ANTONIO AGUILLAR ENTREVISTA NORIVAL D`ANGELO, BATERISTA DA ORQUESTRA DE ROBERTO CARLOS.

Trabalhando há cerca de 43 anos como baterista da orquestra de Roberto Carlos, Norival D`Angelo começou na vida artística integrando um conjunto criado por Antonio Aguillar, chamado The Flyers.
Integrou a banda Secos & Molhados no auge do sucesso, depois da saída do baterista Marcelo Frias, participando dos shows e do segundo CD da banda, que incluia o hit “Flores Astrais”.

Norival D`Angelo

Trabalhou também com as bandas Beatniks, SomBeats, entre outras, levando ao público os primeiros trabalhos cover de Jimmy Hendrix, Led Zeppelin e Deep Purple.

Esta entrevista foi concedida a Antonio Aguillar nos camarins do Ginásio do Ibirapuera durante um Show de Roberto Carlos em São Paulo, no final de agosto 2017.

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Geraldo Alves, primeiro Empresário Artístico de Roberto Carlos lança livro de memórias.

Estas duas imagens a seguir são do grupo The Clevers em sua segunda formação…

O ano era 1965 e nessa ocasião Roberto Carlos iniciava à frente do recém lançado programa, o Jovem Guarda da TV Record, e prometia colocar a banda no Jovem Guarda para promover a nova versão dos Clevers, porque os anteriores tinham migrado para “Os Incríveis”, cujo nome era o título dos LPs dos Clevers.

Foi um sufoco, muita confusão na época, mas Antonio Aguillar conta que conseguiu ultrapassar todos os obstáculos e fazer sucesso com a versão da música “No Reply” dos Beatles, título “SEM RESPOSTA”, versão escrita por Norberto de Freitas, um discotecário da Radio Nacional de São Paulo.
Essa banda chegou a tocar no Reino da Juventude da TV Record e fez outros programas de televisão em São Paulo além de ampla divulgação do sucesso “Sem Resposta”.

Em vista de se vestirem como os Beatles e lembrarem os músicos ingleses com suas roupas e cabeleiras, acabaram sendo contratados para tocar no Beco, uma casa promovida pelo famoso Abelardo Figueiredo.

Em 1968 acabou o programa Jovem Guarda e eles também se debandaram, cada um seguindo seu caminho solo, o nome ficou fora da mídia até que Aguillar voltou ao radio em 2005, com o programa Jovens Tardes de Domingo pela Radio Capital, quando formou um novo grupo com a patente The Clevers, chegando a gravar dois CDs e um DVD e continua até hoje tocando em shows e bailes.

Estou contando esta historia por que no próximo dia 9 de abril ocorrerá o lançamento do livro de Geraldo Alves, o primeiro empresário artístico de Roberto Carlos e de muitos outros artistas da Jovem Guarda, e a banda The Clevers em sua formação atual estará presente no Bar Brahma acompanhando a apresentação dos artistas convidados para o lançamento do livro.

Um detalhe: Roberto Carlos autorizou o livro de Geraldo Alves.

Hoje a formação dos Clevers tem Rod Spencer na guitarra solo, Luiz Monteiro na guitarra base e vocalista, Satoru no contra baixo, João Kramer no teclado e Evaldo Correa na batera.

Segue uma entrevista levada ao ar pela Rádio Capital em 26/03/2017, ocasião em que Antonio Aguillar conversou com Geraldo Alves. Ele contou alguns detalhes do início de carreira de Roberto Carlos, convidou para o lançamento de seu livro no dia 09 de abril, às 16h30 no Bar Brahma em São Paulo, e citou alguns cantores lançados por ele como Paulo Sérgio, Altemar Dutra, entre outros.

Ao final temos a oportunidade de ouvir um depoimento do saudoso Sérgio Murilo a Antonio Aguillar, contando por que cantava com as mãos…

Ouçam!

Geraldo Alves foi o primeiro empresário artístico de Roberto Carlos. Ele era açougueiro em Limeira, interior de São Paulo, e também acordeonista. Quando trabalhava com Roberto Carlos no inicio de carreira, Geraldo Alves levava Roberto a fazer shows em circos (era moda na época) e acompanhava o cantor com o seu acordeom ou sanfona, como era chamada na época, enquanto Roberto tocava seu violão.

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PAULO SÉRGIO IMITAVA OU NÃO ROBERTO CARLOS? DESCUBRA AQUI!

paulo-sergio

Esta entrevista foi feita por Antonio Aguillar com Paulo Sergio à época em que estava havendo uma grande polêmica sobre ele e Roberto Carlos.
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Paulo Sergio foi lançado por uma gravadora pequena chamada Caravelle. Ele era alfaiate e pretendia ser cantor profissional. Paulo na ocasião em que pretendia cantar procurou Chacrinha e cantou no programa de calouros que ele fazia no Rio de Janeiro, dublando o cantor Altemar Dutra como se fosse um cantor que tinha a voz parecida com a dele.
Claro que foi uma artimanha de Chacrinha para lançar Paulo Sérgio em disco mais tarde.
O Diretor da gravadora Caravelle era o Sr. Guimarães, que acreditava muito nesse lançamento. Depois de tudo isso, disseram a ele (Paulo Sergio) para cantar na linha do Roberto Carlos, que já estava fazendo sucesso. Foi uma época muito interessante.
Chacrinha, que também lançou o Roberto Carlos no Rio, através do programa de Rock do Carlos Imperial, costumava colocar um cantor contra o outro, criando um ambiente instável entre as fãs e com isso o seu programa conseguia alcançar grande sucesso.
Ele fez assim também com o Antonio Aguillar.
Foi combinado que ele falaria mal do programa do Aguillar nos programas dele, quando ele estava ainda na Radio Nacional de S.Paulo e o Antonio Aguillar rebatia falando que o programa do Chacrinha era ultrapassado e assim por diante. Isso gerou uma confusão entre os ouvintes proporcionando grande audiência para os dois.
Chacrinha havia discordado de Roberto Carlos em certa ocasião por causa de cachê e acabou promovendo Paulo Sergio, dizendo que o Roberto Carlos já era, e que agora era a vez do Paulo Sergio e acrescentava mil coisas para criar muita confusão.
Era assim que as coisas funcionavam e os dois artistas conseguiram sucesso.
Paulo Sergio foi um lançamento da Caravelle, uma gravadora pequena diante da CBS, gravadora de Roberto Carlos.
Como Roberto Carlos sempre usou de bom senso, tocou sua vida pra frente gravando na ocasião, quando surgia o sucesso “Ultima Canção”, a musica “Te amo Te amo Te amo” e assim os dois foram para as paradas de sucesso e a vida continuou até a morte de Paulo Sergio.
Antonio Aguillar tem essa história com Chacrinha gravada, e a revista O Cruzeiro, na época, pediu-lhe essa gravação completa e fez uma matéria de capa com duas paginas, a qual repercutiu no Brasil inteiro.
Isso gerou muita confusão, pois Chacrinha acabou se tornando inimigo pessoal do Aguillar, porque não admitiu essa matéria na revista, alegando que falou para o programa dele mas não queria que fosse cedida para a revista.
Enfim, este é um resumo de tudo, contado a mim por Antonio Aguillar, pra gente ter uma ideia do porquê Paulo Sérgio falou aqui neste áudio “…quem não tem defeito que atire a primeira pedra”.

O saudoso Flautista Altamiro Carrilho numa entrevista a Antonio Aguillar.

Em 1995 Altamiro Carrilho concedeu esta entrevista a Antonio Aguillar, e já naquela época demonstrava sua frustração com o rumo que tomava a música brasileira, que aos poucos havia deixado de lado a música instrumental!

O grande flautista faleceu em 15 de agosto de 2012, aos 87 anos… (1924-2012).

Altamiro Carrilho e Antonio Aguillar

Altamiro Carrilho e Antonio Aguillar

A poetisa Marina Fairth, filha do Flautista, no poema “Brasileiro Altamiro Carrilho”, homenageou seu pai, o saudoso músico, compositor e flautista.
Ele era considerado pelo flautista francês Jean Pierre Rampal o melhor flautista do mundo.
BRASILEIRO ALTAMIRO CARRILHO
Marina Fairth
Que bom que tenha nascido brasileiro!
E que sua missão fosse a de sempre estar
à frente de todos os passos
que fariam de nossa música
obra de arte de valor incalculável!
Embora seja simples seu modo de se apresentar,
torna tudo aquilo que concebe em realidade.
Faz da sonata um choro leve;
do samba uma festa!
Dos hinos uma euforia,
do maxixe fantasia!
E dos clássicos … uma ode à eterna esperança
vestindo-se de criança
brincando com o Carinhoso em forma de sinfonia!
Que prodígio é este menino!
60 anos brincando de fazer música:
compondo, executando com magistral beleza,
deixando que sua natureza
se manifeste em seu som
tirado da flauta e do flautim,
fazendo um grande festim
das bodas da harmonia com o brilho do artista!
Altamiro – Brasileiro Carrilho!
Que fala a linguagem universal,
porém única em seu particular sonho criativo,
tornando-se mito em sua terra e nas terras de além-mar!
Altamiro, com orgulho ofereço
esta página que é minha,
que reflete o meu carinho,
minha honra em ter nascido uma filha
do brasileiro Altamiro!
Deus te abençoe, meu pai,
pelo muito que tem feito,
por ter tirado proveito
do dom sagrado que Deus lhe deu.
E por estar cumprindo honrosamente sua missão neste mundo:
Fazer brilhar a Luz de Deus através de sua música!

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Os 75 anos de Roberto Carlos, por Antonio Aguillar.

São 75 anos de saúde e vitalidade, muita disposição para o trabalho,comandando uma grande equipe, além de um grande perfeccionista.
Tomei conhecimento do artista, quando procurado pelo Chacrinha em São Paulo, nos anos 60 para alavancar a carreira do futuro ídolo, assim dizia e acreditava o velho guerreiro.
Roberto Carlos está completando hoje 75 anos de idade. Meus desejos de toda a sorte do mundo, para que permaneça no sucesso por muito tempo ainda, a fim de que possamos ter sempre ao nosso convívio, esse “cara” espetacular.
Hoje muita gente pensa ser dono do Roberto Carlos, mas afirmo: – ele cresceu não só pelo seu grande talento. Não foi bem assim.
Roberto Carlos foi contratado pela CBS, antiga gravadora Columbia, onde Sergio Murilo era o ídolo maior e já conhecido internacionalmente com a musica MARCIANITA. Como Sergio Murilo entrou em conflito com a Direção de sua gravadora, alegando problemas de royalties, acabou na geladeira… e em seu lugar contrataram o “Zunga”, apelido familiar de Roberto Carlos. Certamente a Direção da CBS na pessoa do Sr. Evandro, reconhecendo o talento e a grande vontade dele de ser um grande artista no futuro, acreditou e Roberto Carlos passou para o “cast” e a ele deram toda a estrutura. Mandaram Roberto morar em São Paulo, pois era considerada o celeiro dos Artistas. Meus programas de rádio e televisão na Organização Victor Costa, Rádios Nacional, Excelsior e TV Excelsior, comandavam a massa. Os artistas cariocas me consideravam no Rio, uma “Lenda viva do Rock”. Modéstia à parte quando ninguém dava a menor importância ao futuro ídolo, eu o carregava nas costas, atendendo sempre seus pedidos de ajuda na divulgação de suas musicas e quando insistia me pedindo que desejava fazer toda semana os meus programas de TV ao vivo. Naquele tempo nem os conjuntos musicais The Jordans, The Jet Black`s e The Clevers queriam acompanha-lo. Ele cantava com seu violão ou play back. Fui ajudando em tudo o que podia. Levava para shows, Televisão e sempre tocava suas musicas no rádio. Ele sempre me dizia: _ Aguillar preciso muito de você, porque ainda quero ser “alguém na vida”. Minha resposta era essa: milagres eu não faço, porém posso continuar divulgando desde que você renove sempre suas musicas criando um bom repertório. Ele ficava pensativo, mas dava crédito aos meus conselhos, tanto é verdade, e ele pode estar lendo isso, e tenho a convicção de que jamais vai me desmentir, e eu não me cansava de insistir para que ele deixasse de lado o seu repertório antigo e gravasse coisas mais modernas, principalmente Rock pois era a linha dos meus programas e nesse patamar, ficaria mais fácil ajuda-lo em sua carreira profissional..
A CBS contratou a Edy Silva como divulgadora, era uma pessoa tarimbada em termos de divulgação e quando ele gravou SPLISH SPLASH, uma versão do Erasmo Carlos para o sucesso de Bobby Darin, ai todo mundo ficou sabendo dele e começaram a tocar suas musicas em São Paulo e Rio de Janeiro e nas rádios de todo o Brasil. Ele seguiu então nessa linha, com Calhambeque, e outras mais, crescendo sempre como artista. Roberto Carlos deve muito ao Abelardo Barbosa, o “Chacrinha” pois teve a sorte de ser conhecido através do meu programa Reino da Juventude na TV Record, sendo contratado para fazer o “Festa de Arromba” na TV Record no lugar do meu programa. Ele chegou a falar comigo, se não me prejudicaria se aceitasse a proposta. Claro que não, disse-lhe eu, aceite sim e bola pra frente. Ele ficou tão feliz e o programa depois recebeu definitivamente o nome de “JOVEM GUARDA”, que considero um movimento eterno.
Roberto Carlos, hoje sou eu quem agradeço a você por não ter esquecido do amigo aqui, que esteve a seu lado nas horas mais difíceis de sua carreira e sempre o incentivou. Essas coisas não têm preço…são coisas de DEUS.

Antonio Aguillar

RC e Antonio Aguillar

RC e Antonio Aguillar

Em sua homenagem, um vídeo especialmente preparado pelo radialista Francisco Miguel Peres Garcia…

Parabéns, meu eterno ídolo, eterno “Rei da Juventude do Brasil”, que você tenha vida longa e continue a nos brindar com suas canções.

Roberto Carlos 75

The Jordans, um conjunto de Rock Instrumental dos anos 60.

Este é um texto sobre a trajetória do conjunto The Jordans, escrito na ocasião do lançamento do CD The Jordans Bons Tempos! 35 anos de Rock Instrumental.

CD dos Jordans

O conjunto teve início em 1958, no bairro do Tatuapé em São Paulo, onde se reuniam Aladim, Sival e Tigueis com o nome de “The Tree Plays” para tocarem nos clubes do bairro e em programas de rádio na época do início do Rock and Roll no Brasil.

Neste vídeo Aladim conversa com Antonio Aguillar durante seu programa de rádio e conta sobre o início dos Jordans

Posteriormente, conheceram outros músicos que vieram fazer parte do grupo, como Mingo, que morava atrás da Biblioteca do Tatuapé e Manito, que se exibia em Shows das Lojas Sangia no mesmo bairro, em cima de caminhões palco.
Participaram do programa Crush-Hi-Fi da TV Record, na Rua da Consolação ao lado de Celly Campello, George Freedman, Antonio Cláudio e Jester Tigers, The Rebels, Gally Jr. (Prini Lorez) e outros grandes nomes que agitaram a juventude no início dos anos 60.
A convite de Carlos Gonzaga, o ídolo número 1 do Rock Balada Brasileiro, participavam de seus shows em todo Brasil, onde iriam conhecer Antonio Aguillar, que estreava um programa na antiga Rádio Nacional na Rua das Palmeiras, com o nome de Ritmos para a Juventude, no auditório da emissora, ao vivo, apresentado todos os sábados e que se tornaria o programa de maior audiência em São Paulo, Foi o embrião do Programa Jovem Guarda, que aconteceria alguns anos mais tarde.
Nesse programa apresentavam-se outros grandes ídolos da juventude do momento, como Demétrius, Baby Santiago, Wilson Miranda, Mário Augusto, Renato Guimarães, Moacir Franco, Jet Black’s, The Hits Gianne, etc. Teriam sua primeira gravação em 78 RPM pelo selo Mocambo, com a música Bouddha, surgindo aí a chance de serem contratados pela gravadora Copacabana, que lançaria o primeiro LP do conjunto, com o título de “A vida Sorri Assim”, que tornaria o conjunto conhecido do público brasileiro.
Nessa época também havia uma caravana de artistas da Rádio Nacional comandada pelo “Peru que Fala”, apelido de Sílvio Santos, que levava aos bairros e cidades do interior shows patrocinados pelas lojas Ultralar, com a presença fixa de Carlos Alberto de Nóbrega, Ronald Golias, Canarinho, Chocolate, Paulo Moien, Wilson Miranda, Betinho e seu Conjunto, Uccio Gaetta, Francisco Egídio, Agnaldo Rayol, Ângela Maria, Ronnie Cord, Cauby Peixoto e Os Jordans que lá estavam executando os rocks instrumentais para a juventude. Nesse momento também era dado o início na Rua Augusta da primeira casa noturna a executar músicas ao vivo dirigida ao público jovem, com os ritmos que predominavam naquele momento: Rock and Roll, Twist, Hully Gully, Madison, Calypso etc… e que se tornaria o ponto noturno mais famoso em todo o Brasil, cujo nome era Boate Lancaster; logo após outras seriam montadas também na Rua Augusta, como a Squindô (esquina com Av. Paulista), Salloon, San Quentin, Hi-Fi, etc… e os Jordans lá estavam animando aquelas noites inesquecíveis para quem frequentou e curtiu.
Os Jordans, a exemplo dos Jet Black’s, saíram da Boate Lancaster para o seu primeiro grande sucesso em disco com a música Blue Star, que se colocaria em primeiro lugar nas paradas de sucesso de todo o Brasil durante seis meses.
No ano de 1963 os Jordans participaram de muitos programas de grande audiência na TV, como o programa Yani Jr. na Record, junto com Jô soares, sendo na época o conjunto que o acompanhou em seus números de humorismo; o Clube dos Artistas, Almoço com as Estrelas, do saudoso Ayrton Rodrigues e em todos os musicais da Record, como Show do dia 07, Astros do Disco com Randal Juliano, programa Júlio Rosemberg na TV Cultura, Alô Brotos na TV Tupi com Sérgio Galvão, Clube do Rock, com Ademar Dutra na Organização Victor Costa (hoje Globo), programa Renato Corte Rayol na TV Record, Discoteca do Chacrinha na TV Rio e muitos outros programas famosos.
No retorno da Europa no final de 1967 os Jordans foram agraciados com o Título de Cidadãos Paulistanos, oferecido oficialmente pela Câmara Municipal de São Paulo.
Seguiram-se outras gravações dando sequência à carreira dos Jordans em todo o Brasil com as músicas F.B.I., Midnight, Tem va Pas e outras mais, o que fazia o conjunto cumprir uma agenda intensa de viagens pelo país. As emissoras de televisão, em virtude da grande aceitação do público, começaram a produzir programas do gênero e a convidar os artistas que estavam despontando nas paradas de sucesso para participarem de seus musicais: TV Exelsior com Whisky a Go Go, TV Record, Ritmos para a Juventude, TV Tupy, Alô Brotos, etc… E lá estavam os Jordans presentes em todos eles.
A TV Record, emissora líder em musicais na época, resolve então produzir um programa aos domingos sob o comando de Roberto Carlos, com o nome, a princípio, de Festa de Arromba, mas que depois recebeu o título de Jovem Guarda. Entre os nomes que deveriam fazer parte do programa estavam Os Jordans, contratados exclusivos para se apresentarem em todos os programas do eixo São Paulo / Rio.
Em 1966 os Jordans participaram do Programa Show do Dia 7, um especial da Record no qual foram surpreendidos com o sucesso de sua apresentação com a música Tema de Lara, em que tiveram que fazer o bis por três vezes em respeito ao público de pé, que exigia o bis, aplaudindo sem parar. Imediatamente a Copacabana colocou os Jordans no estúdio para gravar e lançar em apenas dois dias o Compacto Simples e depois o LP Studio 17, que foi o maior triunfo do conjunto, que recebeu o troféu Roquete Pinto, o Disco de Ouro e um contrato para a temporada na Itália em 1967.
Em outubro de 1967 embarcaram para a Europa para cumprir temporada na Itália, porém fazendo escala na Espanha, onde encontraram seus discos que foram lançados por lá.
Na França estiveram participando de entrevistas junto com Johnny Hollyday e Silvie Vartan.
Em Londres, Inglaterra, não sabiam o que o destino lhes reservaria de maravilhoso, e numa feliz coincidência, ao fazerem uma refeição em um Restaurante italiano em Picaddily Circus, tiveram a oportunidade de conhecer e serem filmados ao lado dos ídolos de todo o mundo, a banda The Beatles, que estava em sua fase de maior sucesso!
The Beatles recebeu os Jordans em seu laboratório de filmagens, defronte ao referido restaurante, proporcionando o maior comentário na imprensa falada e escrita em toda a América do Sul, tendo em vista que os Beatles nunca estiveram por aqui na sua fase áurea.
Finalmente desembarcaram na Itália, onde foram recebidos por toda a imprensa de lá, inclusive foram homenageados com um banquete oferecido pelo Cônsul brasileiro.
Apresentaram-se na TV italiana R.A.I. com uma montagem pelos cenógrafos italianos das estirpes russas, executando a música Tema de Lara e Noites de Moscou, vestidos de Cossacos num show transmitido por toda a Europa.
De volta ao Brasil ainda tiveram mais uma surpresa, que foi encontrar na viagem o conjunto britânico The Hollies, que vinha cumprir temporada aqui na América do Sul.
Antes de partirem da Itália assinaram um contrato de 05 anos para permanecerem na Europa a partir de 1968, contrato este que não foi cumprido por divergências entre os elementos dos Jordans, o que motivou a saída de Aladim, o solista da banda, e posteriormente os Jordans encerrariam suas atividades musicais.
Agora, em 1992, passados 25 anos, os Jordans se reúnem novamente a convite de Mingo, dos Clevers (falecido em 1995), que também fez parte do conjunto em sua primeira formação, e que resultou na motivação para a gravadora Movie-Play relançar os seus discos, agora remasterizados em CD.
Novamente estão os Jordans se apresentando em shows e programas de televisão a título de resgatar a memória da fase do Rock Instrumental Brasileiro. O conjunto produziu em 1995 um CD obedecendo o estilo que fizeram em toda sua carreira, com músicas inéditas e outras regravações de hits famosos com a técnica digital de hoje, destacando uma melodia que promete ser mais um sucesso (Cavatina), que será lançado brevemente pela gravadora Sky-Blue.
Os Jordans voltam com seus integrantes originais: Aladim, Tony, Sival, Foguinho, em algumas faixas que precisou de saxofone está o Manito, que também foi integrante dos Jordans no início de carreira.

“The Jordans foi um grupo lançado por mim em l960 na Som Copacabana com o LP A VIDA SORRI ASSIM, uma banda instrumental que fez muito sucesso principalmente com Blue Star e Tema de Lara. Seus componentes eram Aladim, Siwal, Tony, Foguinho, Mingo, Neno, Manito, Ziquito, José Aroldo Binda, Marco Aurélio Rocha , Porquinho. Em 1967 Aladim resolveu deixar o grupo e formar sua própria banda ALADIM BAND e gravou dois LPs. Em l967 The Jordans foram para a Europa e ocasionalmente tiveram a oportunidade de conhecer os componentes dos Beatles, o maior sonho de qualquer brasileiro e The Jordans tiveram esse privilegio.
Em 1976 acabou a banda The Jordans, cada um foi para seu lugar. A banda The Jordans, considerada a melhor banda instrumental dos anos 60, deixava de existir.
Foguinho, o baterista, era também cantor, mas nunca teve destaque como tal. Siwal também canta e ninguém sabe disso. Uma pena tantos valores fora da mídia! Foguinho gravou as músicas ‘What does it take to win your love’, ‘Yesterday When I Was young’ e ‘Make Me Smile’ ” (Antonio Aguillar)

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“Lembro-me da daquelas tardes quentes de sábado quando o auditório da Rádio Nacional de São Paulo era sacudido pelos ritmos estridentes dos The Jordans, emanados de suas irresistíveis vocações musicais.
Qualquer pessoa, mesmo afastada desse gênero musical, poderia ver que aqueles harmoniosos rapazes seriam sucesso em breve espaço de tempo. Era evidente.”
Assim dizia eu naqueles loucos anos 60, na contra capa do primeiro disco dos Jordans, “A Vida Sorri Assim”, e ainda hoje permanece verdadeiro. Em 1960, quando da estreia no mundo do disco, Aladim, Sival, Tony e Foguinho, a primeira formação original que permaneceu por muito tempo, contavam ainda com Irupê e Mingo (este depois foi para Os Incríveis). Mas o grupo sempre foi um celeiro de grandes nomes, tendo passado também por eles Manito e Neto (Os Incríveis) e Ziquito.
Permanecendo como o único conjunto de Rock Instrumental com a formação original até hoje, estes saudáveis senhores continuam mais jovens que há 35 anos atrás, pois assimilaram a tecnologia atual, sem perder aquela frenética busca do timbre ideal para cada som de cada instrumento.
São algumas décadas e dezenas de discos que separam aquele árduo início de carreira, quando estouraram internacionalmente com “Blue Star”, tendo passado por “Tema de Lara”, “Noites de Moscou”, “F.B.I.”, “Tem Va Pas”, “Peter Gunn” e muitas outras desde CD que levou um ano para ser gravado, pois o perfeccionismo deles impedia qualquer falha. Desta vez eles vieram para provar que são como o vinho, quanto mais velho, melhor! Mas, melhor para nós!”

Texto escrito por Antonio Aguillar, na ocasião do lançamento do “CD The Jordans Bons Tempos! 35 anos de rock instrumental”

“A última formação dos Jordans, que encerrou suas atividades, num baile em Bauru( agosto de 1974) era:
Marquinho( guitarra solo e cantor) Chico Medori ( Chicao), bateria e cantor, Toni, (contra baixo e cantor), Everaldo, ( Piston), Irupe, ( Sax) e EValdo ( Teclados) e cantor
Hoje, o Aladim detém o nome da banda, e junto com o Sinval e eventualmente com o Toni, mais um baterista, realizam shows, de forma esporádica.
Se apresentaram recentemente na Virada Cultural de SP.” (por Marco Aurélio, o Marquinho)

De como The Clevers se tornou Os Incríveis e com isso surgiu o conjunto The Flyers!

Já contamos aqui a “Historia das Bandas de Rock criadas por Antonio Aguillar e o caso da banda The Clevers, mas hoje vamos falar sobre o conjunto The Flyers e de como The Clevers se tornaram Os Incríveis. 😉

The Flyers foi um grupo criado por Antônio Aguillar e que só gravou um único disco, o qual fez até sucesso e hoje é uma raridade.
O conjunto era formado por Patinho (guitarra solo), Pulinho (bateria), Lumumba (sax), Tico (guitarra base) e Fafá, como informava a Revista Melodias Nº 89 de Dezembro 1964.

The Flyers 1

Fle Flyers 2

Aqui a capa e contra capa do LP lançado pela RCA Victor, com “The Flyers” (Os Voadores).

contra capa LP The Flyers (1)

contra capa LP The Flyers (2)

Soube que este grupo parou após ter feito sucesso com este único disco, então perguntei qual foi o motivo disso ao Antonio Aguillar, que me contou o seguinte:

“Este foi o único disco dessa banda, criada por mim e lançada em 1964, quando eu tinha o meu programa na TV Record Canal 7 e fazia o “Reino da Juventude” no Teatro Record, Av. da Consolação, 1992, onde um ano depois teve início o programa “Jovem Guarda”, do Roberto Carlos.

Tudo começou quando a meu convite Rita Pavone, que fazia um programa especial no Teatro Record, esteve no meu programa para receber uma guitarra de ouro de fabricação Giannini.

Aguillar e Rita Pavone 1964

Falei com os rapazes da minha banda, os “The Clevers”, para brindá-la tocando “Datemi Un Martello”, seu grande sucesso internacional. A italianinha não se conteve diante do auditório e acabou cantando sem ensaio e sem autorização do seu empresário Ted Reno, e foi um acontecimento inusitado, que redundou num convite para que a banda a acompanhasse em suas apresentações seguintes no Teatro Record e na ida deles à Italia para acompanhá-la numa turnê pelo seu Pais.

Como naquele tempo a televisão ainda não dispunha da tecnologia de hoje e os vídeo-tapes também eram um tanto obsoletos, não se tinha uma segurança para a realização de um programa gravado e deixá-lo assim se houvesse a necessidade de se ausentar. Inseguro e não podendo viajar com a banda, que seria o ideal pois assim cuidaria do esquema com a maior segurança possível, fui obrigado a aceitar a interferência de uma pessoa e isso foi a pior coisa que eu fiz na vida…
No decorrer do tempo lá na Itália, fizeram a cabeça dos componentes da banda The Clevers para que rompessem relações comerciais comigo, pois assim ganhariam mais dinheiro e maior fama. Eles entraram nessa, se esquecendo do investimento e todo o tipo de promoção feita por mim em torno deles.
Simplesmente voltaram ao Brasil e disseram-me: “viemos romper com você”.

Não acreditei, porém era verdade. Chorei durante uma semana, porque tinha eles como uma espécie de filhos. Produzi cerca de 5 LPs com eles, inclusive usando um título sui-generis, ‘OS INCRÍVEIS THE CLEVERS’. E quando disse a eles que The Clevers era uma patente de propriedade de Antonio Aguillar, eles disseram que iriam utilizar o nome “Os Incríveis” e assim ficou.

Mas as semanas, os meses se passaram e a televisão, emissoras de rádio, divulgaram uma miscelânea de coisas, sem entender as verdadeiras razões e quem acabou ficando na pior já viu..fui eu, que agora me tornava pequeno diante dos rapazes que ficaram internacionais.
Eu me lembro que a musica ERA UM GAROTO QUE AMAVA OS BEATLES E OS ROLLING STONES, estava em minhas mãos para fazer a versão. Diante dos acontecimentos, dei o compacto simples importado para eles dizendo que não teria como fazer essa versão. Se fosse maldoso, teria feito para o grupo “The Flyers”, que criei após ter sido abandonado pelos Clevers…

Bem, a história é longa, mas resumindo: The Flyers não foram para frente diante de tantas coisas contra mim e acabaram se desmanchando e cada um foi para o seu canto. Portanto, o LP com The Flyers numa gravadora de grande peso acabou ficando no meio do caminho. Mas era um grupo maravilhoso e tocavam muitoooo…

Enfim, se na ocasião em que eles foram para a Itália, tivessem respeitado o trabalho do próximo, todos poderiam ter ficado ricos.

Mas já é passado, está morto!

(Por Antonio Aguillar, em 15 de fevereiro de 2013)

Antonio aguillar diz Os jovens foram ingratos

Muito se falou na mídia naquela época, e as reportagens nas revistas não pouparam o comunicador da juventude feliz e sadia…

Revista - Aguillar é um explorador

Revista - Festival da canção italiana

Revista - Pai de Manito fala de Aguillar

Revista - Sucessos Continental Os Incríveis

Revista - Tudo é paz entre Os Incríveis e Aguillar

Mas hoje Aguillar tem o devido respeito de todos, inclusive dos que já se foram, como o guitarrista Neno, que aqui fala de sua gratidão:

E também de Manito, o grande saxofonista dos Clevers/Incríveis:

E ainda temos o depoimento do Netinho, que continua fazendo sucesso como baterista, inclusive tendo participado do conjunto “Casa das Máquinas”!