Os Santos, The Brazilian Bitles e Os Baobás: Bandas de Rock formadas nos anos 60, sob a influência da Beatlemania!

Como eu havia publicado aqui nesta reportagem da Revista Fatos & Fotos, no Brasil demorou quase dois anos até que as bandas de rock se adaptassem à nova moda ditada pelos Beatles.

Na década de sessenta havia dezenas de grupos instrumentais de rock criados sob a influência dos Shadows, Ventures e dos Beatles, alguns menos conhecidos, como The Sparks, The Sticks & Stones, Les Strangers,The Jones, The Mettleds, The Demons, The Argonauts, The American Shadows, Nin and Your Boys, Os Comanches, The Black Boys, Jacinto & His Boys, Jerry Jefferson, outros mais conhecidos como The Silvery Boys, Lafayette e seu Conjunto, Betinho e seu Conjunto, Os Santos, Os Baobás, etc. Alguns ficaram registrados com o lançamento de um álbum (LP) mas a grande maioria deles gravou apenas um ou dois singles. O que é importante notar é que mais de 100 álbuns instrumentais foram gravados na década de 1960 por bandas instrumentais locais, segundo nos informou Santo Humberto Luneta, o que mostra o importante papel desses grupos no desenvolvimento do cenário do Rock no Brasil.

OS SANTOS

Os Santos - 1965

Os Santos – 1965

A Banda Os Santos foi um grupo de rock instrumental e vocal da Jovem Guarda, formado no Rio de Janeiro em 1965. Na formação do grupo participaram Euclides – ex The Pop’s na guitarra solo, Jair, guitarra ritmo, José Antonio, o Bolonha, no baixo, Carlinhos na bateria e posteriormente Rostan, o Tonzinho, na bateria. Por terem acompanhado Ronnie Von na gravação do seu primeiro compacto simples, contendo a música “Meu Bem”, foram logo contratados pela gravadora Polydor. Gravaram um compacto duplo em agosto de 1966 com as músicas Nunca Mais, Vai Ser Bom, Eve of Destruction e a Noite Que Passou, essa última uma versão escrita por Antônio Aguillar para a canção The Night Before, dos Beatles.
Depois de um tempo de pouca atividade, receberam uma ajuda do produtor, músico e apresentador Carlos Imperial e a partir disso lançaram três LP pela gravadora Equipe, todos instrumentais, sendo dois deles com músicas de natal. Seguem fotos do álbum lançado em 1968, AS 12 MARAVILHAS EM IÊ IÊ IÊ, todo instrumental, com algumas músicas antigas para a época. Esse disco foi considerado como um dos melhores do gênero, muito elogiado no exterior.

Em seu programa “Jovens Tardes de Domingo” de 08 de junho de 2014, Antonio Aguillar mostrou esta rara versão da canção dos Beatles, The Night Before, cuja versão ele fez em 1965, cantada aqui pelo conjunto Os Santos.

Os Santos – A Noite que Passou (versão da canção dos Beatles, The Night Before).

Os Santos 2Os Santos 3

Euclides de Paula, o guitarrista, também fez parte do conjunto Renato e Seus Blue Caps e depois todo o grupo deu origem à formação de Luizinho e os Dinamites. Quando o grupo deixou o Luizinho , após gravarem um LP na RCA Victor, Paulo Ribeiro e mais alguns colegas dele do conjunto The Flemings foram chamados por Luizinho para formarem os novos Dinamites, onde Paulo tocou durante seis meses.

Paulo me presenteou com o pandeiro dos Flemings, durante o show dos 50 anos da Jovem Guarda realizado no Club Homs em São Paulo, em 22 de agosto de 2015…

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Após a primeira parada do conjunto The Flemings, Paulo Ribeiro levou os remanescentes dos Flemings, Paulo Mendes (bateria) e João para substituirem juntamente com ele os integrantes dos Dinamites do Luizinho. Euclides, o guitarrista solo, tinha tocado com Renato e Seus Blue Caps e juntamente com Bolonha (baixo), Carlos (bateria ) e Jair (guitarra) formaram “OS SANTOS”, deixando Luizinho com um tremendo LP gravado com versões de músicas de Cliff Richards do LP Rock Turbulento. Luizinho gostou do entrosamento que já havia entre os músicos dos Flemings, os quais tinham experiência na música jovem.
Após alguns ensaios estavam prontos para se apresentarem, quando o Luiz resolveu fazer uma guitarra canhota pra ele mesmo tocar, pois antes ele sempre cantava como o Cliff Richards. Em seguida fez com que todos se vestissem como os Beatles e saiu para fazer os shows sozinho. Poucos meses depois resolveu desfazer os Dinamites e se lançar sozinho imitando o Trini Lopes, sem nenhuma razão, pois o grupo estava muito bom, contou-me o próprio Paulo Ribeiro.

THE BRAZILIAN BITLES

Havia um conjunto carioca que se formou a partir do núcleo de outra banda da época, The Dangers, em julho de 1965, no qual participavam o guitarrista Vitor Trucco e o cantor e guitarrista Jorge Eduardo. Eles se uniram a Luiz Toth na bateria, Fábio Block no baixo e Eliseu da Silva Barra, o Ely Barra, no teclado. Cultivaram o cabelo em formato de cuia (mop top) e formaram os Beatles Brasileiros, totalmente influenciados pela Beatlemania, no período em que o quarteto de Liverpool estava no auge. Mas a banda não se limitou apenas às influências dos Beatles; seus músicos procuraram diversificar sempre e com isso criaram um repertório variado, entre canções originais do grupo e versões roqueiras da melhor qualidade, como o sucesso “Gata (Wild Thing)”, dos Troggs, além de tantas outras raras preciosidades do melhor do rock dos anos 60.

Os Brazilian Bitles contavam na sua formação original com Vitor Trucco (guitarra solo e depois, baixo), Luiz Toth (bateria), Fábio Block (Baixo, depois guitarra), Jorge Eduardo De Almeida (Voz e guitarra-base) e Eliseu Da Silva Barra, o Ely Barra (cantor e teclados).
Estrearam na boate “La Candelabre”, com grande repercussão da mídia. O repertório da banda trazia de Beatles a Rolling Stones, passando por Chuck Berry, Little Richard e The Who, além das bandas americanas de garagem e ainda mais, o grupo trazia também influências do cancioneiro romântico brasileiro. Tudo isso misturado e transformado em canções próprias conquistou de forma arrebatadora a juventude brasileira dos meados dos 60.
As canções, permeadas de climas modernos, psicodélicos e de garagem, além de uma boa dose de romantismo nas baladas, causou sensação, e músicas como “Dedicado A Quem Amei”, “Deixe Em Paz Meu Coração” e “Cabelos Longos, Ideias Curtas” se tornaram hits radiofônicos instantâneos.
Uma das principais características dos Brazilian Bitles era o seu grande humor e as cabeleiras dos seus integrantes. Este visual associado à juventude radiante dos seus integrantes, fez com que a banda fosse convidada a participar no cinema do filme “Rio, Verão E amor”, de 1966, o primeiro filme colorido brasileiro.
Na TV Excelsior do Rio, o grupo passou a apresentar o programa BBC – “Brazilian Bitles Club”. O programa ia ao ar aos sábados à tarde e fez grande sucesso entre o público jovem carioca.

The Brazilian Bitles atuou na música jovem como uma das mais inovadoras e competentes bandas brasileiras, na divulgação do rock e da jovem guarda. Eles talvez tenham sido o primeiro grupo brasileiro a associar música e humor, como faria o Ultraje A Rigor, vinte anos depois. Eventos como a famosa “Missa do Iê Iê Iê” e a participação do grupo no cinema e na televisão confirma tudo isto. Somente a versão de Rossini Pinto para o clássico “Satisfaction”, dos Stones, gravada pelo grupo como “Não Tem jeito”, já colocaria a banda como uma das mais importantes do rock no Brasil. Mas eles fizeram muito mais.

Em 1967, gravaram seu disco de estreia, “É ONDA”, pelo selo Polydor, com grande sucesso. O título do álbum era moderníssimo para a época, somente as cabeças jovens mais antenadas entenderiam aquela fantástica palavra, “É Onda”, palavra que traduzia todo o alucinante estilo de vida jovem dos anos 60.
(Texto de Rubens Stone publicado no grupo The Brazilian Bitles no Facebook.

Brazilian Bitles - Luiz Toth, Jorge Eduardo Almeida, Fabio Block, Ely Barra e Vitor Trucco

Brazilian Bitles – Luiz Toth, Jorge Eduardo Almeida, Fabio Block, Ely Barra e Vitor Trucco

Brazilian Bitles

OS BAOBÁS

Grupo de rock criado em São Paulo em 1965, com seis integrantes, entre os quais, Arnolpho Batista, Liminha e Tico Terpins. No ano seguinte (1966) lançou pela Mocambo um compacto simples com as músicas “Bye bye my darling” e “Pintada de preto”. Eram especialistas em versões dos Rolling Stones, The Doors e Jimi Hendrix. No início fez parte do grupo o baixista Arnolpho Lima, o Liminha, que depois integrou Os Mutantes e que nos anos 1980 e 1990 se tornou o principal produtor musical do país. Deixou o conjunto em 1967 sendo substituído por Tico Terpins, que anos depois fundou o grupo de punk rock “Joelho de Porco”. Ainda em 1967 o conjunto lançou “Don’t bring me down” e “When loves come knocking”. No ano seguinte, 1968, gravaram seu único LP.
O LP original (1968) é um disco basicamente de covers, que devido ao mistério em torno da história da banda levou muita gente aos “sebos” (lojas de vinil antigo) do Brasil atrás de uma cópia. Aquela capa colorida, apenas com o nome da banda em vermelho (sem o “Os”), no entanto, fez a alegria de poucos. Gravado por uma pequena editora, a Mocambo/Rozenblit, em 1968, o álbum é uma das maiores raridades da discografia nacional.
A história recontada dos Baobás tem seu ponto alto na presença entre os seus integrantes do atual produtor e ex-baixista dos Mutantes, Arnolpho Lima Filho, o Liminha. Aliás, com uma passagem meteórica pela banda, pois participou do único álbum, por tabela: ele gravou apenas o compacto com “Ligth My Fire (Doors) e Tonite (Guga, cantor da banda), esta última presente no LP. Liminha, que aparece na capa do compacto, é geralmente confundido fisicamente com o também baixista Nescau, presente na foto do LP.
A história inteira da banda, que desembocou na gravação deste álbum Antologia, começa com a Beatlemania, quando adotaram o nome de Rubber Souls, e participavam de programas de televisão na capital paulista. Em 1966, estrearam com o compacto Pintada de Preto (Painted It Black, dos Rolling Stones) / Bye Bye My Darling (deles), ao qual se seguiram mais quatro singles, entre eles Happy Together (Turtles) e Down Down, um punk na linha “nuggets”, de autoria do ex-O’Seis (o pré-Mutantes), Rafael Vilardi, então membro da banda.
A primeira e original formação do grupo contava com Ricardo Contins (guitarra), Jorge Pagura (bateria), Carlos (baixo), Renato (guitarra solo) e Arquimedes (pandeiro). Mas pela banda ainda passaram, além dos já citados, Tito, Tuca (ex-Lunáticos, depois Beatniks, Galaxies e Sunday), Guga, Calia e Tico Terpins (depois Joelho de Porco). Do disco, participam (da esquerda para a direita na foto da capa): Tuca, Nescau, Guga, Calia, Tico Terpins e Pagura.
O repertório do álbum é um mergulho na clássica e importada psicodelia da época, incluindo covers para Doors (“Hello, I Love You”), Love (“Orange Skies”) e Kinks (“Well, Respected Man”). Conta ainda com hits do momento (“The Dock Of The Bay” – Otis Redding), standars como “Hey Joe” (Jimi Hendrix) e duas interessantes composições próprias – “Tonite” e “Got To Say Goodbye” (do guitarrista Tuca), ambas cantadas em inglês.
O nome Baobás – árvore gigante e frondosa da África – retirado do livro “O Pequeno Princípe”, foi sugestão de Ronnie Von, que também batizou os Mutantes. Além do padrinho, com quem gravaram um compacto (“Menina Azul” em 1967), o grupo também acompanhou Caetano Veloso em programas de televisão e shows, substituindo os Beat Boys. Clássica banda de garagem, com as conhecidas exceções, a maioria dos integrantes virou os anos setenta nas universidades, de onde saíram médicos, dentistas e empresários.
(Texto de Fernando Rosa, publicado no site Senhor F e levado para o grupo Eterna Jovem Guarda por Sylvio Habibe.)

Os Baobás

Durante a sua existência, a banda lançou cinco compactos/singles e um LP, além de participações em gravações.

Discografia:

Compactos simples/singles:
Bye Bye My Baby / Pintada de Preto (Paint It Black) (Mocambo / Rozenblit CS-1.182) – 07/1966
Happy Together / Down Down (Mocambo / Rozenblit CS-1246) – 12/1966
Don’t Bring Me Down / When Love Comes Knocking (At Your Door) (Mocambo / Rozenblit CS-1.272) – 03/1967
Light My Fire (Acenda Meu Fogo) / Tonite (Esta Noite) (Mocambo / Rozenblit CS-1.307) – 06/1967
The Dock Of The Bay (As Docas da Bahia) / Spooky (Mocambo / Rozenblit CS-1.334) – 03/1968

Os Baobás cm 1

Os Baobás cm 2

Os Baobás cm 3

Os Baobás cm 4

Os Baobás cm 5

Os Baobás cm 6

Os Baobás cm 7

Os Baobás cm 8

Long play/L.P.:
Baobás (Mocambo / Rozenblit 40.388) – Junho/1968

Os Baobás/Down Down (Ricardo Contins)
Segundo compacto do grupo Os Baobás, então formado por Ricardo Contins (guitarra e vocal), Jorge Pagura (bateria), Carlos (contra-baixo) e o ex-O’Seis (o pré-Mutantes) Rafael Vilardi (guitarra). Uma das melhores e mais comentadas bandas dos anos sessenta, que teve seis formações diferentes, incluindo a participação de Liminha (ex-Thunders, Lunáticos e Mutantes, e produtor nos anos 80 e 90). Originalmente chamados Rubber Souls, estrearam tocando Beatles no programa JR Juventude, no Canal 4, e gravaram seu primeiro compacto, com “Pintada De Preto”/”Painted Black” e “Bye Bye My Darling”, editado já com o novo nome – Os Baobás. Gravaram cinco compactos e um LP ao longo de seus quatro anos de vida – de 65 a 68, incluindo o raro cover para “Light My Fire” (The Doors).

Os Baobás 2

O conjunto teve várias formações e nesta da foto do único LP, abaixo, o o sexto à direita é o grande neurocirurgião Dr. Jorge Pagura, aquele mesmo que cuidou de Osmar Santos, logo após seu acidente, no Hospital Albert Einstein em São Paulo; quinto da esquerda para a direita é o falecido Tico Terpins, que depois fez parte do Joelho de Porco, e que era sócio do também falecido Zé Rodrix, em uma agência de jingles. (Informação de Fares Darwiche)

O conjunto teve várias formações e nesta da foto do único LP, abaixo, o o sexto à direita é o grande neurocirurgião Dr. Jorge Pagura, aquele mesmo que cuidou de Osmar Santos, logo após seu acidente, no Hospital Albert Einstein em São Paulo; quinto da esquerda para a direita é o falecido Tico Terpins, que depois fez parte do Joelho de Porco, e que era sócio do também falecido Zé Rodrix, em uma agência de jingles. (Informação de Fares Darwiche)

O conjunto teve várias formações e nesta da foto do único LP, abaixo, o sexto à direita é o grande neurocirurgião Dr. Jorge Pagura, aquele mesmo que cuidou de Osmar Santos, logo após seu acidente, no Hospital Albert Einstein em São Paulo; quinto da esquerda para a direita é o falecido Tico Terpins, que depois fez parte do Joelho de Porco, e que era sócio do também falecido Zé Rodrix, em uma agência de jingles. (Informação de Fares Darwiche)

Fontes da pesquisa:

1 – Grupo Eterna Jovem guarda no Facebook
2 – Ronnie Von, O Príncipe que Podia ser Rei, de Antonio Guerreiro / Luiz Cesar Pimentel

Um Beatle em cada esquina! De como surgiram as bandas de Rock no Brasil.

Este era o título da reportagem da Revista “Fatos & Fotos” em sua edição de 24 de julho de 1965.

Os Beatles foram lançados no cenário norte-americano no final de 1963-início de 1964, mas levou muito mais tempo para que o quarteto britânico do mop top começasse a causar boa impressão aos adolescentes brasileiros.
Os brasileiros estavam vivendo diferentes estilos de vida e talvez porque houvesse um golpe militar de direita em abril de 1964, as coisas ficavam um pouco deformadas e levava mais tempo para que as novas idéias chegassem aqui pelas nossas praias do sul.

As bandas de rock instrumental como The Jet Black’s, The Flyers, The Clevers e The Jordans usavam cabelos curtos e ainda copiavam The Shadows e The Ventures. Demorou quase dois anos até que as bandas de rock se adaptassem à nova moda ditada pelos Beatles.

Este artigo de julho de 1965 da revista “Fatos & Fotos” mostra oito bandas brasileiras e suas brincadeiras. Podemos ver que os cabelos ainda eram bem curtos… mas eles estavam tentando arduamente mudar.

“Ousados, loucos, cabeludos, farsantes, geniais, os brasileiros também entram na era da desintegração musical”. 🙂

“No começo era só cabelo comprido. Depois, o penteado. Mais tarde, os gestos e as músicas. Vieram as calças apertadinhas e curtas, os blusões coloridos, a botinha dos Beatles, em tudo ou quase tudo mostrando a influência dos famosos cabeludos ingleses na nova geração musical brasileira. Depois que The Beatles foram condecorados pela Rainha, os cabeludos brasileiros se tornaram mais audaciosos, com gestos mais longos, cabelos mais compridos, calças mais apertadas ainda. Ninguém se surpreenderá se em breve nossas garotas comerem a grama pisada pelos nossos cabeludos. É a Beatlemania que chegou ao Brasil. Mas quem são os Beatles brasileiros?”

Um Beatle em cada esquina

The Clevers, banda criada por Antonio Aguillar, aqui fotografada no final do ano de 1965, poucas semanas antes de Neno, o primeiro da esquerda para a direita, deixar a banda para entrar para os Jordans.

Os Incríveis se chamavam, antigamente, The Clevers. Além de excelentes instrumentistas, os 05 jovens que compõem o grupo devem sua fama principalmente ao namoro do baterista Netinho com Rita Pavone. Netinho é Luiz Franco Tomas, Neno é Demerval Teixeira Rodrigues, Risonho é Waldemar Mozena, Mingo é Domingos Orlando e Manito é Antonio Rosa Sanches. Os Incríveis estão, atualmente, na Argentina.

The Clevers in late 1965 just a few weeks before Neno 1st man from left to right - left the band for The Jordans

Há nove anos, 06 rapazes (atualmente cabeludos), cantores e instrumentistas, solteiros e profissionais da musica, uniram-se para formar The Jordans. Na intimidade são conhecidos como Silval, Ziquito, Irupê, Tony, Foguinho e Aladim. Andaram pela América do Sul e, em breve, embarcarão para a Europa. Prometem fazer um desafio aos Beatles na Inglaterra. Recebem por cada apresentação, uma média de Cr$ 700 mil.

The Jordans era a banda mais antiga. Eles começaram em 1956 e gravaram por volta de 1962.

The Jordans era a banda mais antiga. Eles começaram em 1956 e gravaram por volta de 1962.

The Rebels começaram a tocar em 1958 por diversão. Depois, resolveram fazer dinheiro. Pararam por causa dos estudos e voltaram em 1962. São considerados os mais técnicos de todo país. Usam um uniforme preto com uma grande caveira branca e o nome nas costas. Rodolfo Favalli, Jose Carlos Camargo, Constantino Gondim Neto, Luiz Carlos Nunes e Rubens Bastos Cruz. São animadíssimos e já recusaram propostas do exterior.

The Rebels começou em 1958. Depois a banda acabou mas se juntaram novamente em 1962.

The Rebels começou em 1958. Depois a banda acabou mas se juntaram novamente em 1962.

The Beatniks, com apenas dois meses de existência, é o único conjunto de São Paulo que executa o verdadeiro Liverpool sound, maneira inglesa de tocar, com características diferentes das outras execuções. Lidio Benvenutti Junior, Marcio Morgado, Chester Charler e Domingos Tucci, os integrantes penteiam-se da mesma maneira que os Beatles ingleses.

The Beatniks

The Beatniks

Os Terríveis, todos cabeludos, são o único conjunto que usa o solovox. Toca de tudo: da música clássica ao twist e à bossa nova. Manuel Lopes, José Aroldo, Francisco Lima, João Lucci e Vicente Ferreira são Os Terríveis. Cobram entre Cr$ 250 mil e Cr$ 400 mil por audição.

Os Terríveis, banda que parou o tráfico em frente à futura Câmera Municipal de São Paulo no Viaduto Maria Paula.

Os Terríveis, banda que parou o tráfico em frente à futura Câmera Municipal de São Paulo no Viaduto Maria Paula.

Formado por Edgard, Renato, Joe Primo, Arnaldo e Luizinho, o conjunto Os Megatons faz sucesso contínuo há 02 anos (1963) em São Paulo. Nasceu do afastamento de Joe Primo dos Jet Black’s e sua principal execução é o ‘Vôo da abelha’, música dificílima, onde reproduzem musicalmente o zumbido do vôo da abelha. Cobram entre Cr$ 300 e Cr$ 600 mil por apresentação.

Os Megatons passeiam com os Bandeirantes e Pioneiros.

Os Megatons, de Primo Moreschi e Wagner T. Benatti passeiam com os Bandeirantes e Pioneiros.

Renato & seus Blue Caps são os que mais se parecem, no Rio, com The Beatles. Gestos, atuações, penteados – a semelhança é gritante. Os outros componentes são Toni, Paulo Cesar, Carlinhos e Cid. O conjunto iniciou suas atividades em 1960. Quatro anos depois alcançaram grande sucesso com a gravação de ‘Menina linda’ (I should have known better). Pedem Cr$ 400 mil por atuação.

Dois membros de Renato e Seus Blue Caps: Cid Chaves e Paulo César Barros

Dois membros de Renato e Seus Blue Caps: Cid Chaves e Paulo César Barros

São Carlinhos, São Alencar, São Euclides e São Bologna são os componentes do conjunto musical Os Santos. Cariocas de Vila Isabel, recebem cerca de Cr$ 400 mil por 1 hora de show.

Os Santos - 1965

Os Santos – 1965

Artigo da Revista “Fatos & Fotos” de 24 de julho de 1965.
Cobertura no Rio de Janeiro: Paulo Galante e Domingos Cavalcanti.
Em São Paulo: Ayrton Oliva e Geraldo Mori

Publicado originalmente por Carlus Maximus no Blog Brazilian Rock 1957 – 1964
Tradução: Lucinha Zanetti

Geraldo Alves diz que Roberto Carlos abandonou todas as pessoas e não é mais o mesmo!

Geraldo Alves e Roberto Carlos

Geraldo Alves foi o primeiro empresário artístico de Roberto Carlos. Ele era açougueiro em Limeira, interior de São Paulo, e também acordeonista. Quando trabalhava com Roberto Carlos no inicio de carreira, Geraldo Alves levava Roberto a fazer shows em circos (era moda na época) e acompanhava o cantor com o seu acordeom ou sanfona, como era chamada na época, enquanto Roberto tocava seu violão.

Geraldo Alves e Roberto Carlos 2

Depois Roberto cresceu muito artisticamente e o Geraldo foi demitido de suas funções para dar lugar ao empresário Marcos Lázaro, que era poderoso na época da Jovem Guarda.

Geraldo Alves e Roberto Carlos em 2004

Geraldo Alves e Roberto Carlos em 2004

Enfim, nesta entrevista a seguir Geraldo Alves e sua assessora Fátima conversam com Antonio Aguillar, onde ele fala também sobre o livro que escreveu e que está nas mãos de Roberto até hoje, sem nenhuma posição e ainda aguardando um depoimento de Roberto.

É uma entrevista valiosa e importante para os fãs que acompanham a carreira de Roberto Carlos.

Atualmente Geraldo Alves está residindo novamente em Limeira e não está em boas condições, nem de saúde e nem financeira… mas são coisas da vida!

(Por Antonio Aguillar)