A Primeira Gravação de George Freedman!

Em 1959 George Freedman gravou seu primeiro disco pela gravadora paulista Califórnia, interpretando de sua autoria o rock balada “Leninha”, de um lado, e de Steve Rowlands, em versão de Fred Jorge, o rock calipso “Hey, little baby”, do outro.
O disco foi gravado em 17-08-1959 e lançado em outubro do mesmo ano.

GF jovem 2

Nessa época ele fazia apresentações constantes na TV Tupi de São Paulo.
Fazendo seu acompanhamento está o conjunto que acompanhava os cantores de rock da gravadora Chantecler.

Ouçam aqui estas duas raridades:

Leninha
Composição: George Freedman

Quando eu era pequeno
Vivia a sonhar
Pensando que um dia
Tu virias a me amar

Porém tudo era pura ilusão
Mas ainda eu te amo
De todo coração

Oh! Lene, Oh Leninha
Não me deixe não
Pois eu morreria
Sem ter seu coração

Oh! Lene, Oh! Leninha
Não me deixes não
Pois eu morreria
Sem ter seu coração

Oh! Lene, minha Leninha
Por que queres me deixar
Se soubesses como é vazia
A minha vida sem o teu carinho
Sem o teu beijo, sem o teu olhar
Por isso eu te imploro
Não me deixes
Pois sem ti
Eu não posso ficar

Oh! Lene, Oh! Leninha
Não me deixes não
Pois eu morreria
Sem ter teu coração

Oh! Lene, Oh! Leninha
Não me deixes não
Pois eu morreria
Sem ter teu coração

Nota: George Freedman compôs a canção Leninha para uma garota chamada Marilene, que ele conheceu no ginásio, como ele mesmo explica:
_ “O nome dela era ou ainda é, eu espero…, Marilene de Lima!!! Ela era dois anos mais velha do que eu. Ela estava no Científico (high school) e, eu no ginásio!!! Lene” era o modo como eu a tratava!!!

Saibam mais sobre o músico, cantor e compositor George Freedman aqui.

.

MY SWEET LORD – A HISTÓRIA DEFINITIVA DO PLÁGIO

Por Cláudio Teran (Pop Go The Beatles 01)

My Sweet Lord tornou-se um clássico tão logo chegou às paradas de sucessos e lojas de discos pelo planeta. Não por acaso. Seu arranjo simples, vigoroso e envolvente, aliado à mensagem pacifista e divina arrebatou um mundo que estava assistindo o final de um doce sonho. A canção chegou num momento em que as lágrimas teimavam em não secar. Chorávamos o fim de Jimmy Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin, ao mesmo tempo em que lamentávamos o the end da maior de todas as bandas, Os Beatles. Estaria o rock and roll também nos estertores, indagavam os pessimistas? My Sweet Lord veio como resposta e lamento. A inspiração chegou para George Harrison ao ouvir atentamente o trabalho do grupo Edwin Hawkins Singers para Oh! Happy Day. Naquela composição o ponto central estava nos vocais gospel. George foi compondo ao seu estilo, munido de um violão. Com a letra alinhavada passou a avaliar como o mundo receberia uma canção que falasse de Deus. Temia reações negativas, sobretudo porque jamais compunha voltado diretamente para esse tema. Por outro lado Harrison sentia que tinha um hit para ganhar o mundo e pressentia que quando My Sweet Lord chegasse ao mercado modificaria algo em sua carreira. Estava certíssimo.

My Sweet Lord

Recording Session

George Harrison alterou a letra original de My Sweet Lord quando já estava em estúdio, incluindo as expressões, “aleluia” e “hare krishna” via backing vocal. O produtor Phill Spector e os músicos que participaram da gravação não paravam de repetir que aquele seria um sucesso mundial. Apesar dessa expectativa George teve um gesto de desapego ao entregar seu maior êxito da carreira-solo para Billy Preston gravar primeiro. Felizmente para Harrison nada aconteceu com o compacto editado por Billy Preston, que optou por fazer uma versão funkeada e bem equivocada da grande composição. Quando o single cantado por George Harrison saiu o solo de slide guitar virou marca registrada de um clássico instantâneo. Nas rádios a faixa foi o êxito que conhecemos, sucesso em todo o mundo, número ‘1’ em dezenas de países e a grande alavanca de vendas do álbum triplo All Things Must Pass. Não demoraria, entretanto, para o início de um drama paralelo. A cabeça de George Harrison passou a ser martelada com informações que partiram inicialmente de amigos, e – depois – ganhou a mídia: a famosa composição era acusada de plágio. E era mesmo.

“He’s So Fine” entra em cena.

He’s So Fine é de 1963 e foi composta por Ronnie Mack – já falecido – e gravada originalmente pelo grupo negro americano, The Chiffons. A faixa não foi um hit e, na realidade só virou objeto de curiosidade e execução depois da acusação de plágio envolvendo My Sweet Lord. Os direitos autorais pertenciam à Bright Tunes Editora. Em termos de qualidade também não se pode comparar “He’s So Fine” com “My Sweet Lord”, mas George sentiu o drama ao escutar. Compreendeu que havia copiado algumas notas da canção dos Chiffons, e percebeu que teria problemas. O caso ganhou repercussão, e a Editora Bright Tunes entrou com uma ação na justiça. George veio a público e defendeu-se. Admitiu o plágio, mas afirmou que não era intencional. Penitenciou-se em programas de rádio e TV. E repetiu muitas vezes que teria bastado um pouco mais de atenção para promover pequenas modificações no arranjo para evitar as comparações. E complicações. George também disse que My Sweet Lord era uma western song que adaptava para o popular, o “Maha Mantra” cântico sagrado que ele costumava entoar em suas meditações.

Motif A, Motif B

Em 7 de setembro de 1976 aconteceu o desenlace em torno do caso. Irritadíssimo, George Harrison precisou ir à corte defender-se das acusações de plágio. Em seu livro I Me Mine ele revela sarcasticamente que o juiz dividiu a questão em dois pedaços: “Motif A and Motif B.” O tal “Motívo A” indicava plágio nas notas iniciais e no trecho onde ele canta o título, “my sweet Lord.” O “Motivo B” apontava plágio em cerca de cinco notas do trecho em que canta, “really want to see you.” George conta que cansou de ouvir no tribunal repetidas vezes as gravações de “My Sweet Lord” e “He’s So Fine” para comparações. Em sua defesa ele disse ao juiz que 99 por cento da música popular vinha de uma ou outra nota ou acorde que já havia sido criado. Não adiantou nada e ele foi condenado por plágio não consciente. Valor da indenização 587 mil dólares. George recorreu para não pagar, e o caso estendeu-se por anos, nos tribunais. Todas as batalhas foram perdidas, e em 26 de fevereiro de 1981 – quase dez anos após o lançamento de My Sweet Lord a indenização foi finalmente paga.

Onde Allen Klein entra na jogada.

Não passa de lenda a afirmação de que Allen Klein sabia do plágio de My Sweet Lord e que teria enganado George Harrison de maneira vil. É igualmente inverídica a história de que Harrison teria pedido a Klein que verificasse sua suspeita de que outra composição com aqueles acordes havia sido feita antes. Mas Allen Klein efetivamente participou do episódio, ainda que por caminhos acidentais. O ex-empresário dos Beatles era uma figura queimada no show-biz e junto aos Fab Four em 1980. Havia até passado uma temporada na cadeia por sonegação de impostos e respondia uma penca de processos na justiça – alguns dos quais movidos pelos quatro Beatles. Naquele ano, porém, a empresa de Allen Klein, ABKCO, comprou a quase falida editora Bright Tunes, detentora dos direitos de He’s So Fine.

Conta paga

Em 26 de fevereiro de 1981, quando George Harrison pagou a indenização de 587 mil dólares da condenação por plágio contra My Sweet Lord, quem recebeu – ironicamente ou não – foi Allen Klein! E, detalhe, não havia mais nada que George pudesse fazer, já que legalmente a Bright Tunes havia sido adquirida pela ABKCO. Há mais: o caso teve muitas idas e vindas até novembro de 1990, quando finalmente foi ‘encerrado’ pelo juiz da corte federal americana, Richard Owen. Ele definiu que George Harrison ficaria com os direitos autorais de My Sweet Lord assegurados para execução e vendagem nos EUA, Reino Unido e Canadá. Allen Klein permaneceria com os direitos de He’s So Fine e sem poder de intervenção contra George Harrison nos países citados. Decidiu também que Harrison teria de pagar royalties à ABKCO do senhor Allen Klein no valor de 270.020 dólares, como indenização simbólica pelas execuções de My Sweet Lord ao longo do processo por plágio fora do Reino Unido, EUA e Canadá. Ambas as partes aceitaram o veredicto e o assunto chegou ao final com perda financeira total de 857.000 mil dólares para George Harrison.

Os porquês de ‘My Sweet Lord 2000’

Na histórica entrevista à Playboy em 1980, John Lennon falou do plágio de My Sweet Lord e criticou George. Para John, pequenas mudanças no arranjo teriam resolvido o problema. Estava certo. E George sempre martelou a própria cabeça com essa ideia. Tanto que reouvindo as fitas de All Things Must Pass durante o processo de remasterização do álbum achou que estava na hora de acertar as contas com um erro do passado. Iniciou os trabalhos de rearranjo para My Sweet Lord na brincadeira. Imaginava que podia fazer uma slide guitar melhor e coisas assim. Mas a retirada dos acordes que o condenaram plágio era a meta.
É basicamente por isso que existe ‘My Sweet Lord 2000’. George Harrison retirou acorde por acorde plagiado de He’s So Fine e lançou essa nova versão como faixa bônus da versão remasterizada de All Things Must Pass. Foi também um dos últimos projetos tocados por ele. George ainda teve tempo de comentar esse assunto no CD promocional “A Conversation” feito no dia 15 de fevereiro de 2.001 para a Capitol americana. “Espero que as dúvidas em torno da questão My Sweet Lord tenham ficado definitivamente dissipadas”, disse…

Cláudio Teran, jornalista, radialista e gestor empresarial

My Sweet Lord vs. He’s So Fine

My Sweet Lord 2000

“Let it Be”, o décimo terceiro e último álbum dos Beatles!

Em 08 de maio de 1970, “Let it be”, o álbum que colocou um ponto final na trajetória dos Beatles, era lançado.

Let it Be 43 anos

Em 1966 a banda tomou a decisão de deixar os palcos para se concentrar em seu trabalho de estúdio, no entanto, dois anos depois, e após a tortuosa gravação do disco conhecido como “O Álbum Branco”, Paul McCartney começou a gestar um projeto, inicialmente chamado “Get Back”, que pretendia levar a banda de volta às suas origens.

Let It Be foi o décimo terceiro e último álbum lançado pelos Beatles. Tendo sido gravado em janeiro de 1969, o álbum foi lançado somente em maio de 1970, após o disco Abbey Road (último gravado pela banda) e junto com o documentário de mesmo nome.

Inicialmente o LP iria se chamar Get Back!

Em 1969, Paul McCartney teve a idéia de gravar o álbum e documentário Get Back, planejado para ser uma “volta às raízes”. McCartney tinha grande vontade de ver os Beatles tocando ao vivo novamente, idéia que não agradava ao restante da banda, principalmente George Harrison, que chegou a declarar que estava saindo da banda. John Lennon, sem se importar muito com isso, ameaçou chamar Eric Clapton para o lugar dele, mas McCartney não concordou por achar, com razão, que os Beatles sempre seriam os 4 e mais ninguém. Em comum acordo eles resolveram gravar um álbum como se fosse ao vivo, assim como foi feito no primeiro álbum dos Beatles, o Please Please Me. Para isso até fizeram uma foto no mesmo local da capa de Please Please Me, só que agora um pouco mais velhos. Lennon chegou a falar para George Martin num tom áspero: “Dessa vez queremos um disco honesto e não mais uma daquelas porcarias que você faz!” Em entrevistas posteriores, Martin diz que engoliu aquilo a seco, mas pensou em responder que todos os discos dos Beatles eram honestos até aquele momento.
Os ensaios iniciaram em mono, nos “Twickenham Studios” e, após uma breve interrupção, devido Harrison ter deixado a banda temporariamente, foi concluído com o retorno de Harrison juntamente com Billy Preston, com as gravações nos estúdios da Apple, em multi-tracks. Quando a Apple foi iniciada, os Beatles deram todo o dinheiro necessário para um “amigo charlatão” que Lennon conheceu na Grécia, chamado Magic Alex, para que construísse um estúdio que foi descrito por ele como o melhor estúdio possível. Porém quando George Martin e seus auxiliares técnicos foram inspecionar o local viram aquilo como sendo “o maior desastre de todos os tempos”. A mesa de mixagem era feita de madeira velha e um osciloscópio antigo, e os 72 canais prometidos por Magic Alex, eram na verdade só 16 canais”. E diziam mais: “O local não tinha paredes isoladas do som e era possível ouvir o barulho dos canos, das tubulações e o ronco do ar condicionado”.
Mas mesmo assim os Beatles estavam dispostos a “ensaiar e gravar em casa”, com a produção de Glyn Johns, com Martin em segundo plano (o que o deixou visivelmente chateado pelo trabalho desonroso, já que ele nunca tinha ganho nenhuma fama ou fortuna pelo trabalho com os Beatles, mesmo tendo ajudado a elevá-los ao patamar de melhor banda do mundo).

Os Beatles escolheram 7 músicas durante Janeiro de 1969 e tais gravações culminaram com uma performance ao vivo, em uma espécie de mini-show, no dia 30 de Janeiro, no telhado dos estúdios da Apple em Saville Row, para o filme do mesmo nome, até a polícia pedir para o grupo parar, visto o tumulto nas ruas. Foi a última apresentação pública dos Beatles, em 30 de Janeiro de 1969. Três das canções tocadas ao vivo, no telhado da Apple Studios, permaneceram no álbum final, Let It Be; elas são: “Dig a Pony”, “I’ve Got a Feeling”, e “One After 909”, e vários diálogos gravados também no telhado aparecem entre as faixas do álbum lançado. No total, centenas de músicas foram tocadas e gravadas, durante as sessões de estúdio das gravações para o projeto Get Back/Let It Be. Além das originais lançadas no Let It Be, incluíam-se as canções todas do álbum Abbey Road, e várias canções que acabaram sendo lançadas nos projetos solos após a separação dos Beatles. Canções como, “Jealous Guy” (Lennon); “All Things Must Pass” (Harrison); “Teddy Boy” (McCartney), além de diversas outras covers interpretadas por eles no estilo de blues de doze compassos.
O álbum estava planejado para ser lançado em Julho de 1969, mas adiaram para setembro, visto que eles queriam que este fosse lançado junto com o especial para a televisão, um filme sobre os bastidores da gravação do álbum.
Em setembro de 1969, adiaram o lançamento de Get Back novamente, desta vez para dezembro, já que estavam com um novo projeto pronto para lançamento em mãos, o disco “Abbey Road”, o último LP “oficial”.

Em dezembro os Beatles pediram a Glyn Johns para produzir um álbum das gravações feitas para combinar com o filme—ainda não lançado até então— Get Back. E, durante o período de 15 de dezembro de 1969 até 8 de Janeiro de 1970, novas mixagens foram preparadas. A mixagem do álbum incluía Across The Universe—um remix da versão original gravada no estúdio, em 1968), e I Me Mine, gravação toda original, mas com o mesmo arranjo da versão para o filme, e somente com Paul, George e Ringo tocando, uma vez que John já havia deixado a banda. Mas, os Beatles não gostaram do trabalho apresentado por Glyn Johns.
A última sessão de gravação foi em 03 de Janeiro de 1970, quando Paul, George e Ringo encontraram-se para terminar “I Me Mine”, de Harrison, que entraria em Get Back. Dois meses depois, as fitas de Get Back foram entregues para o produtor estadunidense, Phil Spector, para que ele “retrabalhasse” as mesmas. George Martin já estava cansado das brigas e discussões dos Beatles e também achou que seria antiprofissional trabalhar naquelas fitas de má qualidade. Como Spector tinha produzido o recém-lançado single de Lennon, “Instant Karma”, John decidiu pedir (sem autorização de McCartney), para Phil “dar uma olhada e ver o que podia ser feito”.

Spector pegou uma “jam session”, “Dig It”, e outras conversas entre as gravações, alongou “I Me Mine”, desacelerou e acrescentou cordas a “Across The Universe” e colocou cordas e coral em “The Long And Winding Road”. “Get Back” também foi editada, e teve a parte em que Paul fala como um bluesman, cortada. Além de produzir a mixagem toda do álbum final.

Seis faixas do álbum são gravações ao vivo (i.e. sem remix ou overdub posterior). Além das três canções gravadas ao vivo no telhado do prédio da Apple Corps., incluiam-se, “Two of Us”, “Dig It” e “Maggie Mae”, gravadas ao vivo nos estúdios da Apple, no porão do prédio da Apple. Enquanto as outras canções, “For You Blue”, “I Me Mine”, “Let It Be”, “The Long and Winding Road” e “Get Back” foram gravadas nos estúdios da Apple, mas apresentam edições posteriores produzidas por Spector, tanto na mesa de som, e edições de splicings (cortes diretamente feitos na fita), como nas dublagens ( overdubs) de vozes e instrumentos por músicos de estúdio. A 12º canção, “Across the Universe”, era uma versão da gravação de ensaio original, feita em 1968, e mixada em velocidade mais lenta para álbum.
Spector remixou tudo e transformou Get Back em Let It Be.
O álbum foi lançado em 8 de maio de 1970, paralelamente no mercado com o filme deste mesmo nome. Na Inglaterra, o álbum fora lançado pela Apple Records (e distribuído pela EMI), originalmente no formato de um LP de capa dupla de edição limitada num box-set, acompanhado por um livro muito elegante, cheio de fotos da gravação e meses após sendo relançado com uma capa de LP simples. Nos EUA, o LP foi lançado com a capa simples (não dupla, e sem o “box-set” com o livro de fotos) também pela Apple Records, mas como a United Artist estava distribuindo o filme com o mesmo nome, eles tinham o direito de distribuir o LP também. A Capitol Records (uma subsidiária da EMI) tinha direito de lançar compactos dos Beatles, nos EUA, e outras compilações, mas não obteve direito para lançar o Let It Be. Mas, em 1979, a Capitol/EMI comprou a United Artist, tendo então obtido os direitos para lançar o mesmo e o “A Hard Day’s Night”, o outro álbum que foi trilha sonora do filme dos Beatles, que a United distribuia.
Embora Paul tenha ficado insatisfeito com o produto final, em particular com “The Long And Winding Road” (ele odiou o coral e o arranjo de orquestra que Spector colocou), John declarou dez anos depois, durante uma entrevista para a revista Playboy, elogiando Spector, que “demos a ele a pior quantidade de porcarias de gravações bem ruins, com um sentimento muito feio nelas, e ele foi capaz de fazer algo bom daquilo tudo”.
Eventualmente, os Beatles receberam o “Academy Award” (Oscar) de “melhor trilha sonora original com o Let It Be (filme), em 1970.

Diversas gravações feitas nas sessões de Get Back nunca foram lançadas oficialmente mas fizeram parte de vários álbuns piratas.
Paul não soube da ação e pediu a Spector para refazer suas canções, mas não foi ouvido. Embora John tivesse gostado do resultado, Paul detestou, e em 2003 lançou o álbum que ele queria, que foi o Let It Be… Naked, sem todas as alterações e mixagens e com consultoria de George Martin. As conversas e “jam sessions” aparecem num disco extra, com 21 minutos: Fly on the Wall (Mosca na Parede).

As faixas

A maioria das canções têm a participação do tecladista Billy Preston, que os Beatles conheceram em Hamburgo.

Todas as faixas são creditadas a Lennon/McCartney, exceto as que tivereram também a participação de Harrison e Ringo.

Lado A

1. “Two of Us” 3:36
2. “Dig a Pony” 2:54
3. “Across the Universe” 3:48
4. “I Me Mine” (Harrison) 2:25
5. “Dig It” (Lennon/McCartney/Harrison/Starkey) 0:50
6. “Let It Be” 4:03
7. “Maggie Mae” (trad. arr. Lennon/Mccartney/Harrison/Starkey) 0:40

Lado B

1. “I’ve Got a Feeling” 3:38
2. “One After 909” 2:55
3. “The Long and Winding Road” 3:37
4. “For You Blue” (Harrison) 2:32
5. “Get Back” 3:07

Curiosidades sobre as músicas

Two Of Us: O início, ‘I Dig a Pygmy’, by Charles Hawtrey and the Deaf Aids… Phase One, in which Doris gets her oats!”. “Deaf Aids” era o apelido de seus amplificadores. Música simples feita por Paul em referência a sua esposa Linda Eastman. Mostra um lado não visto há muito tempo nos Beatles: um dueto em perfeita harmonia e sintonia entre Paul e John que lembrava o começo dos Beatles, com a crescente amizade entre eles.

Dig a Pony: Música com ótima construção musical e letra composta por John (que achava essa música um lixo), já trazendo sua nova filosofia de vida que basicamente diz que “você pode fazer o que quiser”, e no final dizendo para Yoko: “All I want is you”.

Across the Universe: foi composta por John Lennon nos tempos que passou no retiro espiritual de Maharishi Mahesh Yogi em Rishikesh, Índia em 1968. A primeira versão contou com um coro feminino de duas fãs que estavam na frente do estúdio em Abbey Road naquele dia. Uma delas era a brasileira Lizzie Bravo. George compôs e gravou uma música em homenagem a elas, Apple Scrufs, em 1970.
John tomou emprestado a expressão que os discípulos de Maharishi usavam frequentemente: “Jai guru deva. Om.” Que significa algo como “Vida longa, guru Dev.” A frase: “Thoughts meander like a restless wind inside a letter Box/They tumble blindly as they make their way across the universe” traduzida como: Pensamentos se movem como um vento incansável dentro de uma caixa de correio/Elas tropeçam cegamente enquanto fazem seu caminho pelo universo”, se remete ao fato de Yoko Ono estar enchendo a caixa de correios de John com cartões postais(alguns escritos com seu próprio sangue), mesmo ele ainda sendo casado com Cynthia Powell. “Across the Universe” também foi regravada pelo cantor britânico David Bowie com a participação de John Lennon, atualmente saiu um filme com esse nome e também com artistas cantando músicas dos beatles na trilha sonora.

I Me Mine: A última canção gravada pelos Beatles (sem John Lennon) foi essa de George Harrison, em 3 de Janeiro de 1970. A letra é uma crítica ao egoísmo humano e o sentimento de individualismo e guerra de egos presente no grupo naquele momento, “I Me Mine”, expressão traduzida: “Eu sou mais eu”.

Dig It: Música creditada por todos os Beatles e salva por Phil Spector dos tapes perdidos, mais parecendo um bottleg. Na música John cita o refrão de Bob Dylan: “Like A Rolling Stone” e também a CIA, o FBI, a BBC, o bluesman B.B King, a atriz e cantora Doris Day e o jogador de futebol escocês Matt Busby, seguido das palavras “Enterre-o”.

Let It Be: Escrito por Paul em homenagem a sua mãe. Na música ele diz: “Mother Mary comes to me” parecendo algo Católico ou Cristão (Ave Maria), mas na verdade foi feito pensando em sua mãe Mary McCartney vítima de um câncer, que o abalou profundamente quando era criança. Ele sonhou com ela vindo em sua direção e dizendo Let it be, algo como “deixa estar” ou “vai ficar tudo bem” e quando acordou, já estava com a melodia da música na cabeça. A música existe em duas versões do solo do George Harrison. Sem contar uma versão do álbum “Let It Be…Naked”. John Lennon toca baixo nessa canção.

Maggie Mae: Creditada por todos os Beatles, contando um caso de uma prostituta que roubava lojas, é uma tradicional música folk da cidade de Liverpool. A música lembra os folks americanos, e foi gravado apenas 41 segundos de música, mas era mais extensa segundo Lennon.

I’ve Got a Feeling: Música claramente escrita por Paul para Linda Eastman. Com a fusão de uma música inacabada de John, “Everybody Had a Hard Year”(John tinha tido um ano difícil mesmo, com sua separação, o afastamente de seu filho Julian, as complicações com os Beatles e a Apple e a não aceitação da Yoko pelos membros da banda.) e foi também usando o riff de outra música incompleta de John, “Watching Rainbows”.

One After 909: Foi composta por John e Paul quando estes ainda eram adolescentes no quarto de John em Liverpool, nessa época escreveram também “I Call Your Name”. A canção foi inspirada em músicas do Chuck Berry como “Maybeline” e é um R&B direto e uma letra engraçada sobre uma garota que passa o cara para trás dando o endereço errado do trem que ela vai pegar. Foi gravada especialmente para o projeto Get Back.

The Long And Winding Road: Foi composta por Paul em sua fazenda na Escócia. Ele se imaginou como Ray Charles e escreveu o que se passava na sua cabeça em relação aos Beatles e a situação em que se encontravam. Como dito antes, Paul não gostou do produto final dessa música, odiou o fato de “terem mexido em sua música sem seu consentimento” e pediu para “refazerem a música” tendo seu pedido negado, possivelmente criando a ruptura final entre eles. Só em 2003 quando lançou “Let It Be…Naked”, fez a versão do seu gosto. John Lennon toca baixo nessa canção, mas foi editada por conter muitos erros.

For You Blue: Lado B do compacto de “The Long And Winding Road”, escrita por George Harrison que canta e toca uma espécie de banjo ou craviola adquirido na Índia. John Lennon toca um “Lap Steel Guitar” ao estilo do blues com uma ressonância incrível na guitarra e durante a música é possível ouvir Harrison dizendo: “GO, Johhny, GO” e “”Elmore James got nothing on this, baby”, se referindo a música de inspiração, “Madison Blues” de Elmore James. Em 29 de novembro de 2002, Paul cantou essa música no “Concert for George”, um show em memória ao primeiro aniversário de morte de Harrison.

Get Back: Paul compôs as melodias durante os ensaios em Twickenham, antes de entrar no Estúdio da Apple, o que atraiu a atenção de John a trabalhar na letra, que a princípio usou como tema o ódio e o preconceito da Inglaterra e o “National Front”, com os imigrantes paquistaneses. Algumas frases traduzidas compostas por Lennon: “Enquanto isso, lá, montes de paquistaneses/Vivem em um conjunto habitacional/Conte-me qual é o seu plano, candidato Macmillian/Não me dirá como está”. Mas isso foi abandonado na última hora, porque eles ficaram com receio de serem mal interpretados pelo Paquistão. Em entrevistas posteriores George Harrison disse que Paul cantava o refrão nos ensaios com um olhar “esquartejador” para Yoko Ono: “Get back to where you once belonged” ou “Volte para o lugar de onde você veio”. Ao final da música Get Back, Paul agradece os aplausos de Maureen, esposa de Ringo (Thanks, Mo!) e John tem a palavra final por alguns segundos: – Eu gostaria de agradecer a todos em nome do grupo, e espero que tenhamos passado na audição!

Vejam aqui a tradução das músicas do disco

Fontes:
_ Wikipedia
_ Comunidade do Orkut, “We Love the Beatles Forever”

Entrevista de Brian Epstein em 1964

O programa “Musical Time Machine”, de Marc Riley, nos transporta de volta a uma era bem diferente! Era o início da revolução pop, quando a Beatlemania estava prestes a tomar conta do mundo.
brian epstein interview at bbc

Em março de 1964, Bill Grundy entrevistou o “quinto Beatle”, o empresário Brian Epstein, para o seu programa de rádio regional, “Frankly Speaking” (Falando Francamente).

Os arquivos da BBC foram revisitados e aqui podemos ouvir Epstein falando abertamente sobre como e quando ele descobriu os Beatles e qual foi seu sentimento ao vê-los se apresentarem pela primeira vez. Ele revela seu papel na mudança da imagem dos Beatles, exatamente o que um empresário deve fazer e revela suas teorias sobre por que eles iriam ser um sucesso na América.
Além disso, Brian conta como ele reagiu quando Paul chegou atrasado para sua primeira reunião com ele.

Nesta entrevista histórica de 1964 e que foi transmitida no programa de Marc Riley pela Rádio 6 da BBC, Brian Epstein conta a Bill Grundy, da TV Britânica, sobre a primeira vez que viu os Beatles se apresentarem, e diz que foi “an eye opener”.

Ele descreve a cena:

…“darkened, dank smoky cellar in the middle of the day” and seeing fans watching “four young men on stage rather scruffily dressed in a nice possible way, or I should say in the most attractive way, black leather jackets and jeans, long hair, of course, and rather untidy stage presentation, not terribly aware and not caring very much what they looked like.”
(…uma adega escurecida e úmida no meio do dia e eu via os fãs assistindo quatro jovens rapazes no palco, vestidos de forma agradável, possívelmente, ou talvez eu devesse dizer, de maneira mais atraente, com jaquetas de couro preto e jeans, cabelos compridos, é claro, uma apresentação no palco bastante desarrumados, não muito conscientes e não se importando muito com o que pareciam.)
Brian notou, porém, que… “I think they cared more even then what they sounded like.” (eu acho que eles se importavam sim, mais do que aparentavam).

Epstein disse que a decisão inicial do grupo de mudar aquela aparência foi mutua, embora a decisão de usar ternos tenha sido feita com muita relutância (“very reluctantly”).

A entrevista também revela que George Harrison foi quem originou a brincadeira do… “he’s very clean”, que aconteceu durante as filmagens de “A Hard Day Night.” Epstein diz que quando Paul McCartney não apareceu para sua primeira reunião com ele, uma ligação telefônica para a casa dele revelou que ele acabara de acordar e estava tomando banho. Epstein diz que George Harrison então comentou: “Well, he may be late, but he’s very clean.” (Bom, el epode estar atrasado, mas está bem limpo).

Ouçam aqui a entrevista transmitida pela Rádio BBC temporariamente:

FONTE: Examiner.com, por Steve Marinucci