Show dos Tremendões em Sarasota, USA – 29/08/2015

Sete dias depois de comemorarmos os 50 anos da Jovem Guarda, os americanos puderam presenciar um Show com os legítimos Tremendões, Raul e Régis!
A apresentação aconteceu no Vila Brasil Cafe em Sarasota, FL USA, em Agosto 29, 2015, o primeiro de tantos outros.
Show produzido por Liquid Video Productions (Márcio Silveira)

“Two Brazilian Legends Raul De Barros and Regis Moreira in a Fun Night in Sarasota FL.
Recording Video Musical by Liquid Video Productions.”

Tremendões 1

Tremendões 2

Tremendões 3

Tremendões 4

Tremendões 5

Tremendões 6

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Show em Comemoração aos 50 anos da Jovem Guarda: Fotos e Vídeos

Sábado, dia 22 de agosto de 2015, comemoramos os 50 anos do primeiro programa Jovem Guarda levado ao ar pela TV Record Canal 7 de São Paulo, e para comemorar a data, o radialista e precursor da Jovem Guarda, Antonio Aguillar realizou em São Paulo no Club Homs, com muita desenvoltura, este evento que contou com a presença de vários cantores que pertenceram ao movimento e que também estiveram presentes no programa comandado por Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléa.

Estiveram presentes Jerry Adriani, Wanderléa, George Freedman, Martinha, Cyro Aguiar. Enza Flori, Os Jovens, Ronald e Deny, Cláudio Fontana, Cláudio Roberto, Demétrius, Ary Sanches, Joelma Giro Montanaro, Dick Danello, Nilton César, Ed Carlos, The Clevers, Jonas Backer, cantor de bossa nova e pertence a OMB – Órdem dos Músicos do Brasil, entre outros artistas da Jovem Guarda e também um convidado especial: Cauby Peixoto!

Vejam aqui fotos com os artistas:

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10207153267011870.1073741888.1288187940&type=1&l=f1a5e6ac2d

Bolo dos 50 anos da JG

Registros em Vídeos

Parte 1
Antonio Aguillar e The Clevers – Abertura

Parte 2
Nilton César

Parte 3
Jerry Adriani

Parte 4
Dick Danello

Parte 5
Demétrius

Parte 6
Joelma

Parte 7
Ary Sanches

Parte 8
Enza Flori

Parte 9
Os Jovens

Parte 10
Ronald Antonucci e Deny D. Dino

Parte 11
Martinha

Parte 12
Cauby Peixoto

Parte 13
Cláudio Claudio Fontana

Parte 14
George Freedman

Parte 15
Ed Carlos

Parte 16
Wanderléa

“FOI UMA VERDADEIRA FESTA DE ARROMBA. NO FINAL A WANDERLÉA APAGOU A VELINHA DE 50 ANOS DA JOVEM GUARDA. A BANDA THE CLEVERS TOCOU A MUSICA PARABÉNS A VOCÊ E A PLATEIA CANTOU NUMA SÓ VOZ OS PARABÉNS A VOCÊ EM HOMENAGEM AO MOVIMENTO MUSICAL MAIS BADALADO DO PAIS. VEJA OS MOMENTOS FINAIS DO SHOW. SUCESSO TOTAL…OBRIGADO SENHOR.” (Antonio Aguillar)

“Gostaria de parabenizar ao Antonio Aguillar, pelo sucesso do show dos 50 anos da JG. Ele conseguiu lotar o salão do Clube Homs. O público vibrou e cantou com os artistas, do começo ao fim. Agora, outro, só daqui há 25 anos. A Célia, esposa do Antonio Aguillar, não parou por um minuto sequer que, como boa anfitriã, cuidou para que todos se sentissem à vontade. Enfim, uma festa de grande sucesso, como sempre foi na Jovem Guarda. Parabéns, amigo e “timoneiro” da juventude!!!” (George Freedman)

Bolo - cantando os parabéns

O Reencontro de dois Pioneiros do Rock no Brasil!

Antonio Aguillar nasceu em São José do Rio Preto (SP) e foi para São Paulo em 1948, conduzindo uma câmera tipo fole.
Passou a fotografar amigos, famílias, e os desfiles de 7 de setembro, até conseguir um emprego num jornal semanal de São Paulo.
Em 1949 fazia fotos “free” para jornais e revistas até chegar o ano de 1950, quando por concurso, entrou para o jornal O Estado de São Paulo, onde trabalhou como repórter fotográfico até 1960.
Em 1960 foi para o rádio, destacando-se como locutor comercial, produtor e apresentador de programas ao vivo na televisão, permanecendo durante 20 anos na Rede Globo de Televisão de São Paulo. Nessa trajetória lançou em discos e projetou muitos astros e estrelas tais como: Roberto Carlos, Sérgio Reis, The Jordans, The Jet Blacks, The Clevers “Os Incríveis”, Jean Carlo, Marcos Roberto, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Eduardo Araújo, Os Vips, George Freedman, Paulo Sérgio, Carlos Gonzaga, etc.
Atualmente reside em São Paulo, onde há onze anos mantém um programa na Rádio Capital, chamado “Jovens Tardes de Domingo”.

George Freedman chegou ao Brasil juntamente com sua mãe, sua tia, seu primo e a avó materna, vindos da Alemanha, no dia 01 de setembro de 1947 e em dezembro de 1962 lançou seu primeiro LP, o Multiplication.
Antonio Aguillar foi o produtor do LP Multiplication de George Freedman, e desde 1962 começou a cuidar de sua vida artística.
No LP Aguillar escreveu assim na contracapa:

“George Freedman, este autêntico “ídolo dos brotos do Brasil”, está tão somente começando sua fulgurante carreira em nossa terra.
Este LP, que leva o nome de “Multiplication” diz bem, em seu íntimo, do muito que irá obter, de sucessos indiscutíveis, este jovem alemão de nascimento e brasileiro de coração. Muitas vezes irá se multiplicar a popularidade deste “astro” – galã da nossa juventude sadia e feliz, que sonha ser um dos melhores atores do cinema pátrio, agora, em tamanha ascensão internacional. O seu contrato com a RGE é exatamente a tecla que irá bater no coração de suas fãs. O ex-estudante de química industrial, que abandonou a sala de aula para vir a ser o expoente de nossa música popular juvenil, dá assim o passo definitivo para a maturidade artística. O adolescente que chegou ao Brasil com tantas ambições recebe assim o seu diploma de consagração.

A sua Berlim natal, tão sofrida e maltratada, ficou para trás; e hoje, São Paulo é quem detém todos os momentos do extraordinário cantor. Aqui é que se vai amoldar a personalidade definitiva deste cartaz fabuloso, que os paulistas admiram e o Brasil inteiro quer bem.

Atentem para esse detalhe: este LP vai entrar para a historia!

Sim, para a historia da música, por que aqui está reunido um repertório bem variado e bem a gosto do público jovem.

E… então, comecemos pela primeira faixa do lado A; você vai ver que não me enganei… tá?

George Freedman já estava fazendo sucesso no Brasil com seu LP quando viajou para a Alemanha onde foi reencontrar seu pai, que havia sido prisioneiro de guerra e estava de volta à Alemanha.

Freedman viveu cerca de seis meses na Alemanha e retornou ao Brasil em 1963.
Ao chegar aqui, reencontrou o amigo Antonio Aguillar e recomeçou sua carreira artística.
Gravou mais um disco na RGE e foi para a Continental. Depois parou de gravar porque o mercado havia mudado, e foi então que Carlos Imperial o chamou para trabalhar com ele como Secretário na TV Excelsior Canal 9.

O tempo passou e os amigos perderam contato após George Freedman sair do cenário artístico em 1972, porém com o advento da Internet e as redes sociais, os dois amigos voltaram a se encontrar em 2012.
Eu costumava fazer pesquisas sobre as gravações de George Freedman e lendo a capa do seu disco descobri que havia um nome que supus ser de seu empresário na época e me interessei em fazer uma busca no Google. Foi quando encontrei Antonio Aguillar.

Ontem, durante o Show realizado por Antonio Aguillar no Club Homs em São Paulo, com a participação de vários artistas da Jovem Guarda, George Freedman foi um dos convidados e finalmente pude tirar uma foto que há muito eu aguardava, que é esta dos dois amigos juntos…

Antonio Aguillar e George Freedman em 22/08/2015

Antonio Aguillar e George Freedman em 22/08/2015

Show 50 anos JG - George Freedman Aguillar no palco Homs 1

George Freedman, Antonio Aguillar e o Alfaiate Thomazini

George Freedman, Antonio Aguillar e o Alfaiate Thomazini

A apresentação de George Freedman no Show 50 anos da Jovem Guarda!

Jovem Guarda 50 anos: Reflexões

Uma reflexão sobre o que representaram cada um daqueles quase quatro anos que fizeram história, quando mal sabíamos nós que aquele breve espaço de tempo ficaria marcado para sempre nas nossas vidas e na cultura musical do Brasil. E pensar que muitos diziam na época que “aquilo não ia durar nem mais um mês…”.

Em 1965: Firmou-se o marco do movimento com o programa comandado pelo Roberto Carlos, cujas raízes já haviam sido plantadas por Rossini Pinto, e tantos outros artistas que começaram a partir de 1958 se empenhando para que o rock e a música jovem de uma forma geral fossem totalmente aceitos por todos.

Em 1966: Criaram-se os maiores sucessos do Movimento, como “Coruja”, “Eu não sabia que você existia”, “A Volta”, “Pare o Casamento”, “O Bom” (embora o LP seja de 1967, o compacto é de 1966), “Meu Bem” etc… Sendo que “Quero que Vá Tudo pro Inferno”, “Festa de Arromba”, “Ternura” e outros hits surgiram mesmo em 1965.

Em 1967: Aconteceu a maior vendagem de discos de todo o Movimento Jovem Guarda.

Em 1968: Alguns artistas foram pressionados por intelectuais que não aceitavam que músicas simples pudessem fazer tanto sucesso, e foram partindo para outros estilos e o movimento foi tomando outras formas até terminar, porém ficou eternizado na nossa memória e nos anais da historia da música no Brasil!

Quando falamos que as sementes da Jovem Guarda já vinham sendo plantadas mesmo antes de 1965, é claro que não podemos esquecer destes inúmeros artistas que contribuíram para isto: Tony Campello, Sérgio Reis, Demétrius, Eduardo Araujo, Ronnie Cord, Bobby de Carlo, George Freedman, Dori Edson, Carlos Gonzaga, Marcos Roberto, Cyro Aguiar, Renato e seus Blue Caps, The Jet Blacks, The Jordans, The Clevers, Celly Campello, Cleide Alves, Wanderléa, Rosemary, Ed Wilson, Sergio Murilo, Helio Justo, Celia Villela, Selmita, Albert Pavão, Meire Pavão, Trio Esperança, Golden Boys, e tantos outros que já gravavam música jovem mesmo antes do programa existir.

JG 1

E pensar que o programa Jovem Guarda surgiu na TV quase que por acaso…
Consta que o publicitário Carlito Maia, na época sócio da Magaldi, Maia & Prosperi (MM&P), uma agência que atendia a conta da emissora, lembra no documentário Close Up Planet, de 1996, que o cliente buscava uma alternativa para preencher na grade o espaço deixado pela proibição da transmissão ao vivo do futebol aos domingos.
“Numa visita a Paulinho Machado de Carvalho (dono da Record), ele nos mostrou o vídeo de um cantor que era do Rio. E disse:
‘Será o futuro apresentador do Festa de Arromba’. O cara era sensacional — mas o nome, horrível. No outro dia veio a ideia, tirada de uma frase de Lênin: ‘O futuro do socialismo repousa nos ombros da Jovem Guarda’.” O programa, com o nome aprovado, foi oficialmente ao ar em 5 de setembro de 1965, transmitido ao vivo para São Paulo e exibido em videotape em cinco capitais e algumas cidades do interior paulista, já que na ocasião não havia rede para cobertura nacional.

A Jovem Guarda foi revolucionária, não na visão política e social da época, mas revolucionária no romantismo, na moda e no comportamento da juventude brasileira. A Jovem Guarda não surgiu do nada – antes foi preciso pavimentar a estrada do rock no Brasil, e isso foi feito pelos pioneiros Tony e Celly Campello, Carlos Gonzaga, Joe Primo (The Vampires/The Jet Black’s), The Jordans, The Jet Black’s, The Angels, Bolão e seus Rocketes, Demétrius, Betinho e seu Conjunto, Wilson Miranda, George Freedman, Bobby de Carlo, Célia Villela, The Youngsters, entre outros. Esse pessoal foi quem deu o pontapé inicial.

A expressão Jovem Guarda ultrapassou as fronteiras do programa de TV, transformando-se no belíssimo movimento musical que foi além dos anos 60, chegando até por volta de 1974, que foi o ano em que foi lançado o último volume da série de LPs “As 14 Mais” da CBS, coleção que era uma espécie de termômetro do movimento Jovem Guarda.

O Programa Jovem Guarda exibido pela TV Record canal 7 teve seu início em 22 de agosto de 1965 e em uma primeira fase teve o comando de Roberto Carlos até 17 de janeiro de 1968.

Despedida de RC do JG

A segunda fase, pós saída de Roberto, foi de 24 de janeiro de 1968 a 16 de junho de 1968, sob o comando de Erasmo Carlos e Wanderléa.

Esta informação sobre a data definitiva de encerramento do programa Jovem Guarda é importante mas quase não se fala sobre ela, nem nos livros já publicados sobre a Jovem Guarda encontramos esta informação sobre o último programa Jovem Guarda, e agradeço ao Rubens Stone por divulgá-la no grupo Eterna Jovem Guarda.

Fonte:
_ Grupo no Facebook, “Eterna Jovem Guarda” _ Postagem de Luiz Antonio Cardoso Martins, pesquisador e colecionador de discos de vinil.

Conheçam aqui as 50 maiores canções da Jovem Guarda, eleitas em uma pesquisa realizada pelo grupo Eterna Jovem Guarda em março/2015.

Conheçam aqui os 50 maiores álbuns da Jovem Guarda, também escolhidos através de pesquisa realizada por Rubens Stone.

Notícia da estreia do Programa Jovem Guarda

Notícia da estreia do Programa Jovem Guarda

Jovem Guarda - anúncio da estreia

DEPOIMENTOS DE ALGUNS ARTISTAS QUE PERTENCERAM À JOVEM GUARDA

“A Jovem Guarda significou a minha entrada no hall da fama. Foi um período de, somente, alegria. Era tudo por amor à arte, à música. Gostávamos do que fazíamos, tínhamos sonhos, ideais. O dinheiro era consequência. Levávamos alegria para as diversas cidades por onde passávamos. Estas lembranças são maravilhosas. Tínhamos amor por nossa arte.., pena que voou.., passou muito depressa…” (George Freedman)

“A jovem guarda foi, em minha opinião, o maior movimento musical do país nascido sob a influência dos “BEATLES” assim como de todos os artistas ingleses dos anos 60 que transformaram o rock norte-americano de ELVIS, LITTLE RICHARD, CHUCKY BERRY e até BOBBY DARIN com o seu “SPLISH SPLASH”, o primeiro grande sucesso do Roberto Carlos, gravação da qual tive a honra de participar como guitarrista, mesmo ainda aprendendo a tocar (continuo aprendendo rs.rs.rs.). Graças ao SPLISH SPLASH ocorreu o surgimento da chamada ‘Jovem Guarda’.” (Renato Barros, da banda Renato e Seus Blue Caps)

“A Jovem Guarda foi um programa de TV, que revolucionou todo o cenário artístico musical na década de 60 do qual tenho a honra de ter sido parte integrante.” (Bobby de Carlo)

“DIGAMOS QUE A JOVEM GUARDA FOI O IMPULSO FINAL QUE NOSSA CARREIRA PRECISAVA… ALÉM DA CHANCE DE CONVIVER COM PESSOAS QUE ATÉ ENTÃO ERAM NOSSOS ÍDOLOS… E DE FAZERMOS AMIZADES, QUE ATÉ HOJE CONTINUAM EM NOSSAS VIDAS… NÃO VOU CITAR NOMES (MUITO MEDO DE ESQUECER DE ALGUÉM…) : SÓ UM , POIS FOI RESPONSÁVEL COM SUAS CANÇÕES, QUE A NÓS CONFIOU PARA SERMOS OS PRIMEIROS A GRAVAR E CONSEQUENTEMENTE FAZER SUCESSO…ROBERTO CARLOS.” (Ronald Antonucci, da dupla Os Vips)

“A JOVEM GUARDA A MEU VER, FOI MUITO MAIS DO QUE ESPERAVAM OS RADICAIS DE PLANTÃO… ACHO QUE EM TERMOS DE MOVIMENTO FOI UM DOS MAIORES SENÃO O MAIOR MOVIMENTO MUSICAL DO NOSSO PAÍS… A JOVEM GUARDA NÃO SIGNIFICOU APENAS O SUCESSO NA ÁREA MUSICAL, MAS TAMBÉM UMA TRANSFORMAÇÃO COMPORTAMENTAL DOS JOVENS DE TODO PAÍS…TEVE SIM, A INFLUENCIA DO ROCK, DE BEATLES NO AUGE DA BEATLEMANIA, MAS ACRESCENTOU BRASILIDADE AOS TEMAS…DAÍ, O GRANDE SUCESSO EM TODO TERRITÓRIO NACIONAL . A INFLUÊNCIA MUSICAL DA JG SE FAZ SENTIR AINDA HOJE EM DIVERSOS ESTILOS MUSICAIS, DO ROCK NACIONAL A OUTROS ESTILOS, COMO A MÚSICA ROMÂNTICA . TODOS COM CERTEZA BEBERAM DA FONTE DESSE FENÔMENO QUE É A JOVEM GUARDA ORA COMPLETANDO 50 ANOS DE EXISTÊNCIA E PERMANECERÁ VIVO , ACOMPANHANDO AS GERAÇÕES QUE SE SUCEDEM AOS JOVENS QUE CURTEM A NOSSA MÚSICA LEVE E MARCANTE, QUE RETRATOU TÃO BEM A ÉPOCA COM REBELDIA, OUSADIA E ROMANTISMO … NUNCA NOS ESQUECENDO DE QUE A TROPICÁLIA FOI O PRIMEIRO MOVIMENTO A ENTENDER A NOSSA PROPOSTA…. JERRY ADRIANI”

“A Jovem Guarda tornou público o talento do músico brasileiro e abriu um enorme mercado de trabalho que perdura até hoje…” (Marco Aurélio Carvalho Rocha, da banda The Jordans)

“A Jovem Guarda foi um movimento muito importante, que vai ficar para a historia as musicas eram simples e tocavam o coração! Saudades.” (Ary Sanches)

“Éramos alienados???? por quê??? Será porque usávamos outro tipo de comunicação, uma música que vinha de fora????
Eu era um cantor caipira, tentando fazer rock diante da tradicional família Taubateana. Só faltou pintar a polícia. Fomos suspensos por 15 dias no clube. mas não dava para voltar atrás. A Jovem Guarda chegou realmente a mudar minha cabeça, pois eu tive que abdicar do meu topete e assumir o penteado ” lambida de vaca “. fiquei ridículo e parafraseei Shakespeare: “topete or not topete” ???????
Tive que acompanhar o momento para não ser engolido pela onda da Jovem Guarda. Passei um ano e pouco no programa. Emplaquei “Pertinho do Mar”, que não era um rock e sim um twist-jovem guarda. Mas não era fácil. Usar terninhos, aquela disciplina de produção, me revoltei !!!!
Eu só podia cantar uma música, enquanto os “astros (Roberto, Erasmo, Wanderléa…)” cantavam duas, três…
Ensaiei com os Jordans um pot-pourri com três ou quatro músicas, que dariam um total de quase 07 minutos. como era ao vivo, não puderam me tirar do ar. Na semana seguinte já não estava mais cantando no programa. Eu sou na verdade um produto na primeira safra do Rock Brasileiro. Não Havia inocência nesta época. Havia sacanagem, mas era feita com muuuito amor !!!!” (Tony Campello – uma citação colocada no livro “No Embalo da Jovem Guarda”, de Ricardo Pugialli, lançado em 2000)

Tony Campello é anunciado por Erasmo Carlos e canta “Anel de Diamantes”

E respondendo a minha própria pergunta, hoje posso avaliar que a Jovem Guarda foi pra mim a grande ilusão que move um coração de todo adolescente… Eu estava descobrindo a vida, o mundo fora das 4 paredes do meu quarto, e foi a Jovem Guarda que me apresentou aquele mundo novo, de glamour, de moda, de ritmo, de alegria, de felicidade e paixões.
Muitos dizem que a Jovem Guarda revolucionou a música, mas pra mim que ainda começava a descobrir a vida, as artes, a literatura, a música, enfim, estava ainda começando a conhecer os discos, cantores, programas de rádio e TV, era o que havia, o que existia, e eu gostava de ouvir aquelas canções, e não precisei mudar nada, apenas me interessei por aquele mundo novo que surgia à minha frente e que podia me levar no seu embalo…

Em 26/09/1965, recebendo meu presente de aniversário: RC Canta para a Juventude

Em 26/091965, meu presente de aniversário: RC Canta para a Juventude

Quem gostava de assistir aos programas não deixava de ouvir a Rádio Jovem Pan e o programa “Mexericos da Cidinha”, comandado por Cidinha Campos, na época casada com Manoel Carlos. Era realizado diariamente às 17h e Cidinha contava todas as “fofocas” dos artistas. O programa do Erasmo Carlos era às 16h, e também havia o programa do Roberto Carlos às 10h da manhã, que a gente não perdia por nada! Ele costumava ler cartas de fãs que escreviam para o programa. Certa vez mandei uma carta e bem no dia que esperava que ele lesse no ar, meu irmão, muito brincalhão, desligou o relógio de força e o rádio desligou. Fiquei muito brava e chorei muito, tanto que ele depois até se arrependeu da brincadeira…
E havia as roupas das cantoras, que era o sonho de 9 entre 10 de nós irmos a São Paulo para comprar na Rua Augusta, nas boutiques de lá, por que sabíamos que era lá que algumas ou a maioria delas compravam suas minissaias e botas. Era o programa ditando a moda…
Como meu irmão morava em São Paulo, tive oportunidade de ir até lá na Rua Augusta e comprei uma bota cor marfim, cano longo, que custou 70 mil cruzeiros… Fui a primeira a usar botas na minha cidade de Casa Branca, e agora lembrando, é até engraçado, por que todo mundo olhava estranhando, e me lembro de ouvir uma vez um comentário de um rapaz que falou: “engessou as pernas”? rsrs

E lá se vão 50 anos de tudo isso… e como disse o Erasmo, “quem viveu viu, quem não viveu, ouviu falar!”

Na semana que sucedeu a data do aniversário dos 50 anos da Jovem Guarda, as emissoras de TV homenagearam as velhas “jovens tardes de domingo”, e esta foi a parte final da série exibida pela TV Record:

Jovem Aos 50 – A História de Meio Século da Jovem Guarda!

Sérgio Baldassarini é proprietário da S.B.J. PRODUÇÕES, uma produtora de cinema e vídeo que realizou um documentário sobre os 50 anos da Jovem Guarda. Neste filme ele entrevistou mais de 45 artistas da época, e ele foi todo narrado pelo grande ator MILTON GONÇALVES.
Eles realizaram um filme de Longa-metragem e também uma série brasileira INÉDITA em 13 (treze) episódios para a TV paga, intitulado: “JOVEM AOS 50 – A História de Meio Século da Jovem Guarda”.

Sérgio criou um canal no Youtube especialmente para divulgar a série, onde foram colocados trechos de 5 a 10 minutos de cada um dos episódios…

https://www.youtube.com/channel/UC58G8XdwJalaXI8E-TfGLYQ

Para os amantes da historia do Rock e da Jovem Guarda, segue um release e também um link para acessar o Teaser do filme; excetuando-se o Roberto Carlos, Sérgio conseguiu entrevistar praticamente todo mundo daquela época!!

Conforme pudemos constatar, parece que o Erasmo não está querendo se pronunciar ou dar entrevistas de qualquer espécie sobre a Jovem Guarda. Mesmo quando eles tentaram, no ano passado, entrevistá-lo para o filme, a negativa foi a primeira resposta. Mas através de alguns “acasos” Sérgio me disse que conseguiram convencê-lo a dar uma excelente entrevista, que é um dos pontos altos do filme.

Sérgio Baldassarini e o cantor Erasmo Carlos

Sérgio Baldassarini e o cantor Erasmo Carlos

Além de Erasmo, Renato, Bobby de Carlo e de todos os citados que foram entrevistados, e como o filme procura mostrar todo o cenário musical e cultural da época, a equipe também fez entrevistas com Ronnie Von (que também tem aversão a ter seu nome associado à Jovem Guarda), com Paulo Silvino (que hoje é comediante, mas começou sua carreira cantando rock) e até Caetano Veloso (que veio depois, com a Tropicalia, mas que confessou ter participado de algumas apresentações do Jovem Guarda).

Filmagem com Os Fevers

Filmagem com Os Fevers

Sérgio gravando a entrevista com Erasmo...

Sérgio gravando a entrevista com Erasmo…

Enfim, é um filme que todo fã da Jovem Guarda não pode deixar de assistir. Eu tive o privilégio de receber o filme em DVD, assim como também os artistas participantes e a imprensa, que também estão recebendo o DVD com o filme. Depois ele irá para os cinemas e a série em 13 episódios será exibida numa emissora de TV a cabo. Só depois é que será lançádo em DVD…

JOVEM AOS 50 – A HISTÓRIA DE MEIO SÉCULO DA JOVEM GUARDA (PRESS RELEASE)

No dia 22 de Agosto de 1965, um domingo à tarde, entrava no ar pela primeira vez um programa de
jovens cantores que iria revolucionar a moda, os costumes, a forma de agir e de falar de toda uma
geração. E que alcançaria índices de audiência jamais repetidos na TV brasileira.
Ao nos aproximarmos dos 50 anos daquela tarde de domingo, a S.B.J. PRODUÇÕES conclui um
documentário de longa-metragem, assim como uma série em 13 episódios produzidos
especialmente para a TV paga, sobre esta bonita história de meio século do movimento que ficou
conhecido como “Jovem Guarda”.

Com participações e depoimentos de mais de 50 artistas* (veja relação abaixo) que se destacaram
nessa época, entre historiadores, empresários, apresentadores e – principalmente – cantores, o filme intercala depoimentos emocionados destes protagonistas, juntamente com imagens de programas e filmes da época, que sobreviveram aos vários incêndios criminosos que destruíram quase todo acervo da antiga TV Record.

De histórias pitorescas a respeito de um buraquinho na parede do camarim, onde Erasmo Carlos e
seus colegas observavam as cantoras se trocando do outro lado, ao encontro inusitado da banda “The Jordans” com os Beatles em Londres, até reminiscências históricas de Caetano Veloso, Wanderléa e vários outros sobre a importância deste movimento na história e na cultura brasileira, este documentário procura resgatar a nostalgia, a ingenuidade e, principalmente, a força da música daquelas jovens tardes de domingo.

Renato Barros foi entrevistado quando chegou a um Hotel em São Paulo, na ocasião em que participou de um show promovido por Antonio Aguilar no Club Homs, no mesmo lugar também foram entrevistados os Golden Boys.

O Renato contou ao Sérgio sobre seus primeiros contatos com o Carlos Imperial, sobre a versão que ele fez para a música MENINA LINDA (e que no Brasil acabou ficando mais famosa até que a dos Beatles!), da mágoa que ele tem por não ter sido chamado logo no primeiro momento do Programa Jovem Guarda, mas apenas depois quando foi convidado pelo empresário Marcos Lázaro e muitas outras história.

Depois, naquele mesmo dia à noite, foi gravada toda a apresentação da banda Renato e Seus Blue Caps no Club Homs e todas estas filmagens estarão no filme, e neste vídeo podemos ver o depoimento dele ao cineasta Sergio Baldassarini.

Estão sendo feitos os últimos retoques na versão para cinema do documentário, e até o dia 20 de setembro de 2016 deve sair a documentação da ANCINE com a classificação indicativa e a autorização para exibição do filme em salas de cinema.

Segue o vídeo do 1o episódio:

Link para o Teaser do longa metragem:

Esta série, assim como o longa, são INÉDITOS em qualquer tipo de mercado, foram realizados inteiramente com recursos próprios (sem nenhum patrocínio, apoio cultural ou recursos públicos), e já possuem C.P.B. (Certificado de Produto Brasileiro) emitido pela ANCINE, sendo considerados OBRAS BRASILEIRAS INDEPENDENTES CONSTITUINTES DE ESPAÇO QUALIFICADO.

Rua Vanderlei, 1511 . Perdizes . São Paulo . SP . CEP: 05011-000
fones: (11) 3872 0632 – 3864 1605
http://www.sbj.sbjproducoes.com.br . sbj@sbjproducoes.com.br

SBJ Procuções

FICHA TÉCNICA

Narração: MILTON GONÇALVES
Roteiro, Fotografia, Montagem,
Produção e Direção: SÉRGIO BALDASSARINI JUNIOR
Arranjos Instrumentais: BOBBY DE CARLO
Artistas entrevistados: Erasmo Carlos, Wanderléa, Renato e Seus Blue Caps, Sérgio Reis, Caetano Veloso, Ronnie Von, Martinha, Eduardo Araújo, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Nilton Travesso, Paulo Silvino, Agnaldo Rayol, Carlos Gonzaga, George Freedman, Bobby de Carlo, Cyro Aguiar, Demetrius, Ed Carlos, Deny (da dupla Deny e Dino), Prini Lorez, Antonio Aguillar, Nilton Cesar, Aladdim (do grupo The Jordans), Ary Sanches, Miguel Vaccaro Netto, Lilian (da dupla Leno e Lilian), Dick Danello, Ronald (da dupla Os Vips), Trio Esperança, Moacir Franco, Netinho (dos Incríveis), Waldireni, Golden Boys, The Fevers, Paulo Silvino, Albert Pavão, Leno (da dupla Leno e Lilian), Ricardo Pugialli, Foguinho (baterista dos The Jordans), J.C. Marinho,
B.J. Mitchell (do grupo americano “The Platters”).

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A estreia do filme será no próximo dia 23 de março de 2017, no Cine Caixa Belas Artes, em São Paulo.

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Depoimento de Jerry Adriani sobre os 26 anos sem o “maluco beleza”, Raul Seixas!

Neste depoimento emocionante, Jerry Adriani, que foi o responsável pela descoberta do cantor, fala de sua amizade e sentimentos por Raul Seixas, o “maluco beleza”…

Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945) / (São Paulo, 21 de agosto de 1989)

“Meus amigos, que a paz de Jesus seja uma constante em nossas vidas.

Há 26 anos atrás, nos deixava fisicamente uma das figuras mais polêmicas, um artista absolutamente imprevisível, uma pessoa que Deus me presenteou com a amizade e bons momentos de convivencia…O inesquecível “Raul Seixas”!
Difícil encontrar palavras para traduzir o que sinto. Parece que foi ontem que o conheci em um show em Salvador, eu dividia o palco com duas lendas: Nara Leão a grande musa da Bossa Nova e Chico Anisio, um imortal, insubstituível na história do Rádio da TV e cinema do nosso país..)O conjunto que ia me acompanhar não pode se apresentar por motivos que eu prefiro não citar…O empresário foi procurar “Raulzito e os Panteras” e eles me acompanharam de improviso e muito bem…A partir daí, Raulzito jamais deixou de uma forma ou de outra. de fazer parte da minha vida…Somos compadres, batizei sua primeira filha com Edith a Simone. E, à medida do possível o acompanhei nos anos que se seguiram, mesmo que à distancia muitas vezes porque haviam épocas que \Raul sumia…De vez em quando, aparecia lá em casa, ficava alguns dias, minha mãe e meu pai o adoravam…Minha mãe cedia o quarto dela prá ele ficar enfurnado…Meu Deus como passa rápido!!!. Num dia, Raul sumia lá de casa sem dar notícias, noutro pegava um fusquinha dela(mamãe) e desaparecia. Mamãe entrava em pânico ehehehe… Mamãe se preocupava, meu pai nem tanto, porque ele tinha muito a ver com o temperamento do meu compadre…Quando eu o via, ele me dizia…- A tranquilidade de sua casa me deixa muito nervoso…E o tempo passou…No dia 21 de agosto de 1989, vejam só, eu estava saindo da agencia do Jornal onde estivera para fazer o anúncio da missa de Sétimo dia de papai,( papai faleceu dia 18, tres dias antes dele ) chocadíssimo como quem já perdeu pai e mãe sabem que a gente fica…Fora de órbita!!…Parei na Av. Rio Branco numa esquina próximo a uma banca, onde um rádio ligado tocando ouro de tolo me fez prestar atenção. Eu estivera uma semana com meu compadre e comentara com minha mãe que eu achava que Raul iria embora antes de meu pai que ele já estava muito mal. Mas, aconteceu o contrário. E, eu ouvi aquela trágica notícia… Sei lá como definir o sentimento…, Terror, pavor,choque, nem sei…” Faleceu em seu apto em |SP hoje, “Raul Seixas” . Ele estava sozinho na hora da morte!!!…Compadre…Por que vc. não me ouvia quando eu te falava certas coisas? Foi o que eu pensei alí sentado no meio fio, chorando amparado por meu tio Honorato que me acompanhava.Quando cheguei em casa na secretária eletrônica uma mensagem de minha querida, amada D. Maria Eugênia(mãe de Raul) me dizendo- Quero falar com Jerry Adriani…Meu filho morreu!!!!
…Parece que foi ontem…E Raul, que já era sucesso tornou-se mito e hoje faz muito mais sucesso ainda…Continua nos surpreendendo…Ave Raul…Meu compadre, meu irmão, Meu grande amigo JERRY ADRIANI….Quantas vezes discutimos sobre a existência de Deus…Tenho certeza que hoje aí perto dele vc. sabe que ele existe mesmo!!!! Até um dia compadre….Vamos rir e chorar juntos como fazíamos!!! Você não é mais o medo de amar!!!….Como diz minha música “!O Cavaleiro das Estrelas”

TAÍ PRA MINHA SURPRESA AMIGOS, OBRIGADO Reinaldo Pinho, PELA PUBLICAÇÃO DESTA MARAVILHOSA FOTO… É DO BATIZADO DE SIMONE, FILHA DO RAUL, MEU CUMPADI BELEZA, ADORO ELE.. E QUE DEUS TE ILUMINE E PROTEJA, TRAVESSO RAUL…

Raul Seixas - batizado da filha
SAUDADE IRMÃO… JERRY ADRIANI

Jerry Adriani homenageia o amigo Raul Seixas interpretando a música Gita, um dos primeiros sucessos do Maluco Beleza. A apresentação faz parte de um programa especial, exibido pela extinta Rede Manchete, em 1992, na época em que Jerry divulgava seu disco mais recente na ocasião, o “Elvis Vive”.

Alienados e engajados, texto de Joaquim Ferreira dos Santos, de O Globo.

No momento em que todos se preocupam em publicar notícias e depoimentos para não deixar a data do dia 22 de agosto de 2015 passar em brancas nuvens, data em que se comemoram os 50 anos do primeiro programa Jovem Guarda exibido pela TV Record, o colunista José Ferreira dos Santos escreve em sua coluna no jornal O Globo on line, este texto que transcrevo abaixo, por ser legítimo e retratar uma verdade que todos nós gostaríamos de dizer aos críticos que veem a Jovem Guarda com preconceito e na maioria das vezes não contextualizam suas matérias, enfim, como disse o cantor Jerry Adriani: “Faço minhas as suas palavras, grande Joaquim Ferreira dos Santos… Belíssimo texto…muito consciente e justo… Ele, Joaquim, pode dizer coisas que nós artistas às vezes não podemos…Parabéns Joaquim, por mais um brilhante texto. Jerry Adriani”

Alienados e engajados

17/08/2015 6:00
A garotada suburbana da jovem guarda não foi à guerrilha do Araguaia. Fez a revolução do comportamento nos grandes centros urbanos

A jovem guarda está fazendo 50 anos, e eu, que não sou tremendão, que não sou o bom, que continuo apenas um garoto de olho nos Beatles, nos Rolling Stones e nos suspensórios do monoquíni delas, eu daqui já percebo os críticos de sempre arrumarem suas esferográficas intelectuais para dizerem que foi tudo uma bobagem, uma festa que não arrombou coisa nenhuma e que o tijolinho não cabia na construção da música popular brasileira. Coitados. Eles precisam manter a fama de maus.

Nacionalistas do sétimo dia, há 50 anos esses críticos queriam derrubar os milicos do poder com um punhado de músicas aborrecidas que hoje fazem bonito apenas ao serem citadas no (ótimo) livro do Franklin Martins, “Quem foi que inventou o Brasil?”, sobre as canções que contam a história da república. As letras do protesto falavam na volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar, e a estudantada quando cantava o refrão já via o general Castelo Branco submetido ao açoite implacável. Infelizmente, não foi possível. Hoje, ninguém consegue ouvir Vandré.

Eles, os críticos engajados, não usaram Ban Lon vinho, não roubaram o esguicho de água do fusca para fazer anel Brucutu e principalmente, no namorinho de portão, não encoxaram a boneca que ainda dizia não, não e não, mas diante da insistência do cabeludo começava a mudar de ideia. Os críticos estavam lendo Marcuse, a supremacia da morte sobre o prazer. Perderam uma das grandes festas da música brasileira nos anos 1960.

A garotada suburbana da jovem guarda não foi à guerrilha do Araguaia. Fez a revolução do comportamento nos grandes centros urbanos. Às barricadas de maio em Paris, preferia as saias curtas da Swinging London. Era a prova de fogo. Ao exército do Marighella, em luta contra a opressão da ditadura, ela juntava as forças do exército do surf, contra a opressão dos costumes. Só os mais idiotas não percebiam. Eram frentes diferentes, mas a mesma luta contra a falta de liberdade.

Há 50 anos o país dividia-se em jovens engajados e alienados, na eterna mania brasileira de inventar antagonismos e fazer com que, na década de 1950, as fãs de Emilinha odiassem as de Marlene, e as patrulhas ideológicas, na década de 1970, perseguissem a vontade da geração Odara de brincar com o corpo. A pátria amada não perdoa a alegria. Se, meia dúzia de anos antes, ainda na década de 1960, o país quis conscientizar o lobo bobo da bossa nova, com o lobo mau da jovem guarda foi a mesma coisa. Perseguiu o bicho. O lobo mau precisava avançar não sobre a pele suave dos brotos, mas na carótida imunda dos gorilas. Na MPB, a tristeza sempre foi senhora da situação. Batuque, só os que vinham da cozinha.

Um crítico paulista, querendo ser negativo, escreveu que a jovem guarda marcou a entrada em cena “dos incultos, dos bárbaros, dos sem compromisso com a cultura anterior”. Como, no início do século, os críticos da época disseram exatamente o mesmo sobre os negros que inventavam o samba, eu aqui repito o mote, agora em defesa da causa. A jovem guarda foi a invasão dos maus modos da periferia, mas inserida no contexto. A bossa nova mistura o jazz com o samba, os primeiros roqueiros juntam o pop com o jeito suave de cantar o samba-canção.

Aqueles suburbanos mal tinham completado o segundo grau. Eram pobres, alisavam os cabelos com toucas de meias femininas. Ao contrário da turma da bossa nova, que tinha se conhecido no apartamento da Nara Leão na Avenida Atlântica, eles se reuniram pela primeira vez, sentados no chão, no meio-fio das esquinas das ruas do Matoso com Hadock Lobo. Bota bárbaro nisso! Perceberam antes o que os baianos tropicalistas intelectualizariam em seguida, a necessidade de tornar a música brasileira mais compatível com as últimas notícias. Foi o rugido que se ouviu. Os críticos, engajados em vaiar tudo o que soasse imperialismo americano, a grande besta-fera da época, não souberam o que fazer com aquela assombração. Um leão estava solto nas ruas.

Isso tudo foi há meio século, quando os galãs fumavam e as mocinhas só beijavam, e de boca fechada, no último capítulo. Priscas eras. Foi no momento exato em que se rompia com um mundo para se embicar neste engarrafamento de hoje. Não era só de música e política que se falava. Pela primeira vez, depois de experimentarmos todos os deuses africanos, judeus, católicos ou muçulmanos, a Humanidade acabava de ver surgir uma nova Força Divina — o jovem.

O ideal de vida até a entrada na década de 1960 era a busca do envelhecimento rápido, pois nele estava o pote da sabedoria suprema. “Envelheçam”, sugeria apoplético Nelson Rodrigues. A bossa nova foi a primeira geração de jovens no poder da cultura brasileira, mas, com todas as suas boas intenções, namorava os velhos ídolos e a seriedade de propósitos. Haverá música com mais tristeza, embora linda, do que “Felicidade”, de Tom e Vinicius? Os roqueiros suburbanos acenaram com a alegria sem pedigree da juventude radical, a brasa possível no meio daquele cenário de derrotas.

Foram guerras difíceis. A MPB exaltava a luta armada para enxotar os militares do poder. A jovem guarda cantava para enxotar a caretice moralista e levar a menina até a cama. Demorou, mas vencemos todos. O cinquentenário dos falsos alienados é um bom motivo para comemorar.

Por Joaquim Ferreira dos Santos

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