HOMENAGEM DA FAN PAGE “WE LOVE THE BEATLES FOREVER” A GEORGE HARRISON.

Em 29 de novembro de 2001 o mundo perdia George Harrison, o lendário guitarrista que fazia a guitarra chorar, como diz uma de suas famosas canções.

O GUITARRISTA E SUAS PRIMEIRAS GUITARRAS

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É justo dizer que George Harrison não foi o guitarrista líder dos Beatles simplesmente por acaso.
Foi pelo seu talento e tenacidade que conquistou isso.
Harrison tinha uma aparência meio engraçada, era muito magro e Paul McCartney costumava encontrá-lo no ônibus indo para a escola em Liverpool.
Ele tinha um fraco por roupas coloridas e, acima de tudo, um amor por violão, amor esse que ele compartilhava com o amigo McCartney, que era um mais velho que ele.

Em 1958, com nada mais impressionante em seu currículo que um show no Clube da Legião Britânica com seu irmão Peter e um casal de colegas, o jovem de 15 anos começou a sentar-se com o grupo em que McCartney havia acabado de se juntar, chamado “The Quarry Men”, e preenchia o quadro quando um ou outro dos guitarristas não aparecia.
Em pouco tempo, já bem afinado depois de praticar arduamente e dedicar-se com afinco a aprender os sucessos americanos de Rithm & Blue e Country & Western, ele ganhou uma posição permanente como membro da banda.

Durante um período de escassez em 1959 Harrison tocou com o Quarteto “Les Stewart” mas em agosto ele estava de volta com os Beatles para abrir o Casbah Club, e esteve com eles em cada show que tocaram depois.

Em uma carreira solo povoada por ambos os sucessos em todo o mundo e perdas espetaculares, Harrison ganhou o respeito de fãs, músicos e críticos com sua paleta de humor único, devoção, ironia e habilidade. “Eu acredito que eu amo a minha guitarra mais do que os outros amam a deles”, disse uma vez Harrison à Revista Beatles Monthly. “Para John e Paul, escrever canções é muito importante e tocar guitarra é um meio para finalizá-las. Enquanto eles estão compondo novas músicas eu podia me divertir completamente apenas rabiscando (dedilhando) por perto com um violão por uma noite inteira. Sou fascinado por novos sons que eu possa obter de diferentes instrumentos que eu experimentar. Não estou certo de que isso me faça particularmente um músico. Apenas me chame de fanático por uma guitarra e eu estarei satisfeito. ”

As Guitarras

Qual foi a primeira guitarra de Harrison?
De acordo com Paul McCartney em uma entrevista (Bacon Interview) era estritamente um caso de faça você mesmo. “Começamos a conversar no ônibus e ele tinha interesse em guitarras e em música, assim como eu. Resultou que ele ia tentar fazer uma, e faria corpinho sólido estilo havaiano, que era tipo um bom jeito de começar. Você não tinha que entrar no corpo oco nem nada, o que foi muito difícil. E ele fez isso, e nós nos tornamos bons amigos. Ele fez aquela coisa havaiana e não era ruim, uma ação verdadeiramente difícil eu diria.”
Não há registro de que esta guitarra ainda exista.

1956: Egmond steel-strung Spanish style (sunburst, vintage unknown):

Harrison comprou esta “Guitarra de Principiante,” produzida na Holanda por Egmond e distribuída pela Rosetti, do colega de escola Raymond Hughes, por 3 £ (libras) que ele obteve de sua mãe.
O anúncio desta guitarra dizia “o modelo mais barato da nossa série”, por 4 libras, sete shillings e seis pences. Enquanto estava tentando acertar a negociação, o rapaz acidentalmente retirou o pescoço do corpo, mas após algumas semanas no armário, a Egmond foi resgatada pelo colega de guitarra Peter Harrison, que emendou o instrumento de seu irmão. Harrison fez sua estreia no show business com esta guitarra no ano seguinte no Speke British Legion Club, onde “The Rebels”, um grupo de Skiffle formado pelos Harrisons e três companheiros, tocaram em seu primeiro e único show.
A guitarra – menos as cabeças de sua máquina – foi leiloada em Londres durante os anos 80, e graças a seu proprietário britânico anônimo foi emprestada para o Rock and Roll Hall of Fame em Cleveland de 1995 a 2002.
Em 2003, esta pequena Egmond – agora valendo cerca de US $ 800 mil – foi para a exposição no Museu dos Beatles em Liverpool.

1958: Hofner President f-hole acoustic (vintage unknown):

Em um salto quântico de seu primeiro instrumento, e com uma pequena ajuda de sua mãe, Harrison comprou este simpático Hofner, um topo de linha, single-cutaway “estilo cello”, um modelo com um acabamento “sunburst” e um “tailpiece” para compensar, por £ 30. Ele tocou o Hofner President até trocá-lo com um membro da Swinging Blue Jeans no ano seguinte por um Hofner Club 40.

Boas vibrações: Antes de montar um pequeno captador, Harrison obteve volume extra, tocando esta guitarra com a cabeça dela contra um guarda-roupa.

1959: Hofner Club 40 model 244 (vintage unknown).

1959: Resonet Futurama.

Mais detalhes e o texto original neste link.

george-harrison-29-11-2001

E ele hoje estaria fazendo 73 anos…

George Harrison, o ex-guitarrista dos Beatles será sempre lembrado pelo fantástico músico que foi e pela importante contribuição à música pop do século XX!

George Harrison - 24-02

A contribuição de George Harrison para a música do Século XX é bem mais substancial do que podemos imaginar. Junto aos seus companheiros, George formatou o modelo da canção Pop. Além disso, como instrumentista, o estilo de Harrison é algo muito difícil de ser imitado e a sua digital sonora é praticamente única. George Harrison sempre abdicou dos virtuosismos exasperados, optando por um caminho mais sóbrio como instrumentista, com destaque para o slide em detrimento das longas improvisações.

Durante sua passagem pelos Beatles, as composições próprias começaram a aparecer timidamente e foram evoluindo com o passar dos anos para temas do calibre de “IUf I needed someone”, “Taxman”, “While my guitar gently weeps”, “Here Comes the sun” e seu grande sucesso Beatle, “Something”.

Foi ele quem conduziu o grupo no caminho da meditação transcendental e da música indiana, sendo também o introdutor da cítara na música ocidental.

Com o final da banda em 1970, Harrison deslanchou com seu álbum de estreia, “All Things Must Pass”, um bolachão triplo onde desfilavam mega sucessos comerciais como “My Sweet Lord” e “What is Life”, miscigenadas a canções mais introspectivas e impregnadas de uma bem dosada carga espiritual e religiosa.

Para ajudar o país de seu amigo Ravi Shankar, protagonizou em 1971 o primeiro mega concerto beneficente da história, o lendário Concert for Bangladesh, realizado no Madison Square Garden.

A partir de 1972 a carreira e a vida de George oscilaram entre altos e baixos vertiginosos. Junto a sua banda de apoio, fez uma desastrosa digressão pelos Estados Unidos em 1974, no mesmo ano, a esposa dele na época, Patty Boyd, o abandonou para dividir a cama com Eric Clapton, seu melhor amigo e confidente naqueles tempos de amor livre. Mas vida que segue, logo em seguida ele acabou encontrando a tão almejada alma gêmea, a mexicana Olívia Arias, que lhe daria seu único filho, Dhani Harrison.
Em 1981 gravou o sucesso “All those years ago”, homenageando o amigo John Lennon, assassinado no ano anterior.
Meia década depois retornaria às paradas dos dois lados do Atlântico com o álbum “Cloud Nine”, considerado tanto pela crítica quanto pelo público, um de seus melhores trabalhos.

No final dos anos 80 integrou ao lado de Bob Dylan, Tom Petty, Roy Orbison e Jeff Lynne o quinteto “Travelling Wilburys”, uma banda de super astros que demarcou sua comunhão e parceria em dois álbuns muito elogiados.

Em 1991 Harrison voltou aos palcos, reaproximando-se de Eric Clapton (numa clara demonstração de grandeza e ausência de ressentimentos), na festejada turnê pelo Japão (que virou um LP duplo) ao lado do velho amigo e camarada.
Nos anos seguintes, junto a McCartney e Ringo Starr, participou do projeto Anthology, revivendo com seus antigos partners os anos dourados do fabuloso quarteto fantástico do Rock`n`roll.
Nos três últimos anos de vida, enquanto lutava contra um câncer, dedicava grande parte do tempo a uma de suas maiores paixões, a jardinagem!

Harrison não queria ser lembrado como um astro pó (era conhecido por ser o mais tímido e discreto dos Beatles), como também fugia acintosamente dos holofotes e de toda a purpurina do mainstream, preferindo sempre a companhia da família e o isolamento como estilo de vida.

Em 2001, finalmente, perdeu a batalha para o câncer e retornou para o jardim.

Após a sua morte, Bob Dylan disse em uma entrevista: “Ele tinha a força de cem homens. O mundo se tornou um lugar mais solitário sem George”.

Um ano depois chegou às lojas o álbum póstumo “Brainwashed”, um interessante registro da última safra de composições de Harrison, trabalho este que foi dedicado a todos os jardineiros do mundo! Outro belo recado do eterno menino tímido daquela bandinha inglesa que mudou o mundo nos anos 60!

Segundo um velho provérbio oriental, em grande parte das vezes a felicidade está escondida no nosso próprio jardim, mas é muito provável que ela esteja coberta pelo mato e ervas daninhas. Quem sabe em um dia qualquer desses iguais a tantos outros, sigamos o conselho de George, voltando os olhos para o nosso próprio quintal e até mesmo, quem sabe, transformando o mundo num lugar bem mais bonito e agradável de se viver.

Precisamos urgentemente retornar ao jardim!

(Por Eduardo Lenz de Macedo e Márcio Grings)

“Quando ouvi My Sweet Lord achei que seria meu ex-beatle favorito… não foi e pra ser
sincero, não gostava muito de seus discos solos. Mas o tempo passa, a gente teimosamente insiste em ouvir de
novo, e mais uma vez, e outra e então descobrimos, quase que tardiamente, que mais do que um roqueiro ali
estava um cara de uma sensibilidade ímpar, um compositor que revelava sua alma em suas canções, que tocava sua guitarra com a leveza de quem acaricia a mulher amada. Porra, George, você não podia ter partido tão cedo, o mundo não pode se dar ao luxo de perder pessoas como você. Esteja em paz, amigo, jamais o esqueceremos, pois sua alegria, seu bom humor, seu sorriso estará sempre alegrando nossas vidas.”

(Gerson da Silva)

“É incrível como certas pessoas mexem tanto com a gente! Mesmo depois de terem partido ainda as sentimos
como se estivessem vivas! Com George não poderia ser diferente! Apesar de já se passarem tantos anos, ainda não consigo aceitar que ele se foi, principalmente quando escuto suas músicas! Não sinto uma tristeza, apenas saudade! Era como se ele fizesse parte da minha família! Isso pode parecer até um exagero, mas não é!
Suas mensagens de paz e amor continuam a ecoar a cada momento em que escutamos suas canções… Talvez essa seja uma maneira de sentirmos que ele ainda vive em nossos corações…”

(Jorge Washington Sobrinho)

Fonte: Antiga comunidade do Orkut, “We Love the Beatles Forever”

George Harrison, o Guitarrista na opinião de músicos e amigos.

Em outubro de 2008, a Revista Guitar Player publicou algumas opiniões de músicos e amigos de George Harrison, que escreveram sobre ele como guitarrista.

George Harrison e guitarra

George Harrison foi um grande gênio nas guitarras, conseguia através de seus slides emocionar a todos!
Vale registrar aqui as opiniões de outros guitarristas, pois mostra o quanto Harrison era querido e admirado!
Impressiona muito, por exemplo, o comentário de Brian May, e saber que ele também era um grande fã de George… E se Harrison era a alma dos Beatles, May era o mesmo para o Queen!

Les Paul: “Não houve muitos grandes guitarristas, mesmo com bilhões de instrumentistas por aí. Poucos têm algo a dizer e
o privilégio de fazer isso. Devemos ser gratos a esses guitarristas. George foi um deles.”

Brian Setzer: “Sentimos falta dos grandes riffs que Harrison criava. Além de suas próprias composições, quase todas as
músicas de Lennon & McCartney possuem um grande riff de guitarra. George era quem tinha de pensar nessas coisas, e isso
já são dois terços de uma grande música.”

Joe Walsh: “Se você tocar algumas partes da guitarra de George, conhecerá o lugar único e especial em que estava sua
cabeça. Seus solos eram impressionantes! Ele foi subestimado, uma vasta quantidade de técnica foi necessária para criar
seus solos – eles tinham seu próprio som. Foi isso que me atraiu. Toda vez que eu tentava tirar músicas como ‘And Your Bird
Can Sing’ ou ‘Drive My Car’, eu acabava coçando a cabeça e pensando ‘onde neste mundo está esse cara?’ Eu não
conseguia dizer de quem ele estava roubando seus licks!”

Steve Lukather: “Comecei a tocar guitarra em 1964, depois de comprar ‘Meet The Beatles’. Ouvi o solo de George em ‘I Saw
Her Standing There’ e minha vida mudou para sempre. Mais tarde, George se tornou meu amigo e tenho muitas lembranças
ótimas dele. Uma vez, ele veio à minha casa com seu filho Dhani, que queria conhecer Slash. George sabia que Slash era
meu amigo e levei-o para conhecê-lo. Em outra ocasião, toquei na casa de Jeff Lynne com Bob Dylan no baixo e eu e
George nas guitarras. Cara, sempre irei lembrar disso com carinho.”

Brian May: “George Harrison foi um guitarrista fabuloso e um exemplo maravilhoso de como um rock star deve ser. Eu o
reverenciava como um inovador. Ele sempre foi original, corajoso e melódico. Era repleto de qualidade espiritual e consciente da estrutura de acordes sob o solo. Ele teve a coragem de tocar de maneira simples. Nunca se refugiou em efeitos ou tentou impressionar com velocidade. Espero que Harrison tenha sabido o quanto nós o amávamos e respeitávamos.”

Wander Taffo: “Se você me perguntasse qual solo eu gostaria de ter criado, o de ‘Something’ é o primeiro que me vem à
mente. Toquei essa música milhões de vezes. Sempre que eu executava o solo achava horrível, pq eu não conseguia tocar
igual. As notas eram as mesmas, mas nunca me senti à altura de fazer aquilo. Tocar como Harrison naquele solo é quase
impossível. Ele tinha um feeling intraduzível. Tocava aquilo com uma emoção tão grande que, quanto mais você estuda o
instrumento, mais percebe a dificuldade de se criar coisas simples. Harrison é a melhor escola de criação de coisas que se
fixam à mente. É exemplo de feeling, criatividade e estilo.”

Sérgio Dias: “George sempre fazia coisas muito inteligentes, musicais e melódicas. O arpejo de ‘Help’ é muito avançado
para aquela época. Ninguém conseguiu reproduzir seus sons. O solo de ‘Something’ é mais forte do que a melodia da
música. George determinou o estilo de outros guitarristas, ele era o estilo. Harrison é tão gênio quanto Beethoven ou Jimi
Hendrix e possui algo que outros guitarristas não têm: classe.”

Bob Dylan também comentou sobre o guitarrista George Harrison, na revista Rolling Stone:

“George ficou marcado por ser o Beatle que tinha que brigar para colocar as suas canções nos discos, por causa de Lennon
e McCartney. Bem, quem não ficaria marcado? Se George tivesse tido sua própria banda e escrevesse as próprias canções,
teria sido tão grande quanto qualquer um deles. George tinha a esquisita habilidade de apenas tocar acordes que não
pareciam estar conectados e daí… Surgia com uma melodia e a canção. Não conheci mais ninguém que fizesse isso
também. O que posso te dizer? Ele era daquela antiga linha de instrumentistas em que cada nota era uma nota a ser
contada.”

Fonte: Resgate da Comunidade We Love the Beatles Forever no Orkut

George Harrison e Dylan

Um fato que ocorreu na vida de George Harrison…

George Harrison com uma Rickenbacker

George Harrison com uma Rickenbacker

“Ao contrário de John e Paul, George teve uma infância difícil, muito pobre e não tinha amigos até que Louise deu-lhe um violão para que George se distraísse com algo … George era sempre apontado como “O filho do motorista” da escola… Ainda adolescente, triste e distante, George já diferenciava pelo visual..Foi o 1º garoto de Liverpool que “nunca cortava os cabelos” e isso o distanciava das garotas, essas mesmas garotas que “suspiravam” por George anos depois…

Sua prima Helen era a única que “apoiava” George, era amiga e sempre disposta a ajudá-lo, fosse na escola ou no violão. George tinha muitos primos, oriundos de uma família grande na Irlanda. E eles nunca visitavam George porque achavam que ele era “descabelado e malcheiroso” (fora dos padrões dos adolescentes da época).

Em 1964, com 21 anos, já estava rico e famoso, já era um Beatle!

Os Beatles tinham ido a Liverpool visitar os familiares e George não quis ficar na casa de sua mãe Louise, mas visitava-a regularmente. George ficou na casa de Ringo (próximo à sua casa) e certo dia George saiu de casa e um aglomerado de fãs quase não os deixavam seguir caminho. George saiu (mesmo contra a vontade do chefe de Polícia) e ao passar pela calçada, antes de entrar no seu automóvel, onde havia vários primos seus (sobrinhos de Louise) que gritaram seu nome, George parou e disse:
_ ” Helen tá por aqui? (e continuando, falou…) Vocês me conhecem de onde? Estou por aqui há 21 anos e só agora vocês me reconhecem?”

Fonte: Livro The Beates Forever, de Nicholas Schaffer (EUA,1978)

“Try to realise it’s all within yourself no-one else can make you change,
And to see you’re really only very small.. and life flows on within you and without you.” (George Harrison)

“Tente imaginar que tudo está dentro de você mesmo ninguém mais pode fazer você mudar,
E tente ver o quanto você é pequeno… e a vida continua com você ou sem você.”

Palavras Comovidas de Paul quando soube da morte de George Harrison / Paul McCartney’s reaction to George Harrison’s Death

Quando da passagem espiritual de  George Harrison, repórteres se puseram à espera de Paul McCartney para tomar seu depoimento naquele momento de estrema tristeza, e neste vídeo podemos ouvir suas palavras e compreendê-las, graças a nossa amiga  Debora Dumphreys, que transcreveu as comovidas palavras de Paul ditas naquele triste dia.
Traduzi para quem não domina o idioma, e peço desculpas caso a tradução não esteja perfeita…

Here’s Paul McCartney’s reaction to George Harrison’s death. This was filmed at his estate in Sussex. The reporters were gathered outside the long driveway entrance to his estate. Seems kind of rehearsed, but I guess it’s expected when dealing with the media, especially since the lashing McCartney received from his seemingly passive reaction to the death of Beatles band mate John Lennon.

Video transcription:

Paul – I’m very sad, devastated, we know he’s been ill for a long time and just very sad to hear that he’s passed on. I’ve spoken to Olivia, she’s been very strong and I’d like to ask people maybe to be kind to her and Dani at this time (George’s son).
Lovely man, I love him dearly, I grew up with him and I like to remember all the great time that we had together in Liverpool with the Beatles and ever since really, say I’m very sad for him and his family and for all of us. A fantastic guy, a man, great sense of humour. I was lucky enough to see him a couple of weeks ago and he was still laughing and joking, very brave man and I’m just privileged to have known him and I love him, like he’s my brother. It’s a very sad day for me and for a lot of other people but I think he would’ve wanted us, you know, to get on and be loving and remember him as the great man he was.

Paul – Estou triste demais, arrasado mesmo, sabíamos que ele já estava doente por um longo tempo mas a gente
fica triste demais ao saber que ele se foi. Falei com Olivia, ela tem sido muito forte e eu gostaria de pedir às
pessoas talvez para ser gentil com ela e Dhani nessa hora. Um homem amável… eu tenho profundo carinho por
ele, crescemos juntos e eu gosto de recordar todos os bons momentos que passamos juntos em Liverpool com os
Beatles e sempre até hoje, de verdade, digo que estou muito triste por ele e sua família e por todos nós. Um
rapaz fantástico, um homem, de grande senso de humor. Tive muita sorte de vê-lo algumas semanas atrás e ele
ainda estava rindo e fazendo piadas, um homem muito forte e eu tive o privilégio de tê-lo conhecido e amado,
como se ele fosse meu irmão. Hoje é um dia muito triste pra mim e para um monte de gente mas acho que ele
gostaria que nós, sabe, ficássemos bem e continuássemos a amá-lo e lembrá-lo como o grande homem que ele
foi.

Reporter – You say you’ve spoken to the family. How are they?
Reporter – Você disse que conversou com a família. Como eles estão?

Paul – They’re, you know, devastated like we all are, but they’re very strong and Olivia has a son, Dani, who’s a really great guy and he’s been very strong and very supportive in this situation so you know, in a way is a…probably a blessing release, George’s been to a lot of problems recently. I understand the end was very peaceful, so that’s a blessing.

Paul – Eles estão… sabe, arrasados como todos nós, mas eles são muito fortes e Olivia tem um filho, Dhani, que é um
rapaz muito bom e tem sido muito forte e muito seguro nesta situação então vejam vocês, da maneira que… provavelmente
foi uma bênção da maneira que terminou, pois George teve muito problemas recentemente. Quero dizer que no final foi em
paz, então é uma bênção.

Reporter – What do you think he will be remembered for the most, what’s his finest moments?
Reporter – Como você acha que ele será lembrado pela maioria, quais seus melhores momentos?

Paul – George I think, his music will live on forever and his personality. He’s a very strong loving man, but he didn’t suffer fools gladly, as anyone who knew him will know. He’s a great man, I think he will be remembered as a great man on his own right.

Paul – Penso que a música e a personalidade de George vão viver para sempre. Ele é um homem muito forte, mas não não tolera muito pessoas bobas ou idiotas e chega a ficar irritado com elas (“suffer fools gladly”), como todos que o conheciam sabem. Ele é um grande homem, penso que será lembrado como um grande homem por tudo que lhe é de direito.

Reporter – When was the last time you saw him, spoke to him?
Reporter – Quando foi a última vez que você o viu, e falou com ele?

Paul – Saw him a couple of weeks ago, yeah.
Paul – Eu o vi há umas duas semana atrás, sim.

Reporter – And how was he?
Reporter – E como ele estava?

Paul – He was quite ill, obviously, but as I said, we were laughing and joking, just like nothing was going on, you know, he’s always been a very brave guy and I was impressed by his strength. But I kind of knew he’d be like that cause that’s what he always was, you know. Beautiful man!
Paul – Ele estava muito doente, obviamente, mas como eu disse, rimos e fizemos brincadeiras, como se nada estivesse acontecendo, sabe, ele esteve sempre muito forte e fiquei impressionado com sua força. Mas eu já sabia que seria assim porque aquele era o jeito que ele era sempre, sabe. Belo homem!

Reporter – Is that particularly emotional to you?
Reporter – Aquele momento foi emocionante pra você, particularmente?

Paul – Of course it’s very emotional for anyone that loses somebody, you know, someone as long as I’ve known George. We were school friends together, we joined the Beatles together, went through all that together, so it’s very sad day. But I understand as I say, he went peacefully and…so that’s a blessing and I just prefer to now think of all the great times we had together, he’s a really lovely guy and remember him with all the warmth that I think he would have like to be remembered by.
Paul – Claro que é muita emoção pra qualquer um que perde alguém, você sabe, alguém que eu conhecia há tanto tempo
como o George. Estudamos juntos na escola, nos unimos aos Beatles, juntos, passamos por tudo aquilo juntos, portanto é
tudo muito triste. Mas eu entendo como eu disse, ele suportou pacificamente a tudo e… portanto foi uma benção e eu até
prefiro lembrar de bons tempos que passamos juntos, ele é realmente um rapaz muito amável e vou lembrá-lo com muito
carinho que é como ele deverá ser lembrado por todos.

Reporter – How will you personally be remembering him and paying tribute?
Reporter – Pessoalmente, como você lembrará e homenageará a ele?

Paul – Just personally, just in my own heart. I love him, you know, he’s like a baby brother to me. So, I’ll just keep quiet now and just remember him, I say, we’re obviously talking about him already and I remember him in some very silly stories. We had some great times together, you know, so that’s how I’ll choose to remember him.
Paul – No íntimo, no fundo do meu coração. Eu o amo, você sabe, ele é como meu irmão mais novo. Então, ficarei em
silêncio agora lembrando-me dele, eu digo, obviamente estamos falando dele e eu relembrei dele em algumas estórias muito
tolas. Passamos alguns bons momentos juntos, vocÊ sabe, assim será a forma que escolho para relembrá-lo.

Reporter – Anything you want to share with us, any particularly funny moments?
Reporter – Alguma coisa que você queira compartilhar conosco, alguns momentos particularmente engraçados?

Paul – No, they’re personal for me, you know, in time I may get around to tell you, but today is not the day for that.
Paul – Não, eles são momentos pessoais pra mim, sabe, pode ser que a seu tempo eu conte a você mas hoje não é hora
certa pra isso.

Reporter – Of course. Thank you very much.
Reporter – Claro. Muitíssimo obrigado.

Paul – Ok, thanks a lot everyone. See you, thank you.
Paul – Ok, é demais pra todo mundo. Até mais, obrigado.

George Harrison - 1943 - 2001 George on stage - 3th December 1969 (of the Beatles at a concert in Copenhagen with Eric Clapton and Delaney and Bonnie.  (Photo by Keystone/Getty Images)

George Harrison – 1943 – 2001
George on stage – 3th December 1969 (of the Beatles at a concert in Copenhagen with Eric Clapton and Delaney and Bonnie. (Photo by Keystone/Getty Images)

R.I.P. George…

“On the day that I die, I’d like jokes to be told”
“No dia em que eu morrer, gostaria que contassem piadas”.

This is Paul McCartney’s song about how he wants to be remembered after he dies. He was inspired by George Harrison. Paul and Ringo visited George in Los Angeles weeks before his death and were amazed that during the entire visit, despite being in great pain and facing death, George was upbeat, told jokes and recalled stories about their early days in the Beatles. Paul said that is how he would want to be remembered, with “jokes to be told and stories of old.”

Esta é uma canção de Paul McCartney sobre como ele quer ser lembrado depois de sua morte. Paul inspirou-se em George Harrison. Paul e Ringo visitaram George em Los Angeles algumas semanas antes de sua morte e ficaram satisfeitos pois durante toda a visita, apesar de estar sofrendo grandes dores e diante da morte, George estava de bom humor, pra cima, contando piadas e recordando historias sobre eles no início dos Beatles. Paul disse que é assim que ele queria ser lembrado, com “brincadeiras para serem contadas e historias antigas.”

A briga entre John Lennon e George Harrison chegou às vias de fato!

Apesar de todas as tensões por que passaram os Beatles durante as gravações do projeto Get Back, as piores ocorreram
de fato entre George e John.

George e John

Depois de ser deixado de lado durante anos, Harrison achava que Yoko tinha uma voz de maior peso que a dele nas
decisões da banda. Pior que isso, o casal estava praticando o que era conhecido como “percepção elevada” – baseada na
crença de que a comunicação verbal era desnecessária entre pessoas “em sintonia” com as grandes verdades do universo.
Seu efeito prático era o de cessar qualquer interação prática ou significativa. Quando assuntos cruciais eram levantados, John não dizia nada, concordando com o que quer que Yoko achasse.

Chegou o momento em que Harrison atingiu seu limite.

Em 10 de janeiro, ele e Lennon começaram uma briga que teria chegado às vias de fato, apesar de negarem o ocorrido (já George Martin declarou ao biólogo Plillip Norman que a discussão chegou ao nível físico, “com todo mundo se acalmando depois”). O confronto foi um dos poucos que o diretor Lindsay-Hogg não capturou para a posteridade. Mas ele filmou George aparentemente saindo dos Beatles.
“Estou fora”, disse, guardando a guitarra. “Ponham um anúncio e vejam se conseguem chamar alguém. A gente se vê por aí”.

Paul e Ringo ficaram chocados, mas John não se abalou e começou a tocar uma versão de “A Quick One, While He´s
Away”, do The Who, tirando um barato da angústia de George.

E naquele mesmo dia, Yoko sentou-se no lugar de George, pegou o microfone e começou a cantar um blues ininteligível,
enquanto os outros a acompanhavam, sem saber o que fazer, com medo de que Lennon se irritasse e também partisse…
(curiosamente, trata-se de uma performance memorável).

Ainda naquele dia, Lennon sugeriu que recrutassem Eric Clapton para substituir Harrison: “A questão é, queremos
continuar a banda sem George? Eu com certeza quero”.

Em 12 de janeiro, os 4 Beatles se reuniram na casa de Ringo para tentar resolver suas diferenças, mas quando Yoko
insistiu em falar por John, George foi embora de novo.

Os Beatles chegaram a um acordo, dias depois, mas Harrison impôs limites rígidos: nada de shows grandes e nada de
voltar a trabalhar nos estúdios Twickenham. Yoko, entretanto, continuava participando de todos os ensaios, ao lado de John.
“Yoko só quer ser aceita”, disse Lennon. “Ela quer ser uma de nós”. Quando Ringo respondeu “Ela não é um Beatle, John, e nunca vai ser”, Lennon bateu o pé. “Yoko é parte de mim agora. Somos John e Yoko, estamos juntos.”

Quase duas semanas depois da saída de George, os Beatles voltaram a tocar, dessa vez em um estúdio improvisado no
porão da sede da Apple. Harrison trouxe então o organista Billy Preston, que eles haviam conhecido em Hamburgo
(Alemanha), em 1962. Preston participou dos ensaios e sua habilidade no improviso trouxe a dignidade que eles tanto
precisavam. Lennon achou a presença de Preston tão revitalizante que quis transformá-lo em membro fixo, um quinto Beatle.
A resposta de Paul foi taxativa: “Já é ruim o suficiente com quatro”.

Fonte: Revista Rolling Stones, Ed. Set/2009

O Guitarrista George Harrison!

Opiniões de músicos e amigos sobre George Harrison como guitarrista, publicados na Revista ‘Guitar Player’.

Les Paul: “Não houve muitos grandes guitarristas – mesmo com bilhões de instrumentistas por aí. Poucos têm
algo a dizer e o privilégio de fazer isso. Devemos ser gratos a esses guitarristas. George foi um deles.”
Brian Setzer: “Sentimos falta dos grandes riffs que Harrison criou. Além de suas próprias composições, quase
todas as músicas de Lennon & McCartney possuem um grande riff de guitarra. George era quem tinha de pensar
nessas coisas – isso já é dois terços de uma grande música.”
Joe Walsh: “Se vc tocar algumas partes da guitarra de George, conhecerá o lugar único e especial em que
estava sua cabeça. Seus solos eram impressionantes! Ele foi subestimado, uma vasta quantidade de técnica foi
necessária para criar seus solos – eles tem seu próprio som. Foi isso que me atraiu. Toda vez que eu tentava tirar
músicas como ‘And Your Bird Can Sing’ ou ‘Drive My Car’, eu acabava coçando a cabeça e pensando ‘onde neste
mundo está esse cara?’ Eu não conseguia dizer de qu
em ele estava roubando seus licks!”
Steve Lukather: “Comecei a tocar guitarra em 1964, depois de comprar ‘Meet The Beatles’. Ouvi o solo de George
em ‘I Saw Her Standing There’ e minha vida mudou para sempre. Mais tarde, George se tornou meu amigo e
tenho muitas lembranças ótimas dele. Uma vez, ele veio à minha casa com seu filho, Dhani, que queria
conhecer Slash. George sabia que Slash era meu amigo e levei-o para conhecê-lo. Em outra ocasião, toquei na
casa de Jeff Lynne com Bob Dylan, no baixo, e eu e George nas guitarras. Cara, sempre irei lembrar disso com
carinho.”

Brian May: “George Harrison foi um guitarrista fabuloso e um exemplo maravilhoso de como um rock star deve
ser. Eu o reverenciava como um inovador. Ele sempre foi original, corajoso e melódico. Era repleto de qualidade
espiritual e consciente da estrutura de acordes sob o solo. Ele teve a coragem de tocar de maneira simples.
Nunca se refugiou em efeitos ou tentou impressionar com velocidade. Espero que Harrison tenha sabido o quanto
nós o amávamos e respeitávamos.”
Wander Taffo: “Se vc me perguntasse qual solo eu gostaria de ter criado, o de ‘Something’ é o primeiro que me
vem à cabeça. Toquei essa música milhões de vezes. Sempre que eu executava o solo achava horrível, pq eu
não conseguia tocar igual. As notas eram as mesmas, mas nunca me senti à altura de fazer aquilo. Tocar como
Harrison naquele solo é quase impossível. Ele tinha um feeling intraduzível. Toca aquilo com uma emoção tão
grande que, quanto mais vc estuda o instrumento, mais percebe a dificuldade de se criar coisas simples. Harrison
é a melhor escola de criação de coisas que se fixam à mente. É exemplo de feeling, criatividade e estilo.”
Sérgio Dias: “George sempre fazia coisas muito inteligentes, musicais e melódicas. O arpejo de ‘Help’ é muito
avançado para aquela época. Ninguém conseguiu reproduzir seus sons. O solo de ‘Something’ é mais forte do
que a melodia da música. George determinou o estilo de outros guitarristas – ele era o estilo. Harrison é tão
gênio quanto Beethoven ou Jimi Hendrix e possui algo que outros guitarristas não têm: classe.”

George em preto e branco

Dylan também comentou, mas na Revista Rolling Stone…
“George ficou marcado por ser o Beatle que tinha que brigar para colocar as suas canções nos discos, por causa
de Lennon e McCartney. Bem, quem não ficaria marcado? Se George tivesse tido sua própria banda e
escrevesse as próprias canções, teria sido tão grande quanto qualquer um deles. George tinha a esquisita
habilidade de apenas tocar acordes que não pareciam estar conectados e daí… Surgia com uma melodia e a
canção. Não conheci mais ninguém que fizesse isso, também. O que posso te contar? Ele era daquela antiga
linha de instrumentistas em que cada nota era uma nota a ser contada.”

“Amo o som da guitarra do George. Acho ele um passo à frente (É o que os meus ouvidos dizem, desculpem-me os
técnicos). (José Luis Queiroz em 17/10/2008)

“George Harrison foi um grande gênio nas guitarras! Conseguia através de seus slides emocionar a todos! Estas opiniões de grandes guitarristas mostram o quanto Harrison era querido e admirado! Me impressionou o comentário de Brian May, já que adoro seu estilo, e saber que também era um fã de George me trás ainda mais alegria, pois se George era a alma dos Beatles, May era o mesmo para o Queen!” (Jorge Washington Antunes Sobrinho em 17/10/2008)

“Brian May é fantástico, consegue combinar o virtuosismo com solos lindos. E um cara como ele dizendo o que disse sobre o Harrison, o que mais se pode falar? Eu não falo nada, já que sou suspeito, pois é o meu preferido após o fim dos Beatles…” (José Carvalho em 17/10/2008)

E ainda o comentário do Luis Fernando, da Banda Golpe Sujo, publicado na Revista Guitar Player:

“Comentário do Mês” da edição de setembro de 2011 da Guitar Player brasileira, by Luiz Fernando (do
Golpe Sujo):

“Tenho de parabenizar a Guitar Player pela reportagem de capa com o inesquecível George Harrison. Acho que a revista tem o dever de mostrar aos mais jovens o trabalho de guitarristas cujo som excede as notas frias de uma partitura e ganha a dimensão cultural de uma época especial, na qual a canção não representava somente uma diversão imediata e superficial, mas um compromisso com as imprescindíveis mudanças que o mundo merecia (e ainda merece) sofrer. E isso deve se refletir no trabalho de um guitarrista, que com sensibilidade e talento, qualidades mais relevantes que somente a habilidade e técnica, deve tentar traduzir o espírito de uma época. Não se aprende George Harrison somente lendo uma partitura. Aprende-se George Harrison escutando e entendendo as nuances de seu magnífico legado musical”.

Hoje, 24 de fevereiro de 2015, George Harrison estaria aniversariando e seria o seu aniversário de 72 anos!

George nasceu em 24 de fev segundo o Diário dos Beatles” de Barry Milles, Editora Madras.

George Harrison nasceu às 23h42 do dia 24 de fevereiro, mas só soube disso pouco tempo antes de sua morte em 2001, e sempre comemorou seu aniversário no dia 25 de fevereiro. (George Harrison nasceu em 24 de fevereiro, segundo o livro “O Diário dos Beatles” de Barry Milles, Editora Madras)
Em 1992, em entrevista à Billboard Magazine, George contou que apesar de sempre ter comemorado seu aniversário no dia 25, ele havia descoberto recentemente que havia nascido no dia 24.

Portanto, hoje seria o aniversário de George Harrison, que foi guitarrista dos Beatles mas hoje também é lembrado pelo músico fantástico que sempre foi e por sua importante contribuição à música Pop do século XX.

“A contribuição de Harrison para a música do Século XX é muito maior do que se pode imaginar: ele formatou o modelo da canção Pop e como instrumentista, seu estilo é algo muito difícil de ser imitado e a sua digital sonora é praticamente única. George Harrison sempre abdicou dos virtuosismos exasperados, optando por um caminho mais sóbrio como instrumentista, com destaque para o slide em detrimento das longas improvisações.
Durante sua passagem pelos Beatles, as composições próprias começaram a aparecer timidamente e foram evoluindo com o passar dos anos para temas do calibre de “If I Needed Someone”, “Taxman”, “While my guitarr gently weeps”, “Here comes the Sun” e seu grande sucesso enquanto um Beatle, que foi “Something”.
Foi ele quem conduziu o grupo no caminho da meditação transcendental e da música indiana, sendo também o introdutor da cítara na música ocidental.
Com o final da banda em 1970, Harrison deslanchou com seu álbum de estreia, “All things must pass”, um bolachão triplo onde desfilavam mega sucessos comerciais como “My Sweet Lord” e “What is Life”, miscigenadas a canções mais introspectivas e impregnadas de uma muito bem dosada carga espiritual e religiosa. Para ajudar o pais de seu amigo Ravi Shankar, protagoniza em 1971º primeiro mega concerto beneficente da história, que foi o lendário Concert for Bangladesh, no Madison Square Garden.
A partir de 1972 a carreira e a vida de George oscilam entre altos e baixos vertiginosos. Junto a sua banda de apoio, fez uma desastrosa digressão pelos Estados Unidos em 1974; no mesmo ano, a esposa dele na época, Pattie Boyd, o abandona para dividir a cama com Eric Clapton, seu melhor amigo e confidente naqueles tempos de amor livre; mas vida que segue, logo em seguida ele acaba encontrando a tão almejada alma gêmea, a mexicana Olivia Arias, que lhe daria seu único filho, Dhani.
Em 1981 grava o sucesso “All Those Years Ago”, homenageando o amigo John Lennon, assassinado no ano anterior. Meia década depois retorna às paradas dos dois lados do Atlântico com o álbum “Cloud Nine”, considerado pela crítica e pelo público um e seus melhores trabalhos.
No final dos anos 80 integra ao lado de Bob Dylan, Tom Petty, Roy Orbison e Jeff Lynne o quinteto “Travelling Wilburys”, uma banda de super astros que demarca sua comunhão e parceria em dois álbuns muito elogiados.
Em 1991 Harrison volta aos palcos, reaproximando-se de Eric Clapton, numa clara demonstração de grandeza e ausência de ressentimentos, na festejada turnê pelo Japão, que deu origem a um LP duplo, ao lado do velho amigo camarada.
Nos anos seguintes, junto a Paul McCartney e Ringo Starr, participa do projeto Anthology, revivendo com seus antigos partners os anos dourados do fabuloso quarteto fantástico do Rock´n´Roll.
Nos três últimos anos de vida, enquanto lutava contra um câncer, dedicava grande parte do tempo a uma de suas maiores paixões: a jardinagem.
Harrison não queria ser lembrado como um astro Pop – ele era conhecido por ser o mais tímido e discreto dos Beatles – como também fugia acintosamente dos holofotes e de toda a purpurina do mainstream, preferindo sempre a companhia da família e o isolamento como estilo de vida.
Em 2001 finalmente perde a batalha para o câncer e retorna para o jardim…
Após a sua morte, Bob Dylan disse em uma entrevista: “Ele tinha a força de cem homens. O mundo se tornou um lugar mais solitário sem George”.
Um ano depois chega às lojas o álbum póstumo “Brainwashed”, um interessante registro da última safra de composições de Harrison, um trabalho que foi dedicado a todos os jardineiros do mundo!
Outro belo recado do eterno menino tímido daquela banda inglesa que mudou o mundo nos anos 60! Segundo um velho provérbio oriental, em grande parte das vezes a felicidade está escondida no próprio jardim, mas é muito provável que ela esteja coberta pelo mato e ervas daninhas. Quem sabe em um dia qualquer desses iguais a tantos outros, sigamos o conselho de George, voltando os olhos para o nosso próprio quintal e até mesmo, quem sabe, transformando o mundo num lugar bem mais bonito e agradável de se viver.
Precisamos urgentemente retornar ao jardim!”

Por Eduardo Lenz de Macedo & Márcio Grings / 2006