nos Estados Unidos.

Lá ele deixou de ser Serginho Canhoto para tornar-se Sérgio 2000, nome que lhe foi dado pela sua agente ainda em 1969, quando cantou pra ela uma canção de Tom Jobim.
Sérgio 2000

Em 1971 Sérgio retornou ao Brasil para uma visita aos amigos e familiares.
Veio no Navio “Brasil Maru” e a viagem levou 28/29 dias. Era a ultima viagem do navio e nele havia metade passageiros e metade carga! Sérgio diz que esta viagem em si merece um livro, pois vamos imaginar ele, único musico e cantor com sua aparelhagem, ali preso a bordo por quase 30 dias!

Nesta foto de 1971, Sérgio está em seu antigo quartinho na Vila Carioca e foi fotografado por Jorge Honda, seu amigo de infância.

Sérgio Vigilato - 1971 em seu quarto na Vila Carioca - foto Jorge Honda

Nesta outra foto também tirada por Jorge Honda em 1971, na Vila Carioca, Sérgio faz pose com o cigarro. É que na época ele estava estudando em Hollywood para ser artista de cinema, então o cigarro era pra “tirar onda”. Como ele mesmo disse, “tirei onda com o cigarro, por que eu não iria “poluir” meus pulmões por uma photo de cinema! Kkk”.

Sérgio Vigilato - 1971 - na Vila Carioca em sua primeira visita ao Brasil

Quando ele chegou ao Brasil em 1971, ficou por aqui por cerca de 6 meses, pois estava ajudando um amigo a fazer um filme de Cowboy. Ele escrevia e ajudava em tudo, pois estudava para ser artista de cinema em Hollywood.
Sérgio escreveu então todo o enredo, fez a trilha sonora, que compunha com sua guitarra e tocava gaita na musica, além de ensinar aos amigos os detalhes das tomadas da câmera (takes); Sérgio conta que levou um revolver de cowboy escondido e foram feitas 09 copias dele, inclusive uma delas está com seu amigo Nilo, o Nilão, dos Bells. Ele também ensinou o pessoal a fazer os cinturões iguais aos dos Cowboys americanos…
E, além disso tudo, Sérgio costumava cantar algumas vezes na noite, juntamente com seus amigos, principalmente o Nenê (Os Incríveis).

Nenê e Sérgio

Nenê e Sérgio

Em 1975 Roberto Carlos esteve em Los Angeles para um show e após o show, Sérgio foi convidado pelo Dedé (do RC7) para ver a “galera’ do Brasil, e os músicos haviam economizado cerca de $10,000.00 para comprar instrumentos musicais. O Sérgio conta que passou dois dias comprando tudo, o mais barato possível. Antes de eles irem embora,fizeram uma reunião para que ele voltasse com eles para ser o Relações Públicas da banda, e fazer o mesmo que ele havia feito nos Jet Black’s, quando José Paulo e Jurandi o promoveram para “tentar” reabrir as conexões perdidas com os fornecedores de roupas e instrumentos, mas ele disse que não, por que tinha outros projetos; Roberto perguntou o que ele ia fazer, e Sérgio respondeu: “Roberto, vou pro ALASKA!”

E, em 1978, ele foi para o Alaska tocando o baixo direito, de cabeça-pra-baixo, por ser canhoto!

1978 Ketchikan Alaska Ingersol Hotel Charles Lounge.

1978 Ketchikan Alaska
Ingersol Hotel Charles Lounge.

Eles eram um trio, e Sérgio sugeriu que o nome do trio fosse “FREEDOM”, o mesmo nome que em 1989 ele, Sergio “2000”, Taska Barlow e Nenê (Lidio Benvenuti) usaram em Juneau and Sitka, Alaska.

Sérgio 2000 no Alaska

“Quando fui para o Alaska, fui como baixista (tocando em um baixo de cabeça-pra-baixo) porque era para destros e eu sou canhoto. Sempre toquei com o nome de Sergio”2000″, tanto solo, como com o trio, quarteto, quinteto etc… Passados dois anos, tirei a carteira de Capitão, comprei um Yate (pequeno pra começar) e levava os turistas para pescar!” (Sérgio Vigilato sobre a sua estada no Alaska)

Sérgio e seu primeiro clienteem seu barco de pescaria no Alaska em 1983, após ter recebido sua licença de Capitão.

Sérgio e seu primeiro clienteem seu barco de pescaria no Alaska em 1983, após ter recebido sua licença de Capitão.

Sérgio 2000 e Taska Barlow

Sérgio 2000 e Taska Barlow

Sérgio Vigilato e sua guitarra.

Sérgio Vigilato e sua guitarra.

Sérgio tocando baixo (Fender Elétrico) na Banda de Jazz em ketchikan, Alaska - 1985

Sérgio tocando baixo (Fender Elétrico) na Banda de Jazz em ketchikan, Alaska – 1985

Sérgio Vigilato em Salem, Oregon, em 1989

Sérgio Vigilato em Salem, Oregon, em 1989

Atualmente Sérgio Vigilato exerce a profissão de Taxidermista e vive na Califórnia.

Sérgio em Burbank, Califórnia, em 1998, com sua velha guitarra, hoje de posse de sua filha Ina Vigilato. Atrás está sua loja onde ele exerce a profissão de Taxidermista.

Sérgio em Burbank, Califórnia, em 1998, com sua velha guitarra, hoje de posse de sua filha Ina Vigilato. Atrás está sua loja onde ele exerce a profissão de Taxidermista.

Todas as informações presentes nesta postagem foram fornecidas a mim pelo próprio músico Sérgio Vigilato, sendo as fotos todas de seu acervo particular.

O vestido de carne de Lady Gaga foi restaurado por um músico brasileiro!

Sergio Vigilato, que pertenceu ao conjunto musical The Jet Black’s, é o único musico brasileiro que tem seu trabalho exposto no Museu de Rock em Cleveland, Ohio, sem nunca ter tocado uma única nota musical para isso!!!

É que foi ele quem trabalhou para que o vestido de carne usado pela Lady Gaga, pudesse permanecer em exposição no museu, conforme mostrado no Fantástico em reportagem exibida em 07/08/2011.

O vestido feito de carne usado por Lady Gaga na premiação “MTV Vídeo Musica Awards” de 2010 foi “embalsamado”, ou melhor, conservado, pelo músico brasileiro, que ficou conhecido nos anos 60 como Sérgio Canhoto, e que atualmente reside na Califórnia.
O taxidermista brasileiro passou quatro meses restaurando o famoso vestido de carne usado por ela no VMA 2010 e após a restauração o vestido foi exposto em lugar de destaque no Museu do Rock nos Estados Unidos.

Na ocasião, Lady Gaga usou o vestido para protestar contra a política “não pergunte, não conte” imposta para soldados americanos gays.
A cantora explicou que se as pessoas não lutarem pelo que acham certo, elas terão os mesmos direitos de um pedaço de carne.

Sérgio acha graça ao contar que é o único musico que entrou para o museu sem ter tocado nenhuma nota musical, e uma sugestão para o Guinness Book já está sendo encaminhada!

Nas fotos a seguir, Sérgio aparece mostrando o vestido ainda sem ser restaurado e depois ele já pronto.

Esta primeira foto foi feita no estúdio “JetBlack USA, onde podemos ver a bolsa a tiracolo e a coroa de carne (no banquinho do piano, ao lados dos sapatos), que embora tenham sido também despachados juntos por ele para o museu, não há fotos nem comentários de que estejam também colocados lá com o vestido e os sapatos, que seguem expostos no Museu Rock and Roll of Fame, em Cleveland, Ohio – U.S.A.

Sérgio ao lado do vesstido de carne da Lady Gaga 1

Esta segunda foto mostra Sérgio mostrando o vestido ainda não terminado.

Sérgio com o vestido de carne da Lady Gaga 2

Sérgio se destaca no trabalho de Taxidermista e Artes Plásticas, além de ter o seu estúdio JetBlack USA, e nas horas vagas ainda desenha camisetas com o emblema do famoso conjunto brasileiro dos anos 60, The Jet Black’s, como esta que ele me enviou depois de autografar…

Sérgio autografando as minhas camisetas

Um pouco da trajetória artística de Sérgio Roberto Vigilato

Conhecido como Serginho Canhoto, ele criou o seu primeiro conjunto de Rock chamado “Os Corsários”, que era formado por Sergio Canhoto na Guitarra Solo e Vocal, Osvaldo, conhecido como Dicão, na bateria, Brunno Pasqual no Contra Baixo, Luiz Carlos , Guitarra Base e Vocal, Leonato, Sax Tenor.

“Os Corsários”  na década de 60 durante o Programa “ Ritmos Para A Juventude” , na extinta TV Excelsior- SP Foto do acervo de Sergio Roberto Vigilato

“Os Corsários” na década de 60 durante o Programa “ Ritmos Para A Juventude” , na extinta TV Excelsior- SP
Foto do acervo de Sergio Roberto Vigilato

Sérgio e sua primeira guitarra elétrica com alavanca e caixa acústica confeccionada por ele:

Primeira guitarra elétrica com alavanca e caixa acústica

Primeira guitarra elétrica com alavanca e caixa acústica

No meio do ano de 1964, Sérgio deixou Os Corsários para ir tocar no conjunto The Jet Black’s, onde ficou até fins de 1966.

De pé, da esquerda para a direita: Jose Paulo Matrângulo, Baixo-Eletrico e vocal, Jose Provetti, guitarra solo e vocal, Jurandy Trindade, Baterista e Relcções Públicas, sentado está Serginho "Canhoto" (Sergio Vigilato), guitarra-base e vocal.

De pé, da esquerda para a direita: Jose Paulo Matrângulo, Baixo-Eletrico e vocal, Jose Provetti, guitarra solo e vocal, Jurandy Trindade, Baterista e Relcções Públicas, sentado está Serginho “Canhoto” (Sergio Vigilato), guitarra-base e vocal.

Nos Jet Black’s participou dos LPs lançados entre os anos de 1964 e 1966.

Quando saiu, no final de 1966, ele criou “Os Corsos” com os integrantes do grupo “Os Wandecos” (grupo que acompanhava a cantora Wanderléa).

Foto com os Corsos em novembro de 1966, após sua saída do The Jet Black’s.

Formação: Serginho ”Canhoto” de pé, Líder, guitarra solo e relações publicas, Ronny, guitarra-base e vocal, Luiz Marcelo , Guitarra(segunda) e vocal, Jose Adolfo Stern(Ze) Bateria e vocal e o Carlos Geraldo, baixo-Eletrico e vocal.

Os Corsos -  OS CORSOS (novembro 1966)

Esta outra foto é de 1967, na boate La Vie an Rose, Baixada Santista.

1967 - Os Corsos na boite LA VIE EN ROSE

1967 – Os Corsos na boite LA VIE EN ROSE

Sérgio mudou-se para o Alaska onde morou por algum tempo e depois mudou-se para os Estados Unidos, e lá deixou de ser Serginho Canhoto para tornar-se Sérgio 2000, nome que lhe foi dado pela sua agente em 1969, quando cantou pra ela uma canção de Tom Jobim.

Nesta foto de 1974, Sérgio se apresentando em Burbank,Ca U.S.A.

Burbank,Ca U.S.A. - Sérgio 2000

Burbank,Ca U.S.A. – Sérgio 2000