FESTA DOS 30 ANOS DA JOVEM GUARDA NO VALE DO ANHANGABAÚ EM 1995

A Jovem Guarda completou 30 anos em 22 de agosto de 1995, e no dia 27 de agosto do mesmo ano aconteceu um evento no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, onde artistas que participaram do movimento se apresentaram.

Soube por Valdimir D’Angelo que o músico Nenê (Lívio Benvenutti Jr.), ex The Rebels e também ex-baixista da banda Os Incríveis, foi um dos organizadores.

Nesta filmagem a seguir, a qual recebi de Antonio Aguillar, e que provavelmente tenha sido efetuada por Luiz Marcos Alves, podemos recordar este evento que contou com a participação da maioria dos artistas do chamado MOVIMENTO DA JOVEM GUARDA. Do programa propriamente dito, do trio de apresentadores, apenas a Ternurinha Wanderléa esteve presente.

Além das ausências de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, notei também a do cantor Demétrius, da banda Os Incríveis, de Jorge Ben, do Trio Esperança e de Reynaldo Rayol.

A Festa foi comandada por Antonio Aguillar, o Timoneiro da Juventude Feliz e Sadia, e pelo Disc Jockey e repórter Luiz Aguiar, famoso nos anos 60 por comandar um programa pela Rádio Bandeirantes, intitulado “Os Brotos Comandam”, e na Tupi, o Programa “Luiz Aguiar”.

Luiz Aguiar, como repórter da Rádio Bandeirantes, aparece com Garrincha, Pelé e o Repórter da Record Tom Barbosa..

A FESTA DOS 30 ANOS EM VÍDEOS

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

MEUS DESTAQUES

RENATO E SEUS BLUE CAPS

GEORGE FREEDMAN

BOBBY DE CARLO

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Foto creditada a Luiz Luis Avelima.
“Nesse dia, quase morri.., pressão foi a 23 x 18! (George Freedman)

“Em São Paulo foi onde surgiu o sucesso de Renato e Seus Blue Caps, a música que acabamos de tocar aqui (Menina Linda). Ficou em primeiro lugar aqui em São Paulo aí então a CBS passou a acreditar no disco, e o disco virou sucesso nacional. Então, muito obrigado a São Paulo, muito obrigado aos Paulistas.” (Renato Barros em 27 de agosto de 1995)

ANTONIO AGUILLAR relatando um pouco da sua historia.

(Texto: Antonio Aguillar)

Em 1959, Abelardo “Chacrinha” Barbosa apresentava um programa de música da velha guarda, de segunda a sexta-feira, às 18h pela Rádio Nacional de São Paulo, localizada na Rua Sebastião Pereira, 218.

Em 1959, Antonio Aguillar apresentava um programa de música jovem chamado “Ritmos para a Juventude”, de segunda a sexta-feira, às 17h, pela Rádio Nacional de São Paulo, localizada na Rua Sebastião Pereira, 218.

Os dois radialistas eram muito amigos e sempre estavam juntos, trocando ideias sobre música e sobre os cantores.
Antonio Aguillar foi inúmeras vezes ao Rio de Janeiro para participar dos programas de rádio e televisão do Chacrinha, onde o disc-jóquei da juventude levava sempre os artistas que lançava em disco em São Paulo.

Chacrinha sempre falava a Antonio Aguillar sobre Roberto Carlos, um cantor que cantava samba canção e bossa-nova com a voz pausada e baixa, bem ao estilo de João Gilberto; ele se apresentava na boate Plaza em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Em 1959 Roberto Carlos lançou o seu primeiro disco em 78rpm pela Polydor, com as músicas JOÃO E MARIA / FORA DO TOM, de autoria de Carlos Imperial e Roberto Carlos.

Em 1960 Antonio Aguillar foi ao Lord Palace Hotel , na Rua das Palmeiras, onde o Chacrinha se hospedava semanalmente para fazer os seus programas de rádio e televisão em São Paulo e no hall do hotel o velho guerreiro chamou um garoto tímido com um ar tristonho e o apresentou ao disc-jockei Antonio Aguillar, com a seguinte frase:
_ Este é o cantor Roberto Carlos, que mora no Rio e vem morar em São Paulo. Ele gravou MALENA em um 78rpm e eu gostaria, Aguillar, que você divulgasse esse moço, que tem muito valor e futuramente será um grande sucesso. Ajude-o por mim em seus programas, que você não vai se arrepender.

Antonio Aguillar, que fazia os seus programas de rádio e televisão com muita audiência em todo o Brasil, prometeu ao Chacrinha, que era seu amigo, fazer aquilo que podia para dar uma força na carreira do rapaz que acabara de ser apresentado.

Como Roberto Carlos ficou hospedado naquele hotel, Aguillar foi no dia seguinte conversar com ele para combinar como seriam feitas suas apresentações na televisão e também a divulgação do seu disco no rádio.
A musica “Malena” não inspirava muito ao Aguillar mas Roberto Carlos prometia gravar outras musicas voltadas mais para os jovens da época.

Roberto apresentou ao Aguillar a sua divulgadora em São Paulo, de nome Edy Silva, conhecida no meio por trabalhar nas emissoras coligadas, que tinham uma programação distribuída para as principais emissoras do Pais. Através dela, Aguillar conheceu pessoalmente Othon Russo, que era o diretor de divulgação da CBS e que prometera fazer um trabalho intenso para projetar da melhor forma possível o cantor de Cachoeiro do Itapemirim.

Roberto Carlos entrou no esquema de Aguillar e sempre esteve nas programações musicais da rádio Nacional de São Paulo e semanalmente no Festival da Juventude da TV Excelsior Canal 9. Muitos cantores de sucesso eram apresentados nas programações de Aguillar, como Nilton Cesar, Agnaldo Rayol, Carlos Ganzaga, The Jordans, Ronnie Cord, Demetrius, Baby Santiago, Hamilton Di Giorgio, Tony Campello, Celly Campello, Gessi Soares de Lima, Maria Odete, The Jet Blacks, Leila Silva, Marta Mendonça, Orlando Silva, Carlos Galhardo, Oslaim Galvão, Prini Lorez, The Clevers, Renê Dantas, Sergio Reis, George Freedman, Meire Pavão, Albert Pavão, Renato Guimarães, Sergio Murilo, Bobby de Carlo, Marcos Roberto, Dori Edson, Nilton Cesar, Carlos Ely, Sergio Reis, etc.

A FORMAÇÃO DE GRUPOS MUSICAIS

O primeiro conjunto de rock and roll foi The Jordans, com um 78rpm Budha selo Spacial (em fins de 1959 e começo de 1960). Sua primeira formação era:
Aladim, Mingo, Neno, Irupe, Siwal, Tony e Manito.

O programa Ritmos para a Juventude era apresentado pelo Moreira Jr. na rádio Nacional. Como esse apresentador estava deixando o rádio para trabalhar nas páginas amarelas da telefônica que lhe rendia algum dinheiro, o sr. Francisco Abreu, Diretor da Emissora, convidou para fazer o programa Ritmos para a Juventude o locutor comercial Antonio Aguillar, que também apresentava aos domingos à tarde, naquela emissora, o programa MELODIAS SANDAR, com musicas exclusivas de Ray Connif para a rapaziada dançar em casa.

Começava desta forma uma programação mais dinâmica e com maior audiência, porque Aguillar, sempre dinâmico, passou a dar ao programa um tratamento especial, convidando os ouvintes a comparecerem nos estúdios para compartilhar da programação.

Naquele tempo os estúdios das grandes emissoras eram enormes porque existiam as radionovelas e exigia um ambiente amplo para conter o numero de participantes.

Assim Aguillar podia receber muita gente e fazer o seu programa de disco com a presença das meninas que na época eram denominadas play girls. Elas ouviam as musicas, aplaudiam, gritavam e daí nascia o grande sucesso do programa, a ponto de a direção levar essa programação aos sábados ao vivo no auditório da emissora da rua Sebastião Pereira, 219, o qual foi demolido para dar lugar ao minhocão.

The Jordans fazia parte dessa apresentação ao vivo e os cantores da chamada musica jovem iam aparecendo e procurando no programa a oportunidade de um lugar ao sol.
Como os rapazes dos Jordans passaram a tocar na Boate Lancaster (uma boate de musica jovem, principalmente Twist, localizada na rua Augusta e de propriedade de Fauser e Miguel Vaccaro Neto), o grupo deixou de acompanhar os cantores que apareciam aos sábados no programa. Foi então que Joe Primo (cantor e guitarrista) juntamente com Bobby de Carlo (músico e cantor) comprometeram-se a formar um conjunto de rock para acompanhar os cantores no programa de Antonio Aguillar.
Nascia então o grupo THE VAMPIRES, composto por Joe Primo, Bobby De Carlo, Zé Paulo, Carlão e Jurandi.

The Vampires posteriormente teve o nome trocado com um cantor que se apresentava no programa, chamado Jet Black (o cantor passou a se chamar Little Black), e Joe Primo, que havia descoberto José Provetti, o Gato, em um canto tocando piano, convidou-o para entrar para o grupo e Gato tornou-se o grande mentor musical do grupo, que depois foi levado para gravar na Chantecler por Miguel Vacaro Neto.

Mais uma vez Aguillar ficava na mão e desejando criar um novo grupo.

Procurou então Mingo, que deixava o The Jordans e o Manito, que estava sem serviço, e numa conversa decidiram a formação do novo conjunto que recebeu o nome de The Clevers, para que Aguillar pudesse tê-los no programa que já se fazia também na TV Paulista – Canal 5.

Mingo concordou que Aguillar registrasse a patente em seu nome para que não houvesse problema com os componentes, assim eles ficariam presos ao contrato com Aguillar, que seria o 6º elemento.
Para achar um nome para o conjunto, Aguillar, que mantinha um dicionário Inglês-Português em sua mesa de trabalho, abriu uma das páginas e achou interessante a palavra “Clevers”, porque tinha o significado de Vivos, Astutos, Hábeis, etc…

E assim nascia o conjunto com a formação de mais 03 elementos:
– Neno (trazido pelas mãos do Mingo)
– Luizinho (trazido pelas mãos do Neno)
– Waldemar , o Risonho (trazido pelas mãos de um deles).

Como Luizinho ganhou a bateria do avô, em homenagem a ele Aguillar o apelidou de Netinho;
Waldemar, que vinha de uma orquestra de Valparaiso e era bancário em São Paulo, estava sempre sorridente, então Aguillar passou a apelidá-lo de Risonho.

Ficou assim a formação dos Clevers:
_ Manito (sax), Mingo (guitarra-base e voz), Neno (contrabaixo), Netinho (bateria) e
Risonho (guitarra solo).

Depois de muitos ensaios na sala de trabalho de Antonio Aguillar na Organização Victor Costa, este apresentou o grupo em seu programa de rádio aos domingos pela manhã.

Num desses domingos, Aguillar convidou Francisco Petrônio (cantor) que era uma espécie de olheiro do Palmeiras (Diogo Mullero) Diretor da Continental Discos, para vê-los tocar.
Não deu outra! Aguillar foi convidado a levar o grupo à Gravadora e fazer o contrato para gravar imediatamente um 78 rpm.

Assim foi feito o disco, com arranjos do músico Poly, e assim que o disco foi tocado em primeira mão no programa Telefone Pedindo Bis, na Radio Bandeirantes, com apresentação de Enzo de Almeida Passos, a musica estourou no Brasil inteiro e eles se consagraram como integrantes do primeiro grupo musical conhecido em todo o Brasil no gênero.
Até no Pacaembu, em dias de jogo, a musica El Relicário era tocada e o povo gritava com o refrão: OLÉ!
Sucesso total.

Antonio Aguillar entrevista Roberto Carlos nos anos 60.

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Antonio Aguillar no camarim depois do Show de Roberto Carlos em São Paulo, no Espaço das Américas, em 20 de setembro de 2018,


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ANTONIO AGUILLAR entrevista ROBERTO CARLOS DEPOIS DO SHOW NO ESPAÇO DAS AMÉRICAS.

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ANTONIO AGUILLAR ENTREVISTA NORIVAL D`ANGELO, BATERISTA DA ORQUESTRA DE ROBERTO CARLOS.

Trabalhando há cerca de 43 anos como baterista da orquestra de Roberto Carlos, Norival D`Angelo começou na vida artística integrando um conjunto criado por Antonio Aguillar, chamado The Flyers.
Integrou a banda Secos & Molhados no auge do sucesso, depois da saída do baterista Marcelo Frias, participando dos shows e do segundo CD da banda, que incluia o hit “Flores Astrais”.

Norival D`Angelo

Trabalhou também com as bandas Beatniks, SomBeats, entre outras, levando ao público os primeiros trabalhos cover de Jimmy Hendrix, Led Zeppelin e Deep Purple.

Esta entrevista foi concedida a Antonio Aguillar nos camarins do Ginásio do Ibirapuera durante um Show de Roberto Carlos em São Paulo, no final de agosto 2017.

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Barros de Alencar, cantor, compositor e radialista, morre aos 84 anos em São Paulo.

BARROS DE ALENCAR morreu hoje, dia 05 de junho de 2017, aos 84 anos de idade, depois de ficar alguns anos fora do ar – ele realizava programas de rádio e estava em tratamento de uma doença nas cordas vocais, o que o deixou afastado até dos amigos mais chegados.
Segundo sua irmã Virginia Barros, o enterro aconteceu hoje às 13h30min. no Cemitério Primavera de Guarulhos na Grande São Paulo.

BARROS DE ALENCAR foi comunicador, cantor, compositor, cumpriu sua missão aqui na terra e agora viajou para um plano superior.

Cristóvão Barros de Alencar nasceu na Paraíba e iniciou sua carreira profissional como radialista em Campina Grande, na Rádio Borborema.

Na década de 60 veio para São Paulo, onde nos conhecemos. Eu já estava com a minha carreira artística em franca velocidade, e ele sempre demonstrava a vontade de fazer grande sucesso na comunicação nesta grande metrópole.
Passou pelas rádios Record, América, Tupi.
Em 1966 conseguiu gravar o seu primeiro disco como cantor.
Em 1975 gravou Emanuelle,trilha sonora do filme homônimo da época.

Barros ajudou muitos cantores que desejavam um lugarzinho ao sol. Uma pena sua longa enfermidade, levando ao coma, com seu falecimento aos 84 anos de idade.
O rádio brasileiro perdeu sem dúvida um dos mais valorosos comunicadores.

Que o colega e amigo descanse em Paz.”

Antonio Aguillar

Neste vídeo a seguir BARROS DE ALENCAR canta a canção de autoria de CLÁUDIO FONTANA e que foi sucesso na voz dele e depois foi gravada também por JULIO IGLESIAS.

Nossas condolências à família, que ele descanse em paz.

Geraldo Alves, primeiro Empresário Artístico de Roberto Carlos lança livro de memórias.

Estas duas imagens a seguir são do grupo The Clevers em sua segunda formação…

O ano era 1965 e nessa ocasião Roberto Carlos iniciava à frente do recém lançado programa, o Jovem Guarda da TV Record, e prometia colocar a banda no Jovem Guarda para promover a nova versão dos Clevers, porque os anteriores tinham migrado para “Os Incríveis”, cujo nome era o título dos LPs dos Clevers.

Foi um sufoco, muita confusão na época, mas Antonio Aguillar conta que conseguiu ultrapassar todos os obstáculos e fazer sucesso com a versão da música “No Reply” dos Beatles, título “SEM RESPOSTA”, versão escrita por Norberto de Freitas, um discotecário da Radio Nacional de São Paulo.
Essa banda chegou a tocar no Reino da Juventude da TV Record e fez outros programas de televisão em São Paulo além de ampla divulgação do sucesso “Sem Resposta”.

Em vista de se vestirem como os Beatles e lembrarem os músicos ingleses com suas roupas e cabeleiras, acabaram sendo contratados para tocar no Beco, uma casa promovida pelo famoso Abelardo Figueiredo.

Em 1968 acabou o programa Jovem Guarda e eles também se debandaram, cada um seguindo seu caminho solo, o nome ficou fora da mídia até que Aguillar voltou ao radio em 2005, com o programa Jovens Tardes de Domingo pela Radio Capital, quando formou um novo grupo com a patente The Clevers, chegando a gravar dois CDs e um DVD e continua até hoje tocando em shows e bailes.

Estou contando esta historia por que no próximo dia 9 de abril ocorrerá o lançamento do livro de Geraldo Alves, o primeiro empresário artístico de Roberto Carlos e de muitos outros artistas da Jovem Guarda, e a banda The Clevers em sua formação atual estará presente no Bar Brahma acompanhando a apresentação dos artistas convidados para o lançamento do livro.

Um detalhe: Roberto Carlos autorizou o livro de Geraldo Alves.

Hoje a formação dos Clevers tem Rod Spencer na guitarra solo, Luiz Monteiro na guitarra base e vocalista, Satoru no contra baixo, João Kramer no teclado e Evaldo Correa na batera.

Segue uma entrevista levada ao ar pela Rádio Capital em 26/03/2017, ocasião em que Antonio Aguillar conversou com Geraldo Alves. Ele contou alguns detalhes do início de carreira de Roberto Carlos, convidou para o lançamento de seu livro no dia 09 de abril, às 16h30 no Bar Brahma em São Paulo, e citou alguns cantores lançados por ele como Paulo Sérgio, Altemar Dutra, entre outros.

Ao final temos a oportunidade de ouvir um depoimento do saudoso Sérgio Murilo a Antonio Aguillar, contando por que cantava com as mãos…

Ouçam!

Geraldo Alves foi o primeiro empresário artístico de Roberto Carlos. Ele era açougueiro em Limeira, interior de São Paulo, e também acordeonista. Quando trabalhava com Roberto Carlos no inicio de carreira, Geraldo Alves levava Roberto a fazer shows em circos (era moda na época) e acompanhava o cantor com o seu acordeom ou sanfona, como era chamada na época, enquanto Roberto tocava seu violão.

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A Polêmica Historia que envolve o nome da Banda The Jet Black`s e sua fundação.

Muito já se falou da historia deste conjunto dos anos 60, tanto por historiadores como pelo legado em textos e fitas deixados por alguns de seus integrantes, a exemplo das três fitas que estão em posse do historiador Eduardo Reis e que tocam no assunto “fundação do grupo e a escolha do nome”.

A primeira fita trata-se de uma entrevista do Gato com Idalina de Oliveira em 1966 pela Rádio Tupi) onde ele fala sobre várias coisas, por exemplo:

·         Conta sobre o nome, dizendo que, na opinião dele, “The Vampires” é coisa de Transilvânia e não servia para nome de conjunto de rock´n´roll, e ele (Gato), forçou a mudança do nome, tendo escolhido o nome Jet Black´s, com apóstrofe e “S” em homenagem aos THE SHADOWS. Vejam que a história é quase a mesma contada por Jurandi, pois ele (Jura) fala que Zé Paulo havia escolhido o nome.

·          Gato cita Joe primo, fala que no início de 1962 ele pegou tuberculose e, contrariando o Jurandi, ele (Gato), Jairo (diretor da Chantecler) e o cantor Oswaldo Rodrigues, com a ajuda do prefeito de Campos do Jordão, o internaram no sanatório Nossa Senhora das Mercês em Campos do Jordão; Eloy, Guitarra base do conjunto Super Som T.A., entrou no lugar de Joe Primo.

·         Fala da sua saída dos The Jet Black´s alguns meses antes, e que estava tocando baixo no quarteto de Renato Mendes, no Johan Sebastian Bar. Quando Idalina pergunta o motivo ele diz que prefere não tocar no assunto.

A segunda fita, gravada em 1991 na casa de Guilherme Dotta, o Tico, por um jornalista da Folha de São Paulo. Nela o jornalista entrevista Jurandi, Gato e Tico, falam sobre vários assuntos e nas páginas tantas o jornalista pergunta a origem do nome. O Jurandi imediatamente fala que ele (Jura) sugeriu o nome e o Gato, de forma meio ríspida, retruca: VOCÊ? Creio que fui eu que batizei o grupo com este nome. O Jura fala qualquer coisa baixo e retoma o assunto com o comentário: Polemicas à parte o nome foi escolhido pelo grupo. Nesta entrevista fica claro que o Gato e o Jurandi não haviam esquecido as magoas do passado…

A terceira fita é uma entrevista com o Orestes, onde estavam Eduardo Reis, Foguinho e Orestes e este conta sobre a época da Boate Lancaster e quando perguntado sobre o nome do grupo ele fala que, “pelo que sabia” foi uma decisão do Gato e que este havia escolhido o nome em homenagem aos Shadows.

Porém, a verdadeira historia da mudança de nome quem conta é Primo Moreschi, o Joe Primo, legítimo e verdadeiro fundador do conjunto The Vampires, que depois se tornou The Jet Black`s!

“Para início de conversa, conheci o Gato quando o vi mexendo em um piano dentro dos estúdios onde eu (Joe Primo), Bobby De Carlo, Carlão, Zé Paulo e Jurandi, que formávamos “The Vampires”, ensaiávamos alguns cantores, os futuros participantes que iriam se apresentar no Programa Ritmos Para a Juventude, de Antonio Aguillar; Gato era ainda um ilustre desconhecido num canto do estúdio, o qual somente me chamou a atenção em razão de estar tirando alguns acordes do piano. Perguntei se ele sabia tocar piano, ele disse que arranhava um pouco, então o convidei para tocar e ele aceitou. Na semana seguinte, eu tive a ideia de conversar e sugerir a um dos integrantes amadores que testei e aprovei para participar do programa Ritmos para a Juventude (vai dai eu ter a liberdade de sugerir), cujo nome era Jet Blacks, e com as seguintes palavras eu lhe disse: Vem cá Jet Black! Você não quer trocar de nome com a gente?

Ele humildemente, e sorridente, respondeu prontamente que trocava sim. Então eu sugeri a ele que por ele ser magro e pequeno deveria se chamar Little Black, e nós The Jet Black´s.

Portanto é mentira que teve condição imposta pelo Gato para mudar o nome do conjunto, e muito menos consultei alguém além do Bobby De Carlo para mudar o nome The Vampires para The Jet Black`s.
Outra mentira deslavada, sem nenhum cabimento, está relacionada ao início do The Vampires: dizer que Jurandi, Zé Paulo, Orestes, Gato e Ernestico que iniciaram o conjunto, quando em verdade somente o Gato chegou a participar da segunda semana da fundação do The Vampires feita por mim, Joe Primo, Bobby De Carlo, Carlão, e aí sim, o Zé Paulo veio e foi quem convidou o Jurandi, que mal sabia tocar samba em alguma reunião do colégio que os dois estudavam.
O Ernestico só passou a fazer parte do conjunto quando, já como The Jet Black´s, começamos a tocar na Boate Lancaster. E o Orestes sempre foi cogitado, principalmente pelo Zé Paulo, para fazer parte integrante do The Jet Black´s, mas nunca daí dizer que ele iniciou quando ainda era The Vampires. (mentira deslavada, que inclusive cai em contradição até pela fotografia postada na página em questão, (uma tremenda montagem) tendo ao fundo uma bateria dos The Clevers sendo que esse conjunto só passou a existir após o Jurandi, Zé Paulo e o Gato, já se achando muito superior, não aceitavam mais participar do programa Ritmos Para a Juventude, daí Antonio Aguillar ter lançado o conjunto.

Esta é a foto polêmica , onde podemos ver o Joe Primo e o Carlão, porém a bateria tem o nome The Clevers.

Esta é a foto polêmica , onde podemos ver o Joe Primo e o Carlão, porém a bateria tem o nome The Clevers.

Portanto, essa foto é uma mentira, mas também serve para desmentir declarações do Jurandi de que o Orestes e Nestico iniciaram o The Vampires, pois nessa montagem não esta nem Orestes, e muito menos o Nestico. E vou mais além, nem mesmo o Zé Paulo; esse sim deveria estar. Quanto ao Orestes, só passou a integrar os The Jet Black´s, quando eu adoeci por ter dado tudo de mim até a saúde para poder fazer o The Jet Black´s ser sucesso. Passados alguns meses voltei e fui deixado de lado em prol de outro que já havia ocupado meu lugar. Em meu livro “O Protagonista Oculto dos Anos 60″ eu relato o passo a passo de como tudo aconteceu, com provas vivas até hoje, que podem e devem confirmar a veracidade dos fatos por mim relatados em meu livro de memórias.”

E tudo isso já foi revelado aqui mesmo neste Blog e visto nas redes sociais, mas sempre vale a pena mostrarmos de novo, inclusive por que tivemos também o depoimento de Bobby de Carlo sobre a veracidade dos fatos relatados pelo Joe Primo e endossados por Sérgio Vigilato, o Serginho Canhoto.

Bobby de Carlo fala sobre seu amigo e companheiro, Primo Moreschi.

Eu diria que Primo é um artista! Musico, pintor, compositor, poderia ser também um grande ator comediante. Lembro-me de um texto seu que em resumo seria isto:

“…Como você é linda, seu vestido branco, suas mãos tão delicadas, seu rosto tão lindo, sua pele clara, muito clara.
Porque não fala comigo?
Acorda! acorda! ACORRRRDA!!!
Pô!  Não vê que ela tá morta?”

Desculpe o humor negro, mas isso era coisa do Primo…

No meu primeiro LP pela gravadora Mocambo, gravei com os Megatons. Foi certamente um dos momentos de maior prazer na minha vida.
Sem imposição alguma, gravei o que queria da forma mais descontraída possível.
Com o bom humor do grupo, o clima era maravilhoso. Criei arranjos, participei como musico, convidei para participar em algumas faixas o Wanderley pianista, (ex Roberto Carlos), o Nestico sax do Jet´s, e nunca houve por parte dos Megatons, Primo, Bitão, Luiz, Renato e Edgar qualquer tipo de estrelismo.
Nós nos divertimos muito.  Coisa que não aconteceu quando da minha volta ao The Jet Black´s em l964, quando disse ao Jurandir para que criássemos algumas musicas, coisas próprias. Porem ele achava melhor “tirar” musicas de outros conjuntos, ou seja, copiar o original e tocar nos Jet Black´s. Coisas estas que fazíamos em nossa adolescência musical.
O Orestes saiu, e eu, desmotivado, saí também.

Serei sempre amigo do Primo, tenho-o em alta estima.
Tenho certeza que a década de sessenta será marcada positivamente em nossas vidas!”

Um grande abraço
Bobby.

Joe Primo, o Precursor da História dos Jet Black’s!

Joe Primo, nome artístico de Primo Moreschi, é uma dessas pessoas predestinadas e muito especiais, que vieram ao mundo para construir uma vida rica de fatos pitorescos e situações inusitadas, sempre convivendo com venturas e desventuras, desafiando a morte e a vida com muito bom humor e propriedade, tirando dos infortúnios, força para sobrepujar os obstáculos que permearam sua vida, sempre tirando ensinamentos ao longo de sua trajetória, sem jamais esmorecer.
Filho dos italianos Concheta e José Moreschi, Primo foi o caçula de nove irmãos e ainda muito pequeno perdeu a mãe e em seguida o pai, tendo que viver de um lado para outro, sem um lar, primeiro de favor na casa de irmãos, depois tendo que trabalhar desde tenra idade para pagar seu próprio sustento em pensão domiciliar.
Ainda quando tinha de sete para oito anos de idade, Primo teve o primeiro contato com os instrumentos musicais, pois acompanhava seu irmão mais velho nos ensaios de sua banda country chamada Rancheiros da Paulicéia. Eles tocavam na Rádio América e Primo acompanhava os ensaios e assim aprendeu também a tocar violão e guitarra.
Primo nasceu artista e por necessidade aprendeu a profissão de retocador de retratos para ter o seu próprio sustento, e também exerceu a profissão de fotógrafo. Além disso, costumava compor canções e um belo dia a oportunidade de entrar para o meio artístico surgiu em um encontro casual com o compositor Américo de Campos.
Joe Primo gravou seu primeiro disco e tornou-se conhecido em 1961, com as músicas “Ela me fez de limão” e “Água de cheiro” sendo transmitidas pela Rádio Nacional de São Paulo, chegando às paradas de sucesso.
Foi em suas andanças pelas rádios de São Paulo para a divulgação do seu 78rpm que Joe Primo teve oportunidade de voltar à Rádio Nacional para participar de um programa de lançamentos musicais, intitulado “Ritmos para a Juventude”, cujo apresentador era Antonio Aguillar. Foi nessa época que ele teve a ideia de formar um conjunto de Rock para acompanhar os cantores que se apresentavam naquele programa, e juntamente com o amigo Roberto Caldeira dos Santos, o Bobby de Carlo, fundou o conjunto The Vampires, que viria a ser The Jet Black’s, em um tempo em que o Rock’n’Roll começava a marcar presença no Brasil.
Foi assim que o menino órfão, que passou tantas privações na vida, tendo sido até mesmo acometido por grave doença, precisando ser internado no Sanatório Nossa Senhora das Mercês em Campos do Jordão para se tratar da doença que o acometeu devido a ter passado fome e frio em suas peregrinações pelas rádios e gravadoras em busca de divulgação dos discos do conjunto, iniciou os primeiros passos para que o Brasil tivesse uma das mais queridas e famosas bandas de Rock Instrumental, The Jet Black’s, cujo sucesso foi tanto que mesmo tendo já se passado mais de 50 anos do início de tudo, não há quem não tenha ouvido falar nela!
Primo Moreschi ainda formou Os Megatons, um grupo que se destacou pelos sons exóticos e criativos perpetuados na música jovem, antes de se retirar definitivamente do meio artístico para viver em Campo Grande/MS, onde constituiu família e tornou-se reconhecido empresário da indústria de moveis planejados e exclusivos.

“O PROTAGONISTA OCULTO DOS ANOS 60”

PAULO SÉRGIO IMITAVA OU NÃO ROBERTO CARLOS? DESCUBRA AQUI!

paulo-sergio

Esta entrevista foi feita por Antonio Aguillar com Paulo Sergio à época em que estava havendo uma grande polêmica sobre ele e Roberto Carlos.
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Paulo Sergio foi lançado por uma gravadora pequena chamada Caravelle. Ele era alfaiate e pretendia ser cantor profissional. Paulo na ocasião em que pretendia cantar procurou Chacrinha e cantou no programa de calouros que ele fazia no Rio de Janeiro, dublando o cantor Altemar Dutra como se fosse um cantor que tinha a voz parecida com a dele.
Claro que foi uma artimanha de Chacrinha para lançar Paulo Sérgio em disco mais tarde.
O Diretor da gravadora Caravelle era o Sr. Guimarães, que acreditava muito nesse lançamento. Depois de tudo isso, disseram a ele (Paulo Sergio) para cantar na linha do Roberto Carlos, que já estava fazendo sucesso. Foi uma época muito interessante.
Chacrinha, que também lançou o Roberto Carlos no Rio, através do programa de Rock do Carlos Imperial, costumava colocar um cantor contra o outro, criando um ambiente instável entre as fãs e com isso o seu programa conseguia alcançar grande sucesso.
Ele fez assim também com o Antonio Aguillar.
Foi combinado que ele falaria mal do programa do Aguillar nos programas dele, quando ele estava ainda na Radio Nacional de S.Paulo e o Antonio Aguillar rebatia falando que o programa do Chacrinha era ultrapassado e assim por diante. Isso gerou uma confusão entre os ouvintes proporcionando grande audiência para os dois.
Chacrinha havia discordado de Roberto Carlos em certa ocasião por causa de cachê e acabou promovendo Paulo Sergio, dizendo que o Roberto Carlos já era, e que agora era a vez do Paulo Sergio e acrescentava mil coisas para criar muita confusão.
Era assim que as coisas funcionavam e os dois artistas conseguiram sucesso.
Paulo Sergio foi um lançamento da Caravelle, uma gravadora pequena diante da CBS, gravadora de Roberto Carlos.
Como Roberto Carlos sempre usou de bom senso, tocou sua vida pra frente gravando na ocasião, quando surgia o sucesso “Ultima Canção”, a musica “Te amo Te amo Te amo” e assim os dois foram para as paradas de sucesso e a vida continuou até a morte de Paulo Sergio.
Antonio Aguillar tem essa história com Chacrinha gravada, e a revista O Cruzeiro, na época, pediu-lhe essa gravação completa e fez uma matéria de capa com duas paginas, a qual repercutiu no Brasil inteiro.
Isso gerou muita confusão, pois Chacrinha acabou se tornando inimigo pessoal do Aguillar, porque não admitiu essa matéria na revista, alegando que falou para o programa dele mas não queria que fosse cedida para a revista.
Enfim, este é um resumo de tudo, contado a mim por Antonio Aguillar, pra gente ter uma ideia do porquê Paulo Sérgio falou aqui neste áudio “…quem não tem defeito que atire a primeira pedra”.