A trajetória musical de Jackie Lomax, o primeiro artista oficialmente contratado pela gravadora Apple!

O cantor, compositor e guitarrista Jackie Lomax, cujos 50 anos de carreira incluiu sessões com Eric Clapton e os membros dos Beatles, faleceu ontem, 16 de setembro de 2013, aos 69 anos de idade.
Sem conseguir fazer sucesso ao longo de sua carreira nos anos 70, 80, 90 e além, sua história e toda trajetória artística é contada a seguir, neste excelente texto de Rubens Stone.

Jackie Lomax, o grande artista que nunca conheceu o sucesso.

Jackie Lomax

Jackie Lomax
* 10/05/1944 + 15/09/2013

Lembrado largamente por ser o primeiro artista contratado pelo selo Apple Records, a gravadora dos Beatles, Jackie Lomax foi o clássico exemplo do artista talentoso que jamais conseguiu vender. Excelente intérprete de soul e rhythm & blues, entre os ingleses brancos ele é, segundo alguns, comparável apenas a Steve Winwood, embora não tenha, nem de perto, o mesmo reconhecimento.

Jackie Lomax nasceu em 10 de maio de 1944 em Wallasey, localizado no outro lado do rio Mersey em Liverpool. Se interessou pelo violão graças à moda do skiffle, como tantos garotos ingleses daquela geração. No inicio da década de sessenta se tornou guitarrista de uma banda de Wallasey chamada Dee & the Dynamites.

Em janeiro de 1962, se uniu ao the Undertakers, outra banda de Wallasey, porém, um grupo bem mais famoso localmente. Nos Undertakers, Lomax teve que se contentar em ser baixista antes de assumir os vocais quando o cantor principal saiu do grupo. Sua voz lhe conferiu fama de excelente cantor de soul e rhythm & blues, pontos fortes do repertório da banda. Não demorou muito para a boa fama das apresentações dos Undertakers ficar ainda melhor, se tornando uma das cinco melhores bandas da região.

Quando os Beatles se tornaram uma mania internacional, um mercado para bandas de Liverpool naturalmente se abriu e os Undertakers acabaram contratados pela gravadora Pye Records em 1963. Infelizmente a relação entre a gravadora e a banda não foi das mais harmoniosas, e os Undertakers a lançaram somente quatro compactos dentro do prazo de um ano em que estiveram sob contrato com a Pye. Os quatro compactos foram verdadeiros fracassos de vendas.

Livres da gravadora, toda a banda menos um guitarrista se mudou para os Estados Unidos no final de ‘64, atrás de um anúncio que oferecia emprego para bandas inglesas. A proposta era do empresário Bob Harvey, com quem assinaram um contrato juntamente com outra banda inglesa que respondeu ao anúncio, The Pete Best Combo.

Harvey acabou se mostrando mais interessado em vender Pete Best com seu status de ex-Beatles, deixando os Undertakers tocando em lugares menos nobres e por dinheiro ínfimo. Passaram por sérias dificuldades financeiras, e para complicar, um belo dia foram a abandonados pelo empresário, em plena temporada de apresentações na cidade de Montreal, no Canadá.

Voltaram para Manhattan, onde moravam em um estúdio junto com os músicos do Pete Best Combo. Para se manterem financeiramente, gravavam para outros artistas e faziam alguns shows à noite. Com o tempo ocioso acabaram gravando material para um álbum inteiro. Deste, apenas um compacto “I Fell In Love” com “Throw Your Love Away Girl”, acabou saindo em ‘65, lançado pelo selo Black Watch. Este lado B é o primeiro trabalho que se conhece que inclui uma composição de Jackie Lomax. O compacto, para não fugir à regra, foi totalmente ignorado pelo público americano. Desiludidos, a banda se desfez, metade voltando para a Inglaterra e metade permanecendo nos Estados Unidos.

Lomax continuou na América, batalhando por uma carreira artística, até que encontrou o empresário Bugs Pemberton, que lhe arrumou trabalho em uma banda de Queens chamada The Mersey Lads. Logo que trouxe Lomax para a banda, Pemberton abandonou o Mersey Lads e se juntou a outra banda chamada The Lost Souls, cujo repertório era largamente influenciado nos Beatles.

Pemberton chamou Lomax para integrar essa nova banda. Com a chegada de Lomax, sua criatividade e energia fizeram com que o Lost Soul mudasse todo o repertório do grupo, transformando o que era uma banda de rock imitação dos Beatles em uma autêntica banda branca de soul e rhythm & blues. Com a nova direção musical, era natural que surgisse um novo nome para o grupo: The Lomax Alliance. O quarteto compreendia além de Jackie e Bugs, dois americanos, John Canning e Tom Caccetta nas guitarras.

The Lomax Alliance

The Lomax Alliance

Quando os Beatles vieram tocar no Shea Stadium, sendo de Liverpool e tendo feito parte da mesma cena musical que os Beatles, Lomax teve pleno acesso ao grupo. Depois do show, voltou com eles ao Warwick Hotel e conversou com os rapazes sobre sua situação. Depois Epstein pediu que ele o procurasse em Londres.

Jackie Lomax então voltou para Londres e com uma pequena ajuda de Cilla Black conseguiu estabelecer um contato com Brian Epstein. Conhecendo seu talento desde os tempos dos Undertakers, Epstein queria tratar de um contrato somente com Jackie. Lomax, porém, fez questão que Epstein ouvisse suas fitas com toda a banda.

Impressionado tanto com a qualidade das canções como com a da banda, Brian Epstein conseguiu intermediar um contrato com a Columbia Records para o grupo gravar seu primeiro álbum. Nos planos de Epstein, incluía também uma apresentação no Saville Theatre para promover a banda e o disco. Algumas canções já estavam prontas, haviam sido gravadas na América com a assistência de Roy Halee, que já trabalhara com Bob Dylan, The Byrds, entre outros.

Em Londres, nos estúdios da Columbia, trabalharam com Dave Siddle que já tinha uma carreira com the Animals, Donovan, etc. Ainda em 1967 foi lançado na Inglaterra o primeiro compacto do Lomax Alliance, “Try As You May” / “See The People”, que apesar da força investida por Epstein, não teve boa vendagem.

Ainda assim havia bastante positivismo no ar com a preparação do primeiro álbum, porém, quando tudo finalmente parecia se encaminhar, Brian Epstein morre. Com sua morte houve toda uma nova situação e uma reavaliação dos compromissos. Apesar de existir material mais do que suficiente para um álbum, a Columbia cancelou o projeto. Robert Stigwood, que herdou o contrato do grupo, estava dedicando-se mais aos Bee Gees e deixou o Lomax Alliance à deriva.

The Lomax Alliance voltou para os Estados Unidos, porém não demorou muito e Jackie Lomax deixou o grupo, voltando outra vez para Londres. O trio então passou a se chamar One, lançando nos Estados Unidos outro compacto com material da recente sessão. “Hey Taxi”, uma composição da dupla Lomax e Cannon, acompanhado por “Enter Into My World”, apesar de se tratar de The Lomax Alliance, tendo Jackie Lomax cantando e tocando nos dois lados, é lançado pela CBS como sendo da banda One, o novo nome do trio que restou.

Enquanto isto, em Londres, Stigwood arranjou uma nova sessão de gravação que culminou com o compacto “Genuine Imitation Life”, composião de Lomax e “One Minute Woman”, composição dos irmãos Gibb. O compacto saiu em outubro de ‘67 e como os demais trabalhos, foi ignorado pelo mercado. Lomax ainda conseguiu gravar uma terceira faixa, “Honey Machine” com uma banda creditada como The Lomax All-Stars que provavelmente era o lado B originalmente intencionado por Lomax para seu compacto. Para variar, essa canção também não pegou.

Ao final do ano, Jackie Lomax procurou John Lennon que lhe sugeriu que ele gravasse em dois canais o material novo que tivesse e levasse até a Apple Publishing, que ficava acima da Apple Boutique. Foi o que ele fez, e perto do ano novo, George Harrison lhe telefonou comunicando que ele leu as letras e ouviu as canções e estaria interessado em produzi-lo depois dele voltar de um retiro espiritual com os demais Beatles na Índia.

Com a volta dos Beatles da Índia nasceu a Apple Corps, e nela residiu a mais nova gravadora com escritórios em Londres e Nova York, a Apple Records. Jackie Lomax assinou com a Apple, passando a ser o primeiro artista oficialmente contratado pelo selo. Com a assistência de George Harrison, passou parte do verão de 1968 gravando seu novo álbum. No mesmo período, os Beatles estavam gravando o “Álbum Branco” e Lomax foi convidado a fazer vocais de fundo em “Dear Prudence.”

Jackie Lomax e George Harrison

Jackie Lomax e George Harrison

Em setembro, sai “Sour Milk Sea”, literalmente o terceiro compacto da gravadora (“Hey Jude” e “Those Were The Days” o antecederam), tornando-se também o primeiro compacto da gravadora a fracassar nas paradas de sucesso.

Era o estigma de Jackie Lomax, não fazer sucesso. A canção, composta por George Harrison, foi gravada com os Beatles, menos John Lennon, como banda, mais Eric Clapton e Nicky Hopkins. Seu primeiro álbum solo a ser de fato lançado, “Is This What You Want?” chegou as lojas em janeiro de ’69.

Is this what you want - jackie lomax

O álbum tem uma seleção de músicos convidados de fazer inveja a qualquer um. Entre outros músicos mais conhecidos estão George Harrison e Eric Clapton como dupla de guitarras, Nicky Hopkins no piano, Billy Preston no órgão, Paul McCartney no baixo e Ringo Starr na bateria. Outros músicos nas sessões incluem Klaus Voorman no baixo e Hal Blaine na bateria. Apesar de muita expectativa cercando o álbum pela mídia, o disco só confirmou o karma de Lomax, foi um retumbante fracasso de vendas.

McCartney também produziria mais duas faixas para um novo single de Lomax, “Thumbin’ A Ride”, velho hit dos Coasters e “Going Back To Liverpool”, esta segunda acabando de fora. Nela temos Jackie no baixo e Paul na bateria, mais George na guitarra e Billy Preston nos teclados. Outra faixa, “New Day”, sem maiores celebridades, seria produzido por Mal Evans e o próprio Jackie Lomax.

A Apple iria ainda lançar outros três compactos, todavia Lomax jamais iria conseguir um hit com a gravadora, o que foi uma surpresa para todos os Beatles envolvidos no projeto. Como já dito antes, era o karma do homem.

Para se fazer justiça ao artista, o álbum foi muito mal promovido pela gravadora. Jackie ainda participaria do disco de Doris Troy, outro artista do selo Apple, fazendo vários vocais de fundo. Com a Apple Records em crise e Allen Klein assumindo controle, Jackie Lomax deixou a gravadora, se associando à banda de hard blues Heavy Jelly. Nela ficou apenas alguns meses, o tempo suficiente para escrever e gravar um álbum inteiro, o terceiro em sua carreira que não chegaria a ser lançado. Quem sabe, um dia esse material chegue a ser lançado.

Lomax ainda em ‘70, se juntou a outra banda desta vez de hard rock, chamada Balls, uma união sem muito impacto na sua carreira. Algumas biografias procuram negar que ele tenha participado desta banda. Em todo caso, Jackie acabou por voltar aos Estados Unidos, optando por morar no campo, na cidade de Woodstock.

Nessa época, gravou uma pequena participação no álbum de estreia de Jesse Ed Davis e assinou um contrato com a Warner Bros Records. Começou então a preparar material para um novo álbum, intitulado “Home Is in My Head”. O disco contava novamente com a assistência dos ex-Lomax Alliance Tony Caccetta no baixo e Bugs Pemberton na bateria. Considerado por muitos como seu melhor trabalho, este disco provou que Jackie Lomax podia montar um ótimo trabalho sem a necessidade de ter acompanhando-o um elenco de estrelas. Mas… não é preciso dizer que o grande publico ignorou totalmente este novo trabalho.

No ano seguinte, seu terceiro álbum, apropriadamente chamado “Three”, continuou sem vender. Estranho considerando que este, como em seu primeiro disco gravado pela Apple, tem excelentes músicas, todas bem interpretadas por Lomax e a banda é da melhor qualidade. Entre os convidados há membros do The Band em duas faixas, “Hellfire” e “Night-Crier”. A Warner Brothers ainda gastou um dinheiro promovendo o álbum, distribuindo para a imprensa um disco de entrevistas com Lomax. Apesar de receber críticas favoráveis, o disco nada vendeu. Normal.

Jackie Lomax Three

Desanimado com o mercado americano, Lomax volta de novo para Londres, a tempo de se juntar à banda Badger do ex-Yes Tony Kaye. Sua influência sobre a banda transformou este ótimo grupo de rock progressivo em uma excelente banda de soul e rhythm & blues. A banda, que já tinha gravado um álbum, não tinha nenhum material para um segundo disco e acabou meio que se tornando um veículo para Lomax encaixar suas canções, de forma que o disco que lançaram acabou soando muito mais como uma continuação de “Three” do que o rock progressivo encontrado no primeiro disco.

Lançado em 1974 com o título de “White Lady”, inacreditavelmente (será?) foi totalmente ignorado por crítica e público, apesar de novamente oferecer um produto final de qualidade. Em total convulsão, por causa da repentina mudança de direção artística, o Badger acaba pouco depois que o disco chega as lojas.

No início de 1975, Lomax acaba assinando com a Capitol Records, que lhe contrata para dois discos solos. Sai então, em 1976, o disco “Livin’ for Lovin’” que conta novamente com seu velho amigo Bugs Pemberton. O disco mantém o alto nível da maioria dos trabalhos de Lomax, mas como em outras ocasiões, nada vendeu.

No ano seguinte, 1977, Lomax lança seu próximo álbum pela gravadora, “Did You Ever Have That Feeling?” A capa traz um desenho de Klaus Voorman e conta com músicos de estúdio do quilate de Jim Price e Steve Madaio nos sopros, mais Max Middelton nos teclados. Apesar de ser um disco agradável, também não vendeu nada e a Capitol, a essa altura, desiludida com o artista, não se interessou em renovar o contrato.

Jackie ficou os próximos três anos sem contrato e sem gravar até conseguir participar do álbum “Foolish Behavior” de Rod Stewart, em 1980. Contudo, a esta altura já existiam outras prioridades em sua mente. Após sofrer um acidente de carro que quase deixou sua esposa paralisada, Jackie deixou de lado sua carreira artística para passar mais tempo em casa cuidando dela. Ao final da década de oitenta, ele se muda para Ojai em Ventura County, California.
Durante a década de noventa, Jackie Lomax apareceu mais vezes, agora sempre na guitarra tocando nos arredores de Los Angeles. Logo em 1992, ele entrou novamente num estúdio para participar do disco de Tamiya Lynn, gravando slide guitar para o álbum.

Fez uma série de apresentações como baixista para bandas que ele admirava na adolescência como The Drifters, The Diamonds, The Coasters e The Shirelles, em diferentes ocasiões.

Durante este período, Lomax abandonou seu lado soul e passou a explorar mais o blues. Em 1997, Jackie emprestou sua voz para o primeiro disco solo de Michael Bruce, que ele havia gravado originalmente em 1974, recém saído do Alice Cooper Band, mas que só agora, na era do CD, seria lançado, com alguns vocais adicionais, incluindo aí a participação de Lomax.

Jackie depois passou a se apresentar esporadicamente com bandas avulsas com as mais variadas formações. Entre músicos mais conhecidos com quem Lomax tocou na década de 90 estão Mick Taylor, Terry Reid, Brian Auger e Jack Lancaster.

Em 1999, ele se associou ao Ashford Gordon Band, cuja formação incluía Ashford Gordon na guitarra e vocais, Jackie Lomax no slide guitar, Orest Balaban no baixo, Dynamic Dave Stewart na bateria, e Hippie Mark no Blues Harp.

Um álbum saiu desta associação, “Somewhere Down The Line” lançado em dezembro do ano 2000. E no ano seguinte, Jackie Lomax acaba por lançar o seu primeiro disco desde a década de setenta, “The Ballad of Liverpool Slim”. O disco contou com distribuição exclusiva pela internet. O repertório deste último álbum do grande Jackie Lomax é dentro do estilo que ele melhor dominou, o soul e rhythm & blues.

Por rstone

Jackie Lomax atual

Comunidades: MC & JG e We Love the Beatles Forever

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A Homenagem da cmm “We Love the Beatles Foverer” ao Músico Manito

(09-09-2011 / 09-09-2013)

Lucinha ★ Zanetti ♥ ♪ ॐ★ॐ★ღ ॐ @. ღღ – 10/09/2011

R.I.P. Manito, dos Incríveis

A “We Love the Beatles Forever” presta sua homenagem a Manito, dos Incríveis, que foi para o andar de cima…

RIP Manito 09-09-2011Lucinha ★ Zanetti ♥ ♪ ॐ★ॐ★ღ ॐ @. ღღ – 10/09/2011

A notícia:

Morre, aos 68 anos, o músico Manito.

São Paulo – Morreu hoje, aos 68 anos, o músico Antônio Rosas Seixas, o Manito, que foi saxofonista da banda “Os Incríveis” e que participou também da fundação do grupo de música instrumental “Saxomania” junto com o músico João Cuca. Manito sempre foi lembrado por solos inesquecíveis durante a Jovem Guarda, época em que “Os Incríveis” se firmaram como uma das mais importantes bandas do País. Inspiraram e ainda inspiram muitos jovens com a sua música. Manito tratava desde 2006 de um câncer na laringe, o que o afastou dos shows com o “Saxomania” devido ao duro tratamento de quimioterapia.

“O tumor voltou em 2010”, explicou hoje Lucinha, companheira há 13 anos do músico, que morreu em casa nesta tarde. “Em maio, ele foi operado. Mas ele já tinha feito radioterapia e a pele estava afetada, com dificuldade para cicatrizar, e ele tinha problemas hepáticos. Vivemos com empenho para ele se recuperar, tivemos momentos animadores. No fundo, eu sei que foi uma grande libertação. Ele sempre foi um grande guerreiro. Isso foi uma libertação e está sendo recebido com muita alegria. Já está dando o tom. Com certeza, está em uma luz muito aconchegante e recebendo os últimos momentos das pessoas que o quiseram muito bem.” Ele deixa cinco filhos. Três do primeiro casamento, dois do segundo.

Lucinha ★ Zanetti ♥ ♪ ॐ★ॐ★ღ ॐ @. ღღ – 10/09/2011

Lívio Benvenuti Júnior, o Nenê, contrabaixista da banda “Os Incríveis”, lamentou a morte do amigo. “Ele foi para o outro lado porque estava sofrendo muito. Eu acompanhei toda a trajetória, foi muito difícil para ele. Graças a Deus, ele se foi. É muito chato isso, um grande amigo, perdi um grande cara, é muito difícil. Mas venho chorando faz tempo de vê-lo definhando. Mas, graças a Deus, ele vai lá para cima”, disse o músico. Os detalhes do velório e do enterro estão sendo organizados agora pela família.

“Ele se libertou da matéria, que já estava muito sofrida. E foi apresentar seu show em outras esferas. Deixou muitas coisas boas, engrandeceu a música e trouxe um modo novo de tocar sax, inspirou muita gente. É uma pessoa sempre grandiosa, de muita ética, honestidade. Passou muita alegria para as pessoas. Morreu aos 68 anos, 64 anos de música. Começou a tocar aos 4 anos e, aos 5, já ajudava com as despesas de casa”, lembrou Lucinha, muito emocionada.

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia/2011/09/09/morre-aos-68-anos-o-musico-manito.jhtm

Lucinha ★ Zanetti ♥ ♪ ॐ★ॐ★ღ ॐ @. ღღ – 10/09/2011

Nos Mutantes ele ficou 6 meses, e Sérgio, quando falou da saída dele, disse que aconteceu um acidente com o caminhão de equipamento dos Mutantes e que não tinha acontecido nada com os instrumentos, mas o órgão hammond de Manito ficou totalmente destruído, e ele achou que isto tinha sido um sinal e nào apareceu mais…

Até hoje nunca apareceu nenhuma gravação de shows ou ensaio que eles tenham feito….

Menos de dois anos mais tarde, Nenê Benvenuti também nos deixaria, em 30-01-2013, devido a mesma doença. Na época, fizemos aqui nossa homenagem a ele.

Postagem original na comunidade do Orkut, em 09-09-2011, data em que o Brasil perdeu o extraordinário músico Antonio Rosas Seixas, o Manito.

The Beatles: Uma volta a 1967, resgatando a memória…

A Revista Melodias no. 122, de novembro de 1967, tem Os Beatles na capa e na contracapa o cantor Djalma Lúcio, Buby e Raymundo José (fotonovela com os artistas).

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A VERDADE SOBRE OS BEATLES

Texto: Fred Jorge

É perfeitamente admissível que quatro rapazes sonhem com a glória internacional. Ainda é admissível que procurem inspirar como exemplos esta geração de pós-guerra, vivendo num mundo neurótico e sem padrões. Mas que queiram romper as convenções seculares, destruindo princípios básicos, tomando as rédeas do mundo para levá-lo à confusão e ao abismo, isso não se pode admitir.
Surgiram em Liverpool quatro rapazes tocando e cantando. Lutaram e venceram.
A força de suas personalidades era tanta que a juventude adotou-os como padrões.
E proliferaram garotos com calças apertadas, camisas coloridas e longos cabelos. Em vez de andarem de correrias por aí, em carros e lambretas, esses mesmos garotos ficavam o dia todo estudando acordes em guitarras eletrônicas.
A paixão dos jovens pela música renasceu violenta . Até aí a influência foi boa, não há a menor dúvida.
De repente mudaram de fisionomia.
Ninguém reconhece hoje os Beatles de ontem. Levaram ao extremo a sofisticação. Os mesmos cabelos, mas os bigodes são longos, usam óculos à antiga e pregam coisas estranhas.
Parece que os fabulosos e geniais Beatles estão se afastando do único caminho que lhes foi reservado. O da música. E fazem estranhas decorações. Primeiro atacam Jesus Cristo, chamando a si mesmos mais popularidade do que polariza o Suave Nazareno. E agora exaltam o uso da maconha e do famigerado ácido lisérgico.
Será essa a função dos Beatles?
Por que não são os mesmos?
Nosso Roberto Carlos está saturado de glória e fama, e nem por isso deixa de ser um padrão sadio para nossa juventude.
Os Beatles afastam-se do caminho da música, para abraçarem uma falsa filosofia.
Não são os reis do mundo. Não têm o direito de desviar os caminhos da juventude internacional, como se fossem líderes de uma manada amorfa e sem personalidade seguindo falsos chefes.
São cantores e músicos. O máximo que esperamos deles é isso. Boas interpretações, ritmos dinâmicos e bons, evolução artística. E não teorias absurdas. Nada de princípios falsos.
Por que não voltam a ser os Beatles de “I want to hold your hands”, “Yesterday”, “Michelle” e outras músicas geniais. Deles não queremos filosofias. Queremos talento, arte e música.
Além disso, nada mais. ★

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“Esta edição traz o conjunto The Beatles, já no auge de sua fama, e esta matéria cai de pau em cima do grupo dizendo que eles deixaram de ser aquele conjunto que se dedicava somente à musica e passou a fazer coisas estranhas, como a comparação que eles fizeram com Jesus Cristo, dizendo que eles eram mais populares que Jesus.
Os Beatles afastam-se do caminho da música para abraçarem uma nova filosofia.
Ele compara até Roberto Carlos. “
(Vlademir Ferreira, Radialista)

“… E quem escreveu o texto dessa matéria sobre os Beatles foi o grande e saudoso compositor e versionista Fred Jorge, que era genial no seu trabalho de verter músicas internacionais para o cancioneiro pop brasileiro, porém, conservador e extremamente católico como era, foi mais um que não entendeu a frase famosa de John Lennon, de que os Beatles eram mais populares do que o cristianismo. Naquele momento, eles eram mesmo.”
(Rubens Stone)

Paul McCartney diz que sua mulher Linda o salvou de um colapso nervoso, quando os Beatles estavam se separando.

McCartney sofreu uma intensa crise de identidade quando a banda estava se separando, diz uma nova biografia sobre ele, onde o músico revela que sua esposa Linda o “salvou” de um colapso nervoso durante o fim dos Beatles, em 1969.

A revelação vem publicada em uma biografia intitulada “Man On The Run: Paul McCartney na década de 1970” (Man On The Run: Paul McCartney In The 1970s), que será publicada sexta-feira, dia 06 de setembro (2013). No livro, o autor Tom Doyle escreve que McCartney sofreu uma enorme crise de auto confiança quando a banda estava se separando e que ele se refugiou em sua fazenda na Escócia.

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Um trecho do livro, conforme publicado pelo The Sunday Times, diz assim: “Dia após dia, a sua condição (McCartney) ia piorando. As frequentes noites sem dormir ele passava tremendo de ansiedade, enquanto seus dias se caracterizavam pelo consumo excessivo de álcool e sedação a si próprio com maconha. Pela primeira vez em sua vida, ele sentiu-se completamente inútil. Esta foi uma crise de identidade ao extremo … quando ele se levantava da cama, ele ia direto alcançar o Whisky e por volta das três horas da tarde já estava completamente fora de si.”

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Doyle entrevistou McCartney para escrever a biografia e o cantor falou sobre sua recuperação: “Foi Linda quem me salvou e tudo foi feito de maneira particular, com coisas de uso doméstico mesmo.”
McCartney, já em recuperação, anunciaria sua saída dos Beatles em abril de 1970.
Paul McCartney casou-se com Linda Eastman, uma fotógrafa de Nova York, em uma cerimônia em Londres em Março 1969 e eles permaneceram casados até 1998, quando Linda morreu de câncer de mama.
McCartney se casou com sua terceira esposa Nancy Shevell em Londres, em outubro de 2011.

Fonte: NME

Fotos: Pa Photos

O relato de George Freedman sobre o dia em que viu um Disco Voador!

Em 1968 George Freedman saiu em turnê pelo Nordeste, na companhia do sambista Nerino Silva e Cotrim, que era seu empresário na época.

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Durante uma viagem de ônibus no Estado do Piauí, um acontecimento foi manchete nas revistas da época, como esta da Revista Intervalo Nº 320, de Fevereiro de 1969.

George Freedman viu um disco voador

Hoje vendo esta antiga reportagem, nós os fãs de George Freedman ficamos curiosos para saber como foi que isso aconteceu… E ele mesmo, o próprio George Freedman, me fez este relato, que segue neste vídeo…

“Beatles: Um passo à frente!”

Esta era a manchete da Revista Melodias Nº 139, Editora Prelúdio Ltda, de Abril de 1969, que trazia na capa o cantor Jerry Adriani e na contracapa, Lurdinha Félix e Djalma Lúcio…

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A reportagem, assinada por Fred Jorge, dizia assim:

Beatles: Um passo à Frente!

Está entregue ao público o último lançamento do mais genial conjunto do mundo: The Beatles.
Os quatro cabeludos da Inglaterra aparecem de novo com a mais bela coleção de canções jamais compostas no gênero jovem.
Algumas mostram aquele avanço característico e ousado. Outras, procuram ressuscitar o som e décadas passadas, como “Wild Honey mPie”. E por isso estão recebendo críticas injustas, de pessoas que nada entendem do assunto. Não é fácil produzir aquele som que encantou nossos avós nos anos passados. Não é fácil trazer de novo, com pureza e encanto, aquele sabor que arcou toda uma época que foi romântica e terna. E para aqueles que atacam os Beatles por terem feito isso, eis a réplica: “para repetir um feito Napoleão, só mesmo outro Napoleão”.
Com isso, eles mostram que são capazes de fazer qualquer coisa no setor musical. Provam que como eles, não há mesmo ninguém. Para os quadrados, que querem música popular, com sabor popular indiscutível, o álbum contém “Ob-la-di Ob-la-da”. Música despretensiosa, bonita, com um embalo gostoso, e que mal foi lançada, já está sendo cantada pelo mundo todo. Apesar do sabor tipicamente popular, ainda consegue conter pinceladas de genialidade dos Beatles.

Ao todo, o álbum contém 30 canções. Os detratores da obra musical dos Beatles dizem que seu último LP era muito arrojado, muito “pra frente”, e que por isso foi vendido em lojas de saldos nos Estados Unidos, a 2 dólares cada um. Disseram também que eles voltaram ao estilo antigo, para reparar o fracasso do LP anterior. Mentira! Eles jamais dariam um passo atrás. Estão sempre dando grandes passos à frente. Não seriam capazes de vender a personalidade ou de curvar o talento até à altura de um público quadrado como o norte-americano, que entende mais de barulho que de música. Eles não gravam para os Teds e Bobs de calças “blue jeans”. Gravam para a juventude que necessita de avanço, de reformulação musical, de ritmo trepidante e de idéias novas. Gravam para a verdadeira juventude, e fazem com isso um benefício enorme. Lançam sementes de classicismo nas músicas. Usam uma linguagem nova. Idéias salutares, Beleza pura. Ritmos diferentes. E acima de tudo, uma personalidade realmente marcante. Não importa o que sejam ou façam na vida íntima, importa o que são artisticamente, Quatro verdadeiros gênios dando ao mundo moderno aquilo que ele realmente precisa. Uma nova linguagem para a juventude cantar. Um novo ângulo para ver a vida. Uma nova expressão artística.
Um dia no futuro, quando algum historiador analisar nossa era conturbada e tentar explicá-la psicologicamente, há de falar na influência dos Beatles, colocando-os na altura importante em que colocarão as vitórias espaciais. Uns vencerão no espaço. Outros vencem aqui embaixo mesmo, mas ambos têm o mesmo objetivo. O infinito da glória, a perspectiva interminável das idéias que realmente perduram.

(Texto: Fred Jorge)

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