Antes dos primórdios do Rock no Brasil… o Tango imperava!

Nos anos 50 o tango foi um ritmo que imperou no Brasil. Todas as emissoras de rádio só tocavam tango. Dai surgiu em São Paulo, um moço, descoberto artisticamente por um corretor de seguros gerais, chamado Jacob Rosemblat. O nome dele de batismo era Cármino Lombardo, mas artisticamente se chamava Carlos Lombardi. Sua voz tinha tudo a ver com Carlos Gardel, conhecido cantor de tango da Argentina, mas de origem francesa.

Jacob Rosemblat tinha a maior discoteca de tango no Brasil e foi um grande divulgador do seu pupilo, levando-o nas emissoras de rádio para divulgar suas gravações voltadas para o tango.
Carlos Lombardi foi considerado no Brasil o Rei do Tango e tinha espaço cativo na Churrascaria Rincon Argentino, localizada no bairro Higienópolis, São Paulo, onde sempre se apresentava. Fez também uma boa temporada na Galpão.
Carlos Lombardi cantava tango igual ou até melhor do que os próprios cantores argentinos.

A data da morte de Carlos Lombardi ou “Cármino Lombardo” é ignorada até pelos colegas que tanto o elogiavam e falavam – “que grande voz” – desse brasileiro nascido no Braz em São Paulo.

Na foto Carlos Lombardi concede entrevista para Antonio Aguillar (1957) Radio Progresso de São Paulo. Sentado esta o seu criador Jacob Rosemblat (falecido).

Carlos Lombardi, Aguillar e  Jacob Rosemblat

Carlos Lombardi, Aguillar e Jacob Rosemblat

(Por Antonio Aguillar)

Raridades em áudio via Antonio Aguillar, o comunicador da juventude feliz e sadia dos anos 60!

Seguem alguns áudios em vídeos. As informações seguem em textos originais, por Antonio Aguillar.

“Encontrei uma apresentação com Ilze Aparecida. Atualmente ela se chama Cinthia e trabalha comigo na Radio Capital. É atual esposa do Eli Corrêa. Naquele tempo tinha apenas 15 anos.”

“A Ilze Aparecida, hoje Cinthia, tentou ser cantora profissional com o nome de Cidinha Santos, mas não foi bem sucedida e acabou comunicadora porque se casou com o Ely Correa da Radio Capital. Está uma senhora hoje, mas era uma garotinha naquele tempo, quando a conheci por intermédio do Diretor Artístico da Rádio Nacional, Sr. José Rosa da Silva. Ela residia em Franco da Rocha. Dna. Durvalina, sua mãe, morando com ela até hoje, lutava muito para que a filha fosse cantora profissional. Ela insistia e eu dava muita força para ela. Tenho até um depoimento gravado pela Cinthia sobre isso. Cinthia foi casada com o Dino, da dupla Deny e Dino. Eles tiveram duas filhas que trabalham com ela na Rádio Capital. O Dino morreu em Serra Pelada, garimpando. Ouça o anexo.”

Ilze Aparecida (Cidinha Santos, Cinthia), na TV Paulista, Canal 5

Ilze Aparecida (Cidinha Santos, Cinthia), na TV Paulista, Canal 5

Como cantora profissional, gravou com o nome de Cidinha Santos e participou da Jovem Guarda (programa). Chegou a gravar na RCA a música “Escreve-me” em 1966, “Por Deus do Céu o que é que há?” e “Telefonema”.
Trocou seu nome em 1980 para Cinthia e gravou “De mulher para Mulher”. Passou a participar da caravana do Bolinha.
Em 1992 gravou “Melô do Diabinho” e fez parte do show de Eli Correa, com quem vive até hoje.
Em 1994 estreou na Rádio Capital como comunicadora e tem seu programa diariamente à tarde.
Em 1999 gravou “Ave Maria dos Namorados”.

Nesta antiga gravação, Ilze é apresentada por Antonio Aguillar em seu Programa Ritmos para a Juventude, e ela canta “O Twist é Bom”.

“Nesta outra gravação podemos ouvir o Ronnie Cord cantando ao vivo TV Paulista Canal 5 hoje Globo. Ele faleceu aos 42 anos de idade.”

Aguillar e Ronnie Cord em 1961

Aguillar e Ronnie Cord em 1961

“Gravação da cantora Yeda Maria, feita durante o programa da TV Paulista Canal 5 ao tempo da Organização Victor Costa. Essa artista sumiu, mas era muito querida em 1960. Iniciou sua carreira ainda criança, cantando no programa Clube dos Garotos dirigido pela prof. Zita Martins na Radio Nacional. O apresentador era o cronista do coração, Pedro Geraldo Costa. Esse comunicador fazia também a Hora da Ave Maria todos os dias às 18h na Rádio Nacional e tinha uma grande popularidade. Mais tarde ele deixou de fazer o programa Clube dos Garotos e eu fui convidado pelo Sr. Francisco Abreu, Diretor Geral da Organização Victor Costa, para dar continuidade ao programa. Levei Yeda Maria para os meus programas de juventude e ela participava do Ritmos para a Juventude no rádio e na TV.” (Antonio Aguillar)

“A outra gravação é uma raridade. Domingos Orlando, ex integrante do conjunto The Clevers como guitarra base e vocalista, montou um estúdio no bairro do Tatuapé em São Paulo, onde gravava para uma emissora de FM chamado Country Pira. Numa dessas gravações ele me passou essa que mando pra você, onde podemos ouvir Mingo, Waldirene e a dupla Deny e Dino.” (Antonio Aguillar)

Gravação realizada durante o Programa Ritmos para a Juventude, realizado numa quarta-feira, dia 13 de Junho de 1962 (dia de Santo Antonio, protetor do apresentador Antonio Aguillar), data em que a Seleção venceu o anfitrião Chile por 4 x 2. O programa era realizado pela TV Paulista Canal 5 da Organização Victor Costa, antes de se tornar Rede Globo de Rádio e Televisão, e nesta data se apresentou este cantor holandês chamado Larry Wold, que depois se mudou para a Argentina e nunca mais se teve notícias dele…

Ouçam esta raridade!

Raridade!!! George Freedman no Programa do Aguillar nos anos 60!

Antonio Aguillar encontrou nos seus arquivos de vídeos, áudios, MD etc, essas duas gravações do Freedman quando ele participava dos seus programas nos anos 60 na TV Paulista, Canal 5, hoje Globo.

A primeira parte do áudio colocado em vídeo abaixo, trás George Freedman cantando uma canção em alemão, intitulada ” Ich denk an dich”! (Eu penso em você).
Esta canção ele ouviu pela primeira vez quando assistiu a um filme na Alemanha, como ele mesmo conta:

“Se não me engano o filme foi, Branca de Neve e os sete “alguma coisa” não eram os anões… Assisti lá em Berlim. Eu tanto gostei da música que pedi para o produtor do filme me tirar uma cópia, para que pudesse aprender a letra e a música!!! Conheci o produtor através de amigos do meu pai…, que, fui conhecer em 1962. O nome dele era Heino Gazze!!! Quase, que fiquei por lá, pois ele ouviu meu LP Multiplication” e, queria me contratar para gravar na Alemanha. Não fiquei, porque tive um desentendimento com meu genitor!!! Voltei para o Brazil em 63 para continuar minha carreira por aqui, mesmo!!!”

A segunda gravação é o Rock em inglês, intitulado “We got to move rigth out the ligths”!!! A gravação deste programa ocorreu em plena Copa do Mundo em 1962, no dia 13 de junho de 1962, dia em que o Brasil venceu o anfitrião Chile por 4 X 2; o George menciona que apostou num bolão e ganhou, e comemora a vitória do Brasil!

O programa era realizado pela TV Paulista Canal 5 da Organização Victor Costa, antes de se tornar Rede Globo de Rádio e Televisão, e nesta data, entre outros, se apresentou também um cantor holandês chamado Larry Wold, que depois se mudou para a Argentina e nunca mais se teve notícias dele…

digitalizar0001

A apresentação do cantor holandês segue abaixo…

Histórias de Joe Primo e Os Megatons

Conversando sobre o cantor Bobby de Carlo e a canção “O Tijolinho”, Primo Moreschi, o Joe Primo, disse:

Quem compôs essa musica, foi o “Bitão” Wagner Tadeu Benatti, hoje na banda Os Pholhas, quando pertencia ao conjunto Os Megatons. Inclusive gravamos com o Bobby Di Carlo nesta gravação e tive o prazer de fazer a segunda voz. A maioria das vezes em que ele se apresentava na televisão, eramos nós, “Os Megatons”, que o acompanhávamos. Hooo saudade…

Eu me referi à musica “Tijolinho” e vou mais além ; “A Boneca Que Diz Não” também faço a segunda voz, bem como todo o acompanhamento com meu conjunto (banda) “Os Megatons”.

Gravamos também seu LP e depois gravamos o primeiro disco solo do cantor Antonio Marcos, inclusive com arranjo meu para a musica “Tenho Um Amor Melhor Que O Seu”, no qual eu ainda além de tocar contrabaixo, ataquei de teclado. E também gravamos com o Marcos Roberto… HOOO saudade!!

Os Megatons

Da esquerda para a direita: Luis Moreschi (Guitarrista solo) Edgard (bateria) ainda em cima: Joe Primo (guitarra), Bitão, Wagner Tadeu Benatti (guitarra) e abaixo Sodinha (Antonio Carlos Cortez (teclado). O Bitão é o autor do Sucesso “O Tijolinho”.

Este LP foi o único gravado pelo conjunto no inicio de sua formação.  Posteriormente gravaram três compactos (cantando), e algumas gravações fazendo acompanhamento, Inclusive na música

Este LP foi o único gravado pelo conjunto no inicio de sua formação.
Posteriormente gravaram três compactos (cantando), e algumas gravações fazendo acompanhamento, Inclusive na música “O Tijolinho” tendo como cantor o Bobby Di Carlo, com Joe Primo fazendo a segunda vós.
Devido ao sucesso de “O Tijolinho”, cujo autor já falamos acima que foi o “Bitão (Wagner Tadeu Benatti), integrante dos Megatons, tendo como produtor o Sergio de Freitas, que houve por bem que eles gravassem um LP acompanhando o Bobby Di Carlo.

“Sou o primeiro à esquerda, abastecendo a guitarra do

“Sou o primeiro à esquerda, abastecendo a guitarra do “Bitão” rsrsrs seguido do “Renato” (guitarra solo) , “Luis Moreschi” (guitarra solo), e Edgard (batera).” (Joe Primo)

Sobre esta foto, Wagner Benatti escreveu: o amigo Primo vai corroborar: a foto aí de cima nós fizemos no local onde ensaiávamos: no bairro do Canindé em São Paulo na Rodoviária Estrela do Norte, que era do “seo” Morgado, nos ajudou bastante cedendo um quartinho para os ensaios; tive o enorme prazer de fazer parte de 2 bandas junto com o saudoso Eddy Teddy (Eduardo Moreira). Ooo saudade de tudo isso…Megatons aí nessa foto: Primo, Bitão, Renato, Luis (com sua 12 cordas) e Edgard. Posteriormente no lugar do Renato entrou o querido Sodinha (Antonio Carlos Cortês). Lá se vão quase 50 anos da foto…

Primo Moreschi

Primo Moreschi 2 de junho de 2014 10:08

Em meu livro “O Protagonista Oculto dos Anos 60”, citei os Baobás como a principal banda do programa do Ronnie Von. Volta e meia nós, “Os Megatons”, juntamente com “Bobby Di Carlo”, éramos convidados a participar. Inclusive a Decalaf era também figura constante. Era muito carismática. Nós gostávamos muito de vê-la em suas apresentações no programa do Ronnie Von, sempre descalça e de túnica.

Eu cantava fazendo a segunda vós com o” Bobby Di Carlo” na música “O Tijolinho”,  porque além de termos gravado com ele, também era uma composição do Bitão “Wagner Tadeu Benatti”, integrante da banda “Os Megatons”.   Hooo saudade!!

Outro programa no qual nós, “Os Megatons”, nos apresentávamos na recente inaugurada TV Bandeirantes, chamava-se “Quadrado e Redondo”, que ia ao ar todos os sábados à tarde, apresentado pelo Sergio Galvão e Débora Duarte, com produção de Caetano Zama. O Programa era líder de audiência do horário.Esse programa era gravado durante toda a semana, e levado ao ar aos sábados.Em meu livro “O Protagonista Oculto dos Anos 60” eu conto isso em detalhes…

De como Joe Primo teve a ideia de formar o conjunto The Vampires, que depois recebeu o nome de The Jet Black’s!

Primo Moreschi foi um dos pioneiros do Rock’n roll no Brasil.

Compositor, gravou canções de sua autoria, idealizou e fundou as bandas de Rock “The Vampires”, depois “The Jet Black´s”, e em seguida “Os Megatons”, atuando intensamente no meio artístico musical como músico, cantor e compositor nos anos sessenta.

Os Megatons

Porém, sua trajetória de sucesso teve surpresas desagradáveis, como a grave doença que o acometeu no auge da fama, seguida de uma longa internação e a constatação da traição pelos companheiros de banda.

Primo Moreschi

Primo Moreschi

Foi pelas mãos habilidosas deste brilhante músico que surgiram duas das mais cultuadas e respeitadas bandas (conjunto musical) de rock instrumental nacional: “The Jet Black´s” e “Os Megatons”.
Muitos dos jovens músicos que iniciaram seu aprendizado naqueles longínquos e criativos anos 60 tiveram como espelho essas duas bandas, sendo que “Os Megatons”, apesar de nunca terem tido um sucesso avassalador como outras bandas da época, sempre foram muito cultuados por todos os músicos pela qualidade instrumental e virtuose de seus integrantes, a exemplo do que pode testemunhar um dos integrantes que pertenceu ao conjunto, o Bitão, guitarrista e vocalista dos “Pholhas”.

Para conhecer sua história, convido a todos a visitar o Blog Primo Moreschi, O Protagonista Oculto dos Anos 60, de onde extraí o texto a seguir.

Foi o compositor Américo de Campos quem primeiro lhe acenou com a possibilidade de entrar para o mundo da música, e ao contar o fato para seu amigo Luiz Merllo, este se mostrou surpreso por saber que Primo cantava e compunha e recomendou que ele fosse a um programa infantil que acontecia aos domingos na Rádio Nacional. Foi então que ele passou a ir todos os domingos e cantava uma música no programa. Joe Primo comenta: “Como havia um contrabaixo sempre ali no palco, sem ninguém que o tocasse, às vezes, eu arriscava ajudar nos acompanhamentos dos participantes (só amadores), dando uma de contrabaixista.”

Primo Moreschi conseguiu que uma gravadora o contratasse, e em menos de uma hora, ele já havia colocado voz nas duas músicas, que se chamavam “Seu Delegado” e “Água de Cheiro”, ambas de sua autoria.
E foi em comum acordo entre Américo de Campos, o Sr. Rozemblite e o técnico presente na gravação que decidiram que ele deveria ter um nome artístico, e este seria “Joe Primo”.
Joe Primo conheceu Enzo de Almeida Passos, a quem valeu muito pra ele conhecer naquela fase de início de carreira artística.

De como Joe Primo conhece Antonio Aguillar e tem a ideia de formar um conjunto musical.

(Do livro “O Protagonista Oculto dos Anos 60”)

Trabalhando nos meios de comunicação, estando em todo e qualquer lugar onde, de uma forma ou de outra, meu disco fosse tocado, voltei à Rádio Nacional de São Paulo para participar de outro programa de lançamentos musicais, intitulado “Ritmos Para a Juventude”, cujo apresentador chamava-se Antônio Aguilar. Quando entrei nos estúdios, algumas fãs que se encontravam lá dentro reconheceram-me e, como sempre acontece quando elas vêm um artista, deram gritinhos característicos, abraçando-me e pedindo autógrafos, o que me deixou com mais moral perante o apresentador Antônio Aguilar, que até então ainda nem tinha ouvido falar no meu nome. Radialista e jornalista experiente que era, não perdeu a oportunidade dos gritinhos das fãs para reportar aos ouvintes de seu programa, que estava no ar, o porquê daquela euforia, dizendo: “Acaba de entrar nos nossos estúdios, ele… vocês estão ouvindo ao fundo o alvoroço das fãs… está um pouco difícil para ele conseguir chegar até aqui… vocês vão ouvi-lo e reconhecê-lo, porque ele mesmo vai se apresentar.” Passou-me o microfone, e eu disse: “Quem vos fala é Joe Primo. É com muito prazer que estou aqui, para participar do programa do nosso amigo Antônio Aguilar, que gentilmente convidou-me para estar com vocês”. O apresentador, mesmo sabendo que não havia me convidado, prosseguiu: “Gosto de fazer dessas surpresas para os nossos ouvintes, e é por essa razão que nossa audiência aumenta a cada dia”, ao que eu retruquei: “Aguilar, meu amigo, você tem que ampliar seu estúdio ou fazer seu programa diretamente do auditório da Rádio Nacional para dar chances a mais fãs poderem conviver com seus artistas”. Ele prosseguiu o diálogo, dizendo: “Joe Primo, meu amigo, deixe estar que vou pensar seriamente nesse assunto.” Após terminar o programa ele me disse: “Obrigado pelo improviso, bem como a sugestão que você deu com o programa no ar. Mas, quanto a ampliar o estúdio, impossível. Fazer o programa diretamente do auditório depende de muitos fatores. O primeiro é a verba de patrocínio, sem a qual nada se faz. O segundo: se o programa for no palco, as fãs vão querer ouvir seus cantores cantarem ao vivo, o que acarretaria a necessidade de um conjunto musical especializado em ritmos próprios da juventude para acompanhar os artistas. Sem contar que os artistas que cantam rock no momento são muito poucos. Mesmo assim, é quase certo que iriam querer ganhar algum cachê para participar. Enfim, não é fácil. Além do mais, eu ainda teria de ter poder de convencimento junto ao Abreu (diretor-geral da Rádio Nacional), para conseguir a liberação do auditório e levar avante essa empreitada. Sozinho é quase impossível.” Depois de ouvi-lo atentamente, disse-lhe: “Aguilar, se os problemas forem esses, eu tenho a solução para quase todos. Você não ouviu falar do meu conjunto de rock (disse-lhe o nome de um conjunto americano, famoso na época)? Pois esse grupo é meu. Você já ouviu falar de Bobby De Carlo? Pois ele, além de cantar solo, faz parte do meu conjunto.”
Aguilar, surpreso: “Sim, mas, para fazer um programa diretamente do auditório, haja atrações capazes de preencher o tempo mínimo, que, acredito, deva ser de uma hora.” Respondi: “Deixa comigo. Eu e meu conjunto faremos pela manhã uns testes com alguns cantores ou cantoras amadores, aos quais você fará uma chamada pelo seu programa. Os que forem aprovados serão escalados para participar, intercalando-se comigo, cantando, juntamente com o Bobby De Carlo, e meu conjunto tocando. Você verá que vai haver cantores profissionais que, ao perceberem o sucesso do programa no auditório, farão questão de participar sem sequer pensar em cachê.”

Animado com tudo, Aguilar disse: “Joe Primo… eu vou dar o primeiro passo ainda hoje. Sabe qual? Falar do que conversamos com o Abreu. Dependendo do que ele disser, amanhã mesmo farei as chamadas para quem quiser fazer testes procurar você sábado pela manhã, e seja o que Deus quiser. Mas (olho no olho), Joe Primo, pelo amor de Deus, não me vá mancar, porque isso tudo é muito sério. Após o cartão verde do Abreu, não existe volta”. Respondi: “Pode confiar em mim. Palavra e responsabilidade eu tenho até demais.”

Aguillar  no Auditório da Radio Nacional

Antonio Aguillar no auditório da Rádio Nacional.

Quando nos despedimos e comecei a entrar no corredor lateral da Rádio Nacional que dava até a saída para Rua Sebastião Pereira, as fãs novamente me assediaram. Depois de dar alguns autógrafos, bati um papinho amigo com o Barnabé, que me perguntou, entre outras coisas, o que eu achava dele arriscar fazer um LP, com histórias e piadas caipiras. Como na época o José Vasconcelos, humorista, estava com o maior sucesso de vendas de um LP de histórias e piadas diversas, dei-lhe meu parecer favorável. Barnabé, com seu jeito bem humilde de tratar a todos, aliado ao seu linguajar caipira por natureza, que lhe dava mais autenticidade, não tinha por que não dar certo com um disco de piadas.
Em seguida, tomei um suco na lanchonete.

Foi exatamente nesse instante que comecei a perceber a responsabilidade que havia assumido com Antônio Aguilar. Sem pestanejar, dirigi-me para o bairro do Canindé, indo direto para a casa do Bobby De Carlo, que era amigo meu havia algum tempo. Lá chegando, contei-lhe a história, o diálogo, o combinado; ele tudo ouvia sem discordar de nada. Quebrando o silêncio, Bobby virou-se pra mim, categórico: “Primão” – olhando-me espantado – “você tá louco? Cara, como é que nós vamos tocar como conjunto se não só não temos músicos suficientes, como também não temos instrumentos e tempo hábil para consegui-los?” Eu disse: “Bobby, é o seguinte. Nós só temos que arrumar um contrabaixo e um baterista. Baterista, normalmente, costuma já ter sua bateria. Eu compro uma guitarra a prestação nas Casas Manon, da Rua 24 de Maio, e você reveza comigo na guitarra, ora solando, ora acompanhando! Uma hora eu canto e você me acompanha. Outra hora você canta e eu o acompanho. Nesse instante, Bobby me interrompeu, dizendo que se lembrou de ter conhecido um carinha que morava lá pelos lados de Santana e tocava mais ou menos violão. “Quem sabe, a gente dando algumas dicas de como era a batida da guitarra para acompanhar rock, ele aprendesse, uma vez que sabia tocar samba?” Já era meio caminho andado, portanto valeria a pena arriscar. Fomos. Bobby apresentou-me a ele, José Paulo. Imediatamente, perguntei se toparia participar de um conjunto de rock para tocar todos os sábados na Rádio Nacional. Ao ouvir o convite, principalmente pelo nome da Rádio Nacional, a resposta foi a seguinte: “Rapaz… é claro que eu topo, vou realizar um sonho”. Ficou muito alegre e disse que tinha um conhecido no colégio que tocava bem bateria, só não sabia se também tocava rock, pois só o tinha visto tocar samba. Apos contatar o baterista, Jurandy, que também concordou em participar do conjunto imediatamente, marcamos um encontro para decidir como seria nossa atuação de estreia, tendo em vista não termos praticamente tempo hábil para ensaios. Nessa reunião, combinamos, dentre outras coisas, por exemplo, quem tocaria o quê. Na guitarra solo, seria Bobby De Carlo; no contrabaixo, Carlão. Na bateria, Jurandy e, na guitarra base, Joe Primo e Zé Paulo.

Pronto e definido, só faltavam duas coisas: como fazer pra eu não passar por mentiroso, tendo em vista ter dito para o Antônio Aguilar que eu tinha um conjunto de rock com o nome de um conjunto americano, muito famoso na época, que nunca poderíamos usar, conhecidíssimo que era dos aficionados em rock no mundo todo. Chamei Bobby de lado e lhe disse: “Ajude-me a encontrar um nome em inglês que, ao ser pronunciado, confunda-se o máximo possível com o do conjunto americano.” Depois de muito pensar, chegamos à conclusão de que a único nome plausível, que, ao ser pronunciado rapidamente, pudesse se confundir com o que eu havia dito para Aguilar seria The Vampire´s. Resolvido o nome do conjunto de rock recém-formado. Solucionado o problema, dirigi-me ao apresentador e o autorizei a anunciar quando quisesse o primeiro programa “Ritmos para a Juventude”, diretamente do palco do auditório da Rádio Nacional de São Paulo. Nessa semana, que antecedeu a estreia do programa, Aguilar, ao fazer as chamadas, dava tanto ênfase à atração, que o conjunto The Vampire´s antes de se apresentar em público já estava praticamente famoso. No sábado, quando seria a estréia do programa, diretamente do palco e auditório da Rádio Nacional de São Paulo, que se situava na Rua Sebastião Pereira, no bairro Santa Cecília, às sete horas da manhã, eu, Bobby De Carlo, Zé Paulo, Jurandy e Carlão, componentes do conjunto de rock The Vampire’s, lá estávamos, arregaçando as mangas e agitando os preparativos junto com Antônio Aguilar, tentando organizar da melhor maneira possível tudo o que deveria acontecer no transcorrer das apresentações em cima do palco. Toda a direção artística musical, bem como algumas encenações em cima do palco para não deixar buracos entre uma apresentação e outra, estava ao meu cargo. Aguilar, a todo instante, vinha a um dos estúdios que improvisei para fazer testes e me perguntava: “E aí, Joe Primo? Você tá confiante? Você acha que nós vamos conseguir preencher o horário cedido pela direção? Será que vai ter um bom público no auditório?” Respondia: “Tenha calma, Aguilar. Ainda falta mais de uma hora para o início do programa. Assim que eu terminar os testes com esse pessoal todo, vou ver quem tem condição de cantar hoje e intercalar uns três ou quatro deles com o Bobby De Carlo cantando “Oh, Eliana”. Em seguida, você usa seu poder de persuasão e convencimento, aproveitando a deixa dos aplausos destinados ao Bobby De Carlo, para valorizar o novato que irá se apresentar em seguida. Mais uns três novos e você anuncia Joe Primo, e eu canto. Novamente, alguns novos cantam e você chama o Carlão. Em seguida, encerramos com The Vampire´s tocando e deixando os participantes dançarem em cima do palco, enquanto você vai agradecendo a juventude presente, prometendo uma nova atração no outro sábado. Aí, tchau e benção.” Combinado, respondeu Aguilar.”

……………..

Dentre os amadores que aprovei, havia um que até no teste contagiava a gente. Só cantava o repertório de Little Richard, com movimentos de pernas e corpo dignos de elogio, indo ao encontro, portanto, do gosto do público frequentador de shows de rock. O nome artístico escolhido por ele era Jet Black. Ficamos eufóricos com a desenvoltura do crioulinho nos testes.

O cantor Jet Black, que se tornou Little Black

O cantor Jet Black, que se tornou Little Black

Aprovei-o e chamei o próximo…

……………….
Aquela plateia gritava e pulava tanto que não conseguíamos sequer ouvir o que Aguilar falava. Somente ouvi-lo dizer “juventude feliz e sadia”. Só conseguimos nos entender porque começamos a nos comunicar por meio de sinais. E tome pauleira. Mais ou menos na metade do horário para o término do programa, não sei até hoje de onde veio tanta gente, superlotando o auditório, subindo no palco, dançando perto do Aguilar, enquanto cantávamos. Foi quando chegou a vez de se apresentar o rapaz autocognominado Jet Black. Ele cantava, dançava, pulava e instigava o público, gritava e corria no palco – tudo isso dentro da música – enfim, deixava o público louco com suas peripécias. Sucesso total. O Bobby De Carlo, além de estar tocando em nosso conjunto, teve de cantar mais de uma vez, porque o público pedia bis incessantemente, o mesmo acontecendo comigo, sem contar que nós tínhamos que ficar o tempo todo com os instrumentos na mão e sempre fazendo algum solo de improviso para não cair o ritmo de euforia. Quando terminou o programa tivemos que ficar mais de duas horas dentro dos estúdios da rádio até que o público dispersasse um pouco. É que também a rua em frente da Rádio Nacional estava totalmente tomada pelo público, que não conseguiu entrar no auditório, mesmo após muito tempo, ao sairmos, cansamos de tanto dar autógrafos. Quando estávamos sós, o Zé Paulo, com sua humildade, não cabia em si de contente. Disse: “Rapaz, eu nunca tinha dado autógrafo! E se ria. “Foi demais, que bacana”. Perguntou ao Jurandy: “E você? O que achou?”, ao que ele respondeu; “É, pra mim, tudo bem”, como se já estivesse acostumado. Nisso, o Carlão, todo estabanado, concluiu: “Tudo bem? Tudo ótimo, meu camarada. Nunca dei tanto autógrafo em toda minha vida!”
Na segunda-feira, após a estreia no palco e auditório da Rádio Nacional, antes que o Aguilar começasse seu programa de rádio costumeiro, eu e o Bobby De Carlo conversamos com ele para saber da repercussão do programa de sábado. O apresentador nos contou que todos da Rádio Nacional, sem exceção, adoraram, e seu diretor, senhor Abreu, havia-lhe concedido todo o horário da tarde de sábado para usar como quisesse. Eu e o Bobby ficamos contentes com a novidade. Só que pra preencher uma tarde de shows somente com “The Vampire´s” seria um pouco puxado, haveria a necessidade de arranjarmos outro conjunto de rock, o que não era fácil. Combinamos que o Aguilar faria uma chamada em seu programa; se houvesse algum conjunto de rock que quisesse participar de nosso programa no sábado à tarde, que procurasse o Joe Primo para fazer os testes preliminares. Durante a semana, no horário das 14 às 16 horas, eu passei a fazer ponto na Rádio Nacional à espera de um conjunto de rock que pudesse dividir com The Vampire’s os acompanhamentos de quem participasse cantando no programa. Apareceu um indivíduo magrelo, com um chapeuzinho daqueles que somente os jóqueis costumavam usar. Muito educadamente, chegou-se a mim dizendo que tinha um conjunto de rock e gostaria de participar, fazendo um número no programa. Indaguei qual era a formação do conjunto, quantos elementos o compunham e como eu poderia vê-los tocarem. Eufórico, disse-me que, se eu quisesse, sábado de manhã traria os músicos, bem como seus instrumentos, para fazer um teste. Concordei e não me arrependi. Eles tocavam direitinho, e eu lhes propus que, a partir daquele instante, iriam dividir a responsabilidade dos acompanhamentos com The Vampire´s. O nome do rapazinho magrelo era Aladim. O conjunto? The Jordans. Outro fato pitoresco que merece ser contado é que havia um colega nosso, que nos acompanhava ajudando a carregar instrumentos, que, sempre que podia, sentava-se na bateria do Jurandy. Mal sabia pegar nas baquetas, mas eu tinha quase certeza de que, no fundo, no fundo, torcia para o Jurandy faltar um dia, para ele poder se sentar em seu lugar. Nunca houve essa oportunidade. Mas, passado algum tempo, ele conseguiu uma oportunidade que agarrou com unhas e dentes. Nós do The Vampire´s ficamos até surpresos. Foguinho – apelido que nós lhe demos – passou a tocar bateria no conjunto The Jordans e nunca mais saiu. Toda vez que nos cruzávamos, fazíamos a maior gozação com ele, perguntando se ele já sabia rufar na caixa da bateria, bater com a baqueta no ximbau e outras brincadeiras próprias de quem estima alguém. A verdade é que Foguinho passou a ser respeitado pelas suas qualidades de ótimo baterista e companheiro.
Após alguns sábados de sucesso total do programa “Ritmos para a Juventude”, diretamente do auditório e palco da Rádio Nacional de São Paulo, durante os ensaios, antes de entrarmos no palco, havia um rapaz, que, sentado ao piano, de vez em quando, dava uns toques discretos para não atrapalhar nosso ensaio. Veio-me à cabeça: “Como o Bobby De Carlo volta e meia falta aos sábados, seria uma boa eu tentar falar com esse cara. Se ele topar tocar piano em nosso conjunto, vou matar dois coelhos com uma cajadada. Na maioria dos arranjos de rock, o piano é usado. E ele vai cobrir a falta do De Carlo.” Perguntei se ele tocava piano há muito tempo. Respondeu-me que somente arranhava um pouco. Convidei-o para tocar conosco, ele aceitou e me disse que tinha uma guitarra. Perguntei-lhe se também sabia tocá-la. Respondeu-me que sabia arranhar um pouco. Disse-lhe que, após o programa, entraríamos em mais detalhes. Por enquanto, se ele quisesse atacar de piano compondo o conjunto The Vampire’s, tinha meu consentimento. Perguntei-lhe o nome e o informei a Aguilar, para que anunciasse sua entrada como participante do conjunto. O apresentador se enrolou todo ao anunciar. Não sabia se era José Provetti ou se era Gato. Mas, usando seu jogo de cintura de disc-jóquei, consertou: “É lógico que eu estou falando do nome artístico de José Provetti, ou seja, Gato, esse novo integrante que entra para valorizar ainda mais The Vampire´s, conjunto famoso que essa juventude feliz e sadia já elegeu como o melhor grupo de rock!” Casualmente, sem saber que estava praticamente profetizando, Aguilar anunciou o cantor que já havia virado o eleito dos novatos que se apresentavam aos sábados, Jet Black, que iria cantar acompanhado por The Vampire´s, com Joe Primo na guitarra, José Paulo na guitarra base, Jurandy na bateria, Carlão no baixo e, agora, Gato no piano. Terminado o programa, novamente um sucesso crescente, nós nos dirigimos à oficina de tapeçaria de carro, situada na Rua Hanneman, ao lado da Igreja Santo Antonio do Pari, de um amigo nosso, Johnny, e seu irmão Benê, que gentilmente nos cediam o local para os ensaios. Nesse ensaio, fizemos em comum acordo uma nova ordem de entrada com referência aos instrumentos que seriam tocados, ou seja, tendo em vista a desenvoltura apresentada por Gato nas preliminares de suas exposições, dado o modo como pegava na palheta para fazer algum improviso em uma guitarra amarela dourada, extraindo um som próximo ao de uma guitarra com alavanca, que a dele não tinha, resolvi indicá-lo como guitarra solo. Todos concordaram. Fiquei com a guitarra base, o José Paulo, com o baixo, e o Jurandy continuou sendo baterista. Tudo foi feito de modo democrático, com a concordância dos integrantes. As modificações eram necessárias por conta da falta de assiduidade de Bobby de Carlo nos ensaios e apresentações do programa, devida ao diversos shows que ele tinha de cumprir, graças ao sucesso de sua gravação “Oh, Eliana”, na Odeon. Bobby me havia dito que não poderia arcar com os compromissos do conjunto, pelo menos temporariamente, dizendo-me que segurasse as pontas, provisoriamente. Em vista disso, fizemos as alterações. Mas faltava o contrabaixo. Usamos a criatividade e improvisamos: colocamos cordas de contrabaixo na guitarra do José Paulo, e pronto. Agora, dá-lhe ensaiar músicas instrumentais para deixar o prestígio adquirido com o programa crescer ainda mais. Dito e feito. Logo na primeira apresentação que fizemos tendo o Gato como solista, foi um sucesso. Dentre todos os cantores que devíamos acompanhar se encontrava, como sempre, o novato Jet Black. Durante os ensaios, dada a intimidade que tínhamos, eu brinquei com ele, dizendo: “Jet Black, você, por ser pequeno, deveria se chamar “Little Black” e deixar que nós nos chamássemos Jet Black´s”, ao que ele imediatamente respondeu: “Positivo, eu gostei, eu topo.” Eu não havia falado sério, fiquei surpreso e, como não simpatizava muito com o nome The Vampire’s, consultei Gato, Zé Paulo e Jurandy sobre o assunto. The Vampire’s passou a ser nome do passado e passamos a usar The Jet Black´s…

Toda a história e trajetória deste músico de destaque, pode ser lida aqui, no Blog de Primo Moreschi, o legítimo fundador do conjunto The Jet Black’s!

The Jet Blacks no Jardim de Inverno da antiga Boite Lancaster em São Paulo

The Jet Blacks no Jardim de Inverno da antiga Boite Lancaster em São Paulo

Comentário recebido em 18-05-2014:

Santo Humberto Lunetta Filho comentou sua atividade em WordPress.
Santo escreveu: “Eu estive presente em diversas gravações dos Jet Black´s e posso afirmar que “outros ” participaram e não tiveram seus nomes reconhecidos na história do conjunto de rock The Jet Black’s ….. Posso AFIRMAR PEREMPTORIAMENTE que FATOS foram omitidos dolosamente por razões a serem investigadas …

Em 19-05-2014, Primo Moreschi escreveu:

Primo Moreschi comentou um link que você compartilhou.
Primo escreveu: “… amiga Lucinha Zanetti, estou aqui livre leve e solto para dirimir qualquer dúvida pendente, se após ler as postagens de meu livro ainda houver duvidas, Agora sem querer polemizar mas já polemizando; não vou deixar o Antonio Aguillar se vangloriar de ter sido ele que falou com o cantor Jet Black, para ceder seu nome para o The Vampires, e ainda por imposição do Gato. Não vou deixar mais ninguém fazer reverencia com meu chapéu. E digo mais…Um dia antes dessa minha atitude de pedir ao Jet Black Para mudarmos os nomes, Exatamente na praça Padre Bento, no largo Santo Antonio do Pary, Eu, juntamente com Serginho de Freitas, e Bobb Di Carlo, Ouvindo o Programa Voz da América do Carlos Alberto Lopes (Sossego), em um radiozinho de pilha chamado Spik,( muito em moda naquela época), comentei com o Bobb e o Serginho, sobre o sucesso que o rapazinho (veja Bem) rapazinho na faixa de seus 17 ou 18 anos, cognominado Jet Black, fazia quando se apresentava no Programa “Ritmos Para a Juventude”; aventando minha vontade de sugerir a ele, a troca de nossos nomes. Tanto o Serginho quanto O Bobb Di Carlo, acharam genial minha ideia, mas… aventaram a hipótese de eu receber um sonoro “NÂO” da parte dele.Foi assim que no dia seguinte, criei coragem, e, durante nossos ensaios na Radio Nacional; me atrevi a sugerir a ele (O Jet Black) a troca de nomes. E só depois dele me ter dado como resposta o sim, que democraticamente comuniquei ao Gato, Zé Paulo e o Jurandy, se eles estavam de acordo com a troca de nosso nome The Vampires, para The Jet Black´s. Nunca ninguém pediu ao Antonio Aguillar para em nosso nome pedir a troca de nome com o cantor Jet Black. e muito menos foi sobe imposição condicional do Gato entrar ou não para o conjunto (banda hoje) uma vez que ele já havia entrado a uma ou duas semanas antes. E digo mais…Essa foto que o Antonio Aguillar postou como sendo o Jet Black, não tem nada a haver.O Jet Black em questão não tinha mais que 18 anos, e muito bem afeiçoado por sinal.Acredito que o Foguinho poderá comprovar se estou mentindo. Alias o Foguinho por sinal tinha o codinome de Litle Fire… Hooo saudade. Trocando em miúdos…é isso ai por enquanto amiga Lucinha Zanetti; quanto ao resto?…ora o resto é resto rsrsrs fuuiii Manda um abração ao Sérgio Vigilato meu amigo de alguns infortúnios arquitetados por nossos inimigos gratuitos.”

As capas dos álbuns lançados pelos Beatles.

“As Capinhas”

Texto traduzido por Dado Macedo

Sempre achei interessante a visão de Barry Miles – o autor de ‘Many Years From Now’, sobre os anos 60 e particularmente sobre Paul McCartney.

Ele foi aquele cara que montou, junto com John Dunbar, a ‘Indica Books & Gallery’ (com a ajuda de Paul) e onde John iria depois conhecer Yoko!

Ele lançou em 2005 um livro junto com Grant Scott e Johnny Morgan chamado ‘The Greatest Album Covers of All Time’, republicado em 2008.

The Greatest Album Covers of All Time

Além de milhares de capas de álbuns de todos os estilos e comentadas, ele coloca algumas coisas sobre as capas dos álbuns dos Beatles, que apesar de não serem novidade, gostaria de compartilhar com vocês.

“Em parte pela sua grande fama, mas também por que as suas capas eram genuinamente inovadoras, a arte das capas dos Beatles foi de uma enorme influência. Não existe uma ‘capa Beatle’ que não tenha sido copiada, parodiada ou mencionada de alguma forma.

Até os Beatles, eles mesmos, o fizeram, parodiando seu primeiro álbum ‘Please, Please Me’ na capa do ‘Blue Album’, The Beatles 1967-1970 [and ‘Red’], fazendo com que Ian Macmillan os clicasse novamente – só que cabeludos – em 1969, na mesma pose e posição.

Na época que a EMI saiu de Manchester Square a escadaria que o grupo posou tinha se tornado tão reverenciada como um artefato do Rock que eles a levaram junto, e depois a reinstalaram em sua nova sede.”

“‘With The Beatles’ já havia sido um sinal de distanciamento das capas pop normais, com o quarteto sendo clicado ‘sério’ e em preto-e-branco, para a decepção do pessoal de marketing da EMI.

‘Revolver’ foi um distanciamento ainda maior: ele dispensou o ‘clique’ e o substituiu por uma colagem e desenhos de seu amigo de Hamburgo, Klaus Voorman.

O ‘Sgt. Pepper’ supostamente foi uma diversão pra toda família, e não apenas para os hippies que entenderam as referências às drogas. O álbum se completou com uma capa interna dos 4 transmitindo “boas vibrações de amor” aos ouvintes e um cartão inserido que incluía um bigode falso e uma bateria para se recortar.

Encarte - Sgt. Pepper

‘Sgt Pepper’ foi o primeiro álbum a vir impresso com as letras na contracapa, enfurecendo os editores por serem privados de milhares de vendas de partituras, mas acrescentando algo a mais para quem comprou o disco.
Logo houve dúzias e depois milhares de paródias a esta capa, sendo a primeira a dos Mothers of Invention, com ‘We’re Only In It For The Money’.”

Primeiro álbum a vir com letras - sgt. pepper

Letras - Sgt. Pepper

“O minimalista ‘White Album’ chocou a todos, com as pessoas resmungando amargamente sobre a influência de Yoko Ono. ‘Muita gente, entre elas a própria Yoko, pensa que a capa foi ideia da própria Yoko,’ diz Richard Hamilton. ‘Mas meu contato com o projeto foi somente através de Paul.’

O álbum veio cheio de novidades, incluindo uma grande colagem feita por Richard Hamilton com arte de qualidade e quatro fotos dos Beatles separados, que poderiam ser enquadrados.
Era uma capa difícil de ser superada, mas em termos de influência ‘Abbey Road’ foi o mais copiado de todos – até mais parodiado que ‘Pepper’.

As capas dos Beatles não têm idade; são verdadeiros ícones do Rock, elas são uma referência constante para toda uma geração de desenhistas que bebem dessa fonte.”

With The Beatles – 1963

Desenho da capa e foto de Robert Freeman.

“Freeman tirou a foto no Hotel Palace Court em Bournemouth.
Os Beatles, fartos de sua imagem engraçadinha e alegre, mostraram a Freeman retratos da fotógrafa alemã Astrid Kirchherr, dizendo que queriam algo parecido.
Eles sentaram na frente de cortinas castanho escuras, usando camisas polo pretas, e com a janela deixando entrar a luz do sol. ‘Ele conseguiu esta foto triste e taciturna, que muita gente pensa ter sido muito difícil de fazer e ter envolvido muitos detalhes técnicos, mas levou apenas uma hora.’

McCartney lembra de um executivo da EMI mais tarde dizer: ‘Porque eles estão tão sérios? Nós queremos Beatles alegres para fãs alegres.'”

Rubber Soul – 1965
Fotografia de Robert Freeman.

“O título era um típico trocadilho Beatle. ‘Foi idéia de Paul ,’ disse John. ‘Era como ‘Yer Blues’, eu acho, significando ‘Alma Inglesa’. Só um trocadilho.’
A foto foi tirada por Robert Freeman na casa de John em Kenwood, Weybridge.
‘O efeito distorcido na foto era um reflexo da mudança de seu estilo de vida,’ disse Freeman.
A imagem escolhida pelos Beatles foi esticada após ser fotografada de novo de outro ângulo.
A inscrição, um exemplo do psicodelismo inicial britânico, foi influenciada pelo trabalho de Alan Aldridge que mais tarde publicaria o livro ‘The Beatles Illustrated Lyrics.”

Sgt Pepper – 1967

Arte da capa de Peter Blake e Jann Haworth, baseado em desenho de Paul McCartney. Foto de Michael Cooper.

“A capa foi baseada num desenho de Paul da banda vestindo longos uniformes militares, em frente a uma parede de fotografias de seus ídolos, e atrás de um relógio floral.
O marchand Robert Fraser sugeriu que Peter Blake o executasse. Modelos de cera dos Beatles de 1963 foram emprestados do Museu de Madame Tussauds.

A EMI insistiu em conseguir autorizações de todos os heróis dos Beatles, o que foi problemático.
Ela também objetaria a presença de Ghandi por causa do mercado indiano, e Hitler, escolha de John, foi descartado na última hora.
O ‘quadro vivo’ foi clicado no estúdio de Michael Cooper na Flood Street, Chelsea.”

White Album – 1968
Arte da capa de Richard Hamilton.

“Paul McCartney trabalhou com Richard Hamilton na capa. Hamilton comentou: “Já que ‘Pepper’ foi tão grande, eu fiquei inclinado a fazer uma coisa bem puritana, quase uma edição limitada.’ Ele [Paul] não me desencorajou, então eu fui em frente com a ideia de um álbum todo branco.”

“Eu ainda queria algo sobre o branco’, continua Hamilton, ‘Eu sugeri que poderiam numerar todas as cópias, para criar a irônica situação de uma edição numerada de algo em torno de 5 milhões de cópias.”
“John conseguiu a cópia nº1 por que ele gritou mais alto”, lembra Paul.

Abbey Road – 1969
Desenho da capa de Paul McCartney. Foto de Ian Macmillan.

“Em 8 de agosto de 1969, Ian Macmillan tirou a famosa foto dos 4 Beatles atravessando em cima da faixa de segurança em frente aos estúdios da EMI na Abbey Road, onde virtualmente todos os álbuns deles foram gravados.

Como ‘Sgt Pepper’, a capa foi baseada num esboço a caneta de Paul McCartney.
A capa tem sido muito parodiada, incluindo uma do próprio McCartney em seu álbum ‘Paul is Live’ de 1993.

Fãs dos Beatles e turistas adoram ter seus retratos eternizados atravessando Abbey Road, e ela se tornou um dos pontos clássicos de Londres, como o Big Ben e o Palácio de Buckingham.”

Para quem curte capas de álbuns recomendo o livro ‘The Greatest Album Covers of All Time’.

Outro muito bom é o ‘1000 Record Covers’ de Michael Ochs da editora Taschen de 1995. Como o título já diz, são 1000 capas de álbuns, algumas comentadas.

Tem também o ‘100 Best Album Covers’ de Storm Thorgerson & Aubrey Powell (leia-se ‘Hipgnosis’ que fizeram várias capas para álbuns de Paul) – Editora Dorling Kindersley de 1999. Muitos detalhes sobre as 100 capas selecionadas.

Texto publicado originalmente na comunidade do Orkut, We Love the Beatles Forever, por Dado Macedo.