O Guitarrista George Harrison!

Opiniões de músicos e amigos sobre George Harrison como guitarrista, publicados na Revista ‘Guitar Player’.

Les Paul: “Não houve muitos grandes guitarristas – mesmo com bilhões de instrumentistas por aí. Poucos têm
algo a dizer e o privilégio de fazer isso. Devemos ser gratos a esses guitarristas. George foi um deles.”
Brian Setzer: “Sentimos falta dos grandes riffs que Harrison criou. Além de suas próprias composições, quase
todas as músicas de Lennon & McCartney possuem um grande riff de guitarra. George era quem tinha de pensar
nessas coisas – isso já é dois terços de uma grande música.”
Joe Walsh: “Se vc tocar algumas partes da guitarra de George, conhecerá o lugar único e especial em que
estava sua cabeça. Seus solos eram impressionantes! Ele foi subestimado, uma vasta quantidade de técnica foi
necessária para criar seus solos – eles tem seu próprio som. Foi isso que me atraiu. Toda vez que eu tentava tirar
músicas como ‘And Your Bird Can Sing’ ou ‘Drive My Car’, eu acabava coçando a cabeça e pensando ‘onde neste
mundo está esse cara?’ Eu não conseguia dizer de qu
em ele estava roubando seus licks!”
Steve Lukather: “Comecei a tocar guitarra em 1964, depois de comprar ‘Meet The Beatles’. Ouvi o solo de George
em ‘I Saw Her Standing There’ e minha vida mudou para sempre. Mais tarde, George se tornou meu amigo e
tenho muitas lembranças ótimas dele. Uma vez, ele veio à minha casa com seu filho, Dhani, que queria
conhecer Slash. George sabia que Slash era meu amigo e levei-o para conhecê-lo. Em outra ocasião, toquei na
casa de Jeff Lynne com Bob Dylan, no baixo, e eu e George nas guitarras. Cara, sempre irei lembrar disso com
carinho.”

Brian May: “George Harrison foi um guitarrista fabuloso e um exemplo maravilhoso de como um rock star deve
ser. Eu o reverenciava como um inovador. Ele sempre foi original, corajoso e melódico. Era repleto de qualidade
espiritual e consciente da estrutura de acordes sob o solo. Ele teve a coragem de tocar de maneira simples.
Nunca se refugiou em efeitos ou tentou impressionar com velocidade. Espero que Harrison tenha sabido o quanto
nós o amávamos e respeitávamos.”
Wander Taffo: “Se vc me perguntasse qual solo eu gostaria de ter criado, o de ‘Something’ é o primeiro que me
vem à cabeça. Toquei essa música milhões de vezes. Sempre que eu executava o solo achava horrível, pq eu
não conseguia tocar igual. As notas eram as mesmas, mas nunca me senti à altura de fazer aquilo. Tocar como
Harrison naquele solo é quase impossível. Ele tinha um feeling intraduzível. Toca aquilo com uma emoção tão
grande que, quanto mais vc estuda o instrumento, mais percebe a dificuldade de se criar coisas simples. Harrison
é a melhor escola de criação de coisas que se fixam à mente. É exemplo de feeling, criatividade e estilo.”
Sérgio Dias: “George sempre fazia coisas muito inteligentes, musicais e melódicas. O arpejo de ‘Help’ é muito
avançado para aquela época. Ninguém conseguiu reproduzir seus sons. O solo de ‘Something’ é mais forte do
que a melodia da música. George determinou o estilo de outros guitarristas – ele era o estilo. Harrison é tão
gênio quanto Beethoven ou Jimi Hendrix e possui algo que outros guitarristas não têm: classe.”

George em preto e branco

Dylan também comentou, mas na Revista Rolling Stone…
“George ficou marcado por ser o Beatle que tinha que brigar para colocar as suas canções nos discos, por causa
de Lennon e McCartney. Bem, quem não ficaria marcado? Se George tivesse tido sua própria banda e
escrevesse as próprias canções, teria sido tão grande quanto qualquer um deles. George tinha a esquisita
habilidade de apenas tocar acordes que não pareciam estar conectados e daí… Surgia com uma melodia e a
canção. Não conheci mais ninguém que fizesse isso, também. O que posso te contar? Ele era daquela antiga
linha de instrumentistas em que cada nota era uma nota a ser contada.”

“Amo o som da guitarra do George. Acho ele um passo à frente (É o que os meus ouvidos dizem, desculpem-me os
técnicos). (José Luis Queiroz em 17/10/2008)

“George Harrison foi um grande gênio nas guitarras! Conseguia através de seus slides emocionar a todos! Estas opiniões de grandes guitarristas mostram o quanto Harrison era querido e admirado! Me impressionou o comentário de Brian May, já que adoro seu estilo, e saber que também era um fã de George me trás ainda mais alegria, pois se George era a alma dos Beatles, May era o mesmo para o Queen!” (Jorge Washington Antunes Sobrinho em 17/10/2008)

“Brian May é fantástico, consegue combinar o virtuosismo com solos lindos. E um cara como ele dizendo o que disse sobre o Harrison, o que mais se pode falar? Eu não falo nada, já que sou suspeito, pois é o meu preferido após o fim dos Beatles…” (José Carvalho em 17/10/2008)

E ainda o comentário do Luis Fernando, da Banda Golpe Sujo, publicado na Revista Guitar Player:

“Comentário do Mês” da edição de setembro de 2011 da Guitar Player brasileira, by Luiz Fernando (do
Golpe Sujo):

“Tenho de parabenizar a Guitar Player pela reportagem de capa com o inesquecível George Harrison. Acho que a revista tem o dever de mostrar aos mais jovens o trabalho de guitarristas cujo som excede as notas frias de uma partitura e ganha a dimensão cultural de uma época especial, na qual a canção não representava somente uma diversão imediata e superficial, mas um compromisso com as imprescindíveis mudanças que o mundo merecia (e ainda merece) sofrer. E isso deve se refletir no trabalho de um guitarrista, que com sensibilidade e talento, qualidades mais relevantes que somente a habilidade e técnica, deve tentar traduzir o espírito de uma época. Não se aprende George Harrison somente lendo uma partitura. Aprende-se George Harrison escutando e entendendo as nuances de seu magnífico legado musical”.

Hoje, 24 de fevereiro de 2015, George Harrison estaria aniversariando e seria o seu aniversário de 72 anos!

George nasceu em 24 de fev segundo o Diário dos Beatles” de Barry Milles, Editora Madras.

George Harrison nasceu às 23h42 do dia 24 de fevereiro, mas só soube disso pouco tempo antes de sua morte em 2001, e sempre comemorou seu aniversário no dia 25 de fevereiro. (George Harrison nasceu em 24 de fevereiro, segundo o livro “O Diário dos Beatles” de Barry Milles, Editora Madras)
Em 1992, em entrevista à Billboard Magazine, George contou que apesar de sempre ter comemorado seu aniversário no dia 25, ele havia descoberto recentemente que havia nascido no dia 24.

Portanto, hoje seria o aniversário de George Harrison, que foi guitarrista dos Beatles mas hoje também é lembrado pelo músico fantástico que sempre foi e por sua importante contribuição à música Pop do século XX.

“A contribuição de Harrison para a música do Século XX é muito maior do que se pode imaginar: ele formatou o modelo da canção Pop e como instrumentista, seu estilo é algo muito difícil de ser imitado e a sua digital sonora é praticamente única. George Harrison sempre abdicou dos virtuosismos exasperados, optando por um caminho mais sóbrio como instrumentista, com destaque para o slide em detrimento das longas improvisações.
Durante sua passagem pelos Beatles, as composições próprias começaram a aparecer timidamente e foram evoluindo com o passar dos anos para temas do calibre de “If I Needed Someone”, “Taxman”, “While my guitarr gently weeps”, “Here comes the Sun” e seu grande sucesso enquanto um Beatle, que foi “Something”.
Foi ele quem conduziu o grupo no caminho da meditação transcendental e da música indiana, sendo também o introdutor da cítara na música ocidental.
Com o final da banda em 1970, Harrison deslanchou com seu álbum de estreia, “All things must pass”, um bolachão triplo onde desfilavam mega sucessos comerciais como “My Sweet Lord” e “What is Life”, miscigenadas a canções mais introspectivas e impregnadas de uma muito bem dosada carga espiritual e religiosa. Para ajudar o pais de seu amigo Ravi Shankar, protagoniza em 1971º primeiro mega concerto beneficente da história, que foi o lendário Concert for Bangladesh, no Madison Square Garden.
A partir de 1972 a carreira e a vida de George oscilam entre altos e baixos vertiginosos. Junto a sua banda de apoio, fez uma desastrosa digressão pelos Estados Unidos em 1974; no mesmo ano, a esposa dele na época, Pattie Boyd, o abandona para dividir a cama com Eric Clapton, seu melhor amigo e confidente naqueles tempos de amor livre; mas vida que segue, logo em seguida ele acaba encontrando a tão almejada alma gêmea, a mexicana Olivia Arias, que lhe daria seu único filho, Dhani.
Em 1981 grava o sucesso “All Those Years Ago”, homenageando o amigo John Lennon, assassinado no ano anterior. Meia década depois retorna às paradas dos dois lados do Atlântico com o álbum “Cloud Nine”, considerado pela crítica e pelo público um e seus melhores trabalhos.
No final dos anos 80 integra ao lado de Bob Dylan, Tom Petty, Roy Orbison e Jeff Lynne o quinteto “Travelling Wilburys”, uma banda de super astros que demarca sua comunhão e parceria em dois álbuns muito elogiados.
Em 1991 Harrison volta aos palcos, reaproximando-se de Eric Clapton, numa clara demonstração de grandeza e ausência de ressentimentos, na festejada turnê pelo Japão, que deu origem a um LP duplo, ao lado do velho amigo camarada.
Nos anos seguintes, junto a Paul McCartney e Ringo Starr, participa do projeto Anthology, revivendo com seus antigos partners os anos dourados do fabuloso quarteto fantástico do Rock´n´Roll.
Nos três últimos anos de vida, enquanto lutava contra um câncer, dedicava grande parte do tempo a uma de suas maiores paixões: a jardinagem.
Harrison não queria ser lembrado como um astro Pop – ele era conhecido por ser o mais tímido e discreto dos Beatles – como também fugia acintosamente dos holofotes e de toda a purpurina do mainstream, preferindo sempre a companhia da família e o isolamento como estilo de vida.
Em 2001 finalmente perde a batalha para o câncer e retorna para o jardim…
Após a sua morte, Bob Dylan disse em uma entrevista: “Ele tinha a força de cem homens. O mundo se tornou um lugar mais solitário sem George”.
Um ano depois chega às lojas o álbum póstumo “Brainwashed”, um interessante registro da última safra de composições de Harrison, um trabalho que foi dedicado a todos os jardineiros do mundo!
Outro belo recado do eterno menino tímido daquela banda inglesa que mudou o mundo nos anos 60! Segundo um velho provérbio oriental, em grande parte das vezes a felicidade está escondida no próprio jardim, mas é muito provável que ela esteja coberta pelo mato e ervas daninhas. Quem sabe em um dia qualquer desses iguais a tantos outros, sigamos o conselho de George, voltando os olhos para o nosso próprio quintal e até mesmo, quem sabe, transformando o mundo num lugar bem mais bonito e agradável de se viver.
Precisamos urgentemente retornar ao jardim!”

Por Eduardo Lenz de Macedo & Márcio Grings / 2006