Geraldo Alves, primeiro Empresário Artístico de Roberto Carlos lança livro de memórias.

Estas duas imagens a seguir são do grupo The Clevers em sua segunda formação…

O ano era 1965 e nessa ocasião Roberto Carlos iniciava à frente do recém lançado programa, o Jovem Guarda da TV Record, e prometia colocar a banda no Jovem Guarda para promover a nova versão dos Clevers, porque os anteriores tinham migrado para “Os Incríveis”, cujo nome era o título dos LPs dos Clevers.

Foi um sufoco, muita confusão na época, mas Antonio Aguillar conta que conseguiu ultrapassar todos os obstáculos e fazer sucesso com a versão da música “No Reply” dos Beatles, título “SEM RESPOSTA”, versão escrita por Norberto de Freitas, um discotecário da Radio Nacional de São Paulo.
Essa banda chegou a tocar no Reino da Juventude da TV Record e fez outros programas de televisão em São Paulo além de ampla divulgação do sucesso “Sem Resposta”.

Em vista de se vestirem como os Beatles e lembrarem os músicos ingleses com suas roupas e cabeleiras, acabaram sendo contratados para tocar no Beco, uma casa promovida pelo famoso Abelardo Figueiredo.

Em 1968 acabou o programa Jovem Guarda e eles também se debandaram, cada um seguindo seu caminho solo, o nome ficou fora da mídia até que Aguillar voltou ao radio em 2005, com o programa Jovens Tardes de Domingo pela Radio Capital, quando formou um novo grupo com a patente The Clevers, chegando a gravar dois CDs e um DVD e continua até hoje tocando em shows e bailes.

Estou contando esta historia por que no próximo dia 9 de abril ocorrerá o lançamento do livro de Geraldo Alves, o primeiro empresário artístico de Roberto Carlos e de muitos outros artistas da Jovem Guarda, e a banda The Clevers em sua formação atual estará presente no Bar Brahma acompanhando a apresentação dos artistas convidados para o lançamento do livro.

Um detalhe: Roberto Carlos autorizou o livro de Geraldo Alves.

Hoje a formação dos Clevers tem Rod Spencer na guitarra solo, Luiz Monteiro na guitarra base e vocalista, Satoru no contra baixo, João Kramer no teclado e Evaldo Correa na batera.

Segue uma entrevista levada ao ar pela Rádio Capital em 26/03/2017, ocasião em que Antonio Aguillar conversou com Geraldo Alves. Ele contou alguns detalhes do início de carreira de Roberto Carlos, convidou para o lançamento de seu livro no dia 09 de abril, às 16h30 no Bar Brahma em São Paulo, e citou alguns cantores lançados por ele como Paulo Sérgio, Altemar Dutra, entre outros.

Ao final temos a oportunidade de ouvir um depoimento do saudoso Sérgio Murilo a Antonio Aguillar, contando por que cantava com as mãos…

Ouçam!

Geraldo Alves foi o primeiro empresário artístico de Roberto Carlos. Ele era açougueiro em Limeira, interior de São Paulo, e também acordeonista. Quando trabalhava com Roberto Carlos no inicio de carreira, Geraldo Alves levava Roberto a fazer shows em circos (era moda na época) e acompanhava o cantor com o seu acordeom ou sanfona, como era chamada na época, enquanto Roberto tocava seu violão.

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De como The Clevers se tornou Os Incríveis e com isso surgiu o conjunto The Flyers!

Já contamos aqui a “Historia das Bandas de Rock criadas por Antonio Aguillar e o caso da banda The Clevers, mas hoje vamos falar sobre o conjunto The Flyers e de como The Clevers se tornaram Os Incríveis. 😉

The Flyers foi um grupo criado por Antônio Aguillar e que só gravou um único disco, o qual fez até sucesso e hoje é uma raridade.
O conjunto era formado por Patinho (guitarra solo), Pulinho (bateria), Lumumba (sax), Tico (guitarra base) e Fafá, como informava a Revista Melodias Nº 89 de Dezembro 1964.

The Flyers 1

Fle Flyers 2

Aqui a capa e contra capa do LP lançado pela RCA Victor, com “The Flyers” (Os Voadores).

contra capa LP The Flyers (1)

contra capa LP The Flyers (2)

Soube que este grupo parou após ter feito sucesso com este único disco, então perguntei qual foi o motivo disso ao Antonio Aguillar, que me contou o seguinte:

“Este foi o único disco dessa banda, criada por mim e lançada em 1964, quando eu tinha o meu programa na TV Record Canal 7 e fazia o “Reino da Juventude” no Teatro Record, Av. da Consolação, 1992, onde um ano depois teve início o programa “Jovem Guarda”, do Roberto Carlos.

Tudo começou quando a meu convite Rita Pavone, que fazia um programa especial no Teatro Record, esteve no meu programa para receber uma guitarra de ouro de fabricação Giannini.

Aguillar e Rita Pavone 1964

Falei com os rapazes da minha banda, os “The Clevers”, para brindá-la tocando “Datemi Un Martello”, seu grande sucesso internacional. A italianinha não se conteve diante do auditório e acabou cantando sem ensaio e sem autorização do seu empresário Ted Reno, e foi um acontecimento inusitado, que redundou num convite para que a banda a acompanhasse em suas apresentações seguintes no Teatro Record e na ida deles à Italia para acompanhá-la numa turnê pelo seu Pais.

Como naquele tempo a televisão ainda não dispunha da tecnologia de hoje e os vídeo-tapes também eram um tanto obsoletos, não se tinha uma segurança para a realização de um programa gravado e deixá-lo assim se houvesse a necessidade de se ausentar. Inseguro e não podendo viajar com a banda, que seria o ideal pois assim cuidaria do esquema com a maior segurança possível, fui obrigado a aceitar a interferência de uma pessoa e isso foi a pior coisa que eu fiz na vida…
No decorrer do tempo lá na Itália, fizeram a cabeça dos componentes da banda The Clevers para que rompessem relações comerciais comigo, pois assim ganhariam mais dinheiro e maior fama. Eles entraram nessa, se esquecendo do investimento e todo o tipo de promoção feita por mim em torno deles.
Simplesmente voltaram ao Brasil e disseram-me: “viemos romper com você”.

Não acreditei, porém era verdade. Chorei durante uma semana, porque tinha eles como uma espécie de filhos. Produzi cerca de 5 LPs com eles, inclusive usando um título sui-generis, ‘OS INCRÍVEIS THE CLEVERS’. E quando disse a eles que The Clevers era uma patente de propriedade de Antonio Aguillar, eles disseram que iriam utilizar o nome “Os Incríveis” e assim ficou.

Mas as semanas, os meses se passaram e a televisão, emissoras de rádio, divulgaram uma miscelânea de coisas, sem entender as verdadeiras razões e quem acabou ficando na pior já viu..fui eu, que agora me tornava pequeno diante dos rapazes que ficaram internacionais.
Eu me lembro que a musica ERA UM GAROTO QUE AMAVA OS BEATLES E OS ROLLING STONES, estava em minhas mãos para fazer a versão. Diante dos acontecimentos, dei o compacto simples importado para eles dizendo que não teria como fazer essa versão. Se fosse maldoso, teria feito para o grupo “The Flyers”, que criei após ter sido abandonado pelos Clevers…

Bem, a história é longa, mas resumindo: The Flyers não foram para frente diante de tantas coisas contra mim e acabaram se desmanchando e cada um foi para o seu canto. Portanto, o LP com The Flyers numa gravadora de grande peso acabou ficando no meio do caminho. Mas era um grupo maravilhoso e tocavam muitoooo…

Enfim, se na ocasião em que eles foram para a Itália, tivessem respeitado o trabalho do próximo, todos poderiam ter ficado ricos.

Mas já é passado, está morto!

(Por Antonio Aguillar, em 15 de fevereiro de 2013)

Antonio aguillar diz Os jovens foram ingratos

Muito se falou na mídia naquela época, e as reportagens nas revistas não pouparam o comunicador da juventude feliz e sadia…

Revista - Aguillar é um explorador

Revista - Festival da canção italiana

Revista - Pai de Manito fala de Aguillar

Revista - Sucessos Continental Os Incríveis

Revista - Tudo é paz entre Os Incríveis e Aguillar

Mas hoje Aguillar tem o devido respeito de todos, inclusive dos que já se foram, como o guitarrista Neno, que aqui fala de sua gratidão:

E também de Manito, o grande saxofonista dos Clevers/Incríveis:

E ainda temos o depoimento do Netinho, que continua fazendo sucesso como baterista, inclusive tendo participado do conjunto “Casa das Máquinas”!

Aguillar e Neno, amigos desde sempre!

Já se vai longe e distante no tempo o dia em que a banda The Clevers se separou de seu criador, o comunicador Antonio Aguillar, influenciados pelo empresário Brancato, que os acompanhou em uma turnê pela Itália, e depois os abandonou por lá, como contou em depoimento o Neno, em uma conversa com Jerry Adriani em 23 de abril de 2006.

Hoje Aguillar recebe sempre a visita de Neno na Rádio Capital, e são amigos…

Aguillar recebe Neno na Rádio Capital

Aguillar recebe Neno na Rádio Capital

De 1962 a 1964, o sucesso do conjunto The Clevers era constante, e nas fotos a seguir, podemos recordar o passado…

The Clevers - Festa Junina

The Clevers – Festa Junina

Brancato assina contrato com Ted Reno (2)

Brancato assina contrato com Ted Reno, empresário de Rita Pavone.

Rita Pavone no Reino da Juventude 1964 com os Clevers

Rita Pavone no programa “Reino da Juventude”, em 1964, com os Clevers

The Clevers e A. Aguillar

The Clevers no programa de Antonio Aguillar

The Clevers e Aguillar 1962

The Clevers e Aguillar – 1962

TV Record Canal 7 Aguillar

Aguillar e seu programa na TV Record, Canal 7

HISTÓRIAS DA JOVEM GUARDA, A ÉPOCA DA JUVENTUDE FELIZ E SADIA!

A História das Bandas de Rock lançadas Por Antônio Aguillar

Tive a grata satisfação de receber um E.mail do ícone do Rádio e da TV, a lenda viva da pré-Jovem Guarda, o comunicador Antonio Aguillar, que me disse: “Lucinha, você está disposta a escrever sobre as bandas que foram ajudadas por mim? Então vamos lá…”

Desta forma, tenho a honra e o prazer de compartilhar aqui, a história das bandas de rock lançadas por Antônio Aguillar, contada por ele mesmo!

Iniciando no tempo das grandes orquestras e conjuntos regionais dos anos 50/60

Em 1957 quando fui para o rádio (Radio Nove de Julho, de propriedade do clero) na Rua Wenceslau Braz, 79, minha função era jornalística – redigir boletins informativos para o colega Joelmir Betting divulgar de hora em hora.
Aos sábados existia um programa de calouros, que era apresentado pelo musico Mauro Silva no palco dessa emissora. Ele tocava clarinete. Devido a algum mal entendido, ele deixou a emissora e o discotecário achou por bem me convidar para dar continuidade a aquele programa que tinha uma boa audiência.
Depois de apresentar uns quatro programas, senti que estava apto a continuar no esquema e esse programa tinha o Atílio e Seu Regional para acompanhar os calouros. Depois de um ano nessa programação, resolvi aceitar o convite do radialista Paulo Rogério para integrar o cast da Organização Victor Costa (1959) que tinha no comando a Rádio Nacional de S.Paulo e a Radio Excelsior, além da TV Paulista Canal 5. Funcionava na Rua das Palmeiras, 315 e 322, com auditório de rádio na Rua Sebastião Pereira (não me lembro o numero, sei que é onde passa o minhocão no Largo do Arouche). Fui ser locutor comercial (naquele tempo não havia os chamados jingles) ao vivo para fazer a propaganda dos anunciantes. Depois de quase um ano nessa atividade, paralelamente fui convidado pelo Diretor Sr. Francisco Abreu para fazer um programa de rádio, na Radio Nacional, denominado Melodias Sandar, onde teria que divulgar musicas com a orquestra de Ray Conniff. Ai conheci alguns rapazes, Aladim, Mingo, Siwal , Tony e Foguinho, que pertenciam a um conjunto denominado banda de rock. Esse ritmo estava fazendo muito sucesso lá fora, principalmente nos Estados Unidos com Elvis Presley, Chuck Barry, The Ventures, e outros. The Jordans, a banda do Aladim, tinha gravado um 78 rpm na Rosemblit com as músicas Budha e Change or Mind, esta com a vocalização feita pelo Mingo. Eles me pediam para tocar o disco no programa e acabei fazendo uma grande amizade com eles. No decorrer do tempo, o Moreira Junior, que fazia diariamente um programa denominado Ritmos para a Juventude, onde divulgava o rock n roll, acabou pedindo demissão e deixou a Radio Nacional de S.Paulo para ir trabalhar nas Paginas Amarelas para ganhar mais dinheiro, vendendo anuncio. O Diretor Francisco Abreu então me convocou para fazer o programa e eu já tinha alguns subsídios para isso, porque tinha, através dos Jordans, entrado em contato com alguns cantores de rock e baladas. Como a Radio Nacional tinha um grande auditório, onde trabalhavam o Manoel de Nobrega e o Nelson de Oliveira, eu resolvi falar com a direção se poderia fazer um programa semanal com o mesmo nome do programa Ritmos para a Juventude. Aceito, comecei a apresentar sábado ao vivo no auditório esse programa que rapidamente entrou na preferencia popular. Como ainda não existia um conjunto para acompanhar os cantores que se apresentavam no programa ao vivo, recorri ao Atilio e Seu Regional que fazia a primeira parte e aos Jordans, que faziam a 2ª parte do programa, que tinha inicio às 15h e terminava às 17h.

O auditório ficava lotado de jovens e senhores e senhoras também. Era uma loucura… No decorrer do tempo já tínhamos ali outros grupos musicais, como Jerry Jeferson e seus Night and Days, Os vampiros (The Vampires), que mais tarde ficou The Jet Black`s. O sucesso era tanto que a TV Paulista resolveu lançá-lo na televisão da Rua das Palmeiras 322. Era uma terça feira à noite a estreia do programa. Estavam lá Tony Campello, Ronnie Cord, George Freedman, Hamilton Di Giorgio, Prini Lorez, Nilton Cesar, Carlos Gonzaga, Moacyr Franco, Demétrius, Alcely Camargo e os grupos musicais The Jordans e The Jet Black`s. O ensaio foi no 4º. Andar onde estava a minha sala de trabalho. Na hora do programa, todos pegaram o elevador que transportava cenário (não suportava carga muito pesada, porque cenários eram cargas leves) e o mesmo despencou desde o 4º andar até as molas, no térreo. Foi um alvoroço. Todos foram parar no pronto socorro, mas nada grave. George Freedman ainda se lembra de ter dito aos colegas que soltassem o corpo, deixassem o corpo mole para amortecer a queda, e foi ele o que menos se feriu. O programa estreou com todos muito tensos e nervosos, mas assim mesmo receberam os aplausos da plateia (auditório lotado) e tivemos mais audições na semana, com a promessa de continuarmos por muito tempo. Mas nesse meio tempo, a produção da TV Excelsior canal 9, que tinha maior repercussão em termos de audiência e grande alcance em suas imagens, convidou-me para apresentar no show do meio dia, que era um programa diário com auditório sempre lotado pelas pessoas que na hora do almoço, aproveitavam para fazer hora e iam assistir aos programas atraentes do Show do Meio Dia. Ao estrearmos, numa 3ª. feira, com a tamanha divulgação, a fila para entrar era enorme e não cabia todo mundo no auditório do Teatro Cultura Artística, utilizado pela TV Excelsior na Rua Nestor Pestana, 196 – Centro de São Paulo. Formou um tumulto em frente a TV Excelsior, que acabaram quebrando o vidro das portas frontais, só voltando ao normal com a presença da Radio Patrulha no local.

Em vista de tudo o que aconteceu, fui convidado para fazer o meu programa aos domingos, das 18h às 19h, naquele mesmo auditório e assim, com a distribuição de convites só entrariam os de posses desses convites. Quem fosse assistir ao Festival da Juventude teria que levar 5 tampinhas do produto Cerejinha, que era o patrocinador do programa. O que choveu de tampinha na TV Excelsior, foi uma coisa fora do comum. O programa fez muito sucesso com a presença agora do Roberto Carlos também, que tinha vindo do Rio de Janeiro para conseguir o estrelato em São Paulo, considerada a cidade celeiro dos artistas. Quem tivesse talento e quisesse fazer sucesso, teria que morar em São Paulo e se apresentar nos programas do Antonio Aguillar, tanto de radio como de televisão. Nessa TV lancei o conjunto musical The Clevers, que gravou em agosto de 1963 um 78 rpm, com as musicas África e Relicário, alcançando as paradas de sucessos com a musica El Relicário. Em novembro desse mesmo ano eles gravaram um compacto simples com as musicas El Novilhero e Maria Cristina, mas em outubro já estavam preparando o LP “Encontro com The Clevers” e o El Relicário era o carro chefe do disco.

Foto do disco pertencente a Oscar Fornari

Foto do disco pertencente a Oscar Fornari

Em Janeiro de 1964 gravaram Jailouse e Veneno num compacto simples, mas em Fevereiro desse mesmo ano de 1964 a gravadora extraiu do LP um compacto duplo com as musicas mais cotadas, que eram El Relicário, África, Maria Cristina e Candy Dance; ainda em 1964 foi lançado o LP “OS INCRIVEIS THE CLEVERS” e em 1965, o LP “DANÇANDO COM THE CLEVERS” e o LP “INCRIVEIS VOL. 3”. Em 1967, já na RCA e com o nome Os Incríveis, lançaram o compacto com a música “ERA UM GAROTO QUE COMO EU AMAVA OS BEATLES E OS ROLLING STONES”.

Na TV Record existia no mesmo horário do Festival da Juventude, o programa Ginkana Kibon, que era de grande audiência. Na época consegui derrubar a audiência desse programa, que era apresentado pela Clarice Amaral e Vicente Leporace, com produção de Durval de Souza.
Foi então que o dono da TV Record, Paulinho Machado de Carvalho, foi até a mim e convidou-me para estrear um programa no Teatro Record, palco de grandes atrações, pois alí já havia desfilado Paul Anka, Neil Sedaka, Brenda Lee e muitos artistas internacionais. Aceitei o convite e fui com todos os meus artistas para o Teatro Record e lancei o Reino da Juventude. Não deu outra: consegui grande audiência e o programa da TV Excelsior ficou nas mãos de Ademar Dutra, que perdeu alguns pontos no IBOPE, fazendo com que o Ginkana Kibon voltasse a liderar a audiência.

No Teatro Record, participavam do Reino da Juventude: Demétrius, Ronnie Cord, Roberto Carlos, Wanderléa, Erasmo Carlos, Marcos Roberto, The Jet Black`s, The Jordans, Giani, Joelma. Uma vez que os Jet Black`s e Jordans tinham muitos compromissos de shows e trabalhavam na Boate Lancaster, não podiam se dedicar ao programa Reino da Juventude, então fui obrigado a pensar num novo grupo musical. Nesse meio tempo, sabedores disso, Neno, Mingo e Manito foram até a Radio Nacional e me disseram que estavam deixando o The Jordans e que gostariam de integrar o novo grupo a ser formado pelo “disc-jockey da juventude feliz e sadia”. Eu tinha em minha mesa um dicionário inglês / português e folheando aquele exemplar, achei um nome sugestivo para o novo grupo: CLEVERS.

Submeti o nome aos rapazes para aprovação, e eles acharam interessante porque em português queria dizer hábeis, astutos. Uma vez escolhido o nome (era moda naquele tempo colocar nome americano em grupos musicais, por influencia dos Ventures e outros) e eu teria que registrar a patente. Consultei os rapazes sobre isso e eles foram unanimes em dizer que seria interessante que a sigla fosse registrada em meu nome, Antonio Aguillar, para segurança do grupo. Aquele que criasse um caso e saísse do grupo perderia todo e qualquer direito. Assim foi feito e eu procurei uma empresa especializada e registrei a marca THE CLEVERS, conforme combinado. Depois o Neno indicou o Luizinho de Itariri para integrar o grupo e este veio ensaiar na minha sala no 4º andar da Organização Victor Costa, com uma bateria novinha. Perguntei a ele como havia conseguido aquele instrumento musical zerinho. Ele me disse que fora um presente do avô para incentivá-lo para a musica. Na verdade, Luiz Franco Thomaz não sabia tocar direito e o Manito acabou dando umas aulas a ele e assim ele foi se familiarizando mais com o instrumento. Como percebi a grande vontade dele em tocar, acabei batizando-o de “NETINHO”, em homenagem a seu avô, que lhe presenteara com a bateria. A principio ele não gostou, mas eu disse que era uma homenagem ao seu avô, que queria vê-lo um grande musico. Até hoje ele usa esse pseudônimo. Ficou famoso assim.

Netinho e Antonio Aguillar

Netinho e Antonio Aguillar

Netinho recorda com Aguillar o início de tudo

O Guitarrista solo que foi integrado à banda era o Waldemar Mozena e como esse rapaz vinha de uma orquestra de Valparaiso e sempre estava sorrindo, para conseguir um apelido pra ele, chamei-o então de “RISONHO” e ficou assim até hoje. Os demais já tinham apelidos, Manito era o Antonio Rosas Sanches, o Neno era o Demerval Teixeira e o Mingo, Domingos Orlando.

Os ensaios do conjunto eram feitos na minha sala do 4º andar da Rua das Palmeiras, 322 e depois de um tempo, o Diogo Mulero, o Palmeira Diretor Artístico da Continental, mandou o Francisco Petrônio, que era o homem de sua confiança, para ver o ensaio do novo grupo musical. Depois de uma semana, THE CLEVERS foi convidado a assinar contrato com a gravadora Continental. Para esse ato, foi marcado no programa de TV do comunicador Enzo de Almeida Passos, que era na TV Tupi Canal 4, e por influencia do Manito, que era espanhol, The Clevers gravou um 78 rpm com a canção El Relicário, com arranjos do musico e maestro Poly.

Enzo de Almeida Passos foi o primeiro a tocar a música em seu programa “Telefone Pedindo Bis”, na Radio Bandeirantes, e eu no programa “Ritmos para a Juventude”, na Radio Nacional de S.Paulo. Dentro de poucos meses El Relicário era sucesso em todo o Brasil e a banda passou a gravar seu primeiro LP com o título Twist – Dai veio o 2º LP com o titulo “OS INCRIVEIS THE CLEVERS” e assim por diante.

Em 1964, Rita Pavone, contratada pela TV Record, veio ao Brasil fazer algumas apresentações artísticas no Teatro Record. Como eu tinha o programa Reino da Juventude nesse mesmo Teatro, tentei colocar a cantora em contato com meu conjunto musical, e para tanto achei por bem oferecer uma guitarra fabricada especialmente para ela, pela Giannini. Era uma guitarra dourada muito linda. Falei com Teddy Reno, empresário de Rita, sobre o presente mas ela teria que ir ao Reino da Juventude para recebê-lo. Ela gostou e ele aceitou só que impôs uma condição. Ela vai receber mas não pode cantar. E assim foi aceito. Porém, avisei o conjunto The Clevers para tocar “Datemi Un Martello” assim que ela pisasse no palco. E não deu outra, ela esqueceu que não poderia cantar, tamanho foi o seu entusiasmo pela banda, que acabou cantando e assim lavrei um tento, entregando a seguir a guitarra para a maior ídolo internacional daquela época.

Depois disso Rita Pavone me pediu o grupo para acompanhá-la com o seu pianista durante sua temporada no Teatro Record e assim foi feito; depois combinamos que a banda viajaria com ela numa turnê na Itália. Ela e o empresário Teddy Reno, que era o seu namorado na época, aceitaram a proposta e no momento de combinarmos o cache, disse-lhes que aceitaria levá-los para a Itália apenas pelas despesas, sem cache, desde que a Rita aceitasse uma jogada de marketing. Dizer que estava apaixonada pelo Netinho, baterista dos The Clevers, pois esse era o estopim para a grande vitória da banda. Depois dos detalhes combinados, a imprensa divulgou o fictício romance entre os dois e isso ajudou muito o grande sucesso internacional dos Clevers. Quando eles foram para a Itália, eu estava impedido de viajar porque tinha compromissos com a televisão em São Paulo. Como fui procurado pelo Brancato Jr. que desejava viajar com a banda e cuidar de tudo lá fora, acertei com esse empresário mas tive que criar uma nova banda aqui no Brasil, para ficar no lugar deles, enquanto viajavam. Eles concordaram que se lançasse a banda “The Flyers” e até tiraram fotos juntos no palco do Teatro Record , antes de viajarem.

Na época eu tinha acesso a todas as gravadoras, então fechei um contrato com a RCA Victor e eles, os Flyers, gravaram nessa gravadora um único LP, por que meses depois o grupo se desfazia em virtude de alguns problemas surgidos durante uma viagem que fizeram ao Uruguai. No LP intitulado “The Flyers”, eles gravaram Happy Birthday To You – Le Ciliege ( Dance with the ) Guitar Man – Werewolf – Canção do Amor Perdido – La Spagnola – Sul Cucuzzolo – Honky Tonk Song – Love Goodess of Venus – Twist and Shout – Il Surf Delle Mattoelle – Flyers Surf.

O conjunto era composto por Patinho, nas guitarras solo, Fafá, no contra baixo, Pulinho baterista, Pick Riverte, o “Lumumba”, saxofonista e Tico, guitarra base e vocalista. Esses quatro últimos já são falecidos. O Patinho sumiu, ninguém sabe de seu paradeiro.

Depois de certo tempo, colocaram empecilho na formação dos Flyers, com o argumento de que eu estaria promovendo uma nova banda e deixando The Clevers de lado. Esse foi um dos argumentos criados junto com o Brancato Jr. como desculpa para o rompimento dos negócios comigo, pois achavam que eu ganhava dinheiro sem fazer nenhum esforço e ainda tinha uma banda no Brasil dando dinheiro…
Era uma noite já tarde quando Mingo, Neno e Netinho foram até a minha residência e disseram: “VIEMOS ROMPER NEGÓCIOS COM VOCÊ…” O mundo caiu pra mim, que os tinha como filhos. No momento que iria desfrutar de todo aquele trabalho em favor da banda, que se tornara internacional, acabei ficando na mão. Naquele tempo não havia um contrato de trabalho entre as partes, pois tudo era feito de forma amadora, e eu não tinha como agir dentro da lei, a não ser reter a marca THE CLEVERS, que era registrada em meu nome pessoal, com a concordância de todos, como uma patente.

A mudança de nome da banda, de The Clevers para Os Incríveis, se deu na Itália em 1965.

Este foi o relato que Antonio Aguillar fez a mim, quando lhe perguntei sobre o motivo pelo qual ele não continuou com os programas de TV, tendo voltado ao jornalismo, como repórter do Jornal O Estado de São Paulo.
Não foi justo o que fizeram com Antonio Aguillar, porém hoje os tempos são outros, e os próprios meninos dos Clevers, hoje músicos de renome, reconheceram isso ainda em vida, como neste depoimento feito pelo Manito.

O músico Manito

O músico Manito

No post sobre a banda The Flyers, aqui, há outros depoimentos dos integrantes dos Clevers.

Show da Banda “The Clevers” e exposição fotográfica no “Mercadão” de São Paulo

No dia 24 de janeiro, às 21h, acontecerá no Mercado Municipal de São Paulo, o Mercadão, um show com a Banda The Clevers, ocasião em que o famoso entreposto estará comemorando 80 anos de existência!
O Mercado Municipal de São Paulo, foi inaugurado em 1933 e hoje é um importante entreposto comercial de atacado e varejo, especializado na comercialização de frutas, verduras, cereais, carnes, temperos e outros produtos alimentícios. O Mercado localiza-se no centro antigo da cidade de São Paulo.
Mercado Municipal de SPA partir do Show dos Clevers, acontecerá uma exposição fotográfica sobre a cidade de São Paulo nos anos 50, serão mais de 80 fotos com os flagrantes mais importantes da época, muitos deles confrontando com algumas imagens de hoje.

"The Clevers" e Antonio Aguillar

“The Clevers” e Antonio Aguillar

Antonio Aguillar e o recente CD dos Clevers em sua nova formação.

Antonio Aguillar e o recente CD dos Clevers em sua nova formação.

Para que tenhamos uma idéia do que será esta exposição, estou colocando abaixo algumas das fotos, todas do acervo de Antonio Aguillar, que estarão expostas na ocasião.

4o.Centenario da cidade
4o.Centenario da cidade – O predio da Light e o Viaduto do Chá

Vista Fac.Igreja 51

Vista da fachada da Igreja

21

Av São João 1954

Avenida São João em 1954

Azerutand parabeniza S.Paulo 17

Azerutand parabeniza São Paulo

Casa do Senador Queiroz onde funcionou a Radio Amémrica  Amée

Casa do Senador Queiroz onde funcionou a Rádio América

Palacete Sta Helena

Palacete Santa Helena

Praça João Mendes 53

Praça João Mendes

Predio do antigo Hotel Paulista

Prédio do Antigo Hotel Paulista

São Paulo predios

Trenzinho copy

A linha e o trem

Um banner ficará lá exposto no tamanho de 1/12 por 60cm.

Banner Mercadão

O convite do Aguillar!