O LP “Jovem Guarda” e a banda The Youngsters

A música “Quero que vá tudo pro inferno”, assim como todo o disco “Jovem Guarda” , de Roberto Carlos, foi gravado pela banda The Youngsters.

Na contra capa do LP tem 04 fotos do conjunto The Youngsters com Roberto Carlos no estúdio da CBS.

LP JG 1

LP JG 2

LP JG 3

LP JG 4

LP JG 5

O conjunto “The Youngsters” também gravou todo o disco “É Proibido Fumar” e “Roberto Carlos Canta para a Juventude”, e todos os arranjos eram feitos pela banda de Luiz Carlos Siqueira, que quatro anos antes da Jovem Guarda se chamada “The Angels”.

The Youngsters – Dejala Dejala (1963) The Angels

Luiz Carlos diz que compor e cantar, todos faziam naquela época, mas a grande novidade era a maneira de tocar e tirar o som dos novos instrumentos, das guitarras, baixos, teclados, e foi este som dos novos instrumentos que fez a cabeça de todos, e continua fazendo até hoje.

Eles gravaram também com Wanderléa seu principal sucesso, “Ternura”, e mais seis músicas do mesmo disco chamado “É Tempo de Amor”, que são:

Um Quilo de Doce
Um Beijinho Só
Três Rapazes
Ternura
É pena
Vivendo sem ninguém
Boneca de Cera
Boneca de Pano

(Informações de Luiz Carlos Siqueira, THE ANGELS/THE YOUNGSTERS)

Depoimento de Luiz Carlos Siqueira sobre as gravações:

Luiz Carlos Siqueira escreveu: LAFAIETE FOI O TECLADISTA DA MAIORIA DAS MÚSICAS DAQUELE PERÍODO E NÃO ESTÁ NA FOTO DA CONTRA CAPA DO ‘JOVEM GUARDA’, APESAR DE TER TOCADO ALGUMAS FAIXAS. O NOME THE YOUNGSTERS TAMBÉM NÃO APARECE NESSE DISCO, NO ‘É PROIBIDO FUMAR’ E ‘ROBERTO CANTA PARA JUVENTUDE, NEM DO LAFAIETE. AS 4 FOTOS DA CONTRA CAPA É DOS COMPONENTES DO THE YOUNGSTERS. NO DISCO ‘É TEMPO DO AMOR’ DE WANDERLÉA AS 7 MÚSICAS QUE O THE YOUNGSTERS GRAVOU APARECE NOSSO NOME, E TODAS FORAM SUCESSO. RENATO E SEUS BLUE CAPS GRAVOU AS OUTRAS 5. GRAVAMOS TAMBÉM AS MÚSICAS ‘ERVA VENENOSA’….’AI DE MIM’…’VOLTE PARA MIM’…. ‘DANÇANDO O SURFIN’…’MICHAEL’, COM OS GOLDEN BOYS. A FORMAÇÃO COM OS COMPONENTES QUE FIZERAM O ACOMPANHAMENTO NO LP JOVEM GUARDA FORAM: Carlos Becker (vocal e guitarra base), Carlos Roberto (guitarra solo), Sérgio Becker (sax tenor e barítono), Jonas (baixo) e Romir (bateria).E FORMAVAM A BANDA THE YOUNGSTERS QUE TAMBÉM TEVE COMO PARTICIPANTE O IVAN CONTI (MAMÃO), ATUAL BATERISTA DO “AZYMUTH” E DO GUITARRISTA AMERICANO STANLEY JORDAN HÁ 16 ANOS.

É SEMPRE BOM LEMBRAR QUE O ROCK ERA A GRANDE NOVIDADE MUNDIAL COM SEUS NOVOS INSTRUMENTOS. JÁ ESTÁVAMOS EM CENA COMO PIONEIROS DO ROCK BRASILEIRO E DA SURF MUSIC 4 ANOS ANTES DA JOVEM GUARDA. OS ARRANJOS ERAM TODOS NOSSOS, NAQUELA ÉPOCA NINGUÉM SABIA FAZER ROCK, SÓ AS POUCAS BANDAS QUE EXISTIAM. NÓS JÁ TÍNHAMOS UMA BANDA COM SUCESSO E ALGUNS DISCOS PELA ‘COPACABANA DISCOS’ (THE ANGELS). GOSTO DE ACENTUAR SOBRE OS ARRANJOS PORQUE NINGUÉM FALA SOBRE ISSO. O ARRANJO É FUNDAMENTAL PARA O SUCESSO DE QUALQUER MÚSICA E ESTILO. NENHUM CANTOR OU CANTORA OU MAESTRO DAQUELA ÉPOCA TINHA CONHECIMENTO PARA FAZER ARRANJOS DE ROCK, QUE ERA A MAIS NOVA MÚSICA DO MUNDO. SÓ MESMO OS ROQUEIROS TINHAM ESSA POSSIBILIDADE. NÃO EXISTIA ESCOLA DE ROCK, NÃO EXISTIA PROFESSOR DE GUITARRA, BAIXO ELÉTRICO, TECLADO ETC…
TEM UM ARRANJO MEU NA NOVELA ‘PIGMALEÃO 70’ DA REDE GLOBO, PARA O
PERSONAGEM ‘KIKO’ VIVIDO PELO ATOR E DIRETOR MARCOS PAULO, QUE FALECEU O ANO PASSADO, COM MÚSICA DE ROBERTO E ERASMO QUE A IMPRENSA ATRIBUIU AO ROBERTO E AO ERASMO, SENDO QUE ELES NEM FORAM AO STUDIO E FIZ O ARRANJO ATRAVÉS DE UMA FITA K7 QUE O NELSON MOTA NOS ENVIOU.
ABRAÇÃO A TODOS….PAZ – LUIZ CARLOS – THE ANGELS/THE YOUNGSTERS

Em 19 de julho de 2014

Formação do conjunto The Youngsters

The Youngsters

The Youngsters com The  Herman`s Hermit`s

The Youngsters com The Herman`s Hermit`s

Sérgio Becker também falou sobre este disco:

Sergio Becker escreveu: “Nesta época o conjunto que acompanhava o Roberto Carlos nas gravações era o THE ANGELS com a seguinte formação: Carlos Becker guitarra base, Sergio Becker sax, Carlos Roberto dos Santos Barreto (GB) guitarra solo, Jonas Caetano Damasceno baixo e Romir Pereira de Andrade bateria. Por sugestão de meu irmão Carlos, como tinhamos acesso a discos importados, estavamos começando a ouvir grupos que tinham em sua formação organistas, naquela época não havia teclados, ainda. Tais grupos THE ANIMALS e DAVID CLARK FIVE serviram de inspiração para que o Carlos sugerisse um organista para os discos do Roberto Carlos e o indicado pela CBS foi o Lafayete.”

Depoimento de Romir Pereira de Andrade:

“O Sergio (Becker) está em Arraial da Ajuda tocando nos “points” locais. O Jonas em Campos tocando blues e dando aulas de música. Paim, Luiz e Eu, só de vez em quando tocamos com amigos para não “enferrujar”. Como ainda trabalho como Arquiteto em consultorias, fico mais em composições e agora escrevendo o livro “Memórias de Um Baterista Canhoto” contando a historia dos músicos e origem da banda, e o “making of” das gravações com instrumentos precários, em gravador MONO sem fones de retorno e sem trilha guia..Criação e adaptação de instrumentos, truques de gravações e improvisos que ninguém ou poucos podiam imaginar. Na época não percebemos que estávamos fazendo algo importante – era uma curtição tocar! Pode servir de informação para os músicos que contam hoje com tantos recursos.. Hoje temos recursos de computador e programas que permitem gravar um CD em casa! No nosso tempo não havia fones nem caixas de retorno. Gravávamos todos juntos o acompanhamento – sem o cantor – e tínhamos que acertar ou voltar e começar tudo de novo. Mesmo assim, gravamos o LP “É Proibido Fumar” em apenas três seções. o LP “Jovem Guarda” em apenas dois dias -10 faixas num dia e as outras duas no dia seguinte – com arranjos nossos e sugestões do Roberto Carlos (veja nossa foto na contracapa com o RC).. Criamos instrumentos e improvisamos muito para suprir as dificuldades dos instrumentos disponíveis na época e gravando em “MONO” – um só canal de gravação! São esses detalhes e “manhas” de gravação que conto no livro. A História da Jovem Guarda já foi contada … O que estou fazendo é a história dos “The Angels” / “The Youngsters” desde a origem e falando sobre o “making of” das gravações no tempo da Jovem Guarda. Nós tivemos uma formação de banda de baile que tocava todos os estilos e ritmos o que facilitou nosso trabalho na “Jovem Guarda”. .
O GB (Carlos Roberto) era nosso guitarrista solo no “The Angels” que começou a aprender musica na “Escola da Rua” sentado comigo no meio fio, com um violão e eu com um tamborete de peteca de praia na percussão – uma dupla dinâmica! kkk. Era um roqueiro radical. Tinha um talento enorme e quando já estávamos gravando na Copacabana os 3 LPs sob o nome “The Angels”, ele fez solos maravilhosos e sem recursos que temos hoje, reproduziu o som de uma guitarra havaiana com um vidro vazio de remédio fazendo “slides” nas cordas da guitarra. Se você ouvir “Hawian Eye” vai se sentir no Havai. No 3º LP “Happy Week End”, tocamos só temas de “SURF”. Nesse LP ele e o Joninhas compuseram uma musica “Makaha Beach” que é puro clima de SURF e Havai e que, sinto, até hoje seria curtida pelos surfistas! Infelizmente a vida o retirou do nosso convívio, que éramos uma família musical, largou banda, trilhou caminhos longe de nós, e partiu para o “espaço” com 35 anos! Foi uma perda sentida principalmente para a alma de um músico!
O Luiz Carlos Siqueira entrou para o “The Angels” no lugar do Carlinhos Becker que era líder da banda e guitarra base e chegou a tocar com o GB, que está vivo em nossa memória e nas gravações! Toquei com o Luiz até 1966 quando saí e o Mamão me substituiu na bateria. Estou contando toda a historia no livro que estou terminando sobre o “making of” da gravações desde o tempo do The Angels, passando para Youngsters na trilha da Jovem Guarda: Parei na Contramão e as 38 músicas seguintes com o Roberto, com os Golden Boys (Erva Venenosa, Ai de Mim…), Wanderleia (Ternura …), Jerry Adriani (Italianissimo), Serguei, etc.”

“Tocamos algumas vezes em São Paulo, inclusive no programa Jovem Guarda e no do Ronnie Von. Gravamos músicas dos Beatles, inclusive dois sucessos que saíram nas 14 Mais, que foram Gente Demais (Ticket to Ride) e Vem (Help!), versão de Leno, da dupla Leno e Lílian. Leno me contou em Natal/RN em 2004, onde me encontrei com ele pela última vez, que ele escutou pela primeira vez a canção Do You Want to Know a Scret, dos Beatles, com o The Youngsters, no disco Os Fabulosos Youngsters, de 1964. Os discos de fora demoravam a chegar ao Brasil, mas tínhamos amigos que nos traziam ou enviavam logo que saiam… PAZ – LUZ… Luiz Carlos Siqueira – THE ANGELS/THE YOUNGSTERS”.

Foto do conjunto The Youngsters na Revista Sétimo Céu – Foto no Canecão, casa que inauguramos em 1967.

Foto do acervo de Luiz Carlos Siqueira

Foto do acervo de Luiz Carlos Siqueira

Foto do acervo do baterista Romir, durante a gravação do LP de Celia Vilela  no estudio da RCA para MUSIDISC - anos 60

Foto do acervo do baterista Romir, durante a gravação do LP de Celia Vilela no estudio da RCA para MUSIDISC – anos 60

10 respostas em “O LP “Jovem Guarda” e a banda The Youngsters

  1. Na primeira gravaçao, o órgão elétrico quem tocou foi Lafayete. Assim ele falou em uma participaçao no programa do Domingão do Faustão.

    • Confirmado Hamilton!
      Inclusive soube pelo Miguel que ele não está na foto, por que não compareceu no dia em que elas foram tiradas.
      O Miguel escreveu: ” Lafayete só não saiu na contra capa do Jovem Guarda por culpa dele mesmo; no dia deste ensaio da capa ele mesmo me informou que faltou ao ensaio”.

      • Valeu! Parabéns por essa fonte sobre a história da Jovem Guarda no Brasil.

        Em outros Estados, esse movimento se fez presente, a exemplo do Recife, cujo representante maior foi o nosso saudoso Reginaldo Rossi, que foi o único artista, fora do eixo Rio-São Paulo, que se apresentou no programa comandado pelo Rei.

        Será muito legal se voce fizer um levantamento sobre por onde aconteceu a Jovem Guarda, fora do eixo Rio-São Paulo.

        Um grande abraço.

  2. querida lucinha…. vejo sempre suas publicações e gosto muito…acho td mt bonito e ingenua como assim parecia ser a jovem guarda…mas sabemos que era um movimento bonito, importante e muito forte…acompanhei e até participei de muitas caravanas da rádio globo e outras até d o clube do bolinha(jair) mas volto a te informar que, ao conhecer D HELENA em 91, me interessei mt pela sua biografia(ou musicografia) e até parei a minha própria carreira…contei essa história no resumo de meu programa no canal 6 RJ NAUM E OS ENSAIOS num resumo 4 partes…naum cantor ecologico… tamos aí….

  3. Pingback: “Memórias de um Baterista Canhoto”, livro a ser lançado por Romir Pereira de Andrade em março! | WE LOVE THE BEATLES FOREVER

  4. Gostaria, data vênia, de acrescentar algo aos preciosos comentários de época sobre The Youngsters/The Angels feitos pelos próprios agentes da História. O talentoso baterista Romir em seu importante comentário, citou que The Youngsters/The Angels teria acompanhado Jerry Adriani em seu LP “Italianíssimo”. Talvez seja necessária um reflexão sobre esse ponto. Jerry Adriani gravou seus dois primeiros LP’s, em Italiano (“Italianíssimo” e “Credi a Me”), em 1964. Sendo que o segundo só foi lançado no início de 1965. O 1º. LP (“Italianíssimo”), citado pelo excelente músico Romir, entretanto, é acompanhado só e claramente por uma orquestra (com o maestro Alexandre Gnatalli), sem a presença de um conjunto musical “jovem”. Já no 2º. LP (“Credi a Me”) (informando na capa o acompanhamento do mesmo maestro do disco anterior), já se percebe, contudo e de forma evidente, a presença de um conjunto “jovem” em algumas faixas, tal e qual acontece com o LP “Splish Splash” de Roberto Carlos que, embora informe o acompanhamento de Astor & sua Orquestra, em algumas faixas, também se evidencia a presença de conjuntos “jovens” (Renato & seus Blue Caps em uma faixa e The Angels/The Youngsters em outras). Romi não estaria se referindo ao segundo LP (“Credi a Me”) e não ao primeiro LP (“Italianíssimo”), quando informa ter acompanhado Jerry Adriani neste último? Seria importantíssima essa confirmação histórica para a posteridade. Muito grato.

      • Lúcia, o primeiro LP do Jerry Adriani de fato foi o “Italianíssimo” gravado na CBS com acompanhamento instrumental do The Angels. Eu sou testemunha do fato porque estava presente em uma noite de gravação e inclusive conversei com o Jerry, que estava resfriado e cheirando Vic Vaporub e eu perguntei-lhe se seu nome era aquele mesmo e ele respondeu que seu nome era Jair Alves de Souza e, por ser descendente de italianos, adotou aquele nome artístico e porque gostava de cantar em italiano..

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