Especial Jovem Guarda em Vídeos!

Em 17 de janeiro de 1968 Roberto Carlos se despediu do programa Jovem Guarda comandado por ele pela TV Record canal 7, que teve seu início em 22 de agosto de 1965.

Apesar do breve período de duração, o programa ficou para sempre eternizado no coração de quem viveu aquelas jovens tardes de domingo…

Para quem viveu aquela época e acompanhou tudo de perto e gosta de recordar aqueles belos dias, seguem alguns vídeos de um evento especial realizado entre alguns cantores que participaram da Jovem Guarda, como Bobby de Carlo, George Freedman, Waldireni, Nalva Aguiar, Deny, Leno, Renato e Seus Blue Caps, Wanderley Cardoso, The Jordans, Martinha, Demétrius, Os Caçulas, Marcos Roberto e Dori Edson.

A apresentação foi realizada no final do ano de 1995 para 1996, na fazenda de Sérgio Reis em Sorocaba, e levado ao ar em seu programa pela Rede Manchete de televisão.

“Foi em 1995/96 Programa do Sérgio Reis gravado direto de uma fazenda no interior de São Paulo em comemoração aos 30 anos da Jovem Guarda, registro antológico.” Disse-me Deny sobre este dia memorável.

The Jordans – Blue Starr

Bobby de Carlo – “Tijolinho”

Tutti Frutti – George Freedman

Doce de Coco / O Bom Rapaz – Wanderley Cardoso

Menina Linda / Feche os Olhos – Renato e Seus Blue Caps com Leno no baixo

Pobre Menina – Leno e Renato e Seus Blue Caps

Rítmo da Chuva (Demétrius) / Eu Daria a Minha Vida (Martinha)

“Vá embora daqui” / “Perto dos Olhos, Longe do Coração” – Marcos Roberto e Dori Edson

Os Caçulas – “A chuva que Cai”

“Coruja” – Deny e Sérgio Reis

“Roberta” / “Al-di-la” / “LA Bamba” – Ary Sanches

Ary Sanches, Deny e Bobby de Carlo

Ary Sanches, Deny e Bobby de Carlo

George Freedman

George Freedman

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Show de Leno e Lílian em Natal completa 24 anos!

Cartaz do Show

Cartaz do Show

Cartaz do Show

Cartaz do Show

O show da dupla Leno e Lílian, acompanhados pelo Grupo dos Anos 60, realizado em 30 de junho de 1989, no antigo Hotel Samburá (hoje é um estacionamento) em Natal, produzido na época pela colunista Hilneth Correia e pelo promotor de eventos, J. Oliveira, de Natal/RN, está fazendo 24 anos!

Nota sobre o Show divulgada no Jornal Tribuna do Norte

Nota sobre o Show divulgada no Jornal Tribuna do Norte

Seguem algumas fotos da dupla no palco, pra gente recordar a data, direto do túnel do tempo!

Leno no Hotel Samburá

Leno no Hotel Samburá

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Reinaldo Azevedo do Grupo dos Anos 60 e a dupla no palco.

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Fotos enviadas por Nilza Carvalho, que esteve no Show e fotografou usando uma câmera analógica alemã PENTAX PRÁTICA MTL.

Leno e sua “Vida e Obra de Johnny McCartney”

“Vida e Obra de Johnny McCartney” é considerado o CD mais importante da carreira solo de Leno, e foi gravado em fitas, de novembro de 1970 a janeiro de 1971.
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Foi um momento em que ele deixa de lado a questão das baladas tão presentes na Jovem Guarda e mostra-se como um artista independente, vanguardista, crítico, satírico, rebelde, enfim, uma pessoa politizada.
Nessa época, ele fazia sucesso com a balada romântica “Festa de 15 anos” e resolveu dar uma guinada.
“Eu sempre fui roqueiro, mas sempre estourava com músicas lentas. Eu queria mostrar o meu lado mais rock’n’roll”, diz Leno.
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Tendo sido vetada pela Ditadura Militar em 1971, a obra que teve os Beatles, mais precisamente a dupla Lennon & McCartney como inspiração para o compositor, ficou perdida durante 25 anos!

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O projeto criado em parceria com Raul Seixas reaparece em 1995, para a grande surpresa de Leno, que dava as fitas de seu inédito “Vida e Obra de Johnny McCartney” por perdidas! Acontece que elas são descobertas por acaso nos arquivos da Sony Music!
Leno então decide remasterizar a gravação e editá-la em CD, criando seu próprio selo, o Natal Records, e lança sua obra composta em parceria com Raulzito.

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Vida e Obra de Johnny McCartney - Leno 016Leno passou o ano de 1979 morando em Los Angeles, nos Estados Unidos mas quase não compunha, pois estava ligado mais em cantar e tocar e quando voltou a residir em Natal, começou a se dedicar a compor e realizar shows. Guardava para si a lembrança de Raul Seixas, um cara simples que gostava de música.
“Gosto muito da lembrança dele em mim, apesar das distâncias”.
Essas lembranças ficam mais evidenciadas e tomam conta da vida de Leno quando este apresenta ao público o relançamento do disco “Vida e Obra de Johnny McCartney”, álbum considerado pela crítica especializada internacional como um dos melhores do rock.
Foi o terceiro disco de sua carreira solo e teria sido gravado em 1970, porém a gravadora CBS vetou o projeto por achar que ele não era comercial. “Tinha umas músicas censuradas, como ‘Sr. Imposto de Renda’ e ‘Sentado no Arco-íris’.

Segundo Leno, este disco antecipou muita coisa que viria a acontecer apenas nos anos 80 em termos musicais, além de ter influenciado a carreira de Raul Seixas.

Das 13 músicas do disco, seis são em parceria com o baiano.

1. “Johnny McCartney” Leno / Raul Seixas 2:15
2. “Por Que Não?” Leno 3:34
3. “Lady Baby” Carlos Augusto / Raul Seixas 4:31
4. “Sentado no Arco-íris” Leno / Raul Seixas 3:22
5. “Pobre do Rei” Marcos Valle / Paulo Sérgio Valle 2:50
6. “Peguei uma Apollo” Arnaldo Brandão 3:40
7. “Sr. Imposto de Renda” Leno / Raul Seixas 1:15
8. “Não Há Lei em Grilo City” – Leno 3:09
9. “Convite para Ângela” Leno / Raul Seixas 1:33
10. “Deixo o Tempo Me Levar” Leno 3:12
11. “Contatos Urbanos” Ian Guest 2:29
12. “Bis” Leno / Raul Seixas 2:21
13. “Johnny McCartney” Leno / Raul Seixas 0:33

Leno comenta que “talvez a partir daí Raul tenha criado a vontade de ser cantor, pois ele não era muito a fim. Foi um laboratório para ele”.

O verdadeiro Rock já se faz presente logo na primeira faixa, “Johnny McCartney”, que é uma sátira à busca da fama tão em voga hoje em dia: “Ainda hei de ser famoso um dia / Meu nome nos jornais você vai ler / Vou ganhar mais de um milhão / Comprar o meu carrão cantando na TV / Vai pagar pra me ver no cinema / Do que me fez, irá se arrepender / Daqui pra frente sou galã lhe ofuscando / Com meu terno de lamê / Johnny MacCartney vou ser).

É uma letra bem atual!

“Vida e Obra de Johnny MacCartney” é considerado um disco seminal para o rock brasileiro, pós Jovem Guarda, e deve constar em qualquer discoteca básica do estilo, onde guitarras, bateria e baixo ganham mais expressão, pela primeira vez, no rock brasileiro.

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Programa Vídeo Show, da TV Globo,1995,sôbre o Cd “Vida e Obra de Johnny McCartney”, com parcerias inéditas de Leno e Raul Seixas

Reportagem do Jornal do SBT sobre o disco Vida e Obra de Johnny McCartney, lançado em CD 24 anos depois de ter sido vetado pela Ditadura Militar!

Fontes:
1 – http://webpotiguar.org/2012/09/22/um-potiguar-no-caminho-de-raul-seixas/

2 – Pesquisa na Internet

Algumas Canções Raras de Leno e suas mensagens “subliminares”!

https://www.facebook.com/pages/Vida-e-Obra-de-Johnny-McCartney/414377658626986

Canções como Jovem Guarda, Imagens, Mudanças, Boas Vibrações, Encontro no Tempo e Esquinas Nacionais, todas compostas por Leno, são raridades e não são ainda muito divulgadas e conhecidas, embora contenham mensagens lindas de amor, amizade e “boas vibrações”!

Algumas das fotos inseridas aqui são do encarte de uma coletânea lançada pelo selo independente de Leno, o Natal Records. Trata-se de um CD organizado e produzido pelo próprio Leno.

A canção “Jovem Guarda”, por exemplo, tem uma das letras mais significativas para quem viveu naqueles velhos tempos, belos dias em que nas tardes de domingo esperávamos ansiosamente pelo início do programa comandado por Roberto Carlos.

Sua letra foi alterada por ocasião da festa de gravação do DVD “Jovem Guarda Para Sempre”. A letra original está no LP de 1976 e também na coleção de CDs da Jovem Guarda lançada por Marcelo Fróes em 1999, entre eles o “Meu nome é Gileno”.

Jovem Guarda – Letra Original e áudio

Volto aqui se não se importa
Por favor, não feche a porta
Depois assim, de tanto tempo, sem me ver
Agora eu não sei se a sua vida
está igual ou dividida
Eu só sei que o medo nos seus olhos fez você mudar
Será que acordou daquele sonho
daquele velho sonho
Talvez não se ache mais tão nova pra sonhar
Não fuja do seu próprio encontro
Vem comigo agora e pronto
Que o vento sopra
o sol desponta
E acho que eu já vou

Cante pra não chorar
Cante se já chorou
Se você foi Jovem Guarda
Guarda o que passou

Os amigos que marcaram
Os amantes que te amaram
E as promessas que afinal ninguém cumpriu
Toda aquela inconseqüência
transformou-se numa ausência
E o que hoje resta da sua festa
Se perdeu, sumiu!
Mas cante pra não chorar
Cante se já chorou
Se você foi jovem guarda
Guarda o que passou

Se ainda espera ser amada
Vem que aqui não tem mais nada
Olha o vento sopra
O sol desponta
Onde a gente for…

Letra II (modificada)

JOVEM GUARDA (Letra e vídeo)

Volto aqui se não se importa
Por favor não feche a porta
Depois assim de tanto tempo sem lhe ver
Agora eu não sei se a sua vida
Está igual ou dividida
Eu só sei que algo em seu olhar fez você mudar Será que ainda sonha aquele sonho
Aquele velho sonho
No espírito pra sempre jovem pra sonhar

Não fuja do seu próprio encontro
Vem comigo agora e pronto
Porque o vento sopra, o sol desponta
E acho que eu já vou.

Cante a canção de amor, cante o que já cantou
Quando a gente é jovem guarda
Guarda o que sonhou
Cante a canção de amor, cante o que já cantou
Quando a gente é jovem guarda
Guarda o que ficou

Os amigos que marcaram
Os amantes que se amaram
E a eterna melodia que tocou
Toda aquela transparência
Nunca virou uma ausência
Pois lá no fundo do coração nossa canção ficou

Cante a canção de amor, cante o que já cantou
Quando a gente é jovem guarda
Guarda o que sonhou
Cante a canção de amor, cante o que já cantou
Quando a gente é jovem guarda
Guarda o que ficou

Vou te fazer sentir amada
Vem comigo nessa estrada
Porque o vento sopra, o sol desponta
Aonde a gente for, aonde a gente for…

O CD “O melhor de Leno”, lançado no início do século XXI pelo selo Natal Records, com  registro NRCD 008, contém canções que abrangem um período existencialista do cantor, que são obras lançadas de 1974 a1988.Este CD contem raridades, como as canções “Mudanças”, “Imagens”, “Boas Vibraçoes”, Encontros no Tempo”, “Esquinas Nacionais”, entre outras.

Mudanças – Letra e Áudio

Nesta canção Leno fala de sua mudança de vida, pois estava indo morar fora do Brasil, como ele mesmo me conta aqui:

Oi Lucinha , foi mesmo uma época de mudanças...

Leno Azevedo 21 de novembro de 2012 00:46
“Oi Lucinha , foi mesmo uma época de mudanças pra mim , que me levou a morar um tempo fora do Brasil…Musicalmente, era eu” brincando de James Taylor ” que adoro!”

Quando as dúvidas parecem não crescer
Não deixe as neuroses virem ser
Siga em frente sem parar
Não deixe como está
E as coisas vão mudando até você
Há um momento em que nem tudo é claro e são
Mas tem gente que vê na escuridão
Que antes de um salto fatal
Sente um medo natural
Mas durante o salto nada importa não
Renascer
Renascer!
De um próprio parto às vezes, renascer
Resonhar
Resonhar!
Um sonho que jamais sonhou viver
Não deixe as neuroses virem ser
Siga em frente sem parar
Não deixe como está
Que as coisas vão chegando
Tudo vai se transformando
E as coisas vão mudando pra você

Imagens – Letra e Áudio

“Imagens” foi uma composição de Leno para a esposa que ele perdeu tragicamente em um acidente de carro, em 1982.

Neste áudio podemos ouvir os Golden Boys e Leno ao vivo, em um especial exibido pela TV Cultura, tempos atrás.

A Letra

“Boas Vibrações” e “Encontro no Tempo” foram compostas durante o tempo em que Leno viveu em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Boas vibrações, por exemplo, é inspirada em uma usual saudação desejando “boas energias”. Na gravação Leno faz uso do “falsete”, dando mais brilho à interpretação.

Boas Vibrações – Letra e áudio

É bom sentir sua presença,
Ouvir a voz no seu olhar
Que sempre faz nascer
as boas vibrações
No ar, no ar
A claridade dos desejos
Em qualquer coisa que fizer
Nesse seu jeito de ser mulher
Eu tenho sido refém da minha ilusão
Mas se quiser você pode até me resgatar
da velha solidão
O seu amor na consciência
Suas razões no coração
Podem afastar a dor que existe em mim
Depois então
A claridade dos desejos
Em qualquer coisa que fizer
Nesse seu jeito de ser mulher
É bom sentir sua presença
Ouvir a voz no seu olhar
Com tão boas vibrações no ar

“Encontros no Tempo”, também composta no período em que morou em Los Angeles, tem a ver com o sucesso solo de Lilian nos anos 80, com a música “Sou Rebelde”, época em que ela fez uma declaração a uma Revista dizendo que ainda gostaria de gravar uma música com Leno, pois muito além do sucesso da dupla, curtia mesmo era cantar com ele.

Leno compôs estas duas canções e gravou a base em Los Angeles; voltando ao Brasil, convidou Lilian para participar do seu LP “Encontros no Tempo”.

Leno fala sobre a última vez que esteve com Lilian:

Oi Ana Paula , foi no show em homenagem ao...

Leno Azevedo 21 de novembro de 2012 00:43
“Foi no show em homenagem ao Getulio Côrtes no Asa Branca , Lapa , RJ , em 2005 .Creio não termos nos encontrado depois. Demos uma canja e foi nossa ” last performance together” !

LP ENCONTROS NO TEMPO
Direção de produção e estúdio: Leno
Arranjos: leno
Técnicos de gravação: Leão, Ederaldo, Roger Harris [los angeles] assistentes de gravação: Gilberto, Peninha e Pedro
Mixagem: Rafael, Loureiro e Leno [Estúdio Transamérica] assistentes de mixagem: Billie e Iaci
Montagem: Manoel Magalhães
Gravado nos estúdios: Hawai e Transamérica
Capa: Departamento de Arte CBS
Fotos: Frederico Mendes
Layout: Iaci Miranda

Participaram deste Projeto: renato barros, cláudio condé, robertinho de recife, sérgio dias, lilian knapp, zé renato, jane duboc, geraldo azevedo, jackson do pandeiro, denny cordell, laudir de oliveira, antonio adolfo, paulo césar barros, marquinhos ribeiro, flor de cactus, frederico mendes, sérgio lopes e a todos que com seu apoio e carinho colaboraram no resultado final deste trabalho.

Encontros no Tempo – Letra e Áudio

Encontros no Tempo
Com gente do peito
Gente que de alguma forma se transou
Gente que se foi no meio da tempestade forte
Que caiu em toda parte
Muita gente pela noite
Pelas mesas desses bares
Pelas praças e teatros
Pelos palcos da cidade
Todos tomaram rumos
Muitos perderam o medo
Mas foi descoberto cedo
Eu o tempo não esperaria ninguém
Encontros no tempo
Na volta do ciclo
Tudo que de alguma forma
Se encontrou
Tudo que se amou
Se faz multidão em minha mente
Quando lembro tanta gente
Muita gente pela noite
Pelas mesas desses bares
Pelas praças e teatros
Pelos palcos da cidade
Todos tomaram rumos
Muitos perderam o medo
Mas foi descoberto cedo
Que o tempo não esperaria ninguém
Encontros no tempo
Amigos contrastes
Entre aquilo que se foi ou que se é ou poderá ser
Os olhos da antiga namorada
Ou do velho camarada
Muita gente pela noite
Pelas mesas desses bares
Pelas praças e teatros
Pelos palcos da cidade
Todos tomaram rumos
Muitos perderam o medo
Mas foi descoberto cedo
Que o tempo não esperaria ninguém
Todos tomaram rumos
Muitos perderam cedo
E foi descoberto o medo
Que o tempo não esperaria ninguém

“Esquinas Nacionais” é outra raridade, e foi gravada inicialmente pela cantora Amelinha.

Esquinas Nacionais – Letra e Áudio

Os milhares de guerrilheiros mentais
Que sofreram ou piraram nessas décadas fatais
Transformaram-se em faíscas
Iluminando a vereda nas longas noites do tempo
Nas esquinas nacionais
Os milhares de guerrilheiros vocais
Que na mansidão do canto
Nas calçadas e quintais
Bloquearam avanço trágico
Das forças da reação
Localizaram pra sempre
Bem dentro em meu coração
Os milhares de guerrilheiros artísticos
Que na criação introspecta
Contrabalançaram a dor
Não faz muito tempo ainda
Não sentiam esperança
E buscavam mais beleza
Em cada canção de amor
Nos milhares de guerrilheiros poetas
Censurados e queimados
Em Fahrenheit 101
Por todas cartas da Flávia
Por nada que foi em vão
Trazendo e trarão na mente
Memórias da escuridão
Os milhares de guerrilheiros mentais
Que sofreram ou piraram
nestas décadas fatais
Transformaram-se em faíscas
Iluminando a vereda
Nas longas noites do tempo
Nas esquinas nacionais
Nas longas noites do tempo
Nas esquinas nacionais

A parceria entre Leno e Raul Seixas

“O Raul chegou a tocar em minha banda de shows por um ano , entre 1970 e 1971 , nos fins de semana de produções em estudio , quando estávamos juntos na gravadora CBS como amigos , parceiros e produtores musicais.E no estudio fêz muitos backing vocals nos meus discos por alguns anos. E foi MUITO divertido !!”

(Leno, em 13-11-2012, respondendo a pergunta se Raul Seixas havia tocado em sua banda)

O encontro aconteceu quando Leno estava bombando nas paradas de sucesso em 1968. Ele tem a lembrança exata do encontro e conta que foi num show beneficente no Rio de Janeiro, que a sua gravadora, a CBS, realizava anualmente. No palco, armado na Urca, Jerry Adriani estava acompanhado por sua banda e um dos músicos era o baiano Raul. Leno esperava a sua vez de cantar quando um baixinho magrinho se aproximou e perguntou: “Ah você que é o Leno? Tá ‘estouradaço’ lá em Salvador”, disse Raul, referindo-se à música “Pobreza”. Daí, já rolou uma empatia. “Pô, o cara era muito engraçado, agitado. Chegou e disse: ‘Tô aqui com a minha banda, Os panteras’”, conta Leno. O encontro do show foi em um sábado e, no domingo, Leno foi ao apartamento de Raulzito, que morava perto. Do show, ele também se lembra do momento em que Jerry Adriani foi chamado de “bicha” por uma galerinha barra pesada da Urca, não se conteve e desceu do palco, partindo pra briga com parte da plateia. “Nunca esqueci essa cena. Raul pulando do palco, bem magrinho, para ajudar o Jerry na porrada”, revela. Daí Raulzito mostrou a ele uma música com Os Panteras e Leno terminou gravando. Os dois começaram a cultivar a amizade e Os Panteras terminaram voltando para Salvador porque a gravadora não deu força para a continuidade da carreira. Mas Raul voltava para o Rio de Janeiro de vez em quando e ficava na casa de sua tia Maria Eugênia, ocasiões em que também se encontrava com Leno. O baiano estourou nacionalmente em 1973, com o lamento existencialista “Ouro de Tolo”.

Entre as pérolas do disco, está “Objeto Voador”, que serviu de base para que Raul gravasse posteriomente o sucesso “S.O.S” ((Oh! Oh! Seu Moço! / Do Disco Voador / Me leve com você / Prá onde você for / Oh! Oh! Seu Moço! / Mas não me deixe aqui / Enquanto eu sei que tem / Tanta estrela por aí).

Para se ter uma ideia da importância de Leno para Raul Seixas, no livro “O Baú do Raul Revirado”, há um manuscrito do baiano em que ele anota uma ideia para um novo disco. Todas as músicas seriam duetos. Raul escreve “Meus mestres. Um disco com 2 vozes (eu e o outro) 2ª voz” e enumera: 1 – Eu e Erasmo, 2 – Eu e Caetano, 3 – Eu e Gil, 4 – Eu e Núbia Lafayette, 5 – Eu e Roberto Carlos, 6 – Eu e Leno, 7 – Eu e Cláudio, 8 – Eu e Kika, 9 – Eu e Luiz Gonzaga.

É uma lista que deixa, por motivos óbvios, Leno emocionado. Estão nesta lista relacionados dois potiguares: Núbia Lafayette, cantora de bolero, também do cast da CBS, que foi uma influência para o roqueiro, que gostava de uma certa melancolia presente nas canções brego-românticas, estilo facilmente identificado em faixas como “Sessão das Dez” (Ao chegar do interior / Inocente, puro e besta…) “Eu quero mesmo” (Nunca falava “eu te amo” com medo de alguém me gozar) e “Tu és o MDC da minha vida” (Tu és o grande amor / Da minha vida / Pois você é minha querida / E por você eu sinto calor / Aquele seu chaveiro escrito “love”). Leno e Raul, quando trabalhavam na CBS, ficavam na mesma salinha. Foi na mesma época que ele produziu um outro clássico, “Lágrimas Azuis”, do Impacto Cinco.

E foi numa noite clara que Raulzito viu alguma coisa no céu, parecendo mover-se em meio às estrelas! Ele então diz que deseja ir naquele “objeto voador”, por que na terra não havia espaço para o amor. Assim estava criada mais uma canção, “Objeto Voador”.

No final da década de 60 começava então a parceria musical entre Leno e Raul Seixas, surgindo uma série de canções as quais foram mais tarde juntadas em um CD que recebeu o título de “Canções com Raulzito”.

Leno e Raulzito

O CD foi um lançamento independente contendo 14 faixas, sendo duas inéditas. Gravado e mixado entre outubro de 2009 e janeiro de 2010 em Natal/RN, o disco apresentou regravações de canções compostas por Leno e Raul Seixas no final da década de 1960 e início da década de 1970. Com produção e arranjos do próprio Leno e um time de músicos afinadíssimos, o disco, com produção gráfica bem cuidada, é um trabalho que encantou a todos os fãs tanto de Leno como de Raul.

Foi com o lançamento deste CD que aconteceu o resgate desta parceria e amizade que para muitos estava no anonimato até então!

Em 1970 foi composta a canção em parceria, intitulada “Se Eu Sou Feliz, Por Que Estou Chorando”, gravada por Renato e Seus Blue Caps:

Ainda em 1970, no final do ano, Leno apresentaria um ousado projeto em parceria com o amigo e na época também produtor da CBS, Raul (Raulzito) Seixas: era o álbum “Vida e Obra de Johnny McCartney”.
O projeto foi proibido pela censura militar, como sabemos, mas em 1971 Leno vai ao Festival Internacional da Canção, exibido pela TV Globo, e dribla a censura, apresentando uma das canções do álbum “Vida e Obra de Johnny McCartney”, a música “Sentado no Arco-Íris”, e se apresenta com seu parceiro Raul Seixas, que faz backing vocals com Jane Duboc.

Raul disse que esta foi a primeira letra de música que ele teve orgulho de ter escrito!

Tópico complementar: “As Muitas Voltas de Leno”

Entrevistando Leno

1) Qual o balanço que você faz de sua vasta carreira até aqui?

Atualmente bem satisfeito com o resultado musical do novo CD “Canções com Raulzito” , que acaba de sair, assim como meu primeiro DVD solo que acabo de gravar ao vivo aqui em Natal, onde estou residindo. Este teve realmente um balanço de minha carreira desde a dupla Leno e Lilian até as minhas parcerias, algumas inéditas, com o ainda desconhecido Raul Seixas, quando ele tocava em minha banda, e também meus grandes sucessos solo. De um modo geral acho que fiz durante a minha carreira o que queria e gostava e se em alguns momentos certos discos não viraram hits comerciais com toda a jabazelandia em que se transformaram as rádios pelo país dos anos 90 pra cá , pelo menos o saldo musical deste balanço me parece positivo.

2) No Brasil é muito difícil falar de Leno sem dar uma referência a dupla Leno e Lilian. O que simbolizou essa história em sua vida?

Vejo isso com naturalidade e fico feliz que a dupla tenha se tornado um ícone da Jovem Guarda. Foi algo importante na minha vida e tenho o maior carinho por isso. E se até hoje o Paul McCartney ainda é associado aos Beatles, quanto mais eu à Lilian e vice-versa. That’s all right mama.

3) A dupla Leno e Lilian teve muitas idas e vindas ao longo da carreira. Qual a relação de vocês hoje em dia?

Atualmente temos tido pouco contato, com ela morando em São Paulo e eu aqui no Nordeste. Mas não posso dizer que tenha sido um relacionamento muito fácil, desde a Jovem Guarda e durante as idas e vindas. Apenas cabeças diferentes, que o passar do tempo apenas acentuou. Mas a Lilian é uma referencia que, assim como eu para com ela, influiu em nossos destinos e respeito isso.

4) A Jovem Guarda não tem mais o mesmo espaço nas grandes emissoras como era antigamente. Em sua opinião, porque o gênero não está mais no seu auge?

O Brasileiro é modista… mas na verdade a chamada “Jovem Guarda’ é o Pop Rock tupiniquim, que ainda influi em muita coisa que rola por aí…o que mudou foi a tecnologia e o visual.

5) Qual seu último trabalho solo que lhe rendeu mais notoriedade à frente do mercado?

Bem , teve “Flores Mortas”, a primeira música abordando o tema do meio ambiente, pra você ver que não é tão recente…igualmente “Rosa de Maio”, trilha da novela Livre para Voar, mas as minhas regravações de “A Pobreza e Ritmo da chuva”, nos anos 90, chegaram ao disco de platina com um milhão de CDs vendidos no aniversário dos 30 anos da Jovem Guarda.

6) Como você está vendo a música produzida atualmente?

Muita tecnologia facilitando a vida de cantores ruins, com seus afinadores automáticos, bons músicos tecnicamente e poucas composições interessantes. Aos meus ouvidos isso vale também lá pra fora. Coincidência que isso tenha começado com o Jabá aqui no Brasil e o desestímulo aos compositores que não sejam também intérpretes e possam fazer shows. Então continuo ouvindo com prazer os clássicos do pop rock e muito Mozart, Bach e Beethoven. Roll over!

7) Quais outros cantores você poderia destacar pra gente como grandes parceiros seus ao longo da carreira?

Bem, eu destacaria o Renato Barros e o Ed Wilson, com quem fiz algumas parcerias, mas de um modo geral costumo compor sozinho.

8) Você ficou um tempo fora antes de retornar ao Brasil a fim de produzir outros trabalhos. O que você aprendeu durante esse tempo ausente dos palcos brasileiros?

O profissionalismo e perfeccionismo que os artistas lá fora tinham em relação ao show-bizz nacional. Mas isso vem mudando por aqui, principalmente no profissionalismo dos grandes shows. Mas o cara tem que estar estourando nas paradas pra conseguir uma infra-estrutura de palco realmente boa, pois hoje parece que a música é só um detalhe no meio dos efeitos especiais. Vê lá se os Beatles dependiam disso pra fazer o que fizeram!

9) Quais seus próximos planos dentro da música?

O lançamento do CD “Canções com Raulzito “, que poderá ser encontrado através de meu site,  assim como nos shows e o DVD “Leno ao vivo”, a sair no final do ano, ao qual estou me dedicando no estúdio para a finalização da mixagem e autoração.

10) Deixe um recado final pra legião de fãs do Leno espalhados pelo país afora.

Obrigado pelo carinho e atenção em todos estes anos, incluindo aqueles em que eu não estava aparecendo direto na mídia. Sempre digo que o verdadeiro fã é o melhor amigo do artista. E comprovo isso a cada dia..

Abração a todos!

Entrevista publicada no dia 25/11/2010 por Marcus Vinicius Jacobson