A Polêmica Historia que envolve o nome da Banda The Jet Black`s e sua fundação.

Muito já se falou da historia deste conjunto dos anos 60, tanto por historiadores como pelo legado em textos e fitas deixados por alguns de seus integrantes, a exemplo das três fitas que estão em posse do historiador Eduardo Reis e que tocam no assunto “fundação do grupo e a escolha do nome”.

A primeira fita trata-se de uma entrevista do Gato com Idalina de Oliveira em 1966 pela Rádio Tupi) onde ele fala sobre várias coisas, por exemplo:

·         Conta sobre o nome, dizendo que, na opinião dele, “The Vampires” é coisa de Transilvânia e não servia para nome de conjunto de rock´n´roll, e ele (Gato), forçou a mudança do nome, tendo escolhido o nome Jet Black´s, com apóstrofe e “S” em homenagem aos THE SHADOWS. Vejam que a história é quase a mesma contada por Jurandi, pois ele (Jura) fala que Zé Paulo havia escolhido o nome.

·          Gato cita Joe primo, fala que no início de 1962 ele pegou tuberculose e, contrariando o Jurandi, ele (Gato), Jairo (diretor da Chantecler) e o cantor Oswaldo Rodrigues, com a ajuda do prefeito de Campos do Jordão, o internaram no sanatório Nossa Senhora das Mercês em Campos do Jordão; Eloy, Guitarra base do conjunto Super Som T.A., entrou no lugar de Joe Primo.

·         Fala da sua saída dos The Jet Black´s alguns meses antes, e que estava tocando baixo no quarteto de Renato Mendes, no Johan Sebastian Bar. Quando Idalina pergunta o motivo ele diz que prefere não tocar no assunto.

A segunda fita, gravada em 1991 na casa de Guilherme Dotta, o Tico, por um jornalista da Folha de São Paulo. Nela o jornalista entrevista Jurandi, Gato e Tico, falam sobre vários assuntos e nas páginas tantas o jornalista pergunta a origem do nome. O Jurandi imediatamente fala que ele (Jura) sugeriu o nome e o Gato, de forma meio ríspida, retruca: VOCÊ? Creio que fui eu que batizei o grupo com este nome. O Jura fala qualquer coisa baixo e retoma o assunto com o comentário: Polemicas à parte o nome foi escolhido pelo grupo. Nesta entrevista fica claro que o Gato e o Jurandi não haviam esquecido as magoas do passado…

A terceira fita é uma entrevista com o Orestes, onde estavam Eduardo Reis, Foguinho e Orestes e este conta sobre a época da Boate Lancaster e quando perguntado sobre o nome do grupo ele fala que, “pelo que sabia” foi uma decisão do Gato e que este havia escolhido o nome em homenagem aos Shadows.

Porém, a verdadeira historia da mudança de nome quem conta é Primo Moreschi, o Joe Primo, legítimo e verdadeiro fundador do conjunto The Vampires, que depois se tornou The Jet Black`s!

“Para início de conversa, conheci o Gato quando o vi mexendo em um piano dentro dos estúdios onde eu (Joe Primo), Bobby De Carlo, Carlão, Zé Paulo e Jurandi, que formávamos “The Vampires”, ensaiávamos alguns cantores, os futuros participantes que iriam se apresentar no Programa Ritmos Para a Juventude, de Antonio Aguillar; Gato era ainda um ilustre desconhecido num canto do estúdio, o qual somente me chamou a atenção em razão de estar tirando alguns acordes do piano. Perguntei se ele sabia tocar piano, ele disse que arranhava um pouco, então o convidei para tocar e ele aceitou. Na semana seguinte, eu tive a ideia de conversar e sugerir a um dos integrantes amadores que testei e aprovei para participar do programa Ritmos para a Juventude (vai dai eu ter a liberdade de sugerir), cujo nome era Jet Blacks, e com as seguintes palavras eu lhe disse: Vem cá Jet Black! Você não quer trocar de nome com a gente?

Ele humildemente, e sorridente, respondeu prontamente que trocava sim. Então eu sugeri a ele que por ele ser magro e pequeno deveria se chamar Little Black, e nós The Jet Black´s.

Portanto é mentira que teve condição imposta pelo Gato para mudar o nome do conjunto, e muito menos consultei alguém além do Bobby De Carlo para mudar o nome The Vampires para The Jet Black`s.
Outra mentira deslavada, sem nenhum cabimento, está relacionada ao início do The Vampires: dizer que Jurandi, Zé Paulo, Orestes, Gato e Ernestico que iniciaram o conjunto, quando em verdade somente o Gato chegou a participar da segunda semana da fundação do The Vampires feita por mim, Joe Primo, Bobby De Carlo, Carlão, e aí sim, o Zé Paulo veio e foi quem convidou o Jurandi, que mal sabia tocar samba em alguma reunião do colégio que os dois estudavam.
O Ernestico só passou a fazer parte do conjunto quando, já como The Jet Black´s, começamos a tocar na Boate Lancaster. E o Orestes sempre foi cogitado, principalmente pelo Zé Paulo, para fazer parte integrante do The Jet Black´s, mas nunca daí dizer que ele iniciou quando ainda era The Vampires. (mentira deslavada, que inclusive cai em contradição até pela fotografia postada na página em questão, (uma tremenda montagem) tendo ao fundo uma bateria dos The Clevers sendo que esse conjunto só passou a existir após o Jurandi, Zé Paulo e o Gato, já se achando muito superior, não aceitavam mais participar do programa Ritmos Para a Juventude, daí Antonio Aguillar ter lançado o conjunto.

Esta é a foto polêmica , onde podemos ver o Joe Primo e o Carlão, porém a bateria tem o nome The Clevers.

Esta é a foto polêmica , onde podemos ver o Joe Primo e o Carlão, porém a bateria tem o nome The Clevers.

Portanto, essa foto é uma mentira, mas também serve para desmentir declarações do Jurandi de que o Orestes e Nestico iniciaram o The Vampires, pois nessa montagem não esta nem Orestes, e muito menos o Nestico. E vou mais além, nem mesmo o Zé Paulo; esse sim deveria estar. Quanto ao Orestes, só passou a integrar os The Jet Black´s, quando eu adoeci por ter dado tudo de mim até a saúde para poder fazer o The Jet Black´s ser sucesso. Passados alguns meses voltei e fui deixado de lado em prol de outro que já havia ocupado meu lugar. Em meu livro “O Protagonista Oculto dos Anos 60″ eu relato o passo a passo de como tudo aconteceu, com provas vivas até hoje, que podem e devem confirmar a veracidade dos fatos por mim relatados em meu livro de memórias.”

E tudo isso já foi revelado aqui mesmo neste Blog e visto nas redes sociais, mas sempre vale a pena mostrarmos de novo, inclusive por que tivemos também o depoimento de Bobby de Carlo sobre a veracidade dos fatos relatados pelo Joe Primo e endossados por Sérgio Vigilato, o Serginho Canhoto.

Bobby de Carlo fala sobre seu amigo e companheiro, Primo Moreschi.

Eu diria que Primo é um artista! Musico, pintor, compositor, poderia ser também um grande ator comediante. Lembro-me de um texto seu que em resumo seria isto:

“…Como você é linda, seu vestido branco, suas mãos tão delicadas, seu rosto tão lindo, sua pele clara, muito clara.
Porque não fala comigo?
Acorda! acorda! ACORRRRDA!!!
Pô!  Não vê que ela tá morta?”

Desculpe o humor negro, mas isso era coisa do Primo…

No meu primeiro LP pela gravadora Mocambo, gravei com os Megatons. Foi certamente um dos momentos de maior prazer na minha vida.
Sem imposição alguma, gravei o que queria da forma mais descontraída possível.
Com o bom humor do grupo, o clima era maravilhoso. Criei arranjos, participei como musico, convidei para participar em algumas faixas o Wanderley pianista, (ex Roberto Carlos), o Nestico sax do Jet´s, e nunca houve por parte dos Megatons, Primo, Bitão, Luiz, Renato e Edgar qualquer tipo de estrelismo.
Nós nos divertimos muito.  Coisa que não aconteceu quando da minha volta ao The Jet Black´s em l964, quando disse ao Jurandir para que criássemos algumas musicas, coisas próprias. Porem ele achava melhor “tirar” musicas de outros conjuntos, ou seja, copiar o original e tocar nos Jet Black´s. Coisas estas que fazíamos em nossa adolescência musical.
O Orestes saiu, e eu, desmotivado, saí também.

Serei sempre amigo do Primo, tenho-o em alta estima.
Tenho certeza que a década de sessenta será marcada positivamente em nossas vidas!”

Um grande abraço
Bobby.

Joe Primo, o Precursor da História dos Jet Black’s!

Joe Primo, nome artístico de Primo Moreschi, é uma dessas pessoas predestinadas e muito especiais, que vieram ao mundo para construir uma vida rica de fatos pitorescos e situações inusitadas, sempre convivendo com venturas e desventuras, desafiando a morte e a vida com muito bom humor e propriedade, tirando dos infortúnios, força para sobrepujar os obstáculos que permearam sua vida, sempre tirando ensinamentos ao longo de sua trajetória, sem jamais esmorecer.
Filho dos italianos Concheta e José Moreschi, Primo foi o caçula de nove irmãos e ainda muito pequeno perdeu a mãe e em seguida o pai, tendo que viver de um lado para outro, sem um lar, primeiro de favor na casa de irmãos, depois tendo que trabalhar desde tenra idade para pagar seu próprio sustento em pensão domiciliar.
Ainda quando tinha de sete para oito anos de idade, Primo teve o primeiro contato com os instrumentos musicais, pois acompanhava seu irmão mais velho nos ensaios de sua banda country chamada Rancheiros da Paulicéia. Eles tocavam na Rádio América e Primo acompanhava os ensaios e assim aprendeu também a tocar violão e guitarra.
Primo nasceu artista e por necessidade aprendeu a profissão de retocador de retratos para ter o seu próprio sustento, e também exerceu a profissão de fotógrafo. Além disso, costumava compor canções e um belo dia a oportunidade de entrar para o meio artístico surgiu em um encontro casual com o compositor Américo de Campos.
Joe Primo gravou seu primeiro disco e tornou-se conhecido em 1961, com as músicas “Ela me fez de limão” e “Água de cheiro” sendo transmitidas pela Rádio Nacional de São Paulo, chegando às paradas de sucesso.
Foi em suas andanças pelas rádios de São Paulo para a divulgação do seu 78rpm que Joe Primo teve oportunidade de voltar à Rádio Nacional para participar de um programa de lançamentos musicais, intitulado “Ritmos para a Juventude”, cujo apresentador era Antonio Aguillar. Foi nessa época que ele teve a ideia de formar um conjunto de Rock para acompanhar os cantores que se apresentavam naquele programa, e juntamente com o amigo Roberto Caldeira dos Santos, o Bobby de Carlo, fundou o conjunto The Vampires, que viria a ser The Jet Black’s, em um tempo em que o Rock’n’Roll começava a marcar presença no Brasil.
Foi assim que o menino órfão, que passou tantas privações na vida, tendo sido até mesmo acometido por grave doença, precisando ser internado no Sanatório Nossa Senhora das Mercês em Campos do Jordão para se tratar da doença que o acometeu devido a ter passado fome e frio em suas peregrinações pelas rádios e gravadoras em busca de divulgação dos discos do conjunto, iniciou os primeiros passos para que o Brasil tivesse uma das mais queridas e famosas bandas de Rock Instrumental, The Jet Black’s, cujo sucesso foi tanto que mesmo tendo já se passado mais de 50 anos do início de tudo, não há quem não tenha ouvido falar nela!
Primo Moreschi ainda formou Os Megatons, um grupo que se destacou pelos sons exóticos e criativos perpetuados na música jovem, antes de se retirar definitivamente do meio artístico para viver em Campo Grande/MS, onde constituiu família e tornou-se reconhecido empresário da indústria de moveis planejados e exclusivos.

“O PROTAGONISTA OCULTO DOS ANOS 60”

O Selo “Young” e sua Importância no Cenário da Música Brasileira. (Parte VII – FINAL)

YOUNG: UMA HISTÓRIA. Cap. VII (final)

O selo Young tinha como principal objetivo o de revelar e promover novos intérpretes e compositores brasileiros que tinham total identificação com o movimento musical dirigido ao público jovem que passou a dominar o show business mundial. Porém, não fechou seus ouvidos para o que acontecia no universo paralelo da música e, assim, quando o ano de seu nascimento em 1959 coincidiu com o ano de falecimento do grande músico de jazz Sidney Bechet, a Young lá estava para ser a única a lançar a gravação original do saxofonista norte-americano para sua composição mais famosa. Petite Fleur.

A Young passou a ser também uma porta para o Brasil, aberta aos novos talentos de outros paises cujos discos não tinham representação no nosso território através das companhias multinacionais, como Odeon, RCA, Philips e Columbia, o quarteto de ferro que mandava e desmandava no mercado local.

Em 1959, a Inglaterra começava a colocar suas “manguinhas de fora”, mostrando ao mundo Cliff Richard e The Shadows, e nada mais lógico do que tentar a sorte com outro jovem inglês que surgia. Freddie Davis foi o escolhido.
Freddie, que anos mais tarde, precisamente em 1972, voltaria a ter sucesso no Brasil com a sua gravação So Lucky, foi lançado pela Young através de sua versão para o sucesso do grupo Fireflies, “You Were Mine”.

Freddie Davis – You Were Mine

Apenas como fato curioso: O primeiro compacto simples de Elton John lançado no Brasil pela RGE, no início de 1971, com as músicas Your Song / Take Me To The Pilot, foi com o selo Young, porém em cor cinza e não com o tradicional Vermelho e Branco.

Outro pioneirismo creditado à Young: Foi a primeira etiqueta a lançar seus discos em 45 rotações no Brasil, pois seu público consumidor fazia parte daquele refinado grupo que comprava discos importados. Além do tradicional, para a época, 78 rotações, havia a opção de comprar o compacto em 45 rpm. Ao mesmo tempo, lançava compilações em EP (Extended Play), reunindo sucessos em dose quádrupla.

The Avalons – Baby Talk

Regiane – Willie Boy

Nick Savoia (Bad Boy)

The Beverlys (Yaket Yak)

O ano de 1960 chegou trazendo um sentimento nacionalista, graças à promessa do desenvolvimento de uma indústria automobilística, a construção de Brasília etc. Deste sentimento surgiu a ideia de gravar em ritmo de Rock and Roll a marcha Paris Belfort. Esta composição francesa foi usada como fundo para o noticiário da Rádio Record a respeito dos acontecimentos que faziam a história da Revolução Constitucionalista de 1932. Ficou sendo a marcha oficial da revolução.
A ideia era ligar os jovens de 1960 aos jovens que havia lutado por uma nova constituição 28 anos antes. E a linguagem seria o ritmo jovem, sem deturpação de harmonia ou linha melódica.
O guitarrista dos Jester Tigers, Gato, que já era sucesso como cantor com o seu “Kissing Time”, foi o escolhido para ser o solista.

Gatto – Paris Belfort

YOUNG: UMA HISTÓRIA. Cap. VII

Entusiasmados com a ideia da homenagem dos jovens aos veteranos combatentes, Miguel Vaccaro e Henrique Lebendiger criaram um plano de promoção que seria único, totalmente inédito segundo os padrões brasileiros.

O plano consistia em reunir um número grande de ex-combatentes nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, perfilados ao som da marcha “Paris Belfort”, executada ao vivo por Gatto (José Provetti) e os músicos que participaram da gravação. O evento teria seu início exatamente às doze horas do dia 9 de Junho, um mês antes da data comemorativa da revolução de 1932. Graças a um trabalho da equipe de divulgação da Young, as principais emissoras de rádio de São Paulo executariam a gravação de Gatto ao soar do meio-dia, coincidindo com o início do espetáculo ao vivo.

Assim, no começo da tarde de uma quinta feira fria iluminada por um sol tímido, soaram os primeiros acordes de Paris Belfort, em ritmo de Rock and Roll.
O Teatro Municipal de São Paulo ficava em frente a um dos mais concorridos corredores da cidade, o Viaduto do Chá. A multidão começou a aglomerar-se ao ouvir aquele som vibrante, dando uma pausa na cidade que não podia parar, e pelos rostos sorridentes, pelos pés acompanhando o ritmo e pelas palmas batidas podia se dizer que o evento era um sucesso. Até que um dos veteranos pracinhas estranhou um pouco a maneira como seu hino estava sendo executado e, saindo de sua formação, começou a gritar contra os músicos. Os outros veteranos se juntaram a eles e, até mesmo parte daquela plateia de transeuntes que estava gostando do que ouvia, passou também a ameaçar os músicos.
A solução foi correr pra bem longe dali, do Viaduto do Chá até a Rua Riachuelo, onde ficavam os estúdios da Rádio Panamericana.
Estava encerrado aquele capítulo.

E o destino resolveu ser irônico ao determinar que uma revolucionária marcha se tornasse a última gravação da revolucionária Young. Não haveria mais gravações da Young, mas ela não terminou. Apenas entrou em processo simbiótico com a tradicional indústria fonográfica. Demetrius assinou com a Continental, onde teve uma sequência de grandes êxitos; Nick Savoia, Antonio Claudio (Danny Dallas), The Avalons e Galli Jr., dos Rebels (Prini Lorez) foram contratados pela RGE, Regiane foi para a Odeon, Hamilton Di Giorgio juntou-se a Wilson Miranda e Sergio Reis como os grandes astros jovens da Chantecler, Dori e Marcos (The Cupids) saíram para sua carreiras solos, Nenê, o garoto prodígio dos Rebels, juntou-se aos grupos que pavimentaram seu caminho em direção a um dos grupos mais vitoriosos do Brasil, Os Incríveis. Gato juntou-se aos Jet Black`s e assim por diante.
A Young não acabou. Tornou-se objeto de colecionadores e caçadores de raridades musicais,adquirindo status de “cult“.

O estúdio da Panamericana, de onde “Disque Disco” era transmitido, foi o primeiro palco destes jovens talentosos. Juntamente com Vaccaro, aqueles futuros astros contaram com a boa vontade e ajuda de outros profissionais, como os técnicos de som Francisco Vieira e Eddy Costa, os locutores Brim Filho, Augusto Tovar, Walkiria e José Magnoli, conhecido depois como Helio Ribeiro, grande nome do rádio brasileiro.

De um sonho realizado com a paixão e a ousadia de Miguel Vaccaro Netto muitas carreiras tiveram seu inicio. Com a vibração e talento dos jovens que formaram a família Young muitas portas se abriram para tantos outros movimentos inspirados por estes pioneiros.
Seria fabuloso se cada um dos que viveram aqueles mágicos momentos dedicasse um pequeno tempo de sua vida para compartilhar sua história…

Young - Discografia

Young – Discografia

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Por Alfie Soares

Quem é Alfie Soares?

É o nome artístico de Afonso Soares de Azevedo, que no período de 1959 a 1962 trabalhou como assistente de Miguel Vaccaro Netto, Rádio Panamericana (Jovem Pan) e programa Disque Disco, época em que foi criada a Young.
Também neste período trabalhou no Teatro Record, nas apresentações de atrações internacionais como Brenda Lee, Neil Sedaka, Paul Anka, Teddy Randazzo, Frankie Lymon, Johnny Restivo, Frankie Avalon e outros tantos.

De 1964 a 1969 trabalhou na Odeon, onde começou como divulgador e depois tornou-se produtor.
Fez trabalhos com Abílio Manoel, Silvio Cezar, Eduardo Araujo, Silvinha e outros.

De 1969 a 1970 foi produzir para a Philips/Polygram. Gravou com Ronnie Von, Coisas de Agora, Tim Maia e outros.

De 1971 a 1979 trabalhou como contratado pela RCA Victor para tomar conta do Departamento Internacional e também produzir. Lá ele voltou a trabalhar com Eduardo Araujo, Silvinha, Demetrius e outros.

De 1980 a 1992, após rápida passagem pela gravadora Continental, parou de trabalhar com discos e foi para uma produtora de shows cujos donos eram Atílio Vanucci Jr. e Chico Anísio. Lá ele teve participação ativa nos shows de Kiss, Peter Frampton e Harlem Globetrotters. Dali foi com Claudio Liza para a Intershow, onde trabalhou novamente com Ronnie Von, Manolo Otero, Sarita Motiel e Fabio Jr.
Passou a trabalhar exclusivamente com Fábio até 1991. Em 1992 mudou-se para Miami, onde vive até hoje.

Vale dizer que em 1962 escreveu suas primeiras músicas com Hamilton Di Giorgio. Depois, teve como parceiros Wagner Benatti, o Bitão dos Pholhas (Clube Atômico c/ Luiz Fabiano), Papi (What To Do c/ Vanusa), Tony Campello (Cada Coisa Em Seu Lugar).
Depois, sozinho, escreveu musicas e versões para Eduardo Araujo, Silvinha, Celly Campello, Suzy Darlen, Joelma, Agnaldo Timóteo, Nelson Ned, Os Incriveis, Os Pholhas, Julio Iglesias, Chris McClayton e alguns outros mais.
Seu último trabalho, antes de mudar-se, foi para Zezé Di Camargo (Faz Eu Perder o Juízo).

Alfie Soares e Brenda Lee

Alfie Soares e Brenda Lee

O Selo “Young” e sua Importância no Cenário da Música Brasileira.

PARTE I

PARTE II

PARTE III

PARTE IV

PARTE V

PARTE VI

PARTE VII (FINAL)

MENSAGEM RECEBIDA:

“Meu pai fez parte dessa gravadora, e desse movimento de música jovem, o nome dele é Vander Loureiro, ele foi integrante do conjunto vocal “The Beverlys”, que contava ainda com minha mãe Amélia, José Pereira, José Mariano e Benedito Guido de Castro. Ele está escrevendo um livro sobre essa época, nesse final de semana ele esteve aqui em casa e eu mostrei as suas reportagens e os clips das músicas pra ele e ele gostou muito.”

Vanderlei Loureiro

Versões e originais de canções de Hamilton Di Giorgio, gravadas por outros cantores.

Os Caçulas: Versão => Estrela Que Cai

A Estrela Que Cai (Good Morning Starshine) [Os Caçulas]

Roberto Carlos: Versão => Lobo Mau

Lobo Mau (The Wanderer) [Roberto Carlos]

Celly Campello: Versão => Só Entre Dois Amores

Só Entre Dois Amores [Celly Campello]

OS VIPS: Versões => Flamenco e Rostinho Triste

Flamenco [Os Vips]

Rostinho Triste (I’ve Got That Feeling) [Os Vips]

Bobby de Carlo: Versão => Brotinho sem ninguém

Brotinho Sem Ninguém (A Boy Without A Girl) [Bobby de Carlo]

Composição Original => Brinquedinho

Brinquedinho [Bobby de Carlo]

Agnaldo Timóteo: Versão => Na noite que que se vai

Na Noite Que se Vai (L’Amore Se Ne Va) [Agnaldo Timóteo]

AS VERSÕES DE HAMILTON DI GIORGIO GRAVADAS POR TONY CAMPELLO.

1. Não toque esta canção
2. Ao balanço do twist
3. O meu bem só quer chorar perto de mim
4. Estrela que cai
5. Lobo Mau

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O Selo “Young” e sua Importância no Cenário da Música Brasileira. (Parte VI)

YOUNG: UMA HISTÓRIA – Capítulo VI

A YOUNG AO LADO DAS ATRAÇÕES INTERNACIONAIS

A grande magia do rádio é sua capacidade e poder de aguçar a imaginação de seus ouvintes.
Poucos radialistas souberam explorar este quesito como Miguel Vaccaro Netto.
Tanto na edição noturna de seu “Disque Disco” na Rádio Record quanto em sua edição diurna pela Rádio Panamericana, a criatividade de Vaccaro causava comentários, agitação e polêmicas entre a grande legião de ouvintes que o acompanhava.
Ele era o porta-voz daqueles jovens que faziam da Rua Augusta um fenômeno nacional e assim foi quando ele transformou uma morna procura por ingressos para os shows de Johnnie Ray em um enorme sucesso, apenas por criar expectativas para um sorteio de uma camisa vermelha do cantor.

Just Walking In The Rain – Johnnie Ray

Em Junho de 1958, Vaccaro voltou a provocar a curiosidade de seus ouvintes, inventando uma entrevista exclusiva e ao vivo com dois astros internacionais, a quem ele chamou de Cantores Misteriosos, e cujas gravações somente ele possuía.
Ao final do programa, com recordes de telefonemas e audiência, revelou que os artistas, um rapaz e uma garota, eram brasileiros e que aquelas eram suas primeiras gravações.
Estavam lançados, através do Disque Disco, os dois grandes pioneiros da música jovem no Brasil: Celly e Tony Campello!

Handsome Boy (Celly Campello)

Forgive Me (Tony Campello)

Uma das grandes sacadas de Vaccaro envolveu um nome que se tornaria reverenciado e respeitado em todo o mundo.
Brenda Lee foi apresentada ao público como uma garota prodígio que, aos treze anos, encantou o mundo com sua gravação de Jambalaya, de Hank Williams.

Miguel Vaccaro Netto, Brenda Lee e seu agente. Sentado ao fundo está Atílio Riccó, que anos mais tarde faria parte do corpo de diretores do núcleo de novelas da Globo.

Miguel Vaccaro Netto, Brenda Lee e seu agente.
Sentado ao fundo está Atílio Riccó, que anos mais tarde faria parte do corpo de diretores do núcleo de novelas da Globo.

Vaccaro resolveu executar em seu programa o disco em rotação alterada de 45 rpm para 33 1/3 rpm. Assim, Brenda Lee, com sua peculiar voz rouquenha, passou a soar como a de Louis Armstrong. E Vaccaro lançava a semente da dúvida sobre a real existência de Brenda. Isso somente ajudou a fazer de Brenda Lee uma campeã de vendagem no Brasil.

Jambalaya (Brenda Lee)

A direção da TV Record, quando contratou Brenda Lee para realizar uma semana de espetáculos em seu Teatro, não pensou duas vezes. Miguel Vaccaro possuía em seus domínios a equipe de jovens artistas que se apresentavam às quintas-feiras e o veículo ideal para promover sua contratada, ou seja, o programa que praticamente colocou o nome de Brenda Lee no mapa da América do Sul. Assim, numa tarde gostosa de primavera em 1959, o programa Disque Disco recebeu Brenda Lee em seus estúdios na Rua Riachuelo.

Alfie Soares e Brenda Lee

Alfie Soares e Brenda Lee (foto um pouco manchada devido ao fato de ter sido salva depois de um furacao que Alfie Soares enfrentou na Flórida)

Ao ser apresentada a Miguel Vaccaro por seu empresário Dub Allbritten (também autor de seu grande sucesso “I’m Sorry”, em parceria com Ronnie Self), Brenda perguntou a Miguel: “So, now you believe me?” (“E então, acredita em mim agora? “), ou seja, ela já sabia da história.

Brenda Lee e seu Agente

Brenda Lee e seu Agente. Ao fundo estão Dub Allbritten e o Sr. Vaccaro, pai de Miguel, uma saudosa lembrança.

Regiane foi encarregada de recepciona-la e entregar a ela um arranjo de flores e um ursinho de pelúcia.

Brenda Lee e o ursinho Teddy Bear ofertado por Vaccaro.

Brenda Lee e o ursinho Teddy Bear ofertado por Vaccaro.

Regiane cumprimenta Brenda Lee e entrega o ramalhete de flores.

Regiane cumprimenta Brenda Lee e entrega o ramalhete de flores.

A convidada de honra respondeu às perguntas enviadas por ouvintes, ouviu algumas canções apresentadas ao vivo por parte da turma que iria apresentar-se na primeira parte de seu show, e encantou-se com a simpatia e talento daqueles jovens brasileiros.

Em Setembro de 1959, uma terça-feira, teve início a participação dos artistas da Young em um show internacional. Juntou-se aos artistas da Young o grande humorista Renato Corte Real, e a temporada de Brenda Lee foi um retumbante sucesso.
Todas as noites, Brenda ficava ao lado do palco, encantada com o que ouvia.

A turma da Young, Paulinho, Dudu, Daniel e Bob Win (The Avalons), Prini Lorez com o astro internacional, Paul Anka.

A turma da Young, Paulinho, Dudu, Daniel e Bob Win (The Avalons), Prini Lorez com o astro internacional, Paul Anka.

All The Time (The Avalons)

Mr. Blue (The Teenagers)

I Go Ape (Nick Savoia.

Com o início da temporada de shows internacionais, o programa Disque Disco deixou de ser apresentado diretamente do Teatro Record às quintas-feiras, mas os artistas da Young não deixariam de se apresentar naquele palco.
Em seguida ao show de Brenda Lee, o Teatro Record programou A Quinzena do Rock and Roll, contando mais uma vez com os astros da Young e as atrações Johnny Restivo, para a primeira semana e Frankie Lymon, encerrando a programação.
Desta vez o comediante que se juntou à turma da Young para a primeira parte do espetáculo de ambas as atrações foi Doca Vassalo.

Johnny Restivo – I Like Girls (Eu Adoro Garotas)

Frankie Lymon (Goody Goody)

Vieram mais tarde Neil Sedaka, Paul Anka, Teddy Randazzo, Frankie Avalon e Dion, este por apenas dois dias. E todos eles travaram conhecimento e amizade, de uma forma ou de outra, com a turma da Young, que eram uma espécie de embaixadores dos jovens brasileiros junto aos astros norte-americanos.

Alfie Soares e Frank Avalon. Nesta foto Alfie está passando a Frankie um suplemento completo da Young.

Alfie Soares e Frank Avalon.
Nesta foto Alfie está passando a Frankie um suplemento completo da Young.

Mesmo quando a atração do Teatro Record era um artista local, a turma da Young era convocada para o espetáculo.

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Alfie Soares e Neil Sedaka

Alfie Soares e Neil Sedaka

Frankie Lymon

Frankie Lymon

Quando Brenda Lee veio ao Brasil pela segunda vez em 1964, ficou decepcionada ao saber que seus amigos da Young não fariam parte de seus espetáculos.
As gravações da Young faziam a alegria dos responsáveis pelas principais lojas de discos do Brasil. Em São Paulo, as duas lojas mais visitadas pela juventude local eram a Eletroarte, de Antonio Paladino, na Rua Augusta, e a loja de Luis Vassalo, na Avenida Ipiranga. As duas vendiam discos importados, daí a demanda pela Young, que cobria aquela fatia do mercado. E desde que estamos tratando de atrações internacionais e discos importados, aproveito para informar que a trajetória meteórica deste selo criado por Vaccaro não ficou restrita ao Brasil. No início dos anos 60, uma compilação dos principais títulos da Young foi lançada em toda a América Latina sob o título de Asalto En Ritmo, lançado pela Fermata Internacional.

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E aqui se encerra o penúltimo capítulo da historia da gravadora Young.

Em breve, o último capítulo, incluindo além do final da historia, mais algumas considerações.

Por Alfie Soares

O Selo “Young” e sua Importância no Cenário da Música Brasileira. (Parte V)

YOUNG: UMA HISTÓRIA – Capítulo V

UMA SESSÃO DE GRAVAÇÃO INÉDITA

A jovem etiqueta Young era distribuída no território brasileiro pela equipe de vendas e distribuição da companhia RGE que, por sua vez, possuía um cast de artistas de muito sucesso e respeito, entre eles Maysa, Agostinho dos Santos e Roberto Luna.

Para formar um suplemento de vendas considerável, Miguel Vaccaro e Lebendiger decidiram utilizar todos os contratados em uma única sessão de gravação. Uma sessão de aproximadamente 48 horas ininterruptas.

Foi escolhido o final de semana prolongado da Páscoa de 1959 e o estúdio contratado foi o da Continental, no Largo Da Misericórdia em São Paulo.
O engenheiro de som responsável pela equipe de quatro outros técnicos que se revezariam naquela maratona musical foi o incansável e paciente Ivani Soares.

No dia 26 de Março de 1959, às 9 horas da manhã, começaram a chegar os músicos arregimentados por Waldemar Marchetti, o Corisco.

Primeiramente, foram gravados os play-backs da orquestra que acompanharia Regiane, Nick Savoia, Hamilton Di Giorgio e The Beverlys.
Os arranjos foram feitos pelo Maestro Elias Slon, spalla da Orquestra Sinfônica de São Paulo.

Maestro Slon trouxe para as gravações seu filho Claudio, um baterista com apenas 16 anos de idade.

Claudio Slon iria, alguns anos depois, ser o baterista dos grupos de Walter Wanderley e Sergio Mendes, e terminou sendo um músico respeitadíssimo e muito influente nos Estados Unidos, onde viveu por muitos anos.

Terminadas as gravações com a orquestra, começaram as gravações com os conjuntos.

The Avalons, The Rebels, The Jester Tigers, The Cupids e The Devils, estes acompanhando o excelente Demetrius, em seu disco de estreia, já focalizado neste blog.

Por fim, chegavam os cantores, desfilando seus talentos!

TEENAGE SONATA – HAMILTON DI GIORGIO

CRY – NICK SAVOIA

O DIO MIO – REGIANE

Mais de trinta artistas reunidos nas dependências de um estúdio, em um ambiente descontraído e jovial, totalmente sadio e com bons fluidos.
Cantores talentosos hand-clapping ou fazendo backing vocals em gravação de outro cantor, sugestões e ideias para melhorar desempenhos.
Tudo isso acontecia naquele final de semana mágico.

Alguns pares de anos depois, em um outro país, em uma outra cultura, o pessoal que formava o cast de uma pequena gravadora de Detroit chamada Motown, iria instintivamente repetir o que a Young havia feito na Páscoa de 1959.
Eles foram um pouco mais adiante, pois como disse antes, vinham de uma outra cultura, outro país. Não que sejam melhores ou piores. Apenas diferentes.

Esta sessão serviu para que The Avalons introduzissem Bob, um novo cantor que passaria a figurar ao lado de Solano e Nilton.

THE AVALONS – COME SOFTLY TO ME

No dia 29 de Março, Domingo de Páscoa, eu e Gato (José Provetti), o último a colocar voz em seus playbacks, saímos do estúdio às 8:30 da manhã, tomamos um café na Santa Theresa da Praça da Sé, e fomos cada um para sua casa.

Dormi até o meio dia da Segunda Feira.

YOUNG: UMA HISTÓRIA – Capítulo V (parte b)

Os discos lançados pela Young já estavam sendo vendidos e executados pelas rádios do Brasil.

Agora, faltava um palco para que o público pudesse sentir toda aquela vibração pessoalmente.

PALCO DA YOUNG… FUTURO PALCO DA JOVEM GUARDA!

A TV Record, parte da organização da qual fazia parte também a Rádio Panamericana, de onde Miguel Vaccaro Netto transmitia seu Disque Disco, havia recentemente inaugurado o seu Teatro Record, na Rua da Consolação, em São Paulo.

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Anterior ao Teatro Record, as atrações internacionais e programas especiais da emissora eram apresentados no Teatro Paramount da Rua Brigadeiro Luis Antonio.

Vaccaro viabilizou a transmissão de seu Disque Disco das quintas feiras diretamente do Teatro Record. Bastaram dois programas para que uma febre tomasse conta dos jovens paulistanos.

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A grande maioria dos ouvintes de Vaccaro era composta por frequentadores da Rua Augusta, das alunas do Colégio Des Oiseaux, dos estudantes do McKenzie e moradores dos Jardins. A localização do teatro, na Rua da Consolação, era perfeita.
E assim, os jovens paulistanos podiam ver de perto os artistas da Young que estavam despontando para o show business brasileiro.

Colégio Des Oiseaux

Colégio Des Oiseaux

DEMÉTRIUS – YOUNG AND IN LOVE

“Esta foi a minha primeira gravação – 1960.
Hold me So Tight foi o outro lado do 78rpm, ou seja, o outro lado do disco”.
(Demétrius, em 07/11/2016)

HOLD ME SO TIGHT – DEMETRIUS

ANTONIO CLÁUDIO – DREAM LOVER

A equipe do Teatro Record, principalmente seus administradores Paulo Charuto e Gaúcho (assim mesmo conhecidos e por nós chamados), mais Mirabeli (o diretor de palco) e o extraordinário historiador e profundo conhecedor da música brasileira Zuza Homem de Mello, que era na época o engenheiro de som do teatro, puderam ter uma ideia do que viriam a enfrentar no futuro, pois a explosão das quintas feiras através do Disque Disco ao vivo seria repetida seis anos depois com o programa Jovem Guarda, de Roberto Carlos.

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Esta foto fez parte de uma matéria publicada sobre a vida do Teatro Record e flagra a saída de jovens que foram a um espetáculo (não revelado pela reportagem).

E não foi por acaso que Miguel Vaccaro Netto e os artistas que formavam o cast da Young, estavam junto a Brenda Lee, quando a Record iniciou sua investida internacional com atrações para o público jovem.

E este será o tema de nossa próxima conversa.

Por Alfie Soares

Alfie Soares escreve tudo de memória, não tem nada escrito e a cada linha que ele escreve, as imagens guardadas lá no fundo de seu cérebro vão tomando forma, e assim nomes, datas, locais e eventos vão emergindo.
Contou-me ele que desde o dia em que ouviu Rock Around The Clock, com Bill Haley & His Comets em 1955, aos treze anos de idade, interessou-se pelo gênero.
Acabou produzindo e apresentando um programa na antiga FM Excelsior, depois Globo FM, chamado A História do Rock and Roll, e 70 por cento do texto que ele apresentava era de memória, pois sempre foi um ávido leitor de contracapas de LPs e publicações do gênero.
Também teve a vantagem de ter sido uma espécie de “Forrest Gump” dos anos 50 e 60, isto é, esteve presente e participando de vários momentos importantes do show business brasileiro. Até mesmo naquela série de programas que a TV Bandeirantes apresentou em 1969 sobre a suposta morte de Paul McCartney, ele participou ao lado do disc-jockey norte-americano, Russ Gibb, que levantou a polemica.

O Selo “Young” e sua Importância no Cenário da Música Brasileira. (Parte IV)

YOUNG: UMA HISTÓRIA – CAPÍTULO IV – PARTE A

Uma das contratações feitas por Miguel Vaccaro Netto que mais frutos rendeu foi a do grupo The Cupids.
Além da homogeneidade que apresentavam como grupo, os talentos e personalidades de alguns de seus membros haviam chegado para ficar e ajudar a fazer a história da Jovem Guarda e do show business em geral.
Lucy Perrier era a solista. Dona de uma voz cristalina, possuía também forte personalidade e uma figura carismática. Ao lado de Regiane formava uma dupla de cantoras, cada uma em seu estilo, que nenhuma gravadora possuía igual na época.

Kiss Me Honey, Honey Kiss Me – The Cupids.

Outra vantagem a favor dos Cupids era o fato de ter entre seus componentes dois garotões irreverentes, brincalhões, divertidos, além das boas figuras e dos talentos para cantar e compor.
Dori Angiolella, que ficaria conhecido como Dori Edson alguns anos depois, e Marcos Roberto, cuja sequência de trabalhos ultrapassou as fronteiras brasileiras, tornando-se conhecido em toda a América Latina, principalmente por seu hit “A Última Carta”.

Pela Young, Vaccaro ousou algo diferente: Lançou o primeiro disco dos Cupids e, no mesmo pacote de lançamentos, lançou outro disco com dois dos Cupids, Dori e Marcos, um de cada lado.
Dori gravou a tradicional música irlandesa “Danny Boy” em ritmo de Rock’n Roll, enquanto Marcos Roberto interpretava uma versão para a balada da peça clássica Liebstraum #3, de Franz Liszt, sob o título “I Love You, I Do”.

Danny Boy – Dori Angiolella

I Love You, I Do – Marcos Roberto

Dori Edson, Carlos Bandeira e Marcos Roberto

Dori Edson, Carlos Bandeira e Marcos Roberto

YOUNG: UMA HISTÓRIA – CAPÍTULO IV – PARTE B

A explosão do Rock and Roll em termos mundiais, deu ensejo para que as várias correntes musicais viessem à tona e tivessem uma exposição jamais antes conseguida. Já comentamos aqui como adolescentes, tipo Paul Anka e Neil Sedaka, para exemplificar, passaram a dominar uma fatia do mercado.
Outros gêneros musicais, aproveitando a onda, entraram de carona e passaram a ser ouvidos e apreciados por aquela nova geração de consumidores, os compradores de discos.
Do grupo folclórico vieram Jimmie Rodgers, The Wavers e Kingston Trio.
Da música country faziam sucesso Sonny James e Eddie Arnold entre outros.
Até Hollywood contribuiu com seus jovens atores, como Tab Hunter, Sal Mineo e Tony Perkins, que se aventuravam a cantar.
Os genuínos Rock and Rollers, como Little Richard e Chuck Berry, passaram a ter estranhas companhias nas listas de discos mais vendidos.

O gênero que melhor se saiu nesta salada musical, foi o que era formado por grupos vocais que seguiam a linha de atos como The Ink Spots e The Mills Brothers, que vinham desde os anos 40 criando escola e influenciando novos grupos.
Dai surgiram The Platters, The Coasters, The Five Satins, The Moonglows e tantos outros.
A indústria, sempre alerta, passou a criar grupos de jovens para não perder espaço. Daí, Dion & The Belmonts, The Mystics etc.
A abertura musical do programa Disque Disco, berço da Young, era Whispering Bells, com o grupo Del-Vickings, genuíno representante deste movimento chamado Doo Wop.

Oriundos da região de São Miguel Paulista, cinco jovens formavam o mais distinto grupo vocal do Brasil, o cultuado The Beverly’s. Pereira, Amélia, Wander, Mariano e Castro nada deviam, em aparência, harmonia e talento, aos melhores grupos vocais internacionais.
Levaram para a família Young não somente toda a simpatia e coleguismo, suas marcas registradas, mas também uma enorme contribuição artística, participando como background vocals para a grande maioria das produções da Young.
E, obviamente, The Beverly’s tiveram também seus próprios êxitos, alcançando o status de membros do Top 5 da gravadora.

The Beverlys - Da esquerda para a direita Mariano, Pereira, Amelia, Castro e Wander

The Beverlys – Da esquerda para a direita Mariano, Pereira, Amelia, Castro e Wander

There Goes My Baby – The Beverlys

Dance With Me – The Beverlys

Representando a classe universitária, o grupo The Teenagers era formado por Carlos, Waltinho, Hermes, Toninho e Prandini.
Alguns anos mais tarde, após a saída de Prandini, tornaram-se atrações permanentes no programa “O Fino Da Bossa”, comandado por Elis Regina, agora sob o nome O Quarteto.

Mediterranean Moon – The Teenagers

The Book Of Love – The Teenagers

YOUNG: UMA HISTÓRIA – CAPÍTULO IV – PARTE C

O interior paulista e o gênero Doo Wop foram representados na Young pela cidade de Rio Claro, de onde vieram quatro jovens liderados pelo entusiasmado e idealista José Carlos, e que atendiam pelo nome de “The Youngs”.

Tiveram uma passagem breve, porém marcante.

The Ten Commandements Of Love – The Youngs

Come To Paradise – The Youngs

Por ora o elenco da Young estava completo.
Todas as correntes e tendências estavam cobertas por Miguel Vaccaro Netto.
Tudo já estava registrado em discos e as sessões de gravações tornaram-se históricas.

Neste período a Young utilizou-se de dois dos melhores estúdios de São Paulo.
Uma parte das gravações foram realizadas nos estúdios da RGE, de José Scatena. O engenheiro de som era o lendário Stelio Carlini, tio do músico Carlini, integrante do grupo Tutti Frutti, de Rita Lee, e também do famoso Made In Brasil.

Em outro estúdio no Largo da Misericórdia, propriedade da Continental, com a eficiência do engenheiro de som Ivani Soares, algo inédito iria acontecer…

Mas este será um assunto para nosso próximo capítulo!

Por Alfie Soares

Músicas Gravadas por Hamilton Di Giorgio nos Anos 60

Músicas Gravadas por Hamilton Di Giorgio

Música
Tipo
Autor
Cantor
Data
I`m gonna get married
Original
Americana – versão de My heart is an open book
Hamilton Di Giorgio
1959
We got love
Original
Americana – versão de Teenage Sonata
Hamilton Di Giorgio
1959
Vídeo tape
Original
Hamilton Di Giorgio
Hamilton Di Giorgio
Anos 60
Vão bidú que vão
Versão de Came go with me
Hamilton Di Giorgio
Hamilton Di Giorgio
1962
Stop you make me blue
Original
Hamilton Di Giorgio e Alfie Soares
Hamilton Di Giorgio
1961
O Bolha
Original
Hamilton Di Giorgio
Hamilton Di Giorgio
Anos 60
There’s a wonder in the would
Original
Hamilton Di Giorgio e Alfie Soares
Hamilton Di Giorgio
1961
O meu mundo
Versão de Il mondo
Versão
Hamilton Di Giorgio
Anos 60
String along
Original
Hamilton Di Giorgio e Alfie Soares
Hamilton Di Giorgio
1961
O mar
Original
Hamilton Di Giorgio
Hamilton Di Giorgio
Anos 60
Moonlight romance
Original
Hamilton Di Giorgio e Alfie Soares
Hamilton Di Giorgio
1961
Mil razões pra  te amar
Original
Alfie Soares (Demo produzido por Tony Campello)
Hamilton Di Giorgio
Não lançada comercialmente

.

VÍDEO APRESENTANDO AS GRAVAÇÕES DE HAMILTON DI GIORGIO

1. I’m gonna get married
2. We got love
3. Video tape
4. Vão Bidu que Vão
5. Stop you make me blue
6. O bolha
7. There’s a wonder in the world
8. O meu mundo
9. String along
10. O mar
11. Moonlight romance
12. Mill Razões pra te amar

Desta lista de 12 títulos gravados por Hamilton Di Giorgio, oito teve a participação de seu amigo e parceiro Alfie Soares, a saber:

I’m Gonna Get Married ( Price/Logan) – Gravadora Young – 1959
We Got Love ( Mann/ Lowe) – Gravadora Young – 1959

Quando a Young foi encerrada, Hamilton foi contratado pela Chantecler.
O diretor artístico era Diogo Mulero, o Palmeira da dupla sertaneja Palmeira e Biá.
Como a música jovem não era seu forte, pediu para que Hamilton e Alfie escrevessem quatro músicas em inglês, e que cuidassem das gravações.
Os arranjos foram feitos pelo Maestro Luis Andrade:

String Along (Hamilton Di Giorgio – Alfie Soares) – Gravadora Chantecler -1961
Moonligh Romance (Hamilton Di Giorgio – Alfie Soares) – Gravadora Chantecler -1961
(There’s) A Wonder In The Worls (Hamilton Di Giorgio – Alfie Soares) – Gravadora Chantecler -1961
Stop! You Make Me Blue (Hamilton Di Giorgio – Alfie Soares) – Gravadora Chantecler -1961

Vão Bidú QueVão (Come Go With Me) (C.E.Quick/versão Hamilton Di Giorgio – Gravadora Chantecler – 1962.

Mil Razões Pra Te Amar (Alfie Soares) – Demo produzido por Tony Campello – Não lançada comercialmente.

A partir de 1962, suas vidas tomaram rumos distintos. A amizade persistiu, mas a parceria se desfez.

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O disco com uma coletânea de canções de Hamilton Di Giorgio está disponível no Spotify e também nas outras redes musicais (Deezer, iTunes / Apple Music, Google Play, Napster, etc).

Spotify

Deezer
http://www.deezer.com/album/14359238

iTunes
https://itunes.apple.com/album/id1168245270

Google Play
https://play.google.com/store/music/album/Hamilton_Di_Giorgio_Teenage_Sonata?id=B5rneubwen4fxu22maod7bg62mu&hl=ptbr

Napster
http://us.napster.com/artist/hamilton-di-giorgio/album/teenage-sonata