Depoimentos de Músicos Brasileiros sobre a Influência dos Beatles.

Uma Série publicada pelo site UOL e a banda cover Zoom Beatles celebraram os 50 anos da Beatlemania e do lançamento do álbum “Please, Please Me”, dos Beatles, ocasião em que alguns músicos brasileiros foram entrevistados e deram seus depoimentos.
Para comemorar os 50 anos de “Please, Please Me” em 22 de março de 2013, 1º disco da banda que revolucionou e mudou os rumos da história da música, o UOL preparou um grande especial em vídeo, dividido em quatro capítulos.
Com depoimentos de nomes consagrados da música brasileira como Caetano Veloso, Cauby Peixoto, Ronnie Von, Ritchie, Odair José, Renato Barros (Renato e Seus Blue Caps) e Lilian Knapp (Leno e Lilian), a homenagem também conta com a participação da banda Zoom Beatles, que regravou nos mínimos detalhes o álbum para o especial. Cada faixa tem seu respectivo clipe, gravado no heliponto do prédio do UOL, em São Paulo.

Zoom Beatles

“Quem acha que não foram influência, não sabe apreciar”

“A gente fazia mais um arranjo para o Brasil, para a América do Sul, por que se tiverem que escolher entre a música gravada por vocês e a música gravada pelos Beatles, vocês vão ficar na rabeira…” disse Renato Barros

“Eles fizeram muito mais do que seria necessário. Depois, eu vi como as músicas deles eram bonitas!”, relembra Caetano Veloso. Tanto na performance nos palcos quanto no estúdio, o quarteto inglês mostrou sua genialidade ao longo de sua trajetória e continua sendo reconhecido por todas as gerações de músicos. “A ideia do pop song vem das mãos deles. Eles escreveram o manual para nós”, ressalta Ritchie.

Além dos depoimentos de Renato Barros (Renato e Seus Blue Caps), Caetano Veloso, Cauby Peixoto, Ronnie Von, Ritchie, Odair José, Lilian Knapp (Leno e Lilian), e do Radialista Roberto Maia, podemos assistir no episódio trechos dos clipes de “Do You Want To Know a Secret?”, “A Taste of Honey”, “There’s a Place” e “Twist and Shout”.

PARTE 1 – “Quando eles apareceram, era como ouvir Justin Bieber”, diz Caetano Veloso.

PARTE 2 – “A gente fazia mais um arranjo para o Brasil, para a América do Sul, por que se tiverem que escolher entre a música gravada por vocês e a música gravada pelos Beatles, vocês vão ficar na rabeira…” disse Renato Barros
“Depois dos Beatles, o ‘tio Ronnie’ virou Ronnie Von”, afirma o cantor.

PARTE 3 – “Em Goiás, acharam que John e Paul eram uma dupla sertaneja”, recorda Odair José.
Lílian Knapp menciona a amiga que cantou com os Beatles, que foi nossa querida Lizzie Bravo.

PARTE 4 – O 4º e último capítulo do “Especial Beatles – 50 anos de Beatlemania” traz detalhes do legado que a banda de Liverpool deixou e mostra como a indústria musical, desde então, tem seguido e copiado tudo que foi descoberto e aprimorado pela banda que mudou os rumos da música mundial.

O VÍDEO COMPLETO NO FACEBOOK
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DEPOIMENTO DE RENATO BARROS
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Há 50 anos ” Em Ritmo de Aventura”!

O álbum “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”, foi gravado em agosto de 1967, entre os dias 16 e 18, com exceção da faixa “Eu Sou Terrível”, gravada em outubro, e teve seu lançamento originalmente em novembro de 1967, como trilha sonora do filme de mesmo nome, “Em Ritmo de Aventura”; é o mais perfeito e o mais bem-sucedido álbum de RC, da sua fase Iê-iê-Iê, cuja moldura sonora era mais uma vez guiada e ampliada pelos sons de órgão Hammond do tecladista Lafayette e pelo maravilhoso acompanhamento dos BLUE CAPS e do RC-7. A interferência do grande Lafayette é tão importante que não se sabe como ele não requereu coautoria em algumas das faixas desse disco fantástico.

“Em Ritmo de Aventura” é um primor, do início ao fim, Roberto estava inspiradíssimo e abriu o leque para várias influências, que iam além do iê-iê-iê, sinalizando o início de uma mudança de estilo em seu repertório.

Em termos musicais, Roberto flertava com a Black music, o country e o rock mainstream dos anos 60. Clássicos como “Eu sou terrível”, “Por isso corro demais”, “Quando”, “Você não Serve pra mim” e “Só vou gostar de quem gosta de mim”, e a ultra romântica “Como é grande o meu amor por você”, ajudaram a eternizar o álbum no inconsciente coletivo da juventude da época, por isso, “Em Ritmo de Aventura” seja talvez o álbum mais cultuado de Roberto até os dias atuais. (por Rubens Stone)

A faixa “VOCÊ NÃO SERVE PRA MIM”, uma belíssima composição de RENATO BARROS se destaca também pela performance do guitarrista com sua guitarra distorcida, o chamado efeito FUZZ.

RENATO BARROS CONTA COMO FOI QUE ROBERTO CARLOS GRAVOU SUA COMPOSIÇÃO “VOCÊ NÃO SERVE PRA MIM”.

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Considerado pela Revista Rolling Stone brasileira como o 24º melhor disco brasileiro de todos os tempos, o disco teve a participação de músicos de estúdio, incluindo metais, quarteto de cordas, flauta, gaita, alguns músicos do RC-5 e da banda de Lafayette, onde o tecladista teve contribuição decisiva em quase todas as faixas, substituindo eventualmente o órgão Hammond por um piano ou cravo. Porém a base de tudo foi feita por RENATO E SEUS BLUE CAPS, destaque para Renato na guitarra e Paulo César Barros no contrabaixo.

O FILME COMPLETO

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LADO A
“Eu Sou Terrível” (Roberto Carlos – Erasmo Carlos)
“Como É Grande o Meu Amor por Você” (Roberto Carlos)
“Por Isso Corro Demais” (Roberto Carlos)
“Você Deixou Alguém A Esperar” (Édson Ribeiro)
“De Que Vale Tudo Isso” (Roberto Carlos)
“Folhas De Outono” (Francisco Lara – Jovenil Santos)

LADO B
“Quando” (Roberto Carlos)
“É Tempo De Amar” (Pedro Camargo – José Ari)
“Você Não Serve Pra Mim” (Renato Barros)
“E Por Isso Estou Aqui” (Roberto Carlos)
“O Sósia” (Getúlio Côrtes)
“Só Vou Gostar De Quem Gosta De Mim” (Rossini Pinto)

Historiadores dizem que a visita dos Beatles a Bangor em 1967 foi um ponto de partida para mudanças.

Há cinquenta anos atrás os Beatles chegaram a Bangor, no Norte do País de Gales, para participarem de uma Conferência de 10 dias sobre Meditação Transcendental liderada pelo Maharishi Mahesh Yogi, mas sua visita causou uma agitação não apenas entre os fãs, como também na mídia.

Foi lá que descobriram que seu empresário havia morrido, um fato que alguns dizem que marcou o começo do fim para o grupo.

Era 25 de agosto de 1967 e acabavam de lançar seu oitavo álbum de estúdio, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.
Eles estavam em um ponto alto da carreira e decidiram visitar Bangor, porém não para tocarem em um Show.

O professor Chris Collins, chefe de música da Universidade de Bangor, disse que a visita da banda ao norte de Gales foi incomum desde o início.
George Harrison, o guitarrista dos Beatles, conheceu Maharishi Yogi, um guru da Meditação Transcendental – uma forma de meditação silenciosa – que os convidou para a sua conferência na cidade de Gwynedd.

“George Harrison ficou muito interessado no que o Maharishi estava ensinando e levou John e Paul a uma sessão em Londres, seguida imediatamente no retiro em Bangor, no local onde funcionava o Normal College, e agora parte da Universidade de Bangor,” disse o Prof Collins.
“Eles simplesmente pularam em um trem e estavam aqui algumas horas depois de decidirem fazer isso.”

“A imprensa certamente estava muito atenta ao que estava acontecendo. Havia um grande interesse pelo fato de que os Beatles pareciam ter descoberto o misticismo oriental e havia suspeitas sobre o fato em torno da imprensa na época.
“Aquilo realmente levou todos a Bangor para segui-los, além de criar um grande interesse na localidade”.

John Lennon pouco antes da partida do trem da Estação de Euston para Bangor.
GETTY IMAGES

Não foi apenas a imprensa que veio – os fãs também se reuniram.
Os Beatles ficaram no Normal College, agora o Centro de Gerenciamento da universidade.
Len Jones era um dos jardineiros da época e disse que eles causaram bastante reviravolta.
“Eu vim aqui às oito da manhã para começar a trabalhar e havia centenas de pessoas aqui. Eles estavam cantando e estavam meditando”, disse ele anteriormente.
“Os Beatles vieram então, e ninguém conseguia se mover com aquelas centenas de pessoas, especialmente as meninas. E todos estavam gritando ‘Beeeeatles, onde estão vocêsssss’?
“Toda a Universidade, todos pararam de trabalhar por um dia ou dois. Era o paraíso e realmente colocava Bangor no mapa”.
Mas The Beatles não estaria em Bangor por muito tempo. Eles chegaram na sexta-feira – e no domingo, o telefone público tocou no corredor dos salões da universidade onde ficavam.
Eventualmente, alguém respondeu o telefone e Paul McCartney recebeu a notícia de que seu Empresário Brian Epstein havia sido encontrado morto.

Ao tomarem conhecimento sobre a morte de Brian Epstein, The Beatles decidiram voltar para Londres.
Imagem: GETTY IMAGES

O jornalista Freelance Derek Bellis foi convocado para Bangor para entrevistar os Beatles sobre a notícia.
“Foi uma ocasião estranha, suponho que surreal seja a palavra que resume”, lembrou o senhor deputado Bellis.

“John foi quem mais falou nas entrevistas e ele disse que o Maharishi havia dito que eles deveriam lembrar as coisas felizes e as coisas construtivas.
“Parecia como se o Maharishi fizesse algumas observações bastante neutras, e agora você pudesse descrevê-las”.
Historiadores disseram que foi um ponto de virada para os Beatles. Sem Epstein para manter o grupo em conjunto, eles passaram mais e mais tempo em seus próprios projetos antes de se separarem definitivamente em 1970.

“Vir a Bangor foi coisa de George Harrison, mas John Lennon, Paul McCartney e Ringo Starr foram junto. Depois da morte de Brian Epstein, isso não aconteceu tanto, e os Beatles começaram a seguir suas próprias rotinas individuais,” disse o Prof Collins.
No entanto, as pessoas em Bangor ainda sentem orgulho de sua conexão com a banda. “Há todas as histórias que todos que moram em Bangor conhecem”, acrescentou o Prof Collins.
“Como a visita dos Beatles ao restaurante chinês, onde George tinha um bilhete de banco na sola do seu sapato e essa era a única maneira deles garantirem o pagamento, porque eles não carregavam dinheiro com eles.

“Há fotos de Paul McCartney em lugares estranhos ao lado da Estrada da Universidade, que são parte da conscientização local das pessoas sobre a estada dos Beatles.
“Se você mora em Bangor e aparece um novo livro sobre os Beatles, a primeira coisa que você faz é ir no índice e procurar Bangor!
“Está sempre constando lá e você pode ler o pouco da historia de quando os Beatles fizeram parte do seu mundo brevemente”.
Essa conexão ainda está marcada até hoje – há uma placa na universidade e uma laje de ardósia na rua principal lembrando esses três dias em 1967, quando os Beatles chamaram a atenção do mundo para Bangor.

Por Chris Dearden
BBC News

Tradução: Lucinha Zanetti

MAIS SOBRE OS BEATLES EM BANGOR

PEACE & LOVE, PEACE & LOVE

RINGO STARR está aniversariando e deixou uma mensagem em sua página para que todos nós deixássemos a mensagem “PEACE & LOVE” (PAZ E AMOR) no mesmo horário, ao meio dia, no mundo inteiro, e é o que estamos fazendo, na esperança de contribuirmos para um pouco mais de amor e paz entre os povos.

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MEIO-DIA DE HOJE NO JAPÃO

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RICHARD STARKEY nasceu em 07 de julho de 1940 e disse:

“I mean, I was born the day war broke out, but I don’t remember all the bombs though they did actually break up Liverpool, you know. I remember when I was a little older, there was big gaps in all the streets where houses used to be. We used to play over them.”

Em fins de junho de 2011 soube que Ringo Starr e sua All Starr Band viriam ao Brasil pela primeira vez para uma série de shows em diversas capitais do país e em 12 de novembro de 2011 tive a felicidade de poder estar presente no Show do Beatle em São Paulo…

HOMENAGEM DA FAN PAGE “WE LOVE THE BEATLES FOREVER” A GEORGE HARRISON.

Em 29 de novembro de 2001 o mundo perdia George Harrison, o lendário guitarrista que fazia a guitarra chorar, como diz uma de suas famosas canções.

O GUITARRISTA E SUAS PRIMEIRAS GUITARRAS

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É justo dizer que George Harrison não foi o guitarrista líder dos Beatles simplesmente por acaso.
Foi pelo seu talento e tenacidade que conquistou isso.
Harrison tinha uma aparência meio engraçada, era muito magro e Paul McCartney costumava encontrá-lo no ônibus indo para a escola em Liverpool.
Ele tinha um fraco por roupas coloridas e, acima de tudo, um amor por violão, amor esse que ele compartilhava com o amigo McCartney, que era um mais velho que ele.

Em 1958, com nada mais impressionante em seu currículo que um show no Clube da Legião Britânica com seu irmão Peter e um casal de colegas, o jovem de 15 anos começou a sentar-se com o grupo em que McCartney havia acabado de se juntar, chamado “The Quarry Men”, e preenchia o quadro quando um ou outro dos guitarristas não aparecia.
Em pouco tempo, já bem afinado depois de praticar arduamente e dedicar-se com afinco a aprender os sucessos americanos de Rithm & Blue e Country & Western, ele ganhou uma posição permanente como membro da banda.

Durante um período de escassez em 1959 Harrison tocou com o Quarteto “Les Stewart” mas em agosto ele estava de volta com os Beatles para abrir o Casbah Club, e esteve com eles em cada show que tocaram depois.

Em uma carreira solo povoada por ambos os sucessos em todo o mundo e perdas espetaculares, Harrison ganhou o respeito de fãs, músicos e críticos com sua paleta de humor único, devoção, ironia e habilidade. “Eu acredito que eu amo a minha guitarra mais do que os outros amam a deles”, disse uma vez Harrison à Revista Beatles Monthly. “Para John e Paul, escrever canções é muito importante e tocar guitarra é um meio para finalizá-las. Enquanto eles estão compondo novas músicas eu podia me divertir completamente apenas rabiscando (dedilhando) por perto com um violão por uma noite inteira. Sou fascinado por novos sons que eu possa obter de diferentes instrumentos que eu experimentar. Não estou certo de que isso me faça particularmente um músico. Apenas me chame de fanático por uma guitarra e eu estarei satisfeito. ”

As Guitarras

Qual foi a primeira guitarra de Harrison?
De acordo com Paul McCartney em uma entrevista (Bacon Interview) era estritamente um caso de faça você mesmo. “Começamos a conversar no ônibus e ele tinha interesse em guitarras e em música, assim como eu. Resultou que ele ia tentar fazer uma, e faria corpinho sólido estilo havaiano, que era tipo um bom jeito de começar. Você não tinha que entrar no corpo oco nem nada, o que foi muito difícil. E ele fez isso, e nós nos tornamos bons amigos. Ele fez aquela coisa havaiana e não era ruim, uma ação verdadeiramente difícil eu diria.”
Não há registro de que esta guitarra ainda exista.

1956: Egmond steel-strung Spanish style (sunburst, vintage unknown):

Harrison comprou esta “Guitarra de Principiante,” produzida na Holanda por Egmond e distribuída pela Rosetti, do colega de escola Raymond Hughes, por 3 £ (libras) que ele obteve de sua mãe.
O anúncio desta guitarra dizia “o modelo mais barato da nossa série”, por 4 libras, sete shillings e seis pences. Enquanto estava tentando acertar a negociação, o rapaz acidentalmente retirou o pescoço do corpo, mas após algumas semanas no armário, a Egmond foi resgatada pelo colega de guitarra Peter Harrison, que emendou o instrumento de seu irmão. Harrison fez sua estreia no show business com esta guitarra no ano seguinte no Speke British Legion Club, onde “The Rebels”, um grupo de Skiffle formado pelos Harrisons e três companheiros, tocaram em seu primeiro e único show.
A guitarra – menos as cabeças de sua máquina – foi leiloada em Londres durante os anos 80, e graças a seu proprietário britânico anônimo foi emprestada para o Rock and Roll Hall of Fame em Cleveland de 1995 a 2002.
Em 2003, esta pequena Egmond – agora valendo cerca de US $ 800 mil – foi para a exposição no Museu dos Beatles em Liverpool.

1958: Hofner President f-hole acoustic (vintage unknown):

Em um salto quântico de seu primeiro instrumento, e com uma pequena ajuda de sua mãe, Harrison comprou este simpático Hofner, um topo de linha, single-cutaway “estilo cello”, um modelo com um acabamento “sunburst” e um “tailpiece” para compensar, por £ 30. Ele tocou o Hofner President até trocá-lo com um membro da Swinging Blue Jeans no ano seguinte por um Hofner Club 40.

Boas vibrações: Antes de montar um pequeno captador, Harrison obteve volume extra, tocando esta guitarra com a cabeça dela contra um guarda-roupa.

1959: Hofner Club 40 model 244 (vintage unknown).

1959: Resonet Futurama.

Mais detalhes e o texto original neste link.

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A Lenda Viva do Rock Brasileiro está aniversariando!

Hoje, 27 de setembro, está aniversariando o músico, cantor e compositor considerado atualmente o maior roqueiro do Brasil, que é Renato Barros, uma lenda viva!

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Tanta homenagem Renato já recebeu, mas eu não poderia deixar de enviar a ele nesta data também a minha, ele que muito antes da Jovem Guarda existir, já fazia sucesso e estava no topo das paradas com a sua versão da canção composta por Lennon & McCartney, “I should have known better”, a famosa “Menina Linda”!

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Idealizador da banda Renato e Seus Blue Caps, fundou, criou e cuida dela como a um filho, um grupo amado e seguido por muita gente de diferentes gerações, que segue em frente com uma agenda de shows pelo Brasil afora…

Profissional do mais alto nível, Renato é proativo e nunca seguiu a maré; usava desde sempre sua inteligência, criatividade e perspicácia para estar sempre um passo à frente da maioria, conseguindo ser diferente de todos, destacando-se dos demais na trajetória de sua banda.

Um exemplo é o sucesso dos shows de Renato e Seus Blue Caps até hoje, sempre lotados e diferenciados, que Renato idealizou e montou dentro de suas convicções, apresentando inovações como o muito elogiado momento Chaplin com a interpretação da canção “Smile”, levando o público muitas vezes às lágrimas de emoção.

Dono de uma simplicidade ímpar, Renato é desprovido de soberba e nunca fez questão de qualquer destaque na mídia, mas tem muito orgulho e defende seu grupo com a maior excelência e capacidade que lhe são peculiares, fazendo de Renato e Seus Blue Caps uma lenda nacional, sendo ela a banda de Rock and Roll mais antiga do mundo em atividade! (Não, não são os Rolling Stones, eles começaram em 1962… rsrs).

Tive o privilégio de ouvir e conhecer Renato e Seus Blue Caps nos primórdios de seu sucesso, sou fã de carteirinha até hoje e se depender de mim, a historia da banda será sempre contada para que as futuras gerações tomem conhecimento do que foi e continua sendo este conjunto criado pelo “Bacaninha da Piedade”.

Então, só me resta lhe dar parabéns Renato, agradecer por você ser meu amigo, pessoa maravilhosa, e dizer que de minha parte quero muito que você continue assim, sempre com muita saúde, tocando sua guitarra elétrica, compondo suas melodias, cantando canções “dor de cotovelo” com o seu violão nas noites Tijucanas, encantando sempre com o seu carisma.

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Receba todo meu carinho e admiração.

Feliz aniversário, um abraço da sua fã,

Lúcia Zanetti

Ídolos não morrem, ídolos não envelhecem! Entram em nossas vidas sem pedir licença e nos acompanham por toda nossa existência. Ídolos não são fabricados para serem consumidos num momento e esquecidos no seguinte… Ídolos são para sempre!

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Da música para a Literatura: a Poesia de Hamilton Di Giorgio!

Hamilton Di Giorgio

Hamilton Di Giorgio

Cantor e Compositor da década de 1960 (1959-1968), Hamilton nasceu em 20 de setembro 1942 e viveu a sua adolescência em Tremembé, São Paulo, onde cantava para os seus amigos músicas que ouvia no Hit Parade que era transmitido toda semana pela Rádio Excelsior.

Um dia participou do programa “A Boite do Minguinho” da Rádio São Paulo, e foi indicado para o então animador de música jovem da Rádio Panamericana (depois Jovem Pan), Miguel Vaccaro Neto, jornalista e radialista que apresentava novos talentos em seus programas de rádio.

Daí para o sucesso foi um passo, e sua primeira gravação, “My Heart is an Open Book”, vendeu perto de 100.000 cópias!
Hamilton iniciou sua carreira no selo Young, que daria origem à Fermata.

Na Young, Hamilton ainda gravou outros sucessos como “Teenage Sonata”, que deu nome a uma coletânea de músicas feita com muito esmero por Tony Campello.

Com ele, na gravadora Young, ainda nasceram vários artistas como Demétrius, The Jet Black’s, Marcos Roberto, Prini Lorez, entre outros.

Quando esse grupo da Young se desfez, Hamilton foi para a Chantecler e fez sucesso com a canção Anjo Triste, uma versão sua de Blue Angel, de Roy Orbison.

Quase nada foi feito de “doo wop” no Brasil, mas uma gravação se destaca com o grande Hamilton Di Giorgio, nesta versão do sucesso de THE DELL VIKINGS, DE 1956, intitulado COME GO WITH ME!

Sua carreira ainda se estendeu para a Fermata, com “Meu Mundo” e RCA Victor, onde lançou seu último disco, O Bolha / O Mar.

“Anjo Triste” Hamilton di Giorgio em reportagem de Josino Teodoro para da revista Melodias, no tempo que lançou o compacto-simples 'O bolha' / 'O mar' pela RCA Victor.

“Anjo Triste”
Hamilton di Giorgio em reportagem de Josino Teodoro para da revista Melodias, no tempo que lançou o compacto-simples ‘O bolha’ / ‘O mar’ pela RCA Victor.

Anúncio na revista do compacto que ele lançou em 1966 (“O bôlha” / “O mar”) e as capas do disco.

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“O Mar” – Um vídeo com a participação de seu filho Renato Di Giorgio

Como Compositor, Hamilton tem mais de 100 obras entre composições e adaptações, algumas gravadas por ele mesmo. Entre elas, encontramos “Lobo Mau”, uma versão de The Wanderer, composição original de Dion Di Mucci & The Del Satins, 1961, gravada por Tony Campello / Renato e Seus Blue Caps / Roberto Carlos, “Chapeuzinho Vermelho” (The Jet Black’s), “Estrela que Cai” (Os Caçulas), “Na Noite que se Vai” (Agnaldo Timóteo) entre outras.

Miguel Vaccaro Neto entrevista em seu programa Hamilton Di Giorgio e Tony Campello.

Hamilton Di Giorgio nos anos 60 Foto do acervo do cantor

Hamilton Di Giorgio nos anos 60
Foto do acervo do cantor

Hamilton participando do Programa Ritmos para a Juventude, com Antonio Aguillar

Hamilton participando do Programa Ritmos para a Juventude, com Antonio Aguillar

Hamilton trabalhou 50 anos com Informática e agora está aposentado. No momento está passando por um tratamento em fase de cura no Hospital do Câncer em São Paulo, e em 2013 perdeu a voz devido a um AVC que lhe deixou com dificuldade para falar.

Hamilton também escreve poesias…

Seguem algumas delas publicadas por ele em uma rede social…

Poesias que eu rasguei

Poesias que eu rasguei
Onde estão?
Agora já não sei
P’rá onde vão
Os sonhos que sonhei,
P’rá onde vão?
Poesias que eu rasguei
Que diziam?
Agora já não sei
Aonde iam
As velas que soltei
Aonde iam?
Poesias que eu rasguei
– Que maldade!
Nem sonhos que sonhei
Nem velas que soltei
– Só saudade!
(28/08/2016)

Rosa de prata

Momento lento
Tarde distante
Errante
No esquecimento…
O último dia claro
Findava
Soerguendo um anteparo
De lava
Por todas as primaveras
Retidas
Em cárceres de quimeras
Há muito desconhecidas
E a última noite escura
Se abria
Nos cálices de frescura
(De que beberei um dia)
Para aclamar-te a chegada,
Rosa de prata!
– Quantia de amor exata
E eternizada!
A folha queimada no passo
Retardado
Das madrugadas de aço
Forjado
Não pôde nublar-te a vida
Rosa de prata
De encontro e de despedida
Sem data
Nem pode tirar-te a luz
Rosa de prata
O mundo que me seduz
E, pouco a pouco, me mata
Porque foste, no instante,
Rosa de jade
Entre o amarelo inconstante
E o frio azul da saudade!
(04/08/2016)

Revelação

Antes que o sol tenha o encosto
Da terra
Eu devo estar no meu posto
De guerra
Porque tenho o dia raro
E a noite infinda
E não sei se sigo ou paro
Se é ida ou vinda!
(Antes do vento soprar
Eu quero estar no horizonte
Laçando nuvens,
Cheio de orvalho na fronte
Laçando nuvens…)
Às vezes ouço ruídos
E passos
Que me transformam os ouvidos
Em braços
A procurar num infinito
De plasmas
O incomensurável rito
De companheiros fantasmas
(Antes da chuva cair
Eu quero ser primavera
Gerando flores
Adormecido na espera
Gerando flores…)
Qualquer mundo a que me leve
É muito pouco
Pago sempre a quem me deve
E nunca recebo troco
Sempre espero o que não vem
Minha chegada
Não pode chegar além
Do nada!
(Antes do sonho acabar
Eu tenho que ser destino
Guiando estrelas
No universo purpurino
Guiando estrelas…)
Depois de tudo passar
Que se apercebam de mim.
Todos têm o endereço
Do começo
E eu, do fim!
(24/07/2016)

Primeiro Esboço
Agora, ainda mesmo que queiramos,
Já não podemos mais nos separar;
Estamos perto quando longe estamos,
Nossos lugares são um só lugar.
Agora, ainda mesmo que escondamos,
Nossos relógios marcam a mesma hora;
E as duas vidas que, antes, só sonhamos,
São uma vida, apenas vida, agora.
São duas mentes – um só pensamento,
Duas pinturas – mas a mesma cor,
Duas sementes num mesmo rebento:
Somos dois caules de uma mesma flor!
(19/06/2016)

O que fui…O que sou
Na sombra do que fui
Repousa o que sou
Só sou o que não fui
Só fui o que não sou
E fui de utopia
E sou de realidade
E fui de calmaria
E sou de tempestade
Cansado do que fui
Passei para o que sou
E agora, do que fui,
Saudade é no que sou
E fui de azul-celeste
E sou de cinza-pardo
E fui de verde agreste
E sou de seco fardo
No tempo do que fui
Brincava do que sou
E fui o que não fui
E sou o que não sou!
(Num elevador vazio)
(19/06/2012)

Aurora eletrônica
Eu vou me lembrar de agora
Por entre os semi-destinos
Que me espreitam nesta aurora
De sinos
Eu vou me lembrar do jogo
E do abismo de espaço
Dos horizontes de fogo
E do palhaço
Eu vou me lembrar do tônico
Espairar, qua nada alcança
Do infinito eletrônico
E da esperança
Eu vou me lembrar do hino
E da surpresa contida
Do tribunal repentino
Da vida
E vou me lembrar, sonhando,
Do céu, do amor, da cidade,
Das silhuetas queimando
E da saudade!
(28/05/2012)

Nuvenzinha
Poesia ao sol
Que, enfim, saiu
E a nuvenzinha
Do céu sumiu
Mas tudo, ainda
Treme de frio
E a nuvenzinha
Do céu sumiu
Cantam os pássaros
Em liberdade
Será que o sol
Sentiu saudade?
E a nuvenzinha
P’rá onde vai?
Deixando a terra
Daqui não sai
Poesia ao sol
Que volta enfim
E a nuvenzinha
Dentro de mim
(23/05/2016)

Revelação
Antes que o sol tenha o encosto
Da terra
Eu devo estar no meu posto
De guerra
Porque tenho o dia raro
E a noite infinda
E não sei se sigo ou paro
Se é ida ou vinda!
(Antes do vento soprar
Eu quero estar no horizonte
Laçando nuvens,
Cheio de orvalho na fronte
Laçando nuvens…)
Às vezes ouço ruídos
E passos
Que me transformam os ouvidos
Em braços
A procurar num infinito
De plasmas
O incomensurável rito
De companheiros fantasmas
(Antes da chuva cair
Eu quero ser primavera
Gerando flores
Adormecido na espera
Gerando flores…)
Qualquer mundo a que me leve
É muito pouco
Pago sempre a quem me deve
E nunca recebo troco
Sempre espero o que não vem
Minha chegada
Não pode chegar além
Do nada!
(Antes do sonho acabar
Eu tenho que ser destino
Guiando estrelas
No universo purpurino
Guiando estrelas…)
Depois de tudo passar
Que se apercebam de mim.
Todos têm o endereço
Do começo
E eu, do fim!
(23/05/2012)

Procura
Procura pura
Água de rosa feita em pendão
Talvez eu durma amanhã
Hoje, não!
Poesia fria
Rocha de aresta dourada
Encontro da madrugada
Com o dia
Talvez que me exista a sorte
Escondida
Por entre as chamas da morte
Em vida
Ou, talvez, me reste o canto
Calado
E um céu tristonho de encanto
Nublado
Porém, procura!
Procura santa
Procura tanta
Qua a rama arcada
Desova a água de rosa
E volta ao nada!
(16/05/2012)

Síntese
O vento tocava liras
Nos ramos de eletricidade
Enquanto gerava espiras
Planejando a tempestade
E a noite extraviada
Do seu rumo rotineiro
Abria-se numa estrada
De flores, sem paradeiro
Quando a musa, adormecida,
Retornou à sua meta
Trazendo nas mãos a vida
E o destino do poeta:
Padecemos todos
De nós mesmos
Porque somos tantos
E, ao mesmo tempo, ninguém
(E nossos mutismos
São nossos versos também)
A palavra escrita
Limita
A nossa explosão estética
E apenas conseguimos
Derramar nas folhas
Uma vaga ideia
Do que transportamos
Nossos amores fundamentais
São tão fugidios
Que mal podem tomar forma
E se esvanecem…
Nossas crenças e descrenças
Andam juntas, justapostas
Num latifúndio de espaço
Onde, entre escamas esparsas,
Vagam os touros bravios
Brincando de primavera!
O mundo físico
Não existe realmente,
Embora nos engane sempre
(Somos cobaias de um deus
Onipotente)
Não nos molhamos na água
Nem nos queimamos no fogo
Vivemos do que está perto
De novo
Os nossos ouvidos ouvem
Aquilo que os outros vêm
(Estamos a um sentido
Além)
E sempre que conseguimos
Expor alguma verdade
Sepultamos um destino
Dando à luz uma saudade!
(14/05/2012)

Nascimento
A noite gira
Na face convexa
Da terra
Que volta molhada
Toda madrugada
E eu:
(Janela de um mundo
De fundo
Complexo
Sem nexo
Nem sexo)
Contando as estrelas
Que formam a corrente
Cadente
Que abre o meu peito
E penetra queimando
Deixando
Em lugar da certeza
O incerto…
Eu falo outra língua
Por isso não me compreendem!:
Gosto das coisas não tidas
E dos dias não passados
Das lembranças esquecidas
E dos sonhos não sonhados
Gira, gira, gira noite
Em volta do meu chapéu
Que numa das tuas voltas
Eu fico preso no céu
Gira, gira, gira noite
E, enquanto tudo for,
Eu também serei a vida
A esperança e o amor
Gira, gira, gira noite
Que nesta volta incompleta
Morrendo a felicidade
Está nascendo um poeta!
(29/04/2016)

Terceiro esboço
Estou chegando
Sem ter partido
Estou voltando
De onde não fui
Por uma estrada
Acidentada
Num céu cortado
Todo de azul
Tudo é poesia
Subitamente
Na atmosfera
Da eternidade
Cantam os átomos
Cheios de cores
Florindo amores
Pela cidade
Estive ausente
Por tanto tempo
Por tanto espaço
Corrido a esmo
Que, reconheço,
Na estranha guerra
Nada buscava
Só a mim mesmo!
Fui o mudado
E me mudou
O que os outros
Têm conservado
(“Somos iguais
nas diferenças
E diferentes
Nas igualdades”)
Estou chegando
Sem ter partido
Na despedida
Nem tive adeus
Estou voltando
Para os teus braços
O amor existe
Graças a Deus!
(07/07/2013)

Nascimento
A noite gira
Na face convexa
Da terra
Que volta molhada
Toda madrugada
E eu:
(Janela de um mundo
De fundo
Complexo
Sem nexo
Nem sexo)
Contando as estrelas
Que formam a corrente
Cadente
Que abre o meu peito
E penetra queimando
Deixando
Em lugar da certeza
O incerto…
Eu falo outra língua
Por isso não me compreendem!:
Gosto das coisas não tidas
E dos dias não passados
Das lembranças esquecidas
E dos sonhos não sonhados
Gira, gira, gira noite
Em volta do meu chapéu
Que numa das tuas voltas
Eu fico preso no céu
Gira, gira, gira noite
E, enquanto tudo for,
Eu também serei a vida
A esperança e o amor
Gira, gira, gira noite
Que nesta volta incompleta
Morrendo a felicidade
Está nascendo um poeta!
(22/07/2012)

Definição de passado
Era passado e, por ser passado,
Era passado para ser presente
Mas é futuro que não é futuro
Pois é futuro para ser passado
Eu era, para ser como não sou
Vivia de viver o que não vivo
Sonhava de sonhar como não sonho
Não via para ver o que hoje vejo
Se eu soubesse que ia ser assim
Não venceria para ter vencido
Se hoje é ter vencido p’rá perder!
Se eu soubesse que ia ser assim
Não viveria para ter saudade
Se hoje é ter saudade p’rá viver!
(22/06/2012)

Tempestade
Sibila o vento
Na grade
Planejamento:
Já é tarde!
Baila nos ares
Poeira aquática
De todos os mares
E a estática
Num rito ardente
E alterno
Planta a semente
Do inferno!
Sibila o vento
Na grade
É amor
É solidão
É tempestade!
(E, por que não,
Saudade?)
(15/07/2012)

A menina da caneca

Já ia mesmo deitar
E tirar uma soneca
Quando me entrou pelo olhar
A menina da caneca

Era cedo, manhãzinha
Nem de sol, nem de garoa
Que aspecto triste ela tinha
Pés descalços, roupa à toa

Vai à venda buscar leite
E pão, talvez, mal desponta
O sol que, só para enfeite,
Não traz calor – traz a conta!

O seu mundo está ocupado
Nele não existe boneca
Nem a bola, nem o dado
Nem, ao menos, a peteca
Nele só existe um cuidado
(A menina ou a caneca?)
(07/09/2016)

Pedido

Rosa muda
Mudada
Quanto tempo nos separa?

Os espinhos vão caindo
No precipício de espaço
E, do tempo, vão surgindo
Inúmeras gotas de orvalho
Que se acercam dos teus pés
Para deixar-te jamais

Rosa mutante
Do instante
A quantos vai tua hora?
És amanhã ou agora?
(Ou nunca mais?)

Em um ponto do infinito
Eu te espero, rosa vária
Apressa-te na corrente
Como uma nave corsária
Entrecortada de vento…

(Que o meu lado
Cansado
Já se perde
Em esquecimento!)

Aurora eletrônica

Eu vou me lembrar de agora
Por entre os semi-destinos
Que me espreitam nesta aurora
De sinos

Eu vou me lembrar do jogo
E do abismo de espaço
Dos horizontes de fogo
E do palhaço

Eu vou me lembrar do tônico
Espairar, que nada alcança
Do infinito eletrônico
E da esperança

Eu vou me lembrar do hino
E da surpresa contida
Do tribunal repentino
Da vida

E vou me lembrar, sonhando,
Do céu, do amor, da cidade,
Das silhuetas queimando
E da saudade

A menina da caneca

Já ia mesmo deitar
E tirar uma soneca
Quando me entrou pelo olhar
A menina da caneca

Era cedo, manhãzinha
Nem de sol, nem de garoa
Que aspecto triste ela tinha
Pés descalços, roupa à toa

Vai à venda buscar leite
E pão, talvez, mal desponta
O sol que, só para enfeite,
Não traz calor – traz a conta!

O seu mundo está ocupado
Nele não existe boneca
Nem a bola, nem o dado
Nem, ao menos, a peteca
Nele só existe um cuidado
(A menina ou a caneca?)

Culpa

A minha sombra da lua
O meu caminho na rua
Será que sou mesmo eu?
Um sorriso de tristeza
Um tamanho sem grandeza
Será que tudo isso é meu?

Onde está a tranquilidade
A segurança e a saudade
Que sempre trago ao chegar?
Onde ficou a esperança
E o meu olhar de criança
E a vontade de sonhar?

Bem melhor seria tudo
Neste cemitério mudo
Que rodeia o meu pesar
Decompor-se e, finda a guerra,
Desaparecer na terra
Para nunca mais voltar!

A minha sombra da lua
O meu caminho na rua
Tudo parece ser meu!
Meu sorriso de tristeza
Meu tamanho sem grandeza
– Hoje o culpado fui eu!

Camélia velha

Camélia velha
Luar de prata
Que se avermelha
Depois se mata
No precipício
Da gravidade
(Que desperdício,
Monstruosidade!)

Por quanto vives?
Talvez um mês
Talvez um ano
Ou mesmo três…
– Perdi, na conta,
A realidade
Camélia tonta
Da eternidade!

O ramo verde
De onde pendeste
Dirá, ao ver-te:
– Pobre coitada!…
E outras camélias
Com desconforto
Verão que ele
É que está morto!

Só tu que vives
Porque és aquela
Que não é branca
Nem amarela
Que não é telha
Nem é vermelha
Que não é verdade
– É só saudade!

Onde está você?(Segundo esboço)

Onde está você?
Meus olhos cansados
Desbravam o cinzeiro:
Três tocos fumados
E um quase inteiro

Onde está você?
Grená de piano
Grená de pijama
E o branco da cama…
(Já fez meio ano!)

Onde está você?
Relógio batendo…
(O trem que passou
Com o solo tremendo
Fantasmas levou)

Onde está você?
Camisa lavada
Em si quase nada
Mas muito p’rá mim
Jamais foi assim

Onde está você?
Um livro mal lido
(Oriente e Grécia)
A um lado esquecido
Nem chega à Lucrécia!

Onde está você?
Já são quase duas
No escuro do céu
Silêncio nas ruas
(Queimei meu papel!)

Onde está você?
O ar ficou morto
O azul fez marrom
Em todo o conforto
Apenas um som:

Onde está você?
Bem triste este fim
É apenas começo…
Achei o endereço:
– Está dentro de mim!

Contraste

(Espaço vazio, alma cheia!)
Meu navio está perdido nesta bruma esvoaçante…
(Espaço vazio, alma cheia!)
Qual é o nome da tristeza que me invade neste instante?
(Espaço vazio, alma cheia!)
Quanto tempo ainda me resta no percurso desta mágoa?
(Espaço vazio, alma cheia!)
O meu sono de saudade está todo dentro d’água!
(Espaço vazio, alma cheia!)
Contrastantes personagens de uma estória repetida,
(Espaço vazio, alma cheia!)
Vou nascendo e vou morrendo tendo apenas uma vida!

Porque não tenho o objeto
Que me extasia.
Só este espaço repleto
E a alma vazia!

Serena pena

Serena pena
Que me acomoda
Na triste cena
De roda

Num longo rito
Entrelaçada
Com o infinito
E o nada!

Quantos passaram
Ficando
(Quantos sorriram
Chorando)

Pelas vertentes
Dos teus contornos
Como presentes
E adornos!…

E agora és minha
(Só minha!)
Serena pena
Rainha

De uma estória
Bruxuleante
Entre a memória
E o instante!