E ele hoje estaria fazendo 73 anos…

George Harrison, o ex-guitarrista dos Beatles será sempre lembrado pelo fantástico músico que foi e pela importante contribuição à música pop do século XX!

George Harrison - 24-02

A contribuição de George Harrison para a música do Século XX é bem mais substancial do que podemos imaginar. Junto aos seus companheiros, George formatou o modelo da canção Pop. Além disso, como instrumentista, o estilo de Harrison é algo muito difícil de ser imitado e a sua digital sonora é praticamente única. George Harrison sempre abdicou dos virtuosismos exasperados, optando por um caminho mais sóbrio como instrumentista, com destaque para o slide em detrimento das longas improvisações.

Durante sua passagem pelos Beatles, as composições próprias começaram a aparecer timidamente e foram evoluindo com o passar dos anos para temas do calibre de “IUf I needed someone”, “Taxman”, “While my guitar gently weeps”, “Here Comes the sun” e seu grande sucesso Beatle, “Something”.

Foi ele quem conduziu o grupo no caminho da meditação transcendental e da música indiana, sendo também o introdutor da cítara na música ocidental.

Com o final da banda em 1970, Harrison deslanchou com seu álbum de estreia, “All Things Must Pass”, um bolachão triplo onde desfilavam mega sucessos comerciais como “My Sweet Lord” e “What is Life”, miscigenadas a canções mais introspectivas e impregnadas de uma bem dosada carga espiritual e religiosa.

Para ajudar o país de seu amigo Ravi Shankar, protagonizou em 1971 o primeiro mega concerto beneficente da história, o lendário Concert for Bangladesh, realizado no Madison Square Garden.

A partir de 1972 a carreira e a vida de George oscilaram entre altos e baixos vertiginosos. Junto a sua banda de apoio, fez uma desastrosa digressão pelos Estados Unidos em 1974, no mesmo ano, a esposa dele na época, Patty Boyd, o abandonou para dividir a cama com Eric Clapton, seu melhor amigo e confidente naqueles tempos de amor livre. Mas vida que segue, logo em seguida ele acabou encontrando a tão almejada alma gêmea, a mexicana Olívia Arias, que lhe daria seu único filho, Dhani Harrison.
Em 1981 gravou o sucesso “All those years ago”, homenageando o amigo John Lennon, assassinado no ano anterior.
Meia década depois retornaria às paradas dos dois lados do Atlântico com o álbum “Cloud Nine”, considerado tanto pela crítica quanto pelo público, um de seus melhores trabalhos.

No final dos anos 80 integrou ao lado de Bob Dylan, Tom Petty, Roy Orbison e Jeff Lynne o quinteto “Travelling Wilburys”, uma banda de super astros que demarcou sua comunhão e parceria em dois álbuns muito elogiados.

Em 1991 Harrison voltou aos palcos, reaproximando-se de Eric Clapton (numa clara demonstração de grandeza e ausência de ressentimentos), na festejada turnê pelo Japão (que virou um LP duplo) ao lado do velho amigo e camarada.
Nos anos seguintes, junto a McCartney e Ringo Starr, participou do projeto Anthology, revivendo com seus antigos partners os anos dourados do fabuloso quarteto fantástico do Rock`n`roll.
Nos três últimos anos de vida, enquanto lutava contra um câncer, dedicava grande parte do tempo a uma de suas maiores paixões, a jardinagem!

Harrison não queria ser lembrado como um astro pó (era conhecido por ser o mais tímido e discreto dos Beatles), como também fugia acintosamente dos holofotes e de toda a purpurina do mainstream, preferindo sempre a companhia da família e o isolamento como estilo de vida.

Em 2001, finalmente, perdeu a batalha para o câncer e retornou para o jardim.

Após a sua morte, Bob Dylan disse em uma entrevista: “Ele tinha a força de cem homens. O mundo se tornou um lugar mais solitário sem George”.

Um ano depois chegou às lojas o álbum póstumo “Brainwashed”, um interessante registro da última safra de composições de Harrison, trabalho este que foi dedicado a todos os jardineiros do mundo! Outro belo recado do eterno menino tímido daquela bandinha inglesa que mudou o mundo nos anos 60!

Segundo um velho provérbio oriental, em grande parte das vezes a felicidade está escondida no nosso próprio jardim, mas é muito provável que ela esteja coberta pelo mato e ervas daninhas. Quem sabe em um dia qualquer desses iguais a tantos outros, sigamos o conselho de George, voltando os olhos para o nosso próprio quintal e até mesmo, quem sabe, transformando o mundo num lugar bem mais bonito e agradável de se viver.

Precisamos urgentemente retornar ao jardim!

(Por Eduardo Lenz de Macedo e Márcio Grings)

“Quando ouvi My Sweet Lord achei que seria meu ex-beatle favorito… não foi e pra ser
sincero, não gostava muito de seus discos solos. Mas o tempo passa, a gente teimosamente insiste em ouvir de
novo, e mais uma vez, e outra e então descobrimos, quase que tardiamente, que mais do que um roqueiro ali
estava um cara de uma sensibilidade ímpar, um compositor que revelava sua alma em suas canções, que tocava sua guitarra com a leveza de quem acaricia a mulher amada. Porra, George, você não podia ter partido tão cedo, o mundo não pode se dar ao luxo de perder pessoas como você. Esteja em paz, amigo, jamais o esqueceremos, pois sua alegria, seu bom humor, seu sorriso estará sempre alegrando nossas vidas.”

(Gerson da Silva)

“É incrível como certas pessoas mexem tanto com a gente! Mesmo depois de terem partido ainda as sentimos
como se estivessem vivas! Com George não poderia ser diferente! Apesar de já se passarem tantos anos, ainda não consigo aceitar que ele se foi, principalmente quando escuto suas músicas! Não sinto uma tristeza, apenas saudade! Era como se ele fizesse parte da minha família! Isso pode parecer até um exagero, mas não é!
Suas mensagens de paz e amor continuam a ecoar a cada momento em que escutamos suas canções… Talvez essa seja uma maneira de sentirmos que ele ainda vive em nossos corações…”

(Jorge Washington Sobrinho)

Fonte: Antiga comunidade do Orkut, “We Love the Beatles Forever”

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Os Beatles no Brasil! (Um dia isso foi anunciado)

A Revista Intervalo Nº 140, que saiu em setembro de 1965, anunciava…

Revista Intervalo - Setembro de 1965

Revista Intervalo – Setembro de 1965

Em meados dos anos 60, milhares de fãs de música, cinema e televisão, corriam às bancas semanalmente para ler as novidades na revista Intervalo. Em setembro de 1965, os fãs dos Beatles ficaram em estado de êxtase com essa capa da Intervalo, anunciando a vinda do quarteto ao Brasil. Os Beatles não vieram, e o que ficou, além da grande frustração de milhares de fãs, foi a forte imagem dessa capa (quase) antológica da Intervalo.

Vejam abaixo a matéria na íntegra da “não vinda” dos Beatles ao Brasil, um resgate feito por Rubens Stone no grupo do Facebook, “We Love the Beatles Forever”

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A vinda dos Beatles (na nossa capa e no álbum InTerValo) ao Brasil, que está para acontecer desde o lançamento aqui do primeiro disco do conjunto inglês e que toda a imprensa anunciou para fins de agosto ou princípio de setembro, virou novela, de fim imprevisível. Ninguém mais, em São Paulo e Rio, mais por dentro que esteja, pode informar hoje se os cabeludos vêm ou não ao Brasil. Na Secretaria de Turismo da Guanabara, onde deveria haver informação correta sobre o assunto, por que a temporada é promoção dela, as respostas são sempre três, do Porteiro ao Secretário: “Não vêm mais”, “Vêm mesmo em setembro” ou “De nada sabemos”.

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“Memórias de um Baterista Canhoto”, livro a ser lançado por Romir Pereira de Andrade em março!

Romir Pereira de Andrade foi o baterista da banda The Angels/The Youngsters, que acompanhou inclusive a Roberto Carlos na gravação de seu álbum mais famoso, o LP “Jovem Guarda”, como já falamos aqui. 😉

Romir baterista The Angels-The Youngsters nos anos 60 - gravação do LP da Celia Vilela -estudio da RCA para MUSIDISC.

Atualmente Romir está trabalhando na revisão do “boneco” de seu livro “Memórias do Baterista Canhoto” com a historia do The Angels/The Youngsters e a formação da Jovem Guarda, com o “making of” das gravações principais e uma crônica da vida boêmia dos músicos da época.
O livro deve ser lançado em março próximo, e ele faz aqui uma prévia, avisando que não é escritor, mas, um velho musico que relata o que ocorreu nos anos 60 entre os músicos da época…

50 ANOS DA JOVEM GUARDA – ELA AINDA NÃO CHEGOU À 3ª. IDADE, MAS VIVEU O BASTANTE PARA TER UMA HISTÓRIA.

A “J.G.” foi “cria” do Rock dos anos 50 e suas mutações, desde as vertentes musicais vindas dos afluentes nacionais e estrangeiros do “Rio da Música”, até os sambas em seus diversos formatos, musicas regionais brasileiras, músicas latinas, norte-americanas de estilos múltiplos, afro-latinas, francesas, inglesas, italianas, portuguesas, etc.

Muitos dos músicos que formataram a Jovem Guarda tiveram sua formação musical em bailes dançantes multirrítmicos e de estilos variados dos anos 60. Os bailes funcionaram como uma peça importantíssima da vivência prática musical, traduzindo “ao vivo” o que se lia ou ouvia dizer, assim como a residência médica fornece aos médicos a experiência prática diária em face de cada desafio não anunciado – não constante dos textos acadêmicos.
A multi cultura musical resultou em uma nova forma de expressão derivada dos diversos impulsos sonoros amalgamados em frases musicais que, junto com a verve poética embutida nas letras, cativaram a juventude da época.
Um ponto digno de nota é o de que foi formatada com instrumentos musicais precários e equipamentos de gravação super limitados.
Traduzo essa evolução e uma crônica da vida boêmia da época, no meu livro “MEMÓRIAS DO BATERISTA CANHOTO” – HISTÓRIA DA BANDA THE ANGELS/THE YOUNGSTERS que acompanhou o “REI” ROBERTO CARLOS nas 40 musicas que marcaram a “JG”, e outros astros da música da época, e que deverá ser lançado em março próximo.

Por Romir, o “baterista canhoto”.

A Hard Day’s Night, um filme em preto e branco.

Beatles - cena A Hard Day's Night

“A Hard Day’s Night” foi o primeiro filme dos Beatles. Escrito por Alun Owen e dirigido por Richard Lester (que também dirigiu o filme “Help!” de 1965) em 06 de julho de 1964 estreou nos cinemas do mundo todo.
O filme mostra um dia na rotina da banda, ou seja, mostra como era a relação com os fãs no auge da Beatlemania, mostrando como os quatro eram prisioneiros do próprio sucesso, durante uma viagem até Londres; eles não podiam sair em lugares públicos sem serem reconhecidos e terem sempre que sair correndo das fãs.

No Brasil o filme recebeu o título de “Os Reis do Ié-Ié-Ié” e daí veio o nome do ritmo musical que imperava no Brasil entre 1965 e 1972, o iê iê iê, que chamamos também de Jovem Guarda.

O projeto do filme foi um pedido de Ed Sullivam, que era uma pessoa influente e de renome e que tinha grande poder sobre a mídia nos Estados Unidos.

Brian Epstein foi para a América divulgar os Beatles e Ed Sullivam se interessou por eles.
Em seguida viajou até a Inglaterra para conhecê-los pessoalmente.
Fizeram um pré-contrato e várias pessoas estiveram envolvidas, como a EMI e a United Artists. Brian não visava lucro, ele queria mesmo era que os rapazes alcançassem a fama pelo mundo afora.

O orçamento do filme foi de US$ 500.000,00 (quinhentos mil dólares) e a United Artists informou que, pela quantia em dinheiro disponibilizada para as filmagens, não havia condições de se fazer um filme em cores.
Porém, se o filme fosse bem aceito e tivesse retorno financeiro, para os próximos filmes com os Beatles eles poderiam investir quantias mais elevadas…
É que todos achavam que aquele sucesso todo tinha os dias contados e não passaria de poucos meses; achavam que seria como um meteoro e iriam acabar tão rápido quanto surgiram, portanto, não compensaria gastar muito com eles e fazer o filme colorido.
O dinheiro empregado dava somente para fazer um filme pobre e caseiro, foi um financiamento básico, pois achavam que não iriam arrecadar nada com o filme.
Uma exigência era a de que o roteirista tinha que ser inglês, então Richard Lester foi chamado. Metade do filme era dublagem, não eram as verdadeiras fãs dos Beatles tendo toda aquela reação de histeria, mas sim atores teatrais contratados (recrutados pelo diretor); foi tudo uma armação, da metade do filme em diante.
Depois de pronto, tiveram que reeditar o filme, refazendo algumas partes dubladas, devido aos fãs ingleses.
Quem diria, no final o filme arrecadou nos cinemas mais de 12 milhões de dólares, a trilha sonora foi eleita a quarta melhor de todos os tempos na lista das 25 melhores trilhas sonoras de acordo com a revista americana Rolling Stones. E o filme foi até mandado para o espaço em uma cápsula do tempo para ser aberta daqui a muitos anos para ser estudado, devido ao grande sucesso que foi na época. Até estrelas foram batizadas com o nome de cada um dos Beatles!

O fato de ter sido um filme em branco e preto portanto não teve nada a ver com os recursos de filmagens da época, como muitos poderão pensar. A TV no Brasil ainda era em branco e preto, mas no exterior os filmes já eram coloridos.

Tudo isso está no DVD “A Hard Day´s Night”, um DVD duplo, que traz também o “making off” do filme.

Já no segundo filme, “Help”, eram os Beatles quem faziam as regras, pois aí já estavam famosos e eram o próprio sucesso!

John Lennon em Help!

John Lennon em Help!

Fonte: DVD A Hard Day’s Night e Comunidade “We Love the Beatles Forever” (Orkut)

Agora, 52 anos depois, a obra ganha exibição no Brasil pela Rede Cinemark.

O filme foi remasterizado no formato 4K nas suas comemorações de 50 anos de lançamento e, até então, havia sido exibido apenas no Festival do Rio. Nos dias 3, 6 e 8 de março a Cinemark exibiu o filme em 17 cidades brasileiras.

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Joe Primo, o Precursor da História dos Jet Black’s!

(A verdadeira historia da fundação do conjunto instrumental dos anos 60, “The Jet Black’s”, está contada no livro O PROTAGONISTA OCULTO DOS ANOS 60, de Primo Moreschi.)

Primo pintando o retrato de sua mãe, suas feições ele só se recordava de memória...

Primo pintando o retrato de sua mãe, suas feições ele só se recordava de memória…

Joe Primo, nome artístico de Primo Moreschi, é uma dessas pessoas predestinadas e muito especiais, que vieram ao mundo para construir uma vida rica de fatos pitorescos e situações inusitadas, sempre convivendo com venturas e desventuras, desafiando a morte e a vida com muito bom humor e propriedade, tirando dos infortúnios, força para sobrepujar os obstáculos que permearam sua vida, sempre tirando ensinamentos ao longo de sua trajetória, sem jamais esmorecer.

Filho dos italianos Concheta e José Moreschi, Primo foi o caçula de nove irmãos e ainda muito pequeno perdeu a mãe e em seguida o pai, tendo que viver de um lado para outro, sem um lar, primeiro de favor na casa de irmãos, depois tendo que trabalhar desde tenra idade para pagar seu próprio sustento em pensão domiciliar.

Ainda quando tinha de sete para oito anos de idade, Primo teve o primeiro contato com os instrumentos musicais, pois acompanhava seu irmão mais velho nos ensaios de sua banda country chamada Rancheiros da Paulicéia. Eles tocavam na Rádio América e Primo acompanhava os ensaios e assim aprendeu também a tocar violão e guitarra.

Primo nasceu artista e por necessidade aprendeu a profissão de retocador de retratos para ter o seu próprio sustento, e também exerceu a profissão de fotógrafo. Além disso, costumava compor canções e um belo dia a oportunidade de entrar para o meio artístico surgiu em um encontro casual com o compositor Américo de Campos.

Joe Primo gravou seu primeiro disco e tornou-se conhecido em 1961, com as músicas “Ela me fez de limão” e “Água de cheiro” sendo transmitidas pela Rádio Nacional de São Paulo, chegando às paradas de sucesso.
Foi em suas andanças pelas rádios de São Paulo para a divulgação do seu 78rpm que Joe Primo teve oportunidade de voltar à Rádio Nacional para participar de um programa de lançamentos musicais, intitulado “Ritmos para a Juventude”, cujo apresentador era Antonio Aguillar. Foi nessa época que ele teve a ideia de formar um conjunto de Rock para acompanhar os cantores que se apresentavam naquele programa, e juntamente com o amigo Roberto Caldeira dos Santos, o Bobby de Carlo, fundou o conjunto The Vampires, que viria a ser The Jet Black’s, em um tempo em que o Rock’n’Roll começava a marcar presença no Brasil.

Foi assim que o menino órfão, que passou tantas privações na vida, tendo sido até mesmo acometido por grave doença, precisando ser internado no Sanatório Nossa Senhora das Mercês em Campos do Jordão para se tratar da doença que o acometeu devido a ter passado fome e frio em suas peregrinações pelas rádios e gravadoras em busca de divulgação dos discos do conjunto, iniciou os primeiros passos para que o Brasil tivesse uma das mais queridas e famosas bandas de Rock Instrumental, The Jet Black’s, cujo sucesso foi tanto que mesmo tendo já se passado mais de 50 anos do início de tudo, não há quem não tenha ouvido falar nela!

Primo Moreschi ainda formou Os Megatons, um grupo que se destacou pelos sons exóticos e criativos perpetuados na música jovem, antes de se retirar definitivamente do meio artístico para viver em Campo Grande/MS, onde constituiu família e tornou-se reconhecido empresário da indústria de moveis planejados e exclusivos.

Por Lúcia M. Zanetti de Araújo, uma fã de Primo Moreschi e dos Jet Black`s.

Bobby de Carlo fala sobre seu amigo e companheiro, Primo Moreschi.

Eu diria que Primo é um artista! Musico, pintor, compositor, poderia ser também um grande ator comediante. Lembro-me de um texto seu que em resumo seria isto:

“…Como você é linda, seu vestido branco, suas mãos tão delicadas, seu rosto tão lindo, sua pele clara, muito clara.
Porque não fala comigo?
Acorda! acorda! ACORRRRDA!!!
Pô! Não vê que ela tá morta?”

Desculpe o humor negro, mas isso era coisa do Primo…

No meu primeiro LP pela gravadora Mocambo, gravei com os Megatons. Foi certamente um dos momentos de maior prazer na minha vida.

Sem imposição alguma, gravei o que queria da forma mais descontraída possível.
Com o bom humor do grupo, o clima era maravilhoso. Criei arranjos, participei como musico, convidei para participar em algumas faixas o Wanderley pianista, (ex Roberto Carlos), o Nestico sax do Jet´s, e nunca houve por parte dos Megatons, Primo, Bitão, Luiz, Renato e Edgar qualquer tipo de estrelismo.

Nós nos divertimos muito. Coisa que não aconteceu quando da minha volta ao The Jet Black´s em l964, quando disse ao Jurandir para que criássemos algumas musicas, coisas próprias. Porem ele achava melhor “tirar” musicas de outros conjuntos, ou seja, copiar o original e tocar nos Jet Black´s. Coisas estas que fazíamos em nossa adolescência musical.

O Orestes saiu, e eu, desmotivado, saí também.

Serei sempre amigo do Primo, tenho-o em alta estima.

Tenho certeza que a década de sessenta será marcada positivamente em nossas vidas!

Um grande abraço
Bobby.

“Meu querido, meu velho, meu amigo”… Robertino Braga, o pai do “Zunga”!

Robertino Braga era o nome do pai de Roberto Carlos, seu maior incentivador para trilhar a carreira artística.

Robertino Braga

Como era relojoeiro e viajava muito de sua cidade Cachoeiro do Itapemirim/ES para o Rio de Janeiro, para comprar peças de relógios, de vez em quando levava seu filho para conhecer as coisas da cidade grande. Roberto teve sua oportunidade de participar naquela época do programa do comunicador famoso Renato Murce.
Seu Robertino chamava seu filho de ZUNGA e foi ele quem comprou seu primeiro violão, para incentiva-lo à carreira artística.
Seu pai era um homem muito brincalhão e gostava de contar histórias e jogar baralho, e tinha muitas cartas do mundo inteiro. Um dia Roberto resolveu fazer uma musica em sua homenagem, cujo título é “MEU QUERIDO, MEU VELHO, MEU AMIGO” e saiu no LP de 1979, uma composição em parceria com Erasmo Carlos.

Seu pai, que nasceu em l896 e viveu até 27 de janeiro de l980, ouviu a musica nos seus últimos dias de vida, vindo a falecer aos 83 anos de idade de enfisema pulmonar. Existe uma rua em Cachoeiro de Itapemirim com o nome de Robertino Braga em homenagem ao homem que colocou no mundo o ídolo da eterna Jovem Guarda que é ROBERTO CARLOS.

Por Antonio Aguillar