Gram Parsons e o destino que escolheu.

Gram Parsons nasceu Ingram Cecil Connor II em 05-11-1946, na Flórida, e pertenceu a bandas como The Byrds e Flying Burrito Brothers.
Foi um dos precursores do country rock, era fã de música country desde pequeno, e considerava-se um músico country.
Gram Parsons

Em 1967 ele lançou seu primeiro disco com a International Submarine Band, chamado “Safe at Home”, e este disco trouxe algumas pérolas countries como Blue Eyes e Do You Know How it Feels to Be Lonesome?, que ficaram perfeitas no timbre caipira urbano, inconfundível, de Parsons.

Blue Eyes

Do You Know How It Feels To Be Lonesome?

Roger McGuinn, dos Byrds, o convida para a banda em 1968, resultando o álbum “Sweetheart of the Rodeo”, que marcou o country-rock.
Gram foi impedido de cantar devido a problemas contratuais mas na década de 90, em sua edição em CD, “Sweetheart” traz como bônus os vocais de Gram em One Hundred Years From Now, Hickory Wind, The Christian Life, Life in Prison, entre outras.
O relacionamento entre Parsons e McGuinn nunca havia sido muito bom e culmina quando Gram se nega a viajar em turnê para a África, resultando em sua saída da banda.
Em 1969 Parsons encontra o baixista Chris Ethridge e juntos decidem criar seu próprio grupo, que chamaram de The Flying Burrito Brothers.
Em 1970 ele deixa o grupo e decide partir para a carreira solo, na tentativa de desenvolver seu estilo, que ele definiu como “Cosmic American Music”.
Em 1972 Gram conhece Emmylou Harris, possuidor de uma bela voz, e o convidou para participar de seu primeiro álbum solo, que se chamaria “GP”.
Foi um sucesso e Gram decide ficar com Emmylou e com N.D.Smart II na bateria e Kyle Tullis no baixo, criando a banda Gram Parsons and the Fallen Angels, com a qual grava em 1973 o disco chamado “Grievous Angel”.
Em 1973, durante o funeral de Clarence White, antigo membro dos Byrds e muito seu amigo, Gram comenta com os parceiros e com seu roadie, Phil Kaufman, que quando morresse não queria ser enterrado, mas sim levado a Joshua Tree, no sul da Califórnia, para ser cremado. Gram gostava muito desse deserto onde passava férias e buscava inspiração para suas músicas.
No dia 19 de setembro de 1973, Gram estava em férias, hospedado no Hotel Joshua Tree Inn, quando sofreu uma parada cardíaca devido a uma overdose de drogas e álcool e apesar de ser socorrido na hora, morreu aos 26 anos.
Phil Kaufman cumpriu à risca o pedido de Gram Parsons, pois quando seu corpo já estava no aeroporto pronto para ser trasladado para a Florida, ele “roubou” o corpo e o levou de volta ao deserto, onde foi cremado!
Em 1999 Emmylou Harris organizou um álbum com as músicas de Parsons interpretadas por artistas como Beck, Elvis Costello, The Pretenders, Cowboy Junkies e Sheryl Crow, além da própria Emmylou, que chamou o disco de “Return of the Grievous Angel”.
Esta foi a última homenagem ao menino rico da Florida, que um dia sonhou apenas ser um cantor de música country, mas que acabou por influenciar várias gerações.

Fonte: Livro “Alto e Bom Som” – Ruídos, Chiados e Pinceladas Musicais.
Autor: Eduardo Lenz de Macedo

Livro Alto e Bom Som
Alto e Bom Som - livro

Curiosidades sobre Raunchy, uma das canções preferidas pelos Beatles.

Raunchy é uma canção instrumental composta por Bill Justis em 1957.

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Foi tocada por vários grupos musicais, sendo o mais conhecido deles o The Ventures e mais tarde, em 1965, também pelo grande guitarrista Duane Eddy.

Em 1958 George Harrison tocou a canção para John Lennon e Paul McCartney no andar de cima de um ônibus, e foi tão perfeito que Lennon decidiu deixá-lo entrar para sua banda, The Quarrymen, que mais tarde se tornaria The Beatles, apesar de algumas reservas quanto à idade do jovem Harrison.

Segue um vídeo em que Paul, George e Ringo estão na casa de Harrison tocando a canção favorita deles, Raunchy, de Bill Justis, (1957), durante as sessões do Anthology.

Neste outro, George Harrison e Paul McCartney tocando:

A versão original com Bill Justis

A versão com The Ventures

A versão com Duane Eddy

Em 1963 a banda brasileira The Clevers, que mais tarde mudaria o nome para Os Incríveis, também executou a canção:

Agradecendo ao meu amigo Joe Becerra Junior pelas informações.

Entrevista com o Cantor Márcio Greyck

O cantor Márcio Greyck é dono de uma das carreiras de maior sucesso no cenário artístico brasileiro tanto como cantor, como também como compositor.
Mineiro de Belo Horizonte, onde passou sua infância e adolescência apurando o seu romantismo através das serenatas que fazia embaixo das janelas de suas primeiras fãs.
Foi na Polydor, em 1967, que Márcio Greyck gravou seu primeiro compacto simples com uma versão de Eleanor Rigby (“Minha Menina”), de Lennon e McCartney e também sua primeira composição “Venha Sorrindo”, seguindo uma série de três Lp’s.

Ao mesmo tempo do lançamento do compacto, assinou contrato exclusivo com a TV Tupi, após ter se apresentado no famoso programa de Bibi Ferreira dirigido por Péricles Leal e Roberto Jorge e passa a atuar em todos os programas musicais daquela emissora, inclusive apresentando o seu próprio programa (O mundo é dos jovens) ao lado de Sandra, na extinta TV Tupi de São Paulo, cantando e gravando canções dos Beatles, tais como: “Sempre vou te amar” (When I’m Sixty Four), “Ela me deixou chorando” (Lucy in the sky with diamonds) Penny Lane, entre outras.

(Texto exibido no site oficial do cantor)

Ela me Deixou Chorando (Lucy in the Sky with Diamonds)

Marcio Greyck 2

Seguem as perguntas feitas por mim, que ele gentilmente respondeu via E.mail:

L. Quando você descobriu que tinha o dom de compor, e como foi que você iniciou sua carreira artística?

MG: Olha só Lucinha! … -Creio que foi por volta dos meus doze anos quando intuitivamente comecei a compor algumas estrofes, sem consciência alguma ainda, é claro! …E logo em seguida me apresentei num programa de TV Itacolomi de BH chamado de “Clube dos Cariúnas” cantando em espanhol “A canção do Rouxinol” levado pelo meu irmão que hoje é também meu parceiro musical, o Cobel.

L. Você tinha algum ídolo ou artista no qual você se inspirou para a sua carreira?

MG: Não necessariamente! … Eu tive sim, uma influencia bem eclética, por conta do rádio que naquela época tocava de tudo, numa mistura “chacriniana” das emissoras que só transmitiam em AM.

L. Como foi que você teve conhecimento da canção “Eleanor Rigby”, e o que o levou a fazer uma versão desta canção dos Beatles?

MG: O “norte” que eu descobri nessa vanguarda deles e captei a mudança que estava acontecendo naquele instante em que eu iria gravar o meu primeiro disco, em que no lado B já continha inclusive uma modesta canção de minha autoria, “Venha sorrindo”.

L. “Aparências” é uma belíssima composição. Foi inspirada em alguma pessoa? E qual a sua composição preferida?

MG: “Aparências”.. infelizmente não é uma composição minha, mas de “Cury e Fatha”!
Quanto a minha composição preferida, é muito difícil de dizer, já que as considero como filhas e com igual carinho!… Mas a que me toca mais profundo talvez seja “Vivendo por viver” gravada primeiramente por “Roberto Carlos” e também por “Zezé di Camargo e Luciano” e Sergio Reis, entre outras regravações.

L. Sabemos que Chacrinha ajudava os cantores no Rio de Janeiro, Elmar Tocafundo em Minas Gerais e Antonio Aguillar em São Paulo; você também teve o apoio de um deles, ou de outra pessoa?

MG: Mas é claro que sim, e de todos eles! … Ninguém chega lá sozinho! … O saudoso Elmar Passos Tocafundo foi um excelente divulgador da antiga CBS em BH e que contribuiu muito para todos os sucessos dessa gravadora, assim como o Antonio Aguilar em São Paulo e que foi um importantíssimo disc-jóquey de seu tempo! …Quanto ao Velho Guerreiro, o Chacrinha, esse então, nem se fala!

L. Qual a importância da Jovem Guarda para a sua carreira?

MG: Na verdade quando eu comecei minha carreira profissionalmente no Rio de Janeiro, a “Jovem Guarda” estava chegando ao seu final, o que aconteceu em 1969 como um programa de Televisão. Mas a sua energia transcendeu ainda por muito tempo…, influenciando a toda aquela geração e também a mim, naturalmente. Eu posso dizer que me influenciei sim, pela Jovem Guarda na forma simples e direta das letras das composições que falavam de amor com sinceridade e honestidade, reportando os sentimentos vivenciados na época, e me influenciei também pela nova proposta de arranjos orquestrais lançados pelos Beatles que estavam agora gravando com orquestra de câmara, quarteto de cordas e etc. – Penso que a Jovem Guarda ainda não tenha sido reconhecida culturalmente como deveria, por conta de críticos radicais que a consideravam menor, só porque usavam guitarras elétricas e porque vieram dos subúrbios…, assim como os próprios Beatles!

L. Quando você vê pela Net homenagens a você, como esta que lhe prestou o João Pimentel em seu Blog, como você se sente? Fica indiferente, não gosta ou se emociona?

http://jbpimentel.blogspot.com.br/2010/11/marcio-greyck-somente-beatles.html

A propósito, ele lhe manda um abração e disse que a esposa dele é sua fã de carteirinha!

MG: Vejo como resultado de um trabalho levado a sério e que hoje colhe seus frutos! A emoção e a satisfação desse feedback é sempre a mesma: o agradecimento por tudo! E devo confessar que ainda sinto um certo friozinho no estômago, quando entro no palco!… hehe. Agradeço ao João Pimentel e fico feliz por esse prestigio dele ao meu trabalho e também da sua esposa. Valeu!

L. Você continua compondo e gravando, fazendo shows, ou tem outra profissão e canta eventualmente?

MG: Sim, continuo compondo e gravando no meu home estúdio, experimentando novas concepções de gravações das novas composições que pretendo lançar! … Continuo me apresentando em todo o Brasil levando o meu show “No tempo, no ar e no coração” juntamente com a minha banda, e que costumo anunciá-la como a “Banda dos corações repletos de sentimento puro” em que eu sou o crooner!

L. Teria um fato marcante em sua carreira, sobre o qual você gostaria de falar, ou algo que você tem vontade que as pessoas saibam sobre você, e que ainda não teve oportunidade de dizer?

MG: Sim, lamentavelmente eu também sofri com as intempéries das mudanças de valores desse universo musical, que foi se deteriorando com o tempo por conta dos interesses outro$, que não os dos verdadeiros talentos naturais e que aliados aos “vendavais constantes”…, emocionalmente me vi desmotivado por um longo período de minha vida!…Mas isso, já passou!!! ..E hoje eu estou de olho na contemporaneidade, mas ainda tentando segurar a barra, agitando essa minha bandeira do amor e do romantismo…, mesmo já em frangalhos!!!

L. Muito obrigada por responder as minhas perguntas, e por esta oportunidade de conhecer um pouco mais sobre você.
MG. Quem agradece sou eu! … Obrigado pelo prestigio e pela divulgação do meu trabalho!… Valeu!!

L= Lucinha
MG = Márcio Greyck
BH = Belo Horizonte

Meus agradecimentos a Daisymar Tocafundo, que intermediou esta entrevista, tornando possível o contato com o cantor Márcio Greyck através de seu empresário Wagner Salomão Sadi.

Marcio Greyck

Uma Raridade Italiana, com Dick Danello

A canção “Solo due Rigue”, composta por Peppino de Capri, que na época assinava com o pseudônimo de Faiella, foi a primeira gravação do cantor Dick Danello e saiu no LP Reino da Juventude, de Antonio Aguillar, em 1964.

Dick Danello escreveu:
“Comecei minha carreira com essa gravação, e na sequencia gravei um compacto duplo com 4 músicas de Rocco de Paulis, que saiu no selo Sombrasil, um selo de Santos, e depois o mesmo Compacto saiu pela Copacabana.
No mesmo ano gravei o meu primeiro sucesso que está no youtube, de
Sanremo’64 , “Quando vedrai la mia ragazza”, pela Fermata, e que ficou 24 semanas nas paradas de sucesso.. bjs Dick”

Aqui o sucesso “Quando Vedrai La Mia Ragazza”

 

Dick Danello 1

O próprio cantor agradecendo... NÃO TEM PREÇO" ;)

O próprio cantor agradecendo… NÃO TEM PREÇO” 😉

Talk Show Com Renato e Seus Blue Caps, a banda mais duradoura e em atividade do mundo!

Talk Show FINEP Tira o Chapéu, com Renato e seus Blue Caps, realizado em 13-06-12.

Renato Barros, Cid Chaves e Gelsinho Moraes

Renato Barros, Cid Chaves e Gelsinho Moraes

Neste bate papo musical podemos ver Renato, Cid e Gelsinho (baterista) juntos contando as histórias da banda e cantando seu maiores sucessos.

– Renato conta que o conjunto começou fazendo mímica – conta como tudo começou em 1959… levaram uma vaia que até hoje ecoa em seus ouvidos…

_ Jair de Taumaturgo os viu na apresentação e não acreditou… rsrs

_ De como Ed Wilson, que na apresentação cantou música de Elvis Presley e foi ovacionado…
Foi quando pediram que eles mudassem pelo menos o nome e Jair de Taumaturgo foi sugerindo alguns, até que se decidiram por Renato e Seus Blue Caps.

_ Cantam Negro Gato e esquecem a letra;

_ Renato fala de Getúlio Cortes;

_ Contam o caso da turnê que Roberto Carlos queria fazer mas não deu certo e da dificuldade que foi a participação dele no programa na Rádio Nacional, comandado por Paulo Gracindo.

_ Cantam Meu Primeiro Amor;

_ Renato fala do Programa Jovem Guarda, que chegou juntamente com os Beatles no Brasil. (Aos 17min.)

_ Renato veio do Rock mas adorava ouvir Nat King Cole e Billie Holiday, entre outros…

_ Não cantam Dona do meu Coração, mas passam para Playboy, de 1970, belíssima composição de Raul Seixas.

_ Renato explica o sentido da lei da Insequabilidade, o Insequabível, e o episódio de Raulzito e sua fome… e de como foi a contracapa do disco Playboy.

_ Cantam “Até o Fim”;

_ Aos 32 minutos o apresentador pede que eles falem dos Beatles!
Renato diz que eles assassinavam as músicas dos Beatles… (risos na plateia)
Renato e Sid

_ A conversa muda para a “Silvinha”, ou melhor, a Lílian, da dupla Leno e Lilian, e que era namorada do Renato e morava no Posto 6… Era o avião do Posto 6, Q.G. dos ensaios da banda. (só vendo o vídeo… 😉 )

_ Renato conta que tinha um amigo em Londres, o Aurélio, que lhe mandava os discos, pois demoravam pra chegar no Brasil quando eram lançados no Reino Unido e nos Estados Unidos…

_ Fala de Carlos Imperial e a historia de “Menina Linda”;

_ Cantam A Primeira Lágrima;

_ Cid Chaves explica o desenrolar da deles carreira e fala de Ed Wilson e sua saída para a carreira solo.

_ Cantam “Devolva-me”.

_ Renato canta a música de Charles Chaplin, que segundo ele, gostaria de ter composto, e canta solo, Smile!

_ Cid conta uma história engraçada que ocorreu em Minas, no Minas Tênis Clube.

_ Cantam “Ana”;

_ Visão sobre o Rock contemporâneo: Renato fala das bandas brasileiras que ele curtiu e das internacionais, e diz que ficou fã do Foo Fighters;

_ Cantam “Não te esquecerei”;

_ Cantam música de Luis Ayrão, Nossa Canção.

_ Falam sobre Roberto Carlos;

_ Cantam Feche os Olhos e Meu bem não me quer;

_ Renato e Cid agradecem o prêmio, dizendo que foi a primeira vez que se apresentam desta forma, e encerram com “Menina Linda”, o maior sucesso de Renato e Seus Blue Caps!

Este Vídeo foi gentilmente a mim indicado por Luiz Lennon, do Fã Clube Beatles Cavern Club

Renato 2

Neste link, uma entrevista de Renato Barros para o Globo Cultura.

Carta de John Lennon para Paul McCartney, escrita em 1971.

Segue o texto traduzido de uma matéria que saiu no “Melody Maker” em 20 de novembro de 1971, sobre a carta “desaforada” de John para Paul em 1971.

Foi uma entrevista com Paul sobre o início de sua nova banda Wings na época.
Paul fala, além de sua nova banda, de Allen Klein, dos ex-colegas e das brigas com eles na justiça..

Ao ler a matéria, John Lennon decidiu escrever uma carta aberta à imprensa, dirigida a Paul.

A tradução é somente das partes mais interessantes, pois é uma matéria muito longa.
Preparem-se, pois John Lennon solta os cachorros de tal maneira que faz com que “How Do you Sleep?” fique com cara de “Yellow Submarine”.

A raiva de Paul para com Allen Klein é obvia mas suas atitudes perante aos seus ex-companheiros é mais de preocupação do que de descontentamento. Ele se preocupa com o relacionamento dos 3 com Klein, mas diz que já se cansou de alertá-los. Eles estão cansados de serem alertados, então Paul quer apenas sair. Não há raiva quando Paul fala de John: “John e Yoko não são “maneiros” no que estão fazendo. Eu os vi falando na televisão um dia desses, e as coisas que eles querem fazer juntos são basicamente as mesmas coisas que eu quero fazer com a Linda.
” A imagem de John agora é toda aberta e honesta. Eu gosto do seu álbum Imagine, mas não gostei do outro. Imagine é o que John realmente gosta, tinham muitas coisinhas políticas nos outros álbuns.”
E “How do you sleep”? ” Eu achei bobo, o que é que tem demais eu viver cercado de pessoas corretinhas? Eu tenho bebês corretinhos ( straight ). Isso não me afeta em nada. Ele diz que a única coisa que fiz foi “Yesterday” e ele sabe muito bem que isso não é verdade.

(…) você sabe, eu fui chamado pra tocar no Concerto para Bangladesh e eu não fui. Bem, preste atenção, Klein chamou a imprensa e disse pra todo mundo que eu me recusara, mas não foi assim. Eu expliquei pro George que eu não iria porque a imprensa mundial ia fazer a maior farra, pois os Beatles estavam juntos novamente e eu sei que isso faria o klein muito feliz. Teria sido um evento histórico e Klein ia levar todo o crédito.
“Eu só queria que nós quatro nos encontrássemos e assinássemos um papel que diria que está tudo acabado. Vamos dividir o dinheiro por quatro e pronto.
Ninguém mais estaria lá, nem mesmo Yoko ou Linda ou mesmo Allen Klein. Era só isso que eu queria, mas John não vai fazer isso.
Todos acham que eu sou o agressor, mas não sou. Eu só quero sair fora!!”
Paul fala ainda de sua fazenda na Escócia, dos planos dos Wings, da raiva de não possuir os direitos das músicas dos Beatles e diz que jamais possuirá “Yesterday” , nem daqui a 50 anos. Fala sobre a “Northern songs” e como os Beatles perderam dinheiro com ela.

A resposta de John Lennon

Em 04 de Dezembro de 1971, John escreve ao Melody Maker pedindo para que haja espaço para ele poder contar o outro lado da história. Algumas partes, no original, foram retiradas, pelo excesso de palavrões que John escrevera…

Queridos Paul, Linda e os pequeninos McCartneys,

(…) Talvez haja uma resposta por aí em algum lugar. Pela milésima vez nesses últimos anos eu repito: E os impostos? Tá tudo beleza em ficar atuando como um Paul honesto no Melody Maker, mas você sabe muito bem que nós não podemos apenas assinar um maldito papel.
Você diz : ” o John não vai assinar”, mas eu assinarei se você me indenizar com a receita federal. De qualquer forma você sabe que depois de nos encontrarmos a porra dos advogados vão ter que concordar com qualquer acordo que fizermos! Não é?
Se eles tivessem alguma forma de acordo entre eles antes, as coisas seriam mais fáceis. Mas depende de você, como eu já disse várias vezes. Nós nos encontraremos em qualquer lugar que você queira, apenas DECIDA-SE!!!!
Ed, há duas semanas eu te liguei e te pedi: ” Por favor, vamos nos encontrar sem advogados e aí poderemos decidir o que queremos e eu ainda dei ênfase no “MacLen”, que é problema principalmente nosso, mas você se recusou, né?
V ocê disse que de maneira alguma venderia para nós, e se nós não fizéssemos o que você queria você iria na justiça novamente. E que o George e o Ringo iriam me quebrar, etc, etc.
Eu fui extremamente correto com você, mas você queria me derrubar com a sua lógica emocional. Se você não é o agressor, quem foi que nos levou na justiça?? E acabou com a gente em público?? Como eu havia dito antes, você já pensou na possibilidade de estar errado? O que você pensa sobre o Klein é inacreditável.
Você disse que cansou de nos avisar sobre o Klein e que nós secretamente achamos que você está certo. Meu Deus, você sabe o quanto estamos certos sobre o Eastman!
(…)você estava certo sobre New york, realmente é o lugar pra se estar.Nos nos mudaremos para lá por volta de 74. Você talvez mude para lá um dia, mas, é mais ou menos uns dois anos que demora pra você se decidir, né?
Outra coisa, o que você quis dizer sobre “o grande evento lá em Toronto”?
Foi completamente espontâneo, me ligaram numa sexta e no sábado eu estava lá.
Eu vomitei porque eu estava bêbado! Ouça o álbum, também não teve ensaios. Anda Macca!!!
Aceite!!!! “Nós ( no Wings ) nunca tocamos juntos”, você diz. “Apenas meia dúzia de shows sem muito fuzuê! Eu e Yoko estamos fazendo o que você está fazendo já faz 3 anos!!! eu disse que era estupidez com os Beatles, e ainda é!
Então anda, faça, faça, faça, faça, Ed!!
“Então você acha que Imagine não era político! É “working class hero” com açúcar em cima, para conservadores como você!!! Vc provavelmente não entendeu nada! imagine, você levou “How do you sleep?” tão ao pé da letra…..
Escuta aqui, meu velho e conservador parceiro, foi a “press conference” do George e não do “débil” Allen klein, como você disse. Ele apenas disse o que você disse: ” eu adoraria ir mas….”
De qualquer forma, nós fizemos pelo mesmo motivo, a coisa dos Beatles. Eles ainda chamam de show dos Beatles, com apenas dois deles lá.
Ahhh!!! você quer por a sua foto no selo que nem os bregas John e Yoko, né? Você não tem vergonha na cara???? Se nós não somos “maneiros” por que você quer fazer o mesmo???
Sem ressentimentos para com você também.
Eu sei que basicamente nós queremos o mesmo. E como eu disse ao telefone e nessa carta, tudo o que você tem que fazer é me chamar.
Tudo o que você precisa é amor.
Poder para o povo.
Libertem todos os prisioneiros.
Prendam os juízes.
Amor e paz,

John Lennon
P.S. A parte que nos deixou mais putos foi quando você pediu para nos encontrarmos sem Linda, sem Yoko.
Eu achava que você já havia entendido!
EU SOU JOHN&YOKO!!!

PPS. Até os seus advogados sabem que nós não podemos apenas assinar um pedaço de papel!!! ( ou será que eles não te contaram???)

FIM
Em tempo:

John acabou descobrindo que Allen klein era mesmo um safado. Este, na hora que viu que a coisa ia estourar pro lado dele, entrou na justiça contra John, George e Ringo, mas não pode entrar contra Paul, pois Paul não tinha assinado nada com ele.
Klein pegou o dinheiro do Concerto para Bangladesh, brigou com Yoko e nem queria saber de Ringo.
O cara era um safado, mesmo! Paul estava certo!
Paul diz em sua biografia que os outros jamais lhe pediram desculpas. Só uma vez que George falou: “É cara, você nos livrou de uma com o Klein!”
John pediu desculpas a Paul com a música “I know” de 1973, que está no álbum Mind Games, porém é coisa que nunca ficou bem esclarecida!

Lennon e McCartney