A MELHOR MÚSICA DO ANO 2000!

Em 2001 o SBT apresentou o Troféu Imprensa, ocasião em que RENATO BARROS e LÍLIAN KNAPP receberam o prêmio pelas mãos de SILVIO SANTOS, no SBT, pela composição da música eleita a melhor do ano 2000, que foi “DEVOLVA-ME”.
A regravação foi feita por ADRIANA CALCANHOTTO, e escolhida como MELHOR MÚSICA DO ANO 2000.
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No Youtube


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FOTOS

 

Sonia Abrão votou contra… Lamento… rsrs

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RENATO BARROS COMENTANDO O LP RENATO E SEUS BLUE CAPS DE 1963.

Em 30 de novembro de 2017 tive a oportunidade de gravar com RENATO BARROS sobre o álbum Renato e Seus Blue Caps de 1963, ocasião em que ele recordou alguns fatos curiosos e até mesmo engraçados.

Falamos sobre o programa de Jair de Taumaturgo, que foi quem escreveu na conta-capa do disco;

Renato também teceu comentários sobre as gravações de “Lobo Mau”, versão de Hamilton di Giorgio;

A música “Comanche” versus “Apache”;

O bebê em “Boogie do Bebê”, que na verdade era uma atriz;

As músicas não autorizadas, como “Kathleen”;

A paródia não autorizada, “O Bode e a Cabra”, uma gravação que foi descoberta por Leno Azevedo nos arquivos da CBS… e muito mais!

Ouçam o vídeo com trechos das músicas e os comentários de Renato. 😉
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O MESMO VÍDEO NO FACEBOOK

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RENATO E SEUS BLUE CAPS

Lado 1

– Limbo Rock
– Walking My Baby Back Home
– Estrelinha (Little Star)
– The Wanderer (O Lobo Mau)
– Comanche

Lado 2

– Boogie do Bebê
– Ford de Bigode
– What’d I Say
– Relax
– Stand Up

“Sim, eu os conheço muito bem. E justamente por isso, falo com base sobre as virtudes musicais destes jovens que integram o conjunto ‘RENATO E SEUS BLUE CAPS”.
Foi-me dada a satisfação de acompanhar a evolução dos moços que, no princípio, tinham apenas intuição artística e hoje, para gáudio da mocidade, formam um conjunto dos mais homogêneos e de grande valor.

Faço um retrocesso no tempo e encontro-me exatamente na época em que conheci ‘RENATO E SEUS BLUE CAPS”, há alguns anos. Estava na minha sala, na Rádio Mayrink Veiga, um grupo de amadores para se inscrever no programa “Hoje é Dia de Rock”, a fim de concorrer ao troféu, fazendo… mímica! E, a bem da verdade, até que não se saiu mal, pois conseguiu alcançar classificação de destaque. Lembro-me bem de Renato, Paulo César, Edinho (hoje categorizado intérprete, aplaudido por suas gravações como Ed Wilson e que naquele período era o crooner) e mais alguns companheiros, dando já mostras de acentuada inclinação para a música, improvisando as mais variadas encenações para os seus números mímicos, procurando dar vida ao conteúdo dos discos.
Mas, de espírito valente, como acontece com todos os jovens, acharam que podiam e deviam ultrapassar o terreno da imitação, para atingir um campo mais concreto, mais palpável. Do pensamento à ação, foi um pulo.
Dotados de uma extraordinária vontade, dedicaram-se à música ao vivo.
Seus primeiros instrumentos, adquiridos com muito sacrifício (moços pobres) não lhes permitiam mostrar a técnica resultante de horas e mais horas de estudos e de ensaios.
(Vale aqui lembrar que Paulo César, atualmente um exímio contrabaixista, começou tocando piano com dois dedos, para depois chegar À CONCLUSÃO DE QUE SEU INSTRUMENTO FAVORITO ERA OUTRO.)
O tempo, todavia, haveria de ajudar e hoje ‘RENATO E SEUS BLUE CAPS” possuem um notável instrumental que, manejado por mãos hábeis, transmite toda a alegria e vibração que encontramos na música moderna.
A meu ver, o que mais impressiona no Conjunto, é a simplicidade de seus componentes. Embora com algumas alterações desde a formação inicial, continuam a ser os mesmos rapazes corretos, educados e com os quais dá gosto lidar.
A sua popularidade é enorme (pude comprová-lo pessoalmente numa série de shows dentro e fora do Rio).
Seu repertório é atualíssimo, pois são selecionadas com critério as composições de evidência entre tantas que moços e moças cantam e assobiam.
É, enfim, um verdadeiro conjunto.
Seus componentes: RENATO BARROS (chefe do grupo), guitarra elétrica; PAULO CESAR, contrabaixo; ROBERTO SIMONAL, sax; ERASMO CARLOS, guitarra elétrica e também crooner; e, finalmente, TONIO, bateria.
A COPACABANA, ao lançar este que é o segundo LP de RENATO E SEUS BLUE CAPS, alcança dois objetivos: mais um premio ao talento dos jovens músicos e um grande lançamento para a juventude brasileira, que encontrará, não tenho a menor dúvida, um excelente entretenimento para suas horas de lazer.
De resto, só me cabe aconselhar ao discófilo: ouça as várias faixas deste microssulco e divirta-se a grande!”

Por JAIR DE TAUMATURGO

klaus Voorman e a última vez que esteve com George Harrison.

Em 29 de novembro de 2017 faz 16 anos que George Harrison fez sua passagem espiritual, e me lembrei de um texto muito triste escrito por Klaus Voorman em seu livro intitulado “Warum spielst du Imagine nicht auf dem weissen Klavier, John?”, onde ele narra a última vez em que esteve com o amigo George Harrison…

“Depois do nosso curto passeio pelo jardim nós nos sentamos por ali juntos durante um longo tempo e ele queria saber como estava indo a minha família. Ele sempre perguntava sobre eles, era importante para ele saber se tudo estava bem de verdade.
“Como está Christina, ela ainda tem aquela organização de ajuda com os Sioux”? George sabia dos problemas dos Índios Americanos nos Estados Unidos. O irmão de Olívia trabalhava como professor com os Navajos e ambos sabiam das condições catastróficas nas reservas dos índios.
“Sim, parece ser algo como um destino na vida dela.”
George assentiu. “Sim, isso acontece com algumas pessoas e depois elas não conseguem mais fazer outra coisa.
Na verdade, cada um de nós tem um papel a desempenhar na terra, mas apenas poucas pessoas sabem disso. A maioria acha que só estamos aqui para ganhar muito dinheiro muito rapidamente e caminhar pelo lado ensolarado da rua. O que Christina faz certamente não é fácil mas é admirável. De onde vem o dinheiro para o projeto?”
Eu sempre ficava encantado ao ver como George ia fundo quando o assunto lhe interessava. Eu contei a ele sobre os problemas momentâneos em obter dinheiro suficiente, e que Christina queria ir às reservas dentro de quatro semanas com uma equipe de especialistas em construir outro prédio para os jovens. Eu disse a ele que os índios cresciam rápido.
George riu. “Você não quer dizer a marca que você fuma, quer?”
Ele sabia exatamente o que eu queria dizer. Nós conversamos sobre o quanto cada um poderia fazer com este material ecológico: roupas, materiais de construção, papel. Quando eu contei a ele a história sobre como o FBI havia ceifado os campos poucos dias antes da colheita no verão anterior, ele não podia acreditar. “Isso é impossível. Eu pensei que as reservas não estivessem ligadas a eles. O DEA e o FBI não deveriam estar roçando em outro lugar?” Coisas desleais, deixavam George louco da vida.
“Sim, e é por isso que ela quer isolar este prédio de jovens do outro, misto. Na Alemanha, perto de Karlsruhe, há uma empresa que faz materiais de acabamento de todo tipo. Eles doariam todo o material, mas falta dinheiro para a organização fazer o transporte.”
“Quanto custa”? perguntou George.
“Nós temos uma oferta de uma empresa de mudança. Por volta de cinco mil dólares. É muito dinheiro, mas tem um valor simbólico para os Índios, mostrar o que seria possível se os campos tivessem sido deixados para eles.”
“Ligue para Christina. Ela deve me passar um fax com a oferta. Eu tenho bons contatos com as empresas inglesas de mudanças. Talvez eu possa ajudá-los e obter uma oferta melhor.”
Liguei imediatamente para Christina e ela, claro, ficou exultante. Qualquer oferta mais barata seria mais do que bem vinda.
Quando cheguei em casa, Christina já me saudou com um largo sorriso na face. O que aconteceu? Christina havia, como conversado, passado o fax da oferta para George. Duas horas mais tarde, seu assistente ligou com a solicitação a ser enviada para o número da conta bancária da organização de Christina, a Lakota Village Fund.
“George quer pagar pelos custos do transporte.”
“Mas ele apenas queria encontrar um serviço mais barato pra nós!” Christina estava sem palavras.
“Não estou sabendo de nada. Ele me disse para enviar o dinheiro para o transporte imediato. Boa sorte, Christina.”

Bem, este era George. E não somente ele, mas este era o jeito que todos os quatro membros dos Beatles costumavam ser. Eles ajudavam e davam suporte a coisas as quais o público nunca, jamais soube a respeito.
Algumas poucas semanas mais tarde, George ligou novamente. Ele estava em Going (região montanhosa localizada na Áustria), mas nesta hora não estava em um Hotel, mas sim na casa de seu amigo Gerhard Berger. Eu havia ficado muito preocupado, por que havido saído muitas reportagens na imprensa sobre sua fraca saúde. Eu sabia que ele estava na Suiça, vendo um especialista, mas ninguém sabia contar-me realmente o que estava havendo com o meu amigo. Sua ligação telefônica me confortou, por que era a mesma velha voz, seguida de seus típicos comentários, secos e cheio de humor. Então eu dirigi de volta para a Áustria, mas desta vez com um estranho sentimento no estômago. O que eu poderia esperar? Em Going (região montanhosa na Áustria) havia um trecho relativamente longo de estrada com montanhas de pequeno porte, até se chegar a uma casa típica no estilo pseudo alpino. Fui levado até a casa por um empregado. Olívia estava trabalhando no computador. Quando ela me viu, foi em minha direção. Ela parecia triste e me pediu para segui-la até lá fora no terraço. Fazia um maravilhoso dia ensolarado, e tínhamos uma bonita vista da montanha chamada “Wilder Kaiser”. Olívia tentou preparar-me para tudo, gentilmente. Esperamos por mais de uma hora por George. Ele entrou na casa, vindo lá de fora, e usava um chapéu na cabeça. Seu rosto e corpo pareciam inchados. Resultado de todas as terapias. Sua risada e olhos brilhantes não deixavam você pensar que havia ali um homem muito doente. Ele sentou-se próximo a mim e eu evitei a pergunta idiota “como vai”. Não era necessário perguntar isso a ele. Ele começou a conversar sobre sua saúde sem nenhum aviso.
“Não é tão ruim assim, Klaus. Estou bem. Os médicos fizeram de tudo e eu vou ficar bom de novo. Acredite-me. Exceto que acho que eu deveria trocar de cabeleireiro.”
Rindo, ele tirou seu chapéu e mostrou a cabeça, que estava coberta com alguns fios de cabelo de diferentes comprimentos.
“Que tipo de câmera é aquela que você tem aí, acho que tenho a mesma. Deixe-me ver.”
Como se não tivesse percebido a minha mudez, George continuou conversando e tomou a câmera digital da minha mão, que eu tinha comprado poucas semanas atrás em Londres. Conversamos sobre ela por instantes e George mostrou-me algumas dicas das coisas que se poderia fazer com ela.
George não era apenas um excelente motorista, ele também era dedicado ao automobilismo. Ele tinha uma porção de amigos no cenário automobilístico, porém ele não suportava Michael Schumacher. Ele sempre reclamava na frente da televisão quando Schumacher competia numa corrida. Neste dia também, enquanto assistíamos a um show ao vivo da Corrida de Fórmula 1 na casa de Gerhard Berger.

“Empurre-o pra fora da pista!” ele gritava cada vez que Schumacher ultrapassava um de seus colegas. Eu sempre me divertia com isso. George, que costumava ser sempre quieto e pacifico, com a Fórmula 1 e principalmente com Schumacher, ele ficava furioso. Nada podia tirá-lo da frente da tela da TV. Ele mal olhou quando eu acidentalmente esbarrei em um grande vaso de flor e inundei a sala do Gerhard Berger.
Quanto mais tempo eu passava com George aquela tarde, mais ele me convencia de que estava ficando cada vez melhor. Ele tinha grandes planos, queria fazer algumas mudanças necessárias na Apple.
“Irrita-me ver que o mundo inteiro quer ganhar dinheiro às nossas custas, e nós não podemos administrar pra obtermos juntos, um conceito decente de propaganda (merchandising).”
Eu sabia o que ele queria dizer. O assunto “merchandising” tem sido um problema desde Brian Epstein. Ele subestimou o assunto naquela época.
Depois de poucas horas, nós dois nos sentimos como se estivéssemos fazendo um agradável passeio. Caminhamos pelos campos levemente montanhoso, mas George só podia caminhar bem devagar. Tínhamos que parar várias vezes. Sua respiração tensa demonstrava que ele estava na verdade muito fraco para isso, mas nós queríamos continuar o passeio. Ou será que ele estava só fingindo ser um homem carregado de energia?
Seu convite foi seu secreto adeus a mim. Ele queria ter algumas horas agradáveis comigo, rir, planejar e dar-me conselhos para o futuro.
“Quando você vai finalmente escrever seu próprio livro? Você vivenciou demais. Qualquer idiota que apenas apertou nossas mãos sente a necessidade de escrever um livro sobre nós. Por que não você, Klaus?”
“Por que qualquer idiota faz isso. Pra mim seria como uma traição. Todos iriam dizer: claro, agora aí vem o Voormann também.”
George olhou pra mim sem acreditar. “Não fale asneiras, Klaus. Você não tem que escrever sobre o tamanho do meu pau. De qualquer forma, o que você acha que devemos fazer? Ou todo o pessoal da Apple: Neil por exemplo. Há pessoas demais ganhando dinheiro usando o mito dos Beatles. É por isso que me incomoda que não possamos organizar nosso conceito de “merchandising”.
George estava respirando como uma locomotiva, e tivemos que nos sentar no chão de novo, de forma que ele pudesse se recuperar. Estávamos ambos deitados na grama olhando para o céu.
“Você sabe, a morte na verdade não é nada especial, nem boa nem má. É apenas um veículo que nos leva ao próximo passo ou nível.”
Ele falava sobre a morte da mesma forma que outros falam de comida ou bebida.
“Já estou aqui tempo suficiente. O que mais eu vou querer. Tenho vivido uma vida privilegiada. Já experimentei de tudo que alguém pudesse experimentar. Se eu for chamado pra ir embora agora, então é a hora certa. Acredite-me, não estou com medo.” E enquanto ele falava sobre isso, nós dois olhávamos as nuvens se movendo e passando por nós no céu azul. O humor era cheio de paz e também um pouco feliz. Caminhamos de volta vagarosamente, e ele me contou sobre sua nova casa adquirida na Suíça e o pequeno estúdio onde ele poderia trabalhar. De volta à casa, nós dois esperávamos ansiosos por uma xícara do “velho e bom Inglês”.
“Venha”, disse ele depois de alguns instantes, “vou lhe mostrar minha mais nova produção de vídeo.” Ele colocou uma fita no gravador de vídeo e sorriu descaradamente.
Era inacreditável. George havia filmado ele próprio. Estrábico, careca e faltando um dente, ele cantou diante da câmera.
“Como é a sensação de ser uma das pessoas mais bonitas.” Nós rimos até chorar. Escutamos as canções de George Formby até tarde da noite, e quando ficamos com fome mais tarde naquela noite, fomos até a cozinha, onde ele preparou sanduíches de queijo e uma xícara de Horlix pra cada um de nós.
Se eu soubesse que esta seria a minha última vez com George, eu não teria ido dormir, e teria ficado acordado a noite toda a seu lado.
Mas George não queria que eu soubesse. Ele deixou que eu dirigisse de volta acreditando que ele estava curado e que havia grandes coisas programadas para nós.
Em outubro, um aviso através da mídia dizia que ele havia sido internado em uma clínica, que os médicos não tinham muitas esperanças e tudo o mais. Eu não queria acreditar nisso e dizia a todos que ligavam que George estava passando bem, uma vez que eu havia estado com ele poucas semanas antes e ele estava em boas condições. Falei sobre todas as suas muitas ideias e que ele queria gravar um novo LP. Hoje eu sei que eu dizia isso mais para mim mesmo. Eu queria evitar, com todas as minhas forças, acreditar que o meu querido amigo estava morrendo.
No começo de novembro tentei chegar até Olívia e enviei a ela um E.mail. Sua resposta confirmou que George estava em uma clínica especial. Ele estava muito fraco, mas eles não desistiram de ter esperança. De repente o telefone começou a tocar sem parar. Editores e jornalistas queriam assegurar entrevistas comigo em caso de George falecer. O que todos acreditavam que estava prestes a acontecer. Eu me senti horrível e não podia compreender tal atitude. Meu pequeno George estava morrendo e eles estavam tentando chegar até as pessoas convenientes para fazerem os seus elogios.
Eu não atendia mais ao telefone e me escondi no porão a tocar piano por horas. Christina teve sucesso, e conseguiu manter todos afastados.
Em 29 de novembro, aconteceu. Um editor da ZDF nos ligou após ter recebido a notícia através de telégrafo. Para mim este foi um dos piores momentos de minha vida. A morte de John me bateu muito forte, mas George? A notícia de sua morte me deixou chocado. Eu não queria falar com nenhum jornalista sobre isso, nem por telefone, nem em nenhum programa de TV. Durante dias eu fui bombardeado com ligações telefônicas, mas eu não podia dizer nada. Somente alguns muito poucos é que respeitaram meus sentimentos e compreenderam.
Alguns não tinham nenhum tato, e machucavam os sentimentos. Não por mim, mas por George. Na metade de dezembro, um pacote chegou da Califórnia. O endereço do remetente era do escritório de Olivia. Era o último presente de Natal e o último cartão de Natal de George e Olivia. Aquele que ele havia organizado antes de sua morte. Mostrava um anjo com uma flor de lótus em suas mãos e as palavras “Love and Peace”.
O primeiro verão após a morte de George, Dhani e Olivia convidaram amigos próximos para uma pequena cerimônia para George. Foi um evento muito emocionante, muito positivo e muito delicado, totalmente sem a imprensa e toda a atenção costumeira. Lá se encontraram a pequena “turma”, que notavelmente acompanharam a vida de George: Eric, Paul, George Martin, sua primeira esposa Pattie, Astrid, irmão Harry, Neil Aspinall e o fiel Joan, que já trabalhava em Friar Park antes de George comprá-la. E novamente a fascinação deste parque foi sentida. O tempo permitiu que o evento acontecesse no jardim. Pequenas velas acesas flutuavam no lago, e no final, Dhani tocou uma parte da fita com os últimos sons de guitarra de George, seu planejado novo LP. Era uma peça instrumental, faltava a voz de George e ele ainda estava lá. Enquanto a típica guitarra de George tocava pela quietude do parque, os visitantes andavam ao redor quase em meditação. Todos estavam dizendo adeus, cada um a sua maneira. Ninguém falava e muitos deixaram suas lágrimas se derramarem livremente. Eu também. Oh! George, sinto tanto a sua falta!”

Do livro de Klaus Voorman, ainda lançado apenas em alemão, cujo título é “Warum spielst du Imagine nicht auf dem weissen Klavier, John?”

“Concentrava-me mais em John e Paul porque eram eles que nos davam os primeiros lugares. Mas a gente deixava George gravar uma faixa ou duas mais por pena dele. Mas hoje eu vejo que ele sempre fez grandes canções. Perdão, George”… (George Martin em depoimento sobre a história dos Beatles)

“O espírito dele estava pronto para partir”… (Frase dita por um amigo de escola de George Harrison).

Renato e Seus Blue Caps faz nostalgia virar realidade durante show em Arapiraca, Alagoas.

A Música tem um poder invisível – daqueles que só se pode sentir. Foi o que se viu logo após a Segunda Guerra Mundial. O mundo estava tomado pelo terror do genocídio de milhares de inocentes, além dos reveses de soldados que lutavam contra um poder totalitário e fascista, coisa que a gente não quer tornar visível nunca mais.

Foi nesse campo de batalha que a geração pós-guerra se viu diante de um vazio existencial tremendo. Surgiram os poetas beats e uma música dançante chamada Rock N’ Roll, ali em meados de 1950.

No fim daquela década, alguns irmãos se juntaram para formar uma banda com sotaque tupiniquim e expressar o que sentiam aquela altura. Eram Renato Barros, Ed Wilson e Paulo César Barros. Os “Bacaninhas do Rock da Piedade”, nome de um bloco de carnaval no bairro da Piedade no Rio de Janeiro, onde cresceram, e logo se tornaram sucesso local após a gravação de seu primeiro long play (LP) “Twist”, em 1962, tocando na rádio e no programa Os Brotos Comandam, de Carlos Imperial.

Mas a influência de outros garotos igualmente sonhadores do outro lado do oceano atlântico, os Beatles, invadiu o gosto musical daqueles jovens brasileiros de tal modo que a banda Renato e Seus Blue Caps não seria mais a mesma. E eles explodiram no país inteiro.

Vários hits deles são versões do quarteto de Liverpool, que dominaram as paradas mundiais com seus hits por muito tempo. A mensagem era clara: diversão, amor e envolvimento verdadeiro em um cenário onde se vislumbrava a paz, depois de uma guerra insensata em escala global.

Renato e Seus Blue Caps botaram mais de 2 mil pessoas para dançar (Foto: Genival Silva)

Esse foi o pavimento para o que veio a se chamar depois de “Verão do Amor”, a partir de 1967, embalado pela psicodelia e o desejo harmônico de uma sociedade igual e vívida.

Jovem Guarda

Na esteira dessas movimentações culturais, o Brasil viu toda uma geração emergir com um som denominado “Jovem Guarda”, ou iê-iê-iê (termo originário da canção She Loves You, dos Beatles).

As bases dos Beatles abriram as porteiras para as canções autorais e elas já estavam na boca do povo – e na sola dos pés. Ninguém ficava parado.

E esse revival se deu neste sábado (28/10/2017) com a apresentação de Renato e Seus Blue Caps em show gratuito no Bosque das Arapiracas, dentro da Semana do Servidor 2017, em Arapiraca, Alagoas.

Quem estava na plateia não conseguia não dançar com músicas como “Não Te Esquecerei”, “Feche os Olhos”, “Menina Linda”, “Até o Fim”, “Tudo o Que Eu Sonhei” e até surpresas como “Corcovado”, de Tom Jobim”, e “Smile”, do gênio Charlie Chaplin.

“Estamos levando a cultura musical para o nosso país, coisa que estamos precisando bastante ultimamente. Nossas músicas não carregam apenas nostalgia, mas, sim, a identidade de toda a nossa geração sonhadora. Obrigado, Arapiraca, por essa receptividade calorosa e, ao mesmo tempo, parabéns pelos seus 93 anos de liberdade”, diz o cantor e guitarrista Renato Barros, no alto de seus 74 anos de idade e ainda na linha de frente da banda.

O momento foi também para prestar um tributo ao comunicador Jarbas Lúcio (Foto: Genival Silva)

Direto de Fortaleza, quem estava curtindo por lá era o engenheiro mecânico José Ailton Leão Barbosa, de 62 anos. Ele nasceu em Arapiraca e foi embora para o Ceará em 1975, mas firmou amizades em Arapiraca. “Está sendo um momento bem bacana porque estou revendo vários amigos de infância e ainda aproveitando para reviver aqueles dias com essas músicas. Esse ambiente é muito bom e saudável”, conta.

E quem cantava todas as músicas era a servidora pública e administradora Mary Selma Brito, que atua na assistência de contabilidade da Secretaria Municipal de Finanças. “Não tem tempo ruim com essas canções! O prefeito Rogério está de parabéns por ter trazido o Renato, valorizando ainda mais o nosso trabalho como servidores do povo. Isso é um estímulo e tanto”, pontua ela, que trabalha na Prefeitura há cinco anos.

Na oportunidade, diversos artistas da terra se apresentaram no show de abertura, homenageando os servidores públicos de Arapiraca, com a banda Dija e Pé de Balcão dando todo o apoio instrumental aos cantores Beto Borges, Ginaldo, dr. Walberto, Jorginho, César Soares, Gorete, Adailton Reis, Olga Soares, Os Diamantes e Maurício Fernandes.

O momento também foi de tributo a um dos maiores comunicadores do Brasil, o eterno Jarbas Lúcio. Sua família recebeu uma placa, reverenciando seu trabalho, das próprias mãos do prefeito Rogério Teófilo.

De lá, ele desceu e ficou no meio do povo, curtindo os shows como todo bom jovem da Jovem Guarda. Dentro da megaestrutura montada – parte dela permanecerá para os festejos de Emancipação Política nesta segunda-feira (30) –, segundo a organização, havia mais de 2 mil pessoas dançando, cantando e sonhando junto mais uma vez.


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Por Prefeitura de Arapiraca

Explicações sobre alguns efeitos de guitarra em canções de Renato e Seus Blue Caps.

O músico Edson Fraioli de Mattos, guitarrista de Ribeirão Pires/SP, gravou em vídeo algumas explicações sobre os efeitos de guitarra nas gravações de algumas canções de Renato e Seus Blue Caps, e hoje foi a vez de “Ana”.

Edson dividiu as explicações em dois vídeos, sendo um só do efeito de eco da guitarra e o outro com o bônus da harmonia do refrão e da execução dela inteira.

Ana – Renato e Seus Blue Caps – Parte 1 – Guitarra com efeito de Delay (Eco)

Neste vídeo a explicação sobre o efeito de Delay (Eco) aplicado na guitarra principal da música Ana (versão de Anna Go To Him), faixa do disco Renato e Seus Blue Caps de 1967, de autoria de Arthur Alexander e versão de Lisna Dantas.

1) Embora o andamento da música seja aproximadamente 120bpm, deve-se regular o efeito de Delay para um tempo de semicolcheia em cima de 114bpm (132ms) para apenas uma repetição (Feedback no mínimo) e com o volume máximo para o efeito da repetição.

2) Não utilizar Reverb, ou o mínimo possível, para não “embolar” as notas repetidas.

Ana – Renato e Seus Blue Caps – Parte 2 (Bônus) – Harmonia do Refrão e Execução na Íntegra.

Neste vídeo a execução na íntegra e análise sobre alguns acordes do refrão da música.

Acordes incomuns encontrados no refrão da música: C7/9 – Dó Maior com Sétima e Nona Em7(b5) ou Em7/-5 ou ainda Eø – Mi Menor com Sétima Menor e Quinta Diminuta ou simplesmente Mi Meio Diminuto.

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Neste outro vídeo uma explicação sobre a introdução de guitarra da música “Você Não Serve Pra Mim”, de autoria de RENATO BARROS e gravada por ROBERTO CARLOS no disco “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura” (1967).

O vídeo tem por finalidade mostrar as várias formas de executar a introdução da música (afinações alternativas nos bordões) e a sonoridade (timbre) de uma guitarra com captação simples ligada a um pedal de distorção do tipo Fuzz.

Distorção Fuzz: Dunlop Fuzz Face.
Guitarra: Tagima TG-530 com captadores e elétrica customizados.
Amplificador: Fender Stage 100.


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TOM PETTY, por Cláudio Teran.

Nós perdemos um grande homem com a partida de Tom Petty. Excelente músico e compositor inspirado. Sujeito rock and roll em tempo integral e apaixonado pelo que fazia. E tinha um olhar de menino.
Me surpreendi ao saber que estava com 66.
Talvez porque no peito dele batia um coração de garoto.
Era também um camarada que exibia uma ironia fina, bom humor do tipo inglês, com toda aquela mordacidade, embora fosse americano.
Esses elementos por certo contribuíram para aproximá-lo de George Harrison.

Petty também tinha uma carreira vigorosa com muitos discos gravados.
E popularidade alta.
Incompreensível que não tenha emplacado por aqui já que o som dele, eivado de influências dos BEATLES; Dylan; Simon & Garfunkel; JJ Cale; The Band; The Byrds e blues antigos talvez ainda esteja para ser descoberto por muita gente.
Tom também foi um cara conciliador.
Aproximou-se de Bob Dylan, de quem era fã declarado, e o trouxe de volta à eletrificação do rock depois da longa fase gospel do começo dos anos 1980.
Em 1986 Petty e os Heartbreakers foram para a estrada como banda de apoio de Dylan na turnê Hard to Handle.
A pegada nos arranjos era do tipo, The Byrds Play Dylan, com uma diferença, o próprio Bob como frontman. As releituras são sensacionais e definitivas.

Nos Traveling Wylbury’s ele e Jeff Lynne se situaram como os fãs sortudos dos monstros sagrados e não se incomodaram em dar suporte aos ídolos Roy Orbison; George Harrison e Bob Dylan.
E aquela empreitada só não foi perfeita porque não rolou estrada nem shows ao vivo, coisa que Tom Petty adorava.

O prazer dele como guitar man o levava a trabalhar de forma incessante, compondo; gravando; excursionando; tocando. Além dos Heartbreakers tinha projetos solo, e uma camaradagem incrível que de vez em quando o levava de volta às origens.
Ele gostava de remontar as bandinhas, The Epics e The Mudcrutch, onde começou, pelo prazer de tirar um som com os caras. Lançou discos e vídeos com eles, expondo o sangue rock and roll que corria abundante em suas veias.
Outro exemplo admirável da grandeza de Tom Petty foi publicado numa entrevista à Rolling Stone:
RS: Você já ouviu a música do Red Hot Chili Peppers “Dani California”, porque a levada o arranjo parece muito com “Mary Jane’s Last Dance”?
Petty: Sim, eu ouvi. Todo mundo em todos os lugares está me perguntando isso. Bom, eu duvido seriamente que tenha havido intenção negativa. E muitas músicas de rock and roll são semelhantes. Pergunte a Chuck Berry.
The Strokes levou “American Girl” no arranjo de “Last Nite”, e vi uma entrevista com eles onde realmente admitiram. Aquilo me fez rir alto. Eu estava tipo, OK, bom para você. Isso não me incomoda.

Esse foi o homem que perdemos.

Um cara que nasceu para o rock, como ele disse na letra de You Don’t Know How It Feels.
Perdemos todos com o silêncio da sua Rickenbacker e o calar da sua aura. Ainda bem que nos restam os discos e os filmes que vamos continuar curtindo.

A alma de Tom Petty permanece lá… 1950 – 2017

Por Cláudio Teran

TOM PETTY
It’s Good to Be King

ANTONIO AGUILLAR ENTREVISTA NORIVAL D`ANGELO, BATERISTA DA ORQUESTRA DE ROBERTO CARLOS.

Trabalhando há cerca de 43 anos como baterista da orquestra de Roberto Carlos, Norival D`Angelo começou na vida artística integrando um conjunto criado por Antonio Aguillar, chamado The Flyers.
Integrou a banda Secos & Molhados no auge do sucesso, depois da saída do baterista Marcelo Frias, participando dos shows e do segundo CD da banda, que incluia o hit “Flores Astrais”.

Norival D`Angelo

Trabalhou também com as bandas Beatniks, SomBeats, entre outras, levando ao público os primeiros trabalhos cover de Jimmy Hendrix, Led Zeppelin e Deep Purple.

Esta entrevista foi concedida a Antonio Aguillar nos camarins do Ginásio do Ibirapuera durante um Show de Roberto Carlos em São Paulo, no final de agosto 2017.

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